segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

O monge beneditino cego e quase paralítico que escreveu a Salve Rainha


Sempre que rezamos o Terço, recordamos, de algum modo, o Beato Herman de Reichenau, autor da oração 'Salve Rainha'. 

Herman nasceu a 18 de Julho de 1013, filho do conde de Altshausen. Nasceu deformado, com palato fendido e sérios problemas nas costas, talvez espinha bífida, ou esclerose lateral amiotrófica ou atrofia muscular espinal. Seja qual fosse o problema, falava e andava com enorme dificuldades. Ainda criança, caiu doente de poliomielite, mas milagrosamente sobreviveu. Seguindo as práticas da época, quando completou sete anos, os seus pais colocaram-no no mosteiro beneditino de Reichenau, que fica isolado numa ilha do Lago Constança, no Sul da Alemanha. Foi onde Herman passou o resto da sua vida.

Ali começou a estudar teologia e o mundo. Aos vinte anos tornou-se monge. Como não podia ajudar em nenhuma tarefa, passava os dias a rezar e estudar. Dele temos obras sobre geometria, aritmética, astronomia e teoria musical. Como historiador, compilou e organizou relatos, que até então estavam dispersos, sobre os primeiros séculos da Igreja, incluindo a vida de Jesus Cristo e dos seus discípulos, e também um martiriológio dos cristãos sob domínio romano. Era fluente em várias línguas, incluindo o árabe, grego e latim; escreveu poesias e construía instrumentos musicais e astronómicos, em especial o astrolábio, um enorme avanço científico na época que viria a ser fundamental nas grandes navegações. Como compositor, temos ainda hoje os ofícios a São Gregório Magno, Santa Afra e São Wolfgang. 

Nos últimos anos de vida ficou cego. Foi nesta época que compôs o Salve Regina, um canto gregoriano para ser utilizado na Liturgia das Horas e Festas Marianas. E

Faleceu no dia 24 de Setembro de 1054, aos 41 anos, de pleurite. A morte foi narrada assim pelo seu discípulo Bertoldo: Quando finalmente Deus decidiu livrar a sua alma da tediosa prisão do mundo, Herman foi atacado pela pleurisia, tendo sofrido terrível e continuadamente durante os seus últimos dez dias. Numa manhã, após a Santa Missa, perguntei-lhe se se sentia melhor. Ele respondeu que havia pensado muito sobre o bem e o mal, e todas as coisas que ainda pretendia escrever, mas que o mundo futuro, a vida eterna era muito mais desejável, e que já era hora de partir. E assim foi. 

O seu corpo foi enterrado no túmulo da sua família, que se perdeu com o tempo. Algumas das suas relíquias encontram-se em Zurique. Herman foi beatificado em 1863 pelo Papa Pio IX.

in 'Tesouros da Igreja Católica'

Como viver desde já a vida eterna


Esta vida eterna começada[1] constitui todo um organismo espiritual, que deve desenvolver-se até à nossa entrada no céu. A graça santificante, recebida na essência da alma, é o princípio radical deste organismo imperecível, que deveria durar para sempre, se o pecado mortal, que é uma desordem radical, não viesse por vezes destruí-la. (Cfr. ST, I-II, Q109, A3 e A4) Da graça santificante, semente da glória, derivam as virtudes infusas, primeiramente as virtudes teologais, a maior das quais, a caridade, deve, como a graça santificante, durar para sempre. "A caridade nunca passará, - diz S. Paulo -, (...) agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade, mas a maior das três é a caridade" (I Cor 13, 8-13). Ela durará para sempre, eternamente, quando a fé tiver desaparecido para dar lugar à visão e quando à esperança suceder a possessão inadmissível de Deus claramente conhecido.


O organismo espiritual completa-se pelas virtudes morais infusas que se referem aos meios, enquanto as virtudes teologais se voltam para o fim último. São estas outras tantas funções admiravelmente subordinadas, infinitamente superiores àquelas do nosso organismo corporal. Elas chamam-se: prudência cristã, justiça, fortaleza, temperança, humildade, mansidão, paciência, magnanimidade, etc.

Finalmente, para remediar a imperfeição destas virtudes, que sob a direcção da fé obscura e da prudência conservam ainda um modo demasiado humano de agir, há os sete dons do Espírito Santo, que habita em nós. São como velas de um barco e dispõem-nos a receber dócil e prontamente o sopro do alto, as inspirações especiais de Deus, que nos permitem agir de uma maneira já não humana, mas divina, com o entusiasmo necessário para percorrer o caminho de Deus e não recuar diante dos obstáculos.

Todas estas virtudes infusas e estes dons crescem com a graça santificante e a caridade, diz S. Tomás (ST, I-II, Q66, A2), assim como os cinco dedos da mão se desenvolvem conjuntamente, como todos os órgãos do nosso corpo aumentam ao mesmo tempo. Assim sendo, não é possível conceber que uma alma tenha alta caridade sem ter o dom da sabedoria em grau proporcional, quer sob forma nitidamente contemplativa, quer sob uma forma prática mais directamente ordenada para a acção. A sabedoria de um S. Vicente de Paulo não é absolutamente semelhante à de um S. Agostinho, mas ambas são infusas.


Adaptado de: Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, OP, in As Três Vias e as Três Conversões, Cap. I

Notas:

1. O autor explica mais atrás que a "vida eterna começada" consiste na crença em Deus com fé viva, unida à caridade, ao amor a Deus e ao próximo. Numa vida sobrenatural idêntica, em germe, à vida eterna: "A graça não é senão um certo começo da glória em nós." (ST, II-II, Q24, A3; I-II, Q69, A2; De Veritate 14, A2)
Explica que esta é necessária para o progresso espiritual: "Gratia est semem gloriae." A diferença para a vida sobrenatural do céu é uma só: aqui na terra conhecemos a Deus (sobrenatural e infalivelmente) pela obscuridade da fé e não na clareza da visão. Esta vida é dada pelo baptismo e nutrida pela Eucaristia e é superior a qualquer milagre, é supra-humana e até supra-angélica.
Dizia Bossuet: "A vida eterna começada consiste em conhecer a Deus pela fé (unida à caridade), e a vida eterna consumada consiste em ver a Deus face a face desveladamente. Jesus Cristo nos dá uma e outra, porque no-la mereceu e porque Ele é o seu princípio em todos os membros que anima." (Méditations sur L'Évangile, IIa P, 37º dia, em João 17, 3)
Tal como diz a liturgia no prefácio da Missa Pro Defunctis: "para os vossos fiéis, Senhor, a vida não é tirada mas mudada e transfigurada".

http://senzapagare.blogspot.com/search/label/Espiritualidade

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Nos detalhes monótonos de cada dia


Resultado de imagem para cada dia

«Na simplicidade do teu trabalho habitual, nos detalhes monótonos de cada dia, tens que descobrir o segredo – para tantos escondido – da grandeza e da novidade: o Amor» (Sulco, n. 489).

Nos detalhes monótonos de cada dia

Continuemos meditando sobre a vida cotidiana, essa sequência de um dia após o outro. O  texto de são Josemaria, que acabamos de citar, fala em «detalhes monótonos». Quantas vezes não achamos monótona a repetição dos dias que parecem fotocopiados, cada um, do dia anterior, da semana anterior, do mês anterior. Sempre a mesma coisa!

Se não infundimos vida nessa rotina, o tempo passa cada vez mais depressa, e mais vazio. «Ora! Já estamos no fim do ano? Como o tempo passou depressa, parece que a cada ano corre mais rápido… Não fiz nem metade do que queria fazer».

A vida cotidiana às vezes parece-se com o fluxo da água que escapa de um cano furado. Ninguém repara, vai escorrendo, e o tanque fica vazio.

Sobra então uma sensação de frustração, que deixa um mau sabor na alma. Foi um ano meio-vazio! Santo Agostinho detestava a rotina morna, e escrevia nas Confissões: «Tanto quanto a morte, apavorava-me ficar preso ao fluxo da rotina»[1].

Para vencer a rotina

Que fazer? Variar, simplesmente? Andar mudando de ocupação, de mulher ou de marido – como alguns fazem, infelizmente, quando se cansam de ouvir «sempre a mesma toada» –, mudar de cidade?». Se isso passasse pela nossa cabeça, teríamos que meditar estas palavras da Imitação de Cristo: «A muitos iludiu a mudança de lugar». É engano achar que a mudança, por si só, resolve os problemas. Pura ilusão, pois em qualquer lugar carregaremos a nossa miséria ou a nossa riqueza espiritual.

O segredo para dar vida à rotina – como em tudo – é o amor. Nunca percamos esse enfoque, mesmo que o devamos repetir cem vezes. São Paulo tinha-o sempre presente: Se não tiver amor, nada me aproveita (Cor 13,3).

Quando se ama, cada dia o sol de Deus ilumina com luzes novas as nossas palavras, gestos, e ações…, mesmo que externamente sejam exatamente iguais aos do dia anterior.

O poeta hindu e prêmio Nobel de literatura, Rabindranath Tagore, sem ser cristão, intuía esta bela realidade num os seus poemas: «Verdadeiramente, a pouca beleza e paz que ainda se podem encontrar entre os homens, se acham no cumprimento cotidiano dos pequenos deveres, e não nas grandes empresas nem nos altos falatórios».

Lembremos a seguir algumas atitudes que exprimem ou facilitam fazer as coisas com amor – mesmo que custe – e, assim, renovam a alma.

  • Saber começar. Desencalhar o dever que está parado e fica sendo um peso incômodo na consciência. Já dizia o poeta latino Horácio que começar é ter metade do trabalho feito. Mas, como custa! Atrasamos tantas coisas! Não nos decidimos a enfrentar, apoiados em Deus, certos problemas familiares ou profissionais, não começamos a retomar seriamente deveres religiosos que já andaram bem e agora estão descuidados, vamos procrastinando conversas inadiáveis… Sem reparar, seguimos a péssima sentença: «Deixa estar, para ver como é que fica».

«Para acabar as coisas, é preciso começar a fazê-las. – Parece óbvio, mas falta-te tantas vezes esta simples decisão!» (Sulco, n. 492).

  • Da mesma forma, praticamos o amor quando assumimos o lema “Hoje e agora!” (o Hodie et nunc dos latinos, que um mau latinista traduzia bem por «hoje ou nunca»), ou seja, quando nos decidimos a praticar «minutos heroicos»[2]: a hora em ponto de levantar da cama, a hora de desligar a tv, a hora certa de olhar mensagens e navegar nas redes sociais (que não é toda nem qualquer hora!), a hora de promover no momento certo conversas em família, a hora de dormir sem enrolar com coisas inúteis.

  • Amar é também aprender a distinguir, no dia-a-dia, a diferença entre «aproveitar o tempo» e «encher o tempo». Você já deve ter dito mais de uma vez: «Hoje não parei, foi aquela correria, fiquei exausto…e não fiz nada». Por esse caminho pode acabar como o Tio Vânia da peça de teatro homônima de Tchekhov, que dizia: «Quarenta e sete anos e não fiz nada!».

Por quê esse vazio? Quase com certeza, porque nos faltou uma pausa tranquila só para orar (talvez bem no início do dia, acordando uns dez minutos antes do que fazíamos até agora) , para refletir diante do Senhor, e para planejar as coisas do dia, prevendo – com decisão – a melhor sequência das diversas tarefas, inclusive anotando a lista delas, como quem assina um compromisso consigo mesmo. Isso é começar o dia dirigindo a bússola do coração para Deus.

Sem isso, é fácil atirar-se atabalhoadamente ao que parece urgente e não o é; ou ao que é mais fácil; e sentir que ficou curto o tempo para as demais obrigações…, sempre com a sensação de pressa, enquanto perdemos tempo zanzando à toa ou demorando-nos em papos furados…

Tomara que não aconteça conosco o que aconteceu com aquela pessoa que foi louvada, porque diziam «quanto trabalha!», e o chefe, que a conhecia bem, corrigiu: «Diga, antes: quanto se mexe!»[3].

  • E, ainda, peçamos luz a Deus para transformar os nossos «tempos mortos» em «tempos vivos»; isto é, para prever como encher positivamente os ocos do tempo: as esperas entediantes inevitáveis, os intervalos maiores que os previstos, os do cliente ou paciente que não aparece, os engarrafamentos no trânsito.

Conheço pessoas que tiram um bom proveito desses «tempos mortos»: porque já haviam previsto, para preenchê-los, leituras e áudios culturais ou formativos, ou orações, como por exemplo o Terço em pen-drive. E, com isso, aproveitam o tempo – que é um dom de Deus – quando estão guiando carro, no metrô, nas caminhadas pela rua, nas corridas matutinas… Quando aparecem os ocos do tempo, essas pessoas sabem perfeitamente ─ sem ansiedade nem desconcerto ─ o que vão fazer.

Oxalá que algum dia, com a ajuda da graça divina, possamos dizer, como são Josemaria: «Do Amor de Deus e para o seu Amor vivo eu, apesar das minhas misérias pessoais. E apesar dessas misérias, talvez por causa delas, é o meu Amor um amor que todos os dias se renova»[4].

[1] Et quasi mortem reformidabam restringi a fluxu consuetudinis.
[2] cf. Caminho, n. 206
[3] cf. Sulco, n. 506
[4] Citado em Álvaro del Portillo, Josemaria Escrivá, Instrumento de Deus, 2ª ed. Quadrante 1992, pág. 21

Trecho do livro Deus na vida cotidiana, Cultor 2019

Um método curto e fácil de meditação

MEDITATE
Se você está lutando para aprender a rezar, comece com este método recomendado por São Francisco de Sales
Às vezes, a gente fica sem saber saber por onde começar ao tentar estabelecer uma rotina de oração e meditação cristã. Existem inúmeros livros e manuais de oração, mas poucos explicam a essência de uma vida de oração.

Nosso principal objetivo sempre deve ser aumentar nosso relacionamento com Jesus Cristo, usando quaisquer meios que ajudarão a realizar essa tarefa. E lembre-se: a quantidade de orações não é tão importante como a qualidade delas.

Um método simples e fácil de meditação cristã é recomendado por São Francisco de Sales em sua obra “Introdução à Vida Devota”. Ele escreveu esse livro especificamente para os fiéis leigos e queria tornar a oração mais acessível a todos.

Ele explica que você deve começar toda sessão de oração colocando-se na presença de Deus:


“Não vemos nosso Deus e, embora a fé nos alerte que Ele está presente, por não O contemplarmos com nossos olhos mortais, estamos muito aptos a esquecê-Lo e a agir como se Ele estivesse longe, pois, embora sabendo perfeitamente que Ele está em toda parte, se não pensarmos assim, é como se não soubéssemos disso. E, portanto, antes de começar a rezar, é necessário sempre despertar a alma para a lembrança e o pensamento constantes da Presença de Deus.”

Uma maneira de fazer isso é usar nossa imaginação para ver Deus ao nosso lado :


“Simplesmente exercite sua imaginação comum, imaginando o Salvador em Sua Humanidade Sagrada, como se Ele estivesse ao seu lado, como costumamos pensar em nossos amigos, imaginando que os vemos ou ouvimos ao nosso lado.”

Isso pode ser feito fechando os olhos e imaginando a sala em que estamos e vendo Jesus à nossa frente ou talvez sentado na cadeira ao nosso lado.


Aí está! Essa é a maneira mais simples e fácil de entrar na meditação cristã. Pode pode ser feita por alguns minutos ou você pode passar meia hora imaginando Jesus ao seu lado.

Esse simples exercício pode ter um efeito profundo em nossa alma e nos dar o conforto e a paz que nunca pensamos serem possíveis.

Tente agora!

O Papa que deixou de existir


Na vida de Santo Padre Pio de Pietrelcina há este belo e interessante episódio:


Para uma mulher que foi ao seu confessionário, o padre Pio disse:

- Feche os olhos e me diga o que vê.

A senhora obedeceu, fechou os olhos e disse:

- Vejo uma praça enorme com muita gente. Entre as pessoas, vejo uma procissão que se move solenemente. Vejo no tribunal muitos padres, bispos e cardeais: todos precedem um Papa que está assumindo no trono. Sim, vejo precisamente um Papa no trono (era a cadeira gestacional) e uma grande multidão que aclama esse Papa, muito bonita... Mas o que tudo isso significa?

O padre Pio respondeu:

- A criança que você matou no seu ventre com o aborto, nos desígnios de Deus, devia se tornar esse Papa.


A pobre mulher gritou e desmaiou ao lado do confessionário.

http://almascastelos.blogspot.com

Arrependimento x remorso: um silencioso diálogo entre São Pedro e Judas


A diferença entre arrepender-se de verdade e se desesperar

Teria havido, certa vez, um  diálogo silencioso entre São Pedro e Judas, o traidor:
– Se tu, Judas, em vez de te enforcares, tivesses procurado Jesus para confessar a tua covardia, dizendo “Cometi um grande crime, mas estou arrependido. Perdoa-me”, Jesus te teria perdoado.
Pausa.
Pedro lembrou-se então da cena no pretório de Pilatos, na Quinta Feira Santa… Sua negação. O olhar de repreensão que  Jesus lhe dirigiu quando foi levado de um juiz para outro. Das lágrimas de arrependimento que não pararam de correr pelas faces, a ponto de formar dois sulcos…
E continuou:
– Judas, eu fiz coisa pior. Neguei o nosso Mestre. Neguei-O três vezes. Sou muito mais culpado que tu.
E Pedro, ainda com os olhos marejados de lágrimas, prosseguiria:
– A diferença é que eu chorei arrependido. E tu tiveste remorso, apenas. Achaste que não tinhas perdão. Por que desconfiaste da misericórdia de Jesus?
Do Boletim do Padre Pelágio, via blog Almas Castelos

Papa Francisco fala do “dom das lágrimas”: chorar faz parte da cura da alma

POPE FRANCIS

“Deus sempre perdoa, não se esqueçam disto. Mesmo os piores pecados. O problema está em nós, que nos cansamos de pedir perdão”

Dando continuidade às catequeses sobre as bem-aventuranças, o Papa Francisco falou na Audiência Geral desta quarta-feira, 12/02, sobre a segunda delas: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados“.
Francisco explicou que o choro pode ter dois aspectos nas Sagradas Escrituras:
  • o sofrimento pela morte ou pela dor de alguém;
  • as lágrimas pelo pecado, quando o coração sofre por ter ofendido a Deus e o próximo.
Nesse contexto, o Papa mencionou o “dom das lágrimas”:
“Podemos amar de maneira fria? Podemos amar por obrigação, por dever? Com certeza não! Existem pessoas aflitas para consolarmos, mas, às vezes, também existem consolados que precisam sofrer a aflição, para despertarem, porque têm um coração de pedra e desaprenderam a chorar. Despertar quem não sabe se comover com a dor dos outros”.
A dor do luto, por exemplo, é um caminho amargo, mas pode ser útil para abrir os olhos sobre a vida e o valor sagrado de cada pessoa, ressaltou o Papa, enfatizando ainda a brevidade do tempo.
Quanto ao choro do arrependimento, Francisco disse que é preciso diferenciar entre quem chora pelo orgulho ferido de ter errado e quem chora porque entende que rompeu sua relação com Deus:
“Este é o choro por não ter amado: porque não se corresponde ao Senhor, que nos quer tão bem, e nos entristece o pensamento do bem não feito; este é o sentido do pecado. Deus seja louvado se nos vierem essas lágrimas!”
Francisco agregou que enfrentar os próprios erros é “difícil, mas vital”, e citou o exemplo de São Pedro, cuja decepção o levou a amar mais: Pedro olhou para Jesus, chorou e teve o coração renovado. Judas, por outro lado, não aceitou o seu erro e se suicidou.
“Entender o pecado é um dom de Deus, é uma obra do Espírito Santo. Nós, sozinhos, não podemos entender o pecado. É uma graça que temos que pedir: ‘Senhor, que eu entenda o mal que fiz ou que posso fazer’. É um grande dom. E depois de entender isso, vem o choro do arrependimento. Deus sempre perdoa, não se esqueçam disto. Mesmo os piores pecados. O problema está em nós, que nos cansamos de pedir perdão. Este é o problema: quando alguém se fecha, não pede perdão e Ele está ali para perdoar. Que o Senhor nos conceda amar em abundância, amar com o sorriso, com a proximidade, com o serviço e também com o choro”.

https://pt.aleteia.org/2020/02/14/papa-francisco-fala-do-dom-das-lagrimas-chorar-faz-parte-da-cura-da-alma/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=weekly_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt