sábado, 16 de junho de 2018

36 perguntas para entender a devoção ao Sagrado Coração de Jesus

SACRED HEART

Um verdadeiro catecismo sobre o Sagrado Coração de Jesus, não perca!

Era dezembro de 1673, precisamente no dia 27, em que o Sagrado Coração de Jesus foi revelado a Santa Margarida Maria Alacoque, durante uma exposição do Santíssimo Sacramento. Santa Margarida teve a visão de Jesus Cristo mais duas vezes. Nas aparições, o próprio Senhor pediu para que ela divulgasse a devoção a seu Sagrado Coração.
Jesus, ao aparecer à Santa Margarida Maria Alacoque, com seu Coração transpassado pela espada, disse:
“Eis o coração que tanto tem amado os homens e em recompensa não recebe da maior parte deles senão ingratidões pelas irreverências e sacrilégios, friezas e desprezos que tem por mim nesse sacramento do Amor.” E continuou dizendo: “Prometo, pela minha excessiva misericórdia, a todos que comungarem nas primeiras sextas de nove meses consecutivos, a graça da penitência final. Estes não morrerão em minha inimizade, nem sem receberem os sacramentos. O meu Sagrado Coração lhes será refugio seguro nessa última hora.”
Convido-lhe, pois, a conhecer um pouco mais sobre esta devoção neste pequeno Catecismo sobre o Sagrado Coração de Jesus!
1. O que se entende por Devoção?
A devoção é um ato de vontade. Vontade concreta e verdadeira de se aproximar de Deus. Sendo a religião o caminho que guia os homens a se aproximarem d’Ele, ela necessita de atos reais para isso e a devoção é um desses atos. Toda e qualquer devoção, que se manifesta através de orações e atos de piedade, que honra a uma pessoa ou coisa santa, deve ter seu fim último em Deus.

2. O que caracteriza um Ato de Devoção?
Existem dois tipos fundamentais de atos de devoção: os atos internos e os externos.

Atos Interiores: são aqueles produzidos pela inteligência, vontade e memória, ou seja, atos que fazem parte da intimidade de uma pessoa e do modo como ela busca honrar e louvar a Deus, através de suas ações individuais.
Exemplos: a oração, a meditação e a reflexão.
Atos Exteriores: são os atos ligados às ações físicas, que podem ser presenciados por outras pessoas.
Exemplos: penitências coletivas, louvor e cultos públicos, estudo e pregações.
3. Quais são os Atos de Inteligência?
A inteligência permite aos homens conhecer e compreender uma devoção verdadeira e as razões para praticá-la. Um católico, por exemplo, sabe da importância fundamental de Nossa Senhora para o projeto de Deus no mundo e para chegarmos até Ele. É sabendo disso, através da inteligência, que ele adere a alguma devoção Mariana.

Assim também acontece com a devoção ao Sagrado Coração de Jesus: é preciso conhecer como essa devoção surgiu porque ela é importantíssima para nossa salvação.
4. Quais são os Atos de Vontade?
Sendo a devoção um ato próprio de vontade, existem algumas ações que são como que sua extensão: adoração, submissão, amor e veneração. Pois, conhecendo e possuindo verdadeira devoção a algo santo, o devoto sente vontade de demonstrar o seu amor de maneira concreta.

5. E o papel da Memória?
A memória auxilia a inteligência e a vontade. Representa à inteligência dados que a impressionaram durante o estudo ou a meditação, fortalecendo assim sua convicção. Pela recordação frequente das verdades conhecidas, a vontade se sente mais facilmente movida à adoração, ao desagravo, ao pedido de graças.

6. Que é mais importante: o culto interior ou o culto exterior?
Sem dúvida alguma, o mais importante é o culto interior. O culto exterior não é senão a consequência da piedade interior. É na alma que se encontra o centro da verdadeira devoção.

As manifestações sensíveis, físicas e visíveis só têm valor religioso na medida em que são vivificadas pelo fervor interior. Mas as exterioridades são importantes para manifestar e acrescentar a devoção interior.
7. O que caracteriza um devoto autêntico do Sagrado Coração de Jesus?
O devoto autêntico do Sagrado Coração de Jesus é aquele que procura conhecer a fundo essa devoção, reconhece sua importância incomparável para todos os homens e tem uma disposição efetiva de amá-lo e de fazer tudo quanto corresponde à sua vontade.

8. Qual é o fim principal da devoção ao Sagrado Coração de Jesus?
Segundo Santa Margarida Maria Alacoque, a santa para qual o Sagrado Coração de Jesus apareceu em 1673, “o fim principal desta devoção é converter as almas a seu amor“. Isso quer dizer que devemos retribuir dignamente o amor que Nosso Senhor teve por nós, fazendo as pessoas reconhecerem o quanto Ele nos ama.

9. Qual é o objeto da devoção Sagrado Coração?
O objeto dessa devoção é o Coração do Verbo Encarnado, tanto considerado no seu aspecto corporal quanto no símbolo de seu amor por Deus e pelos homens.

10. Adora-se, então, o coração físico de Nosso Senhor?
Sim. Seu coração físico é adorável, assim como qualquer parte de seu Corpo, unido substancialmente ao Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

11. Qual o termo final de nossas homenagens nesta devoção?
O termo final de nossas homenagens é a Pessoa de Jesus Cristo. Assim, em seu sentido amplo, quando se fala do Coração fala-se da própria Pessoa do Divino Redentor.

12. Por que Jesus Cristo quer ser cultuado por meio de símbolos físicos?
Ele quer ser cultuado por meio dos símbolos físicos porque, conforme explica São Tomás de Aquino, o homem, não sendo puro espírito, precisa das coisas sensíveis para chegar ao conhecimento das espirituais.

Para conhecer a Deus, precisamos vê-lo refletido em suas criaturas, representações e imagens. Quanto mais elas são perfeitas, tanto mais alta é a ideia que formamos da Divindade. Esse é, aliás, o que fundamenta o culto às imagens e a liturgia católica.
13. Por que Nosso Senhor escolheu o coração como símbolo de seu amor?
Porque o coração representa a sede do afeto, da compaixão e do sentimento e, por isso, seria o símbolo que melhor experimenta o amor de Cristo por Deus Pai e pelos homens. representa também a mentalidade de Nosso Senhor.

14. De que maneira o Redentor quis que seu Coração simbolizasse seu amor?
Nosso Senhor apareceu a Santa Margarida Maria mostrando seu Coração divino envolto em chamas, rodeado por uma coroa de espinhos e encimado por uma cruz. É uma representação própria a despertar em nós sentimentos de gratidão, de reparação e o desejo da consagração.

15. Quais são as principais práticas da devoção ao Sagrado Coração?
As principais práticas de piedade são:

1ª Prática: Comunhão Reparadora nas Primeiras Sextas-feiras de cada Mês
Que foi pedida expressamente por Nosso Senhor a Santa Margarida Maria. Ligada a esta prática está a assim chamada Grande Promessa (ver perguntas 24 a 27)

2ª Prática: Comunhão Frequente
Um dos pedidos de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria foi o de “comungar tantas vezes quantas puder“. Evidentemente, estando em estado de graça e, para isso, confessando-se antes se necessário.

3ª Prática: Consagração
Esta prática comporta dois elementos: a consagração propriamente dita, que é conveniente renovar periodicamente; e o propósito de viver em conformidade com essa consagração, buscando apenas os interesses do Sagrado Coração.

Embora a consagração, enquanto tal, não imponha obrigações novas, ela exige de maneira séria e constante a prática dos deveres de todo cristão. Ela corresponde, em última análise, a uma renovação das promessas do Batismo. Manifesta a vontade de fidelidade ao maior dos Mandamentos:
“Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento, e com todas as tuas foras” (Mc 12, 30)
4ª Prática: Hora Santa
Nosso Senhor havia comunicado a Santa Margarida Maria:

“Todos as noites de quinta para sexta-feira, te farei participar na mortal tristeza que quis sofrer no Horto das Oliveiras”.
A Santa tomou então o hábito de ficar em adoração diante do Santíssimo Sacramento nesse dia, das onze horas à meia-noite, em reparação e união aos sofrimentos de Nosso Senhor.
Isso inspirou a prática da Hora Santa, que pode ser feita em casa, na Igreja, em particular ou em comum e a qualquer hora. Consiste no exercício de oração mental ou vocal, contemplando a agonia de Nosso Senhor.
5ª Prática: Exposição e veneração da imagem do Sagrado Coração de Jesus
A imagem do Sagrado Coração ocupa lugar destacado nos desejos e nas promessas de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria. Jesus prometeu grandes graças àqueles que a levassem consigo ou a colocassem nas suas casas, escritórios, etc.

Sua representação clássica consiste em um coração, aberto no lado, envolto em chamas, rodeado por uma coroa de espinhos e encimado por uma chama mais potente e uma cruz. Ou ainda, a imagem de Nosso Senhor, com esse coração sobre o peito e o indicador da mão esquerda apontando para ele.
Finalmente, a devoção ao Sagrado Coração, pregada por Santa Margarida Maria, é uma devoção de reparação ao amor menosprezado e ultrajado de Jesus Cristo pelos homens. Por isso, o espírito de reparação deve animar todos os seus atos.
16. Há outras práticas recomendadas aos devotos do Sagrado Coração?
Sim. Entre elas, a inscrição em associações pias, como, por exemplo, a Associação Apostolado do Sagrado Coração de Jesus e o Apostolado da Oração; as orações e sacrifícios pelas almas do Purgatório; a recitação de ladainhas e outras preces em louvor do Sagrado Coração.

17. Deve a devoção ao Sagrado Coração de Jesus substituir outras devoções na Igreja?
De nenhum modo. Conforme o ensinamento do Papa Pio XII, na encíclica Haurietis Aquas, sobre o Sagrado Coração de Jesus, “ninguém pense que esta devoção prejudique no que quer que seja as outras formas de piedade“.

Essa devoção está na raiz das outras devoções. Ajuda-as. Sem o fervor que vem da contemplação do amor de Nosso Senhor, as outras devoções não existem em estado perfeito, por isso ela é tão importante.
18. Existe alguma prática especial para significar a realeza de Cristo nas famílias, e para torná-la efetiva?
Sim. Para o apostolado familiar existe a Obra da Entronização. Consiste me colocar solenemente num lugar de honra do lar uma imagem ou estampa do Sagrado Coração, como símbolo da realeza de Cristo sobre aquela família. Esse ato se completa com a consagração da família ao Coração de Jesus.

19. Para quem é especialmente indicada a devoção ao Sagrado Coração?
Esta devoção deve ser praticada por todos. Ela é, entretanto, especialmente indicada para aqueles que lutam para que Nosso Senhor reine não só no interior das consequências, mas também na sociedade. Por exemplo, para quem luta contra a imoralidade da televisão, a disseminação das drogas, o aborto e outros flagelos de nosso tempo.

É o que recomenda o Papa Pio XII:
“Desejamos que todos os que… lutam ativamente para estabelecer o reino de Jesus Cristo no mundo que considerem a devoção ao Coração de Jesus como bandeira”.
20. A devoção ao Sagrado Coração está baseada apenas nas revelações a Santa Margarida Maria Alacoque?
Não. Conforme ensina Pio XII, esta devoção tem sua base principal na Revelação pública e oficial, isto é, nas Sagradas Escrituras e na Tradição.

21. Que tipo de revelações recebeu Santa Margarida Maria em Paray-le-Monial?
Santa Margarida Maria recebeu o que a Igreja denomina como revelações privadas.

22. O que são as Revelações Privadas?
Revelações privadas ou particulares são comunicações feitas por Deus a algumas almas, para sua edificação própria ou de outras pessoas. Não fazem parte do depósito da Revelação pública e oficial, a qual é imutável e se encerrou com a morte do último dos Apóstolos, São João Evangelista.

23. Que papel tiveram as revelações de Paray-le-Monial na devoção ao Sagrado Coração?
Do ponto de vista teológico, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem valor e legitimidade intrínsecos, não depende de revelações particulares.

Se estas revelações não tivessem existido, ou fossem ilusórias ou controvertidas, o culto ao Sagrado Coração continuaria solidamente baseado e perfeitamente legítimo.
Na ordem histórica, entretanto, a intervenção do Salvador – por meio das revelações na cidade de Paray-le-Monial -, bem como a ação pessoal de Santa Margarida Maria, que ali recebeu tais revelações, tiveram um grande papel. Elas contribuíram para uma difusão sem precedentes da devoção ao Sagrado Coração.
24. O que se entende pela expressão “A Grande Promessa”?
Essa expressão refere-se à promessa de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria a respeito da prática da Comunhão reparadora nas primeiras sextas-feiras de cada mês. Disse Jesus à Santa:

“Eu te prometo, na excessiva misericórdia do meu Coração que concederei a graça da penitência final a todos os que comungarem na primeira sexta-feira de nove meses consecutivos. Eles não morrerão no meu desagrado, nem sem receber os sacramentos; e, nesse transe extremo, receberão asilo seguro no meu Coração”.
25. Em que documento estão consignadas essas palavras?
Em uma carta de Santa Margarida Maria a sua Superiora, Madre de Saumaise, escrita provavelmente em Maior de 1688. Esta carta encontrava-se à vista do público, no convento da Visitação, em Dijon, até 1789. Desapareceu durante a Revolução Francesa.

O Papa Bento XV, na bula de canonização da Santa, confirma a autenticidade dessas palavras:
“Estas foram efetivamente as palavras que Jesus bendito dirigiu à sua serva”.
26. Quais são os elementos da Grande Promessa?
Os elementos da Grande Promessa são três: o objeto, o motivo, a condição.

objeto principal da Grande Promessa é a graça da penitência final, ou seja, da morte em estado de graça; portanto, da salvação eterna.
motivo é o excesso de misericórdia do Coração de Jesus.
condição para alcançá-la é a prática da comunhão das primeiras sextas-feiras durante nove meses seguidos, sem interrupção.
27. A chamada Grande Promessa significa a salvação automática de quem cumpre esse exercício?
Não existe salvação automática independente da observância dos Mandamentos, da prática da oração e das boas obras.

A Grande Promessa deve ser entendida do seguinte modo: quem fizer as Nove Primeiras Sextas-Feiras receberá as graças para não morrer em estado de pecado mortal e não morrerá em pecado mortal, desde que as tenha feito com intenção reta, desejo de viver sempre na graça de Deus e fizer os esforços necessários para uma vida virtuosa.
É preciso, pois, a intenção de viver estável e continuamente na prática dos Mandamentos. Nenhuma promessa pode substituir o esforço para amar e seguir a Deus, que é o que Ele quer de suas criaturas racionais e livres.
Se alguém fizer as Nove Primeiras Sextas-Feiras com a intenção de viver depois fora da prática dos Mandamentos, despreocupado da salvação eterna, não atendeu às condições requeridas e arrisca-se à condenação eterna.
Finalmente, é preciso lembrar que devemos implorar continuamente a graça da perseverança final em nossas orações.
28. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus pode ser desvirtuada?
Sim, infelizmente, como qualquer outra devoção. Corre-se o risco desta devoção, por tratar do amor, ser confundida com o naturalismo e o sentimentalismo relativista que hoje erroneamente é manifestado quando se diz possuir uma devoção.

29. Qual é o perigo do Sentimentalismo?
O sentimentalismo dá excessiva importância às emoções, com prejuízo da razão. A piedade se torna adocicada, negligente e amolecida, o que leva à condescendência consigo mesmo e com os vícios próprios e alheios.

30. Como evitar os perigos do Naturalismo e do Sentimentalismo?
Quanto ao Naturalismo, o remédio está em jamais atribuir à qualidade natural e ao esforço próprio aquilo que só pode vir da graça de Deus.

O Sentimentalismo se combate evitando exagerar o papel das emoções na vida de piedade; buscando a lógica e a coerência do pensar e no agir; cultivando o amor aos princípios. Dizia São Francisco de Sales que devemos buscar antes o Deus das consolações que as consolações de Deus.
Do mesmo modo, devemos fugir de parcialismos e unilateralidades na consideração das virtudes do Divino Mestre: como tudo nEle é perfeito, devemos adorá-Lo não apenas em sua inigualável mansidão, mas também em seu ódio ao pecado.
Ó Jesus, manso e humilde de coração,
fazei o nosso coração semelhante ao Vosso!
Ó Jesus, manso e humilde de coração,
fazei o nosso coração semelhante ao Vosso!

31. A mansidão está no centro da devoção ao Sagrado Coração?
Sim, de tal maneira, que muitos teólogos, ao enumerar os fundamentos bíblicos desta devoção, apresentam em primeiro lugar aquela comovente exortação do Divino Mestre:

“Aprendei de mim,, que sou manso e humilde de coração e achareis paz para as vossas almas” (Mt 11, 29)
32. Nosso Senhor, apesar de tão manso, foi odiado durante sua existência terrena?
Apesar de sua mansidão e de, conforme diz São Pedro (At 10, 38), ter passado a vida fazendo o bem, ninguém foi mais odiado do que Ele. Em certa ocasião, advertiu a seus discípulos:

“Se o mundo vos odeia, sabei que, antes do que vós, odiou-me a mim. … Odiaram-me sem motivo” (Jo 15, 18 e 25)
A Nosso Senhor se aplica o que de si afirmou Davi, o Profeta-Rei:
“Com palavras de ódio me cercaram e sem causa me fizeram guerra. Em paga do meu amor, acusavam-me. Deram-me males em troca de bens, e ódio em troca do amor que lhes tinha” (Sl 108, 5).
Por isso foi crucificado.
33. Se o próprio Nosso Senhor foi odiado, o devoto do Divino Coração não pode ser também objeto de um ódio injusto?
Sim, pode: o discípulo não é maior do que o Mestre. O devoto do Sagrado Coração deve estar preparado para fazer frente de maneira corajosa e confiante ao ódio dos maus.

34. Podemos adorar também as indignações do Coração Divino contra o mal?
Sim, pois todas as manifestações de Nosso Senhor são igualmente adoráveis. O Evangelho apresenta várias passagens nas quais Jesus manifesta sua indignação, por exemplo, contra os escribas e fariseus hipócritas.

São Pio X observou a esse propósito:
“Se seu Coração desdobrava mansidão para as almas de boa vontade, soube igualmente amar-se de uma santa indignação contra os profanadores da casa de Deus, contra os miseráveis que escandalizavam os pequenos, contra as autoridades que esmagam o povo sob o peso de cargas pesadas”.
35. Podemos esperar a vitória do Coração de Jesus?
Sim. A esperança de Sua vitória constituiu, aliás, uma das características dessa devoção. O redentor a prometeu a Santa Margarida:

“Eu reinarei, apesar de meus inimigos e de todos aqueles que se opuserem a esta devoção“.
36. O que devemos pedir especialmente ao Sagrado Coração?
Podemos pedir tudo. A nossa santificação e a dos que nos são mais caros. Podemos ainda rezar a Ele por nossos interesses temporais e pelos daqueles a quem queremos bem, desde que não prejudiquem a salvação eterna, nossa e deles.

Mas devemos pedir, sobretudo, sua glória, isto é, o triunfo da Igreja e a salvação das almas. É uma decorrência do primeiro e maior dos Mandamentos: Amar a Deus sobre todas as coisas.
Isso comporta o desejo ardente de que o Coração de Jesus ponha fim à avassaladora crise atual, que atinge ao mesmo tempo o terreno religioso e a esfera temporal.
Era essa a esperança do Papa Pio XI:
“Na hora por Ele estabelecida, ‘Deus se erguerá e destroçará todos os seus inimigos’ (Sl 67, 2). (…) O Coração Divino de Jesus não poderá deixar de comover-se às súplicas e sacrifícios de sua Igreja, e dirá enfim, à esposa que geme a seus pés divinos, sob o peso de tantas dores e males: ‘Grande é a tua fé: faça-se como queres’ (Mt 15, 28).”
(Esta obra é um resumo das páginas 143 a 154 do Livro “O Estandarte da Vitória – A devoção ao Sagrado Coração de Jesus e as necessidades de nossa época”, escrito pelo especialista Péricles Capanema Ferreira e Melo. Distribuído pela Associação Apostolado do Sagrado Coração de Jesus. Via Rumo à santidade)

domingo, 10 de junho de 2018

O que me acontecerá hoje ?

“Desconheço, Senhor, o que me acontecerá hoje. Tudo o que sei é que nada do que me acontecer virá sem que tenhais previsto desde toda a eternidade. Isso me basta, meu Deus, para estar tranquila. Adoro os vossos desígnios eternos e me submeto de todo o coração; quero tudo, aceito tudo, faço-vos o sacrifício de tudo. Uno este sacrifício ao de vosso amado Filho, meu Salvador, pedindo-vos, por seu Sagrado Coração e por seus méritos infinitos, a paciência diante dos males e a perfeita submissão que vos é devida em tudo o que desejais e permitis”.

por Madame Elizabeth, irmã do Rei Luís XVI. Sabendo que seria condenada pela Revolução por ódio à fé, ela se preparava para os acontecimentos trágicos que a esperavam. Morreu, de fato, na forca, depois de ter recitado cada dia esta oração que lhe foi de grande ajuda e que poderíamos fazer nossa.

Os pecados de omissão são os mais arriscados, porque são os menos conhecidos. Muitas almas se perdem por via deles


"Aquele homem a quem se entregou o talento, não o jogou, nem o desperdiçou, não o empregou mal, só teve a omissão de o não empregar bem, e só por esta omissão foi ele condenado".




Sobre os pecados de omissão 

Temos pecados de comissão, e pecados de omissão: pecados de comissão são aqueles que se cometem obrando mal; pecados de omissão são aqueles que se cometem não obrando o bem a que estamos obrigados. Quem faz mal, tem pecado de comissão; e quem não faz o bem que deve fazer, tem pecado de omissão. Estes pecados de omissão são os mais arriscados, porque são os menos conhecidos. Quase ninguém os conhecem. E se não conhecem, como se hão de evitar? Desta sorte se perdem imensas almas por via deles.

Ninguém pode duvidar desta verdade: imensas almas se condenam ao inferno por via dos pecados de omissão. Isto mesmo é expresso em várias partes do Evangelho.

Diz o Evangelho, que o homem que foi às bodas sem levar o vestido nupcial não teve outra culpa, não falou mal, não fez alguma ação torpe, não furtou nem praguejou, só teve a omissão de não levar o vestido competente, e só por esta omissão foi lançado nas trevas, isto é, no inferno!

Diz mais o evangelho: Aquele homem a quem se entregou o talento, não o jogou, nem o desperdiçou, não o empregou mal, só teve a omissão de o não empregar bem, e só por esta omissão foi ele condenado...

Diz ainda mais o Evangelho: Aquelas cinco virgens néscias eram virgens, não eram mal procedidas, não cometeram impurezas, só tiveram a omissão de não estarem prevenidas com o óleo, e só por esta omissão se lhes fechou a porta do Céu.

Mais ainda: Aqueles cinco convidados para as bodas não foram roubar, nem matar, nem jurar falso, foi cada um para a sua ocupação ordinária, não deram outra escusa, e só por essa omissão de não aceitarem o convite, todos eles foram privados da Ceia da glória.

O rico avarento foi sepultado no inferno, não porque era rico, nem porque vestia com decência, mas sim pela omissão de não dar a esmola ao pobre Lázaro.

As duas figueiras do Evangelho eram formosas, e verdes eram as suas folhas, mas não davam fruto, e só por esta omissão uma delas foi maldita, e a outra cortada...

Aqui vedes, meus irmãos, nestas parábolas, quão rigorosamente Deus castiga os pecados de omissão; pecados de que se não fazem caso algum, e que quase ninguém conhece. Refere Belarmino, que estando para morrer um Prelado de santa vida (assim o parecia), o seu Confessor lhe perguntou:

- Tem alguma coisa de que se queira reconciliar?

– Não, respondeu ele, não me lembro de ter cometido culpa alguma.

- E das omissões do vosso estado, não vos acusa a vossa consciência?

Aqui rebentando-lhe as lágrimas pelos olhos fora, deu grandes gemidos, dizendo:

- As minhas grandes omissões me condenam! Por via delas justamente sou condenado!

Mas se assim aconteceu a um varão que parecia um grande santo, que há de acontecer à maior parte dos cristãos, só por serem tão descuidados nas obrigações do seu próprio estado? Temei, preguiçosos e descuidados! Bem podeis temer e tremer! Pois que vejo por toda a parte? Vejo as maiores omissões em tudo e por tudo: Quase ninguém ama a Deus sobre tudo, quase ninguém ama o seu próximo como a si mesmo. É também uma grande omissão.

Imensas vezes se falta à caridade e à justiça, e tudo isto são omissões. Falta-se aos deveres do estado. O Pároco não cuida na salvação dos seus fregueses. O Sacerdote não confessa com o devido zelo. Os consortes não se amam mutuamente. Os pais não educam os seus filhos. Estes não amam, não obedecem, nem respeitam seus pais. O operário não trabalha como deve, nem faz o que deve fazer. Perde-se muito tempo com divertimentos, nos passeios, nas visitas, nas conversas, no muito dormir. Tempo que se podia empregar em obras de merecimento; em tudo isto há omissões, de tudo se há de dar conta, e de nada se faz caso...

Qualquer pode muito bem levantar-se cedo, pode assistir à oração e à Missa, pode rezar a sua coroazinha todos os dias, pode confessar-se todos os meses, pode dar um bom conselho, pode visitar um enfermo, consolar um aflito, animar um desesperado, pode sofrer e mortificar-se por Deus, porém nada disso pratica, e é porque não quer; pois em tudo isto há omissões e graças desprezadas, e de tudo se há de dar conta a Deus...

Ó meu Deus! Quem poderá entrar em contas convosco lá no grande dia do juízo! Se aquele que era reputado por santo achou as suas contas erradas, que será de nós todos? Que será daquele que não faz as coisas por Deus, nem se refere a Deus, e que já se vê com o seu tempo todo perdido? Que justo não tremerá de aparecer diante de Deus, só por via das omissões em que pode ter caído?

Bem podemos temer e tremer todos, ainda mesmo que não tenhamos consciência criminosa, bastam as nossas omissões nos deveres do nosso estado; pois de tudo daremos conta, até das boas obras, por não serem feiras como devem ser, ests mesmas serão julgadas.


Por: Pe. Manoel José Gonçalves Couto, no aditamento do livro "Missão Abreviada


https://arenadateologia.blogspot.com/2011/02/os-pecados-de-omissao-sao-os-mais.html

domingo, 3 de junho de 2018

Os Anjos na vida dos Santos


Nossos Anjos guardiães estão ao lado de cada um de nós, incansáveis, solícitos, bondosos, prontos a nos ajudar em tudo quanto precisarmos, quer sejam necessidades materiais ou espirituais. Vejamos alguns exemplos de pessoas favorecidas com a graça de ver o seu Anjo da Guarda e com ele conversar repetidas vezes ao longo da vida.
Por certo, em nossos conturbados dias, isso contribuirá para aumentar em nós a devoção ao nosso melhor amigo, e nos estimulará a recorrermos com mais empenho ao seu concurso.
Santa Gemma Galgani (1878-1903) teve a constante companhia de seu Anjo protetor, com quem mantinha um trato familiar. Ela o via, rezavam juntos, e ele até mesmo deixava que ela o tocasse. Enfim, Santa Gemma tinha seu Anjo da Guarda na condição de um amigo sempre presente. Ele lhe prestava todo tipo de ajuda, até mesmo levando mensagens para seu confessor, em Roma.
Este sacerdote, o padre Germano de Santo Estanislau, da Ordem dos Passionistas, fundada por São Paulo da Cruz, deixou Santa Gemma Galgani..jpgnarrado o convívio de Santa Gemma com seu celeste protetor: “Frequentes vezes ao perguntar-lhe eu se o Anjo da Guarda permanecia sempre no seu posto, ao lado dela, Gemma voltava-se para ele com um à vontade encantador e logo ficava num êxtase de admiração todo o tempo que o fixava”.1 Ela o via durante todo o dia. Ao dormir pedia-lhe que velasse à cabeceira da cama e que lhe fizesse um sinal da Cruz na fronte. Quando despertava, pela manhã, tinha a imensa alegria de vê-lo a seu lado, como ela mesma contou a seu confessor: “Esta manhã, quando acordei, lá o tinha junto de mim”.2
Quando ia se confessar e precisava de auxílio, sem demora seu Anjo a ajudava, segundo conta: “[Ele] me traz ao espírito as ideias, dita-me até algumas palavras, de forma que não sinto dificuldade em escrever”.3 Além disso, seu Anjo da Guarda era um sublime mestre de vida espiritual, ensinando-a como proceder retamente: “Lembra-te, minha filha, que a alma que ama a Jesus fala pouco e abnega-se muito. Ordeno-te, da parte de Jesus, que nunca dês o teu parecer se não te for pedido, e que não defendas a tua opinião, mas que cedas logo”. E ainda acrescentava: “Quando cometeres qualquer falta, acusa-te logo dela sem esperares que te interroguem. Enfim, não te esqueças de resguardar os olhos, porque os olhos mortificados verão as belezas do Céu”.4
Apesar de não ser religiosa, levando uma vida comum, Santa Gemma Galgani desejava, entretanto, consagrar-se de maneira mais perfeita ao serviço de Nosso Senhor Jesus Cristo. Porém, como às vezes pode acontecer, o simples anseio de santidade não basta; é preciso a sábia instrução de quem nos guia, aplicada com firmeza. E assim acontecia a Santa Gemma. Seu suavíssimo e celeste companheiro, que a todo tempo estava sob seu olhar, não colocava de lado a severidade quando, por algum deslize, sua protegida deixava de seguir as vias da perfeição. Quando, por exemplo, resolveu usar algumas joias de ouro, com certo comprazimento, para visitar um parente de quem as havia recebido de presente, ouviu uma salutar admoestação de seu Anjo, ao regressar a casa, que a olhava com severidade: “Lembra-te que os colares preciosos, para enfeite da esposa de um Rei crucificado, só podem ser seus espinhos e sua Cruz”.5 Fosse qual fosse a ocasião em que Santa Gemma se desviasse da santidade, logo uma angélica censura se fazia ouvir: “Não tens vergonha de pecar na minha presença?”.6 Além de custódio, bem se vê que o Anjo da Guarda desempenha o excelente ofício de mestre de perfeição e modelo de santidade.
Trinta anos de convívio com o Anjo da Guarda
Os olhos percorriam atentamente as linhas do texto e, de quando em quando, mais uma página era virada. Em torno reinava o silêncio, entrecortado às vezes por algum som típico de uma cidade do interior, no início do século passado. Estamos em 1917. Uma jovem, com seus 17 anos, tranquila, estuda numa sala próxima à entrada de casa. Era mais uma quente noite de verão em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai.
A porta da rua se encontrava aberta, talvez com a finalidade de arejar um pouco o ambiente, castigado pelo abafamento característico dessa época do ano. Os criados estavam ocupados nos afazeres domésticos, longe daquela parte da casa.Cecy Cony.jpgConcentrada na leitura, nem mesmo percebeu a entrada de um estranho na dependência, o qual se postou do outro lado da mesa diante da qual estava. A surpresa foi tão grande quando, ao levantar os olhos do livro, divisou um homem, com sinais de embriaguez, que agarrava com as duas mãos a borda da mesa. Era forte e alto, mal-encarado e olhar covarde. Envolvendo a cintura com uma faixa, ali levava presa uma faca, como é costume usar nessa região.
O forasteiro permaneceu algum tempo a observar a moça, meio aturdida por tal visão, e depois foi rodeando a mesa na direção dela, sem deixar de se apoiar. Quebrou o silêncio reinante e disse em espanhol: “Tú hablas, yo te estrangulo”.7
O terror se apoderou da moça, que nada pôde dizer, a não ser umas poucas palavras a meia voz: “Meu novo amigo!”. No mesmo instante sentiu pousar sobre o ombro uma mão, aquela mesma que, por vezes, sentira em outras ocasiões de desalento. Era seu fiel Anjo da Guarda que, ao lhe tocar no ombro, lhe restituía como que por encanto a tranquilidade, dissipando com incrível rapidez o terror que sentia. Teve, com isso, forças para se levantar e correr ao encontro de Acácia, uma das empregadas da casa, enquanto o temido homem fugia, derrubando na fuga uma cadeira, com grande barulho.8
Fatos como o que acaba de ser descrito ocorreram na vida de Cecy Cony, uma brasileira nascida em 1900, na cidade de Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do Brasil, e mais tarde religiosa na Congregação das Irmãs Franciscanas da Penitência e da Caridade Cristã, onde ingressou com o nome de Maria Antônia. Foi dotada de grande quantidade de dons, entre os quais tem primazia a graça de ver o Anjo da Guarda desde os cinco anos de idade.                                    
Ainda mais próximo de nós, encontramos São Pio de Pietrelcina (1887-1968), dotado de muitos dons místicos, inclusive o dos estigmas, isto é, as chagas da crucifixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, e grande incentivador da devoção aos Anjos da Guarda. Em diversas ocasiões ele recebeu recados dos Anjos da Guarda de pessoas que, à distância, necessitavam de algum auxílio dele.
Um senhor de nome Franco Rissone, sabendo do constante empenho de São Pio para que houvesse maior devoção aos São Pio de Pietrelcina.jpgcelestes custódios, todas as noites, do hotel onde estava hospedado, enviava seu Anjo da Guarda ao padre Pio para que lhe transmitisse as mensagens desejadas. Franco duvidava que o Santo ouvisse seus recados. Certo dia, ao se confessar com São Pio, perguntou: “Vossa Reverendíssima ouve realmente o que lhe mando dizer pelo Anjo da Guarda?”. Ao que o religioso respondeu: “Mas então julgas que estou surdo?”.10
As incertezas de muitos com relação ao convívio de São Pio de Pietrelcina com os Santos Anjos, apesar de não indicarem confiança, serviam, entretanto, para ressaltar ainda mais esta sua familiaridade com os Anjos.
Certa senhora, de nome Franca Dolce, resolveu perguntar a São Pio o seguinte: “Padre, uma destas noites mandei o Anjo da Guarda tratar com Vossa Reverendíssima uns assuntos delicados. Veio ou não veio?”. Respondeu o confessor: “Julgas, porventura, que o teu Anjo da Guarda é tão desobediente como tu?”. A senhora, querendo saber mais, acrescentou: “Bom, então, veio; e o que é que ele lhe disse?”. São Pio respondeu: “Ora essa, disse-me o que tu lhe disseste que me dissesse”. Não contente com a resposta, a senhora tornou a perguntar: “Mas o que foi?”. São Pio respondeu: “Disse-me…”, e então repetiu com exatidão todas as palavras que a senhora ditara ao Santo Anjo, para surpresa dela mesma.11
Ainda mais eloquente é o fato ocorrido com outra senhora, chamada Banetti, camponesa residente a alguns quilômetros de Turim, na Itália. No dia 20 de setembro, data em que se comemorava a recepção dos estigmas do padre Pio, era costume as pessoas mais devotadas do santo confessor lhe enviarem cartas das mais variadas partes da Itália e até de outros países.
A senhora Banetti não encontrou quem fosse à cidade para pôr sua carta no correio. Encontrava-se aflita por não poder enviar seus cumprimentos a São Pio. Lembrou-se, entretanto, da recomendação que lhe fizera o Santo, na última vez em que com ele estivera: “Quando for preciso, manda teu Anjo da Guarda ter comigo”.12 No mesmo instante dirigiu uma prece a seu celeste guardador: “Ó meu bom Anjo, levai vós mesmo os meus cumprimentos ao padre, pois não tenho outra forma de mandá-los”.13 Poucos dias depois, a senhora Banetti recebe uma carta vinda de San Giovanni Rotondo, lugar onde vivia São Pio, enviada pela senhora Rosine Placentino, com as seguintes palavras: “O padre pede-me que lhe agradeça em seu nome os votos espirituais que lhe enviaste”.
Santa Francisca Romana, nascida em 1384 no seio de uma distinta família, era uma alma especialmente favorecida por Deus, desde a juventude. Tal obséquio da Divina Providência se tornou ainda mais notável quando, depois da morte de um de seus
Santa Francisca Romana.jpg
 filhos, chamado Evangelista, passa a ter convívio diário com seu “zeloso guardador”.

Certa noite encontrava-se ela a dormir e, quase ao raiar do dia, o quarto foi inundado por uma grande claridade, em meio à qual apareceu o filho Evangelista, falecido havia quase um ano, com uma formosura incomparavelmente maior do que a manifestada nesta Terra. Ao lado de Evangelista estava também outro jovem ainda mais formoso: era o Anjo da Guarda deste.
Passados alguns instantes em que permanecera atônita com a visão, tomada de alegria, pergunta a Evangelista onde estava, o que fazia e se ainda se lembrava de sua mãe. Olhando para o Céu, ele responde: “Nossa ocupação é contemplar o abismo eterno da bondade divina, louvar e bendizer sua majestade com transportes de alegria e amor. Inteiramente absortos em Deus nessa celeste beatitude, não somente não sofremos dor, como não podemos tê-la e gozamos de uma paz que durará sempre. Não queremos, nem podemos querer senão o que sabemos ser agradável a Deus, que é nossa inteira e única beatitude. Saiba que os coros que estão acima de nós nos manifestam os segredos divinos”.15 Foi então que disse à sua mãe o lugar onde se encontrava no Céu: o segundo coro da primeira hierarquia, isto é, entre os Arcanjos. Acrescentou também que o outro jovem, mais formoso, estava em grau mais elevado no Céu, razão de seu maior esplendor, e que havia sido designado por Deus para a consolar em sua peregrinação terrena. Permaneceria com ela perpetuamente e, doravante, poderia ter a consolação de vê-lo dia e noite, sem cessar. (Excertos do livro “A Criação e os Anjos”, Coleção “Conheça a sua Fé”, v.III) – Revista Arautos do Evangelho, Julho/2015, n. 163, p. 22 a 25.





http://www.arautos.org/secoes/artigos/doutrina/anjos/os-anjos-na-vida-dos-santos-161945

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Esta é a oração que Padre Pio fazia quando rezava por alguém

PADRE PIO

Milhares de milagres foram obtidos através desta simples oração

Normalmente, temos nossa oração “de cabeceira” para fazer quando alguém nos pede que rezemos por uma intenção específica, né? Pode ser o Terço, o Pai Nosso ou simplesmente uma súplica sincera a Deus.
São Pio de Pietrelcina – mais conhecido como Padre Pio – tinha sua oração favorita, que ele rezava para todos que pediam. E, muitas vezes, a intenção era milagrosamente respondida por Deus.
Abaixo, reproduzimos esta oração poderosa. Na realidade, a oração foi composta por Santa Margarida Maria Alacoque e é conhecida como “Novena do Sagrado Coração de Jesus”.
O coração de Jesus é cheio de amor e compaixão. E esta oração é uma declaração de confiança neste amor, na crença de que Ele pode atender nossos pedidos, se for de sua santa vontade.
Mas devemos rezar com uma fé sincera, como o Padre Pio fazia. Esta oração não é mágica, e Deus não é um gênio que nos concede tudo o que pedimos. Mas ele sabe exatamente do que precisamos.

I. Ó, meu Jesus, que disseste: “Peçam, e lhes será dadobusquem, e encontrarãobatam, e a portalhes será aberta”, eis me aqui que, confiando em tuas santas palavras, bato à porta, busco e peço a graça …. (formular o pedido).
Rezar: Pai Nosso, Ave Maria e Glória. “Sagrado Coração de Jesus, espero e confio em Ti”.
II. Ó, meu Jesus, que disseste: “Céus e terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão”, eis me aqui, e, confiando na infalibilidade de tuas santas peço a graça… (formular o pedido). 
Rezar: Pai Nosso, Ave Maria e Glória. “Sagrado Coração de Jesus, espero e confio em Ti”.
III. Ó, meu Deus, que disseste: “Tudo o que pedires a meu Pai em meu nome vo-lo farei”, eis me aqui, e ao Pai Eterno e em teu nome peço a graça… (formular o pedido). 
Rezar: Pai Nosso, Ave Maria e Glória. “Sagrado Coração de Jesus, espero e confio em Ti”.
Ó, Sagrado Coração de Jesus, que é incapaz de não sentir compaixão pelos infelizes, tem piedade de nós, pobres pecadores, e concede-nos as graças que pedimos em nome do Imaculado Coração de Maria, nossa Mãe. São José, pai adotivo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós. Amém.

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quinta-feira, 31 de maio de 2018

Qual a origem da festa de Corpus Christi?

A Festa de “Corpus Christi” é a celebração em que solenemente a Igreja comemora o Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas.
Nesta festa os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.
A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258) que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia.
Aconteceu que quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, ocorreu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.
O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, pronunciou diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.
Em 11/08/1264 o Papa aprovou a Bula “Transiturus de mundo”, onde prescreveu que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. O Papa era um arcediago de Liège e havia conhecido a Beata Cornilon e havia percebido a luz sobrenatural que a iluminava e a sinceridade de seus apelos.
Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de “Lírio das Catedrais”. Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e depois, então, em todo o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.
Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.
Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade. Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo.
Começaram assim as grandes procissões eucarísticas, as adorações solenes, a Bênção com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos. Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia. Muitos se converteram e todo o mundo católico.
Eucaristia: Presença real de Jesus no pão e no vinho consagrados
Todos os católicos reconhecem o valor da Eucaristia. Podemos encontrar vários testemunhos da crença da real presença de Jesus no pão e vinho consagrados na missa desde os primórdios da Igreja.
Mas, certa vez, no século VIII, na freguesia de Lanciano (Itália), um dos monges de São Basílio foi tomado de grande descrença e duvidou da presença de Cristo na Eucaristia. Para seu espanto, e para benefício de toda a humanidade, na mesma hora a Hóstia consagrada transformou-se em carne e o Vinho consagrado transformou-se em sangue. Esse milagre tornou-se objeto de muitas pesquisas e estudos nos séculos seguintes, mas o estudo mais sério foi feito em nossa era, entre 1970/71 e revelou ao mundo resultados impressionantes:
A Carne e o Sangue continuam frescos e incorruptos, como se tivessem sido recolhidos no presente dia, apesar dos doze séculos transcorridos.
O Sangue encontra-se coagulado externamente em cinco partes; internamente o sangue continua líquido.
Cada porção coagulada de sangue possui tamanhos diferentes, mas todas possuem exatamente o mesmo peso, não importando se pesadas juntas, combinadas ou separadas.
São Carne e Sangue humanos, ambos do grupo sanguíneo AB, raro na população do mundo, mas característico de 95% dos judeus.
Todas as células e glóbulos continuam vivos.
A carne pertence ao miocárdio, que se encontra no coração (e o coração sempre foi símbolo de amor!).
Mesmo com esse milagre, entre os séculos IX e XIII surgiram grandes controvérsias sobre a presença real de Cristo na Eucaristia; alguns afirmavam que a ceia se tratava apenas de um memorial que simbolizava a presença de Cristo. Foi somente em junho de 1246 que a festa de Corpus Christi foi instituída, após vários apelos de Santa Juliana que tinha visões que solicitavam a instituição de uma festa em honra ao Santíssimo Sacramento. Em outubro de 1264 o papa Urbano IV estendeu a festa para toda a Igreja. Nessa festa, o maior dos sacramentos deixados à Igreja mostra a sua realidade: a Redenção.
A Eucaristia é o memorial sempre novo e sempre vivo dos sofrimentos de Jesus por nós. Mesmo separando seu Corpo e seu Sangue, Jesus se conserva por inteiro em cada uma das espécies. É pela Eucaristia, especialmente pelo Pão, sinal do alimento que fortifica a alma, que tomamos parte na vida divina, nos unindo a Jesus e, por Ele, ao Pai, no amor do Espírito Santo. Essa antecipação da vida divina aqui na terra mostra-nos claramente a vida que receberemos no Céu, quando nos for apresentado, sem véus, o banquete da eternidade.
O centro da missa será sempre a Eucaristia e, por ela, o melhor e o mais eficaz meio de participação no divino ofício. Aumentando a nossa devoção ao Corpo e Sangue de Jesus, como ele próprio estabeleceu, alcançaremos mais facilmente os frutos da Redenção!
Prof. Felipe Aquino