quarta-feira, 12 de julho de 2017

“Nossa Senhora veio aqui porque queria curar o Padre Pio”


O Padre Pio esteve uma vez severamente doente, de cama, e Nossa Senhora de Fátima fez-lhe uma visita para curá-lo

Quase todo o mundo conhece Nossa Senhora de Fátima. Quase todo o mundo já ouviu falar de São Padre Pio. Mas quantos sabem que o Padre Pio esteve uma vez severamente doente, de cama, e Nossa Senhora de Fátima fez-lhe uma visita para curá-lo?
O evento miraculoso aconteceu em 1959. Naquela primavera, a imagem de Nossa Senhora de Fátima tinha vindo de Portugal para visitar as capitais das províncias da Itália, em várias paradas. Viajando de helicóptero, a imagem de Nossa Senhora deveria seguir para Foggia, onde o bispo Paolo Carta tinha preparado uma recepção calorosa para a Santíssima Virgem. Mas houve um desvio na rota.
Mais tarde, em 1997, como bispo emérito, ele contaria essa história à fundação Voce di Padre Pio, falando um pouco sobre o amor de longa dataque o Padre Pio sempre cultivou por Nossa Senhora de Fátima:
Acho que posso afirmar que na metade de século que se seguiu, ninguém dentro da Igreja deu a Fátima uma resposta mais completa do que o Padre Pio. A ansiedade maternal do Imaculado Coração de Maria pelas almas que se precipitavam no inferno, invadiu profunda e completamente o coração do Padre Pio, que fez da sua vida inteira um grande sacrifício para que Nosso Senhor livrasse as almas da condenação eterna.
O bispo sublinhou que, em Fátima, Nossa Senhora havia pedido especialmente pela oração do Rosário. “E quem poderia contar as horas que o Padre Pio passou a rezar pela conversão e salvação dos pecadores? E com que amorosa insistência ele não recomendava o Rosário a todos como meio de atingir a salvação?”
Além disso, o bispo também apontou para os incontáveis atos de mortificação, penitências e sofrimentos praticados pelo Padre Pio para salvar as almas do inferno, em resposta ao que Nossa Senhora havia pedido. “Esta resposta heroica do Padre Pio merecia um sinal de mimo materno de Nossa Senhora — e o sinal foi maravilhoso.”
Para a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, vinda de Portugal, estava programada uma passagem pela grande cidade de Foggia, no começo de agosto. O mosteiro de San Giovanni Rotondo pertencia à diocese de Foggia, mas o Padre Pio estava severamente doente, acamado por conta de uma pleurite, desde o dia 5 de maio. Se estava impossibilitado até de celebrar a Santa Missa, quanto mais de peregrinar até Foggia!
“Mas poderia uma Mãe com um Imaculado Coração tão sensível e delicado não visitar seu filho mais querido, o Padre Pio?”, conta o bispo Paolo Carta.
Por algum motivo, o itinerário mudou. A imagem não iria mais para Foggia, e sim para San Giovanni Rotondo. A alegria tomou conta dos ares enquanto as pessoas se reuniam em volta do mosteiro. Com a ajuda de um alto-falante, o Padre Pio foi capaz de prepará-los para a chegada de sua Mãe, no dia 6 de agosto.
Naquela manhã, o Padre Pio conseguiu descer até a igreja e alcançar a imagem de Nossa Senhora — “mas teve que se sentar pois estava exausto”, observou o bispo, e depois “ele deu a ela um Rosário dourado”. ” A imagem foi rebaixada diante do seu rosto e ele lhe deu um beijo. Foi um gesto de muito carinho.”
Naquele mesmo dia, entre as duas e três da tarde, Nossa Senhora de Fátima estava mais uma vez no helicóptero, pronta para partir rumo ao seu próximo destino. Decolando da Casa Sollievo della Sofferenza — construída por ideia e inspiração do Padre Pio e inaugurada a 5 de maio de 1956 —, o helicóptero deu três voltas em torno do mosteiro antes de voar em direção à sua próxima parada. (Nem o piloto da aeronave conseguiu explicar, depois, por que se deram aquelas voltas.)
O bispo Paolo Carta descreveu ainda como, “de uma janela, o Padre Pio viu o helicóptero voar para longe, com os olhos cheios de lágrimas. Para Nossa Senhora que estava no voo, o Padre Pio lamentou com uma confiança que era própria dele: ‘Minha Senhora, minha Mãe, vieste à Itália e eu fiquei doente, agora te vais embora e me deixas doente ainda.'”
Mas, enquanto o helicóptero dava voltas no ar, ele sentiu um arrepio, uma “sacudida” em todo o seu corpo. O bispo repetiu, então, aquilo que o Padre Pio diria pelo resto de sua vida: ” Naquele mesmo instante eu senti um tremor nos meus ossos que me curou imediatamente.” O bispo acrescentou ainda as palavras do seu diretor espiritual, para confirmar o evento: “Num momento, o padre sentiu uma força misteriosa em seu corpo e disse aos seus confrades: ‘Estou curado.’ Ele estava forte e saudável como nunca antes na sua vida.”
No livro Padre Pio, a Personal Portrait (“Padre Pio, um retrato pessoal”, sem tradução para o português), publicado originalmente em 1978 e relançado recentemente, o frei Francesco Napolitano, que trabalhou com o santo de Pietrelcina, dá o seu próprio testemunho: “Eu estava presente no momento e posso atestar que o Padre Pio nunca se sentiu tão saudável como depois da partida da imagem de Nossa Senhora de Fátima.”
Quando contaram ao santo frade que um artigo, no jornal de Foggia, perguntava o por que a imagem de Nossa Senhora de Fátima tinha ido a San Giovanni Rotondo, em vez de ir ao Santuário de São Miguel, no monte Sant’Angelo, também localizado em Foggia, o bispo Paolo Carta repete aquilo que o Padre Pio costumava responder, com muita simplicidade: ” Nossa Senhora veio aqui para curar o Padre Pio.”
Três dias após a visita da Virgem, ele estava de volta a celebrar a Santa Missa.
Sobre o porquê de Nossa Senhora de Fátima ter visitado o Padre Pio, o bispo Paolo Carta tinha a sua própria opinião:
Gosto de acrescentar que ela veio também por causa do exemplo de devoção ardente do Padre Pio. A sua recuperação prodigiosa iria despertar na Itália e no mundo um fervoroso aumento de amor e confiança no Imaculado Coração de Maria.
E a partir deste maravilhoso episódio nós devemos fazer uma santa resolução de sempre crescer nesta devoção, com uma resposta generosa à mensagem de Fátima, recitando fervorosamente o Rosário todos os dias, rezando e oferecendo os nossos sofrimentos pela conversão dos pecadores, e recebendo a Comunhão nos primeiros sábados de cada mês, na esperança de que estas palavras consoladoras se tornem verdade para nós: ‘A quem abraçar esta devoção, prometo a salvação, e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu trono.’
A promessa da Virgem de Fátima é que as almas por ela queridas seriam como “flores”. Pela resposta que deu às suas mensagens e pedidos, no entanto, o Padre Pio está mais para um ramalhete inteiro.

Por que adultos e crianças estão mais ansiosos que nunca


5 razões que explicam por que estamos todos tão estressados


De todas as preocupações de saúde mental dos dias atuais, uma pesquisa sugere que, nos EUA, a ansiedade é a queixa psicológica número um em crianças e adultos.
E, sim, isso está superando muitos outros grandes problemas mentais. Por exemplo, The 2013 Global Disease Burden Study declarou que “os distúrbios mentais e abuso de substâncias são a principal causa de doenças não fatais em todo o mundo, com uma carga de doenças global que supera o HIV/Aids, tuberculose, diabetes”. Devemos nos preocupar com as estatísticas. Especialmente quando você considera que o Instituto Nacional de Saúde Mental realizou amplas pesquisas em 2001 e 2003 de adultos selecionados aleatoriamente e descobriu que 46% dessas pessoas preencheram critérios para pelo menos uma doença mental em suas vidas.
E o fardo só parece piorar, já que estudos mais recentes indicam que as dificuldades psicológicas aumentaram significativamente ao longo do último meio século ou mais.
Mas, apesar de todos esses números assustadores, existem muitas maneiras pelas quais nossos filhos estão mais seguros do que nunca. Desde 1970, a mortalidade infantil diminuiu significativamente. Desde 1907, a taxa de mortalidade de crianças pequenas caiu quase 50 vezes. Nos últimos 40 anos, as taxas de crimes violentos contra crianças diminuíram mais de 60%.
Então, por que nós (adultos e crianças) estamos mais ansiosos do que nunca? Por que estamos sofrendo de preocupação grave e sofrimento mental? Eu pensei muito sobre esse paradoxo e acredito que existem cinco tendências sociais importantes que fornecem respostas para nosso estado de vida enervado:
A ameaça da mídia e dos dispositivos móveis
Uma infinidade de informações indica que o consumo de mídia e dispositivo móvel está fortemente correlacionado com muitas questões psicológicas, incluindo a ansiedade, mas as taxas de uso em ambas as áreas aumentaram apenas nas últimas décadas. Isso se traduz em uma realidade simples: quanto mais nossa juventude estiver ligada a uma tela, mais devemos nos preocupar.
Isto é especialmente verdadeiro com a exposição precoce à tela, já que os cérebros das crianças não possuem desenvolvimento neurológico e experiências de vida para amortecer as mensagens assustadoras e confusas que recebem através dela. Meu conselho? Não dê aos seus filhos pequenos os seus próprios dispositivos móveis (por mais tentador que seja para viagens de avião e passeios de carro) e certifique-se de que, pelo menos, dois dias por semana (além dos requisitos de lição de casa), eles ficarão sem tela.
Dificuldades para dormir
Evidências sugerem que os americanos estão dormindo 20% menos do que um século atrás. No entanto, a pesquisa descobriu que o sono está conectado a quase tudo. A ansiedade não é exceção. Aproximadamente 90% das pessoas com transtornos de ansiedade relatam problemas relacionados ao sono, e, sem dúvida, o sono e a ansiedade estão intimamente conectados. Se quisermos melhorar o sono de nossos filhos, remover todas as telas do quarto e garantir que as crianças vão para a cama às 21h fará a maior diferença. Clique aqui para mais dicas de sono.
À medida que o corpo vai, a mente também vai
Nos Estados Unidos, a prevalência de obesidade pediátrica mais do que triplicou nas últimas quatro décadas. Nossos filhos estão comendo mais e se movendo menos. Enquanto isso, os estudos consistentemente relacionaram a saúde mental com a atividade física, e parece que os alimentos processados são um dos culpados da saúde precária. Existem várias recomendações, mas três das mais importantes incluem o seguinte: certifique-se de que seu filho bebe mais água do que qualquer outra bebida; 30 minutos de atividade física (apenas metade do valor recomendado) devem ser não negociáveis; e pelo menos uma refeição por dia deve ser natural (considere a aveia real, frutas, legumes, vegetais, nozes…).
Assuntos de família
A boa notícia é que as taxas de divórcio se estabilizaram em grande parte nas últimas décadas, em comparação com um aumento significativo em meados dos anos 80. Mas, ao mesmo tempo, famílias de casais não casados continuam a aumentar drasticamente. Crianças nascidas de pais conviventes versus pais casados têm mais de 5 vezes maior risco de experimentar a separação de seus pais. Em 2000, de acordo com o US Census Bureau, 41% de todos os casais não casados incluíram uma criança menor de 18 anos. Em 1987, era 21%. Os estudos mostram repetidamente que as crianças que vivem em famílias conviventes são mais propensas a sofrer de dificuldades psicológicas, incluindo ansiedade. Este tópico não se presta a sugestões fáceis, mas sim aponta para a necessidade de todos os pais em considerar a importância das situações de vida e relacionamentos com a saúde mental de seus filhos.
“Não há medo no amor”
Embora a religião seja repleta de muitos resultados negativos, a fé, a espiritualidade e a religião têm sido uma fonte de enfrentamento e resiliência para muitas pessoas. Estudos em larga escala geralmente indicaram que a fé e um relacionamento forte com um poder superior estão associados com menos ansiedade, maior suporte social, maior estabilidade relacional, menor uso de substâncias e menos comportamentos negativos.
Aqui está a parte complicada: grande parte da associação positiva entre a religião e o ajuste psicológico parece dependente da fé durante a juventude, mas a pesquisa sugere que vamos a igreja mais do que antes (e não somos honestos quanto ao comparecimento). A participação regular na igreja e o envolvimento com organizações de serviços e grupos de jovens são duas chaves para reduzir a ansiedade em crianças.
Nós, como pais, ainda temos muita influência para combater esses cinco desafios. São necessárias decisões mundanas e corajosas para colocar a saúde e a estabilidade familiar em primeiro plano. Dizem que a frase “não tenha medo” é a frase mais repetida na Bíblia. Mas com as tendências de hoje não é tão fácil abraçar esse argumento. Porque se eu adicionasse mais um desafio a esta lista, seria a ansiedade dos pais. Se nós, como pais, estamos excessivamente ansiosos, nossos filhos provavelmente também estarão. Então, talvez a recomendação mais importante que eu poderia fazer é abordar a ansiedade dos adultos primeiro, então os pais podem ajudar melhor seus filhos a lidar com isso também.
Não tenho dúvidas de que você e eu não fomos concedidos para se preocupar com tudo. Lembro-me de Filipenses 4,6:
Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus”.

https://pt.aleteia.org/2017/07/11/por-que-adultos-e-criancas-estao-mais-ansiosos-que-nunca/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

domingo, 9 de julho de 2017

A TRADIÇÃO - Cantos ritmados

Cantos ritmados
Certos povos primitivos costumavam acompanhar a cantiga com gestos do corpo, bater das mãos, movimentos ritmados e passos de dança. Esses cânticos continham interesses comuns de cada grupo. O ritmo e a brevidade ajudavam na memorização da letra e com isso levavam ao aprendizado de seus valores e crenças. Exemplos: 
− O canto de Lamec (Gn 4,23) – Exprime as mais sombrias vinganças das tribos que percorriam o deserto como nômades (1800 – 1200 a.C.). 
− O canto do poço (Nm 21,17) – É o canto da alegria de descobrir água no deserto.
A imagem pode conter: 5 pessoas, pessoas sorrindo

sábado, 8 de julho de 2017

3 vícios que você tem de manhã e que prejudicam o resto do seu dia


Desafie-se: acabe com esses 3 vícios e perceba a diferença positiva!

Vício 1: Espiar seu email e suas redes sociais
Seu telefone “inteligente” facilitou para você este hábito que é muito pouco inteligente: mal acorda, você já confere o que há no seu email, no WhatsApp, nos fluxos do Facebook, do Twitter ou das outras tantas redes sociais de que possivelmente participa. Qual é o problema deste vício? Simples: você começa a se conectar com a vida alheia e com assuntos de trabalho antes mesmo de se conectar consigo próprio! Você permite que a enxurrada de coisas externas comece o dia por você, arrastando-o num fluxo sem foco, em vez de ser o protagonista consciente que começa o dia com serenidade, fazendo uma oração de agradecimento e de oferecimento, cuidando da sua higiene e aparência pessoal, alongando-se, sentindo o sol e a brisa nem que seja da janela, saudando com um sorriso e um beijo a sua família, tomando um café-da-manhã saudável e, então sim, se preparando para uma jornada produtiva e construtiva de trabalho.
Vício 2: Ler ou ver notícias ruins
Você já sabe disso. A mídia sempre prioriza o que dá audiência, e, num mundo sem foco em construir, o que dá audiência é tudo aquilo que destrói: desgraças, tragédias, crises, problemas, divisões, perigos, ameaças… É claro que é necessário estar consciente dos problemas do mundo (desde que seja para ajudar a resolvê-los e não apenas para resmungar deles), mas o começo da manhã não é o momento mais adequado para se atualizar a este respeito. As notícias ruins estimulam raiva e medo; a raiva e o medo estimulam a liberação do cortisol, que é o hormônio do estresse. E, entre as várias coisas de que você não precisa no começo da sua manhã, certamente está essa dose evitável de cortisol. Respeite a serenidade e a harmonia no seu início de dia!
Vício 3: Pré-ocupar-se com tarefas do trabalho
Você mal iniciou o dia e já está se “pré-ocupando”: pré-ocupar-se é ocupar-se previamente, é antecipar mentalmente uma torrente de assuntos com os quais não pode se ocupar de verdade no momento presente; é gerar ansiedades e falta de foco já nos primeiros minutos do dia. A preocupação é isso: “pré-ocupação”, antecipação daquilo a que você ainda não pode se dedicar produtivamente nesse instante. Prefira abastecer-se de serenidade ao dar início à nova jornada: há um tempo para cada ato e cada ato deve ser realizado em seu tempo! Aprenda a viver o momento presente. Se no café-da-manhã você já está pensando ou falando no que deve ser feito durante o trabalho, você nem está trabalhando nem está tomando um café-da-manhã saudável.

https://pt.aleteia.org/2016/06/30/3-vicios-que-voce-tem-de-manha-e-que-prejudicam-o-resto-do-seu-dia/

3 vícios que desrespeitam o ritmo da natureza – e nos prejudicam todos os dias


A luz e o sono; o cérebro e o foco; o tempo sequencial e os resultados

Muitas das suas atitudes do dia-a-dia interferem diretamente no seu estado de humor, na sua produtividade, na qualidade do seu descanso, no seu bem-estar. Mudar atitudes é difícil, especialmente quando elas já viraram hábitos, mas… é fundamental rever alguns comportamentos cotidianos e nocivos se você quiser seriamente melhorar a sua qualidade de vida.
Aqui vão 3 hábitos nocivos que você tem, que vão contra os ritmos da natureza e que você precisa controlar agora:

1 – A luz azul de curto-comprimento: chega de smartphone antes de dormir!
A nossa sociedade cada vez mais artificializada tende a dar cada vez menos atenção aos ritmos da natureza, seja no longo prazo, seja no dia-a-dia. No entanto, as consequências deixam claro que esses ritmos não podem simplesmente ser ignorados como se pudéssemos mandar na ordem natural (e não é pouca a quantidade de gente que pensa que mandamos na natureza…).
Um dos elementos naturais que variam ao longo do dia com mais evidência é a luz.
Você já ouviu falar na luz azul de curto-comprimento? Pois bem: os raios de sol contêm altas concentrações desse tipo de luz. Quando expomos os olhos a ela, o nosso organismo interrompe a produção da melatonina, que é o hormônio indutor do sono, deixando-nos, portanto, mais atentos. Já quando os raios solares perdem a luz azul, no final da tarde, acontece o contrário: o nosso corpo volta a produzir melatonina e, por consequência, vai nos deixando sonolentos. Por fim, durante a noite, quando os raios do sol não nos atingem e o nosso cérebro naturalmente não espera exposição à luz, ficamos especialmente sensíveis à luz azul de curto-comprimento, com consequências para o nossoo humor, nível de energia e qualidade do sono.
Acontece que muitos dispositivos nos quais estamos viciados, como smartphonesnotebooks e tablets, emitem a luz azul de curto-comprimento diretamente aos nossos olhos. E o que acontece com a produção de melatonina quando somos expostos a essa luz? Ela é interrompida, interferindo em nosso sono. E o que acontece no dia seguinte quando a qualidade do nosso sono foi ruim? E o que acontece quando isto se repete todas as noites e todos os dias? Pois é, está na hora de voltar a respeitar um pouco mais esses ritmos da natureza.

2 – Os 15 minutos consecutivos de foco: chega de interrupções, avisos e alarmes!
O nosso cérebro precisa, em média, de 15 minutos consecutivos para focar em uma tarefa única. Ao atingirmos o foco nessa tarefa, entramos num fluxo contínuo de produtividade no qual rendemos cinco vezes mais do que quando ficamos interrompendo a concentração.
Mas o que é que tendemos a fazer ao longo do dia? Olhar as mensagens na rede social, conferir os resultados do campeonato, dar uma passeada pelos portais de notícias, fazer (mais) uma “pequena” pausa para um “breve” lanchinho… Tudo isso nos tira do ambiente de concentração e… exige mais 15 minutos de dedicação contínua, após cada interrupção, para voltarmos ao estado de foco.
Isso vale também para um hábito que pode até parecer produtivo, mas não é: o de programar notificações, alertas e alarmes que nos distraem ao longo do dia todo. Cada vez que somos notificados de uma nova mensagem ou tarefa pendente, somos também tirados daquele fluxo de produtividade que o nosso cérebro tinha demorado 15 preciosos minutos de foco ininterrupto para conseguir atingir! Em vez de sabotar a sua própria concentração com avisos sonoros e visuais espalhados pela jornada, trace horários fixos nos quais você vai responder aos e-mails, verificar as mensagens, fazer pausas. Assim você preserva a sua concentração nas tarefas específicas de cada um dos seus objetivos e vai avançando mais rápido, focando em uma coisa de cada vez, fazendo bem feito e evitando refazer ou ter de recomeçar porque se distraiu (de novo).

3 – O começo só começa ao começar: sim, isto é óbvio, mas… então por que você fica adiando?
A ordem normal do tempo, conforme a nossa experiência natural no cotidiano, é sequencial: primeiro vem o “antes”, depois vem o “durante” e por fim vem o “depois”. Excetuando realidades paralelas muito interessantes da ficção científica, é nesta ordem que as coisas acontecem: elas começam, prosseguem e terminam.
Mas muita gente não começa! Fica imaginando como será a vida “depois que” eu resolver tal pendência, “depois que” eu arrumar a casa, “depois que” eu ler tal livro, “depois que” eu fizer tal trabalho, “depois que” eu conquistar tal objetivo, “depois que” eu solucionar tal problema que estou empurrando com a barriga há meses e meses… Aí sim eu “vou ser” feliz, eu “vou saber” tal idioma, eu “vou ter” uma casa bem ordenada, eu “vou fazer” o meu trabalho com mais cuidado, eu “vou ter tempo” para a família, para os amigos, para Deus…
É uma tentação comum a de esperar para começar a fazer algo só quando temos a “certeza” de que vai dar certo. É evidente que não se pode fazer as coisas costumeiramente aos trancos e barrancos e sem planejamento, mas também deveria ser evidente que ficar a vida toda planejando, sonhando e calculando e nunca tirar nada do papel também não dá! Como você pretende produzir algo se não começar nunca? Como você espera melhorar os resultados se não testar as suas ideias e identificar na prática o que pode ser ajustado? Se você escrever uma página ruim, poderá editá-la; mas nunca poderá editar uma página em branco.

https://pt.aleteia.org/2017/02/26/3-vicios-que-desrespeitam-o-ritmo-da-natureza-e-nos-prejudicam-todos-os-dias/

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A TRADIÇÃO


O processo de transmissão oral da mensagem de Deus ao seu povo se chamou Tradição. Significa "transmiti o que recebi". O termo foi usado pela primeira vez no tempo dos Macabeus (150-100 a.C).
Os Livros Sagrados são o produto de várias “tradições” paralelas que brota da historia, da reflexão e da oração hebraica. As diversas tribos – a quem foi confiada à revelação – não viviam em união e nem no mesmo lugar. Assim a tradição oral se formou de maneira diferente, conforme a vida e o lugar onde o clã e a tribo viviam. Não é possível fixar com exatidão a data em que cada uma delas se formou. Para especificar, pode-se dizer que todas beberam da mesma fonte, mas se dividiram em muitos arroios diferentes para desaguar por fim no mesmo oceano. Cada riacho recebeu, na sua caminhada, um conteúdo próprio e todos juntos formaram o mar da Bíblia.
Na prática, existiam tantas tradições quantos eram os clãs. Eis aquelas que mais influíram na formação da Sagrada Escritura.

A imagem pode conter: atividades ao ar livre

domingo, 2 de julho de 2017

Por que o Santo Ofício condenou o Pe. Pio?

Em um livro publicado na Itália, pela Mondadori, Renzo Allegri revela os mistérios que motivaram a perseguição ao Frade de Pietrelcina. ZENIT entrevista o renomado autor do livro.


Os Papas o admiravam, mas o Santo Ofício emitiu decretos de condenação. Padre Pio sofreu ao longo de sua vida a incompreensão e a hostilidade de muitos. No entanto, todos reconhecem hoje que foi um grande homem e um santo frade.
Para tentar entender e explicar como e por que o frade de Pietrelcina provocou reações tão controversas, Renzo Allegri publicou o livro La passione di Padre Pio (A Paixão de Padre Pio), publicado pela Mondadori.
Para desvendar o significado do que aconteceu com o pe. Pio, o famoso escritor investigou milhares de documentos guardados no arquivo secreto do Vaticano e também do Santo Ofício.
Allegri também trabalhou nos documentos dos arquivos da Ordem dos Frades Capuchinhos da Província Capuchinha de Foggia e arquivos privados de leigos, que tiveram papeis importantes neste caso. Muitos desses documentos são inéditos.
Renzo Allegri já escreveu outros nove livros sobre São Pio de Pietrelcina, todos publicados pela Mondadori, todos best seller, todos traduzidos para várias línguas.
Entrevistado por ZENIT, o escritor disse que este último livro “é o mais importante porque coloca o dedo na ferida do mal, ou seja, Satanás que, para arruinar a obra de Deus, constrói armadilhas diabólicas que podem enganar até mesmo os representantes da Igreja. Uma questão extremamente importante e também atual”.
***
ZENIT: O que havia de tão estranho no Pe. Pio a ponto de levantar dúvidas do Santo Ofício?
Renzo Allegri: Os estigmas. O Santo Ofício começous a se interessar no Pe. Pio em 1919, depois que se espalhou a notícia de que no corpo daquele jovem capuchinho apareceram os estigmas, ou seja, as feridas da Paixão e Morte de Jesus. O evento, chocante e intrigante, ocorreu no dia 23 de setembro de 1918, na solidão de um conventinho no Gargano. Tinha sido mantido em segredo porque os próprios confrades do Pe. Pio não conseguiam dar-lhe um significado. Só em maio de 1919, a notícia começou a circular, acabou nos jornais e as pessoas acorreram em massa. Foi o jornal de Nápoles, Il Mattino, que então era muito prestigiado, que intuiu a importância explosiva do fato. O diretor do jornal mandou a São Giovanni Rotondo um dos seus mais conhecidos jornalistas, que, na metade de junho, realizou uma reportagem detalhada sobre o que acontecia ao redor do Pe. Pio, e Il Mattino publicou em duas páginas, com um título marcante: Padre Pio, o “santo” de São Giovanni Rotondo faz um milagre na pessoa do chanceler do país, presente um enviado especial do “Mattino”. O caso estourou. Os jornais se interessaram maciçamente, até no exterior. O pequeno convento foi sitiado pelos peregrinos. As autoridades civis, preocupadas com a presença de tantas pessoas, especialmente doentes, naquele lugar sem banheiros, temia epidemias e enviaram ofícios para o Ministério da Saúde. Mas nada e ninguém conseguia parar o fluxo de peregrinos. As pessoas simples, impressionadas pelas chagas que lembravam a Paixão de Jesus, pelas conversões, pelas curas que aconteciam se convenceram que estavam diante de um fortíssimo sinal do sobrenatural. O Santo Ofício, pelo contrário, Supremo Tribunal Eclesiástico para a defesa da Doutrina, temia que aquelas pessoas fossem vítimas de superstição e escolheu uma atitude crítica, de oposição, que manteve sempre.
ZENIT: Os estigmas do Pe. Pio eram verdadeiros?
Renzo Allegri: As pessoas simples não duvidavam. Mas as pessoas cultas e os eclesiásticos tinham as suas dúvidas. E desde o começo o clero local, vendo no Pe. Pio um rival que tirava os feis das suas paróquias, afirmavam que era tudo uma farsa, um truque para ganhar dinheiro.
Os superiores do Pe. Pio perceberam que tinham de lançar luz sobre o assunto, para evitar escândalos irreparáveis. Tratando-se de feridas, recorreram aos médicos. O primeiro juízo foi dado pelo médico local, o dr. Angelo Maria Merla, que conhecia há anos o Pe. Pio. A sua opinião se baseava em uma observação elementar: aquelas feridas que sangravam, de acordo com o conhecimento médico, deveriam ou cicatrizar ou transformar-se em gangrena. Já que não acontecia, aquilo era um fenômeno acima da ciência médica.
Os superiores do Pe. Pio dirigiram-se, então, a um especialista mais qualificado, o professor Luigi Romanelli, chefe do hospital de Barletta. Também este excluiu “qualquer origem natural”. A notícia do fenômeno se espalhava sempre mais. Era conhecida também em Roma, no Vaticano. O Superior Geral dos Frades Capuchinhos pediu conselho para um representante do Papa e decidiram juntos enviar a São Giovanni Rotondo, um luminar de renome internacional, o professor Amico Bignami, ordinário de Patologia geral na Universidade “La Sapienza”. Este era ateu e maçom declarado. Visitou os estigmas do Pe. Pio em meados de julho 1919 e, de acordo com suas convicções, descartou qualquer possível referência sobrenatural e disse que aquelas feridas “deviam” ser certamente provocadas pelo próprio Pe. Pio. Ordenou impedir ao religioso de intervir nelas, enfaixando-as e sigilando as ataduras. Disse que teriam fechado em dez dias. Mas não aconteceu.
Em seguida, foi pedida a intervenção de um outro ilustre especialista, o dr. Giorgio Festa, que em Roma tinha um laboratório científico muito famoso. Este realizou a sua investigação em Outubro de 1919, concluindo que as feridas do Pe. Pio fugiam do controle médico. Escreveu no seu informe: “Têm uma origem que o nosso conhecimento está muito distante de explicar”.
No final de 1919, todos os médicos que haviam visitado o Padre Pio, oficialmente ou por iniciativa privada, estavam convencidos do caráter sobrenatural do fenômeno. Todos, exceto um: o professor Bignami. E o Santo Ofício sempre abraçou e apoiou a tese do Professor Bignami.
ZENIT: Quem eram os adversários do Pe. Pio e por que o perseguiam e caluniavam?
Renzo Allegri: As primeiras cartas de acusação contra o Pe. Pio que chegaram ao Santo Ofício (e ainda estão conservadas no Arquivo Vaticano), datam de Junho de 1919, ou seja, logo após a difusão da notícia dos estigmas. Eram cartas anônimas, assinadas por um “grupo de fieis”. O conteúdo mostra que foram escritas por clérigos. Diziam que os estigmas eram uma fraude, inventada pelo Pe. Pio e pelos seus confrades para atrair as pessoas e arrecadar dinheiro. Afirmavam que os frades levavam uma vida cômoda e alegre, causando escândalos com festas noturnas, frequentadas também por jovens mulheres. Em algumas cartas se afirmava que no convento também houve brigas sangrentas entre os frades, com tiros e pauladas, e que foi necessário a intervenção da polícia. Mas uma investigação posterior provou que era tudo falso.
As cartas anônimas se multiplicaram e se tornaram uma arma para o clero local e para o arcebispo de Manfredonia, que assumiram aquelas vozes, apoiaram-nas, aumentaram-nas, tornando para eles os verdadeiros registros das acusações contra o Pe. Pio. O arcebispo de Manfredonia, monsenhor Pasquale Gagliardi, tinha amigos poderosos no Vaticano. Por isso, as falsas acusações contra o Pe. Pio que ele endossava com cartas pessoais, eram acolhidas no Vaticano como autênticas, com todas as consequências do caso.
Esta situação perdurou por anos, durante os quais o Pe. Pio sofreu condenações e proibições de todo tipo. A injusta perseguição foi interrompida por alguns leigos, que fizeram uma guerra implacável aos caluniadores e no final recorreram à autoridade civil, denunciando-os. Alguns deles foram processados e condenados. O bispo de Manfredonia destituído. Mas no Santo Ofício a desconfianção ao Pe. Pio permaneceu sempre. O padre morreu com cinco condenações do Santo Ofício, nunca retratadas, e dezenas de ações disciplinares. Durante a sua vida, sofreu 70 “visitas apostólicas”, que são autênticas investigações judiciais ordenadas pelas máximas autoridades eclesiásticas nos casos de gravíssimas transgressões das leis eclesiásticas, ou para averiguar crimes, sacrilégios, desvios doutrinários e coisas assim.
ZENIT: Por que o Pe. Agostino Gemelli acusou o pe. Pio de ser um sujeito histérico e inconscientemente psicopata? Como ele chegou a fazer um julgamento tão duro?
Renzo Allegri: Em todas as biografias do Pe. Pio, Gemelli é indicado como o inimigo número um do religioso. Mas, examinando os documentos, as coisas são diferentes.
Padre Gemelli é digno de grande admiração. É uma das figuras mais marcantes da história do século XX, tanto no âmbito religioso quanto no científico. No entanto, é historicamente provado que cometeu um grave erro com relação ao Pe. Pio. Cometeu esse erro em 1920 e depois não teve mais a coragem de reconhece-lo e repará-lo.
Em abril de 1920, o Padre Gemelli já era um clérigo de grande prestígio. Médico, psiquiatra, fundador da psicologia experimental, era também teólogo e especialista, justamente de teologia mística. Veio de uma família burguesa maçônica. Desde jovem tinha sido ateu e rebelde. Na universidade foi aluno do professor Camillo Golgi, Prêmio Nobel de medicina em 1906, que o considerava o seu herdeiro. Depois da conversão, acontecida em 1903, o jovem médico tornou-se religioso franciscano e foi ordenado sacerdote. Em um par de anos, tornou-se o mais qualificado representante da cultura católica. O único que, nas discussões científicas, podia estar entre os maiores cientistas.
Nunca se soube o motivo que o levou a querer ao Pe. Pio em abril de 1920. Nos seus relatórios referiu sempre versões contraditórias. No primeiro relatório, de abril de 1920, afirmou que foi por devoção e para pedir ao Pe. Pio conselhos e orações pela Universidade Católica que estava fundando. Em um relatório escrito em 1926 disse que foi por pedido do bispo de Foggia. Em seguida, afirma que aquela visita foi pedida pelo próprio Santo Ofício.
Em todos os seus relatórios declara ter visitado os estigmas do Pe. Pio. Afirmação totalmente falsa. Pe. Gemelli nunca viu os estigmas do Pe. Peio e nunca fez visita médica ao religioso.
Chegou a São Giovanni na tarde do 17 de abril de 1920, acompanhado por seis pessoas, monsenhores e religiosos, seus amigos e admiradores, que foram, depois, testemunhas qualificadas do que aconteceu. Pe. Pio demonstrou rapidamente uma aversão instintiva pelo Gemelli e nem foi cumprimenta-lo, como, de fato, fazia com os visitadores importantes. No dia seguinte, no 18 de abril, Gemelli não conseguiu ser recebido pelo Pe. Pio. Na tarde, o superior do convento, que fazia de elo entre os dois, disse que poderia encontra-lo pela manhã, quando o padre teria descido à sacristia para celebrar a Missa. Gemelli estava indignado por aquele tratamento, mas se adaptou. Na manhã do 19, aproximou-se do Pe. Pio na sacristia, pedindo-lhe um encontro para visitar os estigmas. Pe. Pio lhe perguntou se tinha a autorização do Santo Ofício. Gemelli respondeu que não, e Pe. Pio foi embora imediatamente.
O encontro, segundo o testemunho sob juramento das testemunhas, não durou mais de um minuto. Gemelli estava furioso. Decidiu ir embora imediatamente. E naquela tarde enviou o seu primeiro informe ao Santo Ofício dando terríveis juízos sobre o Pe. Pio e sobre os seus estigmas.
A sua tese, expressa e apoiada então nos informes sucessivos, era sempre a mesma: Pe. Pio era um pobre históerio que fazia os próprios estigmas com ácido fênico ou outras substâncias. Os seus juízos escritos naqueles informes eram totalmente negativos: “O Pe. Pio é um psicopata…”.
“É um sujeito de inteligência muito limitada, que tem os traços característicos de uma deficiência mental de notável grau, com consequente estreitamento do campo da consciência.”
“Nem seus escritos, nem o que se diz, nem o que ele fala revelam um ânimo apaixonado por Deus. É um bom religioso tranquilo, calmo, manso, mais por obra da deficiência mental do que por obra da virtude”. E sobre os estigmas escreveu: “Do exame que realizei surge a legítima suspeita de que se trate de características conhecidas de auto-mutilação.” “Um caso de sugestão em um sujeito doente como é o Pe. Pio, e que levou àquelas características de psitacismo que são típicas da estrutura histérica”.
Dado que Gemelli era a autoridade máxima no setor, tanto pela sua preparação científica quando pela teológica, os seus juízos foram recebidos pelo Santo Ofício como “verdades científicas absolutas e irrefutáveis”.
Padre Gemelli escreveu o seu primeiro relatório sobre o impulso da ira provocada pela rejeição do Pe. Pio ao falar com ele. Mais tarde, voltou ao argumento somente duas vezes, quando foi acusado de ter inventado tudo. Em uma dessas vezes escreveu: “Nunca falei com ninguém sobre o Pe. Pio; nunca manifestei a minha opinião sobre ele. Só falei com os oficiais do Santo Ofício e com o cardeal secretário”.
Provavelmente, Gemelli estava convencido do que escreveu sobre o Pe. Pio. Tinha julgado-o segundo os critérios da “Psicologia Experimental”, na qual se achava o principal perito. Era um converso. Há anos lutava contra a maçonaria e o ateísmo. Ostentava todas as formas religiosas de clareza duvidosa. Sempre tinha derrubado todos os fenômenos de estigmatização, exceto o de São Francisco de Assis. No caso do Pe. Pio, tornou-se vítima da sua raiva e zelo. Pe. Pio, que era um grande santo, se deu conta disse nunca expressou nada hostil contra Gemelli. Luigi Villa, que foi muito amigo do Pe. Gemelli e por 15 anos foi assistente espiritual na Universidade Católica, revelou em uma entrevista que Gemelli, antes de morrer escreveu uma carta ao Pe. Pio pedindo-lhe perdão. E se fala que o Pe. Pio foi encontra-lo por meio de bilocação. Mas a verdade é que, ainda hoje, depois de tanto tempo, muitos, especialmente intelectuais, falando sobre o Pe. Pio afirmam: “Padre Gemelli o achava um psicopata.”
ZENIT: Qual foi a relação dos Pontífices com o pe. Pio?
Renzo Allegri: Foi uma relação substancialmente positiva. Também no período da grande perseguição do Pe. Pio por parte do Santo Ofício, os Papa não estiveram envolvidos.
Tinham percebido que algo grande estava acontecendo com aquele religioso. Papa Bento XV estava convencido de que ele era um santo. Pio XI, sendo um grande amigo do Padre Gemelli, no início de seu pontificado apoiou as ideias de Gemelli, mas, em seguida, dissociou-se várias vezes das decisões dos cardeais do Santo Ofício. Pio XII, recém-eleito Papa, disse: “Deixai em paz o Pe. Pio”. João XXIII era um defensor do Padre Pio, mas em 1960, perante uma montanha de documentos que foram trazidos a ele pelo general dos Capuchinhos – documentos que depois viram que eram falsos – mas que acusavm o padre de delitos contra os votos de pobreza, de castidade e de obediência, se assustou e ordenou mais uma visita apostólica que, dada a idade do religioso, foi das mais severas e dolorosas. Em seguida, o Papa João entendeu que foi enganado e retratou os seus juízos. Paulo VI foi sempre um defensor do Pe. Pio. Papa Wojtyla, testemunha direta de estupendos milagres, foi o promotor e apoiador do processo de beatificação.
ZENIT: Porque o Santo Ofício manteve uma atitude de condenação por tanto tempo?
Renzo Allegri: O Santo Ofício é o dicastério mais importante da Igreja. A sua tarefa, desde a sua fundação em 1542, é a defesa da ortodoxia. Não existe, ao longo dos séculos, uma única disposição do Santo Ofício que tenha sido retratada. Portanto, também com relação ao Pe. Pio, uma vez emitido os Decretos de condenação, não foram mais alterados.
ZENIT: Hoje o Pe. Pio foi reconhecido na sua santidade e é uma testemunha do Jubileu da Misericórdia. Quem, como, quando e por que foi possível reconhecer a verdade sobre a vida do Padre Pio?
Renzo Allegri: Foram os milagres, contínuos, incessantes, poderosos que Deus obrou por meio do Pe. Pio que reverteram as convicções negativas que o Santo Ofício tinha expressado por décadas com relação a este religioso. Os confrades do Pe. Pio começaram a recolher os documentos sobre a santidade do seu confrade logo depois da morte. Mas, a Igreja, de modo oficial, não podia fazer nada porque estava impossibilitada pelas sentenças do Santo Ofício. Foi a eleição à Papa de Karol Wojtyla que mudou de repente a situação. Wojtyla tinha conhecido o Padre Pio em 1948. Tinha sido conquistado por ele, tinha sempre continuado a segui-lo e, em 1962, foi testemunha direta de um retumbante milagre acontecido por pedido seu. Recém-eleito Papa quis o processo de beatificação do Pe. Pio, o apoiou contra todos e foi ele a proclamá-lo beato em 1999 e depois santo em 2002.
ZENIT: Qual é a sua opinião sobre tudo isso?
Renzo Allegri: Escrevi o meu primeiro artigo sobre o Padre Pio em setembro de 1967. Naquela ocasião pude encontrar o Padre e falar com ele. O vi novamente em abril de 1968. Alguns meses depois da sua morte fui encarregado pelo jornal, onde eu trabalhava, de fazer uma investigação com o título “Em defesa do Pe. Pio”. Em seguida escrevi centenas de artigos e dez livros, adquirindo vários documentos sobre a perseguição em que o Pe. Pio foi sumetido ao longo da sua vida. A opinião que tive tudo isso se resume nas palavras que me disse em uma entrevista o cardeal Giuseppe Siri em 1984: “A luta cruel feita contra o Pe. Pio, também pela Igreja, é a maior armadilha diabólica de Satanás contra a própria Igreja”. Com um longo e detalhado discurso, o cardeal me explicou que Satanás, sendo um puro espírito, é capaz também de prever o futuro. Conhecendo, portanto, a grandeza e a importância imensa da missão que Deus tinha designado àquele seu filho, fez de tudo para destruí-la. E para conseguir melhor o seu objetivo, procurou envolver nas suas tramas também os próprios vértices da Igreja. “A vida e a história humana do Pe. Pio – disse o cardeal Siri – são o espelho da luta contínua, implacável, sem medir esforços, em ato de forma contínua e constante, entre a Força do Bem e a do Mal”.