sábado, 31 de março de 2018

Quando você sofre de solidão sua fé tem duas opções

LONELINESS

Estou preparado para sofrer o esquecimento e o ódio injusto?

No domingo, muitos apoiavam Jesus e o aclamavam com ramos e cantos. Mas, dias mais tardes, na Quinta-feira Santa, ao cair da noite, vão deixá-lo sozinho.
Jesus experimentará, então, a absoluta solidão: “Meus Deus, por que me abandonastes?”. Ele sofre o abandono, a aniquilação. Em meio à dor de tanta solidão, encontra-se a sós com seu Pai.
E em seu coração, sente o que o profeta explica: “O Senhor Deus abriu-me o ouvido e eu não relutei, não me esquivei. Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba; não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros. Mas o Senhor Deus vem em meu auxílio: eis por que não me senti desonrado; enrijeci meu rosto como uma pedra, convicto de não ser desapontado.”
Jesus foi submetido a uma morte ignominiosa. A uma cruz dolorosa. Ao desprezo, ao abandono, ao esquecimento.
Ele tinha falado palavras cheias de sabedoria. Tinha curado doenças incuráveis. Tinha negado a si mesmo por amor. E, em contrapartida, recebeu só o esquecimento e o desprezo. “Crucifica-o”.
E a solidão de uma noite na casa de Caifás? Sua última noite. Pedro o seguiu até a casa. Depois, o negou. Sua mãe e as mulheres mantiveram-se firmes. Estavam próximas, chorando.
Os que lhe prometeram fidelidade eterna não foram capazes de se manterem firmes. Não é simples. Em meio à cruz é quando comprovo a profundidade da minha fé, sua maturidade.
Quando tudo transcorre em um ritmo cadencioso, eu nada temo. Minha fé me sustenta. Quando não entendo nada, em meio a cruzes injustas e desumanas e naqueles momentos de solidão profunda, à minha fé só restam dois caminhos. Ou cresce e amadurece em meio à prova ou se quebra para sempre e eu deixo de crer nesse Deus que me abandonou e me deixou sozinho. Ele preferiu os outros a mim.
Penso nas aniquilações que sofri. Aniquilar-se é transformar-se em nada. Deixar de ser importante. Sofrer a humilhação e o esquecimento. O desprezo e a crítica.
Estou preparado para sofrer o esquecimento e o ódio injusto? Creio que não. Nunca estou preparado. Passar do Domingo de Ramos à Sexta-feira Santa é difícil. Faz falta uma graça especial na alma. Uma força que vem do alto.

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Por que a espiritualidade nos torna mais humanos?

SPIRITUAL

Entenda como o crescimento espiritual pode dar mais sentido à vida do ser humano

O mundo contemporâneo é marcado por múltiplas manifestações daquilo que muitos chamam de espiritualidade, pois, em sua essência, o ser humano é espiritual. A espiritualidade vem de dentro, é uma espécie de força interna que dinamiza as dimensões do ser humano.
O crescimento espiritual está definido como um processo de evolução que o ser interior protagoniza, mas que tem consequências sobre o desenvolvimento de todas as áreas da vida do ser humano, como a profissional, acadêmica e social.
A pessoa cresce espiritualmente quando consegue incorporar a todos os atos de sua vida valores como: tolerância, compaixão, desapego, generosidade, perdão, discrição e todos aqueles que aprendem em cada etapa de sua vida. E quando falo de todos os atos da vida, quero dizer TODOS, principalmente os menores e cotidianos: o trato com nossa família, a convivência com nossos companheiros de trabalho etc.
O crescimento espiritual melhora a forma como nós nos relacionamos com quem nos rodeia e vem como efeito de uma transformação real.
Diccionario de espiritualidad (2005) diz que “nenhum ser humano pode viver sem espírito, especialmente se se move com ondas motivacionais e convicções. [Isso] pertence, pois, ao substrato mais profundo do ser humano”.
A abertura à transcendência
Esta experiência é uma condição inerente ao ser humano e, de maneira especial, aos que têm um sentido diferente para a vida. Ou seja: falar de espiritualidade é dar significado às motivações e aspirações genuínas do ser humano, a partir da ordem do espírito.
Sem dúvidas, a espiritualidade é uma via de aperfeiçoamento. A partir dela, a pessoa pode chegar a ser mais pessoa e o humano mais humano em todas as dimensões.
No mundo moderno, muito se fala sobre qualidade de vida. Tanto que os sistemas empresariais, governamentais e educacionais são medidos por índices de qualidade. Sob alguns parâmetros, desenham-se estratégias e alternativas de progresso e avanço.
A condição de transcendência do ser humano não está longe destas coordenadas, já que nos ideais das pessoas que apostam na espiritualidade encontra-se a ideia de que esta ajuda a favorecer as condições de vida, já que, a partir dela, pode-se aprender a entender outros pontos de vista e gerar novas esperanças.
Ser espiritual também é esperar que as obras da vida tenham seu efeito positivo em algum momento da história pessoal. Quando se fala em desenvolvimento, não se pode falar de imediatismo. Esse processo requer perseverança, esforço, sacrifício, dedicação e o profundo convencimento de que a semente que se planta leva tempo para germinar.

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sexta-feira, 30 de março de 2018

Confiança na Cruz

Abá, Pai

A oração de Jesus no Horto das Oliveiras começa com uma palavra que é a chave para compreender essa cena impressionante do Evangelho, em que Jesus pede ao Pai que, se é possível, afaste dele o cálice da Paixão: Abá, Pai, tudo te é possível… (Mc 14, 36). São Marcos quis conservar-nos a expressão original que Cristo utilizou naquela noite para iniciar o seu diálogo com Deus Pai. Abá é uma palavra aramaica – essa era a língua que Jesus falava – usada pelos filhos, sobretudo pelas crianças, para se dirigirem carinhosamente a seu pai. É o equivalente das nossas expressões carinhosas “papai”, “paizinho”…
O detalhe é revelador. Por ele percebemos que, antes de pedir nada e antes de aceitar qualquer coisa, existe no coração de Cristo uma convicção, que nEle é clarividência absoluta: a de que Deus é um Pai infinitamente amoroso e, portanto, tudo o que dEle possa vir é bom; tudo é – ainda que por modos e vias cheios de mistério – um dom do amor paterno.
Esta plena lucidez é, nEle, prévia a qualquer reação ou atitude. Jesus sabe de antemão que tudo o que vier do Pai será um bem. Não hesita em abrir-lhe confiante o coração, que reluta perante o cálice da dor, a Paixão que se avizinha. Mas está, simultaneamente, pronto para aceitar seja o que for – seja feita a tua Vontade -, com disponibilidade total. Jesus “consumará” a vontade do Pai ao lançar o último suspiro na cruz; e lançá-lo-á com paz – ousaria afirmar que com íntima alegria, compatível com a dor dilacerante -, como que a exclamar: é bom, é bom ter cumprido a tua vontade, Pai, é maravilhoso poder morrer dizendo: tudo o que me pediste está consumado (Jo 19, 30).
Esta disposição, que na alma de Cristo nascia da clarividência decorrente da união da sua Humanidade com a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, em nós tem que provir da luz da fé. É sempre a partir da fé que se torna possível entender e amar a cruz que Deus, nosso Pai, nos quiser enviar.
“Entender” e “saber”
Um homem pode não estar entendendo nada quando o sofrimento o envolve como uma venda escura; mas, se é um filho de Deus que tem fé, sabe – sabe, mesmo sem o compreender – que toda cruz querida ou permitida por Deus Pai é positiva, é construtiva, é uma cruz que salva. E, como São Paulo, pode afirmar com segurança: Ora, nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus! (Rom 8, 28).
O conhecido psiquiatra vienense Viktor Frankl ilustrava esta fé que “entende sem compreender” – justamente porque se acredita e se confia – por meio de dois exemplos.
O primeiro é tirado de uma experiência de laboratório. Vejamos o caso – dizia – do macaco ao qual se dá uma dolorosa injeção para extrair soro. Poderá compreender alguma vez por que deve sofrer? É impossível para ele acompanhar o pensamento do homem que o submete a essa experiência, porque o mundo do sentido e dos valores humanos lhe é inatingível; não pode penetrar nas suas dimensões. Mas – acrescenta o cientista – porventura o nosso mundo humano não está, por sua vez, ultrapassado por um outro mundo que não chega a ser totalmente acessível ao homem, mas cujo sentido – um sentido sobre-natural – é o único capaz de dar sentido à dor humana? Ora, a passagem para essa dimensão sobre-natural só pode fundamentar-se no amor. Tal coisa não é novidade. Existe até como que uma predisposição natural para tanto. Pensemos em alguém que sinta afeição por um cachorrinho e que, para bem do animal, tenha de submetê-lo a uma intervenção dolorosa. O cachorro olha para o dono cheio de confiança. Sem poder “saber” qual o sentido daquele sofrimento, o animal contudo “crê”, “confia-se” ao dono, e deixa fazer.
O segundo exemplo, tirava-o Viktor Frankl da sua experiência clínica, e é comovente. Trata-se do relato de uma carmelita, vítima de uma forte depressão: “A tristeza – contava ela – é a minha habitual companheira. Tudo o que faço pesa na minha alma como o chumbo. Onde é que estão os meus ideais, toda a grandeza, toda a beleza, todo o bem para o qual, alguma vez, já se lançaram todos os meus esforços? Agora, um tédio sem fundo mantém prisioneiro o meu coração. Vivo como se estivesse suspensa no vazio. Há momentos em que até mesmo a dor me rejeita…
“No meio desta angústia, eu grito para Deus, o Pai de todos. Mas Ele também parece calar-se. Desejaria apenas uma coisa: morrer hoje mesmo, se fosse possível…
“Se eu não tivesse a certeza da fé, de que não sou a dona da minha vida, já a teria recusado muitas vezes. Com esta fé, toda a amargura da dor começa a mudar, porque quem pensa que uma vida humana deve ser um contínuo avançar de sucesso em sucesso, assemelha-se a um louco que pára diante de um prédio em construção e se espanta de que se cave em profundidade lá onde deve ser erguida uma catedral. Deus constrói para si um templo em cada alma humana. Comigo, Ele começou a cavar os alicerces. O meu dever é tão só manter-me dócil aos seus golpes…”
Purificação e amadurecimento
A força da fé reside em que ela é um facho de luz que, já de antemão – antes que qualquer coisa aconteça -, nos assegura que de Deus não nos pode vir mal algum, e nos convida a procurar entender – nem que seja obscuramente – a razão divina, a finalidade espiritual e o sentido de cada sofrimento. Pois, como víamos antes, há uma certeza prévia inabalável para a alma cristã, e é a de que não existe cruz sem sentido.
Em algumas ocasiões, irá clareando dentro de nós, como uma luz crescente, a convicção de que Deus nos trabalha por meio do sofrimento: desde o produzido por uma simples dor de cabeça ou um objeto perdido, até o causado por uma doença grave, um fracasso profissional ou a perda de um ente querido. Aos poucos, vamos adquirindo “a experiência de que a dor é o martelar do artista que quer fazer de cada um, dessa massa informe que somos, um crucifixo, um Cristo, o alter Christus (o outro Cristo) que temos de ser”  (São Josemaria Escrivá).
Quantas virtudes não se temperam, como o ferro na forja, por meio do sofrimento! A dor pode pulverizar-nos ou fortalecer-nos, enlouquecer-nos ou fazer-nos sábios. Já dizia Camões que o amor dá às almas sofredoras “poder para entenderem, à medida dos males que tiverem” (Canção X).
Em geral, não costumamos ver o valor do sofrimento na mesma hora em que nos acomete. Mas o cristão, movido pela fé, procura compreendê-lo num segundo momento, que é feito de oração, de reflexão na presença de Deus, talvez de lágrimas aprazíveis que não conseguimos conter. Então, sim – com o decorrer do tempo e ajudados pela graça -, podemos descobrir a mensagem divina daquela dor, e vamos compreendendo, cheios de esperança, que é uma oportunidade magnífica de elaborar, como a abelha, o mel de uma humildade mais profunda, de um abandono em Deus mais completo, de um amor mais amadurecido, de uma fé mais inabalável na maravilha da vida eterna.
Em outras ocasiões, o Espírito Santo nos faz perceber o valor do sofrimento como meio de expiação dos nossos pecados: é a mão paterna e materna de Deus que nos limpa, nos purifica com a cruz redentora e nos prepara para o encontro pleno com Ele. Assim via os padecimentos aquela mulher agonizante que São Josemaría Escrivá ajudava a bem morrer. Era por volta de 1931, no Hospital del Rey, de Madrid. Com muita frequência, o Pe. Josemaria visitava e atendia os doentes incuráveis que lá definhavam. Uma das pacientes sem remédio era “uma desventurada mulher, estragada pelo vício, de boa posição social no passado. Procedia de uma família aristocrática, mas tinha dissipado a sua juventude numa vida sórdida.
“Administrada a Extrema-Unção, o sacerdote ajudou-a a bem morrer, ao mesmo tempo que instilava na sua alma um orvalho de arrependimento: uma ladainha de louvores à dor, brasa divina que cauteriza, purifica e nos regenera de turvas sujidades.
“Ela, vencendo estertores, exclamava feliz, muito feliz: «Bendita seja a dor! Amada seja a dor! Santificada seja a dor! Glorificada seja a dor!» – «Eu me lembrava – diria depois São Josemaría – de Maria Madalena; sabia amar»” (A. Vázquez  de Prada: O Fundador do Opus Dei).

(Trecho adaptado do livro de F. Faus: Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens)

A Santa Ceia: o dom infinito da Eucaristia e o drama

Última Ceia, Instituição da Eucaristia, Giusto da Guanto, c. 1474.
Última Ceia, Instituição da Eucaristia, Giusto da Guanto, c. 1474.

Na Santa Ceia, Jesus Cristo instituiu o Santo Sacrifício da Missa. 

Para os judeus era a festividade da Páscoa.

Quer dizer da saída do Egito, da libertação da escravidão.

O inicio do caminho para a Terra Prometida.

No centro da refeição estava o cordeiro pascal.

Em lembrança do cordeiro que Moisés mandou sacrificar e comer antes de partir.

Em prefigura do Cordeiro de Deus que viria remir os homens.

E eis que o Cordeiro de Deus estava ai oferecendo Seu próprio Corpo!

Mas Ele estava profundamente triste.

Ele sabia que um dos Apóstolos O tinha traído.

Jesus descobriu a João o sinal do traidor:

o primeiro a pôr a mão no pão consagrado: Judas Iscariotes!

Ele fugiu para praticar o crime combinado com o Sinédrio.

Que situação tristíssima! 

Os Apóstolos estavam em decadência espiritual na hora da Paixão. 
Oração no Horto das Oliveiras, vitral
na igreja de Saint Cross, Oxford, Inglaterra.
Eles dormiram durante a Agonia no Horto das Oliveiras.

O Divino Mestre alertava-os para a gravidade da situação, 

e eles se incomodavam mais ou menos. 

Nosso Senhor chegou a censurá-los: 

‘Uma hora não pudestes vigiar comigo?’ (Mt 26,40). 

Quando Nosso Senhor foi preso, eles fugiram. 

Penso nisso quando passo diante de uma igreja

Onde o Santíssimo Sacramento está exposto?

Faço um bom exame de consciência? Confesso-me bem?

Vou até a mesa da Comunhão com a consciência bem limpa?

Quantos vão até a Comunhão de qualquer jeito!

Quantos a distribuem com desfaçatez sacrílega!

Eles são da estirpe do Iscariotes.

Oh Minha Senhora, Mãe de Deus!

Que meus caminhos não sejam esses, mas os Vossos!

A via da perfeita escravidão de amor a Vós

Para chegar a Vosso Filho, a Sabedoria Encarnada

Presente verdadeiramente na Santíssima Eucaristia!

Fonte: Ciencia confirma a Igreja

domingo, 25 de março de 2018

As lágrimas de São Pedro

Pedro se entristeceu
Uma das cenas mais tocantes do relato evangélico sobre as aparições de Jesus ressuscitado é a do diálogo que Cristo manteve com Pedro, enquanto caminhavam à beira do lago de Tiberíades (João, 21, 15 ss.).
Sete dos discípulos de Jesus – conta São João –, enquanto esperavam na Galiléia o encontro que Cristo marcara lá com eles (cf. Mc 16,7), foram pescar no lago, como tantas vezes o haviam feito em anos anteriores. Naquela noite, porém, nada apanharam. Começavam a voltar para a praia, quando avistaram, na vaga luz do amanhecer, uma figura imprecisa. Não é agora o momento de comentar com detalhe toda essa belíssima passagem do Evangelho, que ocupa todo o capítulo 21 de São João. Baste-nos lembrar que a “figura” avistada era Jesus, que Cristo se dirigiu logo a eles com afeto, orientou-lhes a pesca e realizou um milagre; depois, tomou com eles, sentados na praia, uma refeição de peixe assado e pão, e lhes inundou o coração de ternura e alegria.
Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes? Respondeu ele: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”… Três vezes repetiu essa pergunta amorosa. Podemos imaginar os sentimentos de Pedro, que por três vezes tinha negado Jesus durante a Paixão. O apóstolo, com certeza, não esperava essas palavras. Talvez aguardasse apenas uma manifestação explícita de que, apesar de seu grave pecado, nosso Senhor já o perdoara. Jesus, porém, lembrou-lhe indiretamente, delicadamente, suas três negações. Se mexeu, porém, de leve na sua ferida, foi apenas para ungi-la com o bálsamo do carinho e da esperança.
Não há dúvida de que a pergunta de Jesus – os três pedidos de amor e a confiança com que o confirmou em sua missão – trouxe à memória de Pedro aqueles momentos amargos da Paixão em que negara uma e outra vez conhecer Cristo e declarara enfaticamente nada querer saber dele. Como lhe doeu logo na alma ter sido tão covarde, tão egoísta, capaz de renegar Jesus e até de falar mal dele, para salvar a sua própria pele.
Naquela noite triste, Cristo estava no pátio da casa do sumo sacerdote, preso, manietado, com as faces roxas de pancadas e sujas de escarros e a alma dilacerada por insultos e calúnias, e muito precisado de carinho, de consolo, de amizade… E foi justamente nessa noite Pedro o rejeitou, negou conhecê-lo e disse não ter nada com ele. Mas, ao mesmo tempo, foi uma noite muito bonita. É comovente lembrar que, depois da terceira negação, quando o galo já havia cantado – como Jesus predissera –, diz são Lucas que, voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro lembrou-se da palavra do Senhor: ”Hoje, antes que o galo cante, me negarás três vezes”. E, saindo fora, chorou amargamente (Lc 22,62).
Pobre Pedro! Como deve ter sido aquele olhar de Jesus sofredor! Nele não houve nada de recriminação, nada de ressentimento. Apenas estava dizendo a Pedro com os olhos: “Eu te amei com predileção e, apesar de tudo o que acabas de fazer, continuo a amar-te, pobre amigo, pobre filho meu”. Era um olhar de misericórdia, que é a expressão mais bela e profunda do amor que Deus nos tem, “amor mais forte do que a morte –diz João Paulo II -, mais forte do que o pecado”. E ainda acrescenta: “São infinitas a prontidão e a força do perdão de Deus. Nenhum pecado humano prevalece sobre esta força e nem sequer a limita” (Enc. Dives in misericordia, n. 83). Será que percebemos a enorme fonte de confiança, a inesgotável fonte de esperança que é, para o pecador – para todos nós, que somos pecadores -, a misericórdia de Deus? É tão imensa, tão incrível, que nos desarma.
Pois bem. Foi isso o que aconteceu com Pedro depois daquele olhar de Jesus. Lembrou-se então, com certeza, do momento em que Jesus o escolhera para ser seu Apóstolo, o chefe dos Apóstolos, a pedra fundamental da sua Igreja (cf. Jo 1,40-42). Lembrou-se do imenso oceano de cuidados, compreensão, afeto, paciência, ensinamentos e ajudas que Jesus lhe havia dispensado ao longo dos três anos em que tinham andado juntos; compreendeu que tinha sido objeto de um carinho imenso, que, mesmo que quisesse, não teria como pagar… E, naquela noite de dores, Jesus lhe pagava o pecado, não com um castigo, nem sequer com um olhar de censura ou de rejeição, mas com aquele olhar acolhedor e afetuoso. Por isso, Pedro, saindo fora, chorou, chorou transtornado de pena, chorou desfeito perante a misericórdia de Cristo… Dizem que, durante anos, ainda se lhe notava na face a vermelhidão causada por tantas lágrimas.
Eram lágrimas de amor ardente. Houve outro Apóstolo, que, nas horas da Paixão, também negou, traiu, e se arrependeu – Judas –, mas chorou só de remorso e de raiva, do horror insuportável que lhe causava perceber o pecado que tinha cometido. Pequei, entregando o sangue de um justo (Mt 27,4) – gritou; mas não lhe adiantou nada. Não soube confiar na misericórdia de Deus, não foi capaz de acreditar na misericórdia divina, “que – como diz o Papa João Paulo II – sabe tirar o bem de todas as formas do mal existente no homem e no mundo” (Enc. Dives in miseriordia, n.44). Judas Iscariotes desesperou-se, jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se (Mt 27,5). Poderia ter sido um grande santo, se tivesse compreendido o coração de Jesus, se tivesse sido humilde…!
Reflexos da misericórdia de Deus
Mas voltemos àquela conversa a sós de Jesus ressuscitado com Pedro, à beira do lago, pois ela nos sugere outras coisas belíssimas, além das que já meditamos.
Para isso, será bom recordar a cena completa: Tendo eles comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Respondeu ele: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros”. Perguntou-lhe outra vez: “Simão, filho de João, tu me amas?” Respondeu-lhe: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros”. Perguntou-lhe pela terceira vez: “Tu me amas?” Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: “Tu me amas?”, e respondeu-lhe: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta as minhas ovelhas”.
Que vemos aí? Que verdades sobre Cristo nos mostra esse trecho do Evangelho? São coisas difíceis de expressar, ainda que sejam coisas muito simples. Todas elas são reflexos da misericórdia de Deus:
– Por um lado, Jesus ajuda Pedro a apagar os seus três pecados com três atos de amor.
– Em segundo lugar, Jesus faz ver a Pedro que, apesar do seu pecado, o considera capaz de ser muito santo, de amar mais do que todos estes, mais do que ninguém. Que confiança!
– Terceiro: em vez de depor Pedro do seu cargo de Pastor e chefe da Igreja, por ter caído tão baixo, Jesus faz questão de confirmá-lo na autoridade que lhe havia conferido, para que fosse o primeiro entre todos os Apóstolos (Cf. Mt 16,18-19). Como vemos, Jesus confirma-o na função de pastor dos cordeiros e pastor das ovelhas, ou seja, pastor dos pastores e pastor do povo fiel, de todo o seu rebanho, que é a Igreja.
Todos esses “reflexos da misericórdia” nos falam da esperança que deve animar a nossa vida de filhos de Deus. O primeiro e o segundo “reflexo” falam sobretudo da confiança que Jesus tem em nós, na nossa capacidade de nos recuperarmos, por mais que tenhamos sido e sejamos pecadores; e também da alegria que Deus “experimenta” quando um pecador – por mais “trapo sujo” que seja – se volta para Ele, arrependido e com amor.
Há um poeta católico francês, Charles Péguy, que captou muito bem a beleza deslumbrante da misericórdia e da esperança que ela suscita. Vale a pena lembrar o seguinte trecho de um de seus poemas?
“Deus pôs a sua esperança em nós. Foi Ele que começou. Ele esperou que o último dos pecadores,
que o mais ínfimo dos pecadores, fizesse pelo menos algum pequeno esforço pela sua salvação,
por pouco, por pobremente que se esforçasse,
que se ocupasse ao menos um pouco disso.
Ele esperou em nós. Virá a ser dito que nós não esperamos nele?
Deus depositou a sua esperança, a sua “pobre” esperança em cada um de nós, no mais ínfimo dos pecadores.
Virá a ser dito que nós, ínfimos, que nós, pecadores, vamos ser nós a não depositar a nossa esperança nele?
É essa riqueza do amor paternal de Deus a que se vê de forma tocante na parábola do filho pródigo. O filho menor abandona a casa paterna, comete pecado atrás de pecado, disparate atrás de disparate, e Jesus mostra-nos o seu pai, que simboliza Deus, encostado ao limiar da porta de casa, perscrutando o caminho, na esperança de ver um dia o filho voltar. E quando enxerga ao longe uma nuvenzinha de pó, o seu coração adivinha o retorno do filho, e quando já se aproxima aquele mendigo empoeirado, o pai já sabe que é ele, e, então, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o cobriu de beijos (Lc 15, 20). Bastou ao filho a boa vontade de arrepender-se, de voltar, de abrir o coração para dizer, com doída sinceridade: Pai, pequei contra o céu e contra ti… , para ser envolvido por todo o amor do pai.
Quem não sabe dizer pequei, esse não sabe dizer Pai! Porque só quem descobriu o amor de Pai que Deus nos tem pode dar-se conta de como lhe pagou mal tanto amor, de como o esqueceu, de como lhe desobedeceu, de como o ofendeu…., e então pode doer-se por amor, que é o verdadeiro arrependimento, a verdadeira contrição. Foi o sentimento que Pedro tinha no seu coração e que Jesus o ajudou a externar com palavras: Amas-me? –Amo-te…
Sem esse amor, infelizmente, nem chegamos a reconhecer os nossos pecados. Achamos uma desculpa para todos eles, a começar pela desculpa de dizer que nem sequer são pecados, que “eu não cometo pecados”, e assim fechamos o mal dentro da câmara escura do nosso coração e trancamos a porta à misericórdia de Deus, ao seu perdão.
Mais reflexos da misericórdia
Mas, como víamos, há um segundo ponto. Jesus, na praia, perguntou a Pedro: Amas-me mais do que estes? É o segundo ato de confiança de Jesus. O pecador que se arrepende de verdade, por amor, recebe a graça de Deus – normalmente mediante a confissão -, e, se corresponde a essa graça, pode chegar a uns cumes de santidade infinitamente maiores do que os abismos aonde se precipitou com o pecado. É o que aconteceu com Pedro, com Paulo, com Santo Agostinho e com tantos outros. E aí temos outro grande motivo de esperança.
Por isso, não tem o espírito cristão a pessoa que diz: “Eu já pequei tanto, caí tão fundo, fiz tantas barbaridades, que o máximo a que posso aspirar é a obter a duras penas o perdão de Deus e entrar no Céu por uma frestinha, como o último da fila, como o “patinho feio”, depois de ter ficado no purgatório até o fim do mundo…”. É uma maneira errada, nada cristã, de ver as coisas.
Isso está claro no caso de Pedro. Mas também fica patente na parábola do filho pródigo. Ao filho pecador que se arrepende, o pai cumula-o de tantos bens e tantas honras, envolve-o em tanta alegria, que provoca a inveja do irmão mais velho, trabalhador, honesto, mas egoísta e mesquinho. Convinha fazermos uma festa – retruca o pai -, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; estava perdido, e foi achado (Lc 15,32). Este é o espírito de Jesus: Digo-vos que haverá mais júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento (Lc 15,7).
Sim. Este é o espírito de Jesus. Será que é o nosso? Nós confiamos assim? Somos capazes de arrepender-nos assim? Somos capazes de fazer penitência, por amor, e de mudar com alegria e de recomeçar com vibração? Cristo deixou-nos um meio fácil e acessível: o Sacramento da Penitência, a confissão. Dele diz o Papa João Paulo II, na encíclica que antes citávamos: “Neste Sacramento, todos podem experimentar, de modo singular, a misericórdia, isto é, aquele amor que é mais forte do que o pecado”.
E é também o Papa João Paulo II quem nos diz, com belas palavras: “A conversão a Deus consiste sempre na descoberta da sua misericórdia, do seu amor fiel até às últimas conseqüências. O autêntico conhecimento do Deus da misericórdia é a fonte constante e inexaurível de conversão” (Cf. Encíclica Dives in misericordia, nn. 44, 57, etc.)
Um último reflexo
Mas ainda nos resta dizer alguma coisa sobre o terceiro ponto. Jesus não só perdoa Pedro como o confirma naquela missão da máxima responsabilidade, que é ser o supremo Pastor da Igreja aqui na terra. Também aí a prova de confiança de Jesus é tão grande que dá à nossa esperança vibrações de alegria.
Eu penso que, aplicado a cada um de nós, isto nos diz: “Deus espera muito de você, por mais que a sua vida passada tenha sido um desastre. Não fique apontando baixo. Não coloque metas medíocres na sua vida cristã, na sua vida de intimidade com Deus, na sua oração, no seu apostolado, na sua dedicação ao bem material e espiritual dos seus irmãos. Seja audaz! Aponte muito alto, pois é aí, nas alturas, que Cristo – que o perdoou e voltará sempre a perdoar, se se arrepender – o espera”.
Aquele poeta antes citado contempla a vida dos filhos de Deus como um caminho ascendente, sempre subindo, sempre subindo, até chegar ao Céu. Ele imagina a fé, a esperança e a caridade como três irmãs, e diz que a esperança é a irmã menor, que parece fraquinha, mas que, na realidade, é a que arrasta com força irresistível as outras duas:
“No caminho ascendente, arenoso, incômodo,
na caminhada ascendente,
arrastada, pendurada dos braços das irmãs mais velhas,
que a levam pela mão,
a pequena esperança
avança.
E, no meio, entre as duas irmãs mais velhas, tem o ar de se deixar arrastar,
como uma menina que não tivesse forças para caminhar,
e que fosse arrastada pela estrada contra vontade.
Quando, na realidade, é ela que faz andar as outras duas,
E que as arrasta,
E que faz andar toda a gente,
E que a arrasta.
Força e grandeza da esperança cristã! É uma chama radiante que a ressurreição de Jesus faz arder no mais fundo do coração. O Papa diz que “Cristo ressuscitado é a encarnação definitiva da misericórdia, o seu sinal vivo”. Peçamos ao Senhor que, mesmo que tenhamos a desgraça de traí-lo muitas vezes, nos conceda a graça de não trairmos nunca a esperança, essa fabulosa esperança que Ele nos ganhou morrendo e ressuscitando, e que a nossa Mãe Maria, Mãe de misericórdia, nos ajude a mantê-la como um farol aceso.

[Adaptação de um capítulo do livro de F.Faus: Cristo, minha esperança]

Virgem Maria e Padre Pio acompanham o submarino argentino desaparecido

SCHOENSTATT,PIO

Canal de TV argentino revela que dois tripulantes carregam as imagens durante a missão

Uma imagem da Virgem Maria acompanha a tripulação do submarino ARA San Juan, desaparecido em 15 de novembro no Atlântico Sul.
Assim registrou o canal ‘Elonce TV’ de Paraná, em uma entrevista realizada em maio com a primeira oficial submarinista da história da Marinha Argentina, Eliana Krawczyk.
Quando a oficial mostrava o painel de controle que está no compartimento de propulsão, as câmeras conseguiram registrar uma imagem da Virgem de Schoenstatt.
Esta imagem da Virgem Maria é aquela que está na tradicional Peregrinação dos Povos, realizada na véspera do Dia das Mães, com um percurso de 92 quilômetros da cidade de Hasenkamp para o Paraná, na província de Entre Rios.
Acredita-se que a imagem possa pertencer ao tenente do navio Fernando Ariel Mendoza, único tripulante da província de Entre Rios, que quis levar a Virgem para que o acompanhasse durante a viagem.
“É uma notícia muito linda que ela possa acompanhar a tripulação que está passando por este momento com tanta angústia”, disse Pe. José Maria Bustamante, pároco de São José de Paraná e um dos organizadores da Peregrinação dos Povos.
“Neste momento de incerteza e angústia, poder ter a Mãe nos acolhe e nos dá esperança”, expressou o sacerdote ao programa ‘A media mañana’, do canal de televisão ‘Elonce TV’.
A esposa do tenente Mendoza, Carolina Sosa, postou no Facebook uma foto que mostra a imagem de Nossa Senhora de Schoenstatt junto com a de São Pio de Pietrelcina, apoiados em uma réplica do navio desaparecido.
“Assim eu os vejo chegar. A Virgem na proa e o Padre Pio na popa”, escreveu Sosa na publicação.
Pe. Bustamante sublinhou a importância de “confiar em alguém superior que nos acompanhe na vida, porque não podemos ser autossuficientes, precisamos da ajuda lá de cima”.
“A peregrinação (dos povos) parte de um monte de incertezas, se vamos chegar ou não, mas viajar, tanto em um submarino como em qualquer outra viagem, nos dá incertezas… Um submarino é submergido na água e pode ter falhas”, explicou.
Por esta razão, o sacerdote encorajou a confiar na intercessão da Virgem Maria que, “como Mãe, está atenta às necessidades dos seus filhos, e intercede diante de Deus, o único que faz milagres”.

Após venerar o corpo do Padre Pio, Papa Francisco declara: crucifixo não é acessório

POPE FRANCIS PIETRELCINA

"Na imagem de Jesus crucificado se revela o mistério da morte do Filho como supremo ato de amor"

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (18/03), com os fiéis e peregrinos de várias partes do mundo, presentes na Praça São Pedro.
O Evangelho deste domingo, narra o episódio ocorrido nos últimos dias da vida de Jesus que se encontra em Jerusalém para a festa da Páscoa judaica. Alguns gregos também participaram desta celebração ritual. “Trata-se de homens animados por sentimentos religiosos, atraídos pela fé do povo judeu e que, tendo ouvido falar desse grande profeta, se aproximam de Filipe, um dos doze apóstolos, e lhe dizem: ‘Queremos ver Jesus’”.
“A reação de Jesus é surpreendente. Ele não responde com um sim ou com um não, mas diz: “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado.” Estas palavras, que à primeira vista parecem ignorar a pergunta dos gregos, na realidade dão a verdadeira resposta, porque quem quer conhecer Jesus deve olhar dentro da cruz, onde sua glória é revelada. Olhar dentro da cruz.”
“O Evangelho de hoje nos convida a dirigir o nosso olhar ao crucifixo, que não é um objeto de decoração ou o acessório de um roupa, às vezes abusado! ”
“Mas, um sinal religioso a ser contemplado e compreendido. Na imagem de Jesus crucificado se revela o mistério da morte do Filho como supremo ato de amor, fonte de vida e salvação para a humanidade de todos os tempos. Em suas chagas fomos curados”.
“Posso pensar: como eu olho o crucifixo? Como uma obra de arte, para ver se é bonito ou feio? Eu o olho de dentro, entro nas chagas de Jesus até o seu coração? Olho o mistério do Deus que se aniquilou até a morte, como um escravo, como um criminoso? Não se esqueçam disso: olhar o crucifixo, mas olhá-lo dentro.”
“Existe esta devoção bonita de rezar um Pai-Nosso em alguma das cinco chagas: quando rezamos este Pai-Nosso, procuremos entrar dentro das chagas de Jesus, em seu coração.”
“Ali, aprenderemos a grande sabedoria do mistério de Cristo, a grande sabedoria da cruz.”
Para explicar o significado de sua ressurreição, Jesus usa uma imagem e diz: “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só; mas se morre, então produz muito fruto.”
“Ele quer deixar claro que o seu evento extremo, ou seja, a cruz, morte e a ressurreição, é um ato de fecundidade, as suas chagas nos curaram. Uma fecundidade que dará fruto para muitos. Assim, ele se compara ao grão de trigo que morrendo na terra gera vida nova.”
“Com a encarnação, Jesus veio ao mundo; mas isso não basta: Ele deve também morrer para resgatar os homens da escravidão do pecado e dar-lhes uma nova vida reconciliada no amor. Eu disse para resgatar os homens: para me resgatar, resgatar você, todos nós, cada um de nós. Ele pagou esse preço. Este é o mistério de Cristo. Vai às suas chagas, entre e contempla. Veja Jesus de dentro.”
Segundo o Papa, “este dinamismo do grão de trigo, realizado em Jesus, também deve ser realizado em nós seus discípulos”. “Somos chamados a fazer nossa esta lei pascal de perder a vida para recebê-la nova e também eterna.”
Então Francisco perguntou: “O que significa perder a vida? O que significa ser um grão de trigo? Significa pensar menos em si mesmos, nos interesses pessoais, e saber “ver” e ir ao encontro das necessidades de nosso próximo, especialmente dos últimos.”
“Realizar com alegria obras caritativas aos que sofrem no corpo e no espírito é a maneira mais autêntica de viver o Evangelho, é o fundamento necessário para que as nossas comunidades cresçam na fraternidade e no acolhimento recíproco. Quero ver Jesus, mas vê-lo de dentro. Entra em suas chagas e contempla o amor de seu coração por você, por mim, por todos.”

Papa recorda visita a Pietrelcina e San Giovanni Rotondo

Após a oração mariana do Angelus, o Papa saudou todos os fiéis presentes na Praça São Pedro, provenientes da Itália e várias partes do mundo. Saudou também a União Folclórica Italiana.
Francisco recordou sua visita pastoral realizada, neste sábado (17/03), a Pietrelcina e San Giovanni Rotondo, nos passos de São Padre Pio.
“Ontem, visitei Pietrelcina e San Giovanni Rotondo. Saúdo com afeto e agradeço as comunidades diocesanas de Benevento e Manfredonia, os bispos, Dom Accrocca e Castoro, os consagrados, fiéis e autoridades. Agradeço a acolhida calorosa e levo todos no coração, especialmente os doentes da “Casa Alívio do Sofrimento”, os idosos e os jovens. Agradeço aos que prepararam esta visita que realmente não esquecerei. Que Padre Pio abençoe a todos.”
(Rádio Vaticano)