quarta-feira, 31 de outubro de 2018

OS SALMOS, NOSSO ESPELHO – SE O SENHOR NÃO EDIFICA A CASA…


─ Se o Senhor não edificar a casa, é inútil que trabalhem os que a constroem. Se o Senhor não guarda a cidade, em vão vigia a sentinela(Salmo 127,1).
─ Porque tu és, ó Deus, a minha fortaleza (Salmo 43,2). 
Esses dois versículos são um facho de luz. Eles nos transmitem uma verdade fundamental, que todos os santos compreenderam e experimentaram.  Sem a graça de Deus, não podemos conseguir nenhum bem sobrenatural, nada que tenha valor cristão.
São Paulo, depois da conversão, olhava para trás e considerava que, antes de que Cristo o conquistasse, ele era como um aborto, pois nem “vivia”, não tinha renascido ainda  pelo batismo (cf. 1 Cor 15,8).
Uma vez convertido, pelo contrário exclamava: Para mim o viver é Cristo! Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim! (cf. Fl 1,21 e Gl 2,).
Firme nessa convicção, dava graças Deus com umas belas palavras que talvez alguns não entendam bem (1 Cor 15,8-10).  Falava aos fiéis de Corinto das aparições de Jesus ressuscitado, e dizia: Por último, apareceu também a mim, que sou como um aborto. Pois eu sou o menor dos apóstolos, que nem mereço o nome de apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus. É pela graça de Deus que sou o que sou.
É um grande ato de humildade. Mas logo depois dessa confissão humilde, acrescenta: E a graça que Deus reservou para mim não foi estéril; a prova disso é que tenho trabalhado mais do que todos eles.
Como se entende isso? Não é vanglória? Diz que é o menor dos apóstolos e, ao mesmo tempo, afirma ter trabalhado mais do que todos eles.
Não há contradição. Tão humilde é essa segunda afirmação como a primeira, por duas razões: primeiro, porque a humildade é a verdade, e Deus se serviu de Paulo para converter milhares de almas em muitos lugares; depois porque reconhece que foi Deus quem lhe concedeu essa eficácia assombrosa: Tenho trabalhado mais do que todos eles, não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo.
Assim, ele nos ensina que, na vida cristã, deve haver sempre uma “simbiose” de suas virtudes:
─ Humildade. “Eu, só com minhas forças, sem a graça de Deus, nada conseguirei”
─ Confiança.”Com a graça, meu nada poderá tudo”.
Humildade e confiança. Humildade e coração grande, cheio de esperança.
Depois disso, pense um pouco e verá que o que esteriliza a nossa vida de filhos de Deus é a autossuficiência arrogante: “Com a minha cabeça, com os meus planos, com a minha força de vontade, com o meu esforço, eu vou conseguir …”. Esquecemos que Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (1 Pdr 5,5).
São Paulo, antes de ser conquistado por Cristo (Fl 3,12) experimentou o sofrimento da alma privada da graça divina: Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero… Infeliz que eu sou! Quem me libertará deste corpo de morte? Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor! (Rm 7, 19.24-25).
Depois de se ter revestido de Cristo, pelo batismo, e de ter recebido o Espírito Santo, a perspectiva mudou cento e oitenta graus: Posso tudo naquele que ma dá forças (Fl 4, 13).
Quando captamos pela fé essas verdades, Deus cria em nós as “asas” de duas certezas indiscutíveis:
1ª) Sem estarmos unidos a Deus, sem recorrer às fontes da graça ( os Sacramentos, a oração, a mortificação, as virtudes…), a nossa vida cristã é um baldio estéril. Sem mim, nada podeis fazer, disse Jesus depois de se ter comparando a si mesmo com o pé da videira, que envia aos ramos a seiva que lhes dá vida e fruto (Jo 15, 1-8).
2ª) Contando com a “seiva” divina, isto é, com a graça, você nunca pode cair no pessimismo. Jamais deve admitir pensamentos como estes: “não consigo”, “não posso”, “já tentei”, “caio nos mesmo pecados uma e outra vez”, “mesmo que me confesse vinte vezes não me corrijo”, etc.
Confie! Ponha todo o seu esforço e boa vontade nas mãos de Jesus, e não renuncie a alcançar as virtudes, mesmo que demore anos e anos. Com a esperança em Deus, nunca pare de correr em direção à meta da santidade. Tudo poderá  naquele que nos dá forças (Fl 3,13-14 e 4,13).
«Não desanimes, escreve o Papa Francisco, porque tens a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade e, no fundo, esta é o fruto do Espírito Santo na tua vida (cf. Gal 5, 22-23). Quando sentires a tentação de te enredares na tua fragilidade, levanta os olhos para o Crucificado e diz-Lhe: “Senhor, sou um miserável! Mas vós podeis realizar o milagre de me tornar um pouco melhor”. Na Igreja, santa e formada por pecadores, encontrarás tudo o que precisas para crescer rumo à santidade» (Exortação apostólica Gaudete et exsultate, n. 13).
─ O Senhor ampara todos os que caem e reergue todos os combalidos. 

Os olhos de todos em ti esperam (Salmo 145,14-15).

NOSSO EGOCENTRISMO

“A frutificação da nossa vida depende, em grande parte, da habilidade em duvidar das nossas próprias palavras e em desconfiar do valor do nosso trabalho. O homem que confia inteiramente no conceito em que se tem é condenado à esterilidade. Só uma coisa ele exige a uma ação, que seja feita por ele. Se é ele quem a pratica, deve ser boa. Suas palavras devem ser infalíveis. O carro que acabou de comprar é o melhor desse preço. E isso exclusivamente porque foi ele quem o comprou. Não querendo outros frutos, ele não obtém geralmente senão estes.”

Homem algum é uma ilha
(Agir 6ªEd. 1976) pág. 116

A SEMPRE REPETIDA MESMIDADE

“Aqui devemos fazer uma pequena pausa para considerar a diferença entre uma visão secular e uma visão sagrada da vida. A expressão ‘o mundo’ é talvez muito vaga. Não se refere simplesmente a ‘tudo que está em torno de nós’ ou ao universo criado. O universo não é mau, é bom. O ‘mundo’, no mau sentido, certamente não é o cosmos, embora escritos de alguns autores cristãos neoplatônicos surgiram este significado para expressão. Para eles saeculorum é o que é temporal, o que muda, da volta e retorna ao ponto de partida. Isso se deve a influências gnósticas e platônicas que se infiltraram no cristianismo, persuadindo os homens de que o universo é regido por anjos mais ou menos caídos (‘as potências dos ares’). Nosso adjetivo ‘secular’ é proveniente do latim saeculum, que significa tanto ‘mundo’ quanto ‘século’. A etimologia da palavra é incerta. Talvez esteja relacionada ao grego kuklon, ‘roda’, do qual tiramos ‘ciclo’. Portanto, originariamente, o ‘secular’ era o que percorre, interminavelmente ciclos sempre recorrentes. Isto é o que faz ‘a sociedade mundana’ cujos horizontes são de uma sempre repetida mesmidade:
               Uma geração vai, uma geração vem, e a terra sempre permanece. O Sol se levanta, o Sol se deita, apressando-se a voltar ao seu lugar e é lá que ele se levanta. O vento sopra em direção ao sul, gira para o norte, e girando e girando vai o vento em suas voltas (...) o que foi, será, o que se fez, se tornará a fazer: nada há de novo debaixo do Sol! (...) Vaidade das vaidades, tudo é vaidade. (Ecl 1).”

(Martins Fontes, 2007) Pág. 72

sábado, 27 de outubro de 2018

A lista dos pecados – Seriedade do segredo de Confissão



Naquele tempo em que não se podia fazer a Primeira Comunhão antes dos 10 anos,  um  rapazinho  chamado  Pedro  ia confessar-se a fim  de  se  preparar  para   o primeiro  encontro  com  Jesus  na  Eucaristia. Era também  o  dia  da  sua  primeira Confissão. Fez o exame de consciência, e para não esquecer nenhum pecado, escreveu-os  todos num papel, cuidadosamente.
Era uma lista comprida que aumentava com qualquer nova falta que lhe viesse ao pensamento.
“Roubei duas maçãs no mercado… Puxei pelo rabo o gato da professora… Bati na cabeça do irmãozinho Luiz e ele se pôs a chorar…Coloquei uma rã na cama da minha irmã Margarida… Joguei tinta na pia de água benta e ri quando as pessoas manchavam a testa ao fazer o sinal da cruz…Tirei os ovos do ninho dos pardais…Chamei os colegas por nomes feios e… e…”
— Você não acaba mais com esse exame de consciência? – perguntou a mãe.
— Sim – respondeu Pedro. Já estão escritos todos os pecados.
— Muito bem, filho!  Agora é preciso você confessar tudo sem esconder nada, arrepender-se e fazer o propósito de emendar-se dessas faltas. Entendeu ?
— Sim, mãe. Entendi.
E  lá foi  o menino para a igreja, junto com outros que também  iam fazer a Primeira Comunhão. No confessionário o miúdo leu a lista completa, muito sério. O senhor padre ouviu-o com paternalidade. E tinha o lenço diante do rosto. O pequenito pensava  que ele  chorava pelos seus  pecados, mas parece que estava rindo. Quando Pedro acabou a Confissão o sacerdote murmurou:
– Que lista tão completa!  Meu filho, você não quer mais tornar a pecar?
— Não, senhor padre. Nunca mais!
Depois de alguns conselhos, o bondoso sacerdote concluiu:
— Muito bem!  Por penitência reze três Pai-Nosso ao Coração de Jesus e três Ave-Maria ao Coração de Maria. E agora reze o Ato de Contrição.
E deu-lhe  a absolvição. Pedrito saiu do confessionário, rezou piedosamente a penitência no banco e foi para casa muito contente.
Era quinta-feira, e o dia da Primeira Eucaristia seria na Missa das 8 horas de Domingo.
Ao chegar na manhã seguinte à escola, já no portão os colegas começaram a escarnecer (debochar) dele  maliciosamente:
— Olha aquele que puxou pelo rabo o gato da senhora professora! – exclamou a Luísa.
— É aquele que pôs a tinta na pia da água-benta! – ajuntou o Frederico.
— Ele roubou os ovos dos ninhos dos pardais! – declarou o Gonçalo.
— E a rã que escondeu na cama da irmã dele! – Riu-se o Carlito.
— Caramba, será que o padre contou os meus pecados para eles? – pensou o pequeno, enquanto olhava para o Pároco que chegava para a aula de Religião.
Quando entraram todos para a sala de aula, levantando-se da carteira, Pedrinho tomou coragem e perguntou:
— Padre, o senhor contou os meus pecados aos outros?
— Não, meu filho. De jeito  nenhum. Que tal coisa nem passe pela sua cabeça. Você não sabe que nem eu, e nenhum outro padre, pode dizer qualquer pecado ouvido na Confissão? Por que você está me perguntando tal absurdo?
— É que os  meus colegas  estão  falando  dos  pecados  que  confessei ontem para o senhor.
— Que coisa mais rara! – exclamou o sacerdote.
E dirigindo-se aos alunos, perguntou muito sério:
— Como é que vocês souberam dos pecados do Pedro?
— É que a Luísa encontrou na  igreja o papel em que  ele  tinha escrito os pecados! – exclamou a menina Rosa.
— Ó Luísa, foi você que encontrou o papel do exame de consciência dele? – perguntou o Padre com severidade.
— Sim, fui eu, senhor padre. Desculpa! – respondeu timidamente a pequena.
— Você nem devia ter lido o que estava escrito no papel. E devia ter rasgado ou entregado ao Pedro, sem dizer nada!
A menina Luísa baixou envergonhada a cabeça, consciente de sua culpa.
— Meus meninos – continuou o sacerdote – a Confissão é coisa muito séria. O padre está obrigado ao mais absoluto segredo. Se dissesse o nome da pessoa e qualquer dos seus pecados, cometeria um pecado tão grave que só o Papa o poderia absolver. E quem ouvir  qualquer  pecado, confessado  pelos  outros, também  tem  obrigação  de  se calar.
Reinava profundo silêncio na sala.
— E você, Pedro, não volte a  pensar que um sacerdote seja capaz de faltar ao segredo a que está obrigado. Se quiser pode escrever os pecados num papel e entregá-lo ao confessor.  Como também  pode  ler  diante  dele. No fim  da Confissão  rasga-se ou queima-se  imediatamente o papel. E  assim fica  o  segredo  entre  o  penitente  e Deus Nosso Senhor.
Pe. Fernando Leite, S.J.
Revista Cruzada – Braga – Portugal

A confissão tira e sara toda fealdade e podridão do pecado


Sim, tantos encantos tem a confissão e tantos perfumes exala para o céu e a terra que tira e sara toda fealdade e podridão do pecado. Simão, o leproso, dizia que Madalena era uma pecadora; mas Nosso Senhor dizia que não, e já só falava do perfume que ela tinha espalhado por toda a sala do fariseu e já só considerava o seu imenso amor. Se somos verdadeiramente humildes, nossos pecados forçosamente nos desagradarão muitíssimo, porque são ofensas a Deus; ao contrário, a confissão de nossos pecados se tornará suave e consoladora, pela honra que com isso damos a Deus. É um consolo semelhante ao do doente que revela ao médico tudo o que sente. Estando ajoelhado aos pés do teu pai espiritual, pensa que estás no Calvário. Aos pés de Jesus crucifica-  do, e que seu sangue precioso se derrama de suas feridas e, caindo tua alma, a lava de suas iniquidades; que é, na verdade, a aplicação dos merecimentos do sangue de Cristo derramado na cruz que significa os penitentes. Manifesta, pois, inteiramente o teu coração ao confessor, para que o alivie dos teus pecados, e o encherás ao mesmo tempo de bênçãos pelos merecimentos da Paixão de Jesus. E, além disso, praticarás nesse ato a humildade, a obediência, a simplicidade e o amor de Deus — numa palavra: mais virtudes que em nenhum outro ato de religião.
Fonte: A arte de se aproveitar das próprias faltas segundo São Francisco de Sales. Pe. José Tissot. Editora Vozes LTDA, 1964. Petrópolis, RJ.


O pecado, convertido em confissão e penitência, traz-nos a saúde



O escorpião é venenoso; mas, se o reduzirmos a óleo, esse óleo é um antídoto eficaz contra a própria mordedura; o pecado é vergonhoso tão somente quando o praticamos; convertido em confissão e penitência, traz-nos a saúde. Sim, tantos encantos tem a confissão e tantos perfumes exala para o céu e a terra que tira e sara toda a fealdade e podridão do pecado. Simão, o leproso, dizia que Madalena era urna pecadora; mas Nosso Senhor dizia que não, e já só falava do perfume que ela tinha espalhado por toda a sala do fariseu e já só considerava o seu imenso amor. Se somos verdadeiramente humildes, nossos pecados forçosamente nos desagradarão muitíssimo, porque são ofensas a Deus; ao contrário, a confissão de nossos pecados se tornará suave e consoladora, pela honra que com isso damos a Deus.
Fonte: A arte de se aproveitar das próprias faltas segundo São Francisco de Sales. Pe. José Tissot. Editora Vozes LTDA, 1964. Petrópolis, RJ.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Pe. Reginaldo Manzotti: o fast-food espiritual

CANDLE,LIGHT

Você pode ser a solução para este problema que atinge nossa sociedade

Estamos no mês das missões e é interessante como acontecem os meses temáticos. Em maio, por exemplo, somos aconchegados por Nossa Senhora. Maria nos desperta para as vocações, que celebramos no mês de agosto.
Vocacionados que somos temos que mergulhar na Palavra de Deus e mergulhados na Palavra, não voltamos atrás. Não voltamos para o nosso mundo interior, saímos em missão. Interessante percebermos como a Igreja é sábia e como sempre temos algo a descobrir. Seguindo esta dinâmica, no mês de setembro destacamos a Palavra porque Ela nos impele e nos joga na missão.
Eu me sinto privilegiado por estar à frente de uma missão tão importante com a  Obra Evangelizar é Preciso, que é consagrada a Jesus das Santas Chagas e a Nossa Senhora do Carmo, mas que todas as grandes novidades na evangelização são anunciadas exatamente no dia de Santa Teresinha. Porque este foi o mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo, que disse: “Ide por todo mundo pregai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15).
O Papa João Paulo II fez ecoar essas palavras de Jesus, quando disse que muitos são batizados, mas pouquíssimos são evangelizados. Evangelizar é preciso em sintonia com a Igreja do Brasil e seu Projeto: “Queremos ver Jesus, caminho, verdade e vida”.
Nunca o nome de Jesus foi tão falado e propagado, mas, infelizmente, como um “fast food espiritual” que resolve o problema de todos principalmente daqueles que arrecadam no uso de Seu nome.
E, a única forma de lutar contra todas essas leviandades de uma fé banalizada é levar as pessoas a uma experiência profunda com Jesus, resgatando-as para Ele.
A própria Igreja no Brasil, nos lança os desafios quando pede uma evangelização que atinja a pessoa, a comunidade e a sociedade. Desafio que se torna maior ainda quando nos questionamos se evangelizar, segundo as palavras de Jesus, “Eu vos farei pescadores de homens”, significa pescar num aquário ou reduzir nossa evangelização a sermões dados e bem preparados àqueles que frequentam a Igreja.
Evangelizar não seria estar disposto a falar, de uma forma renovada, atual, as verdades do Evangelho para que possam ser compreendidas por todos aqueles que estão além das paredes nossas Igrejas?
A Igreja nos desafia a evangelizar e a trazer de volta o católico “de ocasião”, aquele que só vem para batizados, missa de sétimos dia ou quando o desgosto da vida faz com que a pessoa busque a Igreja como um “supermercado de graças”.
O desafio da evangelização se faz maior quando somos chamados a “lançar redes em águas mais profundas”, para resgatar os jovens que, cada vez mais, estão distantes da Igreja e, quando nela estão, exigimos que se comportem como adultos e pessoas da terceira idade.
Faz-se necessário lembrar que os protagonistas da evangelização deste milênio não são, necessariamente, os sacerdotes, mas os leigos chamados a evangelizar pelo testemunho da vida, pelas obras e pela fé.
Deus não é um “supermercado de graças” e não precisamos querer arrancar algo D’Ele.
Uma verdadeira evangelização não passa pelo medo, mas pelo respeito a Deus. Uma verdadeira evangelização passa pela justiça e pela promoção da pessoa humana. Uma verdadeira evangelização passa pela experiência que cada um faz de Deus.
Se evangelizar é uma urgência e se somos evangelizadores, então como evangelizar?
Para nós que somos evangelizadores, evangelizar é acolher cada pessoa que chega e que se sente deslocada.
Evangelizar é acolher aqueles que tropeçam no decorrer de sua vida e se desviaram da graça.
Evangelizar é estender o braço para aquele que está caído. Evangelizar é oferecer uma nova chance para aquele que quer se redimir.
Evangelizar é acolher e trazer de volta a ovelha machucada e desgarrada que já sofreu muito no mundo e levou pancada demais, de outros e falsos pastores.
Evangelizar é ser o “bom samaritano” que abre as portas de nossas Igrejas para que as pessoas afastadas se acheguem. É ser o “bom samaritano” que abre o coração para acolher aqueles que estão desesperados.
Evangelizar é falar o que Jesus disse, fazer o que Jesus fez.
Evangelizar é subir as escadas e elevadores e ter coragem de reunir seus condôminos numa Novena de Natal. É criar laços de amizade e profunda fraternidade para promoção de alguém que necessita de um próximo.
Evangelizar é encurtar distâncias, é ser ponte onde há inimizades, é saber criar situações onde o bem comum fale mais alto e a justiça de Deus aconteça. A humanidade está faminta de Deus e não é justo que deixemos que eles vivam de migalhas. Não podemos nos esquecer dos ensinamentos da multiplicação dos pães. A humanidade esta sedenta de água viva e se envenena com água contaminada do medo, da violência e da insegurança. Não é justo guardarmos as talhas para nós e deixarmos a água pura e cristalina jorre somente entre os átrios de nossas Igrejas.
Creio numa evangelização feita por muitas mãos e muitas vozes, porém regidas por um único maestro: Jesus Cristo. E, com pautas marcadas e compassos, estabelecidos por nossa Mãe e Maestra, Maria, na sagrada tradição do Magistério da Eucaristia.
Creio numa evangelização feita com arte, como uma grande sinfonia, onde no todo há harmonia e cada instrumento é importante e singular.
Evangelizar é preciso porque é na Palavra de Cristo que encontraremos as ferramentas necessárias para despertar consciências adormecidas e relaxadas, que semeiam valores contrários à família, à fidelidade ao respeito e ao amor.

Padre Reginaldo Manzotti é fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso – Obra considerada benfeitora nacional que objetiva a evangelização pelos meios de comunicação – e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR). Apresenta diariamente programas de rádio e TV que são retransmitidos e exibidos em parceria com milhares de emissoras no país e algumas no exterior. Site: http://www.padrereginaldomanzotti.org.br. Facebook:http://www.fb.com/padrereginaldomanzotti. | Twitter: @padremanzotti | Instagram: @padremanzotti | Youtube: youtube.com/PadreReginaldo Manzotti