quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O momento em que a Verdade se encontrou com a Mentira


Leia isso antes de sair de casa

Conta uma parábola que um dia a Mentira e a Verdade se encontraram:
A Mentira disse à Verdade:
– Bom dia, dona Verdade.
E a Verdade foi comprovar se realmente era um bom dia. Ela olhou para cima, vendo que não havia nuvens de chuva, que vários pássaros cantavam e que era realmente um bom dia, respondeu à Mentira:
– Bom dia, senhora Mentira.
– Está muito quente hoje, continuou a Mentira.
E a Verdade, vendo que a Mentira era sincera, relaxou-se.
A Mentira, então, convidou a Verdade a se banhar no rio. Ela tirou a roupa, pulou na água e disse:
– Realmente, a água está deliciosa.
E, uma vez que a Verdade, sem duvidar da Mentira, tirou suas roupas e caiu no rio, a Mentira saiu da água e vestiu-se com a roupa da Verdade. Esta por sua vez, recusou-se a vestir as roupas da Mentira e, não tendo de que se envergonhar, saiu desnuda, andando pela rua.
Aos olhos das outras pessoas, no entanto, foi mais fácil aceitar a Mentira vestida de Verdade, do que a Verdade nua e crua.

(Autor desconhecido)

Por que mentimos para nós mesmos?




Conheça os 7 danos do autoengano

Quem é prejudicado pelas mentiras? Bem, é claro que Deus se ofende, como pode ser comprovado no mandamento ” não prestar falso testemunho” (Êxodo 20,16).
Também está claro que o próximo é prejudicado pelas mentiras, como eloquentemente expresso pelo ensaísta Michel de Montaigne:
“Mentir é realmente um vício maldito. Somos homens, e só temos relações entre si pela fala. Se reconhecermos o horror e a gravidade de uma mentira, deveríamos puni-la mais justificadamente com fogo do que qualquer outro crime.”
Uma vítima menos frequente da mentira é a nossa própria personalidade. Porém, Dostoiévski, em “Os irmãos Karamázov” faz um relato acerca do mal que faremos à nossa alma, caso adquiramos o hábito de mentir para nós mesmos:
“O homem que mente para si mesmo e ouve sua própria mentira chega a tal ponto que ele não consegue distinguir a verdade dentro dele ou ao seu redor, e, assim perde todo o respeito por si e pelos outros. E, sem respeito, ele deixa de amar para se ocupar e se distrair. Sem amor, abre caminho para paixões e prazeres grosseiros e afunda na bestialidade em seus vícios (…). O homem que mente para si mesmo pode ser mais facilmente ofendido do que qualquer um. Você sabe que, às vezes, é muito agradável se ofender, não é? Um homem pode saber que ninguém o insultou, mas que ele inventou o insulto para si mesmo, mentiu e exagerou para torná-lo pitoresco (…), mas será o primeiro a se ofender, e se deleitará com seu ressentimento até sentir um grande prazer nisso, e assim passar à vingança genuína.”
Esta passagem é, na verdade, uma descrição de uma cadeia de eventos que é forjada (sem trocadilhos) quando alguém costuma mentir para si mesmo:
1. A verdade não pode ser encontrada;
2. Na verdade ausente, a bondade não pode ser encontrada;
3. Na bondade ausente, não pode haver amor;
4. Com o amor ausente, o coração se transforma em vícios egoístas;
5. Corrompido pelo vício, não pode haver empatia;
6. Na falta de empatia, apenas as emoções de despeito e ódio permanecem;
7. A malícia do rancor e do ódio faz com que alguém diminua e destrua outros.

Essa lógica é, acredito, a lógica do inferno. Os demônios têm um desejo sem fim, uma insatisfação sem fim, o que gera raiva e malícia sem fim. A Arte e a Literatura, bem como a História confirmam repetidas vezes esse padrão de aniquilação que explode quando alguém decide mentir para si mesmo.
Então, por que fazemos isso? Por que iniciamos um processo que evacua o amor de nossas vidas e da vida de outras pessoas? É claro que isso não é racional. Se fosse simplesmente uma questão de razão, isso poderia ser explicado apenas uma vez: “Não minta para si mesmo! Aqui está o porquê …” Infelizmente, sabemos que não funciona dessa maneira. Por que não?
Não funciona dessa maneira porque não somos inteiramente racionais – quero dizer que existem elementos não racionais na natureza humana. Temos coração, emoção, apetite, desejo. Se partirmos para o curso destrutivo de mentir para nós mesmos, isso indica que não cometemos simplesmente um erro (como adicionar incorretamente uma coluna de números).
O problema não é tanto uma questão de razão ou de coração. Em outras palavras, mentir para nós mesmos é um ato de idolatria – amamos algo mais do que amamos o Deus vivo, que é toda verdade, toda bondade, toda beleza, todo amor. Sim, precisamos conhecer a verdade – também precisamos amar a verdade. Amar a verdade nos levará a organizar nossa vida para ficarmos em harmonia com o amor, com o que é verdadeiro, bom e bonito.
Essa mudança de coração não é algo que podemos conseguir por nós mesmos. Temos que invocar o poder e a misericórdia do Deus justo, como vemos no Salmo 50:
“Lavai-me totalmente de minha falta, e purificai-me de meu pecado. Eu reconheço a minha iniquidade, diante de mim está sempre o meu pecado. Só contra vós pequei, o que é mau fiz diante de vós. Vossa sentença assim se manifesta justa, e reto o vosso julgamento.”

Vamos admitir nossa culpa, nossa necessidade e nossa incompletude. Vamos nos alegrar por haver misericórdia oferecida àqueles que se arrependem. E vamos todos confessar fiel e frequentemente!

https://pt.aleteia.org/2020/02/18/por-que-mentimos-para-nos-mesmos/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

Como funciona uma boa discussão de relação


Tenha cuidado, apenas porque eles existem discussões, isso não significa que o relacionamento está em perigo! Na vida a dois, o conflito é inevitável, o mais importante é saber “lutar” bem

Pequenas discussões fazem parte da vida conjugal por causa das diferenças de personalidade, educação, ritmos e gostos, mas é possível administrar as pequenas tensões da vida cotidiana, sem violência física e com um mínimo de violência verbal. Conflito não significa fracasso, ao contrário da crença popular. Nós podemos amar um ao outro e discutir. As conversas são uma maneira de se livrar de sentimentos antigos, sentimentos não ditos acumulados através dos anos ou de sinalizar que o relacionamento precisa de uma mudança em seu funcionamento. Os psicoterapeutas, Serge e Carolle Vidal-Graf, compartilham os segredos de uma boa discussão de casal.
Por que a raiva é incontornável na discussão? Não poderíamos simplesmente coversar?
As discussões não são conversas frias porque contém um componente emocional, a raiva. Isso significa que algo está errado. O “eu” diz que não está satisfeito. Ficar com raiva é dizer emocionalmente que você não se está em acordo com algo. Porém, a reação emocional não é necessariamente de gritos ou violência.
Para que serve a raiva?
A raiva tem uma má reputação. No entanto, é uma energia vital maravilhosa. Permite que os contadores sejam redefinidos para zero. Nas pessoas que não discutem, os contadores são sempre altos! Como uma panela de pressão cuja tampa você abriria depois de um ano, as chances de explosão são muito altas. Uma discussão em que todos os sentimentos não são expressos, é como uma ferida que você não limpa e fica infectada. É melhor dizer pouco a pouco suas dificuldades, seus desencantamentos, evitando assim a explosão. Alto e forte, mas sem violência.
A raiva torna possível colocar tudo em pratos limpos e abrir-se a uma negociação que satisfaça a ambos. A raiva é um presente para o casal. Indica que o relacionamento importa para nós, que não somos indiferentes a ele.
Por que a raiva é tão assustadora?
Porque é confundida com violência. Todos nós temos experiências de raiva violenta, de um pai ou de um chefe no trabalho, que nos humilharam verbal ou fisicamente. Resultado, pensamos: “Se isso é raiva, não, obrigado! Não quero expressá-lo ou recebê-lo. “
Em nossa infância, nossos pais podem nos enviar para o nosso quarto para nos acalmar, com comentários como: “Eu não gosto de você quando chora!”. Para manter o amor de nossos pais, tivemos que tudo reprimir. É assim que a ideia de que amor e raiva são incompatíveis se enraiza em nós.
Como expressar bem a sua raiva?
Na técnica de comunicação não violenta, aprendemos a importância do “eu”. É muito importante: fale sobre si mesmo, como você se sente em relação às situações, em vez de dizer “você” e acusar o outro. Isso é muito importante, já que a raiva muitas vezes visa se afirmar na frente do outro. Passar de “você” para “eu” leva algum tempo e é difícil abandonar completamente o abuso verbal.
Outro objetivo: permanecer no assunto e não entrar em censuras mais gerais sobre as pessoas que são queridas pelo outro ou sobre seus fracassos. Como você conhece bem o seu cônjuge, sabe exatamente onde dói, por isso é melhor parar antes. Implica em viver o luto da vingança quando o outro nos feriu. É uma verdadeira lição da humanidade aprender a discutir.
Após a raiva, você aconselha a escuta silenciosa, como uma maneira de superar as dificuldades. Como ela realmente funciona?
É uma ferramenta muito útil, se a raiva não for suficiente para acalmar a disputa. Claro, você tem que esperar até que todos se acalmem. O difícil é voltar ao outro após a discussão, colocando seu orgulho no bolso. Todo mundo fala na sua vez, pelo tempo que quiser, sem ser interrompido. Podemos parar, marcar silêncios que nos permitem realmente compreender e nos libertar. Depois de sentir que terminou, diga ao seu cônjuge. Ele pode falar por sua vez, sem tentar responder, mas confidenciar o que sente.
É um exercício difícil. Ele tem o mérito de evitar o debate estéril de acusações e negações. Permite o diálogo em profundidade, com calma, que vai além da censura, até a emoção. A censura coloca o cônjuge na defensiva, a expressão de sensibilidade o toca. Você precisa ouvi-lo no seu próprio ritmo, não apenas após os conflitos. A regularidade também possibilita discutir o positivo.
E a negociação?
É um método surpreendente que pode ser usado. Isso mostra que em um conflito, você pode evitar ter um vencedor e um perdedor. Também é uma prática fria: voltamos ao outro, algumas horas após a briga, para sugerir um acordo em que todos terão que ceder em um ponto para que os dois encontrem o equilíbrio. A vantagem da negociação é de que todos expressam suas necessidades, todos foram reconhecidos e ouvidos. Este é um excelente modo de aprendizagem para crescer como pessoa e para construir sua família, contando que as concessões feitas não sejam unilaterais.
As discussões repetitivas são indicativos de um problema mais profundo?
Elas não são mais sérias em sua forma do que outras discussões, mas o que os alerta é sua frequência: elas acontecem quase todos os dias. Revelam um clima de tensão e um problema subjacente, como um sofrimento infantil não resolvido. Eles são um sinal de atenção: talvez seja necessário tomar uma decisão, renegociar uma escolha mais séria, como ter um novo filho, uma mudança profissional, todas as situações deixadas em suspenso que prejudicam o relacionamento.
Quando um dos cônjuges está zangado e o outro menos zangado. Como as discussões entre o casal podem evoluir?
Estamos convencidos de que pessoas não coléricas não existem. A raiva é uma emoção básica, não pode ser evitada. O não colérico é uma pessoa que recusa a raiva, muitas vezes porque a confunde com violência. Sem perceber, ele transforma sua raiva em culpa: “Eu não deveria ter…”, ou em tristeza: “Como você pode ser tão duro comigo?” O não colérico não consegue expressar sua raiva. Então, ele fará todo tipo de ato fracassado para empurrar seu cônjuge zangado para a discussão e, assim, usar a raiva do outro para reclamar e esvaziar sua bolsa de ressentimentos. Para uma pessoa não colérica, é um esforço enorme conseguir expressar essa emoção, daí o interesse por ele na escuta silenciosa que o forçará a dizer o que sente.
Quelle importance accordez-vous au pardon ?
Il est capital d’être convaincu qu’une relation peut se réparer. Quand on a blessé l’autre, on peut déjà présenter ses excuses. Même si la blessure n’était pas intentionnelle, elle lui a fait mal. Parfois la parole ne suffit pas, tout dépend de l’offense : il faut alors réparer par des actes concrets, inviter l’autre au restaurant, lui offrir des fleurs, proposer une démarche qui lui fasse plaisir.
Que importância você atribui ao perdão?
É muito importante saber que um relacionamento pode ser reparado. Quando você machuca o outro, você já pode se desculpar. Mesmo que a ferida causada não tenha sido intencional, você a machucou. Às vezes, palavras não são suficientes, tudo depende da ofensa. É necessário reparar nossos erros com ações concretas, convidar o outro para o restaurante, oferecer flores, propor uma abordagem que o faça feliz.
Florence Brière-Loth

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

“6º mandamento: Não pecar contra a castidade”.

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INTRODUÇÃO:
São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?… Não sabeis que vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, pois o recebestes de Deus, e que não vos pertenceis? Fostes comprados por um alto preço! Glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo” (1 Coríntios 6, 15;19-20). Vivendo a realidade de um mundo pagão, no qual a castidade era desprezada e ridicularizada, São Paulo demonstra as razões para que o cristão viva a castidade: é membro de Cristo, templo do Espírito Santo e deve dar glória a Deus também com o corpo.
Mas não tão somente o cristão, mas todo o ser humano como tal, deve respeitar seu corpo – e o dos demais – cuidando com esmero de viver a castidade em pensamentos, palavras, obras e desejos, se quiser viver conforme a razão. Deus marcou o caminho da dignidade humana neste campo com dois preceitos: o sexto, “não cometerás atos impuros”, e o nono, “não consentirás em pensamentos e nem em desejos impuros”, para o pleno domínio racional – interior e exterior – da sexualidade.
IDÉIAS PRINCIPAIS:
1. A sexualidade é um dom de Deus
Um ponto de partida, tão fundamental como necessário para falar do sexto mandamento, é a afirmação da Sagrada Escritura, quando nos ensina que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, e os criou homem e mulher (cf. Gênesis 1,27). E que o homem, pois, seja homem e a mulher seja mulher, isso vem de Deus. Deus assim o quis. Portanto, como tudo aquilo que Deus faz é bom, a sexualidade não é um mal, nem é contrária à lei de Deus: é boa, pois veio de Deus. É um grande dom de Deus.
Mas a sexualidade tem uma razão de ser muito definida e sublime. Ainda que Deus tivesse podido fazer as coisas de outra maneira, quis – pela sexualidade – confiar ao homem e à mulher –aos esposos – a missão nobre de transmitir a vida, continuando a geração humana, querida por Deus. E como a missão é tão alta, quis também ordena-la e protege-la com uns preceitos que a mantém em sua dignidade e eficácia, conforme o plano de Deus. Por isso não se pode fazer com o corpo aquilo que apetece. Deus estabeleceu uma ordem no uso da sexualidade e tal ordem consiste em que o prazer sexual – seja de pensamento, palavra ou obra – somente seja lícito, se for buscado dentro do matrimonio e encaminhado ao fim que Deus Criador lhe assinalou: a transmissão da vida humana, junto com a ajuda mútua dos esposos.
2. A virtude da castidade
Ainda que às vezes se identificam castidade e pureza, a virtude da pureza expressa melhor o fato e a renúncia total ao uso da sexualidade, enquanto que a castidade expressa o senhorio sobre a sexualidade por renúncia total ao uso ilícito. A castidade é, pois, a virtude que regula e controla a sexualidade, impondo o respeito ao corpo em pensamentos, desejos, palavras e ações. Esta virtude expressa a integração da sexualidade na pessoa e, por conseguinte, a submissão da paixão sexual à razão humana e à fé. A virtude da castidade é, como toda virtude, uma conquista própria de valentes; é algo positivo que liberta da escravidão de vícios e do pecado.
3. A impureza destrói muitas coisas no ser humano
O pecado da impureza destrói no ser humano tesouros que Deus lhes deu, não só pelo fato de O ofendermos e perdermos sua amizade, mas também porque é um dano de modo particular a virtudes de verdade excelentes. O impuro é alguém triste, por ser escravo do pecado; não é generoso porque só pensa em si mesmo e em seu prazer; debilita sua fé, porque seu coração vai se cegando. Perde a sensibilidade fina da alma, que lhe capacita para amar a Deus e aos demais.
Se não se consegue a educação e o domínio da sexualidade, com uma pedagogia da liberdade, a alternativa é evidente: ou o ser humano controla suas paixões e obtém, assim a paz, ou se deixa dominar por elas e se torna um pobre coitado.
4. A castidade é para todos
Cristo é o modelo de todas as virtudes, e a condição do cristão, seguidor de Cristo, é a de viver uma vida casta. Cada um em seu estado de vida, e segundo a vocação que recebeu de Deus, pois a uns, Deus lhes pede viver em virgindade ou no celibato – um modo eminente de se dedicar por inteiro a Deus com o coração indiviso – , e a outros, no matrimonio ou solteiros. Os casados hão de viver a castidade conjugal, fiéis a seus deveres matrimoniais; os solteiros praticam a castidade na continência.
Os esposos hão de ter presente que a fecundidade é um bem e o fim do matrimônio, pois o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo; por isso, o ato matrimonial deve estar aberto à transmissão da vida, e nunca será permitido o recurso à anticoncepção ou à esterilização para evitar a procriação.
5. Pecados contra a castidade
Pecam contra a castidade os que – consigo ou com outras pessoas – cometem ações impuras; olham coisas impuras; consentem em pensamentos ou desejos impuros; mantém conversações ou contam piadas sobre coisas impuras; os que voluntariamente colocam a si mesmos ou a outros em perigo de comete-los. Como tipificação moral, são pecados notórios contra a castidade a masturbação, a fornicação (união sexual entre duas pessoas não casadas, de sexo oposto), as atividades pornográficas e as praticas homossexuais; contra a dignidade do matrimonio podemos destacar o adultério, a poligamia e o chamado “amor livre”.
Estes pecados contra a castidade são sempre graves, se há pleno conhecimento e consentimento; em tal caso não existe matéria leve.
6. A luta pela castidade
Para ganhar a batalha da castidade é necessário fugir das ocasiões; nesta matéria, fugir não significa Covardia, mas sim, prudência. E a prudência exige evitar amizades, leituras, espetáculos, conversas, etc.. que levem ao pecado.
Outro passo será o de estar ocupados em um trabalho sério, que salva de ensimesmar-se no egoísmo; ajuda também a prática de esportes, que forma virtudes esplendidas para resistir ao capricho. E não se pode esquecer a importância da sinceridade, que conta as dificuldades às pessoas competentes em busca de ajuda e conselho, assim como a modéstia e o pudor que ensinam a delicadeza no vestir, no asseio diário, etc…, para a defesa da pureza propriamente dita.
Mas o mais importante é colocar os meios sobrenaturais: a confissão e a comunhão freqüentes; pedir a castidade com humildade e perseverança; acudir à Virgem Puríssima e nossa Mãe; oferecer pequenos sacrifícios que afirmam a vontade e conseguem a graça. Como observa Santo Tomás de Aquino, “que o homem viva na carne e não segundo a carne, não é do homem, mas de Deus”.
7. PROPÓSITOS DE VIDA CRISTÃ:
• Acudir à Virgem ao sentir alguma tentação contra a castidade
• Colocar esmero em ser e mostrar-se sempre limpos nas palavras, conversas, piadas, etc…

http://www.psteresinhacj.com.br/catequese/6o-mandamento-nao-pecar-contra-a-castidade/

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

O monge beneditino cego e quase paralítico que escreveu a Salve Rainha


Sempre que rezamos o Terço, recordamos, de algum modo, o Beato Herman de Reichenau, autor da oração 'Salve Rainha'. 

Herman nasceu a 18 de Julho de 1013, filho do conde de Altshausen. Nasceu deformado, com palato fendido e sérios problemas nas costas, talvez espinha bífida, ou esclerose lateral amiotrófica ou atrofia muscular espinal. Seja qual fosse o problema, falava e andava com enorme dificuldades. Ainda criança, caiu doente de poliomielite, mas milagrosamente sobreviveu. Seguindo as práticas da época, quando completou sete anos, os seus pais colocaram-no no mosteiro beneditino de Reichenau, que fica isolado numa ilha do Lago Constança, no Sul da Alemanha. Foi onde Herman passou o resto da sua vida.

Ali começou a estudar teologia e o mundo. Aos vinte anos tornou-se monge. Como não podia ajudar em nenhuma tarefa, passava os dias a rezar e estudar. Dele temos obras sobre geometria, aritmética, astronomia e teoria musical. Como historiador, compilou e organizou relatos, que até então estavam dispersos, sobre os primeiros séculos da Igreja, incluindo a vida de Jesus Cristo e dos seus discípulos, e também um martiriológio dos cristãos sob domínio romano. Era fluente em várias línguas, incluindo o árabe, grego e latim; escreveu poesias e construía instrumentos musicais e astronómicos, em especial o astrolábio, um enorme avanço científico na época que viria a ser fundamental nas grandes navegações. Como compositor, temos ainda hoje os ofícios a São Gregório Magno, Santa Afra e São Wolfgang. 

Nos últimos anos de vida ficou cego. Foi nesta época que compôs o Salve Regina, um canto gregoriano para ser utilizado na Liturgia das Horas e Festas Marianas. E

Faleceu no dia 24 de Setembro de 1054, aos 41 anos, de pleurite. A morte foi narrada assim pelo seu discípulo Bertoldo: Quando finalmente Deus decidiu livrar a sua alma da tediosa prisão do mundo, Herman foi atacado pela pleurisia, tendo sofrido terrível e continuadamente durante os seus últimos dez dias. Numa manhã, após a Santa Missa, perguntei-lhe se se sentia melhor. Ele respondeu que havia pensado muito sobre o bem e o mal, e todas as coisas que ainda pretendia escrever, mas que o mundo futuro, a vida eterna era muito mais desejável, e que já era hora de partir. E assim foi. 

O seu corpo foi enterrado no túmulo da sua família, que se perdeu com o tempo. Algumas das suas relíquias encontram-se em Zurique. Herman foi beatificado em 1863 pelo Papa Pio IX.

in 'Tesouros da Igreja Católica'

Como viver desde já a vida eterna


Esta vida eterna começada[1] constitui todo um organismo espiritual, que deve desenvolver-se até à nossa entrada no céu. A graça santificante, recebida na essência da alma, é o princípio radical deste organismo imperecível, que deveria durar para sempre, se o pecado mortal, que é uma desordem radical, não viesse por vezes destruí-la. (Cfr. ST, I-II, Q109, A3 e A4) Da graça santificante, semente da glória, derivam as virtudes infusas, primeiramente as virtudes teologais, a maior das quais, a caridade, deve, como a graça santificante, durar para sempre. "A caridade nunca passará, - diz S. Paulo -, (...) agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade, mas a maior das três é a caridade" (I Cor 13, 8-13). Ela durará para sempre, eternamente, quando a fé tiver desaparecido para dar lugar à visão e quando à esperança suceder a possessão inadmissível de Deus claramente conhecido.


O organismo espiritual completa-se pelas virtudes morais infusas que se referem aos meios, enquanto as virtudes teologais se voltam para o fim último. São estas outras tantas funções admiravelmente subordinadas, infinitamente superiores àquelas do nosso organismo corporal. Elas chamam-se: prudência cristã, justiça, fortaleza, temperança, humildade, mansidão, paciência, magnanimidade, etc.

Finalmente, para remediar a imperfeição destas virtudes, que sob a direcção da fé obscura e da prudência conservam ainda um modo demasiado humano de agir, há os sete dons do Espírito Santo, que habita em nós. São como velas de um barco e dispõem-nos a receber dócil e prontamente o sopro do alto, as inspirações especiais de Deus, que nos permitem agir de uma maneira já não humana, mas divina, com o entusiasmo necessário para percorrer o caminho de Deus e não recuar diante dos obstáculos.

Todas estas virtudes infusas e estes dons crescem com a graça santificante e a caridade, diz S. Tomás (ST, I-II, Q66, A2), assim como os cinco dedos da mão se desenvolvem conjuntamente, como todos os órgãos do nosso corpo aumentam ao mesmo tempo. Assim sendo, não é possível conceber que uma alma tenha alta caridade sem ter o dom da sabedoria em grau proporcional, quer sob forma nitidamente contemplativa, quer sob uma forma prática mais directamente ordenada para a acção. A sabedoria de um S. Vicente de Paulo não é absolutamente semelhante à de um S. Agostinho, mas ambas são infusas.


Adaptado de: Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, OP, in As Três Vias e as Três Conversões, Cap. I

Notas:

1. O autor explica mais atrás que a "vida eterna começada" consiste na crença em Deus com fé viva, unida à caridade, ao amor a Deus e ao próximo. Numa vida sobrenatural idêntica, em germe, à vida eterna: "A graça não é senão um certo começo da glória em nós." (ST, II-II, Q24, A3; I-II, Q69, A2; De Veritate 14, A2)
Explica que esta é necessária para o progresso espiritual: "Gratia est semem gloriae." A diferença para a vida sobrenatural do céu é uma só: aqui na terra conhecemos a Deus (sobrenatural e infalivelmente) pela obscuridade da fé e não na clareza da visão. Esta vida é dada pelo baptismo e nutrida pela Eucaristia e é superior a qualquer milagre, é supra-humana e até supra-angélica.
Dizia Bossuet: "A vida eterna começada consiste em conhecer a Deus pela fé (unida à caridade), e a vida eterna consumada consiste em ver a Deus face a face desveladamente. Jesus Cristo nos dá uma e outra, porque no-la mereceu e porque Ele é o seu princípio em todos os membros que anima." (Méditations sur L'Évangile, IIa P, 37º dia, em João 17, 3)
Tal como diz a liturgia no prefácio da Missa Pro Defunctis: "para os vossos fiéis, Senhor, a vida não é tirada mas mudada e transfigurada".

http://senzapagare.blogspot.com/search/label/Espiritualidade

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Nos detalhes monótonos de cada dia


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«Na simplicidade do teu trabalho habitual, nos detalhes monótonos de cada dia, tens que descobrir o segredo – para tantos escondido – da grandeza e da novidade: o Amor» (Sulco, n. 489).

Nos detalhes monótonos de cada dia

Continuemos meditando sobre a vida cotidiana, essa sequência de um dia após o outro. O  texto de são Josemaria, que acabamos de citar, fala em «detalhes monótonos». Quantas vezes não achamos monótona a repetição dos dias que parecem fotocopiados, cada um, do dia anterior, da semana anterior, do mês anterior. Sempre a mesma coisa!

Se não infundimos vida nessa rotina, o tempo passa cada vez mais depressa, e mais vazio. «Ora! Já estamos no fim do ano? Como o tempo passou depressa, parece que a cada ano corre mais rápido… Não fiz nem metade do que queria fazer».

A vida cotidiana às vezes parece-se com o fluxo da água que escapa de um cano furado. Ninguém repara, vai escorrendo, e o tanque fica vazio.

Sobra então uma sensação de frustração, que deixa um mau sabor na alma. Foi um ano meio-vazio! Santo Agostinho detestava a rotina morna, e escrevia nas Confissões: «Tanto quanto a morte, apavorava-me ficar preso ao fluxo da rotina»[1].

Para vencer a rotina

Que fazer? Variar, simplesmente? Andar mudando de ocupação, de mulher ou de marido – como alguns fazem, infelizmente, quando se cansam de ouvir «sempre a mesma toada» –, mudar de cidade?». Se isso passasse pela nossa cabeça, teríamos que meditar estas palavras da Imitação de Cristo: «A muitos iludiu a mudança de lugar». É engano achar que a mudança, por si só, resolve os problemas. Pura ilusão, pois em qualquer lugar carregaremos a nossa miséria ou a nossa riqueza espiritual.

O segredo para dar vida à rotina – como em tudo – é o amor. Nunca percamos esse enfoque, mesmo que o devamos repetir cem vezes. São Paulo tinha-o sempre presente: Se não tiver amor, nada me aproveita (Cor 13,3).

Quando se ama, cada dia o sol de Deus ilumina com luzes novas as nossas palavras, gestos, e ações…, mesmo que externamente sejam exatamente iguais aos do dia anterior.

O poeta hindu e prêmio Nobel de literatura, Rabindranath Tagore, sem ser cristão, intuía esta bela realidade num os seus poemas: «Verdadeiramente, a pouca beleza e paz que ainda se podem encontrar entre os homens, se acham no cumprimento cotidiano dos pequenos deveres, e não nas grandes empresas nem nos altos falatórios».

Lembremos a seguir algumas atitudes que exprimem ou facilitam fazer as coisas com amor – mesmo que custe – e, assim, renovam a alma.

  • Saber começar. Desencalhar o dever que está parado e fica sendo um peso incômodo na consciência. Já dizia o poeta latino Horácio que começar é ter metade do trabalho feito. Mas, como custa! Atrasamos tantas coisas! Não nos decidimos a enfrentar, apoiados em Deus, certos problemas familiares ou profissionais, não começamos a retomar seriamente deveres religiosos que já andaram bem e agora estão descuidados, vamos procrastinando conversas inadiáveis… Sem reparar, seguimos a péssima sentença: «Deixa estar, para ver como é que fica».

«Para acabar as coisas, é preciso começar a fazê-las. – Parece óbvio, mas falta-te tantas vezes esta simples decisão!» (Sulco, n. 492).

  • Da mesma forma, praticamos o amor quando assumimos o lema “Hoje e agora!” (o Hodie et nunc dos latinos, que um mau latinista traduzia bem por «hoje ou nunca»), ou seja, quando nos decidimos a praticar «minutos heroicos»[2]: a hora em ponto de levantar da cama, a hora de desligar a tv, a hora certa de olhar mensagens e navegar nas redes sociais (que não é toda nem qualquer hora!), a hora de promover no momento certo conversas em família, a hora de dormir sem enrolar com coisas inúteis.

  • Amar é também aprender a distinguir, no dia-a-dia, a diferença entre «aproveitar o tempo» e «encher o tempo». Você já deve ter dito mais de uma vez: «Hoje não parei, foi aquela correria, fiquei exausto…e não fiz nada». Por esse caminho pode acabar como o Tio Vânia da peça de teatro homônima de Tchekhov, que dizia: «Quarenta e sete anos e não fiz nada!».

Por quê esse vazio? Quase com certeza, porque nos faltou uma pausa tranquila só para orar (talvez bem no início do dia, acordando uns dez minutos antes do que fazíamos até agora) , para refletir diante do Senhor, e para planejar as coisas do dia, prevendo – com decisão – a melhor sequência das diversas tarefas, inclusive anotando a lista delas, como quem assina um compromisso consigo mesmo. Isso é começar o dia dirigindo a bússola do coração para Deus.

Sem isso, é fácil atirar-se atabalhoadamente ao que parece urgente e não o é; ou ao que é mais fácil; e sentir que ficou curto o tempo para as demais obrigações…, sempre com a sensação de pressa, enquanto perdemos tempo zanzando à toa ou demorando-nos em papos furados…

Tomara que não aconteça conosco o que aconteceu com aquela pessoa que foi louvada, porque diziam «quanto trabalha!», e o chefe, que a conhecia bem, corrigiu: «Diga, antes: quanto se mexe!»[3].

  • E, ainda, peçamos luz a Deus para transformar os nossos «tempos mortos» em «tempos vivos»; isto é, para prever como encher positivamente os ocos do tempo: as esperas entediantes inevitáveis, os intervalos maiores que os previstos, os do cliente ou paciente que não aparece, os engarrafamentos no trânsito.

Conheço pessoas que tiram um bom proveito desses «tempos mortos»: porque já haviam previsto, para preenchê-los, leituras e áudios culturais ou formativos, ou orações, como por exemplo o Terço em pen-drive. E, com isso, aproveitam o tempo – que é um dom de Deus – quando estão guiando carro, no metrô, nas caminhadas pela rua, nas corridas matutinas… Quando aparecem os ocos do tempo, essas pessoas sabem perfeitamente ─ sem ansiedade nem desconcerto ─ o que vão fazer.

Oxalá que algum dia, com a ajuda da graça divina, possamos dizer, como são Josemaria: «Do Amor de Deus e para o seu Amor vivo eu, apesar das minhas misérias pessoais. E apesar dessas misérias, talvez por causa delas, é o meu Amor um amor que todos os dias se renova»[4].

[1] Et quasi mortem reformidabam restringi a fluxu consuetudinis.
[2] cf. Caminho, n. 206
[3] cf. Sulco, n. 506
[4] Citado em Álvaro del Portillo, Josemaria Escrivá, Instrumento de Deus, 2ª ed. Quadrante 1992, pág. 21

Trecho do livro Deus na vida cotidiana, Cultor 2019