quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Como fazer a sua oração de Oferecimento da Manhã

PORANEK

Este hábito, que é simples de adquirir e manter, poderá transformar o seu dia-a-dia - e, portanto, a sua vida inteira!

A oração de Oferecimento da Manhã é antiga – e é um hábito fácil de adquirir.
Alguns anos atrás, durante a Quaresma, um amigo me enviou algumas orações de oferecimento. Eu li que a oração da manhã é uma forma de oferecer a Deus todo o dia que vem pela frente – o bem e o mal, as provações e sacrifícios, bem como as alegrias e bênçãos. Eu comecei a fazê-la todas as manhãs e logo estava habituada.
Como muitos católicos, eu já costumava fazer oferecimentos pontuaisaqui e ali ao longo do dia:
“Meu Deus, eu Te ofereço o meu esforço para lidar com este aborrecimento! Me ajuda!”
Isso envolvia muitos aspectos do cotidiano: desde a espera de duas horas no consultório médico até o fato de meu filho ter abandonado a fé, passando por qualquer outro tipo de problema, eu sempre tentaria colocar nas minhas orações do dia-a-dia uma infinidade de intenções. Com o oferecimento da manhã, o dia inteiro já é “coberto” com antecedência, de modo que, ao longo da jornada, se torna mais espontâneo ir renovando as ofertas espirituais.
Podemos transformar o nosso dia inteiro numa contínua oferta através desta oração simples, começando o dia por entregá-lo a Deus através da Sua Mãe Santíssima. A oração dedica todo o nosso dia e todo o nosso ser a Deus. Todos os nossos esforços são voltados ao propósito de Deus de nos santificar!
Esse hábito renova a nossa consciência de que cada dia é um presente inspirador de gratidão pelas bênçãos e alegrias vividas – e pode ser praticado em menos de três minutos!
Durante séculos, as pessoas fizeram variações da prece de oferecimento da manhã. Uma das versões mais conhecidas hoje é esta, composta pelo pe. Francois Xavier Gaulrelet em 1844 para o seu ministério de Apostolado da Oração, que ele fundou naquele mesmo ano:
“Jesus, através do Imaculado Coração de Maria, ofereço-Vos as minhas orações, obras, alegrias e sofrimentos deste dia por todas as intenções do Vosso Sagrado Coração, em união com o Santo Sacrifício da Missa por todo o mundo, pela salvação das almas, pela reparação dos pecados, pela união de todos os cristãos e, em particular, pelas intenções do Santo Padre neste mês. Amém”.
Papa São João Paulo II disse, certa vez, que a prática de rezar o oferecimento da manhã é “de importância fundamental na vida de todos e de cada um dos fiéis“. É um lembrete diário a tornarmos toda a nossa vida “um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Romanos 12, 1).
Esta oração vai fazer diferença na sua vida. E você vai querer rezá-a todos os dias, o ano todo.
__________
Adaptado de artigo de Patty Knap

Como é a sua relação com o seu Anjo da Guarda? Algumas dicas surpreendentes!

GUARDIAN

Você saúda, por exemplo, o Anjo da Guarda do seu próximo?

Segundo a Tradição da Igreja, todos nós temos um Anjo da Guarda– exceto os sacerdotes, que têm… dois!
A delicada missão do Anjo da Guarda é nos inspirar boas obras e intenções, nos iluminar na busca da verdade contra as doutrinas enganosas, nos orientar no caminho das virtudes e dos ideais santos, nos ajudar a estender o Reino de Deus, nos proteger dos perigos… Em sua, nos conduzir rumo à eternidade com Deus.
No Catecismo da Perfeição Cristã, o frei Antônio Wallenstein, O.F.M., nos recorda que devemos sempre nos lembrar da sua presença e, diante dela, jamais fazer o que não faríamos à vista da nossa mãe. Ele também nos exorta a invocá-lo nas horas de quaisquer perigos, sejam corporais, sejam espirituais, e, é claro, seguir as suas inspirações.
O frade nos propõe também saudar o Anjo da Guarda do nosso próximo, hábito que nos ajudará a tratar os outros em conformidade com a sua dignidade de filhos de Deus protegidos pelos anjos que Ele designou como nossos companheiros, guias e protetores.
ANGEL


https://pt.aleteia.org/2019/05/09/como-e-a-sua-relacao-com-o-seu-anjo-da-guarda-algumas-dicas-surpreendentes/

São Josemaria Escrivá e sua relação com o anjo da guarda


Escrivá acreditava tanto em seu anjo protetor que o apelidou de "Relojoeirinho"

São Josemaria Escrivá tinha muita fé em seu anjo da guarda. Uma devoção que foi herdada dos pais. 
Sua relação com seu protetor era muito íntima. Tanto que até para os problemas mais simples do dia a dia, ele pedia a intercessão do guardião.
Certa vez, Escrivá, que já era sacerdote, teve problemas com seu relógio de bolso, que parou de funcionar. Ele não tinha dinheiro para comprar outro. Então, não pensou duas vezes: pediu a Deus, por intermédio do anjo da guarda, que consertasse o acessório: 
“[Deus]Pareceu não me ouvir, porque voltei a mexer e a tocar e retocar no relógio avariado, em vão. Então […], ajoelhei-me e comecei um Pai Nosso e uma Ave Maria, que acho que não cheguei a terminar, porque peguei novamente no relógio, toquei nos ponteiros… e começou a andar! Dei graças ao meu bom Pai”, destacou o Santo.
Foi a partir daí que Josemaria Escrivá apelidou seu anjo da guarda de “Relojoeirinho”. Ele confiava tanto no seu amigo celestial que pedia-lhe sempre para que o despertasse na hora que precisava. E o anjo, como um relógio suíço, nunca falhou!

A devoção e a missão Opus Dei

Foi exatamente no dia 2 de outubro de 1928, Festa dos Anjos da Guarda, que São Josemaria Escrivá entendeu o que Deus queria dele e fundou o Opus Dei.
O Beato Álvaro del Portillo relatou que, quando o Santo saudava o Senhor no Sacrário, sempre agradecia aos anjos ali presentes.
“Quando vou a um dos nossos oratórios em que há um tabernáculo, digo a Jesus que o amo e invoco a Trindade. Depois agradeço aos Anjos que guardam o Sacrário e adoram Cristo na Eucaristia”, dizia São Josemaria Escrivá.
Com informações de ACI Digital 

Quando a solidão bater, reflita sobre esta passagem bíblica

LAST SUPPER

Deus quer te consolar nos momentos de aflição

Viver neste mundo, muitas vezes, significa estarmos preparados para a rejeição e a traição daqueles que mais amamos. É difícil de suportar isso e, frequentemente, nos sentimos sozinhos.
Mas é nesses momentos que Jesus quer passar a sua mensagem de amor para nós. E há uma cena na Bíblia que pode nos trazer consolação e paz quando vivermos essa situação.
Esta passagem bíblica, quando analisada mais de perto, pode proporcionar horas de oração e meditação. Trata-se do Evangelho de João, que narra um breve momento em que o “discípulo amado” de Jesus descansa em seu peito durante a Última Ceia:
“Um dos discípulos, a quem Jesus amava, estava à mesa reclinado ao peito de Jesus.Simão Pedro acenou-lhe para dizer-lhe: ‘Dize-nos, de quem é que ele fala’. Reclinando-se esse mesmo discípulo sobre o peito de Jesus, interrogou-o: ‘Se­nhor, quem é?'”  (João 13,23-25)

Há muito o que se inferir dessa passagem. Primeiro de tudo, em vez de identificar o discípulo, São João afirma que foi o discípulo “a quem Jesus amava”. Embora possa se referir a um indivíduo específico, também se aplica a cada um de nós, a quem Jesus ama muito.

Jesus revelou a Santa Margarida Maria Alacoque:
“Meu Divino Coração é tão apaixonado pela humanidade que não pode mais conter em si as chamas de sua ardente caridade. É preciso derramar tudo.”
Jesus nos ama infinitamente mais do que podemos imaginar e ele quer derramar esse amor sobre nós. Ele não pode mais conter o amor que ele tem por nós!
Além disso, este discípulo na Última Ceia inclinou-se sobre o peito de Jesus, descansando em seu coração. Pense nisso por alguns segundos. Você não gostaria de descansar no coração de Jesus?
Pense em quando você era criança, quando se recostou na mãe ou no pai e apoiou a cabeça no peito deles, envolto em seus braços. Novamente, isso é o que Jesus quer que você faça e sinta quando pensar nessa cena.
Jesus convidou Santa Margarida Maria Alacoque para fazer essa mesma ação quando a visitou:
“Ele me fez repousar por muito tempo em seu peito. Mostrou-me as inexplicáveis ​​maravilhas do seu amor puro e a que excesso o levara pelo amor da humanidade”.
Essa cena pode se tornar viva toda vez que recebemos Jesus na Santa Eucaristia. Depois de recebê-lo em nossos corpos, voltamos ao banco e podemos meditar sobre essa passagem. Pode ser uma experiência poderosa se realmente acreditarmos que Deus nos ama e está nos convidando a descansar em seu coração.
Lembre-se, nunca estamos verdadeiramente sozinhos neste mundo, mesmo quando todos nos abandonaram. Jesus foi abandonado na cruz e entende esse sentimento. No entanto, ele não quer que a gente fique lá, mas que cheguemos à mesa do banquete e coloquemos nossa cabeça perto do coração dele. Ao fazer isso, podemos sentir o batimento cardíaco de seu amor por nós e ter um vislumbre de sua caridade ardente.
O convite está aberto. Nós só precisamos responder e aceitar o fato de que Deus nos ama mais do que podemos imaginar.

https://pt.aleteia.org/2019/06/26/quando-a-solidao-bater-reflita-sobre-esta-passagem-biblica/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

Vestir-se para você ou para os outros?

DRESS

A nossa forma de nos vestirmos reflete um pouco o nosso estado emocional e psíquico

Observe você e suas variações na forma de se vestir e se arrumar. Nos dias em que está mais desanimada, não tem muito ânimo ou disposição para pensar em uma combinação bacana, em passar um batom decente na boca, talvez nem arrumar o cabelo. Mas naqueles dias que animação é sua parceira e o dia parece mais feliz, pois “nada é capaz” de abalar seu estado de espírito, a roupa fica mais arrumada no corpo, o batom, rímel e um blush não são peso, mas sim parte de você. Percebeu o quanto nossa apresentação pessoal está ligada a como estamos interiormente?
Pois bem! Se refletimos externamente por meio de roupas, calçados, make e cabelo, o que estamos vivendo em nosso universo interior, fica a pergunta: “Tenho me arrumado para quem? Para mim ou para os outros?”.
Uma pergunta muito boa de ser feita, pois se, ao longo dessa reflexão, você perceber que se sua imagem está liga ao outro, provavelmente é porque talvez você nem saiba ainda quem realmente você é! Pois se me visto para o outro, estou vivendo a partir do olhar do outro e não do meu. O que pode gerar sofrimento psíquico e dependências emocionais. É claro que não se pode negar que existe uma “necessidade” do olhar do outro. Queremos sim ser vistos. Principalmente as mulheres, pois elas têm essa necessidade maior que os homens. No entanto, trata-se de um desejo de ser visto, notado, de existir na vida de alguém, e não de me vestir conforme o outro aprova ou desaprova.

Nunca perca seu brilho

Quantas pessoas, ao viverem o término de um relacionamento amoroso ou até mesmo o rompimento de uma amizade, relatam terem percebido o quanto se sentiu desconfigurado durante este relacionamento! Por terem ouvido que eram extravagantes em sua forma de sorrir, que suas roupas eram antiquadas, que precisavam disso ou daquilo… E ao final, perceberam que já não era a sua identidade que estava sendo refletida, mas a identidade projetada pelo outro. Este é o ponto principal dessa indagação.
Precisamos sim, nos adequarmos a ambientes e lugares. Não dá para ir de tênis, calça jeans e camisa de malha em um casamento. Assim como não dá para ir ao parque de diversões de salto alto e vestido de festa. A harmonia e o equilíbrio precisam existir, mas, junto, uma identidade e um estado emocional saudável, para não viver na dependência de uma aprovação que pode nunca existir.

Como você se enxerga?

Outro bom aspecto dessa reflexão é pensar sobre como você enxerga sua imagem. Ao olhar-se no espelho, a imagem refletida lhe agrada? Você está feliz com essa imagem?
Caso a resposta seja sim, fico imensamente feliz por conseguir chegar neste ponto. Mas caso seja não, convido você a pensar sobre você, sobre sua imagem. E fazer as seguintes perguntas: Você tem olhado para você? Tem se cuidado? Tem se sentido feliz com o estilo de roupa que está usando? Tem seu próprio estilo?
Tais perguntas podem ser o começo para aqueles que desejam fazer este caminho de volta, de arrumar-se para você, pois ninguém melhor que você deve saber o que, de fato, retrata a sua identidade e personalidade, seus valores e cultura. Tudo isso caminha junto. Sabendo quem você é, seus valores e estilo de vida, com toda certeza deixará de “mendigar” o olhar de aprovação do outro e deixará de ser um manequim nas mãos de quem talvez não o conhece. Comece por aqui, trace seu perfil, invista nele e seja feliz com a sua imagem.
__
Por Aline Rodrigues, missionária da Comunidade Canção Nova. É psicóloga desde 2005, com especializações na área clínica e empresarial e pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental. Possui experiência profissional tanto em atendimento clínico, quanto empresarial e docência.

domingo, 11 de agosto de 2019

Presença de Deus: III – Jaculatórias

Resultado de imagem para jaculatorias
Onde achar jaculatórias?
Interrompemos a reflexão sobre a presença de Deus na meditação anterior («Presença de Deus: II- Como consegui-la»), quando, depois de dar várias sugestões práticas, começávamos a falar das “jaculatórias”. Dizíamos que essas orações breves – podemos chamá-las de faíscas instantâneas -, são meios privilegiados de presença de Deus, são como que a respiração do coração cristão. E convidávamos a fazer o esforço de praticá-las com frequência, todos os dias.
Que jaculatórias podemos rezar? Quais são as mais adequadas, as mais úteis? Onde encontrar inspiração para aprender a dizer boas jaculatórias?
a) A primeira resposta é: Procure achá-las dentro do seu coração. Rezar não pode ser nunca uma coisa mecânica. Portanto, as jaculatórias devem expressar sentimentos sinceros do coração: adoração, amor, gratidão, arrependimento, petições por necessidades ou pessoas, oferecimentos, aceitações, expressões da nossa alegria ou da nossa dor…, enfim, aquilo que, espontaneamente, um coração que tem fé diz a Deus quando sabe que o tem junto de si; e coisa análoga poderíamos dizer em relação a Nossa Senhora e aos santos (a Mãe e os irmãos que temos no Céu), a quem nós invocamos, mostrando-lhes o nosso carinho e pedindo-lhes que intercedam por nós e pelas nossas intenções diante de Deus.
Na realidade, o cristão diz jaculatórias em muitos momentos quase sem reparar. Por exemplo: «Obrigado, meu Deus!» (quando recebemos uma alegria ou escapamos de um perigo), «Meu Deus, me ajude!» (quando nos sentimos incapazes de resolver sem Ele um problema, ou estamos em perigo), «Perdão, Senhor», ou «Jesus, tenha piedade de mim» (quando reconhecemos uma falta e nos arrependemos), «Minha Mãe, não me abandone» (quando estamos precisados do aconchego da Mãe de Deus e nossa), «Minha Nossa Senhora!» (quando levamos um susto), «Meu Anjo da guarda, me acompanhe e me proteja» (quando saímos à rua), «Santo Antônio, interceda por mim» (por diversas necessidades ou desejos), etc;
b) Outra fonte de jaculatórias, maravilhosa, é a Bíblia. Colocar exemplos seria interminável, desde versículos dos Salmos («Senhor, sois Vós quem eu procuro», «Tende piedade de mim, segundo a vossa grande misericórdia», «Meu coração está pronto, ó Deus, meu coração está pronto!»…), até as palavras com que o povo ou os Apóstolos se dirigiam a Jesus: «Senhor, se queres, podes limpar-me», «Senhor, que eu veja!», «Senhor, eu creio, mas ajuda a minha incredulidade», «Pai, pequei contra o Céu e contra Ti», «Ó Deus, tem piedade de mim, que sou um pecador!», «Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo», «Meu Senhor e meu Deus!»…).
c) Finalmente, podemos encontrar um tesouro de jaculatórias na tradição da devoção cristã (bastaria pensar, por exemplo, nas numerosas jaculatórias de Ladainha lauretana, que costuma rezar-se após o Terço). Podemos resumir essas jaculatórias tradicionais em dois grupos: naquelas que nós escolhemos dos textos litúrgicos da Igreja («Senhor, tende piedade de nós», «Nós vos damos graças por vossa imensa glória» …), e nas que aprendemos da piedade dos santos e dos bons autores espirituais antigos ou modernos. Por exemplo:
─ «Faça-se em mim segundo a vossa Vontade»
─ «Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso»
─ «Sagrado Coração de Jesus, em vós confio»
─ «Sagrado Coração de Jesus, dai-nos a paz»
─ «Vinde, Espírito Santo!»
─ «Doce Coração de Jesus, sede o meu amor. Doce Coração de Maria, sede a minha salvação»
─ «Jesus, José e Maria, dou-vos o coração e a alma minha»
─ «Senhor, eu me abandono em Vós, confio em Vós, descanso em Vós»
─ «Senhor, o que Tu quiseres, eu o amo»
─ «Jesus, dá-me o amor com que queres que eu te ame»
─ «Meu Deus, eu te amo, mas ensina-me a amar»
Mais algumas sugestões práticas
a) A primeira dessas sugestões é repisar o que já lhe dizia: reze a jaculatória que, espontaneamente, “seu coração mandar”, como diria Susanna Tamaro. Na verdade, não é o que o nosso coração manda, mas, quase sempre, o que o Espírito Santo – que «sopra onde quer» (Jo 3,8) -, inspira ao nosso coração. Não esqueça que, como diz São Paulo, mesmo quando dizemos, simplesmente, «Senhor Jesus» com fé, é o Espírito Santo quem nos move (1 Cor, 12,3);
b) É muito útil associar habitualmente alguma jaculatória a um determinado ato. Por exemplo, ao começar o trabalho: «Ofereço-te este trabalho, Senhor»; ou, ao sair de casa, «Jesus, Maria e José, guardai os meus filhos»; ou, ao entrar na Igreja e fazer genuflexão diante do sacrário, «Eu te adoro com devoção, Deus escondido»; ou na elevação da hóstia e do cálice na Missa, «Meu Senhor e meu Deus!»;
c) Muitas pessoas usam uma “senha” todos os dias. Neste nosso mundo da informática, todo o mundo sabe o que é uma senha: algo breve que dá “entrada” (ao computador, a um arquivo, ao caixa eletrônico, etc.). Quero dizer que escolhem uma jaculatória por dia, como “senha”, como “lema” daquele dia, pensando que, além de rezá-la bastantes vezes, aquela jaculatória os pode ajudar a ter presente uma virtude que precisam praticar melhor: é o que faz a pessoa que está muito irritada com alguém, quando escolhe como senha, para andar pelo dia com paciência, a jaculatória «Rainha da paz, rogai por mim»;
d) Finalmente, se você é pessoa que gosta de acompanhar os “tempos litúrgicos” e as festas e tradições da Igreja com devoção (Quaresma, Páscoa, Mês de Maria, novena do Espírito Santo, etc.), sugiro-lhe que escolha como “senha”, nesses tempos, jaculatórias relacionadas com eles (na Quaresma, atos de dor dos pecados, de contrição; na Páscoa, atos de fé em Jesus ressuscitado, no Mês de Maio e na Novena da Imaculada Conceição, algumas jaculatórias dedicadas a Nossa Senhora, etc.).
Naturalmente, as “senhas” de que estamos falando, mesmo sendo muito úteis, não precisam ser exclusivas no dia em que as escolhemos. Por outras palavras, ainda que escolha uma jaculatória para cada dia, não se limite a ela, reze também outras que lhe inspirem devoção em diversos momentos, ou que as circunstância lhe aconselhem: “deixe seu coração cristão mandar”, bem governado pela cabeça.

https://www.padrefaus.org/2010/05/22/presenca-de-deus-iii-jaculatorias/

Presença de Deus: II – Como consegui-la

Resultado de imagem para respirar da alma
A respiração da alma
Na meditação anterior (“Presença de Deus: I – Sob o sol da fé”), falávamos de uma realidade feliz, que podemos resumir com palavras do livro «Caminho»: «Vivemos como se o Senhor estivesse lá longe, onde brilham as estrelas, e não consideramos que também está sempre ao nosso lado. E está como um Pai amoroso … Necessário é que nos embebamos, que nos saturemos de que Pai e muito Pai nosso é o Senhor que está junto de nós e nos céus» (n. 267).
Mas como conseguir “embeber-nos” dessa maravilha, na prática?
Penso que nos pode ajudar uma imagem expressiva: a dos mergulhadores. Muitos séculos antes de que fossem inventados os equipamentos de mergulho, com suprimento de oxigênio, etc, já havia mergulhadores em todos os continentes. Por exemplo, os pescadores de pérolas. Ficavam – e ainda ficam – dentro da água durante um tempo que a nós pode parecer muito longo, mas que se conta apenas por minutos. Necessariamente têm que sair à tona com uma frequência determinada para respirar, sob pena de morrerem afogados.
Nós, que passamos os dias mergulhados em mil coisas, no imediatismo das urgências diárias, muitas vezes nos esquecemos de “emergir para o ar de Deus”, e temos o perigo de ficar espiritualmente asfixiados. Precisamos muito de “subir” constantemente para “respirar” o ar de Deus. Esse esforço de elevar-nos, procurando que o nosso coração possa bater bem “oxigenado”, com o ritmo dos filhos de Deus, nós o realizamos quando lutamos por lembrar-nos dEle mediante “atos explícitos de presença de Deus” (e também de Nossa Senhora, dos Santos, dos Anjos). Consistem em breves pensamentos, desejos, aspirações e orações, impregnados de fé e de amor, que servem como “elevadores” da alma para Deus.
Uma condição prévia
Os atos de presença de Deus pressupõem uma condição: não estar submergidos de tal maneira no mundo, que a pressão das águas nos esmague a alma. É o que acontece quando vivemos o dia a dia de costas para Deus, sepultados sob uma massa excessiva de preocupações e ocupações pessoais, de sonhos, imaginações, projetos e satisfações, que estão concebidos e vividos totalmente à margem de Nosso Senhor.
É justamente para evitar esse perigo que os santos nos incentivaram vivamente a esforçar-nos, a lutar para viver e fazer tudo na presença de Deus.
Para conseguirmos isso, a primeira condição básica é manter habitualmente um plano de vida espiritual, com seus horários bem determinados, que nos leve a ter momentos intensos e marcantes de união com Deus: a meditação, o Terço, a leitura da Sagrada Escritura e de obras espirituais e, acima de tudo, a Missa e Comunhão frequente … (práticas de que já falamos ou falaremos em outras reflexões). Essas práticas, essas “normas” do nosso plano de vida espiritual, deixam a alma “aquecida” – para usar a comparação com os atletas, como faz São Paulo -, pronta, desperta, disposta a dar com leveza o “salto” até Deus, no meio das tarefas e da agitação do dia-a-dia.
Ajudados por essa disposição da alma, será mais fácil que consigamos empregar os meios – tradicionais na espiritualidade católica- que servem diretamente para manter, aumentar e melhorar a presença de Deus durante o dia.
Meios para alcançar a presença de Deus
Existem diversos meios para nos lembrarmos de Deus, cuja eficácia foi comprovada pelos santos durante dois milênios. Vou lembrar a seguir alguns deles, fazendo antes, porém, duas ressalvas importantes:
a) Esses meios têm o papel, por assim dizer, de “muletas”. Devem escolher-se e usar-se com sensatez e liberdade de espírito, na medida em que nos ajudem “mesmo” a lembrar-nos de Deus muitas vezes ao dia. Se não nos ajudam, vamos deixá-los de lado, como se faz com as muletas desnecessárias. O que não se pode fazer – se queremos viver com Deus – é não usar nenhum;
b) Não nos esqueçamos de que quem guia a nossa alma é o Espírito Santo, que sopra onde quer (Jo 3,8 e Rom 8,14). Por isso, o primeiríssimo meio é deixar-nos guiar docilmente pelas inspirações do Espírito Santo, que não faltam quando a alma é piedosa, isto é, quando é alma de oração.
E agora vamos às sugestões:
1) Eu sinto muita alegria quando um amigo ou conhecido me fala do filho recém-nascido, ou da esposa, ou da família inteira e me mostra, sorridente, no seu celular ou no Ipode ou no Smartphon…, a foto digital deles que lá colocou. O carinho que tem para com eles faz-lhe sentir a necessidade desses lembretes para “tê-los presentes”. Todo coração precisa da “presença” de seus amores. O nosso coração, quando quer amar a Deus, precisa da mesma coisa. Por isso, um bom meio de alimentar a presença de Deus é, entre outras coisas:
– colocar nesses aparelhos eletrônicos de uso diário, e no computador de trabalho, alguma imagem de Cristo, de Maria Santíssima, de cenas evangélicas, de santos, etc. Na Internet achamos um estoque inesgotável. Depois de inseri-los, bastará um olhar de carinho para a imagem (o ícone) e estaremos fazendo um ato de presença de Deus. Também será um ato de presença dirigir-lhes uma invocação, uma oração breve, um pedido para as necessidades daquela hora; outras vezes, ofereceremos a Cristo ou a Maria, como «hóstia espiritual» (1 Pedr 2,5), a resolução de ter mais paciência, de trabalhar melhor naquele momento, de ser mais delicados com os outros, de vencer a preguiça, de aproveitar um restinho de tempo que sobra….
– A mesma finalidade pode-se alcançar por meio de um crucifixo ou de uma imagem de Nossa Senhora (ou de ambos), colocados com jeito como elementos decorativos do escritório, consultório, etc., que possamos ver enquanto trabalhamos; e igualmente de uma imagem ou quadro religioso, ou gravura bonita, colocado em lugar nobre da casa, ou no quarto, ou na cozinha, etc. Também é ótimo utilizar como “despertador-lembrete”, um santinho, uma medalha…, sempre que façamos isso discretamente. Ter presença de Deus não é “exibir” a religiosidade à toa nem fazer o papel de católico “exibido”; a nossa fé “exibe-se”, fala sem o pretendermos, por meio das virtudes, da caridade, da lealdade, da bondade, do espírito de serviço…
– Eu gostaria ainda de lhe recomendar vivamente que carregue sempre consigo um pequeno crucifixo de bolso (além do seu terço ou tercinho de anel), de modo que possa colocá-lo à sua frente na mesa de trabalho (sem exibicionismo!), ou junto dos livros quando estuda, ou numa gaveta que abra e feche com frequência; e também na mesinha de cabeceira ou debaixo do travesseiro, para beijá-lo antes de dormir e logo ao acordar.
2) Acabamos de ver, no item 1), algumas sugestões de lembretes-despertadores da presença de Deus. Já dizíamos que devem servir para manifestar a nossa fé e o nosso amor, quer com um simples olhar, quer com palavras e preces.
Neste sentido, quero lembrar-lhe uma tradição importante na Igreja: a de rezar “jaculatórias” – meios privilegiados de presença de Deus – muitas vezes ao longo do dia. Não é preciso que consiga, como o “peregrino russo” (e a escola dos chamados “hesicastas”) dizer tantas jaculatórias como o bater do coração, mas sim é preciso que nos habituemos a rezar muitas.
Lembro-lhe que se chama “jaculatórias” a orações muito breves, frases que são lançadas como um dardo (“jaculum”, em latim), e constituem como que a respiração do coração. Tente. Esforce-se por dizer algumas, para começar, e depois por dizer cada vez mais. Elas não nos distraem das nossas ocupações, ao contrário, garanto-lhe que são meios fantásticos para prestar mais atenção e colocar mais carinho naquilo que fazemos.
Interrompo aqui essa reflexão, que já ficou longa demais. Na próxima, que terá como título «Presença de Deus: III – Jaculatórias», vou sugerir-lhe alguns exemplos. Espero que não seja tão longa como esta. 

https://www.padrefaus.org/2010/05/23/presenca-de-deus-ii-como-consegui-la/