domingo, 15 de abril de 2018

O santo do cotidiano

“O santo do cotidiano”. Este é o título que são João Paulo II deu ao fundador do Opus Dei, são Josemaria Escrivá, no discurso pronunciado no dia 7 de outubro de 2002, na Praça de são Pedro. No dia anterior, o Papa havia celebrado a Missa solene da Canonização de são Josemaria perante uma multidão de mais de 300.000 fiéis, que continuavam lá presentes em 7 de outubro.

– Caríssimos Irmãos e Irmãs! Dirijo-vos com alegria a minha cordial saudação, neste dia que se segue ao da canonização do Beato Josemaría Escrivá. […] Este encontro festivo reúne uma grande variedade de fiéis, provenientes de muitos países e pertencentes aos mais diversos âmbitos sociais e culturais: sacerdotes e leigos, homens e mulheres, jovens e anciãos, intelectuais e trabalhadores manuais.Trata-se de um sinal do zelo apostólico que ardia na alma de São Josemaría.
Na vida do Fundador do Opus Dei sobressai o amor à vontade de Deus. Existe um critério seguro para se verificar a santidade de alguém: a sua fidelidade ao cumprimento da vontade divina até as últimas consequências. O Senhor tem um projeto para cada um de nós, confia a cada um de nós uma missão sobre a terra. E o santo não consegue nem sequer imaginar-se a si mesmo fora do projeto de Deus: vive unicamente para realizá-lo.
São Josemaría foi escolhido pelo Senhor para anunciar a chamada universal à santidade e mostrar que as atividades cor­rentes que compõem a vida de todos os dias são caminho de santificação. Pode-se dizer que foi o santo do cotidiano. De fato, estava convencido de que, para quem vive sob a ótica da fé, tudo é ocasião de um encontro com Deus, tudo se torna um estímulo para a oração. Vista desta forma, a vida diária revela uma grandeza insuspeitada. A santidade apresenta-se verdadeiramente ao alcance de todos.
Escrivá  foi um santo de grande humanidade. Todos os que se relacionaram com ele, de qualquer cultura ou condição social, tinham-no como um pai, totalmente entregue ao serviço dos outros, porque estava convencido de que cada alma é um tesouro maravilhoso; com efeito, cada homem vale todo o Sangue de Cristo. Esta atitude de serviço é patente na sua entrega ao ministério sacerdotal e na magnanimidade com que impulsionou tantas obras de evangelização e de promoção humana em benefício dos mais pobres. O Senhor fez com que entendesse profundamente o dom da nossa filiação divina. E ele ensinou a contemplar o rosto terno de um Pai no Deus que nos fala através das mais diversas vicissitudes da vida. Um Pai que nos ama, que nos acompanha passo a passo e nos protege, nos compreende e espera de cada um de nós uma resposta de amor. A consideração desta presença paterna, que acompanha o cristão a toda a parte, proporciona-lhe uma confiança inquebrantável; em todos os momentos deve confiar no Pai celestial. Nunca se sente só nem tem medo. Quando depara com a Cruz, não vê nela um castigo, mas uma missão que lhe foi confiada pelo próprio Senhor. Por­tanto, o cristão é necessariamente um otimista, porque sabe que é filho de Deus em Cristo.
São Josemaría estava profundamente convencido de que a vida cristã implica uma missão e um apostolado, de que estamos no mundo para redimi-lo com Cristo. Amou o mundo apaixonadamente, com um “amor redentor” (Catecismo da Igreja Católica, n. 604). Precisamente por essa razão, os seus ensinamentos ajudam tantos fiéis comuns a descobrir o poder redentor da fé, a sua capacidade de transformar a terra. É uma mensagem que tem abundantes e fecundas implicações para a missão evangelizadora da Igreja. Fomenta a cristianização da sociedade “a partir de dentro”, e mostra que não pode haver conflito entre a lei divina e as exigências do genuíno progresso humano. Este sacerdote santo ensinou que Cristo deve estar no cume de todas as atividades humanas (cf.Jo 12, 32). A sua mensagem anima o cristão a atuar nos lugares onde se forja o futuro da sociedade. Somente através da presença ativa dos leigos em todas as profissões e nas mais avançadas fronteiras do desenvolvimento é que se pode dar uma contribuição positiva para o fortalecimento da harmonia entre a fé e a cultura, uma das grandes necessidades da nossa época.
Gostaria de concluir com uma referência à festa litúrgica de hoje, Nossa Senhora do Rosário. São Josemaría escreveu um belo opúsculo intitulado “Santo Rosário”, resultado da sua vida de infância espiritual, essa disposição de espírito própria daqueles que atingem um total abandono na vontade divina. Com o meu mais profundo carinho, confio à proteção maternal de Maria todos os presentes assim como os seus familiares e apostolados, e lhes agradeço pela sua vinda.
[…] Convido-os, caríssimos Irmãos e Irmãs, a levar a todas pessoas um testemunho claro da fé, conforme o exemplo e os ensinamentos do seu santo Fundador. Acompanho-os com a minha oração e de todo o coração os abençoo, bem como às suas famílias e atividades.

Papa João Paulo II

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Os mosteiros cristãos mais antigos do mundo e seu incrível estilo de vida

MONASTERY OF SAINT ANTHONY


Um deles tem sido habitado continuamente pelos monges desde a sua fundação, há bem mais de 1.000 anos!

A história da vida consagrada católica data dos primeiros séculos após a ressurreição de Jesus Cristo. Inicialmente, havia muitos homens e mulheres, cujos nomes nunca foram registrados pela história, que viviam como eremitas no deserto, dedicando toda a sua vida à oração e às boas palavras, em oferecimento pessoal completo a Jesus.
O primeiro eremita cristão de que se tem registro é São Paulo de Tebas, nascido no Egito em 227. Ele se refugiou no deserto para escapar da perseguição, mas, depois, resolveu permanecer por lá a fim de se aproximar mais de Deus.
Por volta do ano 270, o seu exemplo inspirou Santo Antônio, o Grande, a abraçar uma vida semelhante, dedicada à oração no deserto. O eremita Santo Antônio (não confundir com Santo Antônio de Pádua e Lisboa) é geralmente considerado o “pai do monaquismo cristão” ou “pai de todos os monges”, pois atraiu muitos seguidores que aprenderam com ele os caminhos da ascese cristã. No entanto, ele não estabeleceu nenhum mosteiro físico: a sua comunidade criava as celas monásticas em cavernas próximas umas das outras ou em pequenas cabanas. Acredita-se que alguns dos seus seguidores, no século IV, vieram a criar um mosteiro no local do seu túmulo.
Esse mosteiro, localizado cerca de 200 quilômetros a sudeste do Cairo, é hoje conhecido como o “Mosteiro de Santo Antônio” (foto abaixo). Se no início era apenas um grupo de eremitas vivendo em proximidade, com o tempo foi se formalizando e se transformando em uma comunidade.
MONASTERY OF SAINT ANTHONY
LorisRomito | CC BY-SA 3.0
Um dos discípulos mais próximos de Santo Antônio era São Macário, que também fundou um mosteiro no deserto egípcio até hoje em atividade: o “Mosteiro de São Macário em Scetis” (foto abaixo).
SAINT MACARIUS MONASTERY
Berthold Werner | CC BY-SA 3.0
São Macário viveu uma vida longa, aproximadamente entre 300 e 391, e foi influenciado por Santo Antônio a dedicar a vida à oração. O seu próprio exemplo de santidade atraiu outros muitos a um tipo de vida monástica eremítica ou semi-eremítica. Segundo a Enciclopédia Católica, os monges não estavam vinculados a nenhuma regra fixa; suas celas ficavam próximas e eles se reuniam para o culto divino apenas aos sábados ou domingos. O princípio que os mantinha unidos era o da ajuda mútua. A autoridade dos anciãos era reconhecida não como a dos superiores monásticos no sentido estrito da palavra, mas como a dos guias e modelos de perfeição.
Os monges cristãos coptas desse mosteiro têm vivido dessa mesma forma desde a fundação, em 360, mantendo as tradições do fundador no estilo de vida consagrada que levam há séculos e séculos.
Seu horário cotidiano, até hoje, não é muito preciso; cada monge organiza a maior parte do próprio tempo sob a orientação do diretor espiritual. Um sino os acorda às três da manhã para as devoções particulares. Cada monge, na própria cela, reza o ofício da meia-noite, se prostra e faz orações pessoais. Depois das matinas, cada monge assume a tarefa atribuída a ele pelo diretor espiritual, geralmente correspondente à profissão que ele seguia no mundo, enquanto o seu espírito se mantém elevado em pleno trabalho graças à atmosfera de adoração em que ele passou as primeiras horas do dia, na igreja. Assim, os monges começam a experimentar a misteriosa unidade que pode existir entre o trabalho e a adoração a Deus. Por volta do meio-dia, eles se reúnem no refeitório para cantar a nona hora com seus doze salmos, seguindo-se então a única refeição compartilhada do dia. Mantendo a tradição dos padres do deserto, eles celebram a liturgia eucarística apenas uma vez por semana, no domingo de manhã.
Esse tipo de tradição monástica é a mais antiga do cristianismo e foi particularmente popular na Irlanda, onde foram criados mosteiros semelhantes aos dos ermitões, com celas particulares ao redor de uma igreja central ou de uma área de reunião.
https://pt.aleteia.org/2018/04/12/os-mosteiros-cristaos-mais-antigos-do-mundo-e-seu-incrivel-estilo-de-vida/

Perdoar é um caminho seguro de cura para a nossa vida

2 WOMAN HUGGING

Na vida é preciso aprender a perdoar para que as feridas sejam curadas

Todos nós, em algum momento da nossa vida, cometemos erros. Por muitas vezes são erros difíceis de perdoar, mas, não há ninguém que não mereça o perdão e uma nova oportunidade.
Neste momento, convido você a abrir o seu coração para perdoar a todos, até mesmo os seus inimigos e, também, aqueles que não te perdoam ou, ainda, aqueles que fizeram algum mal à sua família.
Perdoando que se é perdoado
É preciso perdoar para, também, ter a graça de receber o perdão, ou seja, perdoar é ser libertado das coisas ruins, das amarras e ter o poder de mudar o rumo da nossa história. A paz se conquista sem rancor e sem ressentimentos.
Que consigamos entregar ao Senhor tudo aquilo que é mágoa, rancor, ódio e revolta; sentimentos ruins que se encontram em nossos corações. Entreguemos também a Jesus tudo aquilo que é motivo de dor e padecimento, causados pelas traições, rejeições e humilhações; entreguemos a Ele tudo o que aconteceu conosco, ou que tenha ocorrido com a nossa família, e por conta dessas coisas, os sentimentos: de rancor, vingança e ausência do perdão, começaram a habitar nossos corações.
Que o Senhor possa lavar os nossos corações, livrando-os de todas essas situações, pois, sua palavra diz que devemos perdoar setenta vezes sete, ou seja, infinitamente.
Acreditem, meus irmãos, a nossa vida só seguirá em frente quando estivermos capacitados para libertar-nos daquilo que nos faz mal, sobretudo, a falta de perdão.
Perdoe
Libere o perdão, porque a falta desse gesto traz muitos problemas para nós mesmos. Quando não damos o perdão, a mágoa fica dentro de nós, e o nosso coração começa a corroer os nossos sentimentos, fazendo com que nos tornemos pessoas frias e rancorosas.
Muitas vezes, a mágoa gera problemas de saúde, e não encontramos a cura para a doença do nosso corpo e da nossa alma. Muitas doenças físicas como úlcera, gastrite, problemas na coluna, depressão, doenças ocultas e espirituais, sentimentos de incapacidade, inferioridade, inexistência, morte e pânico; na maioria das vezes nascem por causa da falta de perdão.
Peçamos ao Senhor para quebrar todas as raízes dessa mágoa que causa sofrimento, dor e humilhação, seja na vida matrimonial ou familiar, na vida profissional com os colegas de trabalho; na Igreja, na comunidade e na obra missionária que participamos. Peçamos, também, por aquelas pessoas que nos ofenderam com palavras, atos e ações de ofensas físicas ou morais.
Que o Senhor possa quebrar toda a resistência em dar o perdão, isso tem sido uma brecha por onde o inimigo tem atacado. É importante rezar e pedir a graça de perdoar, porque foi Jesus que nos ensinou que devemos perdoar: “Pai perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem”.
Errar é humano, mas perdoar é divino! Desse modo devemos dar o perdão sempre e, lembremos de que, quando rezamos o “Pai-Nosso” pedimos a Jesus para perdoar as nossas ofensas, assim como perdoamos as pessoas que tem nos ofendido.
Como podemos ministrar a “oração do Pai-Nosso” se guardamos no coração a mágoa e a dor? E ainda, como podemos ter a consciência tranquila de pedir perdão das nossas ofensas a Deus, se não somos capazes de perdoar aqueles que nos ofenderam?
Rezemos por aqueles que precisam de perdão
Necessitamos rezar por aqueles que precisam perdoar alguém, pedir ao Senhor para inflamar o fogo do Seu divino amor em cada filho e que, por meio do perdão, tenhamos uma união mais profunda com Deus. Abramos nossos olhos para uma nova visão; nos ajude Senhor, a enxergar as áreas que estão na escuridão, por conta da falta de perdão.
Por esse perdão que estamos pedindo ao Senhor, que Ele possa providenciar a cura de todo o mal; doenças e enfermidades; sentimento de dor; humilhação; sentimento de inferioridade e de medo. Deus não permitirá que nenhum filho permaneça na escuridão. Peçamos que a luz divina venha com a Sua graça dissipando as trevas das nossas vidas.
Que o Senhor revele todas as áreas de perdão, amargura, ressentimento, ódio e raiva, quebrando todas as raízes da falta de perdão. Sejam elas provenientes dos antepassados ou dos dias de hoje, porque queremos dar o perdão para sermos livres, e para que ninguém da nossa família venha a sofrer.
Reze esta oração
Senhor Jesus, nesse momento quero perdoar de todo o coração, todas as pessoas da minha linhagem de família que permitiram que o mal se instalasse na minha árvore genealógica. Perdoo todos aqueles que não se arrependeram e quiseram persistir no seu pecado. Perdoo de todo o coração todos os meus ancestrais que tenham feito qualquer pacto, compromisso ou consagração com o inimigo comprometendo a sua vida, da sua família e linhagem genealógica.
Sim, Senhor, perdoo todos os meus ancestrais, os quais permitiram que o mal viesse a instalar-se na minha história, na minha família, assim perdoo todos que, de alguma forma, prejudicaram ou tenham lançado uma maldição contra a linhagem da minha família.
Eu perdoo e abençoo. Digo, em Nome de Jesus, que renuncio o todo o rancor, mágoa, ressentimento e ódio que estejam instalados na minha árvore genealógica. Se, de algum modo, eu desejei mal para alguém e, com isso, por não perdoar, o prejudiquei, peço ao Senhor que abençoe, essa pessoa dez vezes mais, provendo e restituindo sobre sua vida e família, tudo o que causei de prejuízo por guardar mágoa e ressentimento.
Não sofra e perdoe de coração
Os teus inimigos, as pessoas que causaram esse ressentimento, essa mágoa, essa falta de perdão no seu coração merecem o seu sofrimento? Será que eles merecem o seu sofrimento? Certamente, eu respondo por você, e Deus diria a mesma coisa: eles não merecem o seu sofrimento.
Então por que você sofre por causa deles? A Palavra de Deus é clara, quando não perdoamos carregamos o fardo, o veneno é a brecha aberta para que o inimigo de Deus possa entrar e fazer estragos terríveis em nossas vidas, nos nossos relacionamentos, família e amigos. Tomemos uma decisão agora e perdoemos a todos, por todo o mal que fizeram contra nós e à nossas famílias.
Perdoar não é esquecer dos fatos, e sim, não guardar ódio e o desejo de vingança. Perdoar não quer dizer que terá que conviver com aqueles que lhe feriram, mas é deixar que eles sejam livres para, também, se arrependerem de tudo o que fizeram. Contudo, não permitamos que nós e nossas casas paguem pela falta de perdão.

sábado, 7 de abril de 2018

DECEPCIONADO COM DEUS


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A decepção com Deus começa quando queremos com Ele ter o mesmo tipo de relacionamento que temos com nossos irmãos aqui em baixo, nesse plano.
Não se molda, não se muda Deus. Não podemos moldar Deus a partir dos nossos conceitos, porque são sempre conceitos falhos. 

Queremos que Deus mude algo, mas que essa mudança comece no outro, a partir do outro, do que ele faz, fala ou é. Mas a verdade é que essa mudança nem sempre vem ou quando chega, não aparece nela aquilo que esperávamos como ser uma mudança. Talvez a maneira de ver o outro ajude-nos e entender melhor isso e por fim não colocar em Deus a decepção de não haver a mudança.

Ele tem planos para você

By Marcelo Mattityahu

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Uma oração diferente a São Miguel Arcanjo


Aquela breve oração a São Miguel Arcanjo, que todos sabemos rezar, não foi a única composta e aprovada pelo Papa Leão XIII

Em 18 de maio de 1890, vinte anos depois que a “Tomada de Roma” privou o Sumo Pontífice do derradeiro vestígio de sua soberania temporal, o Papa Leão XIII concedeu indulgências a todos os bispos e padres que, autorizados por seus Ordinários, recitassem devota e diariamente uma fórmula de exorcismo contra Satanás e os anjos rebeldes.
A fórmula de exorcismo, que foi inserida no Ritual Romano, continha uma oração a São Miguel Arcanjo um pouco diferente da tradicional, e mais longa, a qual reproduzimos abaixo, em português. O original latino, bem como a versão portuguesa da qual fizemos a seguinte adaptação, pode ser acessado no site Senza Pagare.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Ó gloriosíssimo Príncipe da milícia celeste, São Miguel Arcanjo, defendei-nos em nossa luta e combate contra os principados e as potestades, contra os governantes deste mundo de trevas e contra a perversidade dos espíritos celestes.
Vinde em auxílio dos homens, criados imortais por Deus, à sua imagem e semelhança, e resgatados a grande preço da tirania do demônio.
Combatei neste dia a batalha do Senhor, unido ao exército dos santos anjos, assim como debelastes outrora a Lúcifer, príncipe da soberba, e a horda de seus anjos apóstatas, que não puderam resistir-vos e perderam seu lugar no Céu.
Aquele grande dragão, a antiga serpente, chamada diabo e Satanás, que seduz o mundo inteiro, foi lançado no abismo junto com seus anjos. Mas eis que o antigo inimigo, homicida desde o princípio, volta a reerguer-se furioso.
Travestido de anjo de luz e acompanhado de toda a legião de espíritos malignos, ele vagueia em derredor, invadindo a terra a fim de extirpar o nome de Deus e do seu Cristo, e para apanhar, trucidar e precipitar no inferno as almas destinadas à coroa da eterna glória.
Este perverso dragão verte, como torrente imundíssima, o veneno de sua malícia sobre os homens, depravados de mente e corrompidos em seu coração; instila o espírito de mentira, impiedade e blasfêmia; exala o odor mortífero da luxúria, de todos os vícios e iniquidades.
Estes astutos inimigos encheram e inebriaram a Igreja, esposa do Cordeiro Imaculado, de amarguras e confusão, e deitaram suas mãos impiedosas sobre os seus bens mais sagrados.
Onde se encontra a Sé do beatíssimo Pedro e a Cátedra da Verdade, constituído para ser luz das nações, eles ergueram um trono de abominação e impiedade, a fim de que, abatendo o Pastor, pudessem dispersar o rebanho.
Eia, pois, ó General invencível, socorrei o povo de Deus contra os ataques dos espíritos iníquos e consegui-nos a vitória. A ti, nosso guardião e protetor, venera a Santa Igreja; de ti, nosso defensor, ela se gloria contra os nefastos poderes deste mundo e do inferno; a ti entregou o Senhor as almas dos redimidos, herdeiras da beatitude celeste.
Rogai a Deus que esmague a Satanás sob os nossos pés, para que ele já não possa mais reter-nos em seu cativeiro e assaltar a Igreja.
Oferecei nossas preces diante do Altíssimo, para que elas nos atraiam o quanto antes a misericórdia do Senhor. Acorrentai o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e lançai-o no abismo, para que ele não possa mais seduzir os povos. Amém.

9 fatos sobre o Domingo da Divina Misericórdia

Divina Misericordia 9 fatos

Ele é celebrado no segundo domingo da Páscoa por determinação de São João Paulo II, a partir de revelações a Santa Faustina

No segundo Domingo da Páscoa, a Igreja celebra a Divina Misericórdia. E todos nós, católicos, precisamos conhecer estes 9 fatos sobre esta iluminadora e alentadora celebração da nossa fé em Deus Misericordioso:

1. Quem o incluiu no calendário da Igreja foi São João Paulo II

No ano 2000, o Papa João Paulo II canonizou Santa Faustina e, durante a celebração, declarou:
“É importante, então, que acolhamos inteiramente a mensagem que nos vem da palavra de Deus neste segundo Domingo de Páscoa, que de agora em diante na Igreja inteira tomará o nome de ‘Domingo da Divina Misericórdia’” (Homilia, 30 de abril de 2000).

2. A base desta devoção vem de revelações privadas a Santa Faustina

Esta celebração acontece no segundo Domingo da Páscoa. Baseia-se nas revelações privadas a Santa Faustina Kowalska, religiosa polonesa que recebeu as mensagens de Jesus sobre sua Divina Misericórdia no povoado de Plock, na Polônia.
Em seu comentário teológico sobre a mensagem de Fátima, o então Cardeal Joseph Ratzinger, agora Papa Emérito Bento XVI, escreveu:
“Podemos acrescentar que frequentemente as revelações privadas provêm da piedade popular e nela se refletem, dando-lhe novo impulso e suscitando formas novas. Isto não exclui que aquelas tenham influência também na própria liturgia, como o demonstram por exemplo a festa do Corpo de Deus e a do Sagrado Coração de Jesus”.

3. Esta celebração é enriquecida com a possibilidade de indulgência plenária

Entre outras coisas, esse domingo especialíssimo oferece a possibilidade da indulgência plenária:
“Para fazer com que os fiéis vivam com piedade intensa esta celebração, o mesmo Sumo Pontífice (João Paulo II) estabeleceu que o citado Domingo seja enriquecido com a Indulgência Plenária”, “para que os fiéis possam receber mais amplamente o dom do conforto do Espírito Santo e desta forma alimentar uma caridade crescente para com Deus e o próximo e, obtendo eles mesmos o perdão de Deus, sejam por sua vez induzidos a perdoar imediatamente aos irmãos”(Decreto da Penitenciaria Apostólica de 2002).

4. Quem revelou a imagem da Divina Misericórdia foi o próprio Jesus

Esta imagem foi revelada a Santa Faustina em 1931 e o próprio Jesus lhe pediu que a pintasse. Em seguida, explicou-lhe seu significado e o que os fiéis alcançarão com ela.
Na maioria das versões, Jesus se mostra levantando sua mão direita em sinal de bênção e apontando com sua mão esquerda o peito do qual fluem dois raios: um vermelho e outro branco.
“O raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas (…) Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus” (Diário, 299).
Toda a imagem é um símbolo da caridade, do perdão e do amor de Deus, conhecida como a “Fonte da Misericórdia”.

5. Existem orações particulares ligadas a esta devoção

Terço da Divina Misericórdia é um conjunto de orações usadas como parte da devoção à Divina Misericórdia.
Costuma-se rezá-lo às 15h, momento da morte de Jesus, usando as contas do terço, mas com um conjunto diferente de orações:
  • Primeiramente, reza-se o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Credo.
  • Depois, nas contas do Pai-Nosso, diz-se: “Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro”.
  • Nas contas da Ave-Maria, reza-se: “Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro”.
  • Ao final, reza-se três vezes: “Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro”.

6. A Divina Misericórdia é vinculada ao Evangelho do segundo Domingo da Páscoa

A imagem da Divina Misericórdia representa Jesus no momento em que aparece aos discípulos no Cenáculo – após a ressurreição –, quando lhes dá o poder de perdoar ou reter os pecados.
Este momento está registrado em João 20,19-31, que é a leitura do Evangelho deste domingo.
A leitura é colocada neste dia porque inclui a aparição ao apóstolo Tomé (quando Jesus o convida a tocar suas chagas). Este evento ocorreu no oitavo dia depois da Ressurreição (João 20,26) e, por isso, é utilizado na liturgia oito dias depois da Páscoa.

7. Os sacerdotes têm poder especial para administrar a Divina Misericórdia

Em João 20, 21-23, afirma-se:
“Novamente, Jesus disse: ‘A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio’. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos’”.

8. A confissão é a ação da Divina Misericórdia até o fim dos tempos

Jesus capacitou os apóstolos (e seus sucessores no ministério) com o Espírito Santo para perdoar ou reter (não perdoar) os pecados.
Como estão facultados com o Espírito de Deus para fazer isso, sua administração do perdão é eficaz: realmente elimina o pecado em vez de ser um símbolo de perdão.

9. Nas revelações privadas, Jesus dá grande importância à Sua segunda vinda

Jesus promete regressar em glória para julgar o mundo no amor, como claramente diz em seu discurso do Reino nos capítulos 13 e 25 de São Mateus.
Somente no contexto de uma revelação pública como é ensinado pelo Magistério da Igreja se pode situar as palavras da revelação privada dada a Irmã Faustina.
“Prepararás o mundo para a minha última vinda” (Diário, 429).
“Fala ao mundo da Minha misericórdia, que toda a humanidade conheça a Minha insondável misericórdia. Este é o sinal para os últimos tempos; depois dele virá o dia da justiça. Enquanto é tempo, recorram à fonte da Minha misericórdia” (Diário, 848).
“Fala às almas desta Minha grade misericórdia, porque está perto o dia terrível, o dia da Minha justiça” (Diário, 965).
“Prolongo-lhes o tempo da Misericórdia, mas ai deles, se não reconhecerem o tempo da Minha visita” (Diário, 1160).
“Antes do Dia da justiça envio o dia da misericórdia” (Diário, 1588).
“Quem não queira passar pela porta de Minha misericórdia, tem que passar pela porta de Minha justiça” (Diário, 1146).
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A partir de matéria da agência ACI Digital

sábado, 31 de março de 2018

Quando você sofre de solidão sua fé tem duas opções

LONELINESS

Estou preparado para sofrer o esquecimento e o ódio injusto?

No domingo, muitos apoiavam Jesus e o aclamavam com ramos e cantos. Mas, dias mais tardes, na Quinta-feira Santa, ao cair da noite, vão deixá-lo sozinho.
Jesus experimentará, então, a absoluta solidão: “Meus Deus, por que me abandonastes?”. Ele sofre o abandono, a aniquilação. Em meio à dor de tanta solidão, encontra-se a sós com seu Pai.
E em seu coração, sente o que o profeta explica: “O Senhor Deus abriu-me o ouvido e eu não relutei, não me esquivei. Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba; não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros. Mas o Senhor Deus vem em meu auxílio: eis por que não me senti desonrado; enrijeci meu rosto como uma pedra, convicto de não ser desapontado.”
Jesus foi submetido a uma morte ignominiosa. A uma cruz dolorosa. Ao desprezo, ao abandono, ao esquecimento.
Ele tinha falado palavras cheias de sabedoria. Tinha curado doenças incuráveis. Tinha negado a si mesmo por amor. E, em contrapartida, recebeu só o esquecimento e o desprezo. “Crucifica-o”.
E a solidão de uma noite na casa de Caifás? Sua última noite. Pedro o seguiu até a casa. Depois, o negou. Sua mãe e as mulheres mantiveram-se firmes. Estavam próximas, chorando.
Os que lhe prometeram fidelidade eterna não foram capazes de se manterem firmes. Não é simples. Em meio à cruz é quando comprovo a profundidade da minha fé, sua maturidade.
Quando tudo transcorre em um ritmo cadencioso, eu nada temo. Minha fé me sustenta. Quando não entendo nada, em meio a cruzes injustas e desumanas e naqueles momentos de solidão profunda, à minha fé só restam dois caminhos. Ou cresce e amadurece em meio à prova ou se quebra para sempre e eu deixo de crer nesse Deus que me abandonou e me deixou sozinho. Ele preferiu os outros a mim.
Penso nas aniquilações que sofri. Aniquilar-se é transformar-se em nada. Deixar de ser importante. Sofrer a humilhação e o esquecimento. O desprezo e a crítica.
Estou preparado para sofrer o esquecimento e o ódio injusto? Creio que não. Nunca estou preparado. Passar do Domingo de Ramos à Sexta-feira Santa é difícil. Faz falta uma graça especial na alma. Uma força que vem do alto.

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