sábado, 21 de abril de 2018

ALEGRIA E BOM HUMOR


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A alegria cristã

Ha umas palavras muito bonitas no livro de Nehemias, que se leem com frequência na Liturgia das Horas: A alegria do Senhor será a vossa força (Ne 8,10).
─ A tristeza enfraquece, a nós e aos que nos cercam. Faz-nos murchar, enfraquece o ânimo e as forças e desperta o mau humor. Uma pessoa triste cria um ambiente desanimado. Já dizia, no século II, um dos mais antigos escritores cristãos: «Afasta de ti a tristeza. Não entendes que a tristeza é pior do que qualquer outro estado de ânimo, que é a coisa que mais desanima e que repele o Espírito Santo? Uma pessoa alegre pratica o bem, gosta das coisas boas e agrada a Deus. O triste, pelo contrário, sempre age errado (Pastor de Hermas, Mand. 10,1.1; 3.1).
─ A alegria, antítese da tristeza, enche-nos de vitalidade e desperta vitalidade nos outros . É dinâmica e amável. Pode-se dizer que uma pessoa alegre – alegre de coração – faz sair o sol em qualquer lugar onde se encontra.
Mas, talvez nos perguntemos: “É possível a alegria como um bem estável da alma, como algo permanente? Não é, na realidade, como um vagalume, uma luzinha efêmera que pisca só uns instantes na escuridão da noite?”
Deus nos responde que não.
─ Escute Jesus, falando as Apóstolos na Última Ceia, pouco antes da Paixão: Vós, sem dúvida, agora estais tristes. Mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria (Jn 16,22).
─ Escute São Paulo, falando aos primeiros cristãos que acabavam de abraçar a fé: Nós estamos sempre contentes! (2 Cor 6,10).
─ E ouça-o ainda dando o “mandamento da alegria” aos filipenses: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! … O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com coisa alguma!  (Fl 4,4-6).
Será possível essa alegria?
Essa é a pergunta que se fazia Bento XVI, ao iniciar, com uma meditação, o Sínodo dos Bispos de 2005. Acabava de ler as palavras com que Paulo termina sua segunda carta aos coríntios: Por fim, irmãos, vivei com alegria…, animai-vos…, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco (2 Cor 13,11), e fazia o seguinte comentário:
– «É possível ordenar, mandar desta forma a alegria? A alegria, poderíamos dizer, vem ou não vem, mas não pode ser imposta como um dever. Neste ponto, ajuda-nos a pensar o texto mais conhecido sobre a alegria das cartas paulinas: Alegrai-vos sempre no Senhor. O Senhor está perto” [refere-se a Fl 4,4, acima citado]…
»Se a pessoa amada, se o amor, o maior dom da minha vida, estiver próximo de mim, se eu puder ter a certeza de que aquele que me ama – Deus – está perto de mim, também nos momentos de tribulação, então poderá manter-se firme no meu coração uma alegria maior do que todos os sofrimentos» (Meditação, 3/10/2005).
No mesmo sentido, o Papa Francisco afirma, com a leveza jovial de quem habitualmente está de bom humor: «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus […]. O Evangelho, onde resplandece gloriosa a Cruz de Cristo, convida insistentemente à alegria […] Reconheço que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de que, não obstante as aparências contrárias, somos infinitamente amados» (Encíclica Evangelii Gaudium nn. 1.5.6).
Deus nos ama. Somos seus filhos muito amados (Ef  5,1). Ele está sempre perto de nós. Nós é que podemos afastar-nos dele, e então baixa a tristeza ao nosso coração. Como dizia São Josemaria [sem se referir, como é lógico, à tristeza patológica que procede da depressão]: «A alegria é um bem cristão. Só desaparece coma ofensa a Deus, porque o pecado é fruto do egoísmo e o egoísmo é causa de tristeza» (É Cristo que passa, n. 178).
E convidava a fazer um exame: «Não há alegria? – Então pensa: há um obstáculo entre Deus e mim. – Quase sempre acertarás» (Caminho, n. 662).
Quer dizer que, para estarmos alegres e alegrar os demais, é preciso que aumente o nosso amor a Deus – a nossa vida de oração, o nosso amor à Eucaristia, a nossa mortificação por amor, a nossa luta pelas virtudes –, e que vençamos o egoísmo, correspondendo generosamente ao amor que o Espírito Santo derrama em nossos corações (cf. Rm 5,5 e Gl 5,22).
O bom humor
Que tem alegria, tem bom humor. «Onde quer que a alegria esteja ausente, onde quer que desapareça o senso do humor, com certeza ali não estará o espírito de Jesus» (J. Ratzinger, Princípios teológicos). Não se trata do humorismo sarcástico, irônico, que agride e humilha os outros. Mas do bom humor amável, que faz bem, como um bálsamo que suaviza e perfuma as asperezas da vida.
Como andamos de sadio bom humor lá em casa? E no ambiente de trabalho, entre colegas e amigos? E, em geral, com todas as pessoas com quem temos contato, mesmo que seja ocasional. Ficamos de cara fechada, com reações bruscas, queixas, gestos antipáticos e respostas ríspidas?  Ou temos uma amabilidade sorridente, como a de Cristo ressuscitado: Alegraram-se os discípulos ao ver o Senhor (Jn 20,20)?
O papa Francisco, usando uma expressão popular, tem repetido que o cristão não pode ter «cara de vinagre». Se tivermos vinagre no coração precisamos limpá-lo e enxugá-lo bem, sobretudo conversando com Deus, como dizia Santo Agostinho e o Papa Bento lembrava na sua encíclica sobre a esperança (Spe salvi, n. 33).
Quem é que tem vinagre no coração? Aquele que vive como descrevem estas palavras: «Não és feliz porque ficas ruminando tudo como se sempre fosses tu o centro: é que te dói o estômago, é que te cansas, é que te disseram isto ou aquilo… – Já experimentaste pensar nEle e, por Ele, nos outros? » (Sulco, n. 74).
Quem limpa o vinagre? Aquele que descobriu o que se lê em outro pensamento do mesmo livro: «Talvez ontem fosses uma dessas pessoas amarguradas nos seus sonhos, decepcionadas nas suas ambições humanas. Hoje, desde que Ele se meteu na tua vida – obrigado, meu Deus! –, ris e cantas e levas o sorriso, o Amor e a felicidade aonde quer que vás» (n. 81).
As almas cristãs, sobretudo os santos, nos dão exemplos maravilhosos desse bom humor que procede da caridade e da luta espiritual. Não veja os exemplos que vou mencionar a seguir como legendas áureas, só dignas de admiração, mas como lampejos, como mensagens que batem no seu coração, e lhe dizem: “E você…, com que fé e amor vive a alegria diante de situações muito menos difíceis?”.
Exemplos de santos
─ São Filipe Neri, Pippo il buono, que muitos veneravam como santo ainda em vida, sabia fazer ingênuas palhaçadas «para sabotar em si  – como diz um escritor[1] – a tentação do orgulho, pois o riso, às custas de si mesmo, libera do inchaço da vaidade e atrai alegremente todos para Deus». Como é bom saber rir de si mesmo, sem dar importância aos nossos “méritos”, nem aos nossos “dramas” e “tragédias”cotidianos.
─ São Josemaria Escrivá referiu certa vez o que lhe aconteceu quando ainda era um jovem padre. Por causa de uma contrariedade forte, «irritei-me… e depois me irritei por ter-me irritado». Nesse estado de ânimo, indo pelas ruas de Madrid, passou por uma daquelas máquinas que faziam seis fotografias rápidas por quatro tostões, e Deus lhe inspirou uma ideia. Entrou na cabine e tirou as fotografias. Dizia que olhou para elas, e  «estava engraçadíssimo com a cara de irritação!». Rasgou cinco das fotos e guardou a sexta na carteira durante um certo tempo. «De vez em quando – comentava –, olhava-a para ver a cara de irritação, humilhar-me diante do Senhor e rir-me de mim mesmo: «Por bobo!, dizia para mim»[2].
─ É célebre o impressionante exemplo de humor de São Thomas More, chanceler da Inglaterra, quando ia ser decapitado por ter-se oposto a aderir ao cisma religioso provocado pelo rei Henrique VIII. Quando inclinava a cabeça sobre o talho, olhou para o carrasco e disse-lhe: «Ânimo, rapaz! Não tenhas medo de cumprir o teu dever. O meu pescoço é muito curto. Cuida, pois de não cortá-lo de lado, para que não fique abalado o teu prestígio» E após isso acrescentou: «Deixa-me ajeitar a barba, não aconteça que também a cortes. Ela nada tem nada a ver com isso»[3].
Um precedente muito mais antigo que esse de Sir Thomas é o do diácono de Roma São Lourenço, martirizado no ano de 285. Segundo conta Santo Ambrósio, foi queimado a fogo lento, deitado numa grelha. Brincando com os verdugos, disse em certo momento: “Este lado já está assado, podem virar-me para o outro”[4].
Após refletir sobre esses exemplos – quatro entre muitos – talvez seja bom terminar este capítulo transcrevendo uma oração “para pedir o bom humor” – que tanta falta nos faz –, composta por São Thomas More. Diz-se que a rezava todos os dias:
─ «Dai-me, Senhor a saúde do corpo e, com ela, o bom senso pra conservá-la o melhor possível. Dai-me, Senhor, uma boa digestão e também algo para digerir. Dai-me uma alma santa, Senhor, que mantenha diante dos meus olhos tudo o que é bom e puro. Dai-me uma alma afastada do tédio e da tristeza, que não conheça os resmungos, as caras fechadas, nem os suspiros melancólicos… E não permitais que essa coisa que se chama o “eu”, e que sempre tende a dilatar-se, me preocupe demasiado. Dai-me, Senhor, o sentido do bom humor. Dai-me a graça de compreender uma piada, uma brincadeira, para conseguir um pouco de felicidade e para dá-la de presente aos outros. Amém».



[1] Carlos Pujol, La casa de los santos, Ed. Rialp, Madrid 1991, p. 185
[2] José Luís Soria, Mestre de bom humor, Ed. Quadrante, São Paulo 2002, p. 95.
[3] A. Vázquez de Prada: Sir Thomas More, p. 18
[4] Carlos Pujol, obra citada, pág. 269

domingo, 15 de abril de 2018

9 coisas que afastam as pessoas da Igreja, segundo um padre desanimado

funcionam na Igreja; o livro dele virou best-seller na Alemanha

“Depois de 30 anos de serviço, deixo minha atividade como pároco e meu serviço ativo na diocese de Münster. Pedi demissão e abandonei o campo que configurou, durante décadas, meus dias, minha vida, minha pessoa”.
O padre Thomas Frings foi pároco da cidade de Münster, Alemanha. Agora, decidiu deixar a paróquia e passar um tempo de reflexão em um mosteiro. Está desanimado pelo que considera um “esforço inútil” de uma “pastoral esclerosada e inadequada”.
Depois de sua decisão, escreveu o texto Correcciones de ruta! (“Correções de rota!”), que divulgou entre os fiéis, e o livro “Così non posso più fare il parroco”, que esclarece os motivos de sua decisão. O livro está entre os mais vendidos da Alemanha.
Padre Thomas faz uma lista de coisas que não funcionam na Igreja alemã, mas que podem se referir a qualquer outra Igreja do mundo. São problemas que afastam as pessoas e enfraquecem a instituição eclesiástica, deixando-a estranha aos olhos de muitas pessoas:
1) O erro de dessacralizar as igrejas
O sacerdote acredita que é um grande erro dessacralizar lugares de cultos históricos aos quais as comunidades se sentem vinculadas.
“Elas são pontos de referência e lugares de memória, não se pode subvalorizar as igrejas, nem no campo, nem na cidade” – adverte o padre em seu livro. “Por exemplo, na ilha de Mull, na Escócia, há uma aldeia de pescadores encantadora que tem três igrejas. A primeira se transformou em um restaurante, a segunda, em supermercado que vende pizza e papel higiênico. Somente a terceira continua sendo a casa de Deus, embora fique fechada de segunda a sábado”, diz o padre.
“Quantas igrejas teremos que dessacralizar para chegar o momento em que as pessoas já não relacionem mais o edifício com a imagem da casa de Deus?”, provoca o sacerdote.
2) Poucas vocações, muita confusão
Segundo Thomas Frings, uma das figuras que gera mais desconfiança é a do seminarista. Ser sacerdote parece o mesmo que pertencer a empresa complicada, quase titânica. Seja pelos vínculos tão duros, como o celibato e a promessa de obediência, seja porque não é fácil definir o próprio futuro num contexto em que há falta de sacerdotes e de fé.
“Em 1980, comecei a estudar Teologia. Em Münster, éramos 40 seminaristas naquele semestre. Éramos somente a metade em relação a 25 anos atrás. Mas as perspectivas eram boas: 3 postos de capelão em 4 anos, depois pároco. Nas estruturas da época, era algo factível. Quem começa hoje a estudar Teologia, provavelmente já não encontrará esse caminho. Há 30 anos, a estima por esta vocação ainda era muito alta. Não se escolhia ser padre por isso – ao menos normalmente. Mas a perda de consideração certamente não ajuda a estar motivado para isso. (…) Não somos uma empresa. Mas alguém aconselharia um jovem a fazer parte de uma companhia com estas perspectivas e com celibato e promessa de obediência?”, pergunta o padre.
3) Chega de discussões inférteis nos conselhos paroquiais
Outro erro que deixa a Igreja pouco atrativa são as discussões que frequentemente se repetem nos órgãos paroquiais.
“Que impressão teria um não crente ou uma pessoa de outra religião que participasse das discussões dos conselhos paroquiais, em que são negociados os lugares e horários de nossas celebrações? Quando se negocia meia hora antes ou mais tarde para que dê tempo de fazermos o trabalho no jardim, dormir até mais tarde ou assistir a uma partida de futebol? Quando se falam de costumes e comidas, ao invés de discutir o significado da morte e ressurreição de Jesus? (…) Como podem brotar da Missa a luz e a alegria, esperança e convicção, quando ela já não é tão importante quanto um café da manhã mais tarde ou um jogo entre o Colonia e o Bayern de Munich?”, pergunta-se o padre.
4) Mudar sim, mas sem ferir sentimentos
Uma reflexão que o sacerdote alemão repete frequentemente em seu livro é que, hoje, muitos padres não entendem o contexto em que se encontram. Com isso, a distância com os fiéis aumenta.
“Às vezes, participo de celebrações litúrgicas e, ao final delas, me pergunto se eu continuaria indo àquela igreja. Ao final da Missa, me sinto verdadeiramente ‘despedido’, no sentido literal da palavra. Às vezes, mesmo como fiel, saio da celebração eucarística e não sei se deveria me sentir zangado, triste ou até afetado. Nem sempre isso depende do celebrante ou da homilia; geralmente depende do quadro em seu conjunto. Se, por exemplo, querem mudar os costumes e tradições, antes de fazer isso é preciso levar em conta a sensibilidade dos fiéis. (…) Um companheiro contou, visivelmente emocionado, que lhe fizeram uma amável advertência depois de sua primeira Missa na paróquia. Um homem se aproximou dele e disse: ‘Padre, em nossa paróquia é preciso distribuir a comunhão mais devagar. Nós levamos muito tempo para comungar’. A advertência e sua formulação diziam muito da atmosfera que reinava na celebração eucarística e na relação existente entre as pessoas da comunidade. Além disso, aquela advertência caiu em um terreno disposto a recebê-la”, esclarece o Padre Thomas.
5) A promessa batismal não cumprida
“Prometemos educar nosso filho na fé”. Quem já participou de um batizado conhece esta frase. E muitos já a pronunciaram, de forma mais ou menos consciente.
Hoje, a crise da fé, sobretudo entre os mais jovens, deve-se muito à distância das famílias em relação à Igreja, que se recuaram da promessa feita no batismo.
“Encontrei-me, certa vez, com um casal que tinha deixado a Igreja e queria batizar o filho somente para que ele pudesse frequentar, depois, uma escola diocesana. Eu não batizei a criança. Mas os pais encontraram outro padre que, talvez, tenha tido outras boas razões para fazer o batismo”, lamenta o padre.
O sacerdote pensa que uma solução poderia ser a “introdução de um catecumenato mais longo” para pais, padrinhos e madrinhas dos batizandos. “Seria, provavelmente, um caminho, mas só funcionará se todas as paróquias seguirem-no”.
6) Primeira Comunhão? Um show!
Sobre os problemas da cerimônia da Primeira Comunhão, Padre Thomas pega pesado. Hoje, é cada vez mais difícil transmitir às crianças a importância do primeiro “encontro” com o corpo de Cristo.
“Reina em todas as partes um grande nervosismo. O salão é arejado, limpo e enfeitado. Os bancos são reservados e o programa com o desenvolvimento da cerimônia é impresso. Várias bandeirinhas são colocadas no caminho da entrada e na fachada da igreja. Depois, chegam eles, os pequenos protagonistas, por quem se gastam tanto tempo e dinheiro. Eles vão vestidos como se fossem a um antigo e prestigioso Gran Hotel, com roupas e adornos de pequenos adultos”, diz um trecho do livro.
À luz dessas experiências, o Padre Thomas propõe outro modelo de preparação para a comunhão: em uma hora as crianças receberiam a explicação sobre a celebração eucarística, em outra momento ensaiariam a celebração e, no domingo, elas já participariam da celebração. No final, todos seriam convidados a seguir a catequese como preparação posterior (não anterior, como acontece hoje), em forma de grupos, com reuniões e participação na Eucaristia do domingo.
7) Compreensão e ajuda aos casais
O casamento pode ser o momento em que os noivos voltam a encontrar a fé. E para que comecem a viver uma nova vida cristã depois de um período de distanciamento espiritual.
Mas os padres, geralmente, não dão aos noivos a oportunidade de conhecer a fundo o valor do que eles vão celebrar. Para fazer isso, é preciso compreender a história dos que vão receber o sacramento.
“Um dia, veio até mim um jovem casal que havia redescoberto a fé. Eles me contaram isso e também disseram que os membros de suas famílias poderiam participar do casamento, mas não de uma celebração eucarística. Para o casal, era muito importante que a Comunhão fosse dada a todos, mas seus convidados não saberiam o que fazer com ela. No entanto, eles não queriam renunciar à Eucaristia. Por outro lado, não poderiam excluir o resto da família da celebração. A solução foi simples. O matrimônio foi celebrado com a Liturgia da Palavra e, depois, os recém-casados receberam a comunhão em uma Missa, mais tarde”, exemplificou o autor.
8) Mau exemplo
O mau exemplo que os responsáveis pelas instituições dão no que diz respeito ao estilo de vida e à ostentação afasta as pessoas da Igreja. Escreve o Padre Thomas: “antes de administrar o sacramento da confirmação, um bispo quis dialogar em tom amistoso com os confirmandos. Ele pediu para que os crismandos perguntassem tudo o que eles queriam saber sobre um bispo. Ele lhes disse: ‘Sou um de vocês, podem perguntar tudo’. Então, um deles respondeu: ‘Senhor bispo, enquanto o senhor se vestir assim e andar nesse carro com motorista, o senhor não será um de nós’”.
9) Um verdadeiro “centro de serviços” para os fiéis e para os demais
“Se eu vejo a igreja como algo que tenho na minha frente, então posso desejar algo dela, exatamente como o cliente em um restaurante, onde ele é rei”, explica o padre alemão.
“Pode-se argumentar que, na Igreja, fala-se com amor às pessoas e que elas não podem vir com exigências. Efetivamente, isso não deveria acontecer nunca em relação aos sacramentos, mas entre os dois extremos – o pedido e a exigência – há um caminho longo. E quem se aproxima deveria ser bem-vindo”, conclui Thomas Frings.
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O santo do cotidiano

“O santo do cotidiano”. Este é o título que são João Paulo II deu ao fundador do Opus Dei, são Josemaria Escrivá, no discurso pronunciado no dia 7 de outubro de 2002, na Praça de são Pedro. No dia anterior, o Papa havia celebrado a Missa solene da Canonização de são Josemaria perante uma multidão de mais de 300.000 fiéis, que continuavam lá presentes em 7 de outubro.

– Caríssimos Irmãos e Irmãs! Dirijo-vos com alegria a minha cordial saudação, neste dia que se segue ao da canonização do Beato Josemaría Escrivá. […] Este encontro festivo reúne uma grande variedade de fiéis, provenientes de muitos países e pertencentes aos mais diversos âmbitos sociais e culturais: sacerdotes e leigos, homens e mulheres, jovens e anciãos, intelectuais e trabalhadores manuais.Trata-se de um sinal do zelo apostólico que ardia na alma de São Josemaría.
Na vida do Fundador do Opus Dei sobressai o amor à vontade de Deus. Existe um critério seguro para se verificar a santidade de alguém: a sua fidelidade ao cumprimento da vontade divina até as últimas consequências. O Senhor tem um projeto para cada um de nós, confia a cada um de nós uma missão sobre a terra. E o santo não consegue nem sequer imaginar-se a si mesmo fora do projeto de Deus: vive unicamente para realizá-lo.
São Josemaría foi escolhido pelo Senhor para anunciar a chamada universal à santidade e mostrar que as atividades cor­rentes que compõem a vida de todos os dias são caminho de santificação. Pode-se dizer que foi o santo do cotidiano. De fato, estava convencido de que, para quem vive sob a ótica da fé, tudo é ocasião de um encontro com Deus, tudo se torna um estímulo para a oração. Vista desta forma, a vida diária revela uma grandeza insuspeitada. A santidade apresenta-se verdadeiramente ao alcance de todos.
Escrivá  foi um santo de grande humanidade. Todos os que se relacionaram com ele, de qualquer cultura ou condição social, tinham-no como um pai, totalmente entregue ao serviço dos outros, porque estava convencido de que cada alma é um tesouro maravilhoso; com efeito, cada homem vale todo o Sangue de Cristo. Esta atitude de serviço é patente na sua entrega ao ministério sacerdotal e na magnanimidade com que impulsionou tantas obras de evangelização e de promoção humana em benefício dos mais pobres. O Senhor fez com que entendesse profundamente o dom da nossa filiação divina. E ele ensinou a contemplar o rosto terno de um Pai no Deus que nos fala através das mais diversas vicissitudes da vida. Um Pai que nos ama, que nos acompanha passo a passo e nos protege, nos compreende e espera de cada um de nós uma resposta de amor. A consideração desta presença paterna, que acompanha o cristão a toda a parte, proporciona-lhe uma confiança inquebrantável; em todos os momentos deve confiar no Pai celestial. Nunca se sente só nem tem medo. Quando depara com a Cruz, não vê nela um castigo, mas uma missão que lhe foi confiada pelo próprio Senhor. Por­tanto, o cristão é necessariamente um otimista, porque sabe que é filho de Deus em Cristo.
São Josemaría estava profundamente convencido de que a vida cristã implica uma missão e um apostolado, de que estamos no mundo para redimi-lo com Cristo. Amou o mundo apaixonadamente, com um “amor redentor” (Catecismo da Igreja Católica, n. 604). Precisamente por essa razão, os seus ensinamentos ajudam tantos fiéis comuns a descobrir o poder redentor da fé, a sua capacidade de transformar a terra. É uma mensagem que tem abundantes e fecundas implicações para a missão evangelizadora da Igreja. Fomenta a cristianização da sociedade “a partir de dentro”, e mostra que não pode haver conflito entre a lei divina e as exigências do genuíno progresso humano. Este sacerdote santo ensinou que Cristo deve estar no cume de todas as atividades humanas (cf.Jo 12, 32). A sua mensagem anima o cristão a atuar nos lugares onde se forja o futuro da sociedade. Somente através da presença ativa dos leigos em todas as profissões e nas mais avançadas fronteiras do desenvolvimento é que se pode dar uma contribuição positiva para o fortalecimento da harmonia entre a fé e a cultura, uma das grandes necessidades da nossa época.
Gostaria de concluir com uma referência à festa litúrgica de hoje, Nossa Senhora do Rosário. São Josemaría escreveu um belo opúsculo intitulado “Santo Rosário”, resultado da sua vida de infância espiritual, essa disposição de espírito própria daqueles que atingem um total abandono na vontade divina. Com o meu mais profundo carinho, confio à proteção maternal de Maria todos os presentes assim como os seus familiares e apostolados, e lhes agradeço pela sua vinda.
[…] Convido-os, caríssimos Irmãos e Irmãs, a levar a todas pessoas um testemunho claro da fé, conforme o exemplo e os ensinamentos do seu santo Fundador. Acompanho-os com a minha oração e de todo o coração os abençoo, bem como às suas famílias e atividades.

Papa João Paulo II

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Os mosteiros cristãos mais antigos do mundo e seu incrível estilo de vida

MONASTERY OF SAINT ANTHONY


Um deles tem sido habitado continuamente pelos monges desde a sua fundação, há bem mais de 1.000 anos!

A história da vida consagrada católica data dos primeiros séculos após a ressurreição de Jesus Cristo. Inicialmente, havia muitos homens e mulheres, cujos nomes nunca foram registrados pela história, que viviam como eremitas no deserto, dedicando toda a sua vida à oração e às boas palavras, em oferecimento pessoal completo a Jesus.
O primeiro eremita cristão de que se tem registro é São Paulo de Tebas, nascido no Egito em 227. Ele se refugiou no deserto para escapar da perseguição, mas, depois, resolveu permanecer por lá a fim de se aproximar mais de Deus.
Por volta do ano 270, o seu exemplo inspirou Santo Antônio, o Grande, a abraçar uma vida semelhante, dedicada à oração no deserto. O eremita Santo Antônio (não confundir com Santo Antônio de Pádua e Lisboa) é geralmente considerado o “pai do monaquismo cristão” ou “pai de todos os monges”, pois atraiu muitos seguidores que aprenderam com ele os caminhos da ascese cristã. No entanto, ele não estabeleceu nenhum mosteiro físico: a sua comunidade criava as celas monásticas em cavernas próximas umas das outras ou em pequenas cabanas. Acredita-se que alguns dos seus seguidores, no século IV, vieram a criar um mosteiro no local do seu túmulo.
Esse mosteiro, localizado cerca de 200 quilômetros a sudeste do Cairo, é hoje conhecido como o “Mosteiro de Santo Antônio” (foto abaixo). Se no início era apenas um grupo de eremitas vivendo em proximidade, com o tempo foi se formalizando e se transformando em uma comunidade.
MONASTERY OF SAINT ANTHONY
LorisRomito | CC BY-SA 3.0
Um dos discípulos mais próximos de Santo Antônio era São Macário, que também fundou um mosteiro no deserto egípcio até hoje em atividade: o “Mosteiro de São Macário em Scetis” (foto abaixo).
SAINT MACARIUS MONASTERY
Berthold Werner | CC BY-SA 3.0
São Macário viveu uma vida longa, aproximadamente entre 300 e 391, e foi influenciado por Santo Antônio a dedicar a vida à oração. O seu próprio exemplo de santidade atraiu outros muitos a um tipo de vida monástica eremítica ou semi-eremítica. Segundo a Enciclopédia Católica, os monges não estavam vinculados a nenhuma regra fixa; suas celas ficavam próximas e eles se reuniam para o culto divino apenas aos sábados ou domingos. O princípio que os mantinha unidos era o da ajuda mútua. A autoridade dos anciãos era reconhecida não como a dos superiores monásticos no sentido estrito da palavra, mas como a dos guias e modelos de perfeição.
Os monges cristãos coptas desse mosteiro têm vivido dessa mesma forma desde a fundação, em 360, mantendo as tradições do fundador no estilo de vida consagrada que levam há séculos e séculos.
Seu horário cotidiano, até hoje, não é muito preciso; cada monge organiza a maior parte do próprio tempo sob a orientação do diretor espiritual. Um sino os acorda às três da manhã para as devoções particulares. Cada monge, na própria cela, reza o ofício da meia-noite, se prostra e faz orações pessoais. Depois das matinas, cada monge assume a tarefa atribuída a ele pelo diretor espiritual, geralmente correspondente à profissão que ele seguia no mundo, enquanto o seu espírito se mantém elevado em pleno trabalho graças à atmosfera de adoração em que ele passou as primeiras horas do dia, na igreja. Assim, os monges começam a experimentar a misteriosa unidade que pode existir entre o trabalho e a adoração a Deus. Por volta do meio-dia, eles se reúnem no refeitório para cantar a nona hora com seus doze salmos, seguindo-se então a única refeição compartilhada do dia. Mantendo a tradição dos padres do deserto, eles celebram a liturgia eucarística apenas uma vez por semana, no domingo de manhã.
Esse tipo de tradição monástica é a mais antiga do cristianismo e foi particularmente popular na Irlanda, onde foram criados mosteiros semelhantes aos dos ermitões, com celas particulares ao redor de uma igreja central ou de uma área de reunião.
https://pt.aleteia.org/2018/04/12/os-mosteiros-cristaos-mais-antigos-do-mundo-e-seu-incrivel-estilo-de-vida/

Perdoar é um caminho seguro de cura para a nossa vida

2 WOMAN HUGGING

Na vida é preciso aprender a perdoar para que as feridas sejam curadas

Todos nós, em algum momento da nossa vida, cometemos erros. Por muitas vezes são erros difíceis de perdoar, mas, não há ninguém que não mereça o perdão e uma nova oportunidade.
Neste momento, convido você a abrir o seu coração para perdoar a todos, até mesmo os seus inimigos e, também, aqueles que não te perdoam ou, ainda, aqueles que fizeram algum mal à sua família.
Perdoando que se é perdoado
É preciso perdoar para, também, ter a graça de receber o perdão, ou seja, perdoar é ser libertado das coisas ruins, das amarras e ter o poder de mudar o rumo da nossa história. A paz se conquista sem rancor e sem ressentimentos.
Que consigamos entregar ao Senhor tudo aquilo que é mágoa, rancor, ódio e revolta; sentimentos ruins que se encontram em nossos corações. Entreguemos também a Jesus tudo aquilo que é motivo de dor e padecimento, causados pelas traições, rejeições e humilhações; entreguemos a Ele tudo o que aconteceu conosco, ou que tenha ocorrido com a nossa família, e por conta dessas coisas, os sentimentos: de rancor, vingança e ausência do perdão, começaram a habitar nossos corações.
Que o Senhor possa lavar os nossos corações, livrando-os de todas essas situações, pois, sua palavra diz que devemos perdoar setenta vezes sete, ou seja, infinitamente.
Acreditem, meus irmãos, a nossa vida só seguirá em frente quando estivermos capacitados para libertar-nos daquilo que nos faz mal, sobretudo, a falta de perdão.
Perdoe
Libere o perdão, porque a falta desse gesto traz muitos problemas para nós mesmos. Quando não damos o perdão, a mágoa fica dentro de nós, e o nosso coração começa a corroer os nossos sentimentos, fazendo com que nos tornemos pessoas frias e rancorosas.
Muitas vezes, a mágoa gera problemas de saúde, e não encontramos a cura para a doença do nosso corpo e da nossa alma. Muitas doenças físicas como úlcera, gastrite, problemas na coluna, depressão, doenças ocultas e espirituais, sentimentos de incapacidade, inferioridade, inexistência, morte e pânico; na maioria das vezes nascem por causa da falta de perdão.
Peçamos ao Senhor para quebrar todas as raízes dessa mágoa que causa sofrimento, dor e humilhação, seja na vida matrimonial ou familiar, na vida profissional com os colegas de trabalho; na Igreja, na comunidade e na obra missionária que participamos. Peçamos, também, por aquelas pessoas que nos ofenderam com palavras, atos e ações de ofensas físicas ou morais.
Que o Senhor possa quebrar toda a resistência em dar o perdão, isso tem sido uma brecha por onde o inimigo tem atacado. É importante rezar e pedir a graça de perdoar, porque foi Jesus que nos ensinou que devemos perdoar: “Pai perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem”.
Errar é humano, mas perdoar é divino! Desse modo devemos dar o perdão sempre e, lembremos de que, quando rezamos o “Pai-Nosso” pedimos a Jesus para perdoar as nossas ofensas, assim como perdoamos as pessoas que tem nos ofendido.
Como podemos ministrar a “oração do Pai-Nosso” se guardamos no coração a mágoa e a dor? E ainda, como podemos ter a consciência tranquila de pedir perdão das nossas ofensas a Deus, se não somos capazes de perdoar aqueles que nos ofenderam?
Rezemos por aqueles que precisam de perdão
Necessitamos rezar por aqueles que precisam perdoar alguém, pedir ao Senhor para inflamar o fogo do Seu divino amor em cada filho e que, por meio do perdão, tenhamos uma união mais profunda com Deus. Abramos nossos olhos para uma nova visão; nos ajude Senhor, a enxergar as áreas que estão na escuridão, por conta da falta de perdão.
Por esse perdão que estamos pedindo ao Senhor, que Ele possa providenciar a cura de todo o mal; doenças e enfermidades; sentimento de dor; humilhação; sentimento de inferioridade e de medo. Deus não permitirá que nenhum filho permaneça na escuridão. Peçamos que a luz divina venha com a Sua graça dissipando as trevas das nossas vidas.
Que o Senhor revele todas as áreas de perdão, amargura, ressentimento, ódio e raiva, quebrando todas as raízes da falta de perdão. Sejam elas provenientes dos antepassados ou dos dias de hoje, porque queremos dar o perdão para sermos livres, e para que ninguém da nossa família venha a sofrer.
Reze esta oração
Senhor Jesus, nesse momento quero perdoar de todo o coração, todas as pessoas da minha linhagem de família que permitiram que o mal se instalasse na minha árvore genealógica. Perdoo todos aqueles que não se arrependeram e quiseram persistir no seu pecado. Perdoo de todo o coração todos os meus ancestrais que tenham feito qualquer pacto, compromisso ou consagração com o inimigo comprometendo a sua vida, da sua família e linhagem genealógica.
Sim, Senhor, perdoo todos os meus ancestrais, os quais permitiram que o mal viesse a instalar-se na minha história, na minha família, assim perdoo todos que, de alguma forma, prejudicaram ou tenham lançado uma maldição contra a linhagem da minha família.
Eu perdoo e abençoo. Digo, em Nome de Jesus, que renuncio o todo o rancor, mágoa, ressentimento e ódio que estejam instalados na minha árvore genealógica. Se, de algum modo, eu desejei mal para alguém e, com isso, por não perdoar, o prejudiquei, peço ao Senhor que abençoe, essa pessoa dez vezes mais, provendo e restituindo sobre sua vida e família, tudo o que causei de prejuízo por guardar mágoa e ressentimento.
Não sofra e perdoe de coração
Os teus inimigos, as pessoas que causaram esse ressentimento, essa mágoa, essa falta de perdão no seu coração merecem o seu sofrimento? Será que eles merecem o seu sofrimento? Certamente, eu respondo por você, e Deus diria a mesma coisa: eles não merecem o seu sofrimento.
Então por que você sofre por causa deles? A Palavra de Deus é clara, quando não perdoamos carregamos o fardo, o veneno é a brecha aberta para que o inimigo de Deus possa entrar e fazer estragos terríveis em nossas vidas, nos nossos relacionamentos, família e amigos. Tomemos uma decisão agora e perdoemos a todos, por todo o mal que fizeram contra nós e à nossas famílias.
Perdoar não é esquecer dos fatos, e sim, não guardar ódio e o desejo de vingança. Perdoar não quer dizer que terá que conviver com aqueles que lhe feriram, mas é deixar que eles sejam livres para, também, se arrependerem de tudo o que fizeram. Contudo, não permitamos que nós e nossas casas paguem pela falta de perdão.

sábado, 7 de abril de 2018

DECEPCIONADO COM DEUS


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A decepção com Deus começa quando queremos com Ele ter o mesmo tipo de relacionamento que temos com nossos irmãos aqui em baixo, nesse plano.
Não se molda, não se muda Deus. Não podemos moldar Deus a partir dos nossos conceitos, porque são sempre conceitos falhos. 

Queremos que Deus mude algo, mas que essa mudança comece no outro, a partir do outro, do que ele faz, fala ou é. Mas a verdade é que essa mudança nem sempre vem ou quando chega, não aparece nela aquilo que esperávamos como ser uma mudança. Talvez a maneira de ver o outro ajude-nos e entender melhor isso e por fim não colocar em Deus a decepção de não haver a mudança.

Ele tem planos para você

By Marcelo Mattityahu

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Uma oração diferente a São Miguel Arcanjo


Aquela breve oração a São Miguel Arcanjo, que todos sabemos rezar, não foi a única composta e aprovada pelo Papa Leão XIII

Em 18 de maio de 1890, vinte anos depois que a “Tomada de Roma” privou o Sumo Pontífice do derradeiro vestígio de sua soberania temporal, o Papa Leão XIII concedeu indulgências a todos os bispos e padres que, autorizados por seus Ordinários, recitassem devota e diariamente uma fórmula de exorcismo contra Satanás e os anjos rebeldes.
A fórmula de exorcismo, que foi inserida no Ritual Romano, continha uma oração a São Miguel Arcanjo um pouco diferente da tradicional, e mais longa, a qual reproduzimos abaixo, em português. O original latino, bem como a versão portuguesa da qual fizemos a seguinte adaptação, pode ser acessado no site Senza Pagare.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Ó gloriosíssimo Príncipe da milícia celeste, São Miguel Arcanjo, defendei-nos em nossa luta e combate contra os principados e as potestades, contra os governantes deste mundo de trevas e contra a perversidade dos espíritos celestes.
Vinde em auxílio dos homens, criados imortais por Deus, à sua imagem e semelhança, e resgatados a grande preço da tirania do demônio.
Combatei neste dia a batalha do Senhor, unido ao exército dos santos anjos, assim como debelastes outrora a Lúcifer, príncipe da soberba, e a horda de seus anjos apóstatas, que não puderam resistir-vos e perderam seu lugar no Céu.
Aquele grande dragão, a antiga serpente, chamada diabo e Satanás, que seduz o mundo inteiro, foi lançado no abismo junto com seus anjos. Mas eis que o antigo inimigo, homicida desde o princípio, volta a reerguer-se furioso.
Travestido de anjo de luz e acompanhado de toda a legião de espíritos malignos, ele vagueia em derredor, invadindo a terra a fim de extirpar o nome de Deus e do seu Cristo, e para apanhar, trucidar e precipitar no inferno as almas destinadas à coroa da eterna glória.
Este perverso dragão verte, como torrente imundíssima, o veneno de sua malícia sobre os homens, depravados de mente e corrompidos em seu coração; instila o espírito de mentira, impiedade e blasfêmia; exala o odor mortífero da luxúria, de todos os vícios e iniquidades.
Estes astutos inimigos encheram e inebriaram a Igreja, esposa do Cordeiro Imaculado, de amarguras e confusão, e deitaram suas mãos impiedosas sobre os seus bens mais sagrados.
Onde se encontra a Sé do beatíssimo Pedro e a Cátedra da Verdade, constituído para ser luz das nações, eles ergueram um trono de abominação e impiedade, a fim de que, abatendo o Pastor, pudessem dispersar o rebanho.
Eia, pois, ó General invencível, socorrei o povo de Deus contra os ataques dos espíritos iníquos e consegui-nos a vitória. A ti, nosso guardião e protetor, venera a Santa Igreja; de ti, nosso defensor, ela se gloria contra os nefastos poderes deste mundo e do inferno; a ti entregou o Senhor as almas dos redimidos, herdeiras da beatitude celeste.
Rogai a Deus que esmague a Satanás sob os nossos pés, para que ele já não possa mais reter-nos em seu cativeiro e assaltar a Igreja.
Oferecei nossas preces diante do Altíssimo, para que elas nos atraiam o quanto antes a misericórdia do Senhor. Acorrentai o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e lançai-o no abismo, para que ele não possa mais seduzir os povos. Amém.