sábado, 26 de janeiro de 2019

Tudo o que você precisa saber sobre: a leitura espiritual


Este é um hábito diário de quase todos os santos canonizados da Igreja Católica

O que é a “leitura espiritual”?
Há muitos tipos de leitura religiosa, mas não vou falar agora de todos nem de vários deles. Apenas falarei de um: daquele que, na linguagem clássica cristã, se chama «leitura espiritual», em sentido estrito, e que costuma fazer parte do programa diário das pessoas que querem levar a sério a sua vida interior.
Consiste na leitura atenta e bem assimilada de um livro que trate de assuntos de «vida espiritual», com seriedade e boa doutrina, e que os focalize de maneira prática, de modo que nos ajude a aplicá-los à nossa vida diária.
Tenha em conta que, dentro do conceito estrito de «vida espiritual» ou de «vida interior», não só entram as práticas de oração, de adoração, a Eucaristia, o amor a Nossa Senhora e outras devoções… – que são, sem dúvida, elementos básicos de uma vida espiritual autêntica-, mas entram também as virtudes e o modo de melhorá-las (fé, caridade, paciência, firmeza, temperança, constância, etc.), bem como os defeitos (vaidade, preguiça, ira, inveja, desordem sensual, etc.) e o modo de vencê-los; e ainda o esforço por santificar a família, por achar Deus no trabalho, por levar Deus a outras almas, etc, etc. Em suma, entra tudo quanto nos ajuda a procurar a santidade e o apostolado no dia-a-dia.
Como fazer a leitura espiritual?
1) Antes de mais nada, é preciso convencer-se da sua necessidade e tomar a decisão de fazê-la, sempre que possível, diariamente.
2) Ao tomar essa decisão deverá ter em conta:
a) Primeiro: que é importante escolher o melhor momento do dia – o “seu” melhor momento -para essa leitura. Antes do café da manhã? No escritório, antes de começar o trabalho? No começo da tarde (hora que pode ser útil para estudantes, para algumas mães de família…)? Ao visitar uma igreja, antes de voltar para casa? No ônibus ou no metrô, desde que possa sentar-se? Pense, tire experiências, e defina.
b) Pense que será mais fácil definir o horário, se tiver consciência de que a leitura não precisa ser longa: ordinariamente bastam dez ou quinze minutos para tirar bom fruto dessa prática espiritual. Vivendo-a com constância, em pouco tempo terá lido, e aproveitado, mais livros bons do que imagina.
c) É importante que você defina – volto a dizer – o lugar, o momento e a duração dessa leitura espiritual. E acrescento um conselho, fruto da experiência: se você definir dez minutos de leitura, faça sempre dez minutos como “norma”, nunca menos. Caso queira esticar essa leitura por mais tempo, ou deseje ler mais em outra hora, não há problema, mas considere isso como “leitura extra”. É só em relação ao seu programa diário, aos seus dez ou quinze minutos, que deve se sentir comprometido, com sincera exigência.
d) Escolha bem, em cada momento, o livro de leitura espiritual. Para isso, é muito útil pedir conselho a uma pessoa de critério que conheça a sua alma e as lutas da sua vida. Em todo o caso, sempre que possível, procure ler um livro que vá ao encontro das suas necessidades espirituais daquela temporada.
e) Uma vez definido o livro, leia-o devagar, pausadamente, em sequência, e do começo ao fim (lendo, relendo, refletindo, rezando). Quem borboleteia nas leituras, “debicando” por curiosidade pedacinhos de vários livros ao mesmo tempo, sem completar nenhum, tira pouco proveito e permanece superficial na sua vida interior.
f) Não importa quanto tempo demorar a terminar um livro, mesmo que seja breve. Também não importa, antes pelo contrário, reler vários dias em seguida os mesmos trechos do livro, se a sua intenção é assim gravá-los melhor, para tirar deles mais fruto. Um livro bom pode ser relido todos os anos (por exemplo, um clássico sobre a Paixão de Cristo, no tempo da Quaresma; ou um bom livro sobre Nossa Senhora, em Maio, mês de Maria).
g) Depois da leitura diária, ao fechar o livro e pergunte-se: O que foi que eu li, o que compreendi, o que me ficou mais gravado?
3. É muito bom ter o desejo de conhecer (de ler) as obras clássicas de espiritualidade, que têm ajudado inúmeras pessoas a se aproximarem de Deus e a melhorar. Como diz São Josemaria: «A leitura tem feito muitos santos» (Caminho, n. 116). Para ter ideia de que tipo de livros estou falando, vou citar alguns, apenas alguns, dentre os mais conhecidos:
─ Tomás de Kempis: A imitação de Cristo
─ São Francisco de Sales: Introdução à vida devota (também chamado Filotéia), Tratado do Amor de Deus (mais “teológico”)
─ Santo Afonso Maria de Ligório: A oraçãoA prática do amor a Jesus CristoAs glórias de Maria
─ Santa Teresa de Lisieux (Santa Teresinha): História de uma alma(também chamadoManuscritos autobiográficos)
─ Santa Teresa de Ávila: O livro da vidaCaminho de perfeição
─ Santa Catarina de Sena: O diálogo
E muitos outros, que agora seria impossível citar, além de numerosas obras excelentes de autores antigos e contemporâneos, que podem fazer um bem imenso à nossa alma. Pesquise, pergunte, consulte a quem lhe puder dar um bom conselho. Acredite na leitura espiritual. A ela se pode aplicar perfeitamente o dito de Jesus: Pelos seus frutos os conhecereis (Mt 7,16).
4. Mas, antes de encerrar esta conversa, queria dar dois esclarecimentos:
a) Não confunda a «leitura espiritual» com a «oração mental» (ou a «meditação»). É muito frequente o engano de pessoas que utilizam determinados livros para fazer a sua oração mental (ou a sua meditação), e acham que com isso estão fazendo leitura espiritual. Misturam e confundem conceitos diferentes. Veja o que já dissemos a respeito da oração e da meditação. Para a oração mental ou meditação, cada dia, se quiser, você pode escolher à vontade textos de livros diferentes, os que achar que lhe podem servir de apoio para meditar sobre a sua vida e “falar com Deus”. A «leitura espiritual», porém, como acabamos de ver, é coisa diferente: trata-se de ler em sequência, quase que de “estudar” um livro inteiro, completo, que garanta o aprofundamento da sua formação. Não esqueça essa distinção;
b) Há outras leituras, que também nos fazem muito bem; mais ainda, que nos fazem muita falta: as que nos proporcionam formação doutrinal. Entre elas, podem-se destacar os catecismos: desde o Primeiro Catecismoou o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, até o próprio Catecismo da Igreja Católica, amplo, profundo, excelente, ainda que exige certo preparo doutrinário para entendê-lo bem. Um bom livro de teologia para leigos, que não hesito em recomendar, é a obra do americano Leo Trese, A fé explicada; excelente, pedagógico e claro. Em bastantes casos, pode ser usado também como “leitura espiritual”.
Todos deveríamos achar algum tempo (não precisa ser diário, pode ser semanal, mais longo nas férias) para ler obras doutrinais. Hoje, num mundo de ideias confusas, é uma necessidade vital.

https://pt.aleteia.org/2017/07/16/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-leitura-espiritual/

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Oração da noite ao Santo Anjo da Guarda


Reze e durma tranquilamente, na certeza de que ele está intercedendo junto a Deus por você

Meu querido Santo Anjo, agora estou cansado.
As crianças vão dormir, e também eu quero ser inteiramente uma criança, criança da Mãe Santíssima, Maria, criança do Pai Celestial.
Tirai de mim, Deus, tudo o que hoje não foi bom, e perdoai! Colocai o Vosso amor por cima, e Vós, Maria, Mãe do Céu, o vosso manto dourado!
Ajuda-me a dar graças, meu Irmão angélico, e segura a minha mão em Nome de Deus!
Amém.

Locais simples e poderosos para rezar na sua casa

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5 lugares da casa e ideias específicas para rezar em cada um deles

Tenho refletido muito sobre os melhores lugares da casa para rezar, e também tenho pensado sobre o que rezar e como rezar em cada um deles. Eis as minhas conclusões:

1. Na entrada

É muito bonito fazer uma pequena oração de agradecimento ao chegar em casa. Gratidão por ter um lar, um abrigo, um espaço onde viver. Se for o caso, agradecer por ter alguém com quem compartilhar esse espaço. Ao sair, você pode fazer o sinal da cruz, repleto de significado. Que o Senhor nos guarde, acompanhe e oriente nas atividades fora de casa.

2. Na cozinha

Cozinhar é um ato de amor, de doação. E o alimento vai nutrir o corpo, que é templo do Espírito Santo. Aqui, vale a pena fazer uma oração de oferecimento do trabalho, do esforço: colocar o amor ao serviço daqueles para quem cozinho – inclusive quando cozinho só para mim.

3. À mesa

Compartilhar o pão é sinal de fraternidade. Foi à mesa que Jesus se preparou para sua grande entrega. O Senhor também está presente durante nossas refeições. Uma simples oração de bênção dos alimentos, uma ação de graças, uma petição pelos que não têm o que comer, mesmo que apenas interiormente, dão muito sentido a estes momentos do dia.

4. No quarto

A solidão de cada um é um lugar de encontro com o Pai. Vale a pena colocar nas mãos de Deus todos os anseios, preocupações, conquistas, frustrações do dia. Pode ser um momento de recolhimento, também para assumir o silêncio da nossa ida. Buscar o Senhor e pedir que Ele abençoe o nosso descanso.
5. No chuveiro
Sim, no chuveiro! Tomar banho é um ato de satisfação, força e prazer. Sentir a água nos faz sentir-nos vivos e nos dispõe a descansar, ou a começar bem o dia. A água lava, cura, refresca, aquece. Tornar o Senhor presente nesse momento é torná-lo presente em minha necessidade de recomeçar, de descansar, de sentir calor ou frio, de sentir sua proteção após a batalha do dia.
Há outros lugares, outros momentos e cantos a serem aproveitados: a imagem de Nossa Senhora na estante, a foto da família na parede… Busque seus lugares e reze. Encontre o Senhor no cotidiano, permita que Ele participe da sua vida. Você verá que, com Ele, o dia será muito melhor!

https://pt.aleteia.org/2019/01/17/locais-simples-e-poderosos-para-rezar-na-sua-casa/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=weekly_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

Jesus ordena ao demônio:

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas
"Vai com os porcos." 

Vede a que ponto a alma do homem é preciosa. O que contraria os que pensam que os homens e os animais têm uma alma idêntica e que somos animados pelo mesmo espírito. Noutra altura, o demônio foi expulso de um só homem e foi enviado para dois mil porcos [cf Mt 8,32]. 

Aquilo que era precioso foi salvo, e o que era vil, perdido: «Sai do homem, vai para os porcos. Vai para onde quiseres, vai para os abismos. Deixa o homem que é Minha propriedade. Não te vou deixar possuir o homem pois seria para Mim um ultraje instalares-te nele em Meu lugar. Assumi um corpo humano, vivo no homem: essa carne que possuis faz parte da Minha carne: sai deste homem!»

#SãoJerônimo

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Conselhos de Padre Pio: devoções


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Quanto não há tempo para ambas, a meditação é preferível à oração vocal, porque é mais frutífera.

Não retroceda, ou pior ainda, não interrompa a subida ao Calvário da vida. Jesus estenderá Sua mão e o sustentará.

Se você deseja assistir a Missa com devoção e proveito, pense na Mãe Dolorosa, aos pés do Calvário.

Unamo-nos devidamente ao Coração Doloroso de nossa Mãe Celeste e reflitamos acerca de sua dor infinita e quão preciosa é nossa alma.

Seja firme em suas resoluções; permaneça na embarcação que Eu te coloquei e deixe vir a tormenta. Viva Jesus! Você não perecerá.

Navegue por entre ventos e ondas, mas com Jesus. Se o medo te dominar, exclame com São Pedro: “Oh Senhor, salve-me!” Ele lhe estenderá Sua mão. Segure-a firmemente e caminhe alegremente. 

DA SAGRADA COMUNHÃO

Resultado de imagem para comunhão joelhosConsideremos, finalmente, o grande desejo que tem Jesus Cristo de que o recebamos na Santa Comunhão… Sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora… (Jo 13,1), mas por que Jesus Cristo chamava a sua hora aquela noite em que devia começar sua dolorosa Paixão?… É porque naquela noite ia legar-nos este divino Sacramento, com o fim de unir-se ele mesmo às almas queridas de seus fiéis. Este sublime desígnio fê-lo exclamar então: “desejei ardentemente celebrar convosco esta Páscoa” (Lc 12,15), denotando com estas palavras o divino Redentor o veemente desejo que nutria de estabelecer conosco essa união na Eucaristia…
Desejei ardentemente… Assim o obriga a falar o amor imenso que nos tem — disse São Lourenço Justiniano.
Quis ocultar-se sob as espécies de pão, a fim de ser acessível a todos. Se houvesse escolhido para este portento algum alimento esquisito e caro, os pobres não poderiam recebê-lo frequentemente. Outra classe de alimento, mesmo que não fosse seleto e precioso, não se encontraria em toda parte. Por isso, o Senhor preferiu esconder-se sob as espécies do pão, porque o pão facilmente se encontra e todos os homens o podem procurar.
O vivo desejo que tem o Redentor de que com frequência o recebamos sacramentado, movia-o a exortar-nos muitas vezes: “Vinde, comei o pão; e bebei o vinho que vos preparei. Comei, amigos, e bebei; inebriai-vos, meus muito amados” (Pr 9,5; Ct 5,1); venho a vô-lo impor como preceito:
“Tomai e comei; este é meu corpo” (Mt 26,26)
E para nos atrair a recebê-lo, estimula-nos com a promessa da vida eterna.
“Quem come a minha carne, tem a vida eterna. Quem come este pão, viverá eternamente” (Jo 6,55.59)
E no caso contrário ameaça-nos com a exclusão do paraíso da glória:
“Se não comerdes a carne do Filho do Homem, não tereis a vida em vós” (Jo 6,54)
Tais convites, promessas e ameaças nascem do desejo de Cristo de unir-se a nós na Eucaristia; e este desejo procede do amor que Jesus nos tem, porque — segundo disse São Francisco de Sales, — a finalidade do amor não é outra do que unir-se ao objeto amado; ora, neste Sacramento Jesus mesmo se une a nossas almas (aquele que come minha carne e bebe meu sangue, fica em mim e eu nele (Jo 6,57). É este o motivo por que deseja tanto que o tomemos neste Sacramento.
“O amoroso ímpeto com que a abelha esvoaça sobre as flores para lhes extrair o mel — disse o Senhor a Santa Matilde — não pode ser comparado ao amor com que eu me uno às almas que me amam”
Compreendessem os fiéis o grande amor que a santa comunhão traz às almas!… Cristo é o senhor de toda riqueza, e o Pai Eterno depositou tudo em suas mãos (Jo 13,3). Quando Jesus toma posse da alma pela sagrada Eucaristia, traz consigo riquíssimo tesouro de graças. Vieram a mim todos os bens juntamente com ela (Sb 7,11), — disse Salomão, falando da eterna Sabedoria.
Segundo São Dionísio, o Santíssimo Sacramento possui virtude suprema para santificar as almas. E São Vicente Ferrer deixou escrito que mais aproveita aos fiéis uma comunhão do que jejuar a pão e água uma semana inteira. A comunhão, como ensina o Concílio de Trento, é o grande remédio que nos livra das culpas veniais e nos preserva das mortais. Por esse motivo, Santo Inácio Mártir chama a Eucaristia “medicina da imortalidade”. Inocêncio III disse que Jesus Cristo, por meio de sua Paixão e Morte, nos livrou das penas do pecado, mas que com a Eucaristia nos livra do pecado.
Este sacramento nos inflama no amor de Deus.
“Introduziu-me na adega do vinho; ordenou em mim o amor. Confortai-me com flores, fortalecei-me com frutas, porque desfaleço de amor” (Ct 2,4-5)
São Gregório Nisseno disse que esta adega é a santa comunhão, na qual a alma de tal modo se embriaga do amor divino, que esquece as coisas da terra e tudo o que é criado; desfalece, enfim, de amor vivíssimo.
Também o venerável Pe. Francisco de Olímpio, teatino, dizia que nada nos inflama tanto no amor de Deus como a sagrada Eucaristia. Deus é amor; é fogo consumidor (Jo 4,8; Dt 4,24). Foi esse fogo de amor que o Verbo Eterno veio acender na terra (Lc 12,49). E na verdade, que ardentíssimas chamas de amor divino acende Jesus Cristo na alma que o recebe sacramentado com vivo desejo! Santa Catarina de Sena viu um dia Jesus Sacramentado nas mãos de um sacerdote e a sagrada hóstia lhe parecia brilhantíssima fogueira de amor, ficando a Santa maravilhada como os corações dos homens não ardessem todos e se reduzissem a cinza por tamanho incêndio.
Santa Rosa de Lima assegurava que, ao comungar, parecia-lhe que recebia o sol. O rosto da Santa resplandecia de tanta luz, que deslumbrava aos que a viam, e da boca exalava tal calor, que a pessoa que lhe dava de beber depois da comunhão sentia a mão quente como se a tivesse junto a um forno. O Santo rei Venceslau, quando ia visitar o Santíssimo Sacramento, sentia-se inflamado de ardor tão intenso, mesmo exteriormente, que a um criado seu, que o acompanhava, ao caminhar certa noite pela neve atrás do rei, bastou pôr os pés nas pisadas do Santo para não sentir frio algum. São João Crisóstomo dizia, que, sendo o Santíssimo Sacramento fogo abrasador, deveríamos, ao retirar- nos do altar, sentir tais chamas de amor que o demônio não se atrevesse a tentar-nos.
Dizes, talvez, que não te atreves a comungar com frequência porque não sentes em ti esse fogo do amor divino. Mas essa escusa, como observa Gerson, seria a mesma que dizer que não te queres aproximar do fogo porque tens frio. Quanto maior for a tibieza que sentimos, tanto mais frequentemente devemos receber o Santo Sacramento, contanto que tenhamos desejo de amar a Deus.
“Se acaso te perguntarem os mundanos — escreve São Francisco de Sales em sua “Introdução à vida devota” — por que é que comungas tão a miúdo… dize-lhes que há duas classes de pessoas que devem comungar com frequência: os perfeitos, porque, estando bem dispostos, ficariam prejudicados em se não achegando ao manancial e fonte da perfeição; e os imperfeitos, para terem justo direito de aspirar a ela…”
E São Boaventura diz igualmente:
“Ainda que sejais tíbio, aproxima-te da Eucaristia, confiando na misericórdia de Deus. Quanto mais enfermos estivermos, tanto mais necessitamos do médico”
E, finalmente. Cristo mesmo disse a Santa Matilde:
“Quando houveres de comungar, deseja ter todo o amor que tenha tido o coração mais fervoroso, e eu aceitarei teu desejo como se tivesses realmente esse amor a que aspiras”
AFETOS E SÚPLICAS
Ó amantíssimo Senhor das almas! Já não podeis dar-nos maior prova do vosso amor. Que mais poderíeis inventar para que vos amássemos?…
Fazei, ó Bondade infinita, que doravante vos ame viva e eternamente! A quem é que o meu coração deve amar com afeto mais profundo do que a vós, meu Redentor, que, depois de terdes dado a vida por mim, vos dais neste Sacramento?… Ah! meu Senhor! recorde eu sempre vosso excelso amor e me esqueça a mim inteiramente, a fim de amar-vos sem intermissão e sem reserva!… Amo-vos, meu Deus, sobre todas as coisas, e só a vós desejo amar. Afastai do meu coração todo afeto que não seja para vós… Dou-vos graças por me terdes concedido tempo de amar-vos e de chorar as ofensas que vos fiz. Desejo, meu Jesus, que sejais o único objeto do meu amor. Socorrei-me, salvai-me e minha salvação seja amar-vos com toda a minha alma nesta e na vida futura…
Maria, minha Mãe, ajudai-me a amar a Cristo. Rogai por mim.
Preparação para a Morte – Santo Afonso


COMO DEVEMOS EXAMINAR E MODERAR OS DESEJOS DO CORAÇÃO

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Jesus: Filho, muitas coisas deves ainda aprender, que não sabes bem.
A alma: Que coisas são estas, Senhor?
Jesus: Que conformes completamente teu desejo a meu beneplácito e não sejas amante de ti mesmo, mas zeloso cumpridor de minha vontade. Muitas vezes se inflamam teus desejos, e com veemência te impelem; examina, porém, o que mais te move, se minha honra ou teu próprio interesse. Se for eu o motivo, ficarás bem contente, qualquer que seja o sucesso do empreendimento; mas, se lá se ocultar algum interesse próprio, eis que isto logo te embaraça e aflige.
Guarda-te, pois, de confiar demasiadamente em preconcebidos desejos que tens sem me consultar, para que não suceda que te arrependas e te desagrade o que primeiro te agradou e procuraste com zelo, por te haver parecido melhor. Porém nem todo desejo que pareça bom logo devemos seguir, nem tampouco a todo sentimento contrário logo havemos de fugir. Convém, às vezes, refrear mesmo os bons empenhos e desejos, para que as preocupações não te distraiam o espírito; para que não dês escândalo por falta de discrição; para que, enfim, não te perturbe a resistência dos outros e desfaleças.
Outras vezes, ao contrário, é preciso usar de violência e rebater varonilmente os apetites dos sentidos sem atender ao que a carne quer ou não quer, mas trabalhando por sujeitá-la ao espírito, ainda que se revolte. Cumpre castigá-la e curvá-la à sujeição, a tal ponto, que esteja disposta para tudo, sabendo contentar-se com pouco e deleitar-se com a simplicidade, sem resmungar por qualquer incômodo.
Imitação de Cristo – Tomás de Kempis