quarta-feira, 3 de junho de 2020

A crucial (e libertadora) diferença entre “solidão” e “solitude”

CATHOPIC

Sim, existe o termo “solitude” em português – e ele não significa o mesmo que “solidão”

Apalavra “solidão” não é novidade para ninguém, mas, em português, também existe o termo “solitude”, embora seja bem menos usual em nossa linguagem cotidiana. E o mais interessante: solidão e solitude parecem sinônimos, mas, na verdade, não significam a mesma coisa.

Vamos fazer a distinção entre eles a partir das reflexões do teólogo Paul Tillich sobre a diferença entre os dois conceitos que essas palavras tentam expressar.

A palavra “solidão” tem uma carga geralmente negativa, melancólica, triste: costuma referir-se à sensação dolorosa, sofrida, de estarmos sozinhos.

Já a palavra “solitude” não tem essa carga triste: ela simplesmente expressa o fato de estarmos a sós.

E não há nada de negativo nos sadios momentos vividos a sós. Pelo contrário: a solitude chega a ser um remédio para a solidão, porque é libertador saber estar a sós consigo mesmo, desfrutar serenamente da própria companhia, não sentir uma dependência exagerada da presença dos outros.

É desejável o sadio equilíbrio entre a solitude e a boa companhia. Certamente faz bem desfrutar de amizade, amor, proximidade, reciprocidade, mas também faz bem desfrutar de momentos de privacidade com a própria alma, o próprio silêncio. São momentos em que podemos ouvir melhor a voz do nosso eu, intrinsecamente aberto a procurar a Voz de Deus.


https://pt.aleteia.org/2020/03/03/a-crucial-e-libertadora-diferenca-entre-solidao-e-solitude/

Os 4 elementos do deserto como símbolo espiritual

MEDYTACJA


Silêncio, renúncia, essencialidade e solitude (que não é o mesmo que solidão)

Autores de espiritualidade em todas as épocas da história do cristianismo abordaram o simbolismo espiritual do deserto, tanto para recordar que a dimensão material está sempre sujeita à escassez quanto para recordar, também, que mesmo a abundância material pode ser desértica espiritualmente.

Em artigo publicado em março deste ano pelo site da agência católica portuguesa Ecclesia, o professor universitário Miguel Oliveira Panão também apresentou suas reflexões sobre este clássico simbolismo:

4 características simbólicas do deserto

1 – Silêncio

Não há no deserto os ruídos do mundo, comenta o professor: “apenas o som do vento e do nosso respirar”. O ambiente externo de silêncio evoca também o silêncio interno, capaz de nos esvaziar dos tantos afãs do dia-a-dia e, portanto, de nos ajudar a acolher melhor a Palavra, o Verbo – que, aliás, tem rosto e tem nome.

2 – Renúncia

Entre os muitos apegos modernos não há somente os materiais, mas também os mentais: apegos a gratificações instantâneas que servem de validação para a própria existência e sem as quais os momentos de tédio se tornam um verdadeiro tormento. Renunciar é desapegar-se das validações dos outros e um convite a encontrar essa validação numa saudável ecologia do coração, como diria o Papa Francisco. A ecologia do coração procura a boa prática das palavras bondosas e edificantes: palavras de gratidão, por exemplo.

3 – Essencialidade

O essencial se conecta com o próprio desenvolvimento da capacidade de renúncia, pois, ao renunciar ao supérfluo, compreendemos mais claramente o que é de fato é essencial em nossa vida. Quais são os valores que orientam as nossas escolhas?

4 – Solitude

Não, não é o mesmo que solidão. O teólogo Paul Tillich dizia que a linguagem criou a palavra solidão para expressar a dor de estarmos sós, enquanto a palavra solitude foi criada para expressar a glória de estarmos a sós. Parecem sinônimos, mas não são: a solitude é, de certo modo, um antídoto para a solidão, pois quem sabe se encontrar com os seus pensamentos também saberá encontrar-se melhor com os pensamentos dos outros.

https://pt.aleteia.org/2020/06/02/os-4-elementos-do-deserto-como-simbolo-espiritual/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt