domingo, 29 de abril de 2018

Amar a todos

“Corrigir os indisciplinados, confortar os pusilânimes, amparar os fracos, refutar os opositores, precaver-se dos maliciosos, instruir os ignorantes, estimular os negligentes, frear os provocadores, moderar os ambiciosos, encorajar os desanimados, pacificar os litigiosos, ajudar os necessitados, libertar os oprimidos, demonstrar aprovação aos bons, tolerar o maus e, ai de mim, amar a todos”. 

(Santo Agostinho)

OS 8 SINAIS DA TIBIEZA E A PENA PELA MEDIOCRIDADE NA PRÁTICA DA VIRTUDE

Os sinais da tibieza em geral são os oito seguintes:
1. Omissão fácil das práticas de piedade
A alma fervorosa tem a sua vida de piedade toda dirigida por um regulamento particular fácil de ser observado e bem criterioso. Não omite facilmente qualquer prática de piedade. E’ de uma fidelidade extrema, sobretudo à meditação. Se graves ocupações ou verdadeira necessidade a impedem, procura, logo que seja possível, suprir a falta. A alma tíbia sob qualquer pretexto omite os exercícios de piedade, passa dias sem meditação, e até mesmo sem práticas de piedade de qualquer espécie. Ora, isto é exatamente o contrário do fervor. “Não digo que isto prove tudo, diz o Pe. Faber, mas prova muito. Seja como for, sempre que existir tibieza, existirá este sintoma”.
2. Fazer os exercícios de piedade com negligência
Na tibieza também há oração, missas, confissões, comunhões, terços, etc., mas a rotina vai inutilizando tudo. A rotina e a má vontade. Confissões e comunhões mal preparadas, orações com inúmeras distrações voluntárias. E o pior ainda a falta de generosidade e de todo esforço para se corrigir.
3. Outro sinal de tibieza é a alma sentir-se aborrecida com o pensamento de que tudo vai mal na sua vida espiritual. Não se sente inteiramente à vontade com Deus. Não sabe exatamente onde está o mal, mas tem certeza de que tudo não está em ordem. É um mal-estar, um aborrecimento interior. E, sem paz, o tíbio se agita inutilmente e vai deixando arraigar-se no coração o hábito do pecado venial. Este sinal anda sempre com os dois primeiros. Desde que faltou generosidade numa alma para ser fiel aos seus deveres de piedade, estas omissões e negligências acabam deixando-a num estado lamentável de aborrecimento das coisas santas e até de Nosso Senhor.
4. O quarto sinal é agir sem pureza de intenção, sem ordem nem método. A pureza de intenção consiste em fazermos com um fim honesto e sobrenatural todas as ações de nossa vida: práticas de piedade, deveres de estado, trabalhos de cada dia ou qualquer coisa por mínima que seja. É aquele olhar interior sempre fixo em Deus e desviado das criaturas. Tudo fazer para a glória de Deus, e ver em tudo a vontade de Deus e a ela se submeter com espírito de fé e resignação. Eis a mais pura intenção que se pode imaginar, o mais elevado princípio e o mais perfeito ideal de uma alma fervorosa. Os santos não tinham outro motivo nem visavam outro fim na terra. Santa Madalena de Pazzi sentia-se arrebatada em êxtase, ouvindo esta palavra: — A vontade de Deus! Santo Inácio legou à Companhia de Jesus, como rica herança, o seu lema: A. M. D. G. — Ad majorem Dei gloriam — Tudo para a maior glória de Deus! A pureza de intenção é a alquimia celeste que transforma em ouro de méritos para o céu todas as nossas boas obras. Sem ela, perdemos cada dia riquezas incomensuráveis. A alma tíbia faz tudo por amor próprio e capricho, seguindo em tudo a natureza. É a leviandade, a preocupação da vontade própria, os cálculos muito humanos, a vaidade quando faz o bem, o desejo de agradar às criaturas e de aparecer. Anda à cata de bajulações e aborrece o sacrifício oculto, a abnegação e outras virtudes que não brilham aos olhos das criaturas e constituem o segredo do Rei! E Deus recompensa as nossas ações, diz Santa Madalena de Pazzi, a peso de pureza de intenção. Ó, como a tibieza rouba e despoja a pobre alma, quando lhe arrebata a pureza de intenção!
5. Contentar-se com a mediocridade e negligência em formar hábitos de virtude. Se a mediocridade já é desastrada na ciência, na literatura e na arte, o é em proporção verdadeiramente calamitosa quando se trata da prática da virtude. O medíocre não gosta da palavra: Santidade. Não compreende o heroísmo das almas generosas, a abnegação, o sacrifício. Para ele, a virtude heroica é o exagero! A santidade é um misticismo! E que entende por misticismo? Algo de loucura e de anormal. Contenta-se com o meio termo. E assim não se esforça por adquirir hábitos de uma virtude sólida.
6. O desprezo das pequenas coisas.
Os santos fugiam das menores imperfeições, e se purificavam cada dia das pequeninas faltas. O tíbio, não. Ri-se do que ele chama escrúpulo das almas fervorosas: — a fidelidade nas pequenas coisas. E não nos esqueçamos destas grandes verdades: primeira — os santos se tornaram santos pela repetição contínua duma multidão de ações insignificantes, pelo cuidado infatigável das pequeninas coisas. E segunda: — só fizeram eles grandes coisas quando chegaram à santidade. Os pequeninos sacrifícios ocultos, as pequeninas cruzes, as pequeninas virtudes, as pequeninas mortificações, tudo isto a cada dia, a cada minuto, aceito com generosidade, como santifica uma alma! E’ o caminho batido de S. Teresinha, a pequenina via da Infância espiritual. Que fonte riquíssima de graças! A tibieza, porém, seca esta fonte, esteriliza a vida espiritual, sonha com êxtases e comete cada dia o pecado quase sem remorso. E os pecados veniais, sob o disfarce de pequeninas faltas inevitáveis à fraqueza humana, vão se multiplicando assustadoramente na alma e alimentando a tibieza até ao pecado mortal e, sabe Deus, até ao endurecimento do coração! É muito grave desprezar habitualmente as pequeninas coisas. São Gregório chega a dizer que se deve ter mais receio das pequenas faltas que das grandes. Porque estas provocam logo o arrependimento e causam horror; aquelas não assustam, e vão preparando surdamente a ruína espiritual. E, o que é pior, sem remorso da consciência, e até sob a capa da virtude.
7. É pensar mais no bem já feito do que no bem que ainda resta a fazer. É uma presunção que leva a descansar e afrouxar no caminho do sacrifício e da virtude, porque julga ter feito alguma coisa no passado para a salvação. Nada de esforço e generosidade. Nosso Senhor dizia no seu Evangelho que, depois de termos feito muito, deveríamos dizer: — somos servos inúteis. E prosseguir na luta, porque o ideal da perfeição é o Infinito: “Sede perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito”. A tibieza, como já dissemos, contenta- se com a mediocridade. Julga ter feito muito a alma tíbia, porque no passado foi bem fervorosa e trabalhou pela sua santificação, lutou, praticou boas obras de zelo e de caridade, sacrificou-se na luta do bem. Agora, quer repouso. Descansa, não luta mais, deixa-se ficar na indolência e faz de seu coração o campo do preguiçoso. São Paulo pensava justamente o contrário: “Irmãos meus, não considero que alcancei o prêmio, mas uma coisa eu faço: esquecendo o que está atrás de mim, esforçando-me por alcançar o que está na minha frente, prossigo até ao alvo, para alcançar o prêmio para o qual me chamou do Alto por Cristo Jesus. Sejamos nós, quantos queremos ser perfeitos, do mesmo espírito” (Fl 3, 13). O tíbio não se compara aos mais santos e fervorosos, mas sempre se julga melhor do que tantos outros piores do que ele. E é assim que adormece tranquilamente. Não quer progredir na virtude. São Gregório compara a vida cristã a uma barca em que se navega contra a corrente. Quem sobe, há de remar sempre, ou é arrastado pela correnteza. Santo Agostinho, no seu estilo incisivo e claro, assim fala: — “se dizes: basta, estás perdido!” Sim, no dia em que se cruzam os braços na luta pela santificação da alma, tudo está perdido! Adeus, santificação, e talvez: Adeus, salvação eterna! São Bernardo pergunta: — Não quereis adiantar? Dizeis: — quero ficar e viver onde cheguei? Quereis o impossível! O demônio, diz Santa Teresa, conserva muitas almas no pecado ou na tibieza, fazendo-as crer que é orgulho aspirar à santidade. Que perigosa ilusão! Lembrem-se os tíbios, sobretudo se já receberam graças de Nosso Senhor, como por exemplo sacerdotes, religiosos e almas consagradas a Deus, oh! lembrem-se de que é terrível abusar da graça e muitas almas chamadas à santidade, diz o Pe. Desurmont, baseado em Santo Afonso, ou se salvam como santos ou arriscam a sua eterna salvação. Escreveu o Santo Doutor: Se alguém na vida religiosa (e poderíamos acrescentar: na vida de piedade) quer se salvar, mas não como santo, corre o risco de se perder.
Todos estes sinais de tibieza andam em geral com este último e infalível:
8. Pecado venial voluntário e habitual. Os outros sinais podem ser atenuados ou alguns falham, mas este é infalível. Onde existe o hábito do pecado venial, existe a tibieza com todo o cortejo de males e desgraças que ela acarreta à vida espiritual.
[Por Monsenhor Ascânio Brandão]

https://capelasantoagostinho.com/2018/04/09/os-8-sinais-da-tibieza-e-a-pena-pela-mediocridade-na-pratica-da-virtude/

8 sinais da tibieza espiritual


A doença da mediocridade da alma

Os sinais da tibieza em geral são os oito seguintes:
1. Omissão fácil das práticas de piedade. A alma fervorosa tem a sua vida de piedade toda dirigida por um regulamento particular fácil de ser observado e bem criterioso. Não omite facilmente qualquer prática de piedade. E’ de uma fidelidade extrema, sobretudo à meditação. Se graves ocupações ou verdadeira necessidade a impedem, procura, logo que seja possível, suprir a falta. A alma tíbia sob qualquer pretexto omite os exercícios de piedade, passa dias sem meditação, e até mesmo sem práticas de piedade de qualquer espécie. Ora, isto é exatamente o contrário do fervor. “Não digo que isto prove tudo, diz o Pe. Faber, mas prova muito. Seja como for, sempre que existir tibieza, existirá este sintoma”.
2. Fazer os exercícios de piedade com negligência. Na tibieza também há oração, missas, confissões, comunhões, terços, etc., mas a rotina vai inutilizando tudo. A rotina e a má vontade. Confissões e comunhões mal preparadas, orações com inúmeras distrações voluntárias. E o pior ainda a falta de generosidade e de todo esforço para se corrigir.
3. Outro sinal de tibieza é a alma sentir-se aborrecida com o pensamento de que tudo vai mal na sua vida espiritual. Não se sente inteiramente à vontade com Deus. Não sabe exatamente onde está o mal, mas tem certeza de que tudo não está em ordem. É um mal-estar, um aborrecimento interior. E, sem paz, o tíbio se agita inutilmente e vai deixando arraigar-se no coração o hábito do pecado venial. Este sinal anda sempre com os dois primeiros. Desde que faltou generosidade numa alma para ser fiel aos seus deveres de piedade, estas omissões e negligências acabam deixando-a num estado lamentável de aborrecimento das coisas santas e até de Nosso Senhor.
4. O quarto sinal é agir sem pureza de intenção, sem ordem nem método. A pureza de intenção consiste em fazermos com um fim honesto e sobrenatural todas as ações de nossa vida: práticas de piedade, deveres de estado, trabalhos de cada dia ou qualquer coisa por mínima que seja. É aquele olhar interior sempre fixo em Deus e desviado das criaturas. Tudo fazer para a glória de Deus, e ver em tudo a vontade de Deus e a ela se submeter com espírito de fé e resignação. Eis a mais pura intenção que se pode imaginar, o mais elevado princípio e o mais perfeito ideal de uma alma fervorosa. Os santos não tinham outro motivo nem visavam outro fim na terra. Santa Madalena de Pazzi sentia-se arrebatada em êxtase, ouvindo esta palavra: — A vontade de Deus! Santo Inácio legou à Companhia de Jesus, como rica herança, o seu lema: A. M. D. G. — Ad majorem Dei gloriam — Tudo para a maior glória de Deus! A pureza de intenção é a alquimia celeste que transforma em ouro de méritos para o céu todas as nossas boas obras. Sem ela, perdemos cada dia riquezas incomensuráveis. A alma tíbia faz tudo por amor próprio e capricho, seguindo em tudo a natureza. É a leviandade, a preocupação da vontade própria, os cálculos muito humanos, a vaidade quando faz o bem, o desejo de agradar às criaturas e de aparecer. Anda à cata de bajulações e aborrece o sacrifício oculto, a abnegação e outras virtudes que não brilham aos olhos das criaturas e constituem o segredo do Rei! E Deus recompensa as nossas ações, diz Santa Madalena de Pazzi, a peso de pureza de intenção. Ó, como a tibieza rouba e despoja a pobre alma, quando lhe arrebata a pureza de intenção!
5. Contentar-se com a mediocridade e negligência em formar hábitos de virtude. Se a mediocridade já é desastrada na ciência, na literatura e na arte, o é em proporção verdadeiramente calamitosa quando se trata da prática da virtude. O medíocre não gosta da palavra: Santidade. Não compreende o heroísmo das almas generosas, a abnegação, o sacrifício. Para ele, a virtude heroica é o exagero! A santidade é um misticismo! E que entende por misticismo? Algo de loucura e de anormal. Contenta-se com o meio termo. E assim não se esforça por adquirir hábitos de uma virtude sólida.
6. O desprezo das pequenas coisas. Os santos fugiam das menores imperfeições, e se purificavam cada dia das pequeninas faltas. O tíbio, não. Ri-se do que ele chama escrúpulo das almas fervorosas: — a fidelidade nas pequenas coisas. E não nos esqueçamos destas grandes verdades: primeira — os santos se tornaram santos pela repetição contínua duma multidão de ações insignificantes, pelo cuidado infatigável das pequeninas coisas. E segunda: — só fizeram eles grandes coisas quando chegaram à santidade. Os pequeninos sacrifícios ocultos, as pequeninas cruzes, as pequeninas virtudes, as pequeninas mortificações, tudo isto a cada dia, a cada minuto, aceito com generosidade, como santifica uma alma! E’ o caminho batido de S. Teresinha, a pequenina via da Infância espiritual. Que fonte riquíssima de graças! A tibieza, porém, seca esta fonte, esteriliza a vida espiritual, sonha com êxtases e comete cada dia o pecado quase sem remorso. E os pecados veniais, sob o disfarce de pequeninas faltas inevitáveis à fraqueza humana, vão se multiplicando assustadoramente na alma e alimentando a tibieza até ao pecado mortal e, sabe Deus, até ao endurecimento do coração! É muito grave desprezar habitualmente as pequeninas coisas. São Gregório chega a dizer que se deve ter mais receio das pequenas faltas que das grandes. Porque estas provocam logo o arrependimento e causam horror; aquelas não assustam, e vão preparando surdamente a ruína espiritual. E, o que é pior, sem remorso da consciência, e até sob a capa da virtude.
7. É pensar mais no bem já feito do que no bem que ainda resta a fazer. É uma presunção que leva a descansar e afrouxar no caminho do sacrifício e da virtude, porque julga ter feito alguma coisa no passado para a salvação. Nada de esforço e generosidade. Nosso Senhor dizia no seu Evangelho que, depois de termos feito muito, deveríamos dizer: — somos servos inúteis. E prosseguir na luta, porque o ideal da perfeição é o Infinito: “Sede perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito”. A tibieza, como já dissemos, contenta- se com a mediocridade. Julga ter feito muito a alma tíbia, porque no passado foi bem fervorosa e trabalhou pela sua santificação, lutou, praticou boas obras de zelo e de caridade, sacrificou-se na luta do bem. Agora, quer repouso. Descansa, não luta mais, deixa-se ficar na indolência e faz de seu coração o campo do preguiçoso. São Paulo pensava justamente o contrário: “Irmãos meus, não considero que alcancei o prêmio, mas uma coisa eu faço: esquecendo o que está atrás de mim, esforçando-me por alcançar o que está na minha frente, prossigo até ao alvo, para alcançar o prêmio para o qual me chamou do Alto por Cristo Jesus. Sejamos nós, quantos queremos ser perfeitos, do mesmo espírito” (Fl 3, 13). O tíbio não se compara aos mais santos e fervorosos, mas sempre se julga melhor do que tantos outros piores do que ele. E é assim que adormece tranquilamente. Não quer progredir na virtude. São Gregório compara a vida cristã a uma barca em que se navega contra a corrente. Quem sobe, há de remar sempre, ou é arrastado pela correnteza. Santo Agostinho, no seu estilo incisivo e claro, assim fala: — “se dizes: basta, estás perdido!” Sim, no dia em que se cruzam os braços na luta pela santificação da alma, tudo está perdido! Adeus, santificação, e talvez: Adeus, salvação eterna! São Bernardo pergunta: — Não quereis adiantar? Dizeis: — quero ficar e viver onde cheguei? Quereis o impossível! O demônio, diz Santa Teresa, conserva muitas almas no pecado ou na tibieza, fazendo-as crer que é orgulho aspirar à santidade. Que perigosa ilusão! Lembrem-se os tíbios, sobretudo se já receberam graças de Nosso Senhor, como por exemplo sacerdotes, religiosos e almas consagradas a Deus, oh! lembrem-se de que é terrível abusar da graça e muitas almas chamadas à santidade, diz o Pe. Desurmont, baseado em Santo Afonso, ou se salvam como santos ou arriscam a sua eterna salvação. Escreveu o Santo Doutor: Se alguém na vida religiosa (e poderíamos acrescentar: na vida de piedade) quer se salvar, mas não como santo, corre o risco de se perder.
Todos estes sinais de tibieza andam em geral com este último e infalível:

8. Pecado venial voluntário e habitual. Os outros sinais podem ser atenuados ou alguns falham, mas este é infalível. Onde existe o hábito do pecado venial, existe a tibieza com todo o cortejo de males e desgraças que ela acarreta à vida espiritual.
Monsenhor Ascânio Brandão, via Associação Santo Agostinho

Você sabia que um retiro inaciano pode mudar seu cérebro?


Pesquisadores descobriram que os Exercícios Espirituais mudam nosso cérebro para melhor

Pesquisadores do Marcus Institute of Integrative Health da Universidade Thomas Jefferson descobriram que os retiros inacianos causam “mudanças significativas” no cérebro. Dr. Andrew Newberg, diretor de pesquisa do Marcus Institute, publicou os resultados do estudo em Religion, Brain and Behaviour (Religião, Cérebro e Comportamento).
Segundo o Dr. Newberg, o estudo, que foi financiado pelo Fetzer Institute, mostrou “mudanças significativas nos transportadores de dopamina e serotonina após o retiro de sete dias”.
“Como a serotonina e a dopamina fazem parte da recompensa e dos sistemas emocionais do cérebro, isso nos ajuda a entender por que essas práticas resultam em experiências emocionais poderosas e positivas”, acrescentou ele, conforme citado no Catholic Herald.
Tanto a dopamina quanto a serotonina estão intimamente envolvidas em várias funções cerebrais, e ambas também nos dão uma sensação de prazer ou bem-estar. A serotonina, em particular, ajuda a regular nosso humor e emoções.
As pessoas do estudo foram 14 cristãos com idades entre 24 e 76 anos que participaram de um retiro inaciano e dos exercícios espirituais inacianos.
Depois da missa matinal, as pessoas em retiro passavam a maior parte do dia em silêncio, com oração, reflexão e direção espiritual diária.
Antes e depois do retiro, os participantes foram submetidos a uma tomografia computadorizada para que os pesquisadores pudessem avaliar sua atividade cerebral.
Os exames pós-retiro revelaram diminuições no transportador de dopamina (5-8%) e na ligação do transportador de serotonina (6,5%), o que torna mais neurotransmissores disponíveis para o cérebro. O resultado é mais emoções positivas e sentimentos espirituais.
Não foram apenas os exames de tomografia que apontaram para uma mudança. Os participantes relataram melhorias significativas na saúde, com tensão e cansaço reduzidos. Eles também relataram sentimentos de autotranscendência, que os pesquisadores atribuem ao aumento dos níveis de dopamina.
“O retiro de sete dias em que participei foi singularmente transformador e me ajudou a conectar-me mais facilmente ao Espírito e a me reconectar a Deus”, disse um participante, conforme relatado no The Independent. “Além disso, antes do retiro, eu definitivamente diria que eu tinha uma gama limitada de emoções, particularmente não me sentindo muito empático e incapaz de chorar. Mas, durante o retiro, senti o oposto e fiquei muito mais em contato com uma ampla gama de emoções”.
O Dr. Newberg disse: “De certa forma, nosso estudo levanta mais questões do que respostas. Nossa equipe está curiosa sobre quais aspectos do retiro causaram as mudanças nos sistemas de neurotransmissores e se retiros diferentes produziriam resultados diferentes. Espero que estudos futuros possam responder a essas perguntas”.

https://pt.aleteia.org/2018/04/22/voce-sabia-que-um-retiro-inaciano-pode-mudar-seu-cerebro/

sábado, 21 de abril de 2018

DESCULPAR E ESPERAR


Imagem relacionada

É impossível existir bondade sem compreensão. E é impossível existir verdadeira compreensão sem a disposição de desculpar.
Todas as vezes que julgamos uma pessoa e concluímos, como quem dita uma sentença: “Ela é assim”, “é insuportável”, “é maçante”, “é preguiçoso”, etc., estamos a condená-la. Ao fazer tais juízos, colocamos nos outros uma etiqueta, como se faz num frasco ou num inseto colecionado, e os fechamos nessa definição. Dizer de uma pessoa: “Ela é assim” equivale a perder a esperança de que venha a mudar. Como se partíssemos da base de que vai ser assim para sempre e de que o máximo de bondade que lhe podemos dedicar é apenas sermos pacientes, suportando-a tal como é.
Mas essa apreciação é falsa, está viciada na raiz, porque todo o ser humano tem na alma “sementes de bondade”, latentes mas reais, que podem ser desenvolvidas. Nenhuma pessoa consiste apenas nos defeitos que denota exteriormente. Todas têm infinitas possibilidades de bem que – com a graça de Deus, o seu esforço e a nossa ajuda – um dia podem vir a ser belas realidades. Por isso, Cristo nos manda não condenar ninguém (cfr. Lc 6, 37), como se já estivesse “acabado”.
O contrário de condenar é desculpar e esperar. O coração do homem bom está sempre inclinado a desculpar. Ao julgar os outros, evita usar o verbo “ser” – Fulano é assim –, e prefere empregar o verbo “ter”: essa pessoa, que – como todos os filhos de Deus – é potencialmente santa, agora, por uma série de circunstâncias, tem tal ou qual defeito, mas isso não quer dizer que sempre deva tê-lo. É muito provável que uma série de dificuldades a levem a comportar-se assim. É justo tê-las em conta. Talvez seja grosseira porque não recebeu uma educação esmerada, ou arrogante porque foi humilhada e sente necessidade de se afirmar, ou impaciente porque lhe dói o fígado… Sempre há uma desculpa, afetuosa, que os “bons olhos” da bondade detectam, uma desculpa com fundamento objetivo, real, que impede que julguemos esta ou aquela pessoa com dureza e, ainda mais, que a desclassifiquemos.
Certamente os outros têm defeitos, como nós os temos, mas felizmente não estão acorrentados por eles como um sentenciado a prisão perpétua. Está nas nossas mãos – está nas mãos da nossa bondade – desamarrar-lhes esses grilhões. Esta é uma das mais delicadas tarefas do amor benigno: não deixar ninguém de lado por impossível, antes dar-lhe a mão, ajudá-lo incansavelmente – com infinita compreensão e paciência – a soltar um a um os elos dos defeitos que compõem essas suas correntes.
Naturalmente, isto pressupõe que saibamos confiar – como víamos – na capacidade de bondade das pessoas, e portanto na sua possibilidade de mudar. Já foi dito alguma vez que perder a confiança em alguém é matá-lo. Também é verdadeira a afirmação contrária: confiar em alguém é dar-lhe a vida.
É claro que essa confiança não se confunde com a credulidade ingênua, que fecha os olhos e julga que, afinal, todo o mundo é bom. A verdadeira confiança é outra coisa. O homem bom não é cego nem insensível aos valores. Não deixa de ver o mal, em toda a sua dimensão perniciosa, e chama erro ao erro, e pecado ao pecado. Mas, ao mesmo tempo, acredita que aquelas “sementes de bondade” que dormem em cada coração humano podem ser ativadas, podem ser cultivadas. Por isso, arregaça as mangas e, sem reclamar dos espinhos dos outros, trabalha para que neles desabrochem as rosas. Voltaremos a esse tema.

Trecho do livro de F.F O homem bom-Reflexões sobre a bondade

Verdades e mentiras


Resultado de imagem para verdades e mentiras

Honra à verdade
Desta vez, vamos meditar sobre as mentiras, grandes e pequenas, da nossa vida cotidiana: «a nossa mentira de cada dia…».
Alguém, com humor pessimista, dizia que a mentira é um esporte tão amplamente praticado que bate de longe todos os demais e cada dia adquire técnicas e requintes de maior quilate.
Opinião semelhante era a do escritor que há anos deixou estampados estes comentários:
«Mente-se por palavras, mente-se por atos, mente-se por atitudes, mente-se por escrito, mente-se pelo silêncio, mente-se pelas curvaturas da espinha dorsal, mente-se pelo olhar, mente-se nas ruas, nas vitrines, nos negócios, nas escolas, nas assembléias, nas reuniões, mente-se despudoradamente” (Gladstone Chaves de Melo, O reino da mentira, na revista A Ordem, vol. XLIII, n. 6, junho, 1950).
Uma repulsa como esta, acre e forte, manifesta “em negativo” um sentimento que está arraigado no fundo da alma de todos: o amor à verdade, o mal-estar que causa ver a verdade ofendida. Poucas coisas nos revoltam tanto como sermos vítimas de um engano, cair numa armadilha, sofrer uma fraude, ser feitos de bobos. Sim, a mentira dos outros causa-nos repugnância (ainda que nem sempre, infelizmente, nos causem o mesmo sentimento as nossas próprias mentiras).
É natural que isso aconteça, pois a mentira “é uma profanação da palavra que tem por finalidade comunicar a outros a verdade conhecida. O propósito deliberado de induzir o próximo em erro por palavras contrárias à verdade constitui uma falta à justiça e à caridade” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2485).
Todo o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, que é Luz e Verdade, “tende naturalmente para a verdade. É obrigado a honrá-la e testemunhá-la” (ibid., n. 2467).
Quem foge da mentira, além de amar e honrar a verdade, honra e ama com isso o seu próximo. “Os homens – diz São Tomás de Aquino – não poderiam viver juntos se não tivessem confiança recíproca, quer dizer, se não manifestassem a verdade uns aos outros […]. Um homem deve honestamente a um outro a manifestação da verdade” (cf. ibid., n. 2469). Um ambiente em que não se sabe que terreno se está pisando, em que é preciso adivinhar sempre segundas intenções, em que só o esperto é que singra, torna-se irrespirável, um verdadeiro inferno.
Daí a importância que a doutrina cristã atribuiu, em todas as épocas, à virtude da sinceridade ou veracidade, “que consiste em mostrar-se verdadeiro no agir e no falar – como define o Catecismo –, guardando-se da duplicidade, da simulação e da hipocrisia” (n. 2468). Esta bela virtude, que Deus preceitua no oitavo mandamento da sua Lei – não levantar falso testemunho nem mentir –, apresenta, como uma alta montanha, duas vertentes: “A veracidade observa um justo meio entre o que deve ser expresso e o segredo que deve ser guardado; implica a honestidade e a discrição” (ibid., n. 2469). Se falamos, falemos unicamente a verdade. Mas, quando o amor ou a justiça assim o exigirem, protejamos então a verdade com o silêncio. Nesta meditação focalizaremos apenas a primeira vertente; a segunda é tema de outra meditação, intitulada Segredos e Silêncios, que também está incluída neste site.
Desonrar a verdade
A veracidade é uma peça mestra da vida moral e do convívio humano. É lógico, por isso, que a Bíblia afirme que o Senhor odeia a língua mentirosa (Prov 6, 17), e, em geral, a duplicidade, a simulação e a hipocrisia. (cf. Ecli 5, 11; Sl 4, 3; Mt 23, 13 e segs.; Apoc 21, 27 e 22, 15).
A mentira é muito mais do que um simples engano, ou um lapso do pensamento ou das palavras. Pertence à sua essência um ingrediente perverso, que é a “intenção de enganar”. Assim definia essa filha espúria da língua Santo Agostinho: “A mentira consiste em dizer o que é falso com a intenção de enganar” (De mendacio, 4, 5).
A língua mentirosa quer deliberadamente despejar névoa escura na mente do próximo para ocultar ou deformar assim a verdade. É uma névoa que surge sempre dos fundões sujos do coração.
“Há as mentiras de conveniência, as mentiras diplomáticas, as mentiras administrativas, as mentiras de defesa, as mentiras profissionais, as mentiras engenhosas, as mentiras oficiais, as mentiras vitais” (G. Chaves de Melo, op. cit., pág. 68).
E, no bojo de todas elas, está quase sempre:
– a covardia, o medo de enfrentar a verdade, para não ter de arcar corajosamente com as suas conseqüências ou para não precisar defendê-la;
– a vaidade, que nos leva a mentir, enfeitando os acontecimentos e atuações, para sairmos engrandecidos; ou a desculpar-nos das falhas, e até mesmo a fazer recair sobre um inocente a responsabilidade das mesmas, a fim de não prejudicarmos a nossa “imagem”;
– o interesse egoísta, pai de inúmeras mentiras, pois para o egoísta “vale tudo” quando se trata de obter vantagens, estreitar relações convenientes, galgar posições, lucrar nos negócios ou fugir aos deveres penosos.
Não existe – não pode existir – uma fonte limpa de mentiras, e é por isso que a mentira não se justifica por motivo algum. “A mentira é condenável pela sua própria natureza […]. O propósito deliberado de induzir o próximo em erro por palavras contrárias à verdade constitui (já o lembrávamos acima) uma falta à justiça e à caridade” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2485).
As três espécies de mentira
Dizíamos que a mentira é como a névoa. E, como a neblina, é mutável, variando constantemente os seus formatos. Neste sentido, é clássica a distinção das três principais espécies de mentiras:
1) Em primeiro lugar, encontra-se – quase intocada pelo mal – a mentira jocosa. Como indica o nome, é a mentira bem-humorada, proferida com a finalidade de brincar, por divertimento e sem intenção de ofender ninguém. Neste capítulo podem ser incluídas tanto as lorotas de 1º de abril como a sorridente afirmação da simpática velhinha nonagenária de que só tem trinta e cinco anos.
Dizíamos que é uma mentira praticamente inocente, ainda que as brincadeiras possam proceder, às vezes, de sentimentos muito maldosos, e constituir por isso um pecado, até mesmo grave, contra a caridade: por exemplo, se se mente brincando para humilhar em público, ridicularizando-a, uma pessoa inocente, defeituosa ou pouco inteligente.
Mas, se não existe essa conotação maldosa, essas mentiras, ainda que literalmente digam “o que é falso”, não mentem, porque nem pretendem nem conseguem “induzir em erro” ninguém. Portanto, em si, não constituem pecado algum.
2) Numa segunda categoria enquadram-se as mentiras oficiosas. O nome é clássico, técnico, na teologia moral, para designar a mentira “que tende a favorecer uma pessoa, grupo ou ideologia” (R. Sada e A. Monroy, Curso de Teologia Moral, Ed. Rei dos Livros, Lisboa, 1989, pág. 232). É a mentira proferida em proveito próprio, da pessoa ou do grupo.
Essa é uma das primeiras mentiras que aprendemos em crianças: “Não fui eu que fiz”, “não tinha ouvido”, “perdi o dinheiro que o papai me deu” (gasto no carrinho da esquina do colégio). As mais comuns, dentre as desta categoria, são as mentiras forjadas para evitar um castigo, um desgosto, um dever custoso, ou para furtar-se a um favor ou a um serviço que não temos vontade de prestar. Aí entra a série interminável de falsas “explicações” e “desculpas” que a nossa fraqueza nos leva a dizer para evitar maus bocados: “Não tive tempo”, “perdi o ônibus”, “fiquei doente” (talvez com atestado médico anexo, tão falso quanto a escusa), “o chefe pediu-me que ficasse trabalhando até tarde”… E mais a prática estudantil da cola (que é mentirosa quando não se estudou e, portanto, se finge um saber que não se tem), bem como tantas outras mentiras e mentirinhas lançadas como névoa perfumada para “ficar bem”.
Este tipo de enganos são verdadeiras mentiras, e por isso mesmo constituem sempre uma falta, um pecado, ainda que geralmente – como lembra o Catecismo da Igreja – não passem de pecado venial (n. 2484). Contudo, podem revestir-se de uma gravidade maior, e até muito grande, em diversas ocasiões: basta pensar no filho – mentiroso quanto à assistência às aulas – que defrauda a confiança e o sacrifício investido nele pelos pais; ou, num outro terreno, na força da mentira empregada na propaganda e nas pesquisas de opinião dirigidas a aliciar, com falsidade, o favor do público, mesmo que com essas mentiras não se chegue a causar um sério prejuízo aos iludidos, nem se prejudiquem terceiros, coisa de resto difícil de imaginar.
3) Mas, falando em prejuízos, já estamos entrando no campo do terceiro tipo de mentira, o pior deles: a mentira danosa ou prejudicial. O seu próprio nome a explica: mente-se, nestes casos, querendo causar um dano ou um prejuízo a alguém; ou então – mesmo que não haja intenção de prejudicar –, quando se sabe ou, pelo menos, se prevê que a mentira poderá causar um dano.
Não é preciso espremer muito os miolos para perceber as inúmeras faces desta mentira: baste lembrar as fraudes nos negócios, as concorrências desleais, as licitações com cartas marcadas, as “recomendações” (“pistolões”) que guindam incapazes a funções de que ficam excluídos os que as merecem; as mentiras políticas ou administrativas de todo o gênero, que causam enormes danos à nação, e com freqüência aos mais desprotegidos; a falsidade de colégios que se apresentam como “católicos” e ensinam doutrinas contrárias à doutrina da Igreja; as desorientações morais de um mau conselheiro espiritual; as mentiras nos termos ou nos dados dos contratos; a ocultação de defeitos na máquina vendida; as falsificações, as vigarices e trapaças de toda a espécie.
A pior das mentiras danosas
Mas um espécime particularmente venenoso de mentira danosa é a calúnia, que consiste em atribuir falsamente a uma pessoa ou entidade, ou sugerir insidiosamente a respeito dela, crimes ou faltas morais graves das quais essa pessoa é inocente. Caluniar é falar mal dos outros, mas acrescentando à crítica uma grave mentira: “Por palavras contrárias à verdade, prejudica a reputação dos outros e dá ocasião a falsos juízos a respeito deles” (Catecismo da Igreja, n. 2477).
Toda a calúnia é uma infâmia e traz a marca infame da injustiça.
Se qualquer agressão verbal mostra o que há no coração de quem fala, a calúnia denota uma alma especialmente sórdida: porque a calúnia, ou é filha da frivolidade irresponsável, que repete falsidades sem apurá-las, pelo prazer de falar mal; ou visa maldosamente destruir, afundar, denegrir, causar o mal. Entram aí na dança as paixões mais repulsivas, e especialmente o ódio e a inveja se mexem no campo da calúnia como no seu “habitat” predileto.
Infelizmente, caluniar transformou-se num “esporte social”, que com demasiada freqüência é praticado nas conversas privadas e nos meios de comunicação. Há como que uma espécie de compulsão de servir a toda a hora, de bandeja, reputações honestas decapitadas, como Salomé “serviu” a Herodes a cabeça de São João Batista; com a mesma futilidade e o mesmo sorriso desavergonhado (cf. Mc 6, 28).
Dizem-se e escrevem-se autênticas aberrações sem fundamento, baseadas muitas vezes numa simples suspeita, no que “se diz” (isto é, no que alguma pessoa ou algum grupo de pessoas mal intencionadas, ressentidas ou vingativas comentaram), no que aparece na televisão ou “é publicado” em reportagens escandalosas. Desta forma, por razões de ódio ou rivalidade pessoal, ou por motivos fanaticamente ideológicos, soterram-se pessoas e instituições debaixo de toneladas de lama, e se lhes envenena, com dente de cobra peçonhenta, o sangue limpo da reputação.
E o mais grave é que a superficialidade de muitos telespectadores e leitores, que não terão tempo nem vontade de apurar os fatos, engole a mentira hedionda como se bebesse um copo d’água. E então essa “opinião pública” forjada, falsificada, acaba tendo conseqüências funestas para muitas pessoas e instituições inocentes que, no mínimo, merecem o respeito e a estima devidas a quem se comporta com lisura e retidão, e procura trabalhar honestamente, fazendo o bem.
Os mais cínicos tentarão justificar-se dizendo que não “afirmaram”, apenas levantaram uma hipótese com base em indícios e no “dever de informar”, pois se trata de coisas muito comentadas por aí. São conhecidos, nos manuais de Ética jornalística, exemplos de desonestidade caluniosa, como os destas hipotéticas manchetes sensacionalistas: “Nada indica que o Cardeal de Paris esteja envolvido no crime sexual do Bois de Boulogne”, ou “Não há indícios da participação ativa do Primeiro Ministro de tal país no affaire das drogas”. Maneiras indiretas – ou diretíssimas? – de caluniar inocentes, ligando os seus nomes a crimes com os quais nem remotamente têm nada a ver.
Os caluniadores e os “mercadores da suspeita” (cf. É Cristo que passa, n. 69) pecam, quase sempre gravemente, contra a justiça, e fica-lhes na consciência uma obrigação estrita, sem a qual não podem esperar o perdão de Deus nem nesta vida nem na outra: a obrigação de reparar, de retificar, de restituir a fama injustamente lesada. “Toda falta cometida contra a justiça e a verdade – ensina o catecismo da Igreja – impõe o dever de reparação, mesmo que o seu autor tenha sido perdoado. Quando se torna impossível reparar um erro publicamente, deve-se fazê-lo secretamente; se aquele que sofreu o prejuízo não pode ser diretamente indenizado, deve-se dar-lhe satisfação moralmente, em nome da caridade. Esse dever de reparação se refere também às faltas cometidas contra a reputação de alguém. Essa reparação, moral e às vezes material, será avaliada na proporção do dano causado e obriga em consciência” (n. 2487).
E a mentira social?
Uma vez terminado o comentário sobre as três espécies de mentira, parece-nos ouvir a voz de um leitor ou leitora que pergunta:
– E a mentira social? Não vai falar dela?
A esse hipotético leitor responderíamos que a expressão “mentira social” é muito ambígua, e que, por isso, gostaríamos que tivesse a amabilidade de nos esclarecer.
– Ora – poderia retrucar –, eu me refiro sobretudo à mentira telefônica e à mentira gentil, que não entraram na sua classificação. Por exemplo, ao caso do empresário que manda a secretária dizer que “está em reunião”, simplesmente porque está ocupado… Ou à senhora que diz que o marido “não está aqui no momento” quando liga alguém num momento muito inoportuno… Ou a qualquer um de nós, que, quando vê uma criança nada agraciada, coitadinha, diz à mãe: “Que gracinha, é linda!”; e, igualmente, após um almoço de gosto que é preferível não tentar definir, diz à anfitriã: “Estava uma delícia”…
Realmente, essa dúvida do leitor ou leitora não pode ser mais clara. Acontece, porém, que o esclarecimento também é claro.
Toda pessoa culta entende que a linguagem é simbólica, ou seja, que a palavra é “símbolo” que exprime algo que se quer comunicar, como o exprime um ícone ou uma expressão facial. Quando o símbolo é equívoco ou “induz em erro”, temos uma mentira. Quando é inequívoco, porque já se tornou uma forma de linguagem habitual, empregada constantemente para evitar expressões que poderiam ser indelicadas, ofensivas ou mal interpretadas, já não induz em erro, porque o “símbolo” é transparente para todos.
Quer dizer que, em muitos desses casos, não há de fato uma “mentira”, não existe a falta moral chamada “mentira”, porque ninguém quer enganar nem, de fato, engana. Por isso, a “mentira social e gentil” não entra em nenhuma das três classificações das verdadeiras mentiras. É lógico que, para manter-se na linha correta, deve limitar-se ao estritamente necessário e ser praticada amavelmente, usando das formas sociais já conhecidas aceitas no ambiente, formas que qualquer pessoa minimamente inteligente e com experiência da vida poderá compreender. Acrescentaria apenas que, quando se fecha uma porta com fórmula social, por motivos justificados, é preciso facilitar que essa porta se abra quando esses motivos cessam: por exemplo, tomando atenciosamente o recado, anotando um telefone com o qual seja possível comunicar-se, etc.
(Adaptação de trechos do livro de F. Faus: A língua)