sábado, 4 de abril de 2020

Você tem medo do teu futuro depois do Covid-19? Ouça este monge

WIRUS

A incerteza e a imprevisibilidade surgiram para perturbar a vida de milhões de pessoas. Uma preocupação permanente sobre o futuro agora ocupa a mente de todos. Como avançar e continuar vivendo além desses medos?

Omedo é um termo genérico muito amplo para designar várias noções. É uma reação natural e psicológica, às vezes muito útil. Primeiro, é um reflexo da sobrevivência que vem do nosso lado animal. Ele salva nossas vidas quando nos faz correr para fugir de um perigo. É também um estimulante que nos mantém alertas. Também pode nos paralisar ou nos fazer realizar atos tolos.
Num nível mais profundo, o medo causa preocupação, principalmente em relação ao futuro e a tudo que não controlamos. No entanto, é possível superá-lo. São as explicações do Frei Alain Quilici, que é o prior do convento dominicano em Toulouse, França.
Como você luta contra o medo do futuro?
Temos medo do desconhecido e, portanto, do futuro. A rejeição da doença e da morte, instintivamente inscrita em nós, continua sendo um medo essencial. Somos encorajados a administrar essas ansiedades através de seguros (de aposentadoria, de incêndio, de roubo, de doença), para multiplicar as garantias contra todos os nossos medos sob o pretexto do realismo. No entanto, a insegurança continua sendo a mesma: todas essas precauções nunca podem nos proteger 100% do perigo.
O único antídoto é o de viver no presente, focado no que temos que fazer hoje. São Luis de Gonzaga dizia: “Se eles anunciassem minha morte iminente, eu continuaria brincando se fosse a hora de brincar”. É isso que Cristo nos convida para praticar no Evangelho: “Não se preocupem com a sua vida (…). Olhem para os pássaros no céu: eles não semeiam nem colhem, nem se acumulam em celeiros, e no entanto, o Pai que está no céu os alimenta. ”
Quando Cristo nos diz “Não se preocupem”, do que Ele quer nos libertar?
De todos os nossos medos humanos. Cristo nos conhece intimamente. E no Evangelho, os apelos à paz do coração são frequentes. Os apóstolos no barco, durante a tempestade, tinham boas razões para tremer. Todos esses medos são legítimos. Jesus não censura nada, pelo contrário, ele quer nos apaziguar. A mesma coisa que uma mãe que diz ao seu filho: “Não tenha medo, eu estou aqui”.
A ação de Deus, como Cristo nos revela, é uma ação tranquilizadora. O Senhor Jesus, que convida o homem a não ter medo, revela-se como mestre dos acontecimentos que nos ameaçam. Ele é mais poderoso do que eles. Cuida de nós. Este não é um convite humano para dominar por mera vontade, mas um incentivo para confiar nele. Esta é a luta do crente.
O remédio para o medo é se colocar nas mãos do Senhor Jesus. São João Paulo II assumiu esse mandato em outro contexto, o dos medos de nossas sociedades: “Não tenha medo dos outros, não tenha medo de ser você mesmo. Seja livre! “
Esse pedido de Cristo é realista? Podemos ficar calmos?
Cristo não suprime o medo visceral nem a morte, mas transforma os dois. Ele venceu a morte, que se tornou a porta de entrada para a vida eterna. O mártir tem medo, com certeza, mas ele confia em Deus. Santo Tomás Moro, em suas cartas desde a prisão para a sua filha, fala muito sobre sua angústia ao morrer, mas, quando chega ao cadafalso, encontra forças para dizer com humor ao seu carrasco: “Agradeço agora por fazer seu trabalho, porque depois será mais difícil para mim ”.
O santo não evita o medo?
O próprio Jesus, em sua agonia, estava com medo. Os santos e os mártires têm confiança nos ensinos do Senhor: “Não temam os que matam o corpo …” (Mt 10,28). O Evangelho é um grande livro de conforto. Vemo-lo nas parábolas. Embora Deus seja um professor exigente, ele também é um consolador.
O que podemos legitimamente temer?
Traindo a Deus, pecando, não sendo fiéis aos seus ensinos, devemos ter medo disso. Lembremo-nos de São Luís e das recomendações que ele fez ao seu filho no leito de morte: “Cuidado com todos os pecados mortais”, aqueles os quais cometemos sabendo que definitivamente nos distancia de Deus se nunca pedirmos perdão. “Temam antes àquele que pode lançar a alma e o corpo à Gehenna [ao inferno]”, diz Mateu.
O medo do Tentador é um medo salvador que nos mantém alerta. Devemos estar vigilantes diante das tentações, entre as quais o orgulho é a maior de todas. Vamos distinguir bem a prova da tentação: o Diabo quer nos arrastar para o mal e nos fazer cair, enquanto Deus nos permite enfrentar provações para nos fazer crescer. Como nos exames os quais o aluno faz para passar para o curso seguinte.
Armas espirituais devem ser usadas para lutar contra um adversário espiritual: faça o sinal da cruz num momento em que a luta se torne dura demais, comprometa-se com a oração da Virgem Maria, reze o terço, faça um caminho da cruz, priva-se de um prazer inútil: é estar no terreno certo do combate que devemos enfrentar.
Florence Brière-Loth

Tempo de desprendimento

PRZEDPOŚCIE

Deus não habita numa alma cheia de bugigangas

Neste tempo da Quaresma, a Igreja nos faz repetidas chamadas para que nos desprendamos das coisas da terra e assim acumulemos o nosso coração de Deus. Em Jr 17,7-8, nos diz: “Bendito o homem que deposita a sua confiança no Senhor e põe n’Ele a sua esperança. Assemelha-se à árvore plantada perto da água, que estende as suas raízes para o arroio. Quando chegar o estio, não o temerá, e a sua folhagem continuará verdejante. Não a inquieta o ano de seca; continua a produzir frutos”. O Senhor cuida da alma que colocou n’Ele o seu coração.
O Senhor deseja que nos ocupemos das coisas da terra e as amemos corretamente: “Enchei a terra e submetei-a” (Jr 17, 6). Mas uma pessoa que ame “desordenadamente” as coisas da terra não deixa lugar na sua alma para o amor a Deus. São incompatíveis o “apego” aos bens e o amor ao Senhor: “Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6,24). As coisas podem converter-se numa amarra que nos impeça de chegar a Cristo. E se não o alcançarmos, para que serve a nossa vida?
Para chegar a Deus, Cristo é o caminho. Mas Cristo está na cruz; e, para subir à cruz, é preciso ter o coração livre, desprendido das coisas da terra. Ele nos deu o exemplo: passou pelos bens desta terra com perfeito senhorio e com mais plena liberdade. “Sendo rico, fez-se pobre por nós” (2 Cor 8,9). Para segui-Lo, estabeleceu-nos uma condição indispensável: “Qualquer um de vós que não renuncie a tudo o que possui não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 33). Este não renunciar aos bens encheu de tristeza o jovem rico, que tinha posses e estava muito apegado a elas. Quando não perdeu nesse dia este homem jovem que tinha meia dúzia de coisas que, em breve, lhe fugiriam das mãos.
Os bens materiais são bons, porque são de Deus. São meios que Deus pôs à disposição do homem desde a criação, para que se desenvolvesse em sociedade com os outros. Somos administradores desses bens por um breve espaço de tempo. Tudo nos deve servir para amar a Deus – Criador e Pai – e aos outros. Se nos apegamos às coisas que temos e não praticamos atos de desprendimento efetivo, se os bens não nos servem para fazer o bem, se nos separam do Senhor, então não são bens, convertem-se em males.
Exclui-se do Reino dos céus todo aquele que põe as riquezas como centro da sua vida; idolatria, é como chama São Paulo a avareza. Um ídolo ocupa o lugar que só Deus deve ocupar. Exclui-se de uma verdadeira vida interior, de um relacionamento de amor com o Senhor, todo aquele que não quebra as amarras, ainda que finas, que o atam de um modo desordenado às coisas, às pessoas e a si próprio.
Com o bom uso que fizemos dos bens materiais – muitos ou poucos – que Deus pôs nas nossas mãos, ganharemos a vida eterna. A vida é o tempo de ganhar méritos. Se formos generosos e tratarmos os outros como filhos de Deus, seremos felizes aqui na terra e depois na outra vida. A caridade, nas suas diversas formas, é sempre realização do Reino de Deus, bem como a única bagagem que nos sobrará deste mundo que passa.
O nosso desprendimento deve ser efetivo, com resultados bem determinados, que não se conseguem sem sacrifícios; e, também, natural e discreto, como é próprio de cristãos correntes que devem servir-se de bens materiais no seu trabalho ou nas tarefas apostólicos. Trata-se de um desprendimento positivo, porque todas as coisas da terra são ridiculamente pequenas e insuficientes em comparação com o bem imenso e infinito que pretendemos alcançar; e ainda interno, pois diz respeito aos desejos; atual, porque exige que examinemos com frequência onde pomos o coração e tomemos resoluções concretas que assegurem a liberdade interior; e alegre, porque temos os olhos postos em Cristo, bem incomparável, e porque não é uma mera privação, mas riqueza espiritual, domínio das coisas e plenitude.
O desprendimento nasce do amor a Cristo e, ao mesmo tempo, possibilita que esse amor cresça e viva. Deus não habita numa alma cheia de bugigangas. Por isso é necessário um firme trabalho de vigilância e de limpeza interior.
Este tempo da Quaresma é muito oportuno para examinarmos a nossa atitude em face das coisas e em face de nós mesmos: tenho coisas desnecessárias ou supérfluas? Evito tudo o que para mim significa luxo e mero capricho, ainda que não o seja outros? Estou apegado às coisas ou instrumentos que devo utilizar no meu trabalho? Queixo-me quando não disponho do necessário? Levo uma vida sóbria, própria de uma pessoa que quer ser santa? Faço gastos inúteis por precipitação ou falta de previsão? Pratico habitualmente a esmola, generosamente, sem avareza? Contribuo para a manutenção de alguma obra apostólica e para o culto da Igreja com uma ajuda proporcionada aos meus ganhos e despesas?
Que Santa Maria, nossa Mãe, ajude-nos a limpar e ordenar os afetos do nosso coração para que só o seu Filho reine nele. Agora e por toda a eternidade. Coração dulcíssimo de Maria, guardai o nosso coração e preparai-lhe um caminho seguro.

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

terça-feira, 31 de março de 2020

O Bʀᴇᴠɪᴀ́ʀɪᴏ ᴅᴀ Cᴏɴғɪᴀɴᴄ̧ᴀ


O que pode abalar a confiança dos filhos nos pais - Blog ...


Caímos tantas vezes! Senhor, quanta miséria! Por que nos admirarmos de ser a enfermidade enferma, a fraqueza fraca, a miséria miserável? Que somos diante de Deus, que é o Divino Forte, senão fraqueza? Paciência! Nossa miséria é uma doença que não tem cura neste mundo. Nosso Senhor quer a nossa vontade. Ele faz o resto! A santidade não é obra de um dia. Enquanto não tocarmos a nossa miséria com o dedo e não nos convencermos do nada que somos, ainda nos resta muito a caminhar. As quedas têm esta vantagem: ajudam-nos a desprezar-nos, a desconfiar de nossas próprias forças e a só confiar em Deus. Essa é a razão porque caímos tanto.

Estejamos bem convencidos – diz o Padre Caussade (1) – de que nossa miséria é a causa de todas as nossas fraquezas e de que estas, Deus as permite por misericórdia. Sem isso, nunca nos curaríamos de uma presunção e de uma orgulhosa confiança em nós mesmos. Jamais compreenderíamos, como é preciso, que todo mal vem de nós e todo o bem somente de Deus. Só com “um milhão de experiências pessoais” é que se pode adquirir o hábito desse duplo sentimento…

Por que o desânimo quando nos achamos fracos e cobertos de miséria, caindo a cada passo? Que podemos nós? Humilhemo-nos! Paciência! Aspiremos à perfeição, à santidade, com e apesar de nossas misérias. Já temos um milhão de experiências pessoais?

(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 55)

📚 filhosespirituaisdepepio.blogspot.com

FAMÍLIA – LUZES NO LAR


Silhueta de uma família andando de mãos dadas Vetor grátis

Ponto de luz«Às vezes, fala-se do amor como se fosse um impulso para a satisfação própria, ou um simples recurso para completarmos em moldes egoístas a nossa personalidade. E não é assim: o amor verdadeiro é sair de si mesmo, entregar-se. O amor traz consigo a alegria, mas é uma alegria com as raízes em forma de cruz… O amor deve ser renovado dia a dia; e o amor se ganha com o sacrifício, com sorrisos, com arte também» 
(Entrevistas a Mons. Escrivá, nn. 43 e 107).


Um projeto a ser realizado

São Josemaria falava sempre de que os lares cristãos deveriam ser «luminosos e alegres».

Enchem-se de luz os lares em que o casamento e a família são vistos como um «projeto» a ser realizado dia após dia, entre os três (marido, mulher e Deus). Entendem que o matrimônio cristão é – como o sacerdócio – uma «vocação» e uma «missão», que o dia das núpcias é apenas um início, que exigirá um aprendizado, uma retificação, um aprimoramento e uma renovação contínuos[1].

Alguém dizia, com aparente seriedade, que «o matrimônio não existe», e com isso queria significar que é como o projeto de uma construção apenas planejada; só se tornará real quando os esposos, com a oração, com  o aprofundamento na formação cristã, e a experiência, comecem a construí-lo. E deve ser uma construção permanente, diária, uma tarefa que durará a vida interia.

Precisarão os esposos de cuidar dos alicerces, as bases fortes de um ideal familiar cristão; e escolher os melhores materiais: as virtudes humanas e sobrenaturais aplicadas a cada situação, fácil ou difícil: fé, esperança, amor, prudência, fortaleza, generosidade, desprendimento, justiça, etc.

O alicerce insubstituível da família, como de toda a vida cristã, é Cristo, que está sempre pronto para ajudar, mediante graça do Sacramento do Matrimônio. Cada um veja como constrói – dizia são Paulo –. Quanto ao fundamento, ninguém pode colocar outro  diverso do que foi posto: Jesus Cristo (1Cor 3,10-11).

Sobre esse alicerce, os materiais são as virtudes. Uma família, um lar, construído sobre o direito de ser feliz e os meros sentimentos, é uma casa de papel que um fósforo pode reduzir a cinzas.

Ora, entre as muitas virtudes que se devem conjugar para a edificação de uma família bela e sólida, penso que há duas que têm um papel fundamental: a humildade e a generosidade.

A humildade

            Quando se cultiva essa virtude, vai-se adquirindo um «seguro de amor», que previne a falência. O que desgasta a família é quase sempre a falta de humildade: quer se chame soberba, egoísmo, susceptibilidade, teimosia, prepotência… Tudo isso são colorações diversas do orgulho.

A experiência mostra que as duas frases de santos que vou citar a seguir estão carregadas de razão:

  • Santo Agostinho: «Não há caminho mais excelente que o do amor, mas por ele só podem transitar os humildes».
  • São Josemaria: «A soberba é o maior inimigo da vida conjugal».

Sugiro que se examine sobre algumas manifestações de humildade, que anoto a seguir:

  • respeito mútuo dos esposos. Cada ser humano é imagem de Deus, e só por isso merece ser respeitado. São Josemaria recordava que Cristo morreu por todos, e que «cada um vale todo o sangue de Cristo». Quando se perde o respeito entre marido e mulher, torna-se impossível a compreensão e o diálogo. Crescem as humilhações mútuas, a grosseria, o desprezo e a injúria, falhas que são a peste do amor.

Com o egoísmo, o marido tende para a passividade no lar, para a poltrona, o jornal, a tv, e outras formas de esquecimento dos problemas domésticos. A mulher tende a cair no desleixo na apresentação, nas reclamações excessivas e nos maus modos; e os nervos ficam mais prontos para disparar.

Um excelente ato de respeito é saber escutar, sem menosprezar a pessoa que fala. A Imitação de Cristo diz: «Não queiras confiar demais na tua opinião… Sempre ouvi dizer que é mais seguro ouvir e receber conselho do que dá-lo… É sinal de orgulho e teimosia não querer concordar com os outros quando a ocasião e a razão o pedem»[2]. A virtude da prudência – muito ligada à razão e à reflexão – é a que nos indicará quando convém calar e escutar e quando falar.

  • misericórdia, que é a capacidade de compreender e relevar as misérias alheias, assim como Deus compreende e perdoa as nossas. Consiste em saber desculpar, em não revidar na hora, em tratar de esquecer, mudar de conversa, perdoar. Perdoai e sereis perdoados, dizia Jesus (Lc 6,37), e respondendo a uma pergunta de Pedro sobre a frequência do perdão, disse-lhe que é preciso perdoar não só sete vezes, mas setenta vezes sete (Mt 18,22).

Custa perdoar. Sem dúvida. Mas, com Deus, podemos. Peçamos-lhe que Ele, todopoderoso, queime o arquivo maligno que guardamos no coração, contendo a lembrança de todas as mágoas antigas e recentes. Essas mágoas que, quando um esposo ofende o outro, emergem como uma lista interminável de recriminações e acusações mútuas. Como sofre o amor por não termos sabido calar e abandonar as nossas dores nas mãos de Deus!

  • gratidão. É importante agradecer tudo, até os menores serviços e atenções, com simplicidade; sem cair no acostumamento, como se tivéssemos direito a tudo. É um conselho que o Papa Francisco não se cansa de repetir aos casais. Costuma falar de «três palavras-chave» para fazer o casamento durar: “Posso?”, “Obrigado” e “Desculpe”[3]. Pense que um pequeno elogio, uma palavra amável bem escolhida, é como pó de estrela que ilumina o dia.

A generosidade

Amar é dar, sobretudo é dar-se. O egoísta só pensa no que recebe, e então calcula com uma balança interior mesquinha o pouco que dá. O generoso é como Jesus, que não se poupou em nada e deu a vida por nós.

Vamos lembrar agora apenas dois aspectos da generosidade no cotidiano do lar:

  • Ultrapassar-se a si mesmo. Não pensar: «Já faço muito, faço até demais». O coração generoso sempre diz: «Plus ultra» – «Mais além», como os antigos navegantes.

  • Às vezes, esse «além» será algum sacrifício mais custoso, que exige vencer o bem-estar e o comodismo. Mas, na maioria dos casos, será «ir além» em pequenos pormenores: nas coisas pequenas que renovamos, na inventividade no cuidado das coisas mais comuns (como evitar a monotonia nas refeições ou nos assuntos de conversa; como cuidar da limpeza e dos enfeites que alegram o lar; ou como vencer o desleixo no arranjo pessoal). É aí onde se deve concentrar o espírito que refaz tudo, que transforma o mais comum em uma floração cheia de surpresas e de encanto.

  • Para finalizar, pensemos que é da máxima importância o cultivo constante da vida espiritual. Já víamos que Deus deve ser o Mestre de obras na construção do lar. Vou acrescentar agora que Ele deve ser a Vida da vida dos protagonistas do lar. Alimentemo–nos do Pão de Deus na Santíssima Eucaristia, da sua Palavra na oração; das outras práticas de piedade próprias do homem e da mulher de fé; e peçamos uma maior participação nos frutos do Espírito Santo, que enumera são Paulo: amor, alegria, paz, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio (Gl 5,22-23).
[1] Cf. nosso livro A paz na família, 2ª edição, Quadrante 1999
[2] Livro I, capítulo 9
[3] Ver a Exortação apostólica Amoris laetitia-A alegria do amor, de 19 de março de 2016, n. 133

quarta-feira, 25 de março de 2020

Origem e sentido da Bênção de Santo Antônio


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Nossos termos “abençoar” e “bendizer”, dos quais deriva o substantivo “bênção”, originam-se do Latim “benedicere”. Este verbo composto é formado dos radicais bene e dicere, que significam “dizer bem”.

A palavra bênção, com os verbos “abençoar”, “benzer”e “bendizer”, expressa, em sua própria essência, uma atitude religiosa, uma relação entre o homem e o sobrenatural. Mostram um vínculo de reciprocidade entre o humano e o divino. É a divindade que concede os seus dons e dádivas (suas bênçãos) e o homem que pede as bênçãos e bendiz e agradece ao recebê-las.

Por isso, vale dizer que o sentido mais amplo de bênção é “invocar a divindade, a sua proteção sobre as pessoas e sobre as realidades humanas”. E, ao receber essa proteção e seus benefícios o homem bendiz e louva.

Vale também lembrar, aqui, o fato de que a procura de bênçãos, ultimamente, foi de novo revalorizada. Inclusive, em manifestações supersticiosas e deturpadas. Mas, seja como for, o importante que se pode notar, é que o sentido da bênção foi redescoberto, tanto pelo povo como pela própria Igreja.

Origem da Bênção de Santo Antônio
Existem muito poucas pesquisas sobre a origem desta bênção. E nenhuma pesquisa séria mais recente. Até hoje, a mais citada é a dos Bolandistas. E mesmo esta é baseada numa lenda. Eles a contam assim:

“Havia em Portugal, no reinado do rei Diniz, uma pessoa atormentada por vexações diabólicas. O inimigo da nossa salvação aparecia-lhe sempre sob a forma de Jesus Cristo e ordenava-lhe que se atirasse ao Rio Tejo, para obter a remissão dos seus pecados e a recompensa celestial. A infeliz, enganada pelas mentiras de Satanás, decidiu um dia afogar-se. No caminho, encontrou uma capela franciscana e ali entrou. Ajoelhou-se diante do altar de Santo Antônio de Pádua, suplicou ao Santo para ajudá-la a salvar a alma. Depois, amedrontada com a perspectiva do gênero de morte que lhe estava reservado e bastante fatigada, adormeceu.

Durante o sono, Santo Antônio lhe apareceu, afastou-a do funesto projeto e deu-lhe um pergaminho, dizendo-lhe para o trazer sempre consigo. Ao acordar, achou suspensa no pescoço a folha preciosa, onde se liam algumas linhas, chamadas depois “Breve ou Carta de Santo António”. Imediatamente se fez sentir a eficácia do remédio celeste: a obsessão de Satanás desapareceu imediatamente.

O rei de Portugal, tendo tomado conhecimento do milagre, quis ver o maravilhoso escrito e mandou buscá-lo. Desde que se viu privada do seu tesouro, a pessoa recaiu no poder do demônio. Levaram-lhe uma cópia exata do Breve milagroso. Recebeu-a com confiança, trazendo-a dia e noite consigo. No mesmo instante, recobrou a paz e ficou livre de tais tentações. O rei conservou o original entre as relíquias da coroa.

O Breve ou Bênção de Santo Antônio

O “Breve”, tradicionalmente, vem impresso numa cruz. De um lado está o texto da bênção e, do outro lado, uma figura de Santo Antônio.

O texto da bênção é este: “Ecce crucem Domini; fugite, partes adversae! Vixit Leo de tribu Juda. Radix David. Alleluia! Alleluia!

Geralmente, a tradução vem, mais ou menos, nestes termos: “Eis aqui a cruz do Senhor; fugi, potências Inimigas! Venceu o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi. Aleluia! Aleluia!”

Esta bênção é dada, em muitas igrejas de Santo Antônio, às terças-feiras. Os fiéis, devotos do Santo, têm muita fé na eficácia desta bênção. Procuram recebê-la todas as terças-feiras!

A raiz bíblica desta bênção

A Bênção de Santo Antônio (ou “Breve-) é tirada, em sua parte central, do Livro do Apocalipse (Ap 5.5). Isso já lhe dá logo um valor especial. Mesmo que a sua origem esteja envolvida em elementos lendários, ela tem, no entanto, um valor garantido por suas raizes bíblicas.

O texto do Livro do Apocalipse refere-se à vitória do Cordeiro sobre Satanás e a força do mundo. Essa raiz bíblico-cristológica lhe dá o sentido bem característico de uma bênção do Novo Testamento. E assim lhe assegura a garantia de uma bênção legítima e um valor inquestionável.

Se isso não bastasse para legitimá-la, pode-se ainda invocar a sua longa tradição de uso constante em muitas igrejas. Esse fato também lhe dá um direito de legitimidade adquirida.

Como entender hoje esta bênção

A Igreja sempre estimulou o uso das bênçãos autênticas e legítimas. Elas, em última análise, são uma forma de “exorcismo” positivo, como remédio contra o mal. Vale aqui lembrar que a melhor forma de combater o mal não é ir contra ele, diretamente, mas cultivar o bem. Onde o bem entra, e se toma uma realidade, o mal é, “ipso facto”, eliminado.

Outro fato, que convém aqui lembrar, é que o povo simples dá muito valor às bênçãos. E se não encontra as bênçãos boas na Igreja Católica, vai procurá-las em outros lugares, onde encontrará as fórmulas supersticiosas e deturpadas. E pode até ser levado a seguir falsas religiões manipuladas por exploradores, com suas “tendas de bênçãos e milagres”.

Portanto, usar e popularizar a boa bênção pode ser até uma ocasião para se fazer evangelização. São pequenas oportunidades, mas preciosas, para se conscientizar o Povo de Deus sobre valores genuinamente cristãos. E, por meio das bênçãos, pode-se conduzir este mesmo povo a amar “o Pai das luzes, de quem nos vem toda dádiva boa e todo dom perfeito” (Tg 1,17).

A Bênção de Santo Antônio, além de ter um longo valor histórico, é uma bênção de raízes bíblicas. Tem, portanto, os seus direitos de legitimidade. E, se Santo Antônio é “o Santo mais querido do povo brasileiro”, a sua bênção tem uma significação muito grande para este povo tão sofrido!

Mas vale a pena lembrar que, por meio dela, há um grande caminho aberto para uma evangelização desses devotos. Pode-se aproveitá-la para invocar os dons e dádivas boas do Pai das Luzes e levar esses devotos a imitar as virtudes do “Grande Santo Antônio”, que é o “Doutor Evangélico”. E, assim, pode-se criar nos fiéis também o mesmo amor ao Evangelho de Jesus Cristo, que Santo Antônio viveu tão profundamente e anunciou com tanta eloquência aos seus ouvintes.

Esta bênção é uma grande porta aberta para a descoberta e a vivência de muitos e grandes valores da fé cristã! Vale a pena aproveitá-la bem!

http://conventosantoantonio.org.br/origem-e-sentido-da-bencao-de-santo-antonio.html

Pequena oração de exorcismo ensinada por Santo Antônio

Para rezar a qualquer momento do dia e afastar as tentações

A tradição popular diz que Santo Antônio deu uma oração a uma pobre mulher que procurava ajuda contra as tentações do demônio.
Sisto V, Papa franciscano, mandou esculpir a oração – chamada também de “lema de Santo Antônio” – na base do obelisco que mandou erigir na Praça de S. Pedro, em Roma.
Eis o original, em latim:
Ecce Crucem Domini! +
Fugite partes adversae! +
Vicit Leo de tribu Juda, +
Radix David! Alleluia!

Eis a tradução:
Eis a cruz do Senhor! +
Fugi forças inimigas! +
Venceu o Leão de Judá, +
A raiz de David! Aleluia !

Esta breve oração tem todo o sabor de um pequeno exorcismo. Também nós podemos usá-la – em latim ou português – para nos ajudar a superar as tentações que se nos apresentam.

https://pt.aleteia.org/2016/02/03/pequena-oracao-de-exorcismo-ensinada-por-santo-antonio/

domingo, 22 de março de 2020

MANUAL DA COMUNHÃO ESPIRITUAL

Estampa antigua de Jesus andachtsbild santino holy card santini

O que é a Comunhão Espiritual?
A comunhão espiritual é um ato de desejo
interior, de plena e séria consciência, de
receber a Sagrada Comunhão e, mais
especificamente, de se unir a Deus.
Ela pode ser feita por palavras ou por
pensamentos interiores que nos levam a uma
íntima união com Cristo, e Jesus não deixará
de nos conceder as suas copiosas bênçãos.
Nos dias de hoje, podemos fazer com
frequência a comunhão espiritual, como
desejo de maior união e intimidade com
Deus ao longo dos dias da nossa vida.
Ela é e pode ser o único meio de união e
intimidade com Deus para quem, por
exemplo, não guardou uma hora de jejum
eucarístico.

Sobre a Comunhão Espiritual explicada por
São Leonardo Porto Maurício
QUANTO À MANEIRA de fazer a Comunhão
espiritual é preciso saber que se pode receber
o Santíssimo Sacramento de três modos:
Sacramentalmente, espiritualmente,
ou sacramentalmente e espiritualmente
ao mesmo tempo.
Não se fala aqui do primeiro modo, que se
verifica também nos que comungam em
estado de pecado mortal, como fez Judas;
Nem do terceiro, comum a todos os que
comungam em estado de graça; mas trata-se
aqui e do segundo, adequado àqueles que,
tomando as palavras do santo Concílio,
impossibilitados de receber sacramentalmente
o Corpo de Nosso Senhor;
“O recebem em espírito, fazendo atos de fé
viva e ardente caridade, e com um grande
desejo de se unirem ao soberano Bem, e, por
meio disto, se põem em estado de obter os
frutos do Divino Sacramento”.

Para facilitar-vos prática tão excelente, pesai
bem o que vou dizer-vos. No momento em
que o sacerdote se dispõe a comungar, na
Santa Missa, recolhei-vos no vosso íntimo,
tomando a mais modesta posição;
Formulai em seguida, em vosso coração, um
ato de sincera contrição e, batendo
humildemente no peito, em sinal de que vos
reconheceis indignos de tão grande graça,
fazei todos os atos de amor, oferecimento,
humildade e os demais que costumais fazer
quando comungais sacramentalmente:
Desejai, então, vivamente receber o
adorável JESUS, oculto por vosso amor,
no Santíssimo Sacramento.
Para excitar em vós o fervor, imaginai que a
Santíssima Virgem ou um de vossos santos
padroeiros vos dá a santa comunhão:
Suponde recebê-la realmente e, estreitando
JESUS em vosso coração, repeti-Lhe muitas
e muitas vezes com ardente amor:

“Vinde, JESUS adorável, vinde ao meu
pobre coração; vinde saciar meu desejo;
vinde meu adorado JESUS, vinde ó
dulcíssimo JESUS!”
E depois ficai em silêncio, contemplando
vosso DEUS dentro de vós, e, como se
tivésseis todos os atos que habitualmente
fazeis depois da Comunhão sacramental.
Ora, sabei que esta santa e bendita Comunhão
espiritual, tão pouco praticada pelos cristãos de
nossos dias, é um tesouro que cumula a alma
de bens incalculáveis;
E, no sentir de muitos autores, é de tal modo
eficaz que pode produzir as mesmas graças
que a comunhão sacramental.
Com efeito, se vê que a Comunhão sacramental,
na qual se recebe a santa Hóstia, seja por sua
natureza de maior proveito, porque como
Sacramento age ex operare operato;
É possível, no entanto, que uma alma faça a
Comunhão espiritual com tanta humildade, 

amor e fervor, que obtenha mais graças que
não obteria outra, comungando
sacramentalmente, mas com disposição
menos perfeita.
Nosso Senhor, outrossim, ama tanto este
modo de fazer a Comunhão espiritual,
que muitas vezes se dignou atender com
milagres visíveis os piedosos desejos de
seus servos, dando-lhes a Comunhão ou
por sua própria Mão;
Como fez à bem-aventurada Clara de
Montefalco, a Santa Catarina de Sena, e a
Santa Lidvina; ou pela mão dos santos anjos,
como aconteceu a São Boaventura e aos
santos bispos Honorato e Firmino;
Ou ainda, mais frequentemente, por meio da
augusta Mãe de DEUS, que se dignou dar a
Comunhão ao bem aventurado Silvestre.
Não vos admireis desta condescendência tão
terna, pois a Comunhão espiritual abrasa
a alma no Amor a DEUS, une-a Ele, e
dispõe-na a receber as graças mais insignes

Se refletísseis, portanto, nestas coisas, seria
possível permanecerdes frios e insensíveis?
Que desculpa poderíeis invocar para isentar-vos
de tão devota prática? Tomai a resolução de vos
habituardes a ela;
E notai que a Comunhão espiritual tem sobre a
sacramental esta vantagem, que esta só se
pode fazer uma vez ao dia, enquanto aquela
podeis fazê-la em todas as Missas que
quiserdes, e ainda, de manhã, à tarde, o dia
todo ou de noite, em casa como na igreja,
sem necessitar permissão de vosso confessor.
Em resumo, quantas vezes fizerdes a
Comunhão espiritual, outras tantas vos
enriquecereis de graças, de méritos e de
toda sorte de bens.
Ora, o fim deste pequeno livro é despertar no
coração de todos os que o lerem um santo
ardor para que se introduza entre os fiéis o
costume de assistir todo dia piedosamente à
Santa Missa e de fazer ai a Comunhão
espiritual.

Oh! Que felicidade, se fosse obtido este
resultado! Teria, então, a esperança de ver
refletir em toda a Terra este santo fervor que
se admirava na Idade de ouro da primitiva
Igreja.
Nesse tempo os fiéis assistiam diariamente ao
Santo Sacrifício, e diariamente recebiam a
Comunhão sacramental.
Se dignos não sois de imitá-los, ao menos
assisti a todas as Santas Missas que
puderdes e comungai espiritualmente.
Se eu tivesse a dita de persuadir-vos, creria
ter ganho o Mundo inteiro, e daria por bem
recompensados os meus débeis esforços.



Excelência da Comunhão Espiritual

Pela noção que acabamos de dar, já se pode
vislumbrar a grande excelência da Comunhão
Espiritual.
Foi recomendada vivamente pelo Concílio de
Trento (D 881), e tem sido praticada por todos
os santos, com grande proveito espiritual.
Sem dúvida, constitui uma fonte ubérrima de
graças para quem a pratique fervorosa e
frequentemente. Mais ainda:
Pode ocorrer que com uma Comunhão
Espiritual muito fervorosa receba-se
maior quantidade de graças do que com
uma Comunhão Sacramental recebida
com pouca devoção.
Com a vantagem de que a Comunhão
Sacramental não pode receber-se mais do
que uma só vez por dia, e a Espiritual pode
repetir-se muitas vezes. 

Modo de fazê-la
Não se prescreve nenhuma fórmula
determinada, nem é preciso recitar nenhuma
oração vocal. Basta um ato interior pelo qual
se deseje receber a Eucaristia.
É conveniente, sem embargo, que abarque três
atos distintos, ainda que seja brevissimamente:
a) Um ato de Fé, pelo qual renovamos nossa
firme convicção da presença real de Cristo
na Eucaristia.
É excelente preparação para comungar
espiritual ou sacramentalmente;
b) Um ato de desejo de receber
sacramentalmente a Cristo e de unir-se
intimamente com Ele. Neste desejo consiste
formalmente a Comunhão Espiritual;
c) Uma petição fervorosa, pedindo ao Senhor
que nos conceda espiritualmente os mesmos
frutos e graças que nos outorgaria a Eucaristia
realmente recebida.

Oração para a Comunhão
Espiritual
Ó Santíssima Mãe de Deus, no
momento em que me preparo
para a Comunhão Espiritual,
imploro vosso auxílio.
Tenho em mente, de modo especial,
o período santo e glorioso em que
Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo
em vosso claustro virginal,
estava conVosco, noite e dia.
E Vos peço que, pelos méritos de tal
fase de vossa vida, me obtenhais um
desejo ardente de receber, em meu
pobre coração, o Santíssimo
Sacramento.
Também tenho em mente, ó Mãe
Santíssima, a vossa Primeira Comunhão, 
quando da instituição da
Santíssima Eucaristia no Cenáculo.
Com que atos inefáveis de Adoração,
de Ação de Graças, de Reparação e
de Petição recebestes então em
vosso peito o Santíssimo
Sacramento!
E pondero com enlevo que,
segundo é licito crer, daí por diante
a Presença Eucarística se conservou
em Vós ininterruptamente até o
último instante de vossa vida
terrena!
Quantos atos de piedade
perfeitíssimos fizestes então
a vosso Divino Filho, ó Mãe!
Creio com toda a alma na presença
real de Nosso Senhor Jesus Cristo
na Santíssima Eucaristia.

E me recordo, neste momento,
das numerosas comunhões que
tive a honra e o gáudio espiritual
de receber ao longo de minha vida.
Recordo-as com amor, gratidão
e saudade, pois, para atender
aos meus deveres de estado,
estou privado dessa graça
inefável, nas circunstâncias em
que ora me encontro.
A ideia de que, neste instante, eu
poderia estar recebendo Nosso
Senhor Jesus Cristo realmente
presente na Sagrada Eucaristia,
me transporta de amor.
Não podendo comungar
sacramentalmente neste momento,
apresento-me entretanto a Ele, na
qualidade de escravo de amor.

Faço-o por vosso intermédio, ó
Santíssima Mãe de Deus e minha;
e peço que me obtenhais um
ardente desejo de receber a
Comunhão Sacramental agora
mesmo, se tal fosse possível.
E assim espero que esta comunhão
espiritual seja bem acolhida pelo
meu Divino Salvador.
Pelos rogos de Maria, os quais
jamais deixais de atender, eu Vos
peço, ó Senhor, que me obtenhais
todas as graças necessárias para a
minha pronta santificação. Amém.
Nossa Senhora do Santíssimo
Sacramento, rogai por nós.

Recomendações
1) A Comunhão Espiritual, como já dissemos,
pode repetir-se muitas vezes por dia. Pode
fazer-se na igreja ou fora dela, a qualquer
hora do dia ou da noite, antes ou depois
das refeições.
2) Todos os que não comungam
sacramentalmente deveriam fazê-lo ao menos
espiritualmente, ao ouvir a Santa Missa. O
momento mais oportuno é, naturalmente,
aquele em que comunga o sacerdote.
3) Os que estão em pecado mortal devem fazer
um ato prévio de contrição, se querem receber
o fruto da Comunhão Espiritual. Do contrário,
para nada lhes aproveitaria, e seria até uma
irreverência, se bem que não um sacrilégio.

Agora que sabe o bem que é fazer a comunhão
Espiritual, não deixe de participar da Santa Missa.

Fontes:
- MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa,
conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa
Clemente XII, pp. 51-54.
- O Poder da oração.