sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Em caso de crise espiritual, estas 4 palavras são um caminho de cura

WOMAN PRAYING,CHURCH PEWS


Quatro hábitos para mantê-lo espiritualmente são e salvo

Quão boa é a sua memória? À medida que as pessoas envelhecem, elas podem se lembrar de sua música favorita no Ensino Médio ou da melodia alegre de um comercial de décadas atrás, mas não conseguem se lembrar do que comeram no café da manhã de ontem.
Agora vamos fazer uma pergunta mais difícil: quão boa é a sua memória quando você está sob estresse? Isso pode ser uma questão de vida ou morte. As pessoas que trabalham em áreas onde erro significa desastre – por exemplo, pilotos de linhas aéreas, soldados, bombeiros, médicos – todos concordam: as pessoas não se erguem nessas ocasiões, elas caem no nível de seu treinamento. Nos momentos de crise, as pessoas fazem aquilo que treinaram muito.
Como esse fato pode ser aproveitado quando nos encontramos em tempos de desespero, tentação ou até escuridão espiritual?
Gostaria de recomendar quatro palavras para os momentos difíceis. Trata-se de palavras fáceis de ser compreendidas e usadas. Elas podem se tornar uma parte tão habitual de nós que podem nos guiar quando estivermos em tempos de sofrimento e perigo espiritual.
As quatro palavras são estas: prontidão, humildade, docilidade e generosidade.
PRONTIDÃO: William Shakespeare, em sua peça Ricardo III, falou de “vivacidade de espírito” (do latim alacer), que é uma disposição alegre. Diferente de uma cautela ou proteção orientada para a autopreservação, a prontidão é um alerta orientado a atender às necessidades dos outros ou atender ao chamado do dever do momento. E esse estado de alerta é mantido de bom grado, e não de má vontade ou ressentimento.
HUMILDADE: A prontidão é complementada pela humildade, que é realmente um tipo de veracidade, um hábito de dizer a verdade a respeito da superabundância de Deus e de nossa própria pobreza. Deus é todo bom, santo, sábio e amoroso – e nós não somos. Deus é totalmente autossuficiente – e nós não somos. Deus é sempre alegre e pleno – e nós não somos. O secularismo nos diz que não precisamos de Deus, e Satanás nos diz que podemos nos tornar semelhantes a Deus; já a humildade nos diz a verdade, uma verdade dolorosa que pode nos poupar muito dano e nos preparar para ainda mais.
DOCILIDADE: A humildade nos prepara para a docilidade de aprender. À luz da plenitude de Deus e do nosso próprio vazio, como não podemos estar ansiosos para aprender? Se nos acorrentarmos, como poderemos acolher a verdade que nos libertará?
GENEROSIDADE: A docilidade nos leva à alegria da generosidade (do latim: Do ut des – “Eu dou para que você possa dar”). Santo Inácio de Loyola nos ensina que aqueles que amam se alegram em trocar presentes, em dar o que têm às pessoas queridas.
Quando Deus nos dá um presente, ele também nos dá o dom de poder dar um presente. Ele nos dá o dom de nos tornarmos “presenteadores” também, imitando-o. Assim compreendida, a generosidade se torna uma oportunidade privilegiada de compartilhar o prazer de amar como Deus ama.
Qual é a moral dessa história? Simplesmente isto: com a graça de Deus, podemos nos treinar para sermos providentes, verdadeiros, sábios e generosos, imitando a Deus. Quando estamos abatidos, desesperados ou sob tentação, lembrar dessas quatro palavras – prontidão, humildade, docilidade, generosidade – pode ajudar-nos a encontrar luz.
Pratique essa quatro palavras a partir de hoje e, com o tempo, elas poderão se tornar hábitos prontos para os momentos de tempestade.
https://pt.aleteia.org/2019/10/02/em-caso-de-crise-espiritual-estas-4-palavras-sao-o-caminho-de-cura/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

Milhares de católicos retornam à missa depois de assistir a estes comerciais de TV



Depois de 20 anos, 'Catholics Come Home' continua a inspirar católicos afastados a abraçar sua fé

Nos últimos 20 anos, o apostolado Catholics Come Home tem respondido ao chamado de João Paulo II por uma “nova evangelização”, realizando comerciais de TV inspiradores que convidam católicos inativos a voltar para casa.
De acordo com um artigo do National Catholic Register, “com anos de experiência anterior em mídia profissional e publicidade, o fundador da CCH, Tom Peterson, rezou: ‘Como o Senhor quer usar minha vida, meu Deus?’ Então ele produziu um programa de mídia para a Diocese de Phoenix, resultando em 92.000 pessoas que retornaram à Igreja.”
O que diferencia o programa de mídia de Peterson é sua qualidade e capacidade de retratar a Igreja Católica de uma maneira positiva.
Como o site explica: “Inspirados pelos apelos de nossos Santos Padres a uma nova evangelização, o Catholics Come Home dirige-se a católicos afastados usando comerciais de TV inspiradores e um site interativo. Sem pressão ou obrigação, o Catholics Come Home.org oferece uma oportunidade de aprender a verdade sobre a fé católica em um ambiente amoroso e sem julgamento. Oferecemos muitos recursos que ajudam a aprender mais sobre o retorno à Igreja Católica. Voltar para casa nunca foi tão fácil!”
Os resultados dos esforços de Peterson falam por si.
O arcebispo Carlson, de St. Louis, observou: “somos abençoados com aproximadamente 37.000 almas que retornaram à fé (aumento da participação em missas em 8,3% no Advento de 2011).” O bispo Michael Sheridan, de Colorado Springs, declarou que “esta campanha na televisão teve um impacto significativo em centenas de milhares de espectadores em nossa região.”
Em Sacramento, o bispo Jaime Soto revelou que houve “um aumento de 15% na participação na  missa (20.800 almas retornaram à Igreja)”.
Seu comercial de TV mais popular (visto abaixo) é simples e destaca a alegria e a beleza da fé católica. O site apresenta uma grande variedade de vídeos inspiradores e muitos trazem depoimentos pessoais. Existe até um ramo jovem do apostolado com conteúdo voltado especificamente para a juventude.
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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Padre Pio tinha os estigmas, mas uma ferida secreta era mais dolorosa que as outras



O santo revelou isso apenas para uma pessoa: Karol Wojtyla, o futuro Papa João Paulo II

O Padre Pio é um dos poucos santos que sofreu os estigmas (feridas) da paixão de Cristo em seu corpo. Além das feridas dos espinhos e da lança, São Pio também recebeu a laceração que Nosso Senhor suportou em seu ombro, um ferimento causado por carregar a cruz, do qual sabemos porque Jesus revelou a São Bernardo.
Essa outra ferida que Padre Pio teve foi descoberta por um de seus amigos e filhos espirituais, o Irmão Modestino de Pietralcina.
Esse frade era da terra natal de Pio e o ajudava nos serviços domésticos. O futuro santo disse-lhe um dia que trocar de camisa era uma das coisas mais dolorosas que ele tinha Se suportar.
O Irmão Modestino não entendeu imediatamente o porquê. Ele percebeu a verdade apenas após a morte do Padre Pio, quando preparava as vestes de seu pai espiritual.
Modestino recebeu a tarefa de coletar todos os pertences do Padre Pio e guardá-los. Na camisa do padre, ele encontrou uma grande mancha no ombro direito, perto da omoplata. A mancha tinha cerca de dez centímetros de diâmetro (um pouco semelhante à mancha no Santo Sudário). Ele percebeu que, toda vez que o Padre Pio tirar a camisa, desgrudar o pano dessa ferida aberta teria causado uma dor enorme.
“Informei imediatamente o meu superior sobre que encontrei”, recordou o Irmão Modestino, e o superior pediu que ele fizesse um breve relato. Ele acrescentou: “O padre Pellegrino Funicelli, que também havia ajudado o Padre Pio por muitos anos, disse-me que, muitas vezes, ao ajudar o padre a trocar a camiseta de lã que ele usava por baixo, ele sempre notava – às vezes no ombro direito, às vezes no esquerdo, um hematoma circular”.

Wojtyla, seu confidente

O Padre Pio não falou sobre essa ferida com ninguém, exceto com o futuro João Paulo II. Se o santo irmão revelou apenas a ele, deve ter havido uma razão.
O historiador Francesco Castello escreve sobre um encontro em San Giovanni Rotondo, em abril de 1948, entre o padre Wojtyla e o padre Pio. Foi então que Pio contou ao futuro papa sobre sua “ferida mais dolorosa”.
O irmão Modestino relatou mais tarde que o padre Pio, após sua morte, deu-lhe um entendimento especial dessa ferida.
“Uma noite, antes de dormir, fiz uma petição a ele em oração. “Querido padre, se você realmente teve essa ferida, me dê um sinal.” E então eu fui dormir. Mas à 1h05 da manhã, uma dor aguda e repentina no meu ombro me despertou de um sono tranquilo. Era como se alguém tivesse pegado uma faca e arrancado a carne do meu ombro. Se a dor tivesse continuado mais alguns minutos, acho que teria morrido. No meio disso, ouvi uma voz que dizia: ‘Foi assim que sofri’. Um perfume intenso me cercou e encheu meu dormitório. Senti meu coração transbordar de amor a Deus. Eu senti uma sensação estranha: ter essa dor insuportável tirada de mim parecia ainda mais difícil do que a suportar. O corpo queria rejeitá-la, mas a alma, inexplicavelmente, desejava-a. Foi algo extremamente doloroso e doce ao mesmo tempo. Finalmente eu entendi!”

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sábado, 14 de setembro de 2019

Ó tempo perdido, em que podia ter-me santificado!


Dos escritos de Santo Afonso de Ligório, o texto nos alerta para a urgência de nossa conversão. Perdemos tantos dias na vida em busca de coisas supérfluas, dias que nunca mais voltam! Ó tempo desprezado! Tu serás a coisa que os mundanos mais desejarão no transe da morte. Queremos então dispor de mais um ano, mais um mês, mais um dia; mas não o terão, e ouvirão dizer que já não haverá mais tempo (Ap 10,6). O que não daria então para termos mais um dia de vida, a fim de poder melhor ajustar as contas da alma…


por Santo Afonso de Ligório

O VALOR DO TEMPO

Nada há mais precioso que o tempo e não há coisa menos estimada nem mais desprezada pelos mundanos. Isto deplora São Bernardo, dizendo: “Passam rapidamente os dias de salvação, e ninguém reflete que esses dias desaparecem e jamais voltam”. Vede aquele jogador que perde dias e noites na tavolagem. Perguntai-lhe o que fez e responderá: “Passar o tempo”. Vede o ocioso que se entretém horas inteiras na rua a ver quem passa, ou a falar em coisas obscenas ou inúteis. Se lhe perguntam o que está fazendo, dirá que não faz mais do que passar o tempo.

Pobres cegos, que assim vão perdendo tantos dias, dias que nunca mais voltam! Ó tempo desprezado! tu serás a coisa que os mundanos mais desejarão no transe da morte… Queremos então dispor de mais um ano, mais um mês, mais um dia; mas não o terão, e ouvirão dizer que já não haverá mais tempo (Ap 10,6). O que não daria então cada um deles para ter mais uma semana, um dia de vida, a fim de poder melhor ajustar as contas da alma!… Ainda que fosse para alcançar só uma hora — disse São Lourenço Justiniano — dariam todos os seus bens. Mas não obterão essa hora de trégua…

Pronto, dirá o sacerdote que o estiver assistindo, apressa-te a sair deste mundo; já não há mais tempo para ti. Por isso, exorta o profeta a que nos lembremos de Deus e procuremos sua graça antes que a luz se nos extinga (Ecl 12,1-2).

Que apreensão não sentirá um viajante ao notar que se transviou no caminho, quando, por ser já noite, não lhe é possível reparar o engano!… Tal será a mágoa na morte do que tiver vivido muitos anos sem empregá-los no serviço de Deus. “Virá a noite em que ninguém poderá fazer mais nada” (Jo 9,4). Então o momento da morte será para ele o tempo da noite, em que nada mais poderá fazer. “Clamou contra mim o tempo” (Lm 1,15). A consciência recordar-lhe-á todo o tempo que teve e que empregou em prejuízo de sua alma; todas as graças que recebeu de Deus para se santificar e de que não quis aproveitar; e ver-se-á depois privado de todos os meios de fazer o bem.

Por isso exclamará gemendo: Como fui insensato!… Ó tempo perdido, em que podia ter-me santificado!… Mas não o fiz e agora já não é tempo de o fazer… De que servem tais suspiros e lamentações, quando a vida está prestes a terminar e a lâmpada se vai extinguindo, vendo-se o moribundo próximo do solene instante de que depende a eternidade?

AFETOS E SÚPLICAS

Ah, meu Jesus! santificastes toda a vida para salvar minha alma; nem um instante deixastes de vos oferecer por mim ao Eterno Pai, a fim de me alcançar perdão e salvação… e eu, ao cabo de tantos anos de vida neste mundo, quanto tempo empreguei em vosso serviço? As recordações de meus atos fazem-me remorsos de consciência. O mal foi grande. O bem pouquíssimo e cheio de imperfeições, de tibieza, de amor próprio e de distrações.

Ah, meu Redentor, tudo isto tem sido porque olvidei o que por mim fizestes! Esqueci-vos, Senhor, mas vós não vos esquecestes de mim; viestes a procurar-me e repetidas vezes me oferecestes o vosso amor enquanto eu fugia de vós. Aqui estou, ó bom Jesus; não quero resistir por mais tempo, nem pensar que me abandonareis. Pesa-me, meu soberano Bem, de ter-me afastado de vós pelo pecado. Amo-vos, bondade infinita, digna de infinito amor. Não permitais que perca o tempo que vossa misericórdia me concede.

Lembrai-vos, amado Salvador meu, do amor que me tendes e das dores que por mim padecestes. Fazei que esqueça tudo na vida que me resta, exceto penar só em vos agradar. Amo-vos, meu Jesus, meu amor, meu tudo. Prometo fazer frequentíssimos atos de Amor. Concedei-me a santa perseverança, como espero, confiado nos merecimentos de vosso sangue precioso… E em vossa intercessão confio, ó Maria, minha Mãe querida!

https://capelasantoagostinho.com/2019/09/10/o-tempo-perdido-em-que-podia-ter-me-santificado/

UM TESOURO PERDIDO


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Todos lemos, ou vimos em filmes, aventuras de “busca do tesouro”. São  aventuras infantis, com as de Tom Sawyer, ou dramáticas como as que descreve Robert L. Stevenson no romance A ilha do tesouro.
Estou convencido de que hoje há um tesouro precioso, que está perdido e é urgente recuperar. Imagino que a maioria dos leitores não vai entender se lhe digo que esse tesouro são os «transcendentais do ser». No entanto, estou mencionando algo que hoje faz uma falta tremenda à maioria das pessoas, tanta falta como o alimento e a água.
A filosofia clássica nos diz que esses transcendentais são quatro: Unum, Verum, Bonum, Pulchrum, quer dizer, a Unidade, a Verdade, a Bondade e a Beleza.
Esses transcendentais formam em Deus uma unidade absolutamente simples e perfeita, que funde esses tesouros em grau máximo no próprio ser de Deus. Nós temos que procurá-los um a um… embora quem vai atrás de um deles facilmente encontrará os outros.
É preciso começar dando-nos conta de que os quatro transcendentais correspondem às necessidades mais profundas do nosso ser, às nostalgias íntimas que a maioria ignora, mas cuja ausência é a causa profunda da desorientação e do sofrimento inexplicável .
─ Que sede oculta de Unidade há neste mundo dilacerado, esmigalhado, como um caleidoscópio onde tudo é reativo e não parece haver nada fixo. Muitos, como diria Mário de Andrade, são trezentos e não uma só pessoa; ou seja, não são uma personalidade única, coerente, harmônica, mas pretendem soldar o insoldável: a verdade com a mentira ou com trezentas mentiras; o egoísmo doentio com compensações fugazes de amor inconsistente; a solidariedade e bem-estar da humanidade com as injustiças pessoais e a indiferença em relação aos mais próximos na família e no trabalho; o amor à Natureza com a abolição da natureza humana…
─ Que nostalgia profunda da Verdade! De uma verdade que não mude de cor nem de direção a cada cinco minutos, conforme o arbítrio de cada um. De uma Verdade com maiúscula como a estrela dos Magos, que às vezes pode se ocultar e tornar difícil o caminho, mas que nunca vira no seu contrário, nem se desmente, nem reduz o seu conteúdo, antes permanece fiel a si mesma e brilha como um astro inapagável, capaz de orientar a vida com a segurança de Deus.
─ Que nostalgia também da Bondade, que assinala sem erro a diferença entre o bem e o mal. «Nenhum homem ─ escrevia São João Paulo II ─ pode esquivar-se às perguntas fundamentais: Que devo fazer? Como discernir o bem do mal? A resposta somente é possível graças ao esplendor da verdade que brilha no íntimo do espírito humano, como atesta o salmista: Muitos dizem: “Quem nos fará ver o bem?” Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz da vossa face (Sl 4, 7).
»A luz da face de Deus – continua o Papa – resplandece em toda a sua beleza no rosto de Jesus Cristo, imagem do Deus invisível (Col 1, 15), resplendor da sua glória (Heb 1, 3), cheio de graça e de verdade (Jo 1, 14): Ele é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6). Por isso, a resposta decisiva a cada interrogação do homem, e particularmente às suas questões religiosas e morais, é dada por Jesus Cristo, mais ainda, é o próprio Jesus Cristo» (Encíclica Veritatis splendor).
─ Por fim, temos uma imensa sede da autêntica Beleza, sinal de Deus, suprema Beleza. O Papa Bento XVI insistiu muitas vezes em que a via pulchritudinis, ou seja a via da beleza, é hoje um dos mais excelentes caminhos para chegar a Deus. A nossa alma tem sede do Deus vivo, anseios de contemplar o rosto de Deus (cf. Sl 41[42], 3), de ver o mais belo dentre os filhos dos homens (Sl 44[45], 3), JesusCristo.
Um dos sinais mais evidentes da negação do «rosto de Deus» numa cultura é a exaltação cada vez maior do feio, do sujo, do repulsivo, do grosseiro, do caricato, do disparatado, do dissonante: na música, na pintura, na literatura, no teatro, no cinema… Deus não pode estar lá onde impera uma estética de banheiro público.
Quando Deus, a Beleza por essência da qual participam todas coisas belas, é expulso da escola, das leis, da mídia de múitos braços ─ como a deusa hindu Durga ─ , perde-se um dos caminhos mais límpidos que existem para encontrar a Deus.
A perda dos transcendentais talvez seja o sinal mais evidente da exclusão de Deus. Mas, precisamente por isso, constitui a maior carência, a maior fome de que o mundo padece, ainda que a imensa maioria não sinta isso de modo explícito. Muitos corações cansados, traídos, decepcionados, estão gritando sem saber, com grandes vozes silenciosas, o que pedia um grupo de pagãos no dia da entrada de Cristo em Jerusalém: Queremos ver Jesus! (Jo 12, 21).
Adaptação de um trecho do nosso livro Procurar, encontrar e amar a Cristo

SALMOS: DEUS NÃO RETIROU DE MIM A ORAÇÃO


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DEUS NÃO RETIROU DE MIM A ORAÇÃO


─ Deus me ouviu, prestou atenção à minha súplica. Bendito seja Deus que não rejeitou [não removeu de mim] a minha oração (Salmo 66,20)

O texto original desses versículos, como mostra a tradução literal da Nova Vulgata, agradece a Deus que, além de ouvi-lo, não lhe tenha tirado, não tenha “removido” dele, a sua oração (non amovit orationem meam a me).

Privar da oração, tirar de alguém a capacidade de orar, é como matar-lhe a alma. É lógico que seja assim. A oração é um dom que a graça do Espírito Santo deposita no fundo do nosso coração [1]. Pois bem, desprezar essa graça é uma forma de expulsar, de entristecer o Espírito Santo de Deus (Ef 4,30).

Sem essa graça, nós nunca seriamos capazes de ter a felicidade de estabelecer um contacto direto com Deus, orando a qualquer hora, em qualquer lugar e em qualquer circunstância. «A meu ver – dizia santa Teresa de Ávila –, a oração … é apenas um relacionamento íntimo de amizade em que conversamos muitas vezes a sós com esse Deus por quem nos sabemos amados»[2].

Deus oferece o dom da oração a todos, desde os maiores santos até os maiores pecadores. Só nós, só você e eu, podemos bloquear esse dom e tornar-nos impermeáveis a ele. A nossa alma, então, privada da oração por culpa nossa, torna-se um deserto de solidão, aridez e amargura.

Talvez nos perguntemos: – “Se nem sequer o pior pecado pode nos privar da oração, o que é que a pode bloquear?” O Catecismo da Igreja nos dá uma resposta inspirada na Palavra de Deus: «Duas tentações frequentes ameaçam a oração: a falta de fé e a acídia [indiferença, tédio pelas coisas espirituais], que é uma forma de depressão devida a relaxamento do esforço espiritual, e que leva ao desânimo»[3].

Sem a fé, falar com Deus seria uma farsa; e seria uma hipocrisia falar com ele sem estar dispostos a fazer o que nos pede: Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Is 29,13 e Mc 7,6); rezar assim é inutilizar a graça da oração. Ora, graça desprezada, graça removida.

Lembre quais são as principais condições da boa oração:

  • Humildade: Jesus louva a oração do publicano no Templo: Mantendo-se a distância, não ousava sequer levantar os olhos para o céu, mas batia no peito dizendo“Meu Deus, tem piedade de mim, pecador!”. Eu vos digo que este desceu para casa justificado (Lc 18,13-14).

«O pedido de perdão é a condição prévia de uma oração justa e pura», diz o Catecismo[4]. Basta o pedido confiante de misericórdia, como o do bom ladrão (Lc 23,42) ou as lágrimas silenciosas da mulher pecadora (Lc 7,44), ou o tremor contrito da adúltera (Jo 9-11) para que se estabeleça a ponte do perdão e da paz entre o coração arrependido e o coração amoroso de Jesus.

  • Sinceridade: Para fazer oração – diz também o Catecismo – é preciso «despertar a fé, para entrar na presença daquele que nos espera, fazer cair as nossas máscaras e voltar nosso coração para o Senhor que nos ama, a fim de nos entregarmos a Ele como uma oferenda que precisa ser purificada e transformada»[5].

Como podemos orar bem se andamos “mascarados”? Máscara é, por exemplo, achar-nos bons como o fariseu (Lc 18,11-12), não ver os nossos defeitos, não reconhecer que somos pecadores; ou então tapar com a máscara dos bons sentimentos a má vontade em relação aos deveres que nos custa cumprir: Nem todo o que me diz “Senhor, Senhor!” entrará no Reino dos Céus, mas sim o que pratica a vontade de meu Pai que está nos Céus  (Mt 7,21).

  • Confiança filial. Quando os apóstolos pediram a Jesus ensina-nos a orar, o Senhor respondeu: Quando orardes dizei: “Pai, santificado seja o teu nome…” (Lc 11,2). O Pai-nosso. Com certeza Jesus usou, para designar o Pai, uma palavra aramaica que atingia o coração dos ouvintes, pois todos eles, desde a infância, a tinham usado para se dirigir com carinho ao pai da terra: Abá (cf. Mc 14,36).
Desde o começo de sua pregação, Jesus quis infundir essa confiança ilimitada no coração de todos: Vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de lho pedirdes… Vosso Pai vê, vosso Pai sabe… (Mt 6, 8.27 ss).

Orai sem cessar (1Ts 5,17). Para “conviver” assim, filialmente, com Deus não precisamos de discursos, de retórica. Como já víamos, para fazer oração basta muitas vezes uma invocação afetuosa a Deus, a Jesus, a Maria, aos nossos irmãos os santos. Basta um olhar, um suspiro, uma lágrima, um gemido, um sorriso, uma lembrança, uma breve jaculatória: ”Meu Deus, eu te amo, ajuda-me!”.

É claro que esse clima de serena intimidade com Deus precisa ser aquecido por momentos diários e semanais bem mais longos e intensos: a Santa Missa, a meditação, as leituras espirituais, o Terço… [6]. O que não podemos fazer é descurar a oração.

Penso que nos pode ajudar, para encerrar este capítulo, ler e meditar duas frases de dois grandes santos.

  • Santo Afonso Maria de Ligório, entre suas inúmeras obras, tem um livrinho sobre «A Oração»[7], que é uma verdadeira joia. Nele coloca uma frase que o a Igreja assumiu no seu Catecismo: «Quem reza certamente se salva, quem não reza certamente se condena» (n. 2744).

  • São João Maria Vianney, o santo Cura d’Ars, dizia em suas Catequeses: «Deus não tem necessidade de nós: se ele nos pede que rezemos é porque deseja a nossa felicidade, e essa felicidade só pode ser encontrada na oração… A oração é toda a felicidade do homem. Quanto mais se reza, mais se quer rezar».
Experimente, e verá.
[1] cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2725
[2] Livro da vida, cap. 8º.
[3] cf. n. 2755
[4] cf. Catecismo, n. 2631
[5] Ibidem, n. 2711
[6] Sobre este tema ver as nossa obra Para estar com Deus, Ed. Cultor de Livros e Cleófas, S~Cao Paulo 2012
[7] Editora Santuário, Aparecida.

SALMOS: OS SEGREDOS DO CORAÇÃO

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DEUS CONHECE OS SEGREDOS DO CORAÇÃO
─ Deus conhece os segredos do coração (Salmo 44,22)… ─ Senhor, tu me examinas e me conheces…, penetras de longe meus pensamentos…, sabes todas as minhas trilhas… As trevas não são escuras para ti…, Examina-me, ó Deus, e conhece meu coração (Salmo 139,1-2.12.23).
Quando o profeta Samuel, por ordem de Deus, foi à casa de Isaí, para ungir como rei de Israel um de seus filhos, não prestou atenção às qualidades dos filhos mais velhos, que o pai gabava. Derramou a unção régia sobre o menor, Davi, o escolhido de Deus, e dizia: O homem vê a aparência, Deus vê o coração (1 Sm 16,7).
Não são as “aparências” que interessam a Deus. Para Deus só tem valor o que há no “coração”.
Na linguagem bíblica, o “coração” é o mais íntimo da pessoa humana, aquele fundo da alma onde se encontra a raiz e a verdade dos nossos pensamentos, desejos, sentimentos, intenções e decisões. É exatamente sobre isso – dizia São Paulo – que Deus julgará a nossa vida: Não julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor. Ele porá às claras o que está escondido nas trevas e manifestará as intenções dos corações (1 Cor 4,5).
As intenções do coração. Se nos víssemos a nós mesmos com transparência, descobriríamos que, dentro do nosso coração, há pelo menos quatro tipos de intenções.
  • Há intenções boas. Quando é o amor que as guia: o amor a Deus, o amor à verdade, o amor ao próximo.
Essas intenções predominam, com a graça do Espírito Santo, nos corações dos que se esforçam sinceramente em seguir o caminho que traça são Paulo aos Romanos: Não vos identifiqueis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito (Rm 12,2).
Na medida em que o amor vai impregnando até as menores das nossas intenções e ações, nessa mesma medida vamos amadurecendo, chegando, espiritualmente, ao estado de adultos, à estatura de Cristo (Ef 4,13).
O teste da autenticidade desse amor é a Cruz. Ama mesmo quem sabe tomar a cruz, quem sabe fazer o que contraria, para agradar Deus e fazer o bem aos outros.
  • Há intenções boas “estragadas”. O que mais prejudica as intenções, mesmo sendo em si boas, é a vaidade e o interesse.
Jesus ensina a fazer o bem sem procurar elogios, nem agradecimentos,  nem recompensas: fazer caridade, sem que a nossa mão esquerda saiba o que faz a direita; orar sem ostentação, ou seja, sem buscar ser vistos e admirados por isso; jejuar e, em geral, fazer sacrifícios sem que se note, sorrindo (cf. Mt 6,1-18).
Da mesma forma, devemos evitar fazer “pose” (praticar fora do lar virtudes que não vivemos em casa) para causar boa impressão social, com o fim de subir na estima dos outros e obter vantagens (“como ele é bom, amável, responsável, excelente cristão!”).
  • Há intenções más. Evidentemente não é boa a intenção que nos leva a humilhar outra pessoa, a querer prevalecer sobre os demais, a enganar, a prejudicar, a vingar-nos…
O que sai do coração – dizia Jesus – é o que mancha o homem (cf. Mt 15,18).
A nossa alma, comentava santo Ambrósio, é como uma terra ocupada pelo inimigo, que, aos poucos, deve ser reconquistada e transformada em Reino de Deus: o “Reino da verdade, do amor e da paz” [1]. Mas, para isso, é preciso enfrentar e derrotar outros “reis” que a dominam, ou seja, as nossas más paixões: o orgulho, o egoísmo, a inveja, a raiva, o desprezo, o ódio…
A vitória, com a graça de Deus, depende da nossa humildade, da sinceridade do nosso arrependimento e da confissão das nossas faltas, a começar pela limpeza dos nossos pecados interiores (maus pensamentos, maus desejos, maus juízos, raivas acumuladas…). Assim, poderemos abrir a alma, já purificada, às luzes e ao calor do Evangelho, da palavra e do exemplo de Jesus, que nos fará endireitar os caminhos do coração (cf. Mc 1,3).
  • Há, finalmente, intenções “ausentes”. Por falta de ideais, há pessoas que vão tocando o barco da vida na maior rotina, por mera inércia. Como não têm intenções grandes e boas que os estimulem, não se propõem metas concretas de mudança e crescimento nas virtudes. Deste modo, cada vez fazem as coisas pior. “Estragam” a vida em família, que fica tediosa, vazia, monótona; “estragam” o trabalho, que cai cada vez mais na mediocridade; “estragam” a fé, limitando-se a “cumprir” os deveres religiosos mais básicos, sem vida nem alma, sem luta e, portanto, sem progresso espiritual, apenas com um declínio cada vez maior.
Tudo isso empobrece o “coração” e deprime a alma. É a doença grave da falta de amor, que confirma o que diz são Paulo: Se não tivesse amor, eu nada seria (I1 Cor 13,2).
Se notarmos alguns desses sintomas, pelo amor der Deus, procuremos reagir logo, acordar da modorra. Lancemo-nos a essa corrida de Amor que é a verdadeira vida cristã (cf. Fl 3,13-14).

Do livro Os Salmos, nosso espelho, Quadrante 2019
—–
[1] cf. Prefácio da Missa da solenidade de Cristo Rei.