sábado, 14 de setembro de 2019

Ó tempo perdido, em que podia ter-me santificado!


Dos escritos de Santo Afonso de Ligório, o texto nos alerta para a urgência de nossa conversão. Perdemos tantos dias na vida em busca de coisas supérfluas, dias que nunca mais voltam! Ó tempo desprezado! Tu serás a coisa que os mundanos mais desejarão no transe da morte. Queremos então dispor de mais um ano, mais um mês, mais um dia; mas não o terão, e ouvirão dizer que já não haverá mais tempo (Ap 10,6). O que não daria então para termos mais um dia de vida, a fim de poder melhor ajustar as contas da alma…


por Santo Afonso de Ligório

O VALOR DO TEMPO

Nada há mais precioso que o tempo e não há coisa menos estimada nem mais desprezada pelos mundanos. Isto deplora São Bernardo, dizendo: “Passam rapidamente os dias de salvação, e ninguém reflete que esses dias desaparecem e jamais voltam”. Vede aquele jogador que perde dias e noites na tavolagem. Perguntai-lhe o que fez e responderá: “Passar o tempo”. Vede o ocioso que se entretém horas inteiras na rua a ver quem passa, ou a falar em coisas obscenas ou inúteis. Se lhe perguntam o que está fazendo, dirá que não faz mais do que passar o tempo.

Pobres cegos, que assim vão perdendo tantos dias, dias que nunca mais voltam! Ó tempo desprezado! tu serás a coisa que os mundanos mais desejarão no transe da morte… Queremos então dispor de mais um ano, mais um mês, mais um dia; mas não o terão, e ouvirão dizer que já não haverá mais tempo (Ap 10,6). O que não daria então cada um deles para ter mais uma semana, um dia de vida, a fim de poder melhor ajustar as contas da alma!… Ainda que fosse para alcançar só uma hora — disse São Lourenço Justiniano — dariam todos os seus bens. Mas não obterão essa hora de trégua…

Pronto, dirá o sacerdote que o estiver assistindo, apressa-te a sair deste mundo; já não há mais tempo para ti. Por isso, exorta o profeta a que nos lembremos de Deus e procuremos sua graça antes que a luz se nos extinga (Ecl 12,1-2).

Que apreensão não sentirá um viajante ao notar que se transviou no caminho, quando, por ser já noite, não lhe é possível reparar o engano!… Tal será a mágoa na morte do que tiver vivido muitos anos sem empregá-los no serviço de Deus. “Virá a noite em que ninguém poderá fazer mais nada” (Jo 9,4). Então o momento da morte será para ele o tempo da noite, em que nada mais poderá fazer. “Clamou contra mim o tempo” (Lm 1,15). A consciência recordar-lhe-á todo o tempo que teve e que empregou em prejuízo de sua alma; todas as graças que recebeu de Deus para se santificar e de que não quis aproveitar; e ver-se-á depois privado de todos os meios de fazer o bem.

Por isso exclamará gemendo: Como fui insensato!… Ó tempo perdido, em que podia ter-me santificado!… Mas não o fiz e agora já não é tempo de o fazer… De que servem tais suspiros e lamentações, quando a vida está prestes a terminar e a lâmpada se vai extinguindo, vendo-se o moribundo próximo do solene instante de que depende a eternidade?

AFETOS E SÚPLICAS

Ah, meu Jesus! santificastes toda a vida para salvar minha alma; nem um instante deixastes de vos oferecer por mim ao Eterno Pai, a fim de me alcançar perdão e salvação… e eu, ao cabo de tantos anos de vida neste mundo, quanto tempo empreguei em vosso serviço? As recordações de meus atos fazem-me remorsos de consciência. O mal foi grande. O bem pouquíssimo e cheio de imperfeições, de tibieza, de amor próprio e de distrações.

Ah, meu Redentor, tudo isto tem sido porque olvidei o que por mim fizestes! Esqueci-vos, Senhor, mas vós não vos esquecestes de mim; viestes a procurar-me e repetidas vezes me oferecestes o vosso amor enquanto eu fugia de vós. Aqui estou, ó bom Jesus; não quero resistir por mais tempo, nem pensar que me abandonareis. Pesa-me, meu soberano Bem, de ter-me afastado de vós pelo pecado. Amo-vos, bondade infinita, digna de infinito amor. Não permitais que perca o tempo que vossa misericórdia me concede.

Lembrai-vos, amado Salvador meu, do amor que me tendes e das dores que por mim padecestes. Fazei que esqueça tudo na vida que me resta, exceto penar só em vos agradar. Amo-vos, meu Jesus, meu amor, meu tudo. Prometo fazer frequentíssimos atos de Amor. Concedei-me a santa perseverança, como espero, confiado nos merecimentos de vosso sangue precioso… E em vossa intercessão confio, ó Maria, minha Mãe querida!

https://capelasantoagostinho.com/2019/09/10/o-tempo-perdido-em-que-podia-ter-me-santificado/

UM TESOURO PERDIDO


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Todos lemos, ou vimos em filmes, aventuras de “busca do tesouro”. São  aventuras infantis, com as de Tom Sawyer, ou dramáticas como as que descreve Robert L. Stevenson no romance A ilha do tesouro.
Estou convencido de que hoje há um tesouro precioso, que está perdido e é urgente recuperar. Imagino que a maioria dos leitores não vai entender se lhe digo que esse tesouro são os «transcendentais do ser». No entanto, estou mencionando algo que hoje faz uma falta tremenda à maioria das pessoas, tanta falta como o alimento e a água.
A filosofia clássica nos diz que esses transcendentais são quatro: Unum, Verum, Bonum, Pulchrum, quer dizer, a Unidade, a Verdade, a Bondade e a Beleza.
Esses transcendentais formam em Deus uma unidade absolutamente simples e perfeita, que funde esses tesouros em grau máximo no próprio ser de Deus. Nós temos que procurá-los um a um… embora quem vai atrás de um deles facilmente encontrará os outros.
É preciso começar dando-nos conta de que os quatro transcendentais correspondem às necessidades mais profundas do nosso ser, às nostalgias íntimas que a maioria ignora, mas cuja ausência é a causa profunda da desorientação e do sofrimento inexplicável .
─ Que sede oculta de Unidade há neste mundo dilacerado, esmigalhado, como um caleidoscópio onde tudo é reativo e não parece haver nada fixo. Muitos, como diria Mário de Andrade, são trezentos e não uma só pessoa; ou seja, não são uma personalidade única, coerente, harmônica, mas pretendem soldar o insoldável: a verdade com a mentira ou com trezentas mentiras; o egoísmo doentio com compensações fugazes de amor inconsistente; a solidariedade e bem-estar da humanidade com as injustiças pessoais e a indiferença em relação aos mais próximos na família e no trabalho; o amor à Natureza com a abolição da natureza humana…
─ Que nostalgia profunda da Verdade! De uma verdade que não mude de cor nem de direção a cada cinco minutos, conforme o arbítrio de cada um. De uma Verdade com maiúscula como a estrela dos Magos, que às vezes pode se ocultar e tornar difícil o caminho, mas que nunca vira no seu contrário, nem se desmente, nem reduz o seu conteúdo, antes permanece fiel a si mesma e brilha como um astro inapagável, capaz de orientar a vida com a segurança de Deus.
─ Que nostalgia também da Bondade, que assinala sem erro a diferença entre o bem e o mal. «Nenhum homem ─ escrevia São João Paulo II ─ pode esquivar-se às perguntas fundamentais: Que devo fazer? Como discernir o bem do mal? A resposta somente é possível graças ao esplendor da verdade que brilha no íntimo do espírito humano, como atesta o salmista: Muitos dizem: “Quem nos fará ver o bem?” Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz da vossa face (Sl 4, 7).
»A luz da face de Deus – continua o Papa – resplandece em toda a sua beleza no rosto de Jesus Cristo, imagem do Deus invisível (Col 1, 15), resplendor da sua glória (Heb 1, 3), cheio de graça e de verdade (Jo 1, 14): Ele é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6). Por isso, a resposta decisiva a cada interrogação do homem, e particularmente às suas questões religiosas e morais, é dada por Jesus Cristo, mais ainda, é o próprio Jesus Cristo» (Encíclica Veritatis splendor).
─ Por fim, temos uma imensa sede da autêntica Beleza, sinal de Deus, suprema Beleza. O Papa Bento XVI insistiu muitas vezes em que a via pulchritudinis, ou seja a via da beleza, é hoje um dos mais excelentes caminhos para chegar a Deus. A nossa alma tem sede do Deus vivo, anseios de contemplar o rosto de Deus (cf. Sl 41[42], 3), de ver o mais belo dentre os filhos dos homens (Sl 44[45], 3), JesusCristo.
Um dos sinais mais evidentes da negação do «rosto de Deus» numa cultura é a exaltação cada vez maior do feio, do sujo, do repulsivo, do grosseiro, do caricato, do disparatado, do dissonante: na música, na pintura, na literatura, no teatro, no cinema… Deus não pode estar lá onde impera uma estética de banheiro público.
Quando Deus, a Beleza por essência da qual participam todas coisas belas, é expulso da escola, das leis, da mídia de múitos braços ─ como a deusa hindu Durga ─ , perde-se um dos caminhos mais límpidos que existem para encontrar a Deus.
A perda dos transcendentais talvez seja o sinal mais evidente da exclusão de Deus. Mas, precisamente por isso, constitui a maior carência, a maior fome de que o mundo padece, ainda que a imensa maioria não sinta isso de modo explícito. Muitos corações cansados, traídos, decepcionados, estão gritando sem saber, com grandes vozes silenciosas, o que pedia um grupo de pagãos no dia da entrada de Cristo em Jerusalém: Queremos ver Jesus! (Jo 12, 21).
Adaptação de um trecho do nosso livro Procurar, encontrar e amar a Cristo

SALMOS: DEUS NÃO RETIROU DE MIM A ORAÇÃO


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DEUS NÃO RETIROU DE MIM A ORAÇÃO


─ Deus me ouviu, prestou atenção à minha súplica. Bendito seja Deus que não rejeitou [não removeu de mim] a minha oração (Salmo 66,20)

O texto original desses versículos, como mostra a tradução literal da Nova Vulgata, agradece a Deus que, além de ouvi-lo, não lhe tenha tirado, não tenha “removido” dele, a sua oração (non amovit orationem meam a me).

Privar da oração, tirar de alguém a capacidade de orar, é como matar-lhe a alma. É lógico que seja assim. A oração é um dom que a graça do Espírito Santo deposita no fundo do nosso coração [1]. Pois bem, desprezar essa graça é uma forma de expulsar, de entristecer o Espírito Santo de Deus (Ef 4,30).

Sem essa graça, nós nunca seriamos capazes de ter a felicidade de estabelecer um contacto direto com Deus, orando a qualquer hora, em qualquer lugar e em qualquer circunstância. «A meu ver – dizia santa Teresa de Ávila –, a oração … é apenas um relacionamento íntimo de amizade em que conversamos muitas vezes a sós com esse Deus por quem nos sabemos amados»[2].

Deus oferece o dom da oração a todos, desde os maiores santos até os maiores pecadores. Só nós, só você e eu, podemos bloquear esse dom e tornar-nos impermeáveis a ele. A nossa alma, então, privada da oração por culpa nossa, torna-se um deserto de solidão, aridez e amargura.

Talvez nos perguntemos: – “Se nem sequer o pior pecado pode nos privar da oração, o que é que a pode bloquear?” O Catecismo da Igreja nos dá uma resposta inspirada na Palavra de Deus: «Duas tentações frequentes ameaçam a oração: a falta de fé e a acídia [indiferença, tédio pelas coisas espirituais], que é uma forma de depressão devida a relaxamento do esforço espiritual, e que leva ao desânimo»[3].

Sem a fé, falar com Deus seria uma farsa; e seria uma hipocrisia falar com ele sem estar dispostos a fazer o que nos pede: Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Is 29,13 e Mc 7,6); rezar assim é inutilizar a graça da oração. Ora, graça desprezada, graça removida.

Lembre quais são as principais condições da boa oração:

  • Humildade: Jesus louva a oração do publicano no Templo: Mantendo-se a distância, não ousava sequer levantar os olhos para o céu, mas batia no peito dizendo“Meu Deus, tem piedade de mim, pecador!”. Eu vos digo que este desceu para casa justificado (Lc 18,13-14).

«O pedido de perdão é a condição prévia de uma oração justa e pura», diz o Catecismo[4]. Basta o pedido confiante de misericórdia, como o do bom ladrão (Lc 23,42) ou as lágrimas silenciosas da mulher pecadora (Lc 7,44), ou o tremor contrito da adúltera (Jo 9-11) para que se estabeleça a ponte do perdão e da paz entre o coração arrependido e o coração amoroso de Jesus.

  • Sinceridade: Para fazer oração – diz também o Catecismo – é preciso «despertar a fé, para entrar na presença daquele que nos espera, fazer cair as nossas máscaras e voltar nosso coração para o Senhor que nos ama, a fim de nos entregarmos a Ele como uma oferenda que precisa ser purificada e transformada»[5].

Como podemos orar bem se andamos “mascarados”? Máscara é, por exemplo, achar-nos bons como o fariseu (Lc 18,11-12), não ver os nossos defeitos, não reconhecer que somos pecadores; ou então tapar com a máscara dos bons sentimentos a má vontade em relação aos deveres que nos custa cumprir: Nem todo o que me diz “Senhor, Senhor!” entrará no Reino dos Céus, mas sim o que pratica a vontade de meu Pai que está nos Céus  (Mt 7,21).

  • Confiança filial. Quando os apóstolos pediram a Jesus ensina-nos a orar, o Senhor respondeu: Quando orardes dizei: “Pai, santificado seja o teu nome…” (Lc 11,2). O Pai-nosso. Com certeza Jesus usou, para designar o Pai, uma palavra aramaica que atingia o coração dos ouvintes, pois todos eles, desde a infância, a tinham usado para se dirigir com carinho ao pai da terra: Abá (cf. Mc 14,36).
Desde o começo de sua pregação, Jesus quis infundir essa confiança ilimitada no coração de todos: Vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de lho pedirdes… Vosso Pai vê, vosso Pai sabe… (Mt 6, 8.27 ss).

Orai sem cessar (1Ts 5,17). Para “conviver” assim, filialmente, com Deus não precisamos de discursos, de retórica. Como já víamos, para fazer oração basta muitas vezes uma invocação afetuosa a Deus, a Jesus, a Maria, aos nossos irmãos os santos. Basta um olhar, um suspiro, uma lágrima, um gemido, um sorriso, uma lembrança, uma breve jaculatória: ”Meu Deus, eu te amo, ajuda-me!”.

É claro que esse clima de serena intimidade com Deus precisa ser aquecido por momentos diários e semanais bem mais longos e intensos: a Santa Missa, a meditação, as leituras espirituais, o Terço… [6]. O que não podemos fazer é descurar a oração.

Penso que nos pode ajudar, para encerrar este capítulo, ler e meditar duas frases de dois grandes santos.

  • Santo Afonso Maria de Ligório, entre suas inúmeras obras, tem um livrinho sobre «A Oração»[7], que é uma verdadeira joia. Nele coloca uma frase que o a Igreja assumiu no seu Catecismo: «Quem reza certamente se salva, quem não reza certamente se condena» (n. 2744).

  • São João Maria Vianney, o santo Cura d’Ars, dizia em suas Catequeses: «Deus não tem necessidade de nós: se ele nos pede que rezemos é porque deseja a nossa felicidade, e essa felicidade só pode ser encontrada na oração… A oração é toda a felicidade do homem. Quanto mais se reza, mais se quer rezar».
Experimente, e verá.
[1] cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2725
[2] Livro da vida, cap. 8º.
[3] cf. n. 2755
[4] cf. Catecismo, n. 2631
[5] Ibidem, n. 2711
[6] Sobre este tema ver as nossa obra Para estar com Deus, Ed. Cultor de Livros e Cleófas, S~Cao Paulo 2012
[7] Editora Santuário, Aparecida.

SALMOS: OS SEGREDOS DO CORAÇÃO

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DEUS CONHECE OS SEGREDOS DO CORAÇÃO
─ Deus conhece os segredos do coração (Salmo 44,22)… ─ Senhor, tu me examinas e me conheces…, penetras de longe meus pensamentos…, sabes todas as minhas trilhas… As trevas não são escuras para ti…, Examina-me, ó Deus, e conhece meu coração (Salmo 139,1-2.12.23).
Quando o profeta Samuel, por ordem de Deus, foi à casa de Isaí, para ungir como rei de Israel um de seus filhos, não prestou atenção às qualidades dos filhos mais velhos, que o pai gabava. Derramou a unção régia sobre o menor, Davi, o escolhido de Deus, e dizia: O homem vê a aparência, Deus vê o coração (1 Sm 16,7).
Não são as “aparências” que interessam a Deus. Para Deus só tem valor o que há no “coração”.
Na linguagem bíblica, o “coração” é o mais íntimo da pessoa humana, aquele fundo da alma onde se encontra a raiz e a verdade dos nossos pensamentos, desejos, sentimentos, intenções e decisões. É exatamente sobre isso – dizia São Paulo – que Deus julgará a nossa vida: Não julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor. Ele porá às claras o que está escondido nas trevas e manifestará as intenções dos corações (1 Cor 4,5).
As intenções do coração. Se nos víssemos a nós mesmos com transparência, descobriríamos que, dentro do nosso coração, há pelo menos quatro tipos de intenções.
  • Há intenções boas. Quando é o amor que as guia: o amor a Deus, o amor à verdade, o amor ao próximo.
Essas intenções predominam, com a graça do Espírito Santo, nos corações dos que se esforçam sinceramente em seguir o caminho que traça são Paulo aos Romanos: Não vos identifiqueis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito (Rm 12,2).
Na medida em que o amor vai impregnando até as menores das nossas intenções e ações, nessa mesma medida vamos amadurecendo, chegando, espiritualmente, ao estado de adultos, à estatura de Cristo (Ef 4,13).
O teste da autenticidade desse amor é a Cruz. Ama mesmo quem sabe tomar a cruz, quem sabe fazer o que contraria, para agradar Deus e fazer o bem aos outros.
  • Há intenções boas “estragadas”. O que mais prejudica as intenções, mesmo sendo em si boas, é a vaidade e o interesse.
Jesus ensina a fazer o bem sem procurar elogios, nem agradecimentos,  nem recompensas: fazer caridade, sem que a nossa mão esquerda saiba o que faz a direita; orar sem ostentação, ou seja, sem buscar ser vistos e admirados por isso; jejuar e, em geral, fazer sacrifícios sem que se note, sorrindo (cf. Mt 6,1-18).
Da mesma forma, devemos evitar fazer “pose” (praticar fora do lar virtudes que não vivemos em casa) para causar boa impressão social, com o fim de subir na estima dos outros e obter vantagens (“como ele é bom, amável, responsável, excelente cristão!”).
  • Há intenções más. Evidentemente não é boa a intenção que nos leva a humilhar outra pessoa, a querer prevalecer sobre os demais, a enganar, a prejudicar, a vingar-nos…
O que sai do coração – dizia Jesus – é o que mancha o homem (cf. Mt 15,18).
A nossa alma, comentava santo Ambrósio, é como uma terra ocupada pelo inimigo, que, aos poucos, deve ser reconquistada e transformada em Reino de Deus: o “Reino da verdade, do amor e da paz” [1]. Mas, para isso, é preciso enfrentar e derrotar outros “reis” que a dominam, ou seja, as nossas más paixões: o orgulho, o egoísmo, a inveja, a raiva, o desprezo, o ódio…
A vitória, com a graça de Deus, depende da nossa humildade, da sinceridade do nosso arrependimento e da confissão das nossas faltas, a começar pela limpeza dos nossos pecados interiores (maus pensamentos, maus desejos, maus juízos, raivas acumuladas…). Assim, poderemos abrir a alma, já purificada, às luzes e ao calor do Evangelho, da palavra e do exemplo de Jesus, que nos fará endireitar os caminhos do coração (cf. Mc 1,3).
  • Há, finalmente, intenções “ausentes”. Por falta de ideais, há pessoas que vão tocando o barco da vida na maior rotina, por mera inércia. Como não têm intenções grandes e boas que os estimulem, não se propõem metas concretas de mudança e crescimento nas virtudes. Deste modo, cada vez fazem as coisas pior. “Estragam” a vida em família, que fica tediosa, vazia, monótona; “estragam” o trabalho, que cai cada vez mais na mediocridade; “estragam” a fé, limitando-se a “cumprir” os deveres religiosos mais básicos, sem vida nem alma, sem luta e, portanto, sem progresso espiritual, apenas com um declínio cada vez maior.
Tudo isso empobrece o “coração” e deprime a alma. É a doença grave da falta de amor, que confirma o que diz são Paulo: Se não tivesse amor, eu nada seria (I1 Cor 13,2).
Se notarmos alguns desses sintomas, pelo amor der Deus, procuremos reagir logo, acordar da modorra. Lancemo-nos a essa corrida de Amor que é a verdadeira vida cristã (cf. Fl 3,13-14).

Do livro Os Salmos, nosso espelho, Quadrante 2019
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[1] cf. Prefácio da Missa da solenidade de Cristo Rei.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

“Tarde Te amei!” De Santo Agostinho, uma das mais arrebatadoras orações de todos os tempos


Imagens de: Santo Agostinho doutor da igreja

“Et ecce intus eras et ego foris et ibi te quaerebam, et in ista formosa quae fecisti deformis irruebam…”

1. Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova… Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração… Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava… Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te. Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio.2. Tu estavas dentro de mim e eu fora… “Os homens saem para fazer passeios, a fim de admirar o alto dos montes, o ruído incessante dos mares, o belo e ininterrupto curso dos rios, os majestosos movimentos dos astros. E, no entanto, passam ao largo de si mesmos. Não se arriscam na aventura de um passeio interior”. Durante os anos de minha juventude, pus meu coração em coisas exteriores que só faziam me afastar cada vez mais d’Aquele a Quem meu coração, sem saber, desejava… Eis que estavas dentro e eu fora! Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Estavas comigo e não eu Contigo…
3. Mas Tu me chamaste, clamaste por mim e Teu grito rompeu a minha surdez… “Fizeste-me entrar em mim mesmo… Para não olhar para dentro de mim, eu tinha me escondido. Mas Tu me arrancaste do meu esconderijo e me puseste diante de mim mesmo, a fim de que eu enxergasse o indigno que era, o quão deformado, manchado e sujo eu estava”. Em meio à luta, recorri a meu grande amigo Alípio e lhe disse: “Os ignorantes nos arrebatam o céu e nós, com toda a nossa ciência, nos debatemos em nossa carne”. Assim me encontrava, chorando desconsolado, enquanto perguntava a mim mesmo quando deixaria de dizer “Amanhã, amanhã”… Foi então que escutei uma voz que vinha da casa vizinha… Uma voz que dizia: “Pega e lê. Pega e lê!”.
4. Brilhaste, resplandeceste sobre mim e afugentaste a minha cegueira. Então corri à Bíblia, abri-a e li o primeiro capítulo sobre o qual caiu o meu olhar. Pertencia à carta de São Paulo aos Romanos e dizia assim: “Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13,13s). Aquelas Palavras ressoaram dentro de mim. Pareciam escritas por uma pessoa que me conhecia, que sabia da minha vida.
5. Exalaste Teu Perfume e respirei. Agora suspiro por Ti, anseio por Ti! Deus… de Quem separar-se é morrer, de Quem aproximar-se é ressuscitar, com Quem habitar é viver. Deus… de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro. Deus… a Quem esquecer é perecer, a Quem buscar é renascer, a Quem conhecer é possuir. Foi assim que descobri a Deus e me dei conta de que, no fundo, era a Ele, mesmo sem saber, a Quem buscava ardentemente o meu coração.
6. Provei-Te, e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e agora ardo por Tua Paz. “Deus começa a habitar em ti quando tu começas a amá-Lo”. Vi dentro de mim a Luz Imutável, Forte e Brilhante! Quem conhece a Verdade conhece esta Luz. Ó Eterna Verdade! Verdadeira Caridade! Tu és o meu Deus! Por Ti suspiro dia e noite desde que Te conheci. E mostraste-me então Quem eras. E irradiaste sobre mim a Tua Força dando-me o Teu Amor!
7. E agora, Senhor, só amo a Ti! Só sigo a Ti! Só busco a Ti! Só ardo por Ti!…
8. Tarde te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava, disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que criaste. Estavas comigo, e eu não estava Contigo… Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a Tua Luz afugentou minha cegueira. Exalaste o Teu Perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu Te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!
Santo Agostinho, Confissões 10, 27-29

SALMOS: A SANTA INDIGNAÇÃO

Salmos 91:2 Diré yo a Jehová: Esperanza mía, y castillo mío; Mi Dios, en quien confiaré. | Biblia Reina Valera 1960 (RVR1960) | Download The Bible App Now
NÃO REJEITES COM IRA O TEU SERVO
─ Tomai cuidado, ó reis… Servi ao Senhor com reverência… , para que não se indigne e pereçais pelo caminho (Salmo 2,10-12). Não rejeites com ira o teu servo. És meu auxílio, não me deixes, não me abandones, Deus, meu salvador (Salmo 27,9).
No capítulo anterior, meditamos sobre a virtude da mansidão. Neste, meditaremos sobre a virtude da santa indignação.
A santa indignação é a face positiva da paixão da ira que, como todos os impulsos naturais da emotividade, pode ser canalizada para o bem ou para o mal. O segredo da autenticidade da ira boa é o amor: se o amor estiver presente como seu motivo e sua força, a indignação será santa, a ira será boa; se não estiver, será ruim.
São Tomás de Aquino insiste em que a ira é uma força positiva, que pode tornar mais vigorosas as virtudes. Chega a dizer que a ira procedente do zelo pelo bem, constitui a autêntica força de defesa e de resistência da alma[1]. Pense no exemplo de um jornalista que, sem ofender as pessoas, apaixona-se por defender os valores morais cristãos, ou luta com as armas da verdade para desmascarar calúnias contra inocentes.
Com essas premissas, meditemos agora sobre três tipos de ira boa:
─ A ira divina. Deus é o Amor, é o “único bom”  (cf. 1 Jo, 4,8 e Mc 10,18). É evidente que o Amor total e a Bondade pura são incompatíveis com a mentira e a maldade. Não há combinação possível. Deus é Luz – diz são João ─ e nele não há treva alguma (1Jo 1,5). E são Paulo: Que comunhão pode haver entre a luz e as trevas? (2 Cor 6,14).
A Bíblia fala com frequência da ira de Deus. É expressão tanto da sua justiça como do seu amor. O Amor por essência não pode ficar indiferente em face do Mal. As almas humildes, que se sabem pecadoras, rezam com o segundo salmo que acima citamos: Não rejeites com ira o teu servo; és meu auxílio, não me deixes. E alegram-se com a certeza de que o Senhor é misericordioso e compassivo, lento para a cólera e rico em bondade (Salmo 103,8).
Deus é bom, mas a sua bondade não é a de um papai Noel de açúcar- cande. Deus quer o nosso bem, quer a nossa felicidade eterna. Por isso não brinca. Se precisa falar forte, fala; se precisa ameaçar e lembrar que o mal será punido, não esconde essa verdade. Tomai cuidado, ó reis… Servi ao Senhor com reverência… , para que não se indigne e pereçais pelo caminho, diz o primeiro salmo citado no cabeçalho deste capítulo. Bem o entendia são Paulo,quando alertava: Não vos iludais; de Deus ninguém zomba (Gl 6,7).
─ A ira santa de Jesus. Jesus, Deus e homem verdadeiro, sabe o que é o Mal. Jesus sabe quais são os ardis de Satanás (cf. Mt 4,1-11). Por isso, por amor de nós (pois ele veio para nos salvar) manifesta diversas vezes a sua santa indignação.
É notável perceber que nunca se indigna por ofensas meramente pessoais: basta ver seu silêncio e mansidão perante as cusparadas, bofetadas, açoites, burlas e insultos da Paixão. Mas reage com santa ira, movido pelo amor de Deus Pai e pelo amor de nós, perante  ação do mal, especialmente do mal que pode enganar inocentes e fazê-los tropeçar e cair.
Assim, nós o vemos no Templo de Jerusalém, de chicote na mão, indignado contra os vendilhões que profanam a casa de Deus. Ele os expulsa: Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio. Os discípulos, então, lembram-se de que estava escrito: O zelo da tua Casa me devorará (Jo 2,16-17) .
Indigna-se contra os que corrompem as crianças com seus maus exemplos, seus maus conselhos, suas atitudes infames, seus crimes abomináveis. Chega a dizer palavras muito duras, mas que parecem bem justas e atuais: Caso alguém escandalize um desses pequeninos que acreditam em mim, melhor seria que lhe pendurassem ao pescoço uma pesada mó e o precipitassem no profundo do mar (Mt 18,6).
─ A ira dos homens e mulheres de bem.  Uma pessoa honrada – seja religiosa ou não – deve reagir com ira justa perante os ultrajes à verdade, à justiça e à dignidade das pessoas.
Sem essa reação, a alma acabaria acovardando-se, deixando passar tudo, e contaminando-se com uma “tolerância” muito simpática e popular, mas que é uma autêntica traição à verdade e ao bem: é o beijo de Judas na face de Cristo. Como é fácil brilhar com a maquiagem da bondade, da “bondosidade”, na base de tolerar males morais, que destroem as pessoas e as famílias mais do que os males físicos, para “não magoar” ninguém, para não ser politicamente incorreto e para não perder a imagem de caridoso e compreensivo perante a opinião dos outros.
São João Crisóstomo afirma claramente: «Quem não se indigna quando há motivo, peca. A paciência que não é razoável semeia vícios, alimenta a negligência e facilita que não só os maus, como também os bons, pratiquem o mal»[2]. «Quem se cala na presença da injustiça, diz por seu lado Hugo de São Vítor, tem os lábios manchados, e a iniquidade que não combate se vira contra ele»[3].
Essa responsabilidade, hoje tão esquecida, deve ser muito lembrada; sem esquecer, porém, que a ira só é boa se reúne as duas condições seguintes:
  • Se a indignação dirige-se contra o erro, não contra a pessoa que erra. Assim se expressa Santo Agostinho: «Deve-se combater o erro, e amar o que erra». Se a ira se voltar contra a pessoa, passará a ser ódio, e ficará corrompida pela falta de caridade. Por isso, a indignação cristã, sem se esvaziar por moleza, sempre deverá ter pronto o respeito, o perdão e o coração aberto ao diálogo com a pessoa cujo erro combate. Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem (Mt 5,44).
  • A segunda condição subentende-se no já dito. Acontece, porém, que é de tal importância, na cultura em que vivemos, que convém repisá-la com toda a clareza.
Refiro-me à passividade indiferente e desfibrada de pessoas, famílias, comunidades – mesmo religiosas  – diante de ideias, costumes e comportamentos que contradizem princípios elementares de ética natural e da fé e da moral cristã. Alguns cristãos “atualizados” passam até a ser paladinos daquilo que sua consciência, antes de se corromper, lhes dizia claramente que era um grave mal, um pecado grave.
Creio que os dois textos que vou citar a seguir deixam esse problema bem equacionado:
O primeiro é de Ernest Hello: «Tente imaginar, se pode, um santo que não deteste o pecado… O verdadeiro santo possui a caridade, mas é uma caridade terrível, que queima, um amor que detesta o mal, justamente porque quer o bem, quer a cura daquele que o padece. O santo que os mundanos imaginam deveria ter uma caridade adocicada que abençoaria qualquer coisa, qualquer pessoa, em qualquer circunstância. O santo que o “mundo” gosta de imaginar sorriria ao pecado, sorriria a todos, sorriria a tudo. Seria alguém sem indignação nenhuma, sem profundidade, sem altura… Seria benigno, benévolo, açucarado para com o doente, mas indulgente e tolerante para com a doença»[4].
O segundo texto é o filósofo americano Peter Kreeft.  «Supõe-se – diz – que temos compaixão, misericórdia e indulgência para com os pecadores, como Deus. Mas supõe-se que não utilizamos a “compaixão” como uma desculpa para negar a existência do pecado. Deus nunca faz isso. Mas o mundo moderno, sim.
»Toda vez que alguém faz um juízo moral, é criticado porque lhe falta “compaixão”, compreensão, e prega-se nele a etiqueta de um ou mais dos três efes do homem moderno: fascista, fanático e fundamentalista (esse último qualificativo deve ser pronunciado com desprezo)… Você quereria que seu médico fosse “compreensivo” com as suas células cancerosas?…
»É falso dizer que tudo o que precisamos é amor. Precisamos também da verdade. Um cirurgião precisa de algo mais que amor. Também precisa de luz»[5].
Do nosso livro O espelho dos Salmos, Quadrante 2019
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[1] Suma Teológica I, q. 81, a. 2;  II-II, q. 158, a. 1 c.
[2] Citado por S. Tomás de Aquino, na Suma Teológica, II-II, q.158, a.8
[3] Cf. Ernest Hello, Du Néant a Dieu, Ed. Perrin, 1921, II, pág. 36
[4] L’homme, Ed, Perrin, Paris 1911, pág. 222
[5] Como tomar decisiones. Ed. Rialp, Madrid 1993, págs. 33 ss.

“Uma Ave Maria dita sem fervor sensível, mas…”

Habiendo sido exaltada la Virgen María como Madre del Rey de reyes, con toda razón la santa Iglesia la honra y quiere que sea honrada por todos por el título glorioso de reina.  #MadredelReydeReyes

Certa vez, Nosso Senhor pediu a São Francisco que lhe desse algo. O santo respondeu: “Senhor, não posso te dar nada que eu já não tenha dado: todo o meu amor”. Jesus sorriu e disse: “Francisco, dá-me tudo de novo, e de novo, e me darás a mesma alegria”. Da mesma forma, nossa querida Mãe recebe cada Ave-Maria que lhe ofertamos com a mesma alegria com que ouviu aquela saudação da boca do Arcanjo Gabriel no dia da Anunciação, quando ela se tornou a Mãe do Filho de Deus.
Santa Gertrudes nos diz em seu livro “Revelações” que, quando agradecemos a Deus pelas graças que Ele deu a qualquer santo, nos tornamos participantes daquelas mesmas graças. Ora, que graças então não recebemos quando rezamos a Ave-Maria agradecendo a Deus por todas as graças extraordinárias que Ele concedeu à Sua Mãe Bendita?
“Uma Ave-Maria dita sem fervor sensível, mas com desejo puro em tempo de aridez, tem muito mais valor, à minha vista, que um rosário inteiro no meio das consolações”, disse Nossa Senhora à Irmã Benigna Consolata Ferrero. (1885- 1916).
O poder da Ave-Maria
Uma Ave-Maria bem recitada nos dá mais graças que mil rezadas sem reflexão
Aleteia team, 16 de junho de 2016