sábado, 11 de janeiro de 2020

Como reconhecer a voz de Deus, segundo Santo Inácio de Loyola

GRASS IN THE BREEZE

Ouça com atenção! Deus pode estar tentando falar com você

Em seus escritos sobre o discernimento de espíritos, Santo Inácio de Loyola fornece instruções específicas sobre como identificar as vozes que ouvimos em nossa alma, seja quando estamos em oração ou durante nossos deveres diários. Em particular, Loyola detalha os atributos da voz de Deus: 
“É próprio de Deus oferecer a verdadeira alegria espiritual e a felicidade, tirando toda a tristeza e perturbação que o inimigo traz.” 
Ele também diz que
“é próprio de Deus, Nosso Senhor, dar consolo à alma sem causa precedente”. 
Loyola ainda acrescenta: 
“Devemos notar bem o curso dos pensamentos. Se o começo, meio e fim forem inclinados a tudo que é do bem, é um sinal do Anjo Bom.”
Entretanto, antes de identificarmos adequadamente as vozes que tentam falar conosco, é necessário discernirmos o estado de nossa alma. Loyola escreve que, se a alma estiver se movendo de “bom para melhor”, o Anjo Bom ajuda “docemente”. Mas, se a alma estiver indo de “mal a pior”, o Anjo Bom pode parecer afiado e nos mandar de volta para a direção correta.
Em geral, se estamos nos esforçando para nos aproximar de Deus, ele nos falará no silêncio de nossos corações com paz e alegria. Provavelmente, não será na forma de um terremoto, raio ou chamas de fogo.
Então, na próxima vez que você estiver tentando descobrir quem está falando diretamente à sua alma, pare e reveja os ensinamentos de Santo Inácio. Pode ser que Deus esteja batendo à porta do seu coração, querendo lhe dar a paz, a alegria e a felicidade que satisfarão a sua sede espiritual.

https://pt.aleteia.org/2018/07/13/como-reconhecer-a-voz-de-deus-segundo-santo-inacio-de-loyola/

Lugares onde você pode se sentir no céu (e como encontrá-los)

Jeune fille pensive

A voz de Deus sussurra para nós nesses momentos e lugares especiais

Há lugares onde o limite entre o céu e a terra é sutil. Estes lugares são onde nós construímos santuários e igrejas. Fazemos peregrinações para chegar até eles, subimos montanhas e enfrentamos obstáculos para encontrá-los. Também os encontramos em raros momentos em que a beleza transcendente se espreme em um único instante que parece durar para sempre. Eles ecoam de volta para nós na música e através da arte. Eles podem nos surpreender, aparecendo no arrulho de um bebê, no momento em que uma criança segura a sua mão ou em uma xícara de café no início da manhã na varanda dos fundos. A voz de Deus sussurra para nós nesses momentos e lugares especiais.
Para mim, o lugar onde o véu que separa o céu e a terra é quase translúcido é em uma igreja durante a Missa. De lá, um número infinito de lugares desse tipo se espalha na selvageria do mundo, onde nos deparamos com eles ao rodearmos cantos aleatórios. Eles descem sobre nós como um pôr do sol e se espalham pelo horizonte. Eles são o tipo de lugar em que queremos tirar uma foto para salvar para sempre, mas a foto nunca pode fazer justiça. Talvez o fato de serem impossíveis de guardar para mais tarde seja o que os torna tão preciosos.
A experiência de estar em um lugar como esse é difícil de descrever. O que você sentiu durante a Missa? O que fez você aplaudir espontaneamente quando viu o sol se por no lago Michigan? Por que seu coração pulou quando sua caminhada matutina vagou pela névoa que pairava como incenso sobre a paisagem? Essas experiências são difíceis de descrever não porque não somos bons com palavras, mas porque são mistérios que tocam o infinito e as palavras não podem expressá-los.
Entretanto, os lugares em si não são mágicos; eles são mais como uma janela que oferece um vislumbre melhor do céu.

Como encontrar esses lugares? 

A dificuldade que sinto é que, muitas vezes, eu me distraio demais para olhar por uma janela. Eu não consigo enxergar a beleza dos lugares por causa da minha ansiedade, porque estou olhando para o meu telefone ou simplesmente sendo descuidado com a forma como uso o meu tempo.
A maneira de encontrar esses lugares é fácil de explicar, mas difícil de realizar na vida real. É fácil porque tudo o que você precisa é estar disposto e pronto para olhar. Isso significa cultivar pacientemente o silêncio interior e esperar que o mistério se desdobre. Se eu sei que a Missa é um desses lugares, não posso permitir que minha participação fique irregular ou que eu me distraia enquanto estou lá. Se eu sei que uma vez por ano eu preciso de pelo menos alguns dias em um lugar isolado no meio da natureza para ficar sozinho, eu tenho que reservar esses poucos dias na minha agenda. Uma vez que você sabe qual é esse lugar que te faz tão bem, esteja lá de coração aberto. 

Os benefícios 

O esforço vale a pena, porque, como seres humanos, precisamos de momentos na presença do divino. Somos mais do que nossos corpos e precisamos alimentar nossas almas também. Nossas vidas não são puramente materiais e precisamos nos renovar espiritualmente.Passar um tempo em um lugar que nos faz bem redefine nossa perspectiva sobre o que é importante na vida. É onde nos redescobrimos, renovando nossa conexão com Deus. Quanto mais focarmos em nós mesmos, mais nossas ansiedades e distrações se desvanecem.
Nesses lugares, encontramos o amor. E quando nosso amor alcança e toca o amor de Deus, é quando a faísca acontece – uma faísca que pode iluminar sua alma.
O esforço vale a pena, porque, como seres humanos, precisamos de momentos na presença do divino. Isso é porque somos mais do que nossos corpos e precisamos alimentar nossas almas também. Nossas vidas não são puramente materiais e precisamos nos renovar espiritualmente regularmente.
Passar um tempo em um lugar desses redefine nossa perspectiva sobre o que é importante na vida. O que realmente importa é o lugar calmo e imóvel em torno do qual circulam as ocupações da vida cotidiana. É onde nos redescobrimos renovando nossa conexão com Deus. Quanto mais nos colocarmos no centro, mais nossas ansiedades e distrações se desvanecem.
Esses locais são, acima de tudo, criados por amor. Quando nosso amor alcança e toca o amor de Deus, é quando a faísca acontece, e é uma faísca que pode iluminar sua alma em chamas.

https://pt.aleteia.org/2019/06/13/lugares-onde-voce-pode-se-sentir-no-ceu-e-como-encontra-los/

ORAÇÃO - Maria Valei-me

ORAÇÃO DE MARIA VALEI-ME

Maria, valei-me
Aos vossos devotos,
Vinde, socorrei-nos!
Vosso amor se empenha,
Ó Virgem da Penha,
Penha donde emana
A Fonte vital!

Salve, Mãe de Deus!
Rainha Suprema
Sobre os Anjos seus!
Sois Mãe de concórdia,
De misericórdia;
Vida e doçura,
Esperança sois!

Ó Mãe do Senhor,
Excelsa Maria!
Ó Trono de amor,
Salve! Ouvi os brados
Que nós, degredados,
Da triste Eva filhos
Vimos suspirar!

Gemendo de dor,
Chorando de mágoa,
Pedindo a Deus favor:
Neste vale triste,
Onde a pena existe,
De lágrimas cheias,
De miséria e ais.

Ouvi, eia pois,
Nossa Advogada!
Mostrai quanto sois
Olhos piedosos,
Misericordiosos!
A nós, desgradados,
Terna Mãe, volvei!

Depois de acabar
O cruel desterro,
Dignai-vos mostrar
Jesus infinito,
Que é Fruto bendito
Desse feliz ventre,
Ó Mãe de Jesus!


Ó Clemente, ouvi!
Ó Pia, valei-nos!
Ó Doce, acudi!
Ó Virgem Maria,
Que a Deus, que nos cria
Criastes nos peitos,
Por todos rogai!


Para que por vós
As promessas suas
Mereçamos nós.
Assim suplicamos,
Porque nos vejamos
Nessa Eterna Glória

Para sempre. Amém.

Humildes oferecemos,
A vós Virgem Senhora,
E ao vosso Bento Filho!
Do céu e da terra,
Rainha da glória,
Louvores vos damos,

Aceitai Senhora!

NOSSA SENHORA DE CARAVAGGIO

De Santo Agostinho para você: “Deus cura todas as enfermidades”


Tu dirás que as doenças são grandes; mas o Médico é maior!

Deus cura todas as tuas enfermidades” (Sl 103, 3). Não temas, todas as doenças serão curadas. Dirás que são grandes; mas o Médico é maior. Para um Médico todo-poderoso não há doenças incuráveis. Deixa apenas que Ele te trate, não rejeites a sua mão; Ele sabe o que tem a fazer. Não te alegres apenas quando Ele age com suavidade; aceita-O quando corta. Aceita a dor do remédio, pensando na saúde que vai te trazer.
Vede, meus irmãos, tudo o que os homens, nas suas doenças, aguentam para prolongar a vida mais alguns dias. […] Tu, ao menos, não sofrerás por um resultado duvidoso: Aquele que te prometeu a saúde não pode enganar-se. Por que os médicos às vezes se enganam? Porque não foram eles que criaram o corpo que tratam. Mas Deus fez o teu corpo, Deus fez a tua alma. Ele sabe recriar o que criou; sabe reformar o que formou. Só tens de te abandonar às suas mãos de Médico. […] Suporta, portanto, essas mãos e “bendiz, ó minha alma, o Senhor, e não esqueças nenhum dos seus benefícios. É Ele quem perdoa as tuas culpas e cura todas as tuas enfermidades” (Sl 103, 2-3).
Aquele que te concebeu para que nunca estivesses doente, se tivesses querido guardar os seus preceitos, não te curará? Aquele que fez os anjos e que, ao recriar-te, te fará igual a eles, não te curará? Aquele que fez o céu e a terra, Ele, que te fez à sua imagem, não te curará? (cf. Gn 1, 26). Ele te curará, mas, para isso, tens de consentir em ser curado. Ele cura de modo perfeito todos os doentes, mas só se eles quiserem. […] A tua saúde é Cristo!
______________
Santo Agostinho (354-430), em “Comentários aos Salmos – Sl 103,5-6”

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

As sete Ave Marias

AS SETE AVE-MARIAS
Sendo hoje o primeiro dia de 2020, dia que a Igreja celebra a Solenidade da Santa Mãe de Deus, rezemos hoje as sete Ave-Marias entregando nosso ano, nossas batalhas, nosso propósito de sermos melhores em Cristo Jesus. Mãe, assim como foi em 2019, queremos teu auxílio novamente para que sempre nos recomende ao seu Filho Jesus, sempre interceda por nós junto a Ele. Nos momentos difíceis que virão, nas provações que teremos que passar, sede conosco para que não desanimemos.
Precisamos Mãe da tua intercessão também nesse ano que se inicia, pois queremos nele estar mais perto do seu Filho Jesus, mais inclinados as coisas do Alto, mais desapegados das coisas que vão ficar.
Você percorreu um árduo caminho participando do sofrimento do seu Filho. Caminhe com cada um de nós também, na nossa peleja, nas procelas e sempre mostre a nós o caminho até seu Filho Jesus.

Amém, Amém e Amém!

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domingo, 29 de dezembro de 2019

Matéria, forma e efeito dos 7 Sacramentos

Sete sacramentos, por quê? - Paróquia de São José da Agonia

A essência da validade dos 7 Sacramentos conforme a Tradição Católica


TRECHO DA BULA EXSULTATE DEO, DE 22/11/1439 (CONCÍLIO DE FLORENÇA – DZ 1310-1328)

[…]Em quinto lugar, para facilitar a compreensão aos armênios de hoje e de amanhã, redigimos nesta brevíssima fórmula a doutrina sobre os sacramentos. Os sacramentos da nova Lei são sete: batismo, confirmação, Eucaristia, penitência, extrema-unção, ordem e matrimônio, e diferem muito dos sacramentos da antiga Lei. Aqueles, de fato, não produziam a graça, mas significavam somente que ela teria sido concedida pela paixão de Cristo; estes nossos sacramentos, ao contrário, não apenas contêm em si a graça, como também a comunicam a quem os recebe dignamente.

Destes, os primeiros cinco são voltados para a perfeição individual de cada um, os últimos dois para o governo e a multiplicação de toda a Igreja. Pelo batismo de fato, nós renascemos espiritualmente; com a confirmação crescemos na graça e nos robustecemos na fé. Uma vez renascidos e fortificados, somos nutridos com o alimento da divina Eucaristia. Se com o pecado adoecemos na alma, somos espiritualmente curados pela penitência; espiritualmente e também corporalmente, segundo o que mais aproveita à alma, pela extrema-unção. Com o sacramento da ordem a Igreja é governada e se multiplica espiritualmente, mediante o matrimônio aumenta corporalmente.

Todos estes sacramentos constam de três elementos: das coisas, que constituem a matéria, das palavras, que são a forma, e da pessoa do ministro, que confere o sacramento com a intenção de fazer aquilo que a Igreja faz. Se faltar um destes elementos, não é efetuado o sacramento.

Entre esses sacramentos há três – batismo, confirmação e ordem – que imprimem caráter indelével, ou seja, um sinal espiritual que distingue <quem o recebe> dos outros, pelo que não podem ser reiterado na mesma pessoa. Os outros quatro não imprimem o caráter e portanto se admite repeti-los na mesma pessoa.

O primeiro de todos os sacramentos é o batismo, porta de ingresso à vida espiritual; por meio dele nos tornamos membros de Cristo e do corpo da Igreja. E como por causa do primeiro homem a morte entrou no mundo [cf. Rm 5, 12], se nós não renascermos da água e do Espírito, não poderemos, como diz a verdade, entrar no reino de Deus [cf. Jo 3, 5].

Matéria deste sacramento é a água pura e natural, não importa se quente ou fria.

A forma são as palavras: “Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Não negamos, porém, que também com as palavras: “Seja batizado o tal servo de Cristo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, ou com as palavras “O tal, com as minhas mãos, é batizado em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, se administre o verdadeiro batismo. De fato, a causa principal da qual o batismo tira sua eficácia é a santa Trindade, enquanto a causa instrumental é o ministro, que exteriormente confere o sacramento; se o ato conferido pelo mesmo ministro se exprime com a invocação da santa Trindade, é realizado o sacramento.

Ministro deste sacramento é o sacerdote, a quem por ofício compete batizar; mas em caso de necessidade pode administrar o batismo não só um sacerdote ou um diácono, mas também um leigo, uma mulher e até um pagão ou herege, mas que use a forma da Igreja e queira fazer o que faz a Igreja.

Efeito deste sacramento é a remissão de toda culpa original e atual e de toda pena relativa. Não se deve, portanto, impor aos batizados nenhuma penitência pelos pecados anteriores ao batismo, e os que morrem antes de cometer qualquer culpa são recebidos logo no reino dos céus e acedem à visão de Deus.

O segundo sacramento é a Confirmação, cuja matéria é o crisma consagrado pelo bispo, composto de óleo, que significa a luz da consciência, e de bálsamo, que significa ao perfume da boa fama.

A forma são as palavras: “Te assinalo com o sinal da cruz e te confirmo com o crisma da salvação em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

O ministro ordinário é o bispo. E, enquanto para as outras unções basta um simples sacerdote, esta só o bispo pode conferi-la, porque só dos Apóstolos, de quem os bispos fazem as vezes, se lê que davam o Espírito Santo com imposição da mão, como mostra a leitura dos Atos dos Apóstolos: “Quando os apóstolos que estavam em Jerusalém souberam que a Samaria tinha acolhido a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. Quando eles chegaram, rezaram por eles para que recebessem o Espírito Santo, pois não tinha ainda descido sobre nenhum deles, mas tinham sido somente batizados no nome do Senhor Jesus. Então impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo” [At 8, 14-17]. A confirmação, na Igreja, tem mesmo o lugar daquela imposição da mão. Lê-se, todavia, que alguma vez com licença da Sé Apostólica e por um motivo razoável e urgentíssimo, também um simples sacerdote tenha administrado o sacramento da confirmação com crisma consagrado pelo bispo.

O efeito deste sacramento, já que por ele é conferido o Espírito Santo para a fortaleza, como foi dada aos apóstolos no dia de Pentecostes, é que o cristão possa corajosamente confessar o nome de Cristo. Por isso, o confirmando é ungido sobre a fronte, sede do sentido de vergonha, para que não se envergonhe de confessar o nome de Cristo e sobretudo a sua cruz, que segundo o Apóstolo é escândalo para os judeus e loucura para os pagãos [cf. 1 Cor 1, 23]; e por isso é marcado com o sinal da cruz.

O terceiro sacramento é a Eucaristia, cuja matéria é o pão de trigo e o vinho de uva, ao qual antes da consagração se deve acrescentar alguma gota de água. A água é acrescentada porque, segundo o testemunho dos santos Padres e Doutores da Igreja, exposto nas precedentes discussões, se crê que o Senhor mesmo tenha usado vinho misturado com água na instituição deste sacramento.

E também, porque isto convém ao memorial da paixão do Senhor. Pois o bem-aventurado Papa Alexandre, quinto <sucessor> depois do bem-aventurado Pedro, diz: “Nas oblações dos sacramentos apresentadas ao Senhor durante a celebração da Missa, sejam oferecidos em sacrifício apenas o pão e o vinho misturado com água. Não se deve, pois, oferecer no cálice do Senhor só o vinho ou só a água, mas ambos, justamente porque se lê que uma e outra coisa, isto é, o sangue e a água, jorraram do lado de Cristo [cf. Jo 19, 34]”.

Além disso, significa o efeito deste sacramento: a união do povo cristão a Cristo. A água, de fato, significa o povo, segundo a expressão do Apocalipse: muitas águas, muitos povos [cf. Ap 17, 15]. E o Papa Júlio, o segundo <sucessor> depois do bem-aventurado Silvestre, diz: “O cálice do Senhor deve ser oferecido, segundo as disposições dos cânones, com água e vinho misturados, porque na água se prefigura o povo e no vinho se manifesta o sangue de Cristo; quando, portanto, se mistura no cálice a água com vinho, o povo é unido a Cristo, e a multidão dos fiéis é coligada e juntada àquele em que crê”.

Se, portanto, quer a santa Igreja Romana instruída pelos beatíssimos apóstolos Pedro e Paulo, quer todas as outras Igrejas de latinos e gregos, iluminadas por esplêndidos exemplos de santidade e de doutrina, têm observado desde o início da Igreja, e ainda observam, este rito, parece incorreto que alguma outra região discorde daquilo que é universalmente observado e racionalmente fundado. Decretamos,pois, que também os armênios se conformem a todo o resto do mundo cristão e que seus sacerdotes, na oblação do cálice, acrescentem alguma gota de água ao vinho, como foi dito.

A forma deste sacramento são as palavras com as quais o Salvador o produziu. O sacerdote, de fato, produz este sacramento falando in persona Christi. E em virtude dessas palavras, a substância do pão se transforma no corpo de Cristo e a substância do vinho em sangue. Isto acontece, porém, de modo tal que o Cristo está contido inteiro sob a espécie do pão e inteiro sob a espécie do vinho e, se também estes elementos são divididos em partes, em cada parte da hóstia consagrada e de vinho consagrado está o Cristo inteiro.

O efeito que este sacramento opera na alma de quem o recebe dignamente é a união do homem ao Cristo. E como, pela graça, o homem é incorporado a Cristo e unido a seus membros, segue-se que este sacramento, naqueles que o recebem dignamente, aumenta a graça e produz na vida espiritual todos os efeitos que o alimento e a bebida materiais produzem na vida do corpo, alimentando-o, fazendo-o crescer, restaurando-o e deleitando-o. Neste sacramento, como diz o Papa Urbano [IV], recordamos a grata memória do nosso Salvador, somos afastados do mal e confortados no bem, e progredimos no crescimento das virtudes e graças.

O quarto sacramento é a Penitência, do qual são como que a matéria os atos do penitente, distintos em três grupos: o primeiro é a contrição do coração, que consiste na dor do pecado cometido acompanhada do propósito de não pecar para o futuro. O segundo é a confissão oral, na qual o pecador confessa integralmente ao seu sacerdote todos os pecados de que tem memória. O terceiro é a penitência pelos pecados, segundo o arbítrio dos sacerdote; à qual se satisfaz especialmente por meio da oração, do jejum e da esmola.

A forma deste sacramento são as palavras da absolvição que o sacerdote pronuncia quando diz: “Eu te absolvo”. O ministro deste sacramento é o sacerdote, que pode absolver com autoridade ordinária ou por delegação do superior. O efeito deste sacramento é a absolvição dos pecados.

O quinto sacramento é a Extrema-unção, cuja matéria é o óleo de oliveira , consagrado pelo bispo. Este sacramento não deve ser administrado senão a um enfermo para o qual se teme a morte; ele deve ser ungido nestas partes: sobre os olhos por causa da vista, sobre as orelhas por causa da audição, sobre as narinas por causa do olfato, sobre a boca por causa do gosto e da palavra, sobre as mãos por causa do tato, sobre os pés por causa dos passos, sobre os rins por causa dos prazeres que ali residem.

A forma do sacramento é esta: “Por esta unção e pela sua piíssima misericórdia, o Senhor te perdoe tudo quanto cometeste com a vista”; expressões semelhantes se pronunciarão ao ungir as outras partes.

O ministro deste sacramento é o sacerdote. O efeito é a saúde da mente e, se aproveita à alma, também a do corpo. Deste sacramento o bem-aventurado apóstolo Tiago diz: “Há entre vós um enfermo? Que mande vir os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele ungindo-o com o óleo no nome do Senhor. E a oração feita com fé salvará o enfermo: o Senhor o aliviará e, se estiver com pecados, lhe serão perdoados” [Tg 5, 14].

O sexto é o sacramento da Ordem, cuja matéria é aquilo cuja transmissão confere a ordem. Assim o presbiterado é transmitido com a entrega do cálice com vinho e da patena com o pão; o diaconado com a entrega do livro do Evangelho; o subdiaconado com a entrega de um cálice vazio tendo em cima uma patena vazia. E, de modo análogo, para os outros <graus>, pela entrega das coisas inerentes ao ministério correspondente.

A forma do sacerdócio é a seguinte: “Recebe o poder de oferecer o sacrifício na Igreja pelos vivos e pelos mortos, em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo”. Para as outras ordens será usada a forma a referida por extenso no Pontifical Romano. Ministro deste sacramento é o bispo. E efeito consiste no aumento da graça para que o ordenando seja um digno ministro de Cristo.

O sétimo é o sacramento do Matrimônio, símbolo da união de Cristo e da Igreja, segundo as palavras do Apóstolos: “Este mistério é grande, digo-o em referência a Cristo e à Igreja” [Ef 5, 32]. Causa eficiente do sacramento é, segundo a regra, o mútuo consentimento expresso em palavras e presencialmente.

Atribui-se ao matrimônio um bem tríplice. O primeiro consiste em aceitar a prole e educá-la para o culto de Deus; o segundo, na fidelidade que um cônjuge deve observar em relação ao outro; o terceiro, na indissolubilidade do matrimônio, porque esta significa a união indissolúvel de Cristo e da Igreja. De fato, se bem que, por motivo de fornicação, seja permitido a separação de cama, não é permitido, porém, contrair outro matrimônio, pois o vínculo do matrimônio legitimamente contraído é perpétuo.

[…]

Depois de explicado tudo isso, os referidos oradores dos armênios, em seu próprio nome, <em nome> dos seus patriarcas e também de todos os armênios, aceitam, recebem e abraçam, com toda a devoção e obediência, este mui salutar decreto sinodal, com todos os seus capítulos, declarações, definições, ensinamentos, preceitos e estatutos e toda a doutrina neles contida, bem como tudo aquilo que sustenta e ensina a santa Sé Apostólica e a Igreja romana. Além disso, aceitam com veneração os Doutores e santos Padres aprovados pela Igreja romana. Qualquer pessoa ou doutrina por esta reprovada e condenada, também eles a consideram reprovada e condenada.

ORAÇÕES DAS SETE DORES E DOS SETE GOZOS DE SÃO JOSÉ

São José, o maior de todos os santos
Para a devoção dos Sete Domingos de São José.


Para a devoção dos Sete Domingos de São José
Ó Esposo puríssimo de Maria Santíssima, glorioso São José, assim como foi grande a amargura de vosso coração na perplexidade de abandonardes vossa castíssima Esposa, assim foi inexplicável a vossa alegria, quando pelo Anjo vos foi revelado o soberano mistério da Encarnação. Por esta vossa dor e por este vosso gozo, vos rogamos a graça de consolardes agora, e nas extremas dores, a nossa alma com a alegria de uma boa morte, semelhante à vossa, entre Jesus e Maria.

Pai Nosso…

Ave Maria…

Glória ao Pai…
Ó felicíssimo Patriarca, glorioso São José, que fostes escolhido para o cargo de pai putativo do Verbo humanado, a dor que sentistes ao ver nascer em tanta pobreza o Deus-Menino, se vos trocou em celeste júbilo ao escutardes a angélica melodia e ao verdes a glória daquela brilhantíssima noite. Por esta vossa dor, e por este vosso gozo, suplicamos a graça de nos alcançardes, que depois da jornada desta vida, possamos ouvir os angélicos louvores, e gozar os esplendores da glória celeste.



Pai Nosso…

Ave Maria…

Glória ao Pai…
Ó obedientíssimo executor das divinas leis, glorioso São José, o sangue preciosíssimo, que na circuncisão derramou o Redentor Menino vos traspassou o coração, mas o nome de Jesus vo-lo reanimou, enchendo-o de contentamento. Por esta vossa dor, e por este vosso gozo, alcançai-nos que, sendo arrancados de nós os vícios nesta vida, com o nome de Jesus no coração e na boca, expiremos cheios de júbilo.

Pai Nosso…

Ave Maria…

Glória ao Pai…
Ó fidelíssimo Santo, que também tivestes parte nos mistérios de nossa redenção, glorioso São José, se a profecia de Simeão a respeito do que Jesus e Maria tinham de sofrer vos causou mortal angústia, também vos encheu de sumo gozo pela salvação e gloriosa ressurreição, que igualmente predisse teria de resultar para inumeráveis almas. Por esta vossa dor e por este vosso gozo, obtende-nos que sejamos daqueles que pelos méritos de Jesus e pela intercessão da Virgem sua Mãe, têm de ressuscitar gloriosamente.

Pai Nosso…

Ave Maria…

Glória ao Pai…
Ó vigilantíssimo guardião, íntimo familiar do Filho de Deus encarnado, glorioso São José, quanto penastes para alimentar e servir o Filho do Altíssimo, particularmente na fugida, que com Ele houvestes de fazer ao Egito! Mas, qual não foi também o vosso gozo por terdes sempre convosco o mesmo Deus e por verdes cair por terra os ídolos do Egito. Por esta vossa dor e por este vosso gozo, alcançai-nos que, expelindo longe de nós o infernal tirano, especialmente com a fugida das ocasiões perigosas, sejam derrubados de nosso coração todos os ídolos de afetos terrenos, e que inteiramente empregados no serviço de Jesus e de Maria, para eles somente vivamos e felizmente morramos.

Pai Nosso…

Ave Maria…

Glória ao Pai…
Ó Anjo da terra, glorioso São José, que cheio de pasmo vistes o Rei do céu submisso aos vossos mandatos, se a vossa consolação, ao reconduzi-lo do Egito, foi turbada pelo temor de Arquelau, contudo, sossegada pelo Anjo, permanecestes alegre em Nazaré com Jesus e Maria. Por esta vossa dor e por este vosso gozo, alcançai-nos que desocupado o nosso coração de vãos temores, gozemos paz de consciência, vivamos seguros com Jesus e Maria e também entre eles morramos.

Pai Nosso…

Ave Maria…

Glória ao Pai…
Ó exemplar de toda santidade, glorioso São José, que perdestes sem culpa vossa o Menino Jesus, e para maior angústia houvestes de buscá-lo por três dias, até que com sumo júbilo gozastes do que era vossa vida, achando-a no templo entre os doutores.

Por esta vossa dor e por este vosso gozo vos suplicamos, com o coração nos lábios, que interponhais o vosso valimento para que nunca nos suceda perdermos a Jesus por culpa grave, mas se por desgraça o perdêssemos, com tão continua dor o procuremos, que o achemos favorável, especialmente em nossa morte para passarmos a gozá-lo no céu, e lá cantarmos convosco eternamente suas divinas misericórdias.

Pai Nosso…

Ave Maria…

Glória ao Pai…



ANTÍFONA. 

Ipse Jesus erat incipiens, quasi annorum triginta, ut putabatur filius Joseph.

Ora pro nobis, sancte Joseph.

R . Utdigni efficiamur promissionibus Christi. 

OREMUS 

Deus, qui ineffabili providentia, Beatum Joseph sanctissimae Genitricis tuae Sponsum eligere dignatus es paesta, quaesumus, ut quem protectorem veneramur in terris, intercessorem habere mereamur in caelis. Qui vivis et regnas in saecula saeculorum. Amen.