quarta-feira, 1 de maio de 2019

Evitem ceder à tentação da fofoca, pede Papa a cabeleireiros



Exerçam "esta profissão com estilo cristão, tratando os clientes com gentileza e cortesia, e oferecendo a eles sempre uma palavra boa e de encorajamento"

O Papa Francisco concluiu sua série de audiências desta segunda-feira (29/04) recebendo no Vaticano os cabeleireiros, barbeiros e esteticistas pertencentes ao Comitê São Martinho de Porres, presente em muitas regiões italianas.
Em sua saudação, o Pontífice destacou a vida e a missão do santo peruano, que é padroeiro justamente desta categoria de trabalhadores.
Sendo mestiço, foi acolhido na Ordem dos Padres Dominicanos somente como terciário e, depois, como irmão cooperador. Aceitou esta condição vivendo uma existência de máxima humildade, marcada pelo amor. Dedicou-se com abnegação aos pobres e aos doentes, reservando a eles cuidados médicos graças às noções aprendidas primeiro numa farmácia e depois como aprendiz de um barbeiro e cirurgião, segundo os costumes daquela época.
São Martinho de Porres foi proclamado pelo Papa São Paulo VI, em 1966, padroeiro dos cabelereiros e barbeiros.
Para Francisco, o santo peruano “os estimula, sobretudo, a exercer esta profissão com estilo cristão, tratando os clientes com gentileza e cortesia, e oferecendo a eles sempre uma palavra boa e de encorajamento, evitando ceder à tentação da fofoca que facilmente se insinua neste contexto profissional”.
Os votos do Papa são para que cada um, ao desempenhar este trabalho, possa agir sempre com retidão, prestando assim uma contribuição positiva ao bem comum da sociedade.

Bebê “renasce” após ser batizado por uma médica

BABY BORN

O relato emocionante de quem presenciou este "milagre"

OInstituto Família e Vida publicou em sua página no Facebook um depoimento emocionante de uma médica que, ao se deparar com um recém-nascido que tinha sofrido uma parada cardíaca e estava clinicamente desenganado, resolveu batizá-lo. O surpreendente é que, após receber o sacramento, o bebê voltou a respirar. Veja o relato do que, para a profissional, foi um “milagre”:
“Eu presenciei um milagre!
Era sexta-feira, dia 22/03/19, e meu dia de trabalho havia começado movimentado: apendicite para operar, crianças para avaliar e visita aos pacientes internados.
Estava almoçando, por volta de 15:30h, quando recebi a ligação da residente me informando que havia um recém nascido de dois dias de vida na Uti neonatal com pneumotórax (quando acontece um “furo” no pulmão e o ar vai para fora dele impedindo que o mesmo se expanda e dificultando a respiração). Este bebê era prematuro e respirava com o auxílio de um ventilador mecânico, o que piorava ainda mais o pneumotórax. Era necessário fazer uma intervenção cirúrgica chamada drenagem torácica (procedimento em que se coloca uma “mangueira” no tórax para que o ar saia e deixe de comprimir o pulmão). 
Solicitei então que separassem o material necessário para o procedimento e orientei a pediatra a realizar a punção do tórax para tirar o bebê da situação de emergência e diminuir o risco iminente de morte. Cerca de 15 minutos depois, recebi outra ligação informando que o bebê havia tido uma parada cardíaca e não havia resistido.
Cheguei ao hospital após 10 min e, ao entrar na Uti neonatal, encontrei biombos ao redor do leito do bebê para impedir que os outros pais observassem o que estava acontecendo. As intensivistas e as enfermeiras rodeavam a incubadora enquanto uma delas realizava o eletrocardiograma para constatar o óbito. O bebê ainda estava entubado e acoplado ao ventilador, mas sua oxigenação era mínima e já não tinham batimentos cardíacos. Estava muito inchado e a pele tinha uma coloração arroxeada mais intensa nos lábios. Não tinha nenhum movimento nem reflexos.
A equipe médica havia realizado a punção torácica e as manobras de reanimação por mais de 20 minutos, sem sucesso. Os pais já temiam o pior…
Uma das médicas que acompanhava o caso me disse que o quadro era muito grave e que não havia mais nada que pudéssemos fazer.
Então, mesmo com o óbito constatado, resolvi realizar a drenagem torácica de qualquer forma. Após o procedimento, também batizei o bebê e o consagrei à Santíssima Virgem e a São Padre Pio e, em meu coração disse ao Senhor: “Senhor, Tu és o Deus da vida e a vida te pertence. Se estiver na Tua vontade, salva este bebê”
Permaneci poucos minutos ao lado do bebê para recolocá-lo na incubadora enquanto a equipe de enfermagem organizava tudo para que os pais pudessem ver seu filho pela última vez. Foi então que percebi que o bebê havia ficado rosado novamente e pedi à intensivista que checasse os batimentos cardíacos. Porém, a resposta foi a mesma: o coração continuava sem bater.
Minutos depois, ainda falávamos sobre o ocorrido, quando ouvimos o barulho no monitor indicando o retorno dos batimentos cardíacos. Chegamos a pensar que as drogas utilizadas durante a reanimação pudessem ter provocado o retorno temporário dos batimentos, como em muitas situações já havíamos presenciado, mas que cessariam depois de algum tempo confirmando o óbito.
No entanto, dessa vez era diferente. Ao invés de bater poucas vezes e parar definitivamente, aquele coraçãozinho começou a bater cada vez mais forte e numa frequência que alcançou a frequência normal, para espanto de toda equipe! Ouvi muitos exclamarem dizendo que só podia ser um milagre…
Todos estavam visivelmente emocionados e a intensivista responsável chegou a dizer incrédula: “Meu Deus, nós íamos desligar os aparelhos!”

Isto aconteceu comigo e este bebê está vivo até hoje. Bendito seja Deus por nos permitir presenciar tão grande milagre!”
Em tempo: vale dizer que, segundo o Catecismo da Igreja Católica, “em caso de necessidade, qualquer pessoa, mesmo não batizada, desde que tenha a intenção requerida, pode batizar utilizando a fórmula batismal trinitária. A intenção requerida é a de querer fazer o que faz a Igreja quando batiza. A Igreja vê a razão desta possibilidade na vontade salvífica universal de Deus e na necessidade do Batismo para a salvação”(Catecismo da Igreja Católica, 1256).

https://pt.aleteia.org/2019/04/30/bebe-renasce-apos-ser-batizado-por-uma-medica/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

terça-feira, 30 de abril de 2019

A Teologia da Libertação e sua influência na Igreja

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A Teologia da Libertação e sua influência na Igreja


Avançando para a reta final da análise da mentalidade revolucionária, é necessário estudar as raízes da teologia da libertação e sua influência na Igreja. Como a teologia da libertação se encaixa na mentalidade revolucionária?
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Dentro do pensamento marxista, mais especificamente do pensamento marxiano[1], a religião e a teologia fazem parte de uma superestrutura, de algo que não faz parte da infraestrutura que move a história, ou seja, a economia[2]. O pensamento revolucionário posterior a Marx, porém, começou a perceber a importância da cultura, da superestrutura[3]. Marx considerava a religião como ópio do povo. Na Rússia, o stalinismo/leninismo tentou abolir a religião, mas Gramsci e a escola de Frankfurt descobriram que a cultura é, de alguma forma, a religião exteriorizada. Todos parecem ter uma visão religiosa do mundo e a cultura seria a exteriorização desta visão de mundo.


Feuerbach afirmava que toda a teologia é uma antropologia, pois dizia que tudo aquilo que se afirmava a respeito de Deus, que todas as afirmações religiosas podiam ser reduzidas a afirmações antropológicas. A religião parece, desta forma, ser uma projeção da humanidade na divindade.Feuerbach entende que a teologia é uma antropologia alienada. A Teologia da Libertação se esforça para seguir essa cartilha, pois é a imanentização[4] da religião cristã e de qualquer outra religião[5]. Tudo aquilo que se refere a Deus é relido em chave antropológica, mais especificamente em linguagem sociológica. Todo o conteúdo do sagrado e do transcendente é esvaziado na imanência humana.

Assim, uma das características básicas da Teologia da libertação é a negação de uma esperança transcendente. Não se espera o reino de Deus na transcendência, mas sim na imanência deste mundo. Seu golpe, porém, se caracteriza pelo fato de se afirmar que a transcendência se encontra no futuro. Mas, o futuro também é imanente, pois pertence à realidade desse mundo.

Essa afirmação do futuro como transcendente é própria do marxismo[6], ao se utilizar de um imanentismo fraco, afirmando que o sentido do hoje está no amanhã[7]. O marxista adia a crise de sentido diante de uma possibilidade de futuro. Mas, se o sentido do hoje é o amanhã, qual o sentido do amanhã? Qual o sentido da sociedade do futuro? Se a vida tem sentido, este sentido, necessária e logicamente, estará fora da vida. O único caminho para que a história tenha sentido é falar de uma meta-história, de algo transcendente.

O Reino dos Céus, conteúdo da fé cristã, não é o reino do amanhã, mas é o reino do além, da eternidade, eternidade que irrompeu na história humana e se fez carne. O transcendente, o sentido de tudo, o logos se fez presente na história humana. Exatamente por isso tornou-se alcançável, tangível[8]. O esforço da teologia será o de mostrar que esta aparente contradição não trai a racionalidade, mas a aperfeiçoa. A verdadeira teologia é uma tentativa de reflexão que tenta conciliar os paradoxos e aparentes contradições da fé[9] com a racionalidade.

Um "teólogo" da libertação não se move por esse mesmo caminho. Sua argumentação irá mudar quantas vezes forem necessárias até a realização do seu intento. Não existe nenhuma dificuldade em abandonar qualquer estereótipo. Tudo o que for necessário para favorecer a revolução será feito, pois qualquer argumento só tem validade enquanto convence. Se não convencer será descartado. É por isso que os teólogos tradicionais tem uma dificuldade imensa de compreender a forma de pensar de um teólogo da libertação, pois a lógica aristotélico-tomista, a todo o momento, percebe a falta de coerência lógica dos marxistas[10]. Na realidade, não seguem a lógica de Aristóteles, pois Gramsci já indicou o caminho: bom é aquilo que ajuda a revolução, mau é aquilo que atrapalha.

Para se dialogar com um marxista é preciso inverter o caminho costumeiro da argumentação, já que ele parte do primado da práxis sobre a teoria, sabendo o que quer fazer e, num segundo momento, cria a teoria para justificar a sua práxis. E, nesse caminho, o grande adversário a ser combatido é o cristianismo, ópio do povo, pois aliena 'o povo' da luta pela implantação de uma sociedade justa e sem classes através da pregação do reino dos céus. Tudo o que faça com que o povo não lute, não serve e não deve existir.

O povo deve ser engajado num processo de engenharia social e a religião deve ser metamorfoseada quantas vezes forem necessárias para ajudar nesse processo. O revolucionário não busca a verdade, pois não crê em sua existência. E uma vez que o marxismo viu que não conseguia destruir a Igreja a partir de fora (Revolução Russa, Gulags, Guerra Civil Espanhola) partiu para uma nova tática: infiltrar-se na Igreja, através da teologia da libertação, que se constituiu num projeto de engenharia social que, a partir da própria Igreja, buscou fazer com que a Igreja mudasse a sua própria natureza, constituindo-se numa força para ajudar a concretizar a revolução social. A tentativa: fazer com que o cristianismo deixe de ser visto como é, um acontecimento e passe a ser visto como uma realidade mental.

Referências

Marxiano = pensamento específico de Marx.
Segundo Marx, a história se move a partir de interesses econômicos.
Por isso, o marxismo cultural é por muitos teóricos considerado heterodoxo, exatamente por se desviar do ponto central do pensamento de Marx, valorizando mais a cultura do que a economia.
Considerar como válido somente o que é da experiência, palpável, empírico em detrimento de toda a realidade que remeta ao transcendente.
Hans Küng tem proclamado uma ética mundial, na qual faz uma conferência sobre cada uma das religiões, relidas de forma imanentista, pois elas servem enquanto força de inconsciente coletivo, dos arquétipos que pode ser manipulada para produzir a sociedade que se deseja, o combustível que pode ser utilizado num projeto de engenharia social. A finalidade da religião é assim, imanente.
Um imanentista em sentido pleno é um existencialista, pois vê que a vida não tem sentido, pois este mundo daqui é tudo que existe. Portanto, não há sentido fora do mundo. Os existencialistas merecem o nome de filósofos, uma vez que levam o ateísmo até as últimas consequências, mostrando que, já que Deus não existe, só sobra o desespero para o ser humano.
A Teologia da Libertação, desta forma é a aplicação eclesial do “dogma" marxista, pois apresenta o sentido da Igreja como a Igreja do amanhã, que é tecnicamente chamada de Reino de Deus.
Este é o grande paradoxo do cristianismo. O esforço teológico é o de explicar que o que é aparentemente contraditório é algo profundamente lógico.
Sendo assim, não existe, verdadeiramente uma teologia da libertação, mas sim uma ideologia, já que ideologia é uma série de ideias e de reflexões que servem para justificar interesses de classes, interesses de engenharia social. A teologia da libertação é, na verdade, uma ideologia a serviço de uma engenharia social.
Acusar de homossexualismo quem usa batina e defendem o casamento homossexual. É conveniente chamar de homossexual quem usa batina e no momento seguinte defender a sacralidade da relação homossexual, para destruir a estrutura da sociedade patriarcal.


https://padrepauloricardo.org/aulas/a-infiltracao-do-marxismo-cultural-no-brasil

sexta-feira, 26 de abril de 2019

3 padres católicos premiados em 2019 – e que passaram em branco para a mídia

3 padres premiados

Seus esforços exemplares no serviço ao próximo por amor a Deus foram divulgados muito timidamente por poucos veículos de comunicação

Em meio aos esforços de grande parte da mídia para explorar ao máximo e de modo parcial os escândalos de abusos sexuais perpetrados por criminosos estudantes em seminários ou mesmo já ordenados sacerdotes, vêm passando em brancas nuvens (por que será?) os muitos casos exemplares de religiosos e padres fiéis, dedicados e entregues cotidianamente à missão de servir ao próximo por amor a Deus.
Vamos recordar apenas três dos mais recentes, todos ocorridos neste ano e divulgados timidamente por poucos veículos de comunicação:

Franciscano é eleito o melhor professor do mundo

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Youtube - Khaleej Times
O irmão franciscano Peter Tabichi, do Quênia, foi eleito o melhor professor do mundo pelo ‘Global Teacher Prize‘ de 2019. O prêmio é oferecido pela Fundação Varkey, uma entidade que se dedica à melhoria da educação para crianças carentes. A cerimônia de premiação aconteceu em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Além do troféu, o religioso franciscano, que concorreu com outros dez mil indicados de 179 países, recebeu US$ 1 milhão ( cerca de R$ 3,9 milhões). O dinheiro deverá ser aplicado em atividades educacionais.
“Todos os dias, na África, viramos uma página e começamos um novo capítulo. Hoje é outro dia. Este prêmio não é um reconhecimento a mim, mas aos jovens deste grande continente. Estou aqui somente por causa do que os meus alunos alcançaram. Este prêmio dá a eles uma oportunidade, diz ao mundo que tudo é possível. A África produzirá cientistas, engenheiros, empresários cujos nomes serão, um dia, conhecidos em todos os cantos do mundo”.
O sacerdote é professor de ciências na Escola Secundária Keriko Mixed Day, localizada em uma zona rural do Quênia, e doa 80% de sua renda mensal para ajudar aos alunos mais pobres a comprar uniformes e materiais escolares. Muitos desses estudantes percorrem mais de 6 quilômetros diariamente para chegar até a escola. Além disso, 95% dos alunos são provenientes de famílias pobres, quase um terço são órfãos ou têm apenas um dos pais e muitos não têm comida em casa.
As classes, que deveriam ter entre 35 e 40 alunos, chegam a ter o dobro de estudantes. Além disso, por lecionar em uma escola onde há apenas um computador e uma conexão precária de internet, o irmão Peter Tabichi é obrigado a ir até um café para baixar os materiais necessários para suas aulas.
Segundo dados oficiais, o trabalho do professor Tabichi fez, em três anos, a quantidade de matrículas dobrar e os casos de indisciplina caírem de 30 por semana para apenas três. Em 2017, apenas 16 dos 59 alunos ingressaram na faculdade, enquanto em 2018, 26 alunos foram para a universidade. 
Na cerimônia de premiação, que foi apresentada pelo astro do cinema australiano Hugh Jackman e contou com a presença do primeiro-ministro dos Emirados Árabes, o religioso fez questão de usar o hábito da Ordem Franciscana. A veste tem o cordão de três nós, que simbolizam a pobreza, a castidade e a obediência. 
Em 2018, um brasileiro ficou entre os 10 indicados ao prêmio de melhor professor do mundo. Clique aqui e conheça a história dele. 
Com informações de Gaudium Press

Padre-bombeiro entre os heróis do incêndio na Catedral de Nôtre-Dame

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Em entrevista ao canal KTOTV, o pe. Jean-Marc Fournier, capelão principal dos bombeiros de Paris conta que estava de plantão no trágico dia 14 de abril de 2019, quando a Catedral de Nôtre-Dame ardeu em chamas. Foi ele que conseguiu entrar na catedral e salvar um dos maiores tesouros do cristianismo que lá estava. Os detalhes da ação corajosa do padre foram debatidos durante aula ao vivo do Padre Paulo Ricardo nas redes sociais. O sacerdote brasileiro traduziu a entrevista do padre francês:
“Eu sou Padre Fournier, capelão principal da Brigada de Bombeiros de Paris. E eu era o capelão plantão, neste 15 de abril, quando aconteceu um incêndio enorme na Catedral Nôtre-Dame de Paris. Eu fui imediatamente convocado. E, logo de início, ao chegar, me pareceu que duas coisas essenciais precisavam ser feitas. A primeira era salvar o tesouro inestimável da coroa de espinhos e em seguida, é claro, Jesus presente no Santíssimo Sacramento.
Ao entrarmos na Catedral, ela estava um pouco tomada pela fumaça. Ainda não havia calor. À nossa frente tínhamos uma espécie de visão daquilo que poderia ser o inferno. Ou seja, uma cascata de fogo que caia justamente das aberturas causadas, seja pela queda da [torre] ‘flecha’, como também por várias aberturas no coro dos monges.
Acompanhado por um oficial superior, a dificuldade para nós foi encontrar a pessoa que possuía o código que permitia abrir a caixa-forte na qual a santa relíquia era guardada. Isto custou-nos um certo tempo. E durante esta busca, esta espécie de caça ao código, uma equipe de bombeiros já estava trabalhando a fim de preservar as relíquias. Ou seja, tiveram de golpear o cofre das relíquias que, infelizmente foi estraçalhado. Quando então encontramos as chaves, chegamos às santas relíquias, de forma mais ou menos simultânea. Elas foram retiradas e guardadas no mesmo espaço das operações, mas debaixo da proteção das forças da ordem, ou seja, de funcionários do departamento de polícia. Então todos sabemos que a Santa Coroa é uma relíquia absolutamente única e extraordinária e que o Santíssimo Sacramento é Nosso Senhor realmente presente no seu corpo, sua alma, sua divindade, sua humanidade.
Vocês compreendem então que é bem delicado ver alguém a quem amamos perecer nas chamas. Assim, tendo sempre que acompanhar os bombeiros, nós vemos com frequência pessoas vítimas de incêndios e, por isso, conhecemos bem as consequências. É por isso que eu quis preservar incólume a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo.
(…) Quando o fogo começou a atingir a torre norte, e tivemos medo de perdê-la, foi no momento exato em que eu peguei o Santíssimo. Assim, eu não quis somente retirar Jesus, eu aproveitei para dar uma Bênção do Santíssimo. Então eu estava sozinho na Catedral, com este ambiente de chamas, de fogo e de coisas incandescentes que caiam do teto, e com esta bênção eu provoquei Jesus e pedi que nos ajudasse a preserva sua casa. Devemos crer que ele nos ouviu! E a manobra do general foi brilhante! As duas coisas provavelmente. Aconteceu então que não somente o fogo foi bloqueado, mas salvou-se a torre norte e com ela também a torre sul foi salva”.

Prêmio “Melhor cidadão da Índia” vai para um padre católico

Pe Vineeth George
Pe. Vineeth George / Facebook
A International Publishing House, editora especializada em textos biográficos, concedeu no último 16 de abril o prêmio “Melhor cidadão da Índia” ao pe. Vineeth George, sacerdote católico claretiano de 38 anos, em reconhecimento pelo seu trabalho pastoral junto à população carente do norte do país majoritariamente hinduísta.
Nascido em Hyderabad, o sacerdote ordenado em janeiro de 2014 tinha se formado na Loyola Academy, dirigida pelos jesuítas, mas conta, em entrevista à Asia News, que a sua vocação
“é um dom nascido na minha infância. Sempre pensei em usar os talentos que Deus me deu para o benefício da Igreja”.
Graduado pela Universidade Jain Deemed e pós-graduado no Matrusri Institute, o jovem Vineeth George trabalhou na Dell Computer Corporation e na General Electric, além de ter sido subdiretor do jornal Deccan Chronicle e funcionário do Ministério de Energia da Índia.
“Eu era muito admirado pelo meu profissionalismo”.
No entanto, a excelente carreira que tinha pela frente não o satisfazia. Vineeth deixou tudo e entrou no seminário.
“Por graça de Deus, ainda sendo apenas seminarista, em 2006, os meus superiores me colocaram para ensinar administração no St. Claret College. Um ano depois da minha ordenação, fui nomeado vice-diretor do colégio e fiquei no cargo até dezembro de 2018. Desde janeiro estou fazendo doutorado em comportamento organizacional no Indian Institute of Technology de Hyderabad, um dos centros de ensino superior mais reconhecidos do país”.
No seu serviço à população carente, o pe. Vineeth George também foi professor num centro de capacitação profissional na periferia de Deli. Ele conta:
“A escola fica numa área onde só moram hindus, onde não há presença cristã. O centro recebe 30 jovens que abandonaram os estudos: as mulheres fazem cursos de estética e os homens estudam para serem eletricistas e encanadores”.
Após a ordenação, ele também assumiu uma paróquia:
“Fui vigário paroquial da igreja de São Pedro, na diocese de Daltonganj. Lá ensinei inglês para as crianças tribais que frequentavam a escola ao lado da paróquia”.
Além de prosseguir o doutorado, o sacerdote está à frente de atividades pastorais nas dioceses de Hyderabad e Shamshabad.
Com informações das agências Asia News e ACI Digital.

sábado, 20 de abril de 2019

PRUDÊNCIA: A REALIZAÇÃO


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QUARTA E ÚLTIMA ETAPA: A REALIZAÇÃO 
  1. Decisões de curto e longo prazo
Nem todas as decisões, como é óbvio, têm subjetivamente a mesma dimensão. É diferente a decisão de votar num determinado candidato da decisão de constituir uma família ou de instalar uma grande usina. Todas elas exigem uma ponderação prévia, séria e responsável. Mas, nas eleições, o ato de votar é coisa de minutos. Nos outros casos, a responsabilidade é contínua, sine die.
Vamos chamar “decisões permanentes” essas que miram a vida inteira ou um longo período de tempo. Jesus amava a palavra permanecer. Repetiu-a com insistência na Última Ceia quando se despedia dos apóstolos: Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós… Aquele que permanece em mim, esse dá muito fruto… Permanecei no meu amor… (Jo 15, 4.5.9).
Permanecer significa manter a decisão tomada, apesar das dificuldades, do cansaço e das demoras.
Segundo Pieper, a prudência nesses casos «significa a coragem que se arrisca na decisão irreversível»[1].
As decisões que atingem profundamente a vida devem manter-se vivas através dos anos, contra vento e maré. Para conseguir isso, são necessárias três qualidades habituais: firmezacapacidade de renovar-se e humildade de retificar.
  1. Firmeza
Vamos escutar umas palavras de Santa Teresa de Ávila, que são como uma sacudida revigorante da alma. Dirigindo-se às jovens que desejavam seguir a vocação de carmelita descalça, escreve:
«Importa muito, e tudo, uma grande e muito determinada determinação de não parar até alcançar a meta, venha o que vier, aconteça o que acontecer, sofra-se o que se sofrer, murmure quem murmurar, mesmo que não se sintam forças para prosseguir, mesmo que se morra no caminho ou não se tenha ânimo para os sacrifícios que há que enfrentar, ainda que se afunde o mundo…»[2].
Santa Teresa era enérgica. Uma mulher e tanto, que ultrapassou com garra mil obstáculos. Mas não foi o que hoje se chama uma “voluntarista”, isto é, uma pessoa que acha que tudo depende única e exclusivamente da sua força de vontade. Esse foi o erro de Pelágio, no século V, que a Igreja condenou. 
Santa Teresa nunca se esqueceu de que, sem a ajuda a graça de Deus, não seríamos capazes de mexer um dedo[3]. Pelo menos uma vez por semana, como todas as Irmãs, rezava com estas palavras: Se o Senhor não construir a casa, é inútil a fadiga dos que a constroem (Sl 127 [126], 1); pois tu és, ó Deus, a minha fortaleza (Sl 43 [42], 2). Por isso, ao empreender tarefas que ultrapassavam as suas forças confiava tudo a Deus mediante muita oração, intensa e cheia de fé, e pedia às suas Irmãs que orassem dia e noite, sem cessar, “importunando” a Deus com suas petições.
Ao mesmo tempo, sabia que, contando em primeiro lugar – sempre e para tudo –, com o auxílio da graça de Deus, é preciso que façamos da nossa parte todo o esforço humano possível. Deus não abençoa a preguiça nem a inconstância. Ele quer contar com a nossa colaboração. Então podemos exclamar: Sim, contigo sinto-me forte, com o meu Deus venço qualquer barreira (Sl 18 [17], 30).
As barreiras, as dificuldades, são o teste da firmeza das nossas decisões[4]. Quando queremos mesmo, enfrentamos os problemas com força. Assim, os obstáculos que ameaçam impedir-nos de chegar à meta – mesmo os da nossa fraqueza, das nossas debilidades ou quedas pessoais –, em vez de nos paralisar, nos estimulam a reagir, a rezar mais e a empenhar-nos mais.
«Cresce perante os obstáculos – lemos em Caminho – A graça do Senhor não te há de faltar: Inter medium montium pertransibunt aquae!: – passarás através das montanhas! ( n. 12).
Assim, mantendo a firmeza perante as dificuldades, as virtudes que nos farão chegar à meta amadurecem: a humildade, o amor, a esperança, a perseverança, a fé, a paciência, o espírito de sacrifício … As águas passam através das montanhas e, com a ajuda de Deus, atingimos o ideal proposto.
  1. Capacidade de renovação
As melhores “decisões permanentes” esmorecem quando nos dedicamos apenas a  marcar o passo, a prosseguir por inércia, por rotina cega.
Digo rotina cega, porque há rotinas lúcidas. A cega é a simples continuidade, manutenção mecânica e mortiça de uma resolução tomada tempos atrás. A lúcida é a que se renova todos os dias, e se vivifica com iniciativas criativas.
Entre as decisões permanentes, mencionávamos antes a decisão de construir uma família. Fiquemos com esse exemplo. Você deve ter visto muitas vezes – vezes demais! – famílias que começaram bem, no sonho e a esperança, … e foram esmorecendo até afundar-se num mundo cinzento de maus humores, egoísmos e queixas. O amor ficou no grau mínimo da fidelidade: apenas “não” se separaram.
Não foi para afogar-se nesse nevoeiro que marido e mulher decidiram casar-se e ter filhos. Acontece, porém,  que deixaram o barco correr sem se renovar, e assim a família foi deslizando rio abaixo, até perder grande parte da alegria, dos sonhos e do ideal.
A rotina “cega” vai desgastando a força das decisões. Pelo contrário, a rotina “lúcida” as desenvolve, as purifica, as mantém vivas, as multiplica e as leva à maturidade.
É bom meditar no que dizia Santo Agostinho: «Não fiques nunca satisfeito com aquilo que és, se queres chegar ao que ainda não és. Porque onde te consideraste satisfeito, lá mesmo ficaste parado. Se disseres “já basta”, morreste. Cresce sempre, progride sempre, avança sempre»[5].
Atitude viva é, por exemplo, a do casal que inicia cada dia com uma pequena ideia nova, uma iniciativa pensada para fazer o outro – ou os outros, os filhos – um pouco mais felizes: um cumprimento mais carinhoso, uma pequena surpresa, uma atitude de proximidade e conforto nas penas, um interesse sincero pelo que aos outros interessa, o propósito de silenciar o que os pode aborrecer e de procurar comentários que incentivem…
É interessante observar que há um grande paralelismo entre o amor a Deus e o amor humano. Se o amor a Deus de um cristão quer crescer – como todos deveríamos desejar – tem que avançar cada dia um pouco, com sacrifício e alegria (melhorando a oração, com confissões e comunhões mais frequentes, com pequenos sacrifícios, com constância diária nas leituras que renovam as ideias e os propósitos, etc.).
Fazendo isso se descobre que quando, na vida de um cristão, o amor a Deus se renova, também os amores humanos se vão renovando com mais facilidade. Não são amores separáveis. Ambos fazem parte do “primeiro mandamento”: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (cf. Mt 22, 37-39).
Tomara que assumíssemos como programa o que descrevia São Gregório de Nissa: «Aquele que vai subindo jamais cessa de progredir, de começo em começo, através de começos que não têm fim[6].
Quando as coisas fundamentais da vida – essas que dão sentido à vida − vão mal, a nossa tentação consiste em culpar os outros ou as circunstâncias. Seria melhor que fizéssemos uma boa autocrítica, que em linguagem cristã se chama exame de consciência: “Se eu melhorasse, se eu mudasse, se eu tentasse…, será que não mudariam muitas coisas à minha volta e, sobretudo, não mudariam os outros?”
Procuremos, então, uma direção espiritual periódica, façamos um retiro ou algum curso de formação cristã, algo …, mas não concluamos que “não dá mais”. Reconheçamos que a nossa decisão permanente  ficou congelada dentro do freezer dos nossos defeitos. Tiremo-la de lá e coloquemo-la diante da luz e do calor de Deus, adotando a tática de Santo Agostinho:
«Ainda corro, ainda avanço, ainda ando, ainda estou no caminho, ainda me esforço, ainda não cheguei. Deste modo, se andas, se te esforças, se tens o pensamento no que está por vir, lança no esquecimento o passado, não voltes o olhar para aquilo, para que não fiques no mesmo ponto onde te detiveste para olhar»[7].
  1. A humildade de retificar
Mais uma vez voltemos à sabedoria de Santa Teresa: «Para acertar, aproveita muito haver errado, porque assim se ganha experiência»[8].
Com um otimismo idêntico, São Josemaria escrevia: «Fracassaste? – Tu (estás bem convencido) não podes fracassar. –Não fracassaste; adquiriste experiência . – Para a frente»[9]. Naturalmente, está se dirigindo a cristãos que contam com Deus, e sabem que, junto dele, sempre é possível retificar os erros com humildade e recomeçar de novo com mais brio.
Deixemos que o mesmo santo nos fale dessa dimensão esperançosa da prudência, especialmente da prudência do cristão:
«Não é prudente quem nunca se engana, mas quem sabe retificar os seus erros… Que importância tem tropeçar, se na dor da queda encontramos a energia que nos reergue e nos impele a prosseguir com alento renovado? Não nos esqueçamos que santo não é o que não cai, mas o que se levanta sempre, com humildade e com santa teimosia.
» Nas batalhas da alma, a estratégia é muitas vezes questão de tempo, de aplicar o remédio conveniente, com paciência, com teimosia. Aumentai os atos de esperança. Quero lembrar-vos que sofrereis derrotas, ou passareis por altos e baixos , porque ninguém está livre desses percalços. Mas o Senhor, que é onipotente e misericordioso, concedeu-nos os meios idôneos para vencer[10].
Na nossa dedicação ao cumprimento das decisões permanentes  todos encontraremos o obstáculo das nossas fraquezas, que nos impelem:
─ a deixar de esforçar-nos por causa do cansaço
─ a cair no poço do pessimismo e o desalento, com complexo de vencidos
─ a ceder à tentação de desistir, trocando os melhores ideais pelo caminho fácil dos desvios morais (infidelidade, fuga do sacrifício, troca do dever pelo prazer, “jeitos” de ética duvidosa para poupar dores de cabeça, etc.).
Nada disso é bom, mas nada disso é um muro insuperável. Chesterton comentava que não existem “becos sem saída”. Sempre há uma saída: voltar para trás, desandar o caminho andado, ou seja, arrepender-nos, se a falha foi nossa, e corrigir – com o perdão e a ajuda de Deus – os rumos do coração e da conduta; ou então aproveitar a experiência de um fracasso sofrido sem culpa nossa e iniciar de novo – com “santa teimosia” – o itinerário da prudência (refletir, aconselhar-se, avaliar, até achar, com confiança em Deus e boa vontade, um novo caminho para recomeçar).


[1] Obra citada, p. 33
[2] Caminho de perfeição, 21, 2
[3] Permanecei em mim –disse Jesus – e eu permanecerei em vós. Como a vara não pode dar fruto por si mesma, se não estiver unida à videira, assim acontecerá convosco se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (Jo 15, 4-5).
[4] cf. O valor das dificuldades, 2ª ed., Ed. Quadrante, São Paulo.
[5] Sermão 169, 18
[6] Cf. Homilias sobre o Cântico dos cânticos, n. 8
[7] Sermão, n. 169, 18
[8] Carta n. 307, à Madre Maria de São José (Sevilha)
[9] Caminho, n. 405
[10] Cf. Amigos de Deus, nn. 88, 131, 219

quinta-feira, 18 de abril de 2019

CRISTO PARA MORRER, DISSE: “EU TENHO SEDE”. NÃO DIZ QUE TEM DORES, DIZ QUE TEM SEDE. E QUE SEDE SERÁ ESTA?



[Pelo Pe. Manoel José Gonçalves Couto]
Jesus Cristo estando para morrer sobre a cruz, seus carrascos não cessavam de o atormentar e desprezar cada vez mais com injúrias e escárnios. Diziam outros: “Ele tem livrado os outros e agora não pode se livrar a si?” Diziam outros: “Se Ele é o Rei de Israel, que desça agora da cruz”. Porém, enquanto eles o insultavam, Jesus Cristo por eles estava pedindo a seu Eterno Pai.
Vingativo, põe aqui os teus olhos. Olha para o teu Divino Mestre. Ele pediu a seu Eterno Pai perdão para os seus inimigos, e tu? Tu, nem para os teus inimigos, nem para ti o pedes. Dos inimigos desejas vingar-te. Se assim continuas, que esperança de salvação podes ter? Nenhuma, porque não segues o exemplo de Jesus Cristo.
A morte de Jesus Cristo foi, pois, a mais amarga e a mais dolorosa porque morreu sobre uma cruz, sem alívio algum. Desde os pés até a cabeça tudo é dor e aflição. Ele ainda procurou quem o consolasse, mas não achou quem.
Os judeus e os romanos proferiam contra Ele terríveis maldições e blasfêmias. Maria Santíssima bem queria dar-lhe algum alívio, mas as suas dores mais o atormentavam. Não achando na terra quem o consolasse, levantou os olhos ao Céu e pediu socorro a se Eterno Pai, porém o Pai lhe responde: “Não, meu Filho, não quero consolar-te, porque satisfazes a minha justiça por todos os pecados do mundo. É justo, pois, que eu te abandone nesses tormentos e te deixe morrer sem algum alívio.” E foi, então, quando Jesus Cristo deu um grande brado, um ai, proferindo estas palavras para nos fazer conhecer a grande dor em que morria e o grande amor que nos tinha em tanto padecer por nós.
Ó pecador, não sejas mais ingrato a tantos excessos de amor divino. Deixa já o pecado. Já é bem tempo de te voltares para Deus e de ter muito amor a Jesus, que tanto sofreu por ti.
Estando, pois, Jesus Cristo para morrer, disse: “Eu tenho sede”. Não diz que tem dores, diz que tem sede. E que sede será esta? Era um grande desejo que tinha de salvar os pecadores, era um grande desejo que tinha de sofrer e de padecer ainda mais para o salvar. Sabes isto, pecador, e não terás também sede de Jesus?
Ó, se tu tiveras tanta sede ou desejo de te salvar, como Ele teve de sofrer e de padecer por teu amor.
Estando Jesus Cristo para dar o último suspiro, disse com uma voz moribunda: “Já está tudo cumprido. A obra da vossa redenção está concluída. A divina justiça está satisfeita. O Céu já está aberto para todos. Aí vos fica remédio para tudo. Aproveite-se pois quem quiser! Tempo é de deixar o pecado. Já me podeis amar. Pois eu primeiro vos amei a vós. Eu não tenho mais que fazer para ser amado por vós.
Vede, pois, o que eu tenho feito por amor de vós e para que deixeis o pecado. Por vós eu tenho passado uma vida toda cheia de trabalho e aflições. Por vós eu tenho sido esgotado de sangue. Por vós o meu rosto foi escarrado, o meu corpo rasgado, a minha cabeça penetrada de espinhos. Sobre este madeiro por vós tenho sofrido as maiores dores e agonias. Que resta ainda para fazer, pecadores?
Que eu morra por vós! Pois também quero morrer por vós! Morte! Vem, ó morte! Vem tirar-me a vida para salvar estes pecadores. E vós, pecadores, eu vos peço que deixes o pecado e que me ameis. Eu não posso ir mais longe, não posso fazer mais para ganhar o vosso amor e a emenda do vosso pecado. Que me dizes, pecador? Ouves estas coisas e ainda não aborreces nem deixas o pecado?
Ah, quantos infernos serão precisos para castigar as tuas ingratidões? Nem mil infernos! Mil infernos ainda não são suficientes.
Lá está morrendo Jesus Cristo. Está para dar o último suspiro. Os seus olhos já estão moribundos, o seu rosto pálido, o Céu já se obscurece, a terra treme, as sepulturas se abrem. Que sinais são estes tão horrorosos? Assim acontecer porque morreu o Criador do universo, e Ele é o Salvador do gênero humano.
Jesus Cristo, tendo encomendado sua alma a seu Eterno Pai e baixando a cabeça, expirou pela violência da dor. Que me dizes, pecador? Ainda não será tempo de deixar o pecado e de ter muito amor a Jesus? A Jesus que tanto tem sofrido e padecido por teu amor? Ele bem te pudera salvar, passando uma vida bem sossegada e bem regalada. Mas, não. Ele rejeitou as riquezas, deixou os prazeres e os regalos, aborreceu as honras. Escolheu uma vida pobre e uma morte afrontosa.
Que maior prova de amor pode dar o amigo, do que sacrificar sua vida por essa pessoa que ama! Pois Jesus Cristo ainda passou a mais, porque deu a vida por ti, sem tu seres amigo d’Ele. Eras, sim, um grande inimigo, porque eras com o demônio, até lhe fazias uma grande guerra.
Mas se Jesus Cristo deu a própria vida por ti, sendo tu inimigo seu, como podes tu resistir a tanto amor? A Sagrada Paixão de Jesus Cristo é um excesso de misericórdia, é um excesso de amor.
Ó, meu Jesus! Quem poderá meditar na vossa sagrada Paixão e não se abrasar no vosso santo amor? Mas, ai de ti, pecador quanto és infeliz! Pois ainda não amas a Jesus. Tu amas os teus parentes, amas os teus prazeres, amas os teus regalos e divertimentos, amas as tuas conveniências e interesses, até amas os teus animais. Tudo isto amas, e ainda mais do que a Deus, teu Redentor, porque por via destas coisas, e por amor a elas fazes muitos pecados mortais, ofendes muitas vezes a Deus, e deixas a Deus.
Ó, que ingratidões as tuas! Quando abrirás os olhos da tua alma? Ainda queres mais tempo? Pois não esperes por ele, porque ninguém ainda o prometeu a ti. É já, pecador, que deves voltar par Deus e amar muito a Jesus. Pede-lhe perdão das tuas culpas, dizendo:
Ó meu Jesus, perdoai-me, Senhor. Eu bem sei que tenho sido um ingrato a tantos excessos de amor. Porém já conheço as minhas ingratidões e misérias, e quero emendar-me, meu Jesus. Por isso vos peço que me perdoeis. Vós me tendes amado como o maior excesso e eu agora também não quero senão a vós. Todas as minhas obras serão feitas por vós e não quero viver senão para vos amar. Ajudai-me pois, Senhor.
E vós, minha Mãe Santíssima, intercedei também por mim. De vós fico esperando todas as graças que me são necessárias para emendar o pecado e amar muito o vosso Jesus.

AI DE TI, PECADOR, QUE CANTANDO E RINDO ANDAS A FAZER PECADOS E MAIS PECADOS SEM CONSIDERAR NOS TORMENTOS DE JESUS CRISTO




Considera, cristão, que Pilatos querendo livrar a Jesus Cristo e dizendo que não podia condená-lo por ser inocente, o judeus o aterraram com estas palavras: “Se soltais a Jesus Cristo não sois amigo de César”. Então Pilatos, temendo perder a amizade de César, tendo reconhecido e tantas vezes declarado que Jesus Cristo era um inocente, ultimamente o condena a morrer sobre uma cruz.
Ó meu Jesus! Que crimes tendes vós cometido para serdes condenado a morrer sobre uma cruz! Ah, eu bem sei os vossos crimes. Os vossos crimes são o grande amor que tendes às almas. Este amor é o que vos prendeu no horto. Este amor é o que vos faz caminhar para o Calvário. Finalmente, este amor é o que nos faz morrer sobre uma cruz. Ó, que excessos de amor! Caridade sem limites.
Jesus Cristo ouvindo ler a injusta sentença de morte, a aceita de boa vontade. Não se queixa de injustiça do juiz, nem apela para César, mas conforma-se com a vontade do seu Eterno Pai, o qual quer que Ele padeça e morra para salvar os pecadores. E Ele, pelo grande amor que tem às almas, até se alegra de padecer e de morrer por elas, crucificado.
Foi, pois, Jesus Cristo entregue por Pilatos a esses lobos ferozes, os quais lhe tiram a capa dos ombros e lhe vestem outra vez a sua túnica. Tomam uma cruz, mas Jesus Cristo não espera que lhe seja imposta pelo algoz. Ele mesmo a toma e põe sobre os seus ombros cobertos de chagas, dizendo: “Vem cá, vem a mim, ó cruz muito amada; já há trinta e três anos que te procuro e suspiro por ti. Eu te abraço e aperto ao meu coração. Tu és o altar sobre o qual tenho resolvido sacrificar a minha vida para salvar as almas…”
Ó, meu Jesus! Como podeis fazer tanto bem a quem vos faz tanto mal?! Vós a perdoar os pecadores, e os pecadores a ofender-vos cada vez mais, cada vez mais duros e ingratos. É assim, pecador, como pagas tanto amor que deves a Jesus Cristo? Agora mesmo ainda não te resolves a amá-lo e consagrar-lhe esses dias que te restam de vida?! Aonde irás para, se continuas com as tuas ingratidões?
No meio de dois ladrões lá vai caminhando o Rei dos Céus para a morte com a sua cruz. Ó anjos, saí também vós lá do Paraíso. Vinde lá dos Céus, vinde acompanhar o vosso Rei e vosso Deus, pois vai caminhando para o Calvário com o intento de morrer crucificado num madeiro infame entre ladrões e malfeitores. Que espetáculo mais horroroso um Deus assim castigado, e com tantos desprezos, para salvar pecadores? Que homem haverá no mundo que não se salve? Quem não amará a Jesus com todo seu coração e afeto?
Lá vai, pois, caminhando e caindo por várias vezes, todo coberto de chagas, com uma coroa de espinhos, com um pesado madeiro aos ombros e um algoz que o puxa por uma corda, como se fosse um bruto irracional. Assim vai caminhando o Rei dos Céus e da terra. Que maior desprezo! Que maior insulto!
Ó meu Jesus, pois ainda não estais satisfeito de desprezos, dores e tormentos? Se por esses meios vós pretendeis ganhar o meu amor e acabar com o pecado, então eu vos amo, meu Jesus, e não quero mais pecar. Eu vos dou todo o meu coração. Deixai, pois, já de sofrer e padecer tantos tormentos e tantos desprezos. “Não, responde Ele, não estou contente, nem ficarei satisfeito enquanto não morrer por teu amor”.
Mas, aonde ides, meu Jesus? “Bem o sabes, vou morrer por teu amor, não me embaraces. E quando me vires morto na cruz lembra-te de mim, e te peço que deixes o pecado, e que me ames”. Ó pecador, que tens aqui que responder? Ainda não amarás a Jesus? Ainda não deixarás o pecado? Talvez que não. Pois então ai de ti! Que grande prejuízo te espera!
Chegando Jesus Cristo ao Calvário, os Judeus lhe arrancam pela terceira vez o seus vestidos, já pegados às suas chagas, e é deitado sobre a cruz. Ele se estende sobre o leito de dores e apresenta suas mãos e pés para serem cravados. Uma mão é cravada, os nervos se comprimem, e por esse motivo é necessário puxar com cordas a outra mão e também os pés para chegar ao lugar dos cravos, e com isto os nervos e as veias se estenderam e romperam com uma dor terrível.
Pecador que tens empregado as tuas mãos nas impurezas e na maldade, foste tu o que lhe cravaste as mãos e também os pés, quando dava passos para ofender a Deus. Deixa, pois, esses pecados e não atormentes mais a Jesus Cristo!
A morte de cruz é a mais cruel, porque o peso do corpo suspenso faz que a dor seja contínua e se aumente até a morte. Olha, pois, para Jesus crucificado em um madeiro. Ele quer sustentar-se nas mãos, mas elas rasgam-se! Quer sustentar-se nos pés, mas também se rasgam! Ele volta a sua cabeça dolorosa ora para um lado, ora para outro. Se a deixa cair sobre os ombros, estes são atormentados pelos espinhos. Se a encosta para a cruz, os espinhos se cravam cada vez mais. Ó meu Jesus! Quanto é cruel a morte que vós sofreis por nosso amor! Ó, quanto vos custa dar remédio ao pecado.
E também ai de ti, pecador, que cantando e rindo andas a fazer pecados e mais pecados sem considerar nos tormentos de Jesus Cristo. Ai de ti, porque cantando e rindo vais caminhando para o fogo eterno. Que me dizes, pecador? Quando acabarás com as tuas loucuras e tolices? Não sabes tu que já tens a cama feita lá no inferno? Que não tens a tua fogueira já bem acesa? Quantos pecados já terás feito em toda a tua vida? Pois considera que são outros tantos molhos de lenha que tens talhado para lá te queimares.
Apaga já essa fogueira do inferno. As lágrimas de um verdadeiro arrependimento são as que vão apagar esse fogo. Chora, pois, os teus pecados, e pede perdão a Deus enquanto Ele te convida para a penitência, e recorre também a Maria, dizendo:
Ó minha Mãe Santíssima, acudi-me, Senhora. Eu estou perdido, minha Mãe. Eu também fui um daqueles carrascos que atormentaram o vosso Jesus. Cada pecado que cometia era uma flecha, era um punhal que lhe cravava no coração. Que ingratidões as minhas! Ele a procurar-me com carinhos de Pai, com entranhas de amor, e eu a atormentá-lo cada vez mais, sempre a persegui-lo, sempre a guerreá-lo juntamente com o demônio!
Ora, à vista destas coisas, que esperanças de salvação posso eu ter? Só vós me podeis valer, Senhora, porque podeis tudo. Acudi-me pois com os vossos rogos e com as vossas graças, que eu protesto nunca mais pecar. Antes cair no inferno, que tornar a ofender a Deus.