domingo, 26 de janeiro de 2020

Nunca te apresses nas tuas orações

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Jesus Cristo orou no horto por três vezes, dizendo: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice sem que o beba, mas faça-se a vossa vontade, e não a minha”. A oração de Jesus Cristo no horto foi muito breve; mas ainda que breve, ele a fez por três vezes, e cada vez por espaço de uma hora.

Atende a isto, alma apressada; tu que fazes muita oração, e tens pouco tempo de oração, ah! bem podes temer que sejam pecado, ou perdidas as tuas orações! Sobre o que deves saber, que a meditação é o fundamento, é a alma da oração; por isso quanto possa ser, não deve passar uma só palavra, que não seja acompanhada da meditação; se a tua oração assim fora feita, o teu coração se moveria, as tuas resoluções seriam fortes, os teus propósitos seriam firmes, os teus afetos para com Deus seriam grandes; finalmente, desprezarias o mundo com todas as suas vaidades, e de todo te entregarias a Deus: mas porque já fazes a oração há tantos anos, e ainda não tens colhido estes frutos, é sinal muito provável que não têm sido boas as tuas orações.

Portanto, nunca te apresses nas tuas orações; porque a pressa, diz um dos Santos Padres, é a peste da oração; e na verdade, onde há pressas, há sempre irreverências, faltas de atenção e de respeito. Todo aquele que se apressa nas suas orações, mostra claramente o pouco peso que dá às coisas santas; e ainda melhor mostra o que é, quando nas coisas do mundo é mais bem pronunciado e aperfeiçoado, do que nas conversas que tem com Deus na oração. E quanto há disto? Nas conversas do mundo muita atenção, muita gravidade e respeito; e vai-se a conversar com Deus na oração, já tudo são pressas, irreverências, faltas de atenção e de respeito, e muitas vezes sono; finalmente, tudo vai com fastio e aborrecimento!… E que significa tudo isto? É que já há muito pouca fé, ou não consideram com quem falam na oração, nem disso se lembram; não conhecem a Deus, nem formam a ideia que devem formar da sua grandeza e Majestade!…

Assim é, meus irmãos; reza-se muito mal, muito mal!! As orações vão quase todas perdidas por não serem feitas como devem ser; se todos fizessem boas orações, elas eram despachadas, a vida reformava-se, e todos seriam Santos. Ora pois, daqui por diante fazei as vossas orações o melhor que puderdes; ide considerando no que fordes rezando, para desta sorte serem ouvidas, e despachadas por Deus.

Texto retirado da Obra “Missão Abreviada”, do Padre Manoel José Gonçalves Couto

Uma oração pela paz

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Uma oração pela paz
 
Escuta misericordioso esta prece que se ergue a Ti a partir do tumulto e do desespero de um mundo no qual Tu és esquecido, no qual Teu nome não é invocado, Tuas leis são escarnecidas e Tua presença é ignorada.

Porque não Te conhecemos, nós não temos paz.

Ajuda-nos a dominar as armas que ameaçam dominar a nós. Ajuda-nos a usar nossa ciência para a paz e para o bem-estar, não para a guerra e a destruição. Mostra-nos como usar o poder nuclear para abençoar os filhos de nossos filhos, não para prejudicá-los.

Clarifica nossas contradições interiores que agora crescem desmedidamente sem cessar. Elas são ao mesmo tempo uma benção e um tormento: pois se Tu não tivesses nos dado a luz da consciência, nós não conseguiríamos aguentá-las. Ensina-nos a longanimidade no temor e na insegurança. Ensina-nos a esperar e a confiar. Concede Luz, concede força e paciência para todos que trabalham pela paz.
 

Diálogos com o silêncio

DEUS NA VIDA COTIDIANA

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PARECE-TE POUCA LOUCURA?

            Ponto de luz«Tens obrigação de santificar-te. – Tu também. – Alguém pensa, por acaso, que é tarefa exclusiva de sacerdotes e religiosos?
A todos, sem exceção, disse o Senhor: “Sede perfeitos, como meu Pai Celestial é perfeito”» (Caminho, n. 291).

Quando o chamaram de louco?

São Josemaria estava em São Paulo. Era um dia de maio de 1974 de uma luminosidade transparente. Reunido com estudantes, escutou esta pergunta de um rapaz:

– Padre, por quê, quando e quem o chamou de louco?

– «Parece-te pouca loucura – respondeu são Josemaria – dizer que no meio da rua se pode e se deve ser santo? Que pode e deve ser santo o homem que vende sorvetes num carrinho, e a empregada que passa o dia na cozinha, e o diretor de uma empresa bancária, e o professor da Universidade, e aquele que trabalha no campo, e aquele que carrega fardos nas costas…? Todos chamados à santidade! Agora isto foi acolhido pelo último Concílio, mas naquela época  [1928, ano da fundação do Opus Dei] não cabia na cabeça de ninguém. Agora parece natural, mas naquela altura não era assim»[1].

Não há cristãos de segunda categoria

            Durante séculos, era comum que, inconscientemente, os católicos fossem divididos em três categorias:

– O católico relaxado, de missas de sétimo dia, orações esporádicas e visitas turísticas a igrejas bonitas, que “acordava” na idade madura para o fato de que ainda nem era crismado.

– O católico “praticante”, umas vezes fervoroso e exemplar; outras, pelo contrário, apenas um “cumpridor de tabela religiosa”, sem o calor de uma fé que influenciasse a vida.

– O católico com “vocação”. Assim se falava da pessoa que Deus chamava para largar as coisas do mundo e se dedicar plenamente a Ele e à Igreja como padre, freira, monge ou frade.

Só a essa última categoria atribuía-se o dever de procurar a santidade. As pessoas não tinham visto ainda nas igrejas imagens de santos de paletó e gravata, de roupas de atriz de teatro, de jaleco de doutor, de macacão e chave inglesa[2].

Deus pediu a são Josemaria que dissesse “não” a esses clichês. «Não há cristãos de segunda categoria – afirmava –, obrigados a pôr em prática apenas uma versão reduzida do Evangelho»[3].

Realismo da santidade

Com grande firmeza, ensinava que Deus dá a vocação para a santidade e para o apostolado a todo “cristão comum” já a partir do Batismo, onde se “reveste de Cristo” (cf. Gl 3,27), como dizia são Paulo.

«Deus – afirmava São Josemaria – não te arranca do teu ambiente, não te retira do mundo, nem do teu estado de vida, nem das tuas ambições humanas nobres, nem do teu trabalho profissional… mas, aí, te quer santo!»[4].

Em uma homilia – que muitos consideram um marco na doutrina sobre a santidade dos leigos –, são Josemaria dizia o seguinte: «Meus filhos: aí onde estão os nossos irmãos os homens, aí onde estão as nossas aspirações, o nosso trabalho, os nossos amores, aí está o lugar do nosso encontro cotidiano com Cristo. É no meio das coisas mais materiais da terra que nós devemos santificar-nos, servindo a Deus e a todos os homens».
»Deus espera-nos cada dia: no laboratório, na sala de operações de um hospital, no quartel, na cátedra universitária, na fábrica, na oficina, no campo, no seio do lar e em todo o imenso panorama do trabalho: há algo de santo, de divino, escondido nas situações mais comuns, algo que a cada um de nós compete descobrir».
»Não há outro caminho, meus filhos: ou sabemos encontrar o Senhor na nossa vida de todos os dias, ou não o encontraremos nunca»[5].
[1] Salvador Bernal, Perfil do fundador do Opus Dei, Ed. Quadrante, São Paulo 1977, p. 130
[2] No dia 18 de maio de 2019 foi beatificada Guadalupe Ortiz de Landázuri, fiel leiga da Prelazia do Opus Dei, doutora em Química, pesquisadora, ganhadora de prêmios internacionais, e professora na sua especialidade.Talvez não demoremos a vê-la nos altares carregando uma proveta numa mão e a tabela periódica na outra. A Igreja já beatificou e canonizou anteriormente vários outros cristãos leigos, solteiros e casados,  de diversos países e profissões.
[3] É Cristo que passa, n. 134
[4] Forja, n. 362
[5] Amar o mundo apaixonadamente, Ed. Quadrante, São Paulo 2010, págs. 16-18

Trecho do livro Deus na vida cotidiana, Cultor de Livros, 2019

O DEVER COTIDIANO

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Ponto de luz«Queres de verdade ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento; faz o que deves e está no que fazes» (Caminho, n. 815).

Faz o que deves

O que é para nós o “dever”? Penso que todos responderíamos falando dos nossos deveres familiares, profissionais, cívicos, etc. Com um olhar mais sobrenatural, diríamos que cada dever é para nós uma manifestação da vontade de Deus.

Todos sabemos, por exemplo, que Deus nos pede e é dever nosso:

– Sustentar a família e educar os filhos
– Trabalhar seriamente na nossa profissão
– Cumprir os deveres de um cidadão responsável
– Cumprir os deveres religiosos
– Cumprir os compromissos assumidos

Cada um desses deveres é como um recinto, que pode estar ”fechado” ou “aberto”. Pode ser como um quarto escuro com as janelas trancadas, onde não entra a luz de Deus, ou como uma sala com janelões escancarados, que se abrem para o horizonte da santidade.

Janelas fechadas e abertas

Vejamos alguns exemplos.

  • Deveres para com os filhos
– janela fechada: Achar que está tudo bem se eu digo: «Eu cumpro o meu dever, porque procuro garantir aos filhos casa, comida, saúde, educação e, dentro das possibilidades, conforto».

– janela aberta: Não basta criar filhos sadios e aptos para o trabalho. Eu devo criar «homens e mulheres de bem» que não sejam engolidos pelo ambiente geral, que tenham virtudes, que se tornem bons filhos de Deus, que aprendam a viver fora da «bolha» do egoísmo e do prazer, que saibam avançar, fazendo o bem, rumo aos bens eternos.

  • Deveres profissionais

– janela fechada: «Eu acho que trabalho com seriedade, eficiência e responsabilidade, o melhor possível. Não poupo esforços».
– janela aberta: Será que tenho uma consciência clara de quais são os meus deveres éticos no trabalho: o que é lícito e o que é errado? Mantenho sempre o maior respeito e caridade cristã para com os colegas, clientes, colaboradores, sem distinguir entre os importantes e os humildes? Encaro a minha profissão sob o prisma do meu interesse ou com visão cristã de serviço ao próximo e à sociedade? Tenho a preocupação de aproximar de Deus aqueles que trabalham comigo?

  • Deveres religiosos

Não vou repetir o que já disse. Dê uma olhada rápida ao capítulo anterior, lá onde se fala de católicos relaxados, praticantes e “vocacionados”, e aplique-o à sua vida. Não lhe custará muito descobrir quais são as janelas da sua alma que estão fechadas e as que estão abertas.

Há deveres que enganam

Há deveres que enganam, porque têm cara de bons, mas são contrários à vontade de Deus.

Podemos pensar em três tipos de deveres enganosos, que usamos como desculpa para não cumprir outros deveres mais importantes:

  • Os deveres-escudo

São aqueles que nos servem de defesa para deixar de lado outros deveres maiores com a consciência tranquila. Muitos têm, por exemplo, a doença da «profissionalite», própria do workaholic: hipertrofiam as obrigações do trabalho profissional para esquivar e até abandonar deveres religiosos e deveres familiares (com a esposa, com o marido, com os filhos, com os pais anciãos), que nunca se deveriam deixar de lado.

  • Os deveres enterrados

São deveres sobre os quais, de vez em quando, a nossa consciência nos acusa: «Eu sei que deveria fazer isso, já atrasei demais», mas temos preguiça até de pensar neles. Desculpamo-nos, dizendo: «não são urgentes, qualquer dia eu faço», e todos sabemos que esse «qualquer dia» significa nunca.

  • Os deveres enferrujados

São os deveres suportados de má vontade e apenas “liquidados”. Caímos, então, na figura do «mau burocrata», que faz  o mínimo necessário para não criar problemas para si (não ser dispensado do trabalho, não ter que enfrentar uma discussão conjugal).

Procure levar a sério a vontade de Deus, e pergunte-se como está o seu arquivo morto de deveres ignorados. Entre a fundo nesse exame. Se consegue fazer uma listinha, verá como lhe faz bem.

Trecho do livro Deus na vida cotidiana, Cultor 2019

domingo, 19 de janeiro de 2020

Não havia comunhão na mão na Igreja dos primeiros séculos

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D. Athanasius Schneider é bispo auxiliar da diocese de Karaganda (Casaquistão), uma ex-república soviética com 26% de cristãos, maioritariamente ortodoxa mas com uma pujante comunidade católica.
Segundo D. Athanasius Schneider, o costume de comungar na mão é “completamente novo”, posterior ao Concílio Vaticano II, e não tem raízes nos tempos dos primeiros cristãos, ao contrário do que se alega com frequência.
Na Igreja primitiva era necessário purificar as mãos antes e depois do rito, e a mão estava coberta com um corporal, de onde se tomava a forma directamente com a língua: “Era mais uma comunhão na boca do que na mão”, afirmou Schneider. De facto, depois de comungar a Sagrada Hóstia o fiel devia recolher da mão, com a língua, qualquer pequena partícula consagrada. Um diácono supervisionava esta operação. Nunca se tocava com os dedos: “O gesto da comunhão na mão tal como o conhecemos hoje era totalmente desconhecido” entre os primeiros cristãos.
Aquele gesto foi substituído pela administração directa do sacerdote na boca, uma mudança que teve lugar “instintiva e pacificamente” em toda a Igreja. A partir do século V, no Oriente, e no Ocidente um pouco mais tarde. O Papa S. Gregório Magno no século VII já o fazia assim, e os sínodos franceses e espanhóis dos séculos VIII e IX sancionavam quem tocasse na Sagrada Forma.
Afirma ainda D. Athanasius Schneider que a prática que hoje conhecemos da comunhão na mão nasceu no século XVII em meios calvinistas, onde não se acreditava na presença real de Jesus Cristo na eucaristia. “Nem Lutero”, que acreditava nessa presença, embora não na transubstanciação, “o teria feito”, disse o prelado. “De facto, até há relativamente pouco tempo os luteranos comungavam de joelhos e na boca, e ainda hoje alguns o fazem assim nos países escandinavos”.


in religionenliberdad.com

*PRECISAMOS TER UMA VIDA DE ORAÇÃO*

Efesios,palavra
No Evangelho segundo Mateus, Jesus nos ensina a ter uma vida de oração. Mais que isso, nos ensina a orar. Não como os pagãos faziam, porque eles faziam discursos, clamores sem fim e derramavam lágrimas para implorar a seus deuses aquilo de que eles 
precisavam. Jesus nos diz para não sermos assim. Aliás, sabemos que este Evangelho está ligado ao Evangelho de São Lucas, no qual aparece a passagem em que os apóstolos pedem a Jesus para ensinar-lhes a orar como João Batista ensinou os seus discípulos. 
Isso porque os discípulos de João Batista o viam rezar e admiravam o modo como ele elevava as suas preces. A mesma coisa fizeram os apóstolos a Jesus: “Jesus, ensina-nos a rezar”. Então, Jesus ensinou a oração do pai-nosso. Quero dizer a você que o pai-nosso está acima de 
qualquer modelo de oração e que, com simplicidade, nos dirigimos ao Pai, em primeiro lugar, falando das coisas Dele, das coisas do Reino: “Pai Nosso que estais no céu, 
santificado seja o vosso nome e venha o vosso Reino”. Depois, nos dirigimos ao Pai pedindo as nossas necessidades: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as 
nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. 
É uma oração simples, na qual dirigimos ao Pai as Suas coisas, as coisas do Reino e as coisas de que necessitamos, com confiança de filhos. Nós devemos ser homens e 
mulheres de oração! A base da nossa comunidade é sermos uma comunidade de amor e de adoração. 
Adoração e oração estão no mesmo “pé”. Temos na Canção Nova, diariamente, a graça de termos a grande oração que é justamente a celebração da Eucaristia, onde o grande orante é Jesus, e nós nos unimos a Ele em Sua oração. Ele está se oferecendo ao Pai como Ele se ofereceu no calvário. No altar, acontece o mesmo e o único sacrifício do calvário. Não é outro! É o mesmo, é o único sacrifício. Jesus, também no Céu, está nesta atitude mostrando ao Pai as Suas chagas e pedindo 
por nós! Portanto, na missa acontece a grande oração. Daí é preciso que nós façamos da celebração da Eucaristia a nossa grande oração. Que possamos realmente buscar ter toda 
a atenção e acompanhar tudo na Santa Missa. Principalmente quando o sacerdote impõe as mãos pedindo que venha sobre aquelas oferendas o Espírito Santo. Quando ele profere as palavras da consagração, a grande “oração” acontece – o pão e o vinho são transubstanciados no corpo e no sangue, na alma e divindade de Jesus. Ele ali se oferece ao Pai pela remissão dos pecados de todo o mundo, em todo tempo e em todo lugar. Depois, o grande momento é quando recebemos este Jesus na Eucaristia.

*ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DAS MISERICÓRDIAS* 

Ó, Maria Rainha e Mãe de Misericórdia, 
perfeito lírio de Deus, 
hoje desejo me consagrar inteiramente 
ao vosso coração materno, 
prometendo defender, com a arma do rosário, a Santa Igreja, o Papa, os bispos e todo o clero. 
E vos pedimos que a vossa misericórdia, unida com o sangue de Jesus, possa fazer com que amemos 
e perdoemos os nossos irmãos. 
Mãe de misericórdia: dai-nos a vossa misericórdia. Ó, Jesus, pelo Teu precioso Sangue, salva-nos do mal do inferno. 
Amém!

Sofrer os defeitos dos outros




Aquilo que o homem não pode emendar em si mesmo ou nos demais, deve-o tolerar com paciência, até que Deus disponha de outro modo. Considera que talvez seja melhor assim, para provar tua paciência, sem a qual não têm grande valor nossos méritos. Todavia, convém, nesses embaraços, pedir a Deus que te auxilie, para que os possas levar com seriedade. 

Se alguém, com uma ou duas advertências, não se emendar, não contendas com ele; mas encomenda tudo a Deus para que seja feita a sua vontade, e seja ele honrado em todos os seus servos, pois sabe tirar bem do mal. Procura sofrer com paciência os defeitos e quaisquer imperfeições dos outros, pois tens também muitas que os outros têm de aturar. Se não te podes modificar como desejas, como pretendes ajeitar os outros à medida de teus desejos? Muito desejamos que os outros sejam perfeitos, e nem por isso emendamos as nossas faltas. 

Queremos que os outros sejam corrigidos com rigor, e nós não queremos ser repreendidos. Estranhamos a larga liberdade dos outros, e não queremos sofrer recusa alguma. Queremos que os outros sejam apertados por estatutos e não toleramos nenhum constrangimento que nos coíba. Donde claramente se vê quão raras vezes tratamos o próximo como a nós mesmos. Se todos fossem perfeitos, que teríamos então de sofrer nós mesmos por amor de Deus? 

Ora, Deus assim o dispôs para que aprendamos a carregar uns o fardo dos outros; porque ninguém há sem defeito; ninguém sem carga; ninguém com força e juízo bastante para si; mas cumpre que uns aos outros nos suportemos, consolemos, auxiliemos, instruamos e aconselhemos. Quanta virtude cada um possui, melhor se manifesta na ocasião da adversidade; pois as ocasiões não fazem o homem fraco, mas revelam o que ele é.

(Imitação de Cristo, cap.16)