segunda-feira, 19 de novembro de 2018

NUNCA TE APRESSES NAS TUAS ORAÇÕES



Jesus Cristo orou no horto por três vezes, dizendo: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice sem que o beba, mas faça-se a vossa vontade, e não a minha”. A oração de Jesus Cristo no horto foi muito breve; mas ainda que breve, ele a fez por três vezes, e cada vez por espaço de uma hora.
Atende a isto, alma apressada; tu que fazes muita oração, e tens pouco tempo de oração, ah! bem podes temer que sejam pecado, ou perdidas as tuas orações! Sobre o que deves saber, que a meditação é o fundamento, é a alma da oração; por isso quanto possa ser, não deve passar uma só palavra, que não seja acompanhada da meditação; se a tua oração assim fora feita, o teu coração se moveria, as tuas resoluções seriam fortes, os teus propósitos seriam firmes, os teus afetos para com Deus seriam grandes; finalmente, desprezarias o mundo com todas as suas vaidades, e de todo te entregarias a Deus: mas porque já fazes a oração há tantos anos, e ainda não tens colhido estes frutos, é sinal muito provável que não têm sido boas as tuas orações.
Portanto, nunca te apresses nas tuas orações; porque a pressa, diz um dos Santos Padres, é a peste da oração; e na verdade, onde há pressas, há sempre irreverências, faltas de atenção e de respeito. Todo aquele que se apressa nas suas orações, mostra claramente o pouco peso que dá às coisas santas; e ainda melhor mostra o que é, quando nas coisas do mundo é mais bem pronunciado e aperfeiçoado, do que nas conversas que tem com Deus na oração. E quanto há disto? Nas conversas do mundo muita atenção, muita gravidade e respeito; e vai-se a conversar com Deus na oração, já tudo são pressas, irreverências, faltas de atenção e de respeito, e muitas vezes sono; finalmente, tudo vai com fastio e aborrecimento!… E que significa tudo isto? É que já há muito pouca fé, ou não consideram com quem falam na oração, nem disso se lembram; não conhecem a Deus, nem formam a ideia que devem formar da sua grandeza e Majestade!…
Assim é, meus irmãos; reza-se muito mal, muito mal!! As orações vão quase todas perdidas por não serem feitas como devem ser; se todos fizessem boas orações, elas eram despachadas, a vida reformava-se, e todos seriam Santos. Ora pois, daqui por diante fazei as vossas orações o melhor que puderdes; ide considerando no que fordes rezando, para desta sorte serem ouvidas, e despachadas por Deus.
Texto retirado da Obra “Missão Abreviada”, do Padre Manoel José Gonçalves Couto

COMO DEVEM SER NOSSAS ORAÇÕES – ENSINA-NOS SÃO TOMÁS

Imagem relacionada
As cinco qualidades requeridas para todas as orações
Oração Dominical, entre todas, é a oração por excelência, pois possui as cinco qualidades requeridas para qualquer oração. A oração deve ser: confiante, reta, ordenada, devota e humilde.

Em primeiro lugar, a oração deve ser confiante.

Como São Paulo escreve aos Hebreus (4, 16): “Aproximemo-nos com confiança do trono da graça, a fim de alcançar a misericórdia e achar graça para sermos socorridos no tempo oportuno”.
A oração deve ser feita com fé e sem hesitação, segundo São Tiago (Tg 1,6): “Se algum de vós necessita de 
sabedoria, peça-a a Deus… Mas peça-a com fé e sem hesitação”.
Por diversas razões, o Pai Nosso é a mais segura e confiante das orações. A Oração Dominical é obra de nosso advogado, do mais sábio dos pedintes, do possuidor de todos os tesouros de sabedoria (cf. Cl 2, 3), daquele de quem diz São João (I, 2, 1): Temos um advogado junto ao pai: Jesus Cristo, o Justo. São Cipriano escreveu em seu Tratado da Oração Dominical: “Já que temos o Cristo como advogado junto ao Pai, por nossos pecados, em nossos pedidos de perdão, por nossas faltas, apresentemos em nosso favor, as palavras de nosso advogado”.
Oração Dominical parece-nos também que deve ser a mais ouvida porque aquele que com o Pai a escuta é o mesmo que no-la ensinou; como afirma o Salmo 90 (15): “Ele clamará por mim e eu o escutarei”“É rezar uma prece amiga, familiar e piedosa dirigir-se ao Senhor com suas próprias palavras”, diz São Cipriano. Nunca se deixa de tirar algum fruto desta oração que, segundo Santo Agostinho, apaga os pecados veniais.

Em segundo lugar, nossa oração deve ser reta.

Quer dizer, devemos pedir a Deus os bens que nos sejam convenientes. “A oração é o pedido a Deus dos dons que convém pedir”, diz São João Damasceno.
Muitas vezes, a oração não é ouvida por termos implorado bens que verdadeiramente não nos convêm. “Pediste e não recebeste, porque pediste mal”, diz São Tiago (4,3).
É tão difícil saber com certeza o que devemos pedir, como saber o que devemos desejar. O Apóstolo reconhece, quando escreve aos Romanos (8, 26): “Não sabemos pedir como convém, mas (acrescenta), o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis”.
Mas não é o Cristo que é nosso doutor? Não foi ele que nos ensinou o que devemos pedir, quando seus discípulos disseram: Senhor, ensinai-nos a rezar? (Lc 11, 1).
Os bens que ele nos ensina a pedir, na oração, são os mais convenientes. “Se rezamos de maneira conveniente e justa, diz Santo Agostinho, quaisquer que sejam os termos que empregamos, não diremos nada mais do que o que está contido na Oração Dominical”.

Em terceiro lugar, a oração deve ser ordenada.

A oração deve ser ordenada como o próprio desejo que a prece interpreta. A ordem conveniente consiste em preferirmos, em nossos desejos e preces, os bens espirituais do que os bens materiais, as realidades celestes do que realidades terrenas, de acordo com a recomendação do Senhor (Mt, 6,33): “Procurai primeiro o reino de Deus e sua justiça e o resto — o comer, o beber e o vestir — ser-vos-á dado por acréscimo”.
Na Oração Dominical, o Senhor nos ensina a observar esta ordem: primeiro pedimos as realidades celestes e em seguida os bens terrestres.

Em quarto lugar, a oração deve ser devota.

A excelência da devoção torna o sacrifício da oração agradável a Deus. Em vosso nome, Senhor, elevarei minhas mãos, diz o Salmista, e minha alma é saciada como de fino manjar.
A prolixidade da oração, no mais das vezes, enfraquece a devoção; também o Senhor nos ensina a evitar essa prolixidade supérflua: “Em vossas orações não multipliqueis as palavras; como fazem os pagãos” (Mt 6,7). Santo Agostinho recomenda, escrevendo a Proba: “Tirai da oração a abundância de palavras; no entanto não deixeis de suplicar, se vossa atenção continua fervorosa”.
Esta é a razão pela qual o Senhor instituiu a breve oração do Pai Nosso.
A devoção provém da caridade, que é o amor de Deus e do próximo. O Pai Nosso é uma manifestação destes dois amores.
Para mostrar nosso amor a Deus, o chamamos «Pai» e para mostrar nosso amor ao próximo, pedimos por todos os homens justos, dizendo: «Pai nosso», e empurrados pelo mesmo amor, acrescentamos: «perdoai as nossas dívidas».

Em quinto lugar, nossa oração deve ser humilde.

Segundo o que diz o Salmista (Sl 101, 18): “Deus olhou para a prece dos humildes”.
Uma oração humilde é uma oração que certamente será ouvida, como nos mostra o Senhor, no evangelho do Fariseu e do Publicano (Lc 18, 9-15) e Judite, rogando ao Senhor, dizia: “Vós sempre tivestes por agradável a súplica dos humildes dos mansos”.
Esta humildade está presente na Oração Dominical, pois a verdadeira humildade está naquele que não confia em suas próprias forças, mas tudo espera do poder divino.
(Dos Sermões de São Tomás de Aquino)

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Você sofre de ansiedade? Então veja este conselho de São Francisco de Sales

MAN,ANXIETY

São Francisco de Sales acredita que, com a única exceção do pecado, a ansiedade é o maior mal que pode acometer uma alma

Às vezes, a gente não consegue evitar: a ansiedade se instala em nós. Pode ser uma ansiedade passageira causada por muito trabalho a fazer e pouco prazo. Mas pode ser também algo mais sério, que exige avaliação e assistência profissionais. 
Entretanto, seja qual for o tipo de ansiedade que possamos estar vivenciando, é consolador saber que até os santos se sentem (ou se sentiram) ansiosos.
Veja o que São Francisco de Sales recomenda para evitar a ansiedade e encontrar a paz.

Não subestime o problema 

São Francisco de Sales acredita que, com a única exceção do pecado, a ansiedade é o maior mal que pode acometer uma alma.
Você provavelmente já sabe que a ansiedade é um problema, mas você pode pensar que Deus não está interessado nisso, porque Ele se importa mais com o fato de você evangelizar, fazer o seu dever e orar. Afinal, você não deveria estar se preocupando com os outros, mas com você mesmo, né? 
Não, São Francisco não concordaria com isso. Nem Deus.
Nosso Senhor ordenou que amássemos aos outros como amamos a nós mesmos. Quando você está ansioso, amar a si próprio significa fazer o que for possível para remediar a ansiedade. Não significa ignorá-la, na crença equivocada de que Deus se importa pouco com isso. Ele quer que tenhamos alegria em fazer a Sua vontade.
São Francisco de Sales escreve: 
“Se nosso coração está perturbado internamente, ele perde tanto a força necessária para manter as virtudes adquiridas quanto os meios para resistir às tentações do inimigo.”

Entendendo a causa da ansiedade

Para São Francisco de Sales, a raiz da ansiedade é “um desejo desordenado de se libertar de um mal presente ou de  adquirir um bem esperado”.
Em outras palavras, a ansiedade surge quando desejamos muito alguma coisa. Nossos desejos são bons, mas às vezes podem ser fortes demais, o que causa ansiedade. Este ponto é crucial, pois torna a ansiedade algo sobre o qual podemos ter algum controle, embora nem sempre a gente se sinta forte para isso.

Buscando a paz interior 

São Francisco de Sales diz que, quando você começa a reconhecer que seu coração está ansioso, “ouça-o antes de fazer qualquer outra coisa e traga-o silenciosamente de volta à presença de Deus, submetendo todos os seus afetos e desejos à obediência e direção da vontade divina”.
Trazer seu coração para a presença de Deus não é uma fórmula mágica, é claro. Mas, se seguirmos estes quatro passos, a ansiedade diminuirá gradualmente.
1. Peça a ajuda de Deus;
2. “Resolva não fazer nada que seu desejo insista até que sua mente recupere a paz, a menos que seja algo que não possa ser adiado”;
3. “Você deve humildemente e calmamente tentar verificar a corrente de seus desejos”. Aceite-os como eles são e os avalie;
4. “Se você puder revelar a causa de sua ansiedade ao seu diretor espiritual, ou pelo menos a algum amigo fiel e devoto, pode ter certeza de que encontrará rapidamente o alívio.”

https://pt.aleteia.org/2018/11/13/voce-sofre-de-ansiedade-entao-veja-este-conselho-de-sao-francisco-de-sales/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

sábado, 10 de novembro de 2018

Lar onde Deus deve Habitar


IMG_20160118_0007

O lar é o ambiente sagrado da vida, morada, aconchego, ambiente sagrado. Lar da convivência, do acolhimento dos pais e filhos. Lar da partilha, do encontro de amigos familiares e amigos íntimos. Lar do apoio mútuo, do amor fraterno, do perdão. Lar, ambiente sagrado da oração familiar; onde Deus também habita; e derrama todas as bênçãos sobre todos, esse deve ser o nosso lar.
O lar é se assim o desejarmos um ambiente sagrado da oração familiar e, em quantos lugares é também cenáculo de oração, círculos Bíblicos, de planeamento e compromissos evangelizadores.Ambiente sagrado onde brota vida , alegria e esperanças, esperamos que volte a ser um dia o do morrer.

A bênção do lar hoje em dia é muito importante, e necessária, e faz parte da tradição católica, benzê-lo ao menos uma vez por ano. A bênção do lar é um sacramental, é bom que seja presidida por um sacerdote ou diácono. Na possibilidade de nossos ministros sagrados, a família pode convidar um leigo actuante na Igreja ou o próprio Pai de família presidir as orações com a fé e o amor conjugal. A ele caberá fazer as orações e aspergir a água benta. A água benta deve ser benta pelo sacerdote ou diácono.
A água benta é um poderoso sacramental, fonte de bens espirituais, que perdoa os pecados veniais, juntamente com as orações a ela conjugadas. A igreja recomenda encarecidamente a seus filhos o uso da água benta, especialmente quando nos ameaça algum perigo; todo os lugares católicos deveriam ter sempre a agua benta disponível. A água benta tem seu grande poder e eficácia em virtude das orações da Igreja que seu Divino Fundador sempre aceita com prontidão e complacência.
Estas orações se sobem ao céu cada vez que se toma água benta com a mão e aspergir sobre si mesmo, sobre os outros e as bênçãos de Deus descem sobre o corpo e alma.
O demónio, como disse Santa Teresa, odeia a água benta por este poder especial que tem sobre ele. Não podendo permanecer muito tempo perto das pessoa rodeadas com água benta.
A Igreja usa a água benta também para alivio das benditas almas do purgatório. Uma só gota lhes proporcionam grande alivio, podendo em alguns casos abrir-lhes as portas do céu, aquelas que estão para ir para a vida eterna.
A água benta por que é um sacramental da Igreja, perdoa os pecados veniais. Guardando pura a nossa alma, fazendo devotadamente o sinal da cruz, e dizendo a oração recomendada pela igreja: ”Oh Senhor faz que esta água benta nos dê saúde e vida!”

Bênção da Casa:
D. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
T. Amén.
D. O Senhor esteja convosco.
T. Ele está no meio de nós.
D. A paz esteja nesta casa.
T. E com todos os seus moradores.
D. Oremos.
A vós, Deus, Pai todo-poderoso, rogamos por esta casa, por todos os seus moradores e seus pertences, para que vos digneis abençoá-la, santificá-la e aumentá-la de todos os bens. Dai-lhes, Senhor, a abundância oriunda das chuvas do céu e os alimentos produzidos pela força da terra e levai a efeito, em vossa misericórdia, os seus desejos e votos. Dignai-vos abençoar e santificar esta casa, assim como abençoastes e santificastes a casa de Abraão, de Isaac e de Jacó, e entre as suas paredes habitem os anjos da vossa luz, para guardar esta casa e os seus moradores. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.
(aspersão da casa com água benta enquanto reza-se Pai Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)
D. Fiquemos em Paz e que o Senhor nos acompanhe.
T. Graças a Deus!

Abandono a Jesus

Sem Título
Diz Jesus à Alma:
” Porque estais perturbados e aflitos? Deixai-Me tomar conta das vossas dificuldades e tudo se acalmará. Eu vos digo em verdade que cada ato de verdadeiro, cego, e total abandono em Mim produz o efeito que desejais e resolve as situações mais espinhosas.
Abandonar-se em Mim não significa irritar-se, perturbar-se ou desesperar, fazendo-Me depois uma oração agitada para que Eu vos siga e mude a agitação em oração. Abandonar-se significa fechar tranquilamente os olhos da alma, afastar o pensamento da provação e entregar-se a Mim para que só Eu aja, dizendo meu Deus, pensai Vós. É contrário, preocupar-se, afligir-se, querer pensar nas consequências dum acontecimento.
Isto é como a confusão provocada pelas crianças que pretendem que a mãe pense nas suas necessidades mas ao mesmo tempo querem também ser elas a pensar, impedindo com as suas ideias e os seus caprichos infantis o trabalho da mãe.
Fechai os olhos e deixai-vos guiar pela corrente da Minha graça; fechai os olhos e não penseis senão no momento presente, afastando o pensamento do futuro como duma tentação; repousai em Mim acreditando na Minha bondade e prometo-vos pelo Meu amor que dizendo-Me com estas disposições: Jesus pensai Vós, Eu ocupo-Me de tudo, consolo-vos, liberto-vos e guio-vos.
E quando vos devo levar por um caminho diferente do que vós vedes, Eu preparo-vos, levo-vos nos Meus braços, faço-vos passar para a outra margem como crianças adormecidas nos braços da mãe. O que vos perturba e vos faz um imenso mal é o vosso raciocínio, o vosso pensamento, a vossa ideia fixa, o querer a todo o custo prover vós mesmos àquilo que vos aflige.
Quantas coisas Eu realizo quando a alma nas suas necessidades, quer espirituais quer materiais se volta para Mim, olha para Mim, e dizendo-Me:Meu Deus, pensai Vós, fechai os olhos e repousa! Recebeis poucas graças quando vos atormentais; recebeis muitíssimas quando a vossa oração é cheia de confiança em Mim. Na dor, vós rezais para que Eu aja, mas… para que Eu aja à vossa maneira… Vós não Me invocais, mas quereis que Eu me adapte às vossas ideias, não fazeis como os doentes que pedem a cura ao médico, mas sugerem-lha.
Não façais assim, mas rezai como vos ensinei na oração Pai-Nosso: Santificado seja o Vosso Nome, isto é, sede glorificado nesta minha necessidade; Venha o Vosso reino, isto é, que tudo concorra para o Vosso reino, em nós e no mundo inteiro; Seja feita a Vossa Vontade assim na terra como no Céu, isto é disponde meu Deus, nesta minha necessidade como for melhor para a minha vida eterna e temporal.
Se Me disserdes de todo o coração: seja feita a Vossa vontade, que é o mesmo que dizer: pensai Vós, Eu intervenho com toda a minha omnipotência e resolvo as situações mais difíceis.
Por exemplo tu vês a começa a agravar-se em vez de melhorar? Não te inquietes, fecha os olhos e diz-Me com confiança: seja feita a Vossa vontade, pensai Vós! Digo-te que Eu penso nisto e que intervenho como um médico e faço mesmo um milagre quando é necessário. Mas, vês que o doente piora? Não te aflijas, cerra os teus olhos e diz-Me: Meu Deus pensai Vós! E, Eu digo-te que penso nisto e que não há nenhum remédio mais eficaz do que uma intervenção, de amor, Minha. Eu “penso” só quando fechas os teus olhos.
Passais as noites sem dormir, quereis avaliar tudo, pensar em tudo e assim vos abandonais às forças humanas, e, pior ainda, aos homens, confiando na sua intervenção. É isto que põe um obstáculo às Minhas palavras e aos Meus planos. Oh! Como desejo de vós este abandono em Mim para vos ajudar, e como o Demónio só procura isto: afligir-vos, para vos subtrair à Minha acção e deixar-vos como presa às iniciativas humanas.
Confiai, portanto, somente em Mim, repousai em Mim, abandonai-vos em tudo a Mim. Eu faço milagres em proporção ao total abandono em Mim, e à ausência de pensamento por vós; eu derramo os meus tesouros de graças quando vós estais em total pobreza. Se possuís os vossos bens, ainda que sejam poucos, ou se os procurais, moveis-vos no campo natural e estais, portanto, no percurso natural das coisas que é muitas vezes obstaculizado pelo Demónio. Nunca um pensador ou um investigador fez alguma vez um milagre nem sequer entre os santos: só age divinamente quem se abandona inteiramente em Deus.

Sem Título
Quando vês as coisas complicarem-se, fecha os olhos da alma e diz-Me: Jesus, pensai Vós! E procura afastar o pensamento dessas coisas porque o teu espírito é fraco… e para ti é difícil ver o mal e ao mesmo tempo confiar em Mim, descentrando o pensamento de ti mesmo. Faz assim para todas as tuas necessidades; se todos vós fizerdes assim, vereis grandes, contínuos e silenciosos milagres.
Prometo-Vos pelo Meu amor. E garanto-Vos que pensarei em tudo.
Rezai sempre com esta disposição de abandono e tereis grande paz e fruto, também quando eu vos dou a graça da imolação, da reparação e do amor que o sofrimento comporta.
Parece-te impossível? Fecha os olhos e diz interiormente: Jesus, pensai Vós! Não temas, Eu pensarei e tu bendirás o meu nome humilhando-te.
Lembrai bem: Um só ato de abandono não pode ser comparado nem a mil orações. Não há novena mais eficaz do que esta:

Ó JESUS, A VÓS ME ABANDONO, PENSAI VÓS!

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

4 orações de Padre Pio a Virgem Maria

PIO

Rezemos à nossa Mãe com as palavras deste grande santo

São Padre Pio de Pietrelcina era devoto fervorosíssimo da Virgem Maria, que chamava carinhosamente de Mamma (Mamãe). Padre Pio, como é mais conhecido, rezava continuamente a Nossa Senhora, pedindo as graças de que é dispensadora, suplicando a sua intercessão, o seu cuidado materno.
As orações deste grande santo são frutos de uma profunda intimidade com Deus, como podemos perceber em suas palavras:
“Assim que me ponho a rezar, logo sinto o coração como que invadido por uma chama de amor; essa chama não tem nada a ver com qualquer chama deste baixo mundo. É uma chama delicada e muito doce, que consome e não causa sofrimento algum. Ela é tão doce e tão deliciosa, que o espírito prova sua complacência e permanece saciado, mas sem perder o desejo – oh Deus! –, algo que me parece maravilhoso e que talvez jamais consiga compreender, a não ser na pátria celeste[1].”
Depois de conhecer um pouco a vida de oração de São Pio de Pietrelcina, vejamos quatro de suas orações dirigidas a Virgem Maria, que providencialmente temos acesso graças ao seu Epistolário, ou seja, às suas cartas:

Minha Mãe, Maria

Mãe de misericórdia,
tem piedade de mim!
Deverias compreender,
minha querida Mãe,
que se o fiz,
o fiz unicamente
por obedecer!
“Não te preocupes
que os outros pensem
a teu respeito
tantas coisas estranhas,
nós vamos te defender;
até o momento eles te aborreceram,
mas agora terão de acertar
as contas conosco”[2].

Virgem Imaculada

Santíssima Virgem Imaculada
e minha Mãe, Maria,
a ti que és a Mãe do meu Senhor,
a rainha do mundo,
a advogada, a esperança,
o refúgio dos pecadores, recorro hoje,
eu que sou o mais miserável de todos.
Eu te venero, ó grande Rainha,
e te agradeço
todas as graças que me concedeste até agora,
sobretudo por me teres libertado do inferno,
tantas vezes por mim merecido.
Eu te amo, Senhora Amabilíssima,
e pelo amor que te devoto,
prometo querer sempre servir-te
e fazer tudo o que posso
para que também sejas amada pelos outros.
Deposito em ti todas as minhas esperanças,
toda a minha saúde.
Aceita-me como teu servo
e acolhe-me sob o teu manto,
ó Mãe de misericórdia.
E visto que és tão poderosa com Deus,
liberta-me tu de todas as tentações;
ou dai-me forças
para vencê-las até a morte.
A ti peço o verdadeiro amor
a Jesus Cristo.
De ti espero ter uma boa morte.
Minha Mãe, pelo amor que nutres para com Deus,
peço-te que me ajudes sempre,
mas muito mais no último instante da minha vida.
Não me deixes até que não me vejas
já salvo no céu a bendizer-te
e a cantar as tuas misericórdias
por toda a eternidade! Amém[3].

Eu te suplico, minha Mãe

Ó celestial tesoureira de todas as graças,
Mãe de Deus e minha, Maria,
porque és a filha primogênita
do eterno Pai
e tens na mão a sua onipotência,
tem piedade de minh’alma
e concede-me a graça
pela qual fervidamente te suplico…
Ave, Maria…
Ó misericordiosa dispensadora
das graças divinas,
Maria Santíssima,
tu que és a Mãe
do eterno Verbo encarnado,
que te coroou
com imensa sabedoria,
considera a grandeza da minha dor
e concede-me a graça
de que tanto necessito…
Ave, Maria…
Ó amorosíssima dispensadora
das graças divinas,
imaculada esposa
do eterno Espírito Santo,
Maria Santíssima,
tu que dele recebeste um coração
capaz de ter piedade
das humanas desventuras
e não pode resistir sem consolar quem sofre,
tem piedade de minh’alma
e concede-me a graça que espero
com plena confiança na tua imensa bondade…
Ave, Maria…
Sim, ó minha Mãe,
tesoureira de todas as graças,
refúgio dos pobres pecadores,
consoladora dos aflitos,
esperança dos desesperados
e auxílio poderosíssimo dos cristãos,
eu deposito em ti toda a minha confiança
e estou certo de que me obterás de Jesus
a graça que tanto desejo,
desde que seja para o bem de minh’alma.
Salve, Rainha…[4]

Eu te saúdo, Maria

Eu te saúdo, Maria,
filha amada do Pai eterno.
Eu te saúdo, Maria,
virgem Mãe do Filho de Deus.
Eu te saúdo, Maria,
esposa imaculada do Espírito Santo.
Eu te saúdo, Maria,
templo vivo da Santíssima Trindade.
Eu te saúdo, Maria,
concebida sem mancha alguma de pecado,
toda pura e santa.
Eu te saúdo, Maria,
virgem puríssima
antes do parto, no parto, após o parto.
Eu te saúdo, Maria,
Mãe dolorosa,
Rainha dos mártires,
coração dos corações que sofrem.
Eu te saúdo, Maria,
estrela do nosso caminho,
fonte da nossa esperança,
fonte puríssima de alegria,
porta do paraíso.
Eu te saúdo, Maria,
consoladora dos aflitos,
mãe do belo e casto amor das almas virgens,
porto sereno de paz.
Eu te saúdo, Maria,
mediadora potentíssima e piedosa de todas as graças,
aurora suspirada do dia eterno,
prelúdio suavíssimo sobre a terra
da maravilhosa harmonia dos céus.
Eu te saúdo, Maria,
rainha dos anjos e dos santos,
rainha nossa,
soberana Patrona da Ordem Seráfica.
Eu te saúdo, Maria,
refúgio dos pecadores,
mãe dulcíssima.
Amo-te muito muito,
ó bela mãe,
ó minha mãe,
conserva-me puro.
Leva-me a Jesus.
Salve, ó Maria[5].
Links relacionados:
Referências:

[1]  PADRE PIO. Minha orações, p. 10 (Epistolário 1, 461).
[2]  Idem, p. 103 (Epistolário 1, 361-362).
[3]  Idem, p. 105-105.
[4]  Idem, p. 106-107.
[5]  Idem, p. 108-110.
(Via Todo de Maria )

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

OS SALMOS, NOSSO ESPELHO 8 – COMO A CRIANÇA NO COLO DA MÃE

 Senhor, meu coração não se orgulha e meu olhar não é soberbo… Eu me acalmo e tranquilizo como criança desmamada no colo da mãe, como uma criancinha é a minha alma (Salmo 131,1-2).
  • Ao escrever essas palavras, o salmista sente-se em paz, porque confia no amor de Deus como um bebê que adormece aconchegado pelo carinho da mãe. E nós igualmente podemos confiar tanto ou mais do que ele, porque Deus nos prometeu um amor maior que o de todas as mães:
─ Ainda que o pai e a mãe me abandonarem, o Senhor me acolherá (Salmo 27,10).
─ Sobre os joelhos sereis acariciados. Qual mãe que acaricia os filhos assim vou dar-vos meu carinho (Is 66,12-13).
  • Essa promessa de amor, Deus levou-a ao cume com a vinda de Cristo:
─ Vede com que amor nos amou o Pai, ao querer que fôssemos chamados filhos de Deus. E nós o somos! ( 1 Jo 3,1).
─ Se Deus é por nós, quem será contra nós? Deus, que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como é que, com ele, não nos dará tudo?(Rm 8,31-32).
Seremos bons cristãos na medida em que a nossa alma ficar impregnada do sentido da nossa filiação divina: de um amor filial a Deus, confiante, abandonado e agradecido, capaz de exclamar em todo momento, como São João: Nós conhecemos o amor de Deus e acreditamos nele! (1 Jo 4,16).
A melhor maneira de viver esse amor filial é esforçar-nos por pensar, sentir e agir como filhos muito amados (Ef 5,1); melhor ainda se nos relacionamos com Deus como filhos pequenos, como crianças simples e humildes, que acreditam no carinho inabalável do Pai (pense no pai do filho pródigo); que confiam nele e se deixam querer; e que, por isso mesmo, se deixam cuidar e guiar pelo Pai com alegria.
Certa vez os discípulos perguntaram a Jesus: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” O Senhor deu-lhes a resposta com um gesto e umas palavras: Jesus chamou um menino, colocou-o no meio deles e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes e tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus (Mt 18, 1-4).
Isso é poesia? Não. «Não é ingenuidade, mas forte e sólida vida cristã»[1], que só podemos viver se nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo, como diz São Paulo (Rm 8,14).
Grandes santos aprofundaram maravilhosamente nesse espírito de infância espiritual. Este foi o pequeno caminho que Deus inspirou a Santa Teresinha e que tem suscitado tantos frutos na Igreja. É também um caminho feliz pelo qual Deus guiou São Josemaria até as alturas de santidade no meio das trabalhos e deveres cotidianos.
Penso que, para esta meditação, poderão ajudar-nos alguns traços do espírito de infância que São Josemaria praticou e ensinou. São os que pessoalmente eu pude contemplar nele, e entendi que eram lições que convinha guardar. Vamos, pois, ver um pequeno caleidoscópio dessas luzes da infância espiritual.
─ Pedir a lua. «Ser pequeno. As grandes audácias são sempre das crianças. – Quem pede a lua?…»[2]. A alma de criança sabe sonhar, sabe pedir a lua  e as estrelas. Por outras palavras, o filho de Deus que se faz criança diante de Nosso Senhor sabe ter sempre grandes metas e grandes ideais, e não desiste delas por se ver pequeno e incapaz. Nunca se sente fracassado. Você já imaginou uma coisa mais ridícula que um garotinho dizendo “eu sou um fracassado”?
─ Bater à porta. «Perseverar. – Uma criança que bate à uma porta, bate uma e duas vezes, e muitas vezes…, com força e demoradamente, sem se envergonhar! E quem vai abrir, ofendido, é desarmado pela simplicidade da criaturinha inoportuna… – Assim tu com Deus». Se formos humildes, confiantes e agradecidos, saberemos pedir e obter o que precisamos sem cansar-nos, tal como Jesus nos ensinou: Convém orar sempre e não desfalecer…Se vós, maus como sois, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lhe pedem (Lc  11,13 e 18,1).
─ Subir a escada. Uma comparação de que Santa Teresinha gostava, e que São Josemaria explanava poeticamente: «Manifestemos a Jesus que somos crianças. E as crianças, as crianças pequeninas e simples, quanto não sofrem para subir um degrau! Parece que estão ali perdendo o tempo. Finalmente, subiram. Agora, outro degrau. Com as mãos e os pés, e com o impulso de todo o corpo, conseguem um novo triunfo: mais um degrau. E volta a começar. Que esforços! Já faltam poucos…, mas então um tropeção… e zás!… lá em baixo. Toda machucada, inundada de lágrimas, a pobre criança começa, recomeça a subida.
»Assim nós, Jesus, quando estamos sós. Toma-nos Tu em teus braços amáveis, como um Amigo grande e bom da criança simples; não nos soltes até que estejamos lá em cima; e então – oh, então! – saberemos corresponder ao teu Amor Misericordioso, com audácias infantis, dizendo-te, doce Senhor, que, a não ser Maria e José, não houve nem haverá mortal algum – e os tem havido muito loucos –- que te ame como eu te amo»[3].
─ Escrever juntos. «Quando queres fazer as coisas bem, muito bem, é que as fazes pior. – Humilha-te diante de Jesus, dizendo-lhe: – Viste como faço tudo mal? Pois olha: se não me ajudas muito, ainda farei pior! – »Tem compaixão do teu menino; olha que quero escrever todos os dias uma página grande no livro da minha vida… Mas sou tão rude!, que se o Mestre não me pega na mão, em vez de letras esbeltas, saem da minha pena coisas tortas e borrões, que não se podem mostrar a ninguém. – »De agora em diante, Jesus, escreveremos sempre juntos os dois»[4].
─ Crianças de borracha. «Se bem repararmos, existe uma grande diferença entre uma criança e uma pessoa mais velha, quando caem. Para as crianças, a queda geralmente não tem importância: tropeçam com tanta frequência! E, se por acaso lhes escapam umas lágrimas grandes, o pai explica-lhes; os homens não choram. Assim se encerra o incidente, com o garoto empenhado em contentar o pai…
»Na vida interior, a todos nos convém ser quasi modo geniti infantes, como crianças recém-nascidas, como esses pequeninos que parecem de borracha, que até se divertem com os seus tombos, porque logo se põe de pé e continuam com as suas correrias; e porque também não lhes falta – quando necessário – o consolo de seus pais.
»Se procurarmos comportar-nos como eles, os tropeções e os fracassos na vida interior – alias, inevitáveis – nunca desembocarão na amargura. Reagiremos com dor, mas sem desânimo e com um sorriso que brota, como água límpida, da alegria da nossa condição de filhos desse Amor, dessa grandeza, dessa sabedoria infinita, dessa misericórdia que é o nosso Pai»[5].
─ A sabedoria dos pequeninos. Há umas palavras de Jesus que tocam o coração: Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelastes as pequeninos! Quantas vezes pessoas simples, velhinhas fiéis e devotas que mal sabem ler, entendem mais das grandezas de Deus do que alguns teólogos sem fé e amor.
«Há um saber – dizia São Josemaria –a que só se chega com santidade: e há almas obscuras, ignoradas, profundamente humildes, sacrificadas, santas, com um sentido sobrenatural maravilhoso… É um sentido sobrenatural que não raramente falta nas disquisições arrogantes de pretensos sábios: Extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato (Rm 1,21-22). Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos»[6].
─ Entre os braços da Mãe. «Não estás só… – Não sentes na tua mão, pobre criança, a mão de tua Mãe: é verdade. – Mas… não tens visto as mães da terra, de braços estendidos, seguirem os seus meninos quando se aventuram, temerosos, a dar os primeiros passos sem ajuda de ninguém? – Não estás só; Maria está junto de ti»[7].
[rascunhos de um livro em elaboração]

[1] Cf. São Josemaria Escrivá, Caminho, nn. 852-853
[2] Caminho, n. 857
[3] São Josemaria, Forja n. 346
[4] Caminho n. 882
[5] São Josemaria, Amigos de Deus, n. 146
[6] Idem, En diálogo con el Señor, pág.
[7] Caminho, n. 900