sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

10 sugestões simples de renúncia para quaresma


Qual item da lista você vai escolher?

Dicas de renúncia nesta quaresma:
WhatsApp
Facebook
Doces
Carne
Refrigerante
Bebida alcoólica
Pintar unhas
Roupas curtas
Café
Perfumes (nunca o desodorante)

(Tem outras sugestões? Compartilhe conosco!)
Lembrando que deve ser algo que eu gosto muito. Se eu não gosto de café e renuncio o café, estou fazendo Jesus de palhaço. A renúncia de algo material que me dá prazer, nos educa a controlar nossas paixões. Portanto, mãos à obra!

( via Padre Gabriel Vila Verde)

As 3 orações mais “perigosas” que você pode fazer


Cuidado com o que você pede; você pode receber

Em 2014, Matthew Wenke e sua esposa viram sua filha Nora entrar em um convento para seguir a vocação como religiosa.
À medida que as portas se fechavam atrás da jovem, a família sabia que, se ela perseverasse, Nora nunca mais daria o ar da graça na casa deles. Isso porque, além de fazer os votos habituais – pobreza, castidade e obediência – as freiras passionistas fazem um quarto voto: o de clausura.
Wenke, embora estivesse orgulhoso de sua filha e feliz pela alegria dela, precisava de um tempo para processar tudo o que estava acontecendo, porque, como ele escreveu: “Quando rezei pelas vocações, não quis dizer que Deus poderia tirar minha filha de mim”.
Aí é que mora o perigo: “Tome cuidado com o que você pede; você pode ser atendido”.
Frequentemente começamos as nossas orações, dizendo a primeira oração “perigosa”, que é: “seja feita a vossa vontade”.  Mas queremos alcançar a graça que buscamos sem ter que encontrar a Cruz.
Eu sei que faço isso o tempo todo e digo: “querido Deus, me ensine a ser uma pessoa melhor. Seja feita a sua vontade, mas não faça isso de maneira louca, que envolva algo trágico, ok? Não consigo lidar com isso”.
Muitas vezes, minhas orações seguem o estilo de Flannery O ‘Connor: “senhor, nunca serei um santo, mas eu posso ser um mártir se eles me matarem rapidamente”.
Queremos todas as bênçãos e, de preferência, com o menor sofrimento possível! Nós sempre pensamos: “por favor, não destrua a minha vida!”
Na verdade, essa é a segunda “oração perigosa”. Em uma recente entrevista para a Aleteia, uma jovem religiosa dominicana revelou que um orador, em uma conferência de jovens católicos, tinha desafiado os participantes a fazer a seguinte oração: “Ó Deus, arruíne a minha vida!” Ela topou o desafio. Mas, depois de fazer aquela oração audaciosa e perigosa, todo o seu mundo e suas perspectivas mudaram.
A terceira oração perigosa, porém, é aquela que o Pe. Brad Milunski, trouxe em sua homilia durante a Primeira Profissão da Ir. Frances Marie, do Coração Eucarístico de Jesus. Sim, essa é a filha de Matt Wenke, que está caminhando em sua clausura.
Na homilia, o Pe. Milunski admite que esta é uma oração corajosa: “Senhor, faça-me seu”:
“Quando eu estava começando o meu ministério paroquial, tive a sorte de estar perto de um convento de freiras em Nova Jersey. A madre superiora tornou-se minha diretora espiritual e compartilhou comigo um dia que, desde o início, sua única oração a Deus era simplesmente isso: ‘Faça-me sua’.
Devo confessar que voltei para o convento um pouco assustado com essa oração. Eu também estava um tanto aborrecido comigo mesmo por não conseguir fazer essa prece sem oferecer a Deus minha lista de notas de rodapé. Eu dizia: ‘Faça-me seu, mas aqui estão minhas sugestões, Senhor, sobre como você pode fazer isso’. Talvez seja uma coisa de moleque, mas eu desconfio que não”.
A homilia é realmente muito boa e merece uma leitura completa e atenta.
Eu mal tenho a coragem de dizer “Sua vontade, não a minha”, embora eu saiba que eu tenho o controle de poucas coisas e acredite – com todo o meu coração, porque eu sou verdadeira filha de São Filipe Neri – que “todos os propósitos de Deus são para o bem; embora nem sempre possamos entender isso, podemos confiar nisso”.
Eu acredito nisso porque eu vi, na minha vida, como as coisas que eram trágicas e sem sentido acabaram por servir um plano muito maior do que qualquer coisa que eu pudesse ter sonhado.
Tomemos os exemplos de São Paulo e Santa Teresa de Calcutá. Eles, em algum momento, fizeram suas perigosas orações a Deus, dizendo: “Use-me”. E acabaram sendo usados.
Então, sigamos estes exemplos, mas somente se não tivermos medo dessas “orações perigosas” e suas bênçãos.

Artigo publicado na edição em inglês da Aleteia, traduzido e adaptado ao português.

https://pt.aleteia.org/2017/09/20/as-3-oracoes-mais-perigosas-que-voce-pode-fazer/

A sugestão do Papa Francisco sobre como fazer a oração de adoração

Pode não ser fácil, pois, "diante da glória de Deus, as palavras desaparecem: não sabemos o que dizer"... (e eis o "segredo": não precisa dizer nada!)

Durante a homilia da Santa Missa que celebrou no dia 5 deste mês, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco destacou a Primeira Leitura do dia (1Re 8,1-7.9-13): o rei Salomão convocava o povo a subir até o templo levando a Arca da Aliança do Senhor. Era um caminho ladeira acima, um subir durante o qual se carregava a própria história, “a memória da eleição”. Uma aliança simples: “Eu amo você e você me ama” – o primeiro e o segundo mandamentos, amar a Deus e amar ao próximo. Quando a arca foi introduzida no santuário e os sacerdotes saíram do lugar santo, a nuvem encheu o templo do Senhor e o povo entrou em adoração.
Refletiu o Papa:
“Dos sacrifícios ao silêncio; à adoração… Tantas vezes eu penso que nós não ensinamos o nosso povo a adorar. Sim, ensinamos a rezar, a cantar, a louvar a Deus, mas a adorar…
A oração de adoração nos prostra sem nos prostrar: a prostração da adoração nos dá nobreza e grandeza. Aproveito, hoje, com tantos párocos de recente nomeação, para dizer: ensinem o povo a adorar em silêncio. Adorar!
Mas só podemos conseguir com a memória de termos sido eleitos, de termos dentro do coração uma promessa que nos impulsiona a seguir, e com a aliança nas mãos e no coração. E sempre em caminho: caminho difícil, caminho em subida, mas em caminho rumo à adoração”.
O Papa Francisco observou ainda que, diante da glória de Deus, as palavras desaparecem: não sabemos o que dizer. Salomão, durante a adoração, consegue dizer somente duas palavras:
“Escuta e perdoa”.
Este é, ao final da homilia, o convite de Francisco: adorar em silêncio, conscientes da história que trazemos, e pedir a Deus:
“Escuta e perdoa”.

Por que não devo usar roupas curtas dentro da igreja?

Todos os ambientes sociais requerem uma forma específica de comportamento e vestimenta

Sabemos que a vida não se reduz a aparências. Porém devemos cuidar com muito carinho da nossa imagem, não no sentido de vaidade ou orgulho, mas porque fomos criados a imagem e semelhança de Deus. A imagem que mostramos de nós mesmos deve revelar Deus para os outros.
Todos os ambientes sociais têm uma forma específica de se comportar e se vestir. Numa audiência de um tribunal, por exemplo, os advogados e magistrados usam roupas apropriadas para tal ocasião e a roupa acaba revelando a seriedade e o respeito daquele momento em que se busca a verdade sobre determinado fato. Em hospitais, empresas, há uma forma de se vestir que revela o valor do lugar que se trabalha e a importância do que ali se faz. E na igreja não poderia ser diferente.
Na igreja a dignidade da roupa não está no luxo que esta exprime, mas sim na dignidade da pessoa que ela revela, pois o corpo é templo do Espírito Santo. Não é a roupa que tem que aparecer, no sentido de você se destacar dos outros porque se veste melhor, ou usa uma roupa de marca, mas, a dignidade das vestes está justamente para mostrar quem você é: você e filho e filha de Deus.
Hoje, infelizmente, tem se relativizado a dignidade dos lugares sagrados. Acabamos nos comportando dentro das igrejas como se estivéssemos numa praça, numa lanchonete ou até mesmo num lugar de lazer. Talvez sobre o pretexto de se sentir confortável, vamos justificando cada vez mais a falta de pudor e até de respeito para com a Casa do Senhor. A casa de Deus é casa de oração, e por mais que a oração seja fundamentalmente a atitude do coração, nós rezamos também na forma como nosso corpo se apresenta, pois nosso corpo também se faz oração.
Observamos em muitas igrejas pessoas usando minissaias, blusas muito degotadas, shorts muito curtos. Talvez muitos digam: Ah! Tá muito calor mesmo, não quero suar. Mas olhemos os sacerdotes que usam as vestes próprias para o serviço do altar, os leitores, ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, todos se revestem para revelar o mistério sagrado que está sendo celebrado. Por isso, cada fiel que vai à casa de Deus deve também que se revestir da dignidade daquele momento. Roupas muito curtas que expõem demais o corpo, podem acabar atraindo a atenção dos outros para si, sendo que na missa o nosso olhar, nosso pensamento e nosso coração devem estar voltados para o altar. Na oração todos os nossos gestos devem revelar Jesus.
A dignidade das vestes que usamos para ir celebrar a fé na Casa de Deus está acima de tudo na simplicidade no modo de se vestir. Ao mesmo tempo em que se deve evitar roupas curtas, não se deve fazer também da igreja um lugar de desfile de modas, onde a preocupação está mais com a aparência do que com a verdade de fé que o coração carrega.
Busquemos, então, o equilíbrio, a sobriedade, a discrição e, acima de tudo, o bom senso quando se refere as vestes para ir à igreja. Vale relembrar que no dia do nosso Batismo nós nos revestimos de Cristo, por isso, a humildade e a dignidade devem também ser expressas nas roupas que usamos para que elas sejam sinais de que buscamos a santidade de vida.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Grandeza

Resultado de imagem para grandeza
Ter o olhar voltado para as claras estrelas
Não temer as duras batalhas, mas querê-las.
Águia fitando o sol, viver para as alturas,
desprezando as coisas baixas, vis e obscuras.
Amar só os horizontes vastos e azuis.
Odiar os negros charcos e os mortos pauis.
Ter a alma sem medo, covardias, tremores,
valente e forte como o rufar dos tambores.
Ter na alma claras notas de clarins de prata,
e nos lábios um canto ardente que arrebata.
Ser impelido pelos ventos da epopéia,
longe das calmarias podres de vida atéia.
Entre nuvens de fumo, de ódio e de poeira,
ousada e desafiante, desfraldar bandeira.
Qual falcão atacar, desprezando o perigo,
tendo olhos só para Deus e para o inimigo.
Não temer jamais nem as armas, nem as vaias,
nem o combate franco, nem as vis tocaias.
E, não fugindo nem da arena, nem do sorriso.
ver, na morte e cruz, as portas do Paraíso.
Jamais calcular o número do inimigo.
Mas contar só com Deus, com Santiago e consigo
Por justo combater, mesmo que solitário,
sem ver o número, enfrentar o adversário.
Viver abrasado de amor pela verdade,
Encantado pela beleza e poesia,
mantendo no coração a fidelidade
aos ecos longínquos de uma canção bravia.
Escutar, escutar sempre os clarins de glória,
chamando ao combate, proclamando a vitória.
Amar a solidão do deserto ou do mar
ser fiel até a morte e jamais capitular.
Não temer ser desprezado e tido por nada,
não querer senão o triunfo da cruzada.
Ter uma alma agressiva que não retroceda.
Não ter no coração nem baixeza, nem lama,
mas de heroísmo, ser ardente labareda,
ser da verdade arauto, da pureza, chama.
Viver sempre enamorado pela proeza,
a alma sempre firme ancorada na certeza
sedenta de Deus, de infinito e de grandeza.

Orlando Fedeli
São Paulo, 1975

“Ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”

 

Um ensinamento para aplicar a todos os âmbitos da sua vida

Dia desses acordei repetindo um trecho de uma das mais poderosas frases do psiquiatra Carl Jung, e fui procurar a frase completa na internet. Desde então, tenho me reconectado com seu sentido, tentando absorver sua essência e trazendo seu ensinamento para todos os setores da minha vida. A frase diz: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.
Como eu disse, o sentido dessa frase pode ser aplicado a inúmeros setores da minha e da sua vida. Trabalhando como dentista no SUS, tenho que ter consciência que, além de toda técnica e conhecimento que tenho, além de toda responsabilidade e cumprimento de protocolos, além de todo profissionalismo e senso de dever, sou uma alma humana tocando outra alma humana.
E isso tem que ser maior que qualquer regra, filosofia, teoria, intenção ou sabedoria. Naquele momento, alguém cuida de alguém, mas acima de tudo tem que prevalecer a igualdade e a empatia. A compreensão e a sintonia. A humildade e muita humanidade.
Porém, de vez em quando estamos do lado oposto. Temos a tendência de imaginar que o outro é bem maior que nós, bem mais sucedido, bem mais feliz… só porque aparenta ter a vida mais cheia de filtros no Instagram, mais abarrotada de conhecimento e conquistas, mais repleta de afetos e possibilidades, mais adequada e notável.
O que ninguém nos conta é que todos nós estamos nus. Cada um de nós tenta, dia a dia, sobreviver às próprias batalhas, encontrar sentido, vencer as próprias prisões, superar os próprios obstáculos, afugentar as dores e tentar viver o presente da melhor maneira possível. Cada um de nós tenta se vestir, camuflar ou fantasiar da melhor maneira que pode, sem imaginar que somente se despindo estará mais próximo do que é de fato, e muito mais perto de Deus.
Você tem que entender que não é preciso impressionar ninguém. Tem que entender que quando tenta convencer alguém sobre sua felicidade, seus dons ou qualidades, está se afastando de quem é de fato. Está dando asas à vaidade, ao ego, e não à sua felicidade.
É preciso aprender a ser simples. Aprender que nessa vida não há deuses, nem superpoderosos, nem donos da verdade e muito menos gente isenta de defeitos. E que se alguém se apresenta dessa maneira, com arrogância, superioridade e prepotência, não cabe a você tentar fazer o mesmo para se igualar. Saiba que, assim como você, ele é “apenas” outra alma humana. Ao desconstruir esse mito, passamos a enxergar todos, sem exceção, como nossos semelhantes. E assim respiramos aliviados, pois descobrimos que ninguém é muita areia para o caminhão de ninguém.
Um relacionamento bem-sucedido requer mais do que beijos e declarações de amor. Requer entrega, e ao se entregar de verdade, você se torna um pouco vulnerável também. Porque no fim das contas, você estará nu, não somente por fora, mas (e talvez essa seja a parte mais difícil) por dentro também.
Para ter um relacionamento de verdade, você precisará se despir dos medos, inseguranças e travas internas e assumir os riscos de ser quem é, com tudo de bom e ruim que existe por trás da sua necessidade de ser aceito e ser amado.
Para ter um relacionamento de verdade, você precisará se despir da necessidade de comparar a sua vida com a dos outros, e do constrangimento de não ter todos os seus ideais alcançados. Precisará assumir que também fica triste, que dá preguiça ir à ginástica todos os dias, que chora em cerimônias de casamento, que não tem paciência para discutir a relação, e que se sente sozinho a maior parte do tempo.
Para ter um relacionamento de verdade, você precisará se despir dos filtros e se despedir da necessidade de aprovação a todo custo. Terá que entender que é somente uma alma humana, e como tal não carrega passaporte, diplomas ou medalhas.
Terá que baixar a guarda, simplificar a aparência, ampliar o sorriso e abrir o coração. Só assim atrairá a “pessoa certa”, pois como já foi dito por alguém, “semelhante atrai semelhante”. E no final, você se sentirá recompensado, não somente pelos beijos, química e risadas, mas pela possibilidade de estar com alguém que conhece – e aceita – sua alma nua…


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Por que o demônio declarou guerra ao celibato, ao matrimônio e à Eucaristia?

Quem escolhe viver a virgindade ou o celibato renuncia, por causa do “sobrenatural”, àquilo que o ser humano tem de mais “natural”. E o demônio não pode tolerar isso.

Muitas pessoas já devem ter visto esta citação de uma carta escrita por Irmã Lúcia, a vidente de Fátima: “O confronto final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre a família e sobre o matrimônio. Não tenha medo, porque qualquer um que trabalhar pela santidade do matrimônio e da família será sempre combatido e contrariado de todos os modos, porque este é o ponto decisivo.”
Poucos têm conhecimento, entretanto, sobre os escritos do Papa Sirício (334-399), que descreveu seu oponente Joviniano como um instrumento do “antigo inimigo, adversário da castidade, mestre da luxúria”, por este ter atacado o celibato do clero. Haveria alguma conexão entre a intuição da Irmã Lúcia e a antiga campanha do diabo contra a virgindade e o celibato pelo Reino dos Céus?
A fim de responder a esta pergunta, precisamos lançar um olhar ao diabo: quem ele é, e como trabalha.
Lúcifer odeia a virgindade consagrada e o celibato sacerdotal porque esse carisma e estado de vida é um dos mais intrinsecamente opostos ao orgulho que acarretou a sua queda, a perda de sua beatitude e danação eterna. O diabo desejava receber a bem-aventurança como uma recompensa de sua própria grandeza natural, não como um presente da graça, imerecido por qualquer criatura. Ele desejava ser o “filho primogênito” a receber homenagem das criaturas inferiores — talvez até mesmo ser o mediador entre a raça humana e seu Criador.
Quando Deus revelou, porém, que Ele mesmo entraria em amizade com os animais racionais, tão imensamente inferiores aos anjos, e lhes daria a beatitude; que sua própria Palavra iria se fazer carne; que essa Palavra encarnada elevaria a raça humana sofrendo e morrendo por ela, Lúcifer não o pôde tolerar. Ele se fechou em seu amor próprio e, cheio de orgulho, disse: Non serviam, eu não servirei a Deus, não servirei a um Deus assim, a um plano assim. Lúcifer rejeitou o sobrenatural em favor do natural.
Ora, o homem ou a mulher que escolhe a virgindade ou o celibato pelo Reino dos Céus faz justamente o oposto do que fez o diabo. De algum modo, ele ou ela está pondo de lado o natural em favor do sobrenatural. A virgem ou o celibatário renuncia àquilo que o ser humano tem de mais natural — viver ao lado do sexo oposto, encontrando nesta comunidade uma amizade e fecundidade projetadas para o homem desde o início, escritas em sua própria natureza corpórea, como vemos no relato de Eva sendo formada a partir do lado de Adão e trazida então a ele como sua esposa.
Como nada é mais natural ao homem do que o casamento, nada atesta mais supremamente o oferecimento de si mesmo a Deus do que esta renúncia feita por causa dEle. A vida da virgem ou do celibatário é um holocausto de imitação a Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus. Assim como a Palavra se tornou carne para nossa salvação, as almas consagradas fazem de suas próprias carnes uma palavra viva de total consentimento e entrega a Deus. A virgem ou o celibatário é o sinal humano supremo do amor radicalmente abnegado e redentor de Deus — e a antítese completa da rebelião de Lúcifer.
Mas, assim como os santos oram sem cessar e geram a oração em outros, o diabo, que é um mentiroso e o pai da mentira (cf. Jo 8, 44), mente sem cessar e gera ainda mais mentiras em suas vítimas. Ele convence as pessoas a acreditarem que o celibato ou a virgindade é uma depreciação do casamento, que aqueles que promovem esse estado e vocação mais elevados de vida estão atacando a ordem da criação, a bondade da natureza e a beleza do amor conjugal. Ele se apresenta, às vezes, como um defensor destas coisas, mas apenas de um modo distorcido, como Lutero fez.
O diabo quer que o compromisso exclusivo dos padres e religiosos para com Deus e o seu povo seja diluído e abandonado, a fim de que ele possa ampliar e multiplicar sua própria rebelião infernal contra as “vestes” da graça em favor de uma natureza “despida” à qual ele possa chamar de sua — e de um exército de seguidores ao qual ele possa chamar de seu, seguindo-o rumo ao vazio e à frustração de uma natureza eternamente “desnuda”. Na maioria das vezes, porém, ele semeia a mentira de que o homem não pode se realizar sem sexo, sem uma experiência sexual — que os seres humanos são castrados e se tornam miseráveis se não apreciam a presença carnal de outro homem ou mulher.
Quão sutil é a estratégia de Satanás! A verdadeira miséria do homem é, na verdade, a vida sem Deus, a vida sem o conhecimento e o desejo da comunhão eterna com Deus no Céu. Uma vez que ambos, o sacerdócio e a vida religiosa, estão diretamente ordenados a proclamar a realidade e o primado do Reino dos Céus, é crucial para o bem-estar da humanidade que os padres e religiosos sejam sinais inequívocos de nosso destino último — pois no Céu, como Nosso Senhor ensina, não há matrimônio. O único matrimônio no Céu é o da perfeita união entre Cristo e sua Igreja.
Este matrimônio entre Cristo e a Igreja, por sua vez, tem dois sinais especiais na terra: o sacramento do matrimônio e o sacramento da Eucaristia. Por isso o diabo ataca a ambos.
Ele ataca o matrimônio destruindo pouco a pouco os bens do casamento: a prole (através da contracepção e do aborto), a fidelidade (através da fornicação e do adultério) e o sacramento (através do divórcio e de práticas pastorais que o favorecem).
Ele ataca a Santíssima Eucaristia — que é a presença corporal de Nosso Senhor Jesus Cristo, capaz de satisfazer nossa fome de amor nesta vida — atingindo a Sagrada Liturgia, tentando as pessoas a colocarem o homem no centro, numa celebração autorreferencial que deturpa o significado da Missa, ainda que o sacramento tenha sido validamente celebrado.
Portanto, a estratégia do diabo tem várias facetas:
  • Ele luta para destruir a aliança indissolúvel do matrimônio, que é o sinal sacramental da união fecunda e indestrutível entre Cristo e sua Igreja. A guerra contemporânea contra o matrimônio é também, e mais profundamente, uma guerra contra a união nupcial entre Cristo e a Igreja — um esforço frenético, ainda que infrutífero, por apagar das mentes dos homens qualquer memória dessa gloriosa união consumada na Cruz.
  • Ele trabalha para destruir a Santíssima Eucaristia, que é o sinal e a causa de nossa comunhão com Cristo e a nossa maior participação em sua auto-oblação na Cruz.
  • Ele trabalha para destruir o sacerdócio e a vida religiosa, que exemplificam e efetivamente produzem, neste mundo, o ordenamento de toda a criação, através de Cristo, ao Pai, que é o começo e o fim de todas as coisas.
O elemento comum a todos esses ataques é a fúria do diabo com a subordinação, ao sobrenatural, de qualquer coisa que seja natural. O inimigo de Deus não suporta que o sacrifício fiel e radical de si mesmo seja caminho de salvação e bem-aventurança.


(via Pe. Paulo Ricardo)