domingo, 19 de agosto de 2018

Os 10 passos da oração carmelitana

Teenagers praying

"Se todos os dias formos fiéis a este caminho de oração, em pouco tempo a nossa vida será transformada e comprometida"

O caminho do método da oração carmelitana é o mais simples de todos:
A oração é um íntimo diálogo de amor com Aquele que sabemos que nos ama” (Santa Teresa)
Um olhar lançado para o céu, um desabafo do coração” (Santa Teresinha)
Procurai lendo e encontrareis meditando; batei orando e abrir-se-vos-á contemplando” (São João da Cruz).

Os 10 passos da oração carmelitana

1- Uma “determinada determinação” de rezar

Decidir-se a rezar todos os dias, em todos os momentos; determinar um tempo para a oração diária, para “estar a sós com Aquele que sabemos que nos ama”. Não desistir.

2 – Preparação remota

Criar um ambiente externo de “silêncio e recolhimento” e um ambiente interior: “presença de Deus, atenção aos sinais dos tempos e dos lugares que nos falem de Deus”, para saber reconhecer Deus que nos visita.

3 – Preparação próxima

Um pouco antes da oração, desligar-nos de tudo o que pode nos perturbar, preocupar. Todo encontro que é amor se prepara com antecedência e se deixa tudo por ele. Saber dar espaço para que Deus bata à nossa porta. Ele quer entrar e estar conosco no nosso “castelo interior”.

4 – Presença de Deus

É o momento importante quando, invocando o Espírito Santo, nos dispomos a rezar. Reza-se rezando. É o Espírito Santo o mestre da nossa oração: deixe que Ele reze em você. Invocar o Senhor.

5 – Leitura meditativa

É sempre bom se ajudar, quando o coração está árido, com uma leitura: preferencialmente da Bíblia, mas pode ser de qualquer outro livro espiritual católico. Santa Teresa sempre levava um livro na sua oração. Ler “lenta-atenta-amorosamente” para saborear a palavra de Deus.

6 – Meditação

Refletir e aplicar à nossa vida a palavra lida. Um trabalho da mente muito importante. Deus nos fala e quer que nós compreendamos a Sua palavra de amor. É sempre importante escolher um tema para meditar. A improvisação em nenhuma coisa é boa.

7 – Diálogo afetivo ou amoroso

Coração da meditação carmelitana”: deixar expandir o coração, falar com Deus a partir da vida, do cotidiano, não ter pressa, não ter medo, dizer ao Senhor que nos ama tudo o que se passa em nosso coração. É o face a face. É o deixar-se amar por Ele.

8 – Compromisso

Todo encontro oracional deve ser confirmado, consagrado num compromisso concreto, viável, que fecunde a nossa vida e nos torne sinais verdadeiros da presença de Deus. Evitar compromisso teórico e barato. O que hoje quero fazer a partir da minha meditação?

9 – Agradecimento

Depois de todo encontro de amor, de amizade, sentimos a necessidade de agradecer. Podemos agradecer com o coração, com as nossas palavras ou com textos que nos façam bem: “Magnificat, Pai-nosso…”.

10 – Volta ao trabalho

De coração novo, com empenho e compromisso. Depois da oração não estamos mais sozinhos. Deus vai conosco, as três Pessoas da Trindade trabalham conosco. É vida nova, é paz, compromisso, amor concreto.
Se todos os dias formos fiéis a este caminho de oração, em pouco tempo a nossa vida será transformada e comprometida.
Na realidade, a oração é um descanso, um repouso. É aproximar-se com toda a simplicidade daquele que se ama. É permanecer junto a Ele como um filhinho nos braços de sua mãe, num abandono do coração” (Beata Elizabete da Trindade).
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A partir de texto do frei Patrício Sciadini, ocd – Centro Teresiano de Espiritualidade, via Franciscanos.org

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Conselhos e oração de São Boaventura para pedir a proteção de Maria contra o mal

YOUNG,MAN,PRAYING

Os escritos de São Boaventura foram utilizados pelos Papa Pio XII na instituição do dogma da Assunção de Nossa Senhora ao céu

São Boaventura (1274) foi o quinto ministro geral da Ordem Franciscana. Tinha um grande amor e devoção a Virgem Maria e era convencido de que Deus preservou Maria Santíssima da violação do pudor e garantiu sua integridade virginal da concepção ao parto, não permitindo que seu corpo de desintegrasse. 
Foram tantos os seus escritos sobre o tema que o santo é, inclusive, citado na constituição apostólica Munificentissimus Deus. Vale lembrar que foi neste documento que o Papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção de Maria ao céu.
Recordemos este grande amor de São Boaventura pela Virgem Maria com estes conselhos e uma pequena oração:
“Em todo tempo, tenha uma grande e amorosa veneração à gloriosa Rainha, Mãe de Nosso Senhor. Em todas as suas necessidades e em todas os seus sofrimentos, recorra a Ela como ao mais seguro dos refúgios, implorando proteção. Tenha-a como advogada e entregue-lhe, com devoção e confiança, a sua vida, pois ela é a Mãe de misericórdia. Ofereça-lhe todo dia um testemunho especial de veneração. E, para que sua devoção seja acolhida favoravelmente e seus obséquios lhe sejam agradáveis, imite a pureza da Mãe, conservando puros o seu corpo e sua alma e esforçando-se para seguir os passos dela através da humildade e da mansidão”.
Oração 
Rainha dos Céus, vós que, em virtude de vossa prerrogativa de Mãe Deus, podeis ordenar as autoridades do inferno, impedi os demônios de causar-nos o menor dano, e fazei que os anjos nos protejam e nos preservem de todo mal e perigo. Amém.

A verdade nos faz livres

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O conhecimento da lei e, de maneira geral, o conhecimento da Palavra do Senhor habilita o homem a uma vida livre de desventuras, isto é, uma vida feliz, em troca, desconhecê-la ou desprezá-la é caminhar nas trevas, ou ser como barco sem leme, à deriva. Viver na verdade é consequência do conhecimento da Palavra de Deus, e já sabemos que a verdade nos faz livres. 

Rodapé da Bíblia da Ave Maria de Estudos
Eclisiásticos 33, 1-6

O vício nas redes sociais

SMARTPHONES SOCILA MEDIA

Facebook e Twitter foram criados intencionalmente para agir como “cocaína”, segundo documentário da BBC

Segundo um novo documentário da série “Panorama”, da BBC, as empresas de mídia social se esforçam para nos deixar viciadas em seus serviços.
A reportagem, que foi ao ar recentemente, tenta decifrar por que as pessoas estão cada vez mais grudadas em seus smartphones e consumidas pelas redes sociais.
Entrevistas com pessoas que trabalharam nesse setor revelam como as companhias desenvolveram deliberadamente tecnologia de formação de hábitos para atrair usuários, e investigam como a ciência comportamental tem sido usada para manter as pessoas sempre checando seus telefones.
Por exemplo, características como rolagem infinita e o botão “curtir” fazem com que os indivíduos permaneçam ligados nas redes sociais por mais tempo do que o necessário, bem como alimentam suas inseguranças.

Rolagem infinita

Um dos entrevistados é Aza Raskin, que já trabalhou para a Mozilla e a Jawbone, criador da “rolagem infinita”, recurso que permite que um usuário deslize pelo conteúdo infinitamente sem ter que clicar em nada.
“Se você não der tempo ao seu cérebro para ele alcançar seus impulsos, você continua rolando”, explicou à BBC.
Raskin não pretendia deixar as pessoas viciadas, mas se sente culpado pelo impacto de sua inovação. No entanto, esse é agora apenas um dos vários elementos que as plataformas de mídia social usam para atrair usuários.
“É como se [as plataformas] espalhassem cocaína comportamental por toda a sua interface, e é isso que faz você voltar e voltar e voltar – disse. Por trás de cada tela do seu telefone, geralmente há, literalmente, mil engenheiros que trabalharam nela para tentar torná-la mais viciante.”

Curtir sem curtir

Outra entrevistada do documentário é Leah Pearlman, cocriadora do botão “curtir”, do Facebook, ao lado de Justin Rosenstein.
Ela admitiu à BBC que, como outros usuários, também ficou viciada no serviço de mídia social ao buscar curtidas em suas postagens. “Quando eu preciso de validação, eu vou verificar o Facebook. Se estou me sentindo sozinha, vejo o meu telefone. Se estou me sentindo insegura, vou checar meu telefone”, contou.
No ano passado, Rosenstein declarou que o botão “curtir” levara a um aumento no “clickbait” (também chamado de “caça-clique”, esse termo se refere ao conteúdo da internet destinado à geração de receita de publicidade online, geralmente às custas da qualidade e precisão da informação).
Rosenstein fez ainda uma outra crítica ao recurso, insinuando que ele criou um problema de “distribuição” de tempo: “Mesmo que as pessoas ‘curtam’ coisas, não é necessariamente tempo bem gasto”, disse.

De propósito?

Enquanto algumas redes sociais se recusaram a fazer comentários, o Facebook e o Instagram negam que seus serviços sejam deliberadamente projetados para ser viciantes.
“As alegações que surgiram durante o processo de produção do Panorama da BBC são imprecisas. O Facebook e o Instagram foram projetados para aproximar as pessoas de seus amigos, familiares e das coisas de que gostam. Isso pode ser se conectar com pessoas queridas que moram longe, ou se juntar a uma comunidade de pessoas que compartilham seus interesses, ou apoiar as causas mais importantes para você. Esse propósito está no centro de todas as decisões de projeto que fazemos, e em nenhum momento queremos que algo seja um fator viciante nesse processo”, disse um porta-voz das mídias sociais.
No início de 2018, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, fez alterações na rede social para aumentar o “tempo bem gasto” no site, mas o próprio encarregado do “News Feed”, Adam Mosseri, já admitiu que a empresa ainda está “tentando entender” exatamente o que isso significa.

(Via Hypesciencie /Cnet)

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Olhar com Cristo

Levantai os vossos olhos

Nos começos da vida pública de Jesus, há uma passagem que não nos pode deixar indiferentes.
São Mateus narra que Jesus percorria todas as cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e enfermidade.
A seguir, revela quais eram os sentimentos de Cristo naquela sua incansável dedicação a todos:
Vendo a multidão, ficou tomado de compaixão, porque estava enfraquecida e abatida como ovelhas sem pastor. Disse, então, a seus discípulos: «A messe é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários à sua seara (Mt 9, 36-38).
Doía a Jesus no coração contemplar tanto abandono, tanta dor, tanta carência: tantos sofrimentos físicos (doença, violência, miséria, pobreza) e morais (ignorância, descrença, infidelidade, engano, manipulação); e, por isso, ansiava por discípulos contagiados pelo fogo do seu amor, que percebessem que essa situação do mundo os interpela, os chama a dar e a dar-se ─ sobretudo a dar-se ─ incansavelmente, decididos a serem outros Cristos para os demais.
Jesus mostra esses mesmos sentimentos do coração, após a conversa com a mulher samaritana. Sentado junto do poço de Sicar, Ele fica sozinho. Os apóstolos tinham ido comprar mantimentos e, ao voltarem, encontram-no ensimesmado, absorvido em seus pensamentos.
─ Mestre, come, dizem-lhe. E Ele responde: Eu tenho um alimento que vós não conheceis… Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e completar a sua obra.
Logo a seguir, ergue a cabeça e percorre com o olhar as terras de lavoura que tem ao seu redor. Abre, então, o coração e convida os discípulos: Levantai os vossos olhos e vede os campos, que já estão branquejando para a ceifa (Jo 4, 31-35).
Há no mundo uma imensa colheita pronta e à espera, mas que se pode perder pelas nossas omissões.
Os campos são os homens e mulheres, jovens e velhos, sãos e doentes, cultos e incultos, que, no mundo, padecem necessidade de pão cotidiano e de Deus, pois são literalmente ovelhas sem pastor. Não tem luz, não têm orientação, são vítimas dos abusos do materialismo, da ganância que explora, da infâmia das drogas, da ignorância religiosa (a carência da verdade que lhes deveriam ter ensinado e não lhes ensinaram), das propagandas ideológicas que parecem cozinhadas no forno do pai da mentira (Jo 8, 44).
Que faremos nós para levar o amor, o auxílio, a verdade, a caridade de Cristo a esse  mundo que gira sem rumo e enche milhões de vidas de vazio e decepção.
Lembro que, em maio de 1974, são Josemaria, reunido em São Paulo com muitos estudantes, os incentivava ─ à imitação de Jesus ─ a levantarem os olhos: «As pessoas – dizia-lhes– estão tristes. Fazem muito barulho, cantam, dançam, gritam – mas soluçam. No fundo do coração, só têm lágrimas: não são felizes, são desgraçados” [1]. E os exortava a levar a todos a alegria de Cristo.
Muitos encontram-se, como dizia de si mesmo Gustavo Corção antes da sua conversão, «numa encruzilhada, como quem tivesse feito uma caminhada fatigante por estradas de pedra e lama, e visse cair a tarde chuvosa diante de uma divergência de caminhos que não iam ter a nenhum lugar»[2]
Muitos anos atrás, são Josemaria tinha dado um diagnóstico, que continua sendo válido agora, e o será enquanto o mundo for mundo: «Um segredo. – Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos. – Deus quer um punhado de homens “seus” em cada atividade humana. – Depois… pax Christi in regno Christi – a paz de Cristo no reino de Cristo»[3].
Depois do que estivemos meditando nestas páginas, você não se anima a acolher essa interpelação divina, o apelo que Jesus nos faz a todos: Eu vos escolhi e vos destinei para que deis fruto, e um fruto que permaneça (Jo 15, 16)?
Se você quiser encontrar a resposta definitiva que faça sorrir Jesus, seu Amigo, penso que uma boa solução será aplicar a si mesmo o pensamento com que o livro Caminho começa, e que já ajudou muitas mulheres e homens a dar uma virada decisiva às suas vidas[4]. Um pensamento com que nós vamos terminar estas reflexões:
« Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina com o resplendor da tua fé e do teu amor. – Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. – E incendeia todos os caminhos da terra com o fogo de Cristo que levas no coração»[5].

Do livro de F. Faus Procurar, encontrar e amar a Cristo, Cultor de Livros 2018

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[1] Salvador Bernal, Perfil do Fundador do Opus Dei, Quadrante, São Paulo, 1978, p. 264
[2] A descoberta do Outro, Ed. Agir, Rio de Janeiro 1955, p. 34
[3] Caminho, n. 301
[4] Vale a pena ler o livro – por ora, eletrônico – que pode encontrar no site opusdei.org/es : Javier Medina-Michele Dolz, Compañeros de Camino, Fundação Studium 2017. Está sendo preparada a edição brasileira
[5] Caminho, n. 1

Liberdade I: O que é a liberdade?

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Liberdade I: Entender a liberdade
Um pequeno diálogo

Todos amamos a liberdade. Vemos nela um valor imprescindível para podermos ter uma vida autenticamente humana. Mas, será que entendemos o que é a liberdade?
Que diria – vamos supor – uma menina estudante, uma adolescente comum, se lhe perguntássemos: – Você acha que alguém é capaz de viver autenticamente sem liberdade?
Eu não duvido de que a sua resposta seria: – Não! E provavelmente acrescentaria mais um comentário: – Se não tenho liberdade, não posso fazer nada. Como posso me realizar? Se estou presa, dependente em tudo dos outros, como posso ser eu mesma?
– Ou seja que, para você, a liberdade consiste em…?
– Em poder fazer o que eu quero, sem imposições nem “podações”!
– O quê?
– Sem que me imponham o que tenho que fazer nem me “podem” a toda a hora: “Não pode sair”, “Não vai viajar sozinha com esses amigos”, “Se não voltar antes de tal hora, ficará proibida de ir a outras festas”…
– Certo, certo. Se não entendi mal, você quer dizer que, para ser livre, precisa de duas coisas: em primeiro lugar, de não ser impedida por outros (de não estar amarrada por imposições e proibições); e, em segundo lugar, de poder fazer o que quer.
– Exatamente. Ser livre é poder fazer o que eu quero.
Muito bem. Tomo nota desta última frase, que lembraremos mais adiante. Agora, vamos refletir um pouco sobre as tais duas coisas.
A primeira – não estar tolhidos pelos outros – é importante, mas eu diria que não é a mais importante para se ter uma autêntica liberdade. Mesmo um prisioneiro escravizado num campo de concentração pode possuir uma liberdade interior mais profunda que a dos seus carcereiros livres. Sobre isto haveria coisas muito bonitas a dizer, mas aqui não é o lugar.
A segunda coisa – poder fazer o que se quer – parece-me mais interessante. Mas precisa de ser bem compreendida, porque, se não, estragamos tudo…
Para nos entendermos melhor, será bom pensarmos em dois tipos de falsa liberdade, que nos ajudarão a enxergar a verdadeira.
Duas falsas liberdades
Imagine, em primeiro lugar, que observa na rua um homem que, de olhos esbugalhados e soltando grandes gargalhadas, vai batendo com um tijolo na cabeça dos velhinhos, arrancando bebês dos braços das mães e atirando-os como bolas de basquete para o outro lado da rua, quebrando as vitrines das lojas e deitando-se no meio da rua, lá onde o fluxo dos carros é maior. O que você diria? Que está doido varrido, não é? E, no entanto, você tem que concordar comigo em que ele está “fazendo tudo o que quer”, enquanto não lhe puserem a camisa-de-força. Faz tudo o que lhe dá na telha, só que… está mal da telha, e isso o torna um caso patológico, e não um autêntico homem livre. Quando falta a razão, não se pode falar em liberdade, mas em loucura.
Já temos uma primeira condição da autêntica liberdade: deve ter como base a razão, a compreensão inteligente da realidade. Só em cima desse conhecimento racional é que se pode exercitar a liberdade, é que se pode querer, escolher, decidir conscientemente qualquer coisa. Por isso, uma boa definição de liberdade inclui necessariamente a idéia de reflexão, de decisão lúcida. Veja a que dá o Catecismo da Igreja Católica: “A liberdade é o poder, baseado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, portanto de praticar atos deliberados” (n. 1731).
O que acabamos de ver complementa-se com a consideração de um segundo tipo de falsa liberdade, a que poderíamos chamar liberdade de destruição. Não é como a do louco, pois esta segunda liberdade baseia-se na razão, na inteligência e, muitas vezes, até numa extraordinária inteligência, e nuns raciocínios extremamente lógicos e bem concatenados…, mas está toda ela orientada para o mal. É a liberdade dos gângsters, dos mafiosos, dos traficantes de drogas, dos contrabandistas de armas, dos matadores profissionais, etc, etc. Pensam, planejam, arquitetam tudo muito bem, decidem e “fazem o que querem”, mas o que querem é um mal objetivo, um mal que destrói.
Isto ajuda-nos a ver por que a liberdade pôde ser comparada à energia atômica: porque, como ela, possui um enorme poder, que tanto pode ser utilizado para o bem como para o mal, para aniquilar de uma vez milhões de seres humanos ou para fornecer energia a milhares de cidades e de fábricas. Todas as pessoas sensatas concordam em que só é humano e certo usar a energia atômica para uma finalidade construtiva e boa. Da mesma forma, todas as pessoas inteligentes e sensatas podem compreender que a liberdade só é humana (e, por isso, autêntica) quando se utiliza visando uma finalidade construtiva e boa.
Acabamos, assim, de pôr diante dos olhos um segundo elemento importantíssimo – ao lado da razão – para a liberdade: a finalidade.
Toda a liberdade, de fato, é desejada e exercitada para alcançar uma finalidade (liberdade para namorar, para viajar, para amar, para ter essas amizades, para estudar isto ou aquilo, para gozar dos prazeres da vida, etc.). Não existe verdadeira liberdade sem um fim. A pessoa que diz “Quero ser livre para ser livre”, ou está dizendo uma tolice, ou na realidade está querendo dizer “Eu quero ser livre para fazer tudo o que o meu egoísmo desejar”, ou por outras palavras, “Eu quero a liberdade para fazer tudo o que, em cada momento, me apetecer”, com o que declara nitidamente a finalidade para a qual quer a sua liberdade: para o seu capricho e o seu interesse puramente egoísta.
finalidade, em função da qual queremos ser livres, é o indicador da categoria e da autenticidade da nossa liberdade. Liberdade para o bem, para o mal…, ou paranada (para o vazio de uma vida inútil).

Poder fazer o que queremos
No início deste texto, víamos a resposta que uma adolescente daria provavelmente à pergunta sobre o que é a liberdade: – “Ser livre é poder fazer o que eu quero”.
Lembrando-nos das duas características da boa liberdade que acabamos de considerar – razão, inteligência lúcida para escolher; e finalidade boa -, podemos comentar a essa menina:
– Você fala-me de “poder fazer o que quer”. Muito bem. Então, diga-me o que quer, na vida, e por que o quer.
Talvez você me retruque dizendo que lhe é impossível responder, porque, realmente, quer muitas coisas e por motivos muito diversos, e não dá para enumerá-los todos. Mas, se pensar devagar sobre qual é a finalidade mais profunda por que você quer todas as coisas que deseja na vida, penso que acabará dizendo: “Eu quero tudo o que me leve a ser feliz, tudo o que leve à minha realização, ao meu bem”.
Com isso terá expressado algo de muito verdadeiro, pois é isso mesmo o que, no fundo – no fundo do fundo -, todos nós queremos: o nosso bem, a realização plena da nossa vida. Essa é a finalidade básica a que todos aspiramos. Ninguém, a não ser um demente, quer o seu mal.
Acontece, porém, que a maioria dos que querem a sua realização, o seu próprio bem, mesmo que disponham de toda a liberdade possível, não o alcançam. São livres, podem usar a sua liberdade, mas fracassam.
Aqui vale a pena iniciar uma reflexão que é de importância capital. Não basta, com efeito, dispor da liberdade, ou seja, estarmos livres de imposições, restrições e amarras, para sermos autenticamente livres. A nossa liberdade pode revelar-se uma falsa liberdade – inútil e frustrante – por três motivos:
1) Porque nos falta lucidez, quer dizer, porque o nosso raciocínio, o nosso modo de pensar na vida e nas coisas da vida, é confuso ou errado. Pensamos mal e, por isso, escolhemos mal.
2) Porque, ainda que pensemos bem, quando chega a hora de “fazer o que queremos” (no caso, o que é bom, o que verdadeiramente nos vai realizar), não “podemos”, devido à fraqueza da nossa vontade.
3) E finalmente, porque, mesmo começando a andar com lucidez e entusiasmo pelos caminhos bem escolhidos da nossa realização, pode suceder que não sejamos capazes de chegar até ao final por nos faltarem as forças necessárias; e que então desistamos, sucumbamos antes de termos atingido nenhuma meta.
Cada um desses três perigos, cada uma dessas doenças da liberdade, pede um comentário, que o visitante do site poderá encontrar nos textos numerados sobre a liberdade, que irão aparecendo a seguir.

(Adaptação de um trecho do livro de F. Faus: Autenticidade & Cia)

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Oração poderosa para antes de dormir

Uma oração da noite especial para inundar seu coração de paz

Meu Pai, agora que as vozes silenciaram e os clamores se apagaram, aqui ao pé da cama minha alma se eleva a Ti, para dizer:
Creio em Ti, espero em Ti, e amo-te com todas as minhas forças, glória a Ti, Senhor!
Deposito nas tuas mãos a fadiga e a luta, as alegrias e desencantos deste dia que ficou para trás.
Se os nervos me traíram, se os impulsos egoístas me dominaram, se dei lugar ao rancor ou à tristeza, perdão, Senhor!
Tem piedade de mim.
Se fui infiel, se pronunciei palavras em vão, se me deixei levar pela impaciência, se fui um espinho para alguém, perdão Senhor!
Nesta noite não quero entregar-me ao sono sem sentir na minha alma a segurança da tua misericórdia, a tua doce misericórdia inteiramente gratuita.
Senhor! Eu te agradeço, meu Pai, porque foste a sombra fresca que me cobriu durante todo este dia.
Eu te agradeço porque, invisível, carinhoso e envolvente, cuidaste de mim como uma mãe, em todas essas horas.
Senhor! Ao redor de mim tudo já é silêncio e calma.
Envia o anjo da paz a esta casa.
Relaxa meus nervos, sossega o meu espírito, solta as minhas tensões, inunda meu ser de silêncio e de serenidade.
Vela por mim, Pai querido, enquanto eu me entrego confiante ao sono, como uma criança que dorme feliz em teus braços.
Em teu nome, Senhor, descansarei tranquilo.
Assim seja! Amém.