sábado, 27 de janeiro de 2018

Reze com devoção o Ofício das Benditas Almas do Purgatório


Uma oração de ajuda às almas que busca salvá-las e levá-las ao caminho da luz e à vida eterna

O Ofício das Benditas Almas do Purgatório foi composto em versos e melodia. É uma oração de ajuda às almas que visa salvá-las e levá-las ao caminho da luz e à vida eterna. É uma tradição essencialmente católica e pode ser recitado de acordo com a Liturgia das Horas ou completo, de uma só vez. 
MATINAS



Abrirei meus lábios 

Em tristes assuntos, 

Para sufragar 

Aos fiéis defuntos. 

Sede em meu favor, 

Salvador do mundo, 

E das almas santas, 

Do lago profundo. 

Nós vos pedimos 

Pronta salvação, 

Preferindo aquelas 

Da nossa atenção. 

Para que por vós, 

Jesus, Sumo Bem, 

Elas já descansem 

Para sempre. Amém. 

HINO 

Deus vos salve, Cristo 

Em vossa Paixão, 

Redentor das almas 

Dos filhos de Adão. 

Por tal benefício 

Público e notório, 

Socorrei as almas 

Lá no Purgatório. 

Não entreis com elas, 

Senhor, em juízo, 

Para que não tenham 

Total prejuízo. 

Porque na presença 

Do crucificado, 

Nenhum dos viventes 

É justificado. 

Pelo sacrifício 

Da sagrada Missa, 

Não useis com elas 

Da vossa justiça. 

Com as tristes almas, 

Meu Senhor, usai 

Das misericórdias 

De Deus, vosso Pai. 

Vós sois o Cordeiro 

Todo ensangüentado, 

Para o bem das almas 

Tão sacrificado. 

Supra o vosso Sangue, 

Precioso e Santo, 

O dever das almas, 

Que padecem tanto. 

Peçamos a Deus 

A eterna luz, 

Para os que já dormem 

Em Cristo, Jesus. 

Ouvi, meu bom Deus, 

O deprecatório, 

Em favor das almas 

Lá no Purgatório. 

Rezar Pai-Nosso e Ave-Maria. 

ORAÇÃO 

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos merecimentos infinitos do vosso Unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

PRIMA 

Sede em meu favor, 

Salvador do mundo, 

E das almas santas, 

Do lago profundo. 

Nós vos pedimos 

Pronta salvação, 

Preferindo aquelas 

Da nossa atenção. 

Para que por vós, 

Jesus, Sumo Bem, 

Elas já descansem 

Para sempre. Amém. 

HINO 

Deus vos salve, Excelso 

Senhor compassivo, 

Das almas que penam 

Entre o fogo vivo. 

Segundo Batismo, 

Lhes dai, meu Senhor, 

Batismo de fogo 

Purificador. 

Como em Babilônia 

Os três inocentes, 

Só de vós se lembram 

Nas chamas ardentes. 

Só a vossa clemência 

As pode remir 

Do fogo que arde 

Sem as consumir; 

Fogo que formastes 

Com tais predicados 

Para expiação 

Dos nossos pecados. 

Muito mais ativo 

Que o calor do sol, 

Pior que uma frágua, 

Que um vivo crisol. 

Supra o vosso Sangue, 

Que é tão meritório 

O dever das almas 

Lá no Purgatório. 

Aplacai das chamas 

Também o calor, 

Daquele tremendo 

Fogo expiador. 

Peçamos a Deus 

A eterna luz, 

Para os que já dormem 

Em Cristo, Jesus. 

Ouvi, meu bom Deus, 

O deprecatório, 

Em favor das almas 

Lá no purgatório. 

Rezar Pai-Nosso e Ave-Maria. 

ORAÇÃO 

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos merecimentos infinitos do vosso Unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

TERÇA 

Sede em meu favor, 

Salvador do mundo, 

E das almas santas, 

Do lago profundo. 

Nós vos pedimos 

Pronta salvação, 

Preferindo aquelas 

Da nossa atenção. 

Para que por vós, 

Jesus, Sumo Bem, 

Elas já descansem 

Para sempre. Amém. 

HINO 

Deus vos salve, Pai 

De misericórdia, 

Onde resplandece 

A paz e a concórdia. 

Por tal excelência 

Que em vós adoramos, 

Socorrei as almas, 

Por quem suplicamos. 

Tão aferrolhadas, 

Como Manassés, 

Mover não podem 

Suas mãos nem pés. 

Privadas de verem 

Ao grande Adonai, 

Seu eterno Rei, 

Seu divino Pai. 

Mais penalizadas 

Do que Absalão, 

Por já não gozarem 

De Deus a visão. 

Como o Santo Jó, 

Tão amargamente 

Lágrimas derramam 

Para Deus somente. 

Qual o Rei Profeta, 

Seus olhos aflitos 

Estão já enfermos 

Por falta de espírito. 

Médico divino 

Só vossa virtude 

Pode dar às almas 

Eterna saúde. 

Peçamos a Deus 

A eterna luz, 

Para os que já dormem 

Em Cristo, Jesus. 

Ouvi, meu bom Deus, 

O deprecatório, 

Em favor das almas 

Lá no purgatório. 

Rezar Pai-Nosso e Ave-Maria. 

ORAÇÃO 

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos merecimentos infinitos do vosso Unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

SEXTA 

Sede em meu favor, 

Salvador do mundo, 

E das almas santas, 

Do lago profundo. 

Nós vos pedimos 

Pronta salvação, 

Preferindo aquelas 

Da nossa atenção. 

Para que por vós, 

Jesus, Sumo Bem, 

Elas já descansem 

Para sempre. Amém. 

HINO 

Deus vos salve, nosso 

Divino Mecenas, 

Protetor das almas 

Que estão entre penas. 

Vós sois nosso irmão 

Pela humanidade, 

Nosso advogado 

Com a divindade. 

Derramai mil graças 

Dessas vossas mãos 

Sobre aquelas almas 

Dos nossos irmãos. 

Obrai, pois, com elas, 

Já com brevidade, 

Um gasto estupendo 

De vossa bondade. 

Apressai as horas, 

Chegai os momentos 

De finalizarem 

Seus grandes tormentos. 

Não vos recordeis 

Dos tempos passados, 

Quando cometeram 

Seus grandes pecados. 

Supra o vosso Sangue, 

Tão satisfatório 

O dever das almas 

Lá no Purgatório. 

Acabai as vossas 

Correções fraternas, 

Para que já gozem 

Delicias eternas. 

Peçamos a Deus 

A eterna luz, 

Para os que já dormem 

Em Cristo, Jesus. 

Ouvi, meu bom Deus, 

O deprecatório, 

Em favor das almas 

Lá no purgatório. 

Rezar Pai-Nosso e Ave-Maria. 

ORAÇÃO 

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos merecimentos infinitos do vosso Unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

NOA 

Sede em meu favor, 

Salvador do mundo, 

E das almas santas, 

Do lago profundo. 

Nós vos pedimos 

Pronta salvação, 

Preferindo aquelas 

Da nossa atenção. 

Para que por vós, 

Jesus, Sumo Bem, 

Elas já descansem 

Para sempre. Amém. 

HINO 

Deus vos salve, Cristo 

Pastor piedoso 

Das almas benditas 

Do lago penoso. 

Libertai as almas 

Pastor sempiterno, 

Daquele lugar 

Junto do inferno. 

Qualquer dessas almas, 

Que pena terá! 

Porque no inferno 

Quem vos louvará? 

Nestas tristes almas, 

Senhor, acabai 

Os justos castigos 

De Deus, vosso Pai. 

Supra vosso Sangue, 

Tão satisfatório 

O dever das almas 

Lá no Purgatório. 

Quebrai, meu Jesus, 

Poderoso e forte, 

Aquelas prisões 

Dos laços da morte. 

Seja o vosso braço 

O libertador 

Das almas que penam 

Em tanto rigor. 

Por vós finalize, 

Jesus soberano, 

Nestas tristes almas 

A pena do dano. 

Peçamos a Deus 

A eterna luz, 

Para os que já dormem 

Em Cristo, Jesus. 

Ouvi, meu bom Deus, 

O deprecatório, 

Em favor das almas 

Lá no Purgatório 

Rezar Pai-Nosso e Ave-Maria. 

ORAÇÃO 

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos merecimentos infinitos do vosso Unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

VÉSPERAS 

Sede em meu favor, 

Salvador do mundo, 

E das almas santas, 

Do lago profundo. 

Nós vos pedimos 

Pronta salvação, 

Preferindo aquelas 

Da nossa atenção. 

Para que por vós, 

Jesus, Sumo Bem, 

Elas já descansem 

Para sempre. Amém. 

HINO 

Deus vos salve, Filho 

Do onipotente, 

Com as tristes almas, 

Sempre tão clemente. 

Tende compaixão 

Dessas tristes almas, 

Que estão padecendo 

Rigorosas chamas. 

Bem como as escuras 

Do rico avarento, 

Padecem as almas 

Outro igual tormento. 

Assim como cervos 

Dos vales e montes, 

Quando sequiosos 

Procuram as fontes. 

Assim mesmo as almas 

Querem excessivas 

Só a vós, meu Deus, 

Fontes d’águas vivas. 

Mandai-lhes propício 

As águas da graça, 

Para melhorarem 

Daquela desgraça. 

O perdão das almas, 

Senhor, alcançai 

Das misericórdias 

De Deus vosso Pai. 

Vosso Sangue seja, 

Propiciatório, 

De Deus para as almas 

Lá no Purgatório. 

Peçamos a Deus 

A eterna luz, 

Para os que já dormem 

Em Cristo, Jesus. 

Ouvi, meu bom Deus, 

O deprecatório, 

Em favor das almas 

Lá no Purgatório 

Rezar Pai-Nosso e Ave-Maria. 

ORAÇÃO 

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos merecimentos infinitos do vosso Unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

COMPLETAS 

Converta-nos Deus, 

A nós todos juntos, 

Para sufragarmos 

Os fieis defuntos. 

Sede em meu favor, 

Salvador do mundo, 

E das almas santas, 

Do lago profundo. 

Nós vos pedimos 

Pronta salvação, 

Preferindo aquelas 

Da nossa atenção. 

Para que por vós, 

Jesus, Sumo Bem, 

Elas já descansem 

Para sempre. Amém. 

HINO 

Deus vos salve, Esposo 

Das almas fiéis 

Que estão padecendo 

Tormentos cruéis. 

Olhai compassivo 

Para as fadigas 

Dessas que não são 

Vossas inimigas. 

Mesmo assim vos amam 

Em tal padecer, 

Sem aqueles toques 

De doce prazer. 

Como as virgens loucas 

Foram imprudentes, 

Perdoai as suas 

Ações negligentes. 

Celebrai depressa 

As núpcias eternas 

Com aquelas almas 

Humildes e ternas. 

Conduzi-as logo 

À feliz herança 

Da vossa suprema 

Bem-aventurança. 

Transporta-as já, 

Sem mais dilação 

Para os tabernáculos 

Da santa Sião. 

Por vós gozem elas 

Sem maior detença 

Os doces efeitos 

Da vossa presença. 

Peçamos a Deus 

A eterna luz, 

Para os que já dormem 

Em Cristo, Jesus. 

Ouvi, meu bom Deus, 

O deprecatório, 

Em favor das almas 

Lá no Purgatório. 

Rezar Pai-Nosso e Ave-Maria. 

ORAÇÃO 

Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos merecimentos infinitos do vosso Unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces para que, livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém. 

OFERECIMENTO 

Nós Vos oferecemos, 

Ó bom Deus propicio, 

Pelas tristes almas, 

Este breve ofício. 

Vós que sabeis tudo 

Quanto nós pensamos, 

Bem sabeis que almas 

Hoje sufragamos. 

Participem todas 

Por vossa bondade, 

Conforme a justiça 

E a caridade. 

Para que por vós, 

Jesus, Sumo Bem, 

Em paz já descansem 

Para sempre. Amém.



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Significado para algumas palavras: 

Deprecatório = em que há deprecação. Deprecação = Ação de deprecar; súplica de perdão; deprecada, rogativa. 

Frágua = s.f. Fornalha, forja; fig. Fogo vivo, fogueira; fig. Ardor, calor intenso, amargura. 

Crisol = s.m. Cadinho. 

Cadinho = s.m. Vaso de argila refratária, de ferro, de prata, de platina ou de outra matéria, que serve para nele se fundirem metais ou outros minerais; crisol. (Tem geralmente a forma de um tronco de cone.) A parte do forno onde se opera a fusão. 

Adonai (em hebraico: אדני, “meu Senhor”, ou “meus Senhores”) = é o título de superioridade utilizado para Deus na Bíblia Hebraica (ou Velho Testamento, segundo a terminologia cristã). Nenhum outro título aplicado a Deus é mais definitivo do que este. 

Dilação = s.f. Demora, delonga. Espera, adiamento, prorrogação. Prazo.




Compreender, desculpar e esperar


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O amor exige compreensão

É impossível ter amor sem compreensão; e é impossível existir verdadeira compreensão sem a disposição de desculpar.
Todas as vezes que julgamos uma pessoa e concluímos, como quem dita uma sentença: “Ela é assim”, “é insuportável”, “é maçante”, “é preguiçoso”, etc., estamos a condená-la. Ao fazer tais juízos, colocamos nos outros uma etiqueta, como se faz num frasco ou num inseto colecionado, e os fechamos nessa definição. Dizer de uma pessoa: “Ela é assim” equivale a perder a esperança de que venha a mudar. Como se partíssemos da base de que vai ser assim para sempre e de que o máximo de bondade que lhe podemos dedicar é apenas sermos pacientes, suportando-a tal como é.
Mas essa apreciação é falsa, está viciada na raiz, porque todo o ser humano tem na alma “sementes de bondade”, latentes mas reais, que podem ser desenvolvidas. Nenhuma pessoa consiste apenas nos defeitos que denota exteriormente. Todas têm infinitas possibilidades de bem que – com a graça de Deus, o seu esforço e a nossa ajuda – um dia podem vir a ser belas realidades. Por isso, Cristo nos manda não condenar ninguém (cfr. Lc 6,37), como se já estivesse “acabado”.
O contrário de condenar é desculpar e esperar. O coração do homem bom está sempre inclinado a desculpar. Ao julgar os outros, evita usar o verbo “ser” – Fulano é assim –, e prefere empregar o verbo “ter”: essa pessoa, que – como todos os filhos de Deus – é potencialmente santa, agora, por uma série de circunstâncias, tem tal ou qual defeito, mas isso não quer dizer que sempre deva tê-lo. É muito provável que uma série de dificuldades a levem a comportar-se assim. É justo tê-las em conta. Talvez seja grosseira porque não recebeu uma educação esmerada, ou arrogante porque foi humilhada e sente necessidade de se afirmar, ou impaciente porque lhe dói o fígado… Sempre há uma desculpa, afetuosa, que os “bons olhos” da caridade detectam, uma desculpa com fundamento objetivo, real, que impede que julguemos esta ou aquela pessoa com dureza e, ainda mais, que a desclassifiquemos.
Certamente os outros têm defeitos, como nós os temos, mas felizmente não estão acorrentados por eles como um sentenciado a prisão perpétua. Está nas nossas mãos – está nas mãos da nossa bondade – desamarrar-lhes esses grilhões. Esta é uma das mais delicadas tarefas do amor benigno (cf. 1 Cor 13,4): não deixar ninguém de lado por impossível, antes dar-lhe a mão, ajudá-lo incansavelmente – com infinita compreensão e paciência – a soltar um a um os elos dos defeitos que compõem essas suas correntes.
Naturalmente, isto pressupõe que saibamos confiar na capacidade de bondade das pessoas, e portanto na sua possibilidade de mudar. Já foi dito alguma vez que perder a confiança em alguém é matá-lo. Também é verdadeira a afirmação contrária: confiar em alguém é dar-lhe a vida.
É claro que essa confiança não se confunde com a credulidade ingênua, que fecha os olhos e julga que, afinal, todo o mundo é bom. A verdadeira confiança é outra coisa. O homem bom não é cego nem insensível aos valores. Não deixa de ver o mal, em toda a sua dimensão perniciosa, e chama erro ao erro, e pecado ao pecado. Mas, ao mesmo tempo, acredita com todas as suas forças que as “sementes de bondade” que –colocadas por Deus – dormem em cada coração humano podem ser ativadas, podem ser cultivadas. Por isso, arregaça as mangas e, sem reclamar dos espinhos dos outros, trabalha para que neles desabrochem as rosas.
A bondade cultiva o bem
A pessoa que tem vida cristã e amor verdadeiro faz bem aos outros somente com a sua presença, pela força atraente das virtudes. Mas o seu influxo benéfico não se limita a isso. Acabamos de ver que tem a disposição de trabalhar, de fazer alguma coisa para que o bem desabroche nos outros. Vive, para dizê-lo em poucas palavras, a serviço do bem dos outros.
Não há dúvida de que este é um belo ideal de vida. Quem não almeja passar pelo mundo deixando, como Cristo, uma esteira de bondade, fazendo o bem (At 10, 38)? “Que a tua vida – lê-se em Caminho – não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina com o resplendor da tua fé e do teu amor” (n. 1). Estas palavras são todo um empolgante programa de bondade.
A este propósito, lembro-me de um livro que me causou impressão. Intitulava-se “Viveu para ninguém”, e era o romance de um homem medíocre, vulgar, que passou pelo mundo sem deixar rasto algum. Dele se poderia dizer, como um triste epitáfio, que teria dado na mesma se nunca tivesse existido. Seria penoso que um tal epitáfio se pudesse aplicar a nós.
Pois bem, é hora de nos perguntarmos sinceramente o que nós deixamos de bom nos corações e nas vidas dos que vivem e trabalham conosco. Como estamos contribuindo para o seu bem?
Comecemos por convencer-nos de que a primeira ajuda que devemos prestar-lhes consiste em não lhes criar dificuldades. Porque, infelizmente, com freqüência somos mais obstáculo do que auxílio. E o pior é que não nos apercebemos disso. Se nos dissessem: “A sua esposa, o seu filho, o seu colega, o seu pai, têm tais e tais problemas, tais e tais defeitos, e você é a causa deles”, levaríamos uma surpresa. “Como assim?”, retrucaríamos. “Eu, que tenho que sofrer esses defeitos, ainda por cima sou culpado deles?” Pois sim, muitas vezes o somos.
Tomemos por exemplo um honesto pai de família, trabalhador abnegado, daqueles que “só vivem para a família”. Trabalha em dois empregos e volta cansado ao lar. Ao mesmo tempo, tem um temperamento fechado, não é homem de muitas palavras. Os familiares vêem-no soturno e calado, e não se atrevem a interferir no seu aparente mau humor. Caso lhe perguntem: “Está aborrecido? Acontece-lhe alguma coisa?”, responderá, com olhar de surpresa, que não lhe acontece nada. Talvez acrescente: “Sou assim mesmo, é o meu jeito”.
Ora, acontece que esse “jeito” é uma barreira. Bloqueia o diálogo com a esposa e os filhos. A mulher, sentindo-se cada vez mais isolada, sem poder compartilhar as suas fadigas com o marido, irá ficando cada vez mais nervosa e multiplicará as faltas de paciência com as crianças. O marido lamentará que os nervos da mulher estejam criando um ambiente pesado no lar. Mas nem lhe passará pela cabeça que foi ele quem o provocou, com a sua cômoda abstenção. Se tivesse aprendido a chegar ao lar sorrindo, acolhendo, interessando-se pelos problemas da mulher e dos filhos, teria criado condições para um diálogo amável. Teria facilitado um clima cordial, em que os nervos dos outros se dissolveriam. E haveria paz.
De modo análogo, podemos pensar no chefe de um escritório que reclama da falta de iniciativa de um dos seus subordinados: acha que é um homem sem garra no trabalho, que lhe falta entusiasmo e realiza as suas tarefas de modo rotineiro e como que a contragosto. Certamente, este não é o estado de ânimo ideal para um trabalho dinâmico e criativo. Mas de quem é a culpa? Pode muito bem suceder que semelhante inibição e falta de eficiência do empregado tenha sido provocada por esse mesmo superior, que nunca soube incentivá-lo, nem teve paciência para ensiná-lo, nem lhe ofereceu o estímulo de uma palavra positiva, que fizesse o outro sentir-se valorizado. Só soube cobrar e criticar. A culpa, sem dúvida nenhuma, é do chefe.
Isto é dificultar o bem dos outros com os nossos defeitos e as nossas omissões. Aí não há bondade, porque não lhes fazemos bem.
Modos de amar
Conta-se de um velho almirante da reserva que, quando queria pintar a fachada da sua casa – vivia numa cidade onde era costume pintá-las pela primavera –, mandava o pintor à casa do vizinho que morava em frente, para lhe perguntar de que cor gostaria que a pintasse. O bom velhinho explicava esse seu modo de proceder dizendo: “Afinal, ele, o vizinho, é quem ficará vendo a fachada todos os dias; é natural que eu a pinte ao gosto dele”. É uma delicada transparência do coração do homem bom, que vive sempre voltado para o bem e para a alegria dos outros, e nisso encontra a sua maior satisfação.
Isto faz pensar nas nossas atitudes e, concretamente, na facilidade com que incorremos num erro de perspectiva: com a melhor das boas vontades, dedicamo-nos a amar os outros “ao nosso modo”, mas esquecemo-nos de amá-los “ao modo deles”, o que seria muito melhor.
Entendamo-nos. Não basta dizer, quando nos preocupamos em ajudar os outros: “Faço isto pelo seu bem”. É necessário ter uma fina intuição para fazer “isto” do “modo” que contribua mais eficazmente para o seu bem.
Um pai que corrige o filho, imediata e energicamente, todas as vezes que depara com uma desobediência ou uma irresponsabilidade, pode estar intimamente convencido de que atua “apenas e tão somente” pelo bem desse filho. E, caso o garoto se lhe torne revoltado, mentiroso e desleal, sentir-se-á profundamente magoado, ao mesmo tempo que se lamenta: “Depois de tantos desvelos, de tanta dedicação para educá-lo…”
Esse pai, por mais que se sinta magoado e recrimine a ingratidão do filho, não está com a razão. E não está precisamente porque não foi capaz de amá-lo “ao modo dele”, isto é, procurando o “modo” mais fecundo de lhe fazer o bem.
Com isto, já estamos esclarecendo que, quando dizemos “ao modo dele”, não pensamos que o amor paterno deva acomodar-se a todos os caprichos e vontades do filho. Se fizesse isso, esse pai cairia naquela “bondosidade mole” que mais destrói do que edifica. A expressão “ao modo dele” significa, neste caso, o esforço da mente e do coração por acertar com a maneira realmente eficaz de ajudar o filho a ser melhor.
Podemos dar por certo que esse mesmo pai, se tivesse atuado com mais paciência e, sobretudo, se tivesse dedicado mais tempo a fazer-se amigo do filho, conseguiria que as suas correções fossem construtivas. É muito fácil “cair em cima” e dizer “eu tenho razão”. Já foi lembrado por alguém que, por ter razão, até agora ninguém foi para o céu. É muito mais profícuo guardar a razão, ao menos provisoriamente, no bolso, e pensar seriamente: “Como posso mesmo ajudá-lo a melhorar?”
Não tenhamos dúvida de que o pai em foco ajudaria imenso se gastasse mais algum tempo no fim do dia, e nos fins de semana, a sair, jogar bola, discutir música e conversar com o filho, tornando-se assim o seu melhor amigo. Nesse clima de amizade confiante, poderia orientá-lo e corrigi-lo, quando fosse o caso, com palavras cheias de credibilidade, já que o filho perceberia que, se o pai o contraria, não é por ser um maníaco perfeccionista nem por estar irritado, mas porque gosta dele e o quer ajudar. É a isto que chamamos amar “ao modo” dos outros. Uma arte extremamente necessária e certamente nada fácil. Só o amor generoso é capaz de aprendê-la.


(Adaptado de um trecho do livro de F. Faus: O homem bom. Via Pe. Faus)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Jesus sofrendo em teu lugar


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1. A santidade e a justiça de Deus pressupõe um extremo ódio ao pecado. No próprio Filho de Deus, que assumiu a forma do homem pecador, a santidade divina procurou a satisfação. Persegue-o lá no berço, sujeitando-o à pobreza, ao frio, à humilhação; fá-lo fugir até longínquo país. trabalhar em pobre casebre; cobre-o de chagas, de sangue, de ignomínias; tira-lhe o sangue das veias e fá-lo morrer na cruz após martírios inauditos; tudo isto porque Jesus se responsabilizou pelos nossos pecados.

Que mal não deve ser o pecado e quanto Deus não deve odiá-lo, se assim o persegue no Filho inocente!
2. Quanto não transluz da incarnação, da vida e da morte de Jesus, sua infinita misericórdia! Deus era ofendido e é Ele que satisfaz pela ofensa. Ele se faz vítima em nosso lugar. Ele sofre o castigo que era a nós devido. A misericórdia apressa-se, para dar o ósculo da paz à própria justiça. Ambas, em aliança inefável, obrigam a confessar, em êxtases de fé, a infinita perfeição de Deus. Como pagarás a quem tanto te perdoou, e a quem tanto te ama?
http://rumoasantidade.com.br/misterio-natal/jesus-sofrendo-em-teu-lugar/