domingo, 15 de julho de 2018

POR QUE OS SANTOS SE CONSIDERAVAM GRANDES PECADORES

Lemos nas vidas dos santos que eles se consideravam como grandes pecadores. Alguns não compreendiam como Deus os deixava viver neste mundo, como lhes concedia a luz do sol e os bens da terra. Entre eles alguns havia que costumavam firmar as suas cartas com a assinatura: “Fulano, o pecador”. São João Batista, intimado a batizar a Jesus, disse que nem era digno de lhe desatar as correias dos sapatos. Por outro lado, há tantos homens mundanos que se julgam isentos de toda culpa e imperfeição moral.
Por que esta diferença? Será que os Santos eram de fato tão grandes pecadores, e que certas outras pessoas se dizem prodígios de virtude e santidade?
Reparemos o que acontece quando uma réstia de sol penetra num quarto escuro, formando uma faixa luminosa no ar. É interessante observar como neste traço de luz volita uma infinidade de átomos de pó, subindo, descendo, girando, redemoinhando, enovelando-se de mil maneiras com o discreto perpassar das aragens. Apaga-se o raio solar – e tudo desapareceu! Já não se vê nem um só destes grânulos de poeira. Aonde foram? Não existem mais? Certo que sim. Ainda se acham suspensos no ambiente como antes. Mas, com a extinção da luz, tornaram-se invisíveis.
É fácil atinar com o sentido da comparação.
Este último estado corresponde ao da alma que se julga isenta de faltas, quando de fato as faltas aí estão, embora invisíveis, devido à ausência de luzes celestes, à falta de conhecimento próprio. O pecador não gosta de olhar para o interior da sua consciência, com medo de encontrar o que possa melindrar o seu amor-próprio e a vã complacência das supostas virtudes.
A alma do Santo, ao invés disso, é como um templo arraiado de luz, iluminado pelo facho da atenta reflexão sobre si mesma, e pelos raios vindos de cima. Não que ele tenha mais pecados do que o mundano. A diferença está em que tem luz mais abundante e o olhar mais afeito a descobrir os argueiros das imperfeições de cada dia, ao passo que o profano nem dá pelas trancas de faltas gravíssimas.
Não é, pois, nada estranhável o estarmos cheios de defeitos, desde que os tinham também os próprios Santos. No entanto, neles se observava uma nota característica e essencial. Muito embora enxergassem em suas almas inundadas de luz celestial os numerosos e até os menores resquícios de pó, eles não se admiravam e não desanimavam. À força de um trabalho contínuo, sereno e permanente, procuravam limpar-se de todas as manchas e ainda dos grãozinhos miúdos de areia e pó. Pediam a Deus constantemente lhes desvendasse os próprios defeitos para se emendarem e se humilharem. E de fato, ao dar-nos Deus a conhecer as nossas faltas, já significa uma graça bem importante. E Deus no-la dá não a fim de nos exacerbarmos e amofinarmos, mas para que reconheçamos humildemente a nossa extrema fraqueza, a nossa mísera condição e, dominados de uma grande e imperturbável confiança e calma, trabalhemos em nosso constante aperfeiçoamento, tarefa para muitos anos.
(por Pe. José Tissot)

Cristo: amor de amizade


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Eu vos chamei amigos 

Na Santa Ceia, Jesus, depois de dizer aos apóstolos como a Pai me ama, assim também eu vos amo, esclarece o tipo de amor que deseja. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai (Jo 15, 9.15).
Jesus “abriu-se” totalmente a nós (até mesmo seu coração chagado ficou fisicamente aberto na Cruz), e deseja achar em nós corações totalmente abertos a Ele, ou seja, achar em nós amigos, com todas as qualidades da amizade: amor, confiança, sinceridade, sacrifício, lealdade…
Você se lembra dos fatos que precederam a ressurreição de Lázaro? Lázaro, Marta e Maria eram três irmãos da cidadezinha de Betânia, próxima de Jerusalém, em cuja casa Jesus se hospedava habitualmente quando subia à cidade santa. Naquela casa, junto desses três amigos, Ele achava um lar.
São Lucas expressa a bem a familiaridade que reinava naquela família. Focaliza Jesus que fala, Maria que o escuta sentada a seus pés e Marta, nervosa com a lida da casa, reclamando com Jesus: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço (Lc 10, 38-42). Que confiança!
Passado um tempo, Lázaro ─ provavelmente o caçula ─ adoeceu gravemente. Imediatamente, as irmãs enviaram um mensageiro a Jesus, que se achava longe dali, com o seguinte recado: Senhor, aquele que tu amas está doente (Jo 11, 3).
Acho esse brevíssimo recado comovente. Não explicam nada, não pedem nada, basta-lhes dizer a Jesus que aquele tu que amas está doente. Estava tudo dito. Que certeza tinham da amizade de Cristo!
Poucos dias depois, Jesus realizou seu maior milagre: a ressurreição de Lázaro (Jo 11, 17-44).
Na Missa do início do seu pontificado, em 24 de abril de 2005, Bento XVI dizia: «Só quando encontramos em Cristo o Deus vivo, conhecemos o que é a vida… Cada um de nós é querido, cada um de nós é amado, cada um é necessário. Não há nada mais belo do que ser alcançados, surpreendidos por Cristo. Não há nada de mais belo do que conhecê-Lo e comunicar com os outros a Sua amizade»…
»Quem faz entrar Cristo em si nada perde, nada absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta».
Está compreendendo por que dizemos que ser cristão é acima de tudo ser amigo de Cristo? Da parte dele, a amizade está garantida. Isso permitia a santa Teresa de Ávila definir, com toda a simplicidade, que «a oração mental não é, em meu entender, senão uma relação íntima de amizade, em que muitas vezes nos entretemos a sós com aquele que sabemos que nos ama»[1].
Essa certeza de ser amada, essa confiança, levava santa Teresa a familiaridades que, para nós, seriam chocantes. Assim aconteceu, por exemplo, que, quando num certo dia se queixava a Jesus de ter que padecer tantas dificuldades, Ele lhe teria respondido: «Teresa, é assim que eu trato meus amigos». E ela, com a franqueza da amizade: «Por isso tens tão poucos!».
Quando nos esforçamos por viver vida de fé e de oração, quando procuramos Jesus e o encontramos, como lembrávamos acima, o dia inteiro pode se transformar num diálogo de amigos entre Ele e nós.
Lembro que me contaram, há tempo, o caso de um menino de nove ou dez anos, que passando férias na praia, depois da Missa e do café da manhã, foi nadar, e falou assim com Jesus, que acabava de receber na comunhão: «Olha, Jesus, agora nós dois vamos mergulhar no mar, você irá comigo, e será como se fosse num submarino».
Quantas mulheres e homens comuns, cristãos com defeitos como nós, mas cheios de fé e amor, não falam muitas vezes ao dia com «o Grande Amigo que nunca atraiçoa»[2]: «Jesus ─ dizem-lhe ─, agora nós dois vamos sair à rua e pegaremos juntos o ônibus», «Jesus, vamos começar a trabalhar; me ajuda a fazer um trabalho bem feito, que te agrade», «Jesus, ajuda essa pobre menina, que está sofrendo com a doença da mãe», «Jesus, dá-me paciência para não me irritar com o chefe», «Jesus, faz com que esqueça o mau humor ao chegar em casa e dá-me um belo sorriso para a minha mulher – para o meu marido».
Quando você estiver confuso, quando duvidar da Providência de Deus, quando se sentir incapaz de vencer as tentações, quando reclamar de que ser cristão é só questão de imposições e obrigações, lembre-se destas palavras: «Jesus é teu amigo. – O Amigo. – Com coração de carne como o teu. – Com olhos de olhar amabilíssimo, que choraram por Lázaro… − E, tanto como Lázaro, te ama a ti»[3].
E diga-lhe então: «Como te fazes compreender, Senhor! Como te fazes amar! Tu te mostras como nós, em tudo menos no pecado, para que saibamos palpavelmente que contigo podemos vencer as nossas más inclinações, as nossas culpas. Que importância tem o cansaço, a fome, a sede, as lágrimas?… Cristo cansou-se, passou fome, teve sede, chorou. O que importa é a luta – uma luta amável, porque o Senhor permanece sempre ao nosso lado – para cumprir a vontade do Pai que está nos Céus» (Cf. Jo 4, 34)[4].

Do livro Procurar, encontrar e amar a Cristo, Cultor de Livros 2018
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[1] Livro da Vida, cap. 8
[2] Caminho, n. 88
[3] Ibidem, n. 422
[4] São Josemaria, Amigos de Deus, n. 201

“Que ames a Cristo”


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Ele nos amou primeiro

Há umas palavras de são Josemaria que eu desejaria manter sempre gravadas no meu coração, e gostaria que se gravassem na alma de muitos cristãos:
«Estar com Cristo é estar seguro.
»Poder-se olhar em Cristo é poder ser cada dia melhor.
»Tratar Cristo é necessariamente amar a Cristo.
»E amar a Cristo é garantir a felicidade» [1].
Nos textos anteriores refletimos sobre as frases «Que procures Cristo» e «Que encontres Cristo». Restam-nos umas últimas considerações a fazer sobre o terceiro item da trilogia que orienta estas reflexões: «Que ames a Cristo»[2].
Muito sobre o amor a Cristo já foi visto nas anteriores meditações. Mas há um ponto que é preciso colocar em destaque, e é este: O mais importante no amor de Cristo, não é o amor que nós lhe damos, mas o que Ele nos dá.
Nas palavras da despedida de Jesus, conversando com os Apóstolos na Última Ceia, há muitas frases impagáveis. Jesus despede-se deles e fala claramente de que será entregue, esquecido, abandonado, traído, torturado e morto. Mas, em vez de se queixar, desdobra-se em manifestações de afeto e de ânimo. Creio que lhe dou um conselho muito bom se lhe sugiro que leia e medite com frequência os capítulos 13 a 17 do Evangelho de são João.
Uma dessas frases impagáveis é a seguinte: Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor (Jo 15,9).
Você se dá conta do que Ele nos diz aqui? Antes de exigir-nos nada, pede-nos que permaneçamos na convicção, no calor, na gratidão, na certeza de seu amor por nós.
São João, que sabia disso, começa seu relato da Última Ceia com estas palavras: Sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o extremo (Jo 13, 1).
Até que extremo? Jesus o explica: Ninguém  tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos (Jo 15,13).
Dá-nos a sua vida é a dá na Cruz! Dá por você e por mim, fracos como os apóstolos, cheios de covardias e traições como eles. Quando pensamos nisso, entendemos o que afirmava um pregador: «Nós, com Cristo, podemos fazer o que quisermos: esquecê-lo, ofendê-lo, renegá-lo, crucificá-lo de novo. Mas há uma única coisa que não podemos fazer: conseguir que Ele não nos ame».
Os primeiros cristãos tinham viva consciência disso. Veja, se não, as seguintes expressões com que o manifestam:
  • São Paulo: A minha vida presente na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim (Gl 2, 20).
  • São João: Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos Ele amado primeiro, e enviado seu Filho para expiar nossos pecados (1 Jo 4, 8.10).
  • São Pedro, escrevendo aos fiéis perseguidos, depois de louvar a alegria que eles mantêm apesar das aflições, fala de Cristo. A esse Jesus ─ diz ─ vós o amais sem o terdes visto; credes nele sem o verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa (1 Pd 1, 6-8).
Aí está o verdadeiro “motor” da vida cristã, das nossas lutas, das nossas boas ações, da nossa fortaleza, do nosso arrependimento, da nossa confiança. O único motor é o amor. São Paulo o resume assim: O amor de Cristo nos constrange, é ele que nos impele (2 Cor 5, 14).
Diante disso, que faremos nós para sermos menos indignos desse amor? Há duas respostas importantes, que Cristo nos dá na Última Ceia:  Ele espera de nós que sejamos seus amigos, e que façamos a vontade de Deus. Meditaremos sobre cada uma dessas respostas.

Do livro de F.Faus Procurar, encontrar e amar a Cristo, Cultor de Livros 2018
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[1] São Josemaria Escrivá, En diálogo con el Señor, Edição crítico-histórica. Ed. Rialp, Madrid 2017
[2] Cf. Caminho, n. 382

sábado, 14 de julho de 2018

Uma oração esquecida



Humildade para ser o que Deus quer, nada mais.

A humildade é artigo raro entre nós. Somos orgulhosos, condicionados a ser o melhor, a ter o que há de melhor, a ser o campeão, o vencedor. Nossas orações dizem muito mais a respeito do que queremos, mas buscamos pouco o que Deus quer. Queremos ter status, o oposto do que teve Jesus, o oposto de uma antiga litania que já foi muito utilizada no culto cristão, mas depois da Reforma Protestante parece que foi esquecida, pelo menos pelos protestantes.


E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. — Mateus 6:7

Entendo que não precisamos decorar uma oração e repeti-la infinitas vezes na intenção de sermos ouvidos, mas o conteúdo de certas orações podem nos revelar verdadeiros tesouros e trazer grandes lições sobre o que ocupava a mente e o coração dos antigos cristãos.

Este é o caso da oração a seguir, chamada de “oração do cristão medieval” ou “oração do cristão anônimo”:


Ó Jesus, manso e humilde de coração, ouve-me. 

Livra-me, Jesus, 

do desejo de ser estimado,
do desejo de ser amado,
do desejo de ser exaltado,
do desejo de ser honrado,
do desejo de ser louvado,
do desejo de ser preferido a outros,
do desejo de ser consultado,
do desejo de ser aprovado, 

do medo de ser humilhado,
do medo de ser desprezado,
do medo de ser repreendido,
do medo de ser esquecido,
do medo de ser ridicularizado,
do medo de ser prejudicado,
do medo de ser alvo de suspeitas. 

E, Jesus, concede-me a graça de desejar 

que outros possam ser mais amados que eu,
que outros possam ser mais estimados que eu,
que na opinião do mundo outros possam crescer e eu diminuir,
que outros possam ser escolhidos e eu posto de parte,
que outros possam ser louvados e eu passe despercebido,
que outros possam ser preferidos a mim em tudo,
que outros possam tornar-se mais santos do que eu, 

contanto que eu me torne tão santo quanto devo ser.


Amém!

http://www.fesimples.com.br/2013/07/10/uma-oracao-esquecida/

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O poder da Adoração ao Santíssimo Sacramento


Será que você conhece o poder e os benefícios da adoração ao Santíssimo Sacramento podem trazer para a sua vida?

A adoração é a primeira atitude de quem se reconhece como criatura diante do seu Criador. Diante do Santíssimo Sacramento tudo se consome no amor e pelo amor.

A Igreja diz, através do Catecismo, que a adoração é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar ao Senhor é reconhecê-lo como Deus, como o Criador e Salvador, o Senhor e o Dono de tudo que existe, o amor infinito e misericordioso. A adoração do Deus único liberta o homem de se fechar em si mesmo, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo.


Adoração ao Santíssimo Sacramento, Cristo se faz presente

Ele está ali e está nos vendo com olhos humanos, sorrindo ou chorando conosco. No momento em que estamos diante do Santíssimo Sacramento, Jesus está diante de nós.

Existem inúmeras formas para adorar o Senhor: a adoração pode ser realizada na presença de Jesus na Eucaristia, em igreja ou em tabernáculo de capela. Ou pode ser feita diante da Eucaristia exposta no altar, por exemplo, em um ostensório.

Descobrindo o poder da Adoração ao Santíssimo Sacramento

– Adorar Jesus no Santíssimo Sacramento, além de nos encher de alegria, também amadurece nossa união com Ele; somos mais livremente conduzidos à celebração da Eucaristia e saudavelmente crescemos no amor a Deus e ao próximo.

– A Eucaristia estimula à conversão e purifica o coração. Reaviva nosso coração e nos impulsiona à celebração da Missa Dominical.

– O ato de adorar Jesus nos aproxima de Deus Pai, abre nosso coração para a ação do Espírito Santo, faz arder nosso coração quando lemos as Escrituras, especialmente os Santos Evangelhos e impulsiona-nos para irmos ao encontro dos irmãos, especialmente os mais necessitados.

– Adoração Eucarística é comunhão espiritual. Cada vez que eu rezo a Jesus na Eucaristia, eu estendo minhas Santas Comunhões do passado até o presente, e antecipo minhas futuras Comunhões.

– A adoração nos conecta ao próximo e ao mundo – afinal, estamos dedicando tempo ao Criador de tudo o que existe! Você começa a olhar mais para fora de si mesmo.

– Quanto mais se emerge no silêncio diante da Eucaristia, mais se compreende que a única resposta à grandeza de Deus é a maravilha, a admiração e o amor. Você desenvolve um sentimento de admiração e maravilha.

– A graça entra na sua vida. É incrível como um simples ato de compromisso com Deus, ainda que seja num curto período de adoração, faz diferença para o resto da sua vida! A graça o apoia em todos os momentos, especialmente nos de tentação. Fica mais fácil resistir à tentação quando se dedica mais tempo à Adoração.


– Na Adoração Eucarística, da mesma forma como eu consumo a Jesus espiritualmente, Ele também me consome; não apenas Se dá a mim, mas leva o meu íntimo para dentro de Seu coração, para dentro Dele Mesmo. Não somente faz com que eu O deseje; Ele me quer.

Como fazer uma adoração dinâmica
Abaixo apresentamos quatro meios e dinamismos orantes para que sua Adoração ao Santíssimo Sacramento seja poderosa e produza muitos frutos:


Agora, que você conhece todas as graças que a adoração oferece, aproveite para iniciar seu momento com Jesus. Dedique um tempo à Adoração Eucarística e deixe Deus transformar a sua vida!

http://www.copiosaredencao.org.br/o-poder-da-adoracao-ao-santissimo-sacramento/

sábado, 7 de julho de 2018

Não era necessário repetir a mesma coisa

Não era necessário repetir a mesma pergunta a padre Pio, mesmo que mentalmente. O marido de uma boa mulher estava muito doente. A senhora corre para o convento, mas ela se perguntava: "Como chegar ao padre Pio?” Ela teria que esperar pelo menos três dias se quisesse conhecê-lo para uma confissão. Assim, durante a missa ela caminhava de um lado para o outro, contando para Nossa Senhora das Graças qual era o seu problema e pedindo, ao mesmo tempo, a ajuda do padre Pio. Assim, após o término da missa, cruzou novamente a igreja para falar com o padre Pio. Alcançou-o, finalmente, num corredor onde ele normalmente passava. Ao vê-la, padre Pio disse: "Mulher com pouca fé, quando você vai parar de me pedir ajuda? Você pensa que eu sou surdo? Você já me falou isto cinco vezes quando você estava na minha frente, atrás de mim, do meu lado direito e do meu lado esquerdo. Eu entendi! Eu entendi!... Vá para casa! Tudo está bem”. De fato, ela encontrou o seu marido curado.

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Como praticar o silêncio na vida cotidiana

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O principal meio para uma vida mais contemplativa não é ter mais tempo, mas mais propósito

Três anos atrás, tive a oportunidade de fazer um retiro silencioso de 24 horas e experimentar a beleza e a calma da solidão e do silêncio prolongados. Foi repousante, senti-me mais ligada a mim mesma e a Deus, e voltei pronta para viver todos os dias com mais propósito. Mais notavelmente nas semanas seguintes, eu tinha mais energia para estar presente para as pessoas da minha vida.
O silêncio nos permite passar o tempo com nós mesmos; isso nos abre espaço para que nossos pensamentos cresçam em criatividade e se conectem com nossas emoções. O silêncio nos ajuda a diminuir a velocidade e reconhecer o que está acontecendo internamente, ao invés de responder continuamente ao estímulo externo. Isso nos oferece uma ruptura com a entrada constante de informações que vêm com a vida moderna.
Os benefícios do silêncio e da contemplação
Pesquisas mostram que as práticas contemplativas têm vários benefícios. Um estudo mostrou que tais práticas aumentam a percepção precisa da taxa de batimentos cardíacos, que melhoram a habilidade de falar do próprio estado emocional. Quando podemos pausar em silêncio, podemos verificar o nosso corpo e nossas emoções, o que nos ajuda a cuidar melhor de nós mesmos, além de aumentar a conscientização sobre o que estamos trazendo em nossos relacionamentos.
Outro estudo mostrou que a prática contemplativa regular tem múltiplos impactos positivos em nossos cérebros. Pode melhorar a memória de trabalho, a função de manter informações no curto prazo, como lembrar instruções ou sobre o que você estava trabalhando antes de ser interrompido. Também apresentou aumentar o seu “filtro verbal” e sua capacidade de manter a tarefa em direção a seus objetivos. Também ajuda a regulação emocional, nos permitindo sentir emoções sem ser dominado por elas.
Praticando o silêncio num mundo ruidoso
Muitos de nós teríamos dificuldade em identificar um momento no nosso dia em que experimentamos mais do que alguns minutos de silêncio. Quando não estamos conversando com os outros, preenchemos nosso espaço sonoro com diferentes tipos de mídia e, com o advento dos podcasts, sempre podemos ter algo para ouvir. Para alguns de nós, a ausência de som é quase surpreendente, pois nos sentimos automaticamente obrigados a ligar a TV ou o rádio.

O principal meio para uma vida mais contemplativa não é ter mais tempo, mas mais propósito

Outros desejam o silêncio, mas parece difícil. Temos dias complicados, cheios de crianças barulhentas ou colegas de trabalho inquietos. Nós temos pessoas em nossas vidas que precisam de conexão e da nossa presença, e o tempo para si mesmo não parece se encaixar na mistura durante essa temporada de vida. Mesmo com tempo e oportunidade, parece que há outro item na lista de tarefas que precisa ser concluída antes de poder descansar na quietude.
Há momentos ao longo do dia que você pode integrar o silêncio no seu dia se você ficar de olho neles. Se você é um pai/mãe que fica em casa, você pode dedicar os primeiros 15 minutos de um descanso para silenciar. Se você trabalha, considere deixar seu telefone na sua mesa e dar um passeio na hora do almoço, ininterrupto. Tire cinco minutos durante o dia para olhar pela janela e fixar-se no instante presente.
As práticas de silêncio nem sempre devem ser estacionárias. Se você regularmente usa fones de ouvido na academia, considere deixá-los de lado uma vez por semana e preste atenção ao que está acontecendo dentro de você, incluindo pensamentos e emoções. Considere andar devagar durante a transição, como andar do seu carro até o prédio de escritórios, levando um momento para perceber seu próprio corpo e seus próprios sentimentos, antes de entrar no seu dia. Ou se você estiver em casa, encontre uma parte calma da sua casa para que você possa sentar-se por 2 a 10 minutos ininterruptos e, intencionalmente, ficar em silêncio.
Um simples começo para silenciar é desligar os aparelhos eletrônicos. Uma vez por semana, volto para casa do trabalho e faço o jantar enquanto o resto da minha família está fora. Enquanto antes eu costumava ouvir rádio, fiz uma prática de cozinhar em silêncio, permitindo que a quietude da casa crie espaço para meu próprio ser, pensamentos e emoções. Em primeiro lugar, o silêncio era desconfortável, pois me sentia aborrecida ou dominada por meus próprios pensamentos. No entanto, uma das chaves para o silêncio é reconhecer que, como a maioria das coisas que são boas para nós, é difícil no início, mas fica mais fácil com o tempo. Outros fizeram uma prática de dirigir sem o rádio, ao invés de preencher o tempo silencioso em seu carro.
Definir um temporizador pode ser uma boa maneira de se permitir estar presente sem se preocupar com o tempo. Passar pelo menos 20 minutos em silêncio produz muitos benefícios, simplesmente começar com dois a cinco minutos pode ter um impacto profundo no seu humor e consciência, especialmente se praticado ao longo do dia.
Definir um propósito
Se pensarmos em práticas contemplativas apenas em termos de visitar um mosteiro por um dia, nunca teremos tempo para praticar o silêncio. No entanto, mesmo os mais ocupados de nós pode tirar pequenos períodos de silêncio e decidir fazer uma pequena pausa na vida ocupada. O principal meio para uma vida mais contemplativa não é ter mais tempo, mas mais propósito. Usar o tempo que já estamos gastando – dirigindo, sentado em casa, lavando a louça – e decidindo praticar o silêncio, virando para dentro e ficando quieto.

https://pt.aleteia.org/2018/03/04/como-praticar-o-silencio-na-vida-cotidiana/2/