sexta-feira, 4 de outubro de 2019

3 lições de São Jerônimo sobre manter a calma em uma discussão

CHILD BOSS

O "santo nervosão" tem muito a ensinar para quem tem o pavio curto

Quando estou chateado, sinto nos meus dentes. Eu mordo, meu batimento cardíaco fica acelerado e minha pressão arterial dispara. Eu nunca tive um médico para verificar meus sinais vitais durante uma tensa discussão, mas tenho certeza de que é isso que acontece fisicamente comigo.
Eu sinto isso no aperto da minha mandíbula. Eu até acho que a pele ao redor dos meus olhos fica estranha por causa do conjunto dos meus músculos faciais. As pessoas que estão atentas provavelmente podem ler minhas emoções como um livro aberto, porque meu desconforto é grande e reflete na minha testa enrugada.
Estudos mostram que, quando estamos no meio de uma discussão, há muitos efeitos colaterais físicos. A raiva se espalha pelo nosso corpo e o estresse emocional ataca todos os sistemas físicos que temos. É típico o aumento da frequência cardíaca e da pressão sanguínea, mas há outros efeitos, como a respiração rápida e superficial devido ao aperto no peito. O próprio cérebro não funciona bem porque, quando nos sentimos ameaçados, ele libera um hormônio chamado cortisol, que induz ainda mais estresse, preparando-nos para uma luta intensa.
Esses fatores físicos criam um loop de feedback. A briga provoca raiva, que causa uma reação física que, por sua vez, nos deixa desconfortáveis, menos racionais e incapazes de resolver a situação. Penso que é por isso que, durante as discussões, falamos coisas sem pensar.  Olhando para trás, me pergunto por que um certo ponto de discórdia era tão importante para mim quando, na verdade, nem me importo com ele? O problema é que não conseguimos enxergar isso durante uma discussão, pois, nesses momentos, somos incapazes de gerenciar nossas reações emocionais e físicas.
São Jerônimo sabia bem disso. Ele é um santo famoso por ter sido briguento. Sabendo que a raiva o estava afetando, ele decidiu viver sozinho no deserto por dois anos e recuperar um pouco de calma. A experiência não foi totalmente bem-sucedida. Quando retornou à vida ativa, sua pregação permaneceu muito aguçada. Ele substituía padres, monges e outros teólogos no púlpito – e não media as palavras contra ninguém. Ele foi criticado por suas opiniões, hipocrisia e até pelo jeito que sorria. Fez tantos inimigos que teve que deixar a cidade para sempre.


Jerônimo provavelmente não era uma pessoa mais agradável do que você ou eu, mas ele nunca fez as pazes com sua natureza briguenta – dizia-se que ele se batia com uma pedra para tentar se acalmar – e pensava muito na natureza da raiva, que, segundo ele, é a porta pela qual todos os outros vícios nos alcançam. Quando estamos com raiva, agimos de maneira que nunca agiríamos quando estamos calmos. Começamos a fofocar, trocar insultos e mentir. Perdemos nossa paciência, empatia e bondade. O orgulho e o egoísmo tomam conta de nós.
No entanto, desacordos vão sempre acontecer. E algumas lições a vida de São Jerônimo nos ensinam como manter a calma durante uma discussão:

1
DAR UM TEMPO

Ganhar uma discussão a todo custo não vale o dano emocional que isso provoca. A raiva persistente que resulta de uma briga não faz bem a ninguém. Jerônimo pode ter lutado contra sua incapacidade de manter a calma durante as discussões, mas ele tinha um bom plano para tentar superar isso. Quando ele estava no meio de uma discussão insustentável e sabia que havia perdido a calma, ele parava para descansar (lembra que ele foi para o deserto por causa disso?). Uma conversa sempre pode ser retomada posteriormente, com a cabeça mais fria.

2
OUVIR E FOCAR

As brigas ficam fora de controle quando, na verdade, só focamos no outro. Quando estamos simplesmente tentando provar que a outra pessoa está errada e forçar uma rendição, ela rapidamente percebe isso e retribui da mesma forma. As palavras esquentam e os insultos surgem a todo momento. Uma das grandes virtudes de Jerônimo era que ele se envolvia e pensava no que a outra pessoa estava tentando dizer em detalhes. Ele interagia bastante com seus adversários. À medida em que ele fazia isso, percebia que estava no caminho certo.

3
AUTOACUSAÇÃO

Jerônimo reconhecia que ele era o problema. Mesmo quando sua opinião estava correta, ele entendia – quando estava mais calmo – que seu método de comunicação não era eficaz. Ele achava que isso era uma grande falha pessoal, e é por isso que ele administraria a autopenitência ao se bater com uma pedra. Eu não recomendo seguir o exemplo dele de autoagressão, mas ele estava no caminho certo quando decidia se examinar primeiro.
Embora Jerônimo nunca tenha controlado completamente sua raiva e continuasse a perder a calma, ele lutou contra sua falha a vida inteira. Diz a lenda que ele, certa vez, retirou um espinho da pata de um leão. Talvez seja esse o tipo de coragem necessária para que, em vez de entrar em estresse e raiva durante uma discussão, permanecermos calmos, respirarmos fundo e sorrirmos.
https://pt.aleteia.org/2019/09/30/3-licoes-de-sao-jeronimo-sobre-manter-a-calma-em-uma-discussao/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

Em caso de crise espiritual, estas 4 palavras são um caminho de cura

WOMAN PRAYING,CHURCH PEWS


Quatro hábitos para mantê-lo espiritualmente são e salvo

Quão boa é a sua memória? À medida que as pessoas envelhecem, elas podem se lembrar de sua música favorita no Ensino Médio ou da melodia alegre de um comercial de décadas atrás, mas não conseguem se lembrar do que comeram no café da manhã de ontem.
Agora vamos fazer uma pergunta mais difícil: quão boa é a sua memória quando você está sob estresse? Isso pode ser uma questão de vida ou morte. As pessoas que trabalham em áreas onde erro significa desastre – por exemplo, pilotos de linhas aéreas, soldados, bombeiros, médicos – todos concordam: as pessoas não se erguem nessas ocasiões, elas caem no nível de seu treinamento. Nos momentos de crise, as pessoas fazem aquilo que treinaram muito.
Como esse fato pode ser aproveitado quando nos encontramos em tempos de desespero, tentação ou até escuridão espiritual?
Gostaria de recomendar quatro palavras para os momentos difíceis. Trata-se de palavras fáceis de ser compreendidas e usadas. Elas podem se tornar uma parte tão habitual de nós que podem nos guiar quando estivermos em tempos de sofrimento e perigo espiritual.
As quatro palavras são estas: prontidão, humildade, docilidade e generosidade.
PRONTIDÃO: William Shakespeare, em sua peça Ricardo III, falou de “vivacidade de espírito” (do latim alacer), que é uma disposição alegre. Diferente de uma cautela ou proteção orientada para a autopreservação, a prontidão é um alerta orientado a atender às necessidades dos outros ou atender ao chamado do dever do momento. E esse estado de alerta é mantido de bom grado, e não de má vontade ou ressentimento.
HUMILDADE: A prontidão é complementada pela humildade, que é realmente um tipo de veracidade, um hábito de dizer a verdade a respeito da superabundância de Deus e de nossa própria pobreza. Deus é todo bom, santo, sábio e amoroso – e nós não somos. Deus é totalmente autossuficiente – e nós não somos. Deus é sempre alegre e pleno – e nós não somos. O secularismo nos diz que não precisamos de Deus, e Satanás nos diz que podemos nos tornar semelhantes a Deus; já a humildade nos diz a verdade, uma verdade dolorosa que pode nos poupar muito dano e nos preparar para ainda mais.
DOCILIDADE: A humildade nos prepara para a docilidade de aprender. À luz da plenitude de Deus e do nosso próprio vazio, como não podemos estar ansiosos para aprender? Se nos acorrentarmos, como poderemos acolher a verdade que nos libertará?
GENEROSIDADE: A docilidade nos leva à alegria da generosidade (do latim: Do ut des – “Eu dou para que você possa dar”). Santo Inácio de Loyola nos ensina que aqueles que amam se alegram em trocar presentes, em dar o que têm às pessoas queridas.
Quando Deus nos dá um presente, ele também nos dá o dom de poder dar um presente. Ele nos dá o dom de nos tornarmos “presenteadores” também, imitando-o. Assim compreendida, a generosidade se torna uma oportunidade privilegiada de compartilhar o prazer de amar como Deus ama.
Qual é a moral dessa história? Simplesmente isto: com a graça de Deus, podemos nos treinar para sermos providentes, verdadeiros, sábios e generosos, imitando a Deus. Quando estamos abatidos, desesperados ou sob tentação, lembrar dessas quatro palavras – prontidão, humildade, docilidade, generosidade – pode ajudar-nos a encontrar luz.
Pratique essa quatro palavras a partir de hoje e, com o tempo, elas poderão se tornar hábitos prontos para os momentos de tempestade.
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Milhares de católicos retornam à missa depois de assistir a estes comerciais de TV



Depois de 20 anos, 'Catholics Come Home' continua a inspirar católicos afastados a abraçar sua fé

Nos últimos 20 anos, o apostolado Catholics Come Home tem respondido ao chamado de João Paulo II por uma “nova evangelização”, realizando comerciais de TV inspiradores que convidam católicos inativos a voltar para casa.
De acordo com um artigo do National Catholic Register, “com anos de experiência anterior em mídia profissional e publicidade, o fundador da CCH, Tom Peterson, rezou: ‘Como o Senhor quer usar minha vida, meu Deus?’ Então ele produziu um programa de mídia para a Diocese de Phoenix, resultando em 92.000 pessoas que retornaram à Igreja.”
O que diferencia o programa de mídia de Peterson é sua qualidade e capacidade de retratar a Igreja Católica de uma maneira positiva.
Como o site explica: “Inspirados pelos apelos de nossos Santos Padres a uma nova evangelização, o Catholics Come Home dirige-se a católicos afastados usando comerciais de TV inspiradores e um site interativo. Sem pressão ou obrigação, o Catholics Come Home.org oferece uma oportunidade de aprender a verdade sobre a fé católica em um ambiente amoroso e sem julgamento. Oferecemos muitos recursos que ajudam a aprender mais sobre o retorno à Igreja Católica. Voltar para casa nunca foi tão fácil!”
Os resultados dos esforços de Peterson falam por si.
O arcebispo Carlson, de St. Louis, observou: “somos abençoados com aproximadamente 37.000 almas que retornaram à fé (aumento da participação em missas em 8,3% no Advento de 2011).” O bispo Michael Sheridan, de Colorado Springs, declarou que “esta campanha na televisão teve um impacto significativo em centenas de milhares de espectadores em nossa região.”
Em Sacramento, o bispo Jaime Soto revelou que houve “um aumento de 15% na participação na  missa (20.800 almas retornaram à Igreja)”.
Seu comercial de TV mais popular (visto abaixo) é simples e destaca a alegria e a beleza da fé católica. O site apresenta uma grande variedade de vídeos inspiradores e muitos trazem depoimentos pessoais. Existe até um ramo jovem do apostolado com conteúdo voltado especificamente para a juventude.
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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Padre Pio tinha os estigmas, mas uma ferida secreta era mais dolorosa que as outras



O santo revelou isso apenas para uma pessoa: Karol Wojtyla, o futuro Papa João Paulo II

O Padre Pio é um dos poucos santos que sofreu os estigmas (feridas) da paixão de Cristo em seu corpo. Além das feridas dos espinhos e da lança, São Pio também recebeu a laceração que Nosso Senhor suportou em seu ombro, um ferimento causado por carregar a cruz, do qual sabemos porque Jesus revelou a São Bernardo.
Essa outra ferida que Padre Pio teve foi descoberta por um de seus amigos e filhos espirituais, o Irmão Modestino de Pietralcina.
Esse frade era da terra natal de Pio e o ajudava nos serviços domésticos. O futuro santo disse-lhe um dia que trocar de camisa era uma das coisas mais dolorosas que ele tinha Se suportar.
O Irmão Modestino não entendeu imediatamente o porquê. Ele percebeu a verdade apenas após a morte do Padre Pio, quando preparava as vestes de seu pai espiritual.
Modestino recebeu a tarefa de coletar todos os pertences do Padre Pio e guardá-los. Na camisa do padre, ele encontrou uma grande mancha no ombro direito, perto da omoplata. A mancha tinha cerca de dez centímetros de diâmetro (um pouco semelhante à mancha no Santo Sudário). Ele percebeu que, toda vez que o Padre Pio tirar a camisa, desgrudar o pano dessa ferida aberta teria causado uma dor enorme.
“Informei imediatamente o meu superior sobre que encontrei”, recordou o Irmão Modestino, e o superior pediu que ele fizesse um breve relato. Ele acrescentou: “O padre Pellegrino Funicelli, que também havia ajudado o Padre Pio por muitos anos, disse-me que, muitas vezes, ao ajudar o padre a trocar a camiseta de lã que ele usava por baixo, ele sempre notava – às vezes no ombro direito, às vezes no esquerdo, um hematoma circular”.

Wojtyla, seu confidente

O Padre Pio não falou sobre essa ferida com ninguém, exceto com o futuro João Paulo II. Se o santo irmão revelou apenas a ele, deve ter havido uma razão.
O historiador Francesco Castello escreve sobre um encontro em San Giovanni Rotondo, em abril de 1948, entre o padre Wojtyla e o padre Pio. Foi então que Pio contou ao futuro papa sobre sua “ferida mais dolorosa”.
O irmão Modestino relatou mais tarde que o padre Pio, após sua morte, deu-lhe um entendimento especial dessa ferida.
“Uma noite, antes de dormir, fiz uma petição a ele em oração. “Querido padre, se você realmente teve essa ferida, me dê um sinal.” E então eu fui dormir. Mas à 1h05 da manhã, uma dor aguda e repentina no meu ombro me despertou de um sono tranquilo. Era como se alguém tivesse pegado uma faca e arrancado a carne do meu ombro. Se a dor tivesse continuado mais alguns minutos, acho que teria morrido. No meio disso, ouvi uma voz que dizia: ‘Foi assim que sofri’. Um perfume intenso me cercou e encheu meu dormitório. Senti meu coração transbordar de amor a Deus. Eu senti uma sensação estranha: ter essa dor insuportável tirada de mim parecia ainda mais difícil do que a suportar. O corpo queria rejeitá-la, mas a alma, inexplicavelmente, desejava-a. Foi algo extremamente doloroso e doce ao mesmo tempo. Finalmente eu entendi!”

https://pt.aleteia.org/2019/09/24/padre-pio-tinha-os-estigmas-mas-uma-ferida-secreta-era-mais-dolorosa-que-as-outras/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

sábado, 14 de setembro de 2019

Ó tempo perdido, em que podia ter-me santificado!


Dos escritos de Santo Afonso de Ligório, o texto nos alerta para a urgência de nossa conversão. Perdemos tantos dias na vida em busca de coisas supérfluas, dias que nunca mais voltam! Ó tempo desprezado! Tu serás a coisa que os mundanos mais desejarão no transe da morte. Queremos então dispor de mais um ano, mais um mês, mais um dia; mas não o terão, e ouvirão dizer que já não haverá mais tempo (Ap 10,6). O que não daria então para termos mais um dia de vida, a fim de poder melhor ajustar as contas da alma…


por Santo Afonso de Ligório

O VALOR DO TEMPO

Nada há mais precioso que o tempo e não há coisa menos estimada nem mais desprezada pelos mundanos. Isto deplora São Bernardo, dizendo: “Passam rapidamente os dias de salvação, e ninguém reflete que esses dias desaparecem e jamais voltam”. Vede aquele jogador que perde dias e noites na tavolagem. Perguntai-lhe o que fez e responderá: “Passar o tempo”. Vede o ocioso que se entretém horas inteiras na rua a ver quem passa, ou a falar em coisas obscenas ou inúteis. Se lhe perguntam o que está fazendo, dirá que não faz mais do que passar o tempo.

Pobres cegos, que assim vão perdendo tantos dias, dias que nunca mais voltam! Ó tempo desprezado! tu serás a coisa que os mundanos mais desejarão no transe da morte… Queremos então dispor de mais um ano, mais um mês, mais um dia; mas não o terão, e ouvirão dizer que já não haverá mais tempo (Ap 10,6). O que não daria então cada um deles para ter mais uma semana, um dia de vida, a fim de poder melhor ajustar as contas da alma!… Ainda que fosse para alcançar só uma hora — disse São Lourenço Justiniano — dariam todos os seus bens. Mas não obterão essa hora de trégua…

Pronto, dirá o sacerdote que o estiver assistindo, apressa-te a sair deste mundo; já não há mais tempo para ti. Por isso, exorta o profeta a que nos lembremos de Deus e procuremos sua graça antes que a luz se nos extinga (Ecl 12,1-2).

Que apreensão não sentirá um viajante ao notar que se transviou no caminho, quando, por ser já noite, não lhe é possível reparar o engano!… Tal será a mágoa na morte do que tiver vivido muitos anos sem empregá-los no serviço de Deus. “Virá a noite em que ninguém poderá fazer mais nada” (Jo 9,4). Então o momento da morte será para ele o tempo da noite, em que nada mais poderá fazer. “Clamou contra mim o tempo” (Lm 1,15). A consciência recordar-lhe-á todo o tempo que teve e que empregou em prejuízo de sua alma; todas as graças que recebeu de Deus para se santificar e de que não quis aproveitar; e ver-se-á depois privado de todos os meios de fazer o bem.

Por isso exclamará gemendo: Como fui insensato!… Ó tempo perdido, em que podia ter-me santificado!… Mas não o fiz e agora já não é tempo de o fazer… De que servem tais suspiros e lamentações, quando a vida está prestes a terminar e a lâmpada se vai extinguindo, vendo-se o moribundo próximo do solene instante de que depende a eternidade?

AFETOS E SÚPLICAS

Ah, meu Jesus! santificastes toda a vida para salvar minha alma; nem um instante deixastes de vos oferecer por mim ao Eterno Pai, a fim de me alcançar perdão e salvação… e eu, ao cabo de tantos anos de vida neste mundo, quanto tempo empreguei em vosso serviço? As recordações de meus atos fazem-me remorsos de consciência. O mal foi grande. O bem pouquíssimo e cheio de imperfeições, de tibieza, de amor próprio e de distrações.

Ah, meu Redentor, tudo isto tem sido porque olvidei o que por mim fizestes! Esqueci-vos, Senhor, mas vós não vos esquecestes de mim; viestes a procurar-me e repetidas vezes me oferecestes o vosso amor enquanto eu fugia de vós. Aqui estou, ó bom Jesus; não quero resistir por mais tempo, nem pensar que me abandonareis. Pesa-me, meu soberano Bem, de ter-me afastado de vós pelo pecado. Amo-vos, bondade infinita, digna de infinito amor. Não permitais que perca o tempo que vossa misericórdia me concede.

Lembrai-vos, amado Salvador meu, do amor que me tendes e das dores que por mim padecestes. Fazei que esqueça tudo na vida que me resta, exceto penar só em vos agradar. Amo-vos, meu Jesus, meu amor, meu tudo. Prometo fazer frequentíssimos atos de Amor. Concedei-me a santa perseverança, como espero, confiado nos merecimentos de vosso sangue precioso… E em vossa intercessão confio, ó Maria, minha Mãe querida!

https://capelasantoagostinho.com/2019/09/10/o-tempo-perdido-em-que-podia-ter-me-santificado/

UM TESOURO PERDIDO


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Todos lemos, ou vimos em filmes, aventuras de “busca do tesouro”. São  aventuras infantis, com as de Tom Sawyer, ou dramáticas como as que descreve Robert L. Stevenson no romance A ilha do tesouro.
Estou convencido de que hoje há um tesouro precioso, que está perdido e é urgente recuperar. Imagino que a maioria dos leitores não vai entender se lhe digo que esse tesouro são os «transcendentais do ser». No entanto, estou mencionando algo que hoje faz uma falta tremenda à maioria das pessoas, tanta falta como o alimento e a água.
A filosofia clássica nos diz que esses transcendentais são quatro: Unum, Verum, Bonum, Pulchrum, quer dizer, a Unidade, a Verdade, a Bondade e a Beleza.
Esses transcendentais formam em Deus uma unidade absolutamente simples e perfeita, que funde esses tesouros em grau máximo no próprio ser de Deus. Nós temos que procurá-los um a um… embora quem vai atrás de um deles facilmente encontrará os outros.
É preciso começar dando-nos conta de que os quatro transcendentais correspondem às necessidades mais profundas do nosso ser, às nostalgias íntimas que a maioria ignora, mas cuja ausência é a causa profunda da desorientação e do sofrimento inexplicável .
─ Que sede oculta de Unidade há neste mundo dilacerado, esmigalhado, como um caleidoscópio onde tudo é reativo e não parece haver nada fixo. Muitos, como diria Mário de Andrade, são trezentos e não uma só pessoa; ou seja, não são uma personalidade única, coerente, harmônica, mas pretendem soldar o insoldável: a verdade com a mentira ou com trezentas mentiras; o egoísmo doentio com compensações fugazes de amor inconsistente; a solidariedade e bem-estar da humanidade com as injustiças pessoais e a indiferença em relação aos mais próximos na família e no trabalho; o amor à Natureza com a abolição da natureza humana…
─ Que nostalgia profunda da Verdade! De uma verdade que não mude de cor nem de direção a cada cinco minutos, conforme o arbítrio de cada um. De uma Verdade com maiúscula como a estrela dos Magos, que às vezes pode se ocultar e tornar difícil o caminho, mas que nunca vira no seu contrário, nem se desmente, nem reduz o seu conteúdo, antes permanece fiel a si mesma e brilha como um astro inapagável, capaz de orientar a vida com a segurança de Deus.
─ Que nostalgia também da Bondade, que assinala sem erro a diferença entre o bem e o mal. «Nenhum homem ─ escrevia São João Paulo II ─ pode esquivar-se às perguntas fundamentais: Que devo fazer? Como discernir o bem do mal? A resposta somente é possível graças ao esplendor da verdade que brilha no íntimo do espírito humano, como atesta o salmista: Muitos dizem: “Quem nos fará ver o bem?” Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz da vossa face (Sl 4, 7).
»A luz da face de Deus – continua o Papa – resplandece em toda a sua beleza no rosto de Jesus Cristo, imagem do Deus invisível (Col 1, 15), resplendor da sua glória (Heb 1, 3), cheio de graça e de verdade (Jo 1, 14): Ele é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6). Por isso, a resposta decisiva a cada interrogação do homem, e particularmente às suas questões religiosas e morais, é dada por Jesus Cristo, mais ainda, é o próprio Jesus Cristo» (Encíclica Veritatis splendor).
─ Por fim, temos uma imensa sede da autêntica Beleza, sinal de Deus, suprema Beleza. O Papa Bento XVI insistiu muitas vezes em que a via pulchritudinis, ou seja a via da beleza, é hoje um dos mais excelentes caminhos para chegar a Deus. A nossa alma tem sede do Deus vivo, anseios de contemplar o rosto de Deus (cf. Sl 41[42], 3), de ver o mais belo dentre os filhos dos homens (Sl 44[45], 3), JesusCristo.
Um dos sinais mais evidentes da negação do «rosto de Deus» numa cultura é a exaltação cada vez maior do feio, do sujo, do repulsivo, do grosseiro, do caricato, do disparatado, do dissonante: na música, na pintura, na literatura, no teatro, no cinema… Deus não pode estar lá onde impera uma estética de banheiro público.
Quando Deus, a Beleza por essência da qual participam todas coisas belas, é expulso da escola, das leis, da mídia de múitos braços ─ como a deusa hindu Durga ─ , perde-se um dos caminhos mais límpidos que existem para encontrar a Deus.
A perda dos transcendentais talvez seja o sinal mais evidente da exclusão de Deus. Mas, precisamente por isso, constitui a maior carência, a maior fome de que o mundo padece, ainda que a imensa maioria não sinta isso de modo explícito. Muitos corações cansados, traídos, decepcionados, estão gritando sem saber, com grandes vozes silenciosas, o que pedia um grupo de pagãos no dia da entrada de Cristo em Jerusalém: Queremos ver Jesus! (Jo 12, 21).
Adaptação de um trecho do nosso livro Procurar, encontrar e amar a Cristo

SALMOS: DEUS NÃO RETIROU DE MIM A ORAÇÃO


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DEUS NÃO RETIROU DE MIM A ORAÇÃO


─ Deus me ouviu, prestou atenção à minha súplica. Bendito seja Deus que não rejeitou [não removeu de mim] a minha oração (Salmo 66,20)

O texto original desses versículos, como mostra a tradução literal da Nova Vulgata, agradece a Deus que, além de ouvi-lo, não lhe tenha tirado, não tenha “removido” dele, a sua oração (non amovit orationem meam a me).

Privar da oração, tirar de alguém a capacidade de orar, é como matar-lhe a alma. É lógico que seja assim. A oração é um dom que a graça do Espírito Santo deposita no fundo do nosso coração [1]. Pois bem, desprezar essa graça é uma forma de expulsar, de entristecer o Espírito Santo de Deus (Ef 4,30).

Sem essa graça, nós nunca seriamos capazes de ter a felicidade de estabelecer um contacto direto com Deus, orando a qualquer hora, em qualquer lugar e em qualquer circunstância. «A meu ver – dizia santa Teresa de Ávila –, a oração … é apenas um relacionamento íntimo de amizade em que conversamos muitas vezes a sós com esse Deus por quem nos sabemos amados»[2].

Deus oferece o dom da oração a todos, desde os maiores santos até os maiores pecadores. Só nós, só você e eu, podemos bloquear esse dom e tornar-nos impermeáveis a ele. A nossa alma, então, privada da oração por culpa nossa, torna-se um deserto de solidão, aridez e amargura.

Talvez nos perguntemos: – “Se nem sequer o pior pecado pode nos privar da oração, o que é que a pode bloquear?” O Catecismo da Igreja nos dá uma resposta inspirada na Palavra de Deus: «Duas tentações frequentes ameaçam a oração: a falta de fé e a acídia [indiferença, tédio pelas coisas espirituais], que é uma forma de depressão devida a relaxamento do esforço espiritual, e que leva ao desânimo»[3].

Sem a fé, falar com Deus seria uma farsa; e seria uma hipocrisia falar com ele sem estar dispostos a fazer o que nos pede: Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Is 29,13 e Mc 7,6); rezar assim é inutilizar a graça da oração. Ora, graça desprezada, graça removida.

Lembre quais são as principais condições da boa oração:

  • Humildade: Jesus louva a oração do publicano no Templo: Mantendo-se a distância, não ousava sequer levantar os olhos para o céu, mas batia no peito dizendo“Meu Deus, tem piedade de mim, pecador!”. Eu vos digo que este desceu para casa justificado (Lc 18,13-14).

«O pedido de perdão é a condição prévia de uma oração justa e pura», diz o Catecismo[4]. Basta o pedido confiante de misericórdia, como o do bom ladrão (Lc 23,42) ou as lágrimas silenciosas da mulher pecadora (Lc 7,44), ou o tremor contrito da adúltera (Jo 9-11) para que se estabeleça a ponte do perdão e da paz entre o coração arrependido e o coração amoroso de Jesus.

  • Sinceridade: Para fazer oração – diz também o Catecismo – é preciso «despertar a fé, para entrar na presença daquele que nos espera, fazer cair as nossas máscaras e voltar nosso coração para o Senhor que nos ama, a fim de nos entregarmos a Ele como uma oferenda que precisa ser purificada e transformada»[5].

Como podemos orar bem se andamos “mascarados”? Máscara é, por exemplo, achar-nos bons como o fariseu (Lc 18,11-12), não ver os nossos defeitos, não reconhecer que somos pecadores; ou então tapar com a máscara dos bons sentimentos a má vontade em relação aos deveres que nos custa cumprir: Nem todo o que me diz “Senhor, Senhor!” entrará no Reino dos Céus, mas sim o que pratica a vontade de meu Pai que está nos Céus  (Mt 7,21).

  • Confiança filial. Quando os apóstolos pediram a Jesus ensina-nos a orar, o Senhor respondeu: Quando orardes dizei: “Pai, santificado seja o teu nome…” (Lc 11,2). O Pai-nosso. Com certeza Jesus usou, para designar o Pai, uma palavra aramaica que atingia o coração dos ouvintes, pois todos eles, desde a infância, a tinham usado para se dirigir com carinho ao pai da terra: Abá (cf. Mc 14,36).
Desde o começo de sua pregação, Jesus quis infundir essa confiança ilimitada no coração de todos: Vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de lho pedirdes… Vosso Pai vê, vosso Pai sabe… (Mt 6, 8.27 ss).

Orai sem cessar (1Ts 5,17). Para “conviver” assim, filialmente, com Deus não precisamos de discursos, de retórica. Como já víamos, para fazer oração basta muitas vezes uma invocação afetuosa a Deus, a Jesus, a Maria, aos nossos irmãos os santos. Basta um olhar, um suspiro, uma lágrima, um gemido, um sorriso, uma lembrança, uma breve jaculatória: ”Meu Deus, eu te amo, ajuda-me!”.

É claro que esse clima de serena intimidade com Deus precisa ser aquecido por momentos diários e semanais bem mais longos e intensos: a Santa Missa, a meditação, as leituras espirituais, o Terço… [6]. O que não podemos fazer é descurar a oração.

Penso que nos pode ajudar, para encerrar este capítulo, ler e meditar duas frases de dois grandes santos.

  • Santo Afonso Maria de Ligório, entre suas inúmeras obras, tem um livrinho sobre «A Oração»[7], que é uma verdadeira joia. Nele coloca uma frase que o a Igreja assumiu no seu Catecismo: «Quem reza certamente se salva, quem não reza certamente se condena» (n. 2744).

  • São João Maria Vianney, o santo Cura d’Ars, dizia em suas Catequeses: «Deus não tem necessidade de nós: se ele nos pede que rezemos é porque deseja a nossa felicidade, e essa felicidade só pode ser encontrada na oração… A oração é toda a felicidade do homem. Quanto mais se reza, mais se quer rezar».
Experimente, e verá.
[1] cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2725
[2] Livro da vida, cap. 8º.
[3] cf. n. 2755
[4] cf. Catecismo, n. 2631
[5] Ibidem, n. 2711
[6] Sobre este tema ver as nossa obra Para estar com Deus, Ed. Cultor de Livros e Cleófas, S~Cao Paulo 2012
[7] Editora Santuário, Aparecida.