domingo, 14 de junho de 2020
sábado, 13 de junho de 2020
A língua incorrupta e outras relíquias de Santo António em Pádua
A língua preservada do apodrecimento e parte do queixo de Santo António estão em relicário para ser exibidas na Capela do Tesouro na Basílica de Pádua. © D.R. |
uando o caixão foi aberto viram algo de estranho na caveira: uma porção de carne com aspeto vermelho e fresco. Era a língua do santo, que foi encontrada perfeitamente preservada. Nesse momento, o chefe geral dos franciscanos, Bonaventure de Bagnoregio, que viria a ser também santificado, expressou a sua alegria e surpresa com palavras que foram incorporadas na oração da festa de 15 de fevereiro (a festa da língua): "Oh língua bendita, sempre louvaste o Senhor e levaste outros a adorá-lo! Agora vemos claramente quão grande foi o teu valor perante Deus"."
Frisando que "a língua é uma das partes mais frágeis do corpo", e que "é das primeiras a decompor-se", este franciscano, que dirigiu a Basílica de 2005 até à sua morte, em 2016, interpreta aquilo que crê um milagre
A língua roubada e o pão do santo
Este artigo foi originalmente publicado na edição do DN de 11 de junho de 2019
https://www.dn.pt/1864/a-lingua-incorrupta-e-outras-reliquias-de-santo-antonio-em-padua-10982514.html
Como confiar suas dores e tristezas ao Sagrado Coração de Jesus
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Precisamos abrir nosso coração para Deus, contar tudo a Ele, até os segredos que não queremos que mais ninguém conheça. É o primeiro passo para a cura
Porém, muitas vezes é difícil confiar a Deus nossa dor e nossa tristeza. Nós tendemos a manter nossa dor profunda dentro de nós e, raramente, a externamos a alguém. Até mesmo nosso cônjuge ou membros da nossa família não conhecem todas as nossas dores.
No entanto, se quisermos experimentar a paz novamente em nossas vidas, precisamos confiar essa dor a Deus.
No livro do século XIX, Meditations on the Sacred Heart of Jesus Christ (“Meditações sobre o Sagrado Coração de Jesus Cristo”), o autor lembra que o mesmo amor que motivou Jesus a curar os doentes ainda está presente em seu Sagrado Coração:
“Quais foram seus sentimentos durante sua vida mortal, quando curou os enfermos, e para esse fim os procurou; quando restituiu a vista aos cegos, ressuscitou os mortos e conferiu seus inúmeros favores milagrosos? Todos esses sentimentos de piedade, ternura e misericórdia, estão no mesmo estado nesse momento, que é um compêndio de todas as suas maravilhas…Toda essa caridade e amor infinito continuam sendo renovados todos os dias no trabalho de nossa redenção.”
Muitas vezes esquecemos que Jesus nos ama e quer estar conosco! Infelizmente, não deixamos esse amor entrar em nossas vidas. Mas temos que confiar a Deus tudo o que está em nossa alma, como recomenda o livro:
“Você praticamente deve fazer deste coração divino o seu único refúgio em todas as necessidades do seu coração. Você não fez isso até agora, pois esse coração amoroso foi o último ao qual você recorreu.”
Acima de tudo, precisamos abrir nosso coração para Deus, contar tudo a Ele, até os segredos que não queremos que mais ninguém conheça. É o primeiro passo no caminho da cura:
“Abra todo o seu coração ao Coração de Jesus, relacione-o com suas dores, suas feridas, seus desejos. Ele não sabe como resistir a um coração que está aberto, confiante e ansioso.”
Comece a fazer isso hoje, reservando um tempo para uma oração em que você possa simplesmente falar com Deus. Fale em voz alta ou escreva seus pensamentos em um pedaço de papel. Deixe tudo fluir do seu coração para o Coração de Jesus.
https://pt.aleteia.org/2020/06/12/como-confiar-sua-dor-e-tristeza-ao-sagrado-coracao-de-jesus/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt
A língua incorrupta de Santo Antônio de Pádua
Embora tenha nascido na cidade de Lisboa, em Portugal, Santo Antônio é normalmente referido com o nome do local em que morreu, a cidade de Pádua (Padova), na região nordeste da Itália. A sua morte se deu a 13 de junho de 1231, quando o santo contava com apenas 36 anos de idade.
A língua do santo que tinha proclamado com tanta eloquência a Palavra de Deus foi encontrada perfeitamente intacta.
Foi tão grande o luto que se mostrou por ocasião de seu falecimento, e tantos os milagres realizados, que o processo eclesiástico para verificar a sua santidade não chegou a durar sequer um ano: Santo Antônio de Pádua foi canonizado em 1232, por Gregório IX, o mesmo papa que o vira pregar e que lhe tinha dado o epíteto de "Arca do Testamento", pelo conhecimento notável que exibia das Sagradas Escrituras. "Se permitíssemos privar da devoção humana por mais tempo aquele que foi glorificado pelo Senhor, pareceria que de algum modo lhe tirávamos a honra e a glória que lhe eram devidas" [1], disse na ocasião o sucessor de São Pedro.
Nesse mesmo ano, os confrades do santo, ajudados pelos moradores de Pádua, começaram a erigir uma basílica em sua honra. Em 1263, seu corpo foi transferido para o lugar, na presença de São Boaventura, então superior dos franciscanos. Quando o sarcófago foi aberto, a língua do santo que tinha proclamado com tanta eloquência a Palavra de Deus foi encontrada perfeitamente intacta:
"Nessa altura, uma personalidade tão venerável como o senhor Boaventura [...] com todo o respeito pegou na língua do Santo em suas mãos, e comovido até às lágrimas, na presença de todos os circunstantes, dirigiu-se a essa relíquia com toda a devoção nestes termos: 'Ó língua bendita, que sempre glorificaste o Senhor e levaste os outros a glorificá-lo, agora nos é permitido avaliar como foram grandes os teus méritos perante Deus!' E beijando-a com ternura e piedade, determinou que fosse conservada à parte, com todas as honras, como era justo e conveniente." [2]

A língua do grande pregador foi então colocada em um relicário dourado, de onde até os dias de hoje recebe a veneração de inúmeros devotos e peregrinos.
Saiba o que a Igreja ensina a respeito da veneração de relíquias, assistindo a este episódio do programa "A Resposta Católica":
O corpo de Santo Antônio foi exumado ainda duas outras vezes: em 1350, quando o seu queixo e vários de seus ossos foram colocados em relicários próprios; e há poucos anos, em 1981, por ordem do Papa São João Paulo II, quando se descobriram incorruptas também as suas cordas vocais.
Mesmo reunindo em um só lugar uma multidão de 30 mil pessoas, "nem sequer se ouvia um sinal de clamor ou murmúrio" enquanto Santo Antônio falava.
A incorrupção dessas duas partes de seu corpo não deixa dúvidas sobre qual era a maior virtude de Santo Antônio: a dapregação. "Esta virtude era nele tão resplandecente que não havia olhos que não a vissem" [3], diz um de seus biógrafos. Tantas almas levaram a Deus aquela língua e aquelas cordas vocais que, certa Quaresma, que ele tinha decidido dedicar "à pregação quotidiana e ao confessionário" [4], "quando refazia com o benefício do sono os seus membros fatigados, atreveu-se o diabo a apertar com violência a garganta do homem de Deus e, depois de a apertar, tentou sufocá-lo" - uma clara amostra do perigo que o demônio vislumbrava no uso de sua voz. Antônio, por sua vez, "depois de invocar o nome da gloriosa Virgem, imprimiu na fronte o sinal da santa cruz e, afugentado o inimigo do gênero humano, imediatamente experimentou alívio" [5].
Para medir a qualidade da pregação de Santo Antônio, leve-se em conta o fato de que, às vezes, mesmo reunindo em um só lugar uma multidão de 30 mil pessoas, "nem sequer se ouvia um sinal de clamor ou murmúrio" enquanto ele falava. "Pelo contrário, num silêncio prolongado, como se fora um só homem, todos escutavam o orador com os ouvidos da mente e do corpo atentos" [6].
Mais importante do que isso, as palavras do frade realizavam na vida das pessoas o maior de todos os milagres, que é a conversão de coração. Depois que escutavam a sua pregação, eram tantos os homens e mulheres que corriam para o confessionário, que faltavam sacerdotes para atender tanta gente. Um frade franciscano anônimo, comentando os efeitos da pregação de Santo Antônio, diz o seguinte:
"Segundo a promessa de Cristo, os santos quase sempre dão dele testemunho duma forma muito mais sutil do que com a realização de prodígios visíveis. Por exemplo quando anunciam com convicção a Palavra de Deus, ou com a perfeição da própria vida mostram como se deve proceder, ou ainda quando, sem deixarem de atender as súplicas que lhes são dirigidas, realizam autênticos milagres noutra esfera mais elevada. Ao procederem assim, estão como a dar vista a cegos espirituais, permitindo-lhes descobrir a verdade; ou a desobstruir ouvidos de surdos, entupidos pela obstinação, possibilitando-lhes ouvir e obedecer aos mandamentos divinos. Da mesma forma estão a erguer às alturas das virtudes tantos trôpegos pela fatuidade de critérios e de ações; ou então a desembaraçar para uma salutar confissão certas bocas anteriormente caladas; ou a limpar leprosos da podridão contagiosa de algum mau hábito; ou a restituir tranquilidade e sossego a pessoas atormentadas pela crueldade diabólica; ou, enfim, a ressuscitar para uma vida espiritual presente e futura alguns a quem o veneno do pecado matara e fizera entrar em fétida putrefação.Tudo isto são autênticos milagres, embora os descrentes e os materialistas não considerem tais eventos dignos de admiração em confronto com prodígios materiais. No entanto, se bem que para realizar quaisquer prodígios, tanto de ordem espiritual como material, tenha de intervir a mesma onipotência divina, aos olhos do Juiz misericordioso é muito mais importante converter um ímpio do seu pecado do que restituir-lhe a vida corporal." [7]
É isto o que se pode dizer, em resumo, da língua de Santo Antônio de Pádua: que operou milagres muito maiores que todos os outros que ele fez, seja em vida, seja depois de sua morte. Antônio, por certo, não pode ser tido como um santo "discreto": foi ele um verdadeiro taumaturgo, a ponto de haver nos livros relacionados à sua vida uma obra dedicada tão somente à narração de seus milagres. Mesmo assim, foram a sua língua e as suas cordas vocais, entre todos os membros de seu corpo, que experimentaram a incorrupção.
Com isso, Deus quer nos mostrar que, muito mais do que multiplicar pães, curar enfermos e ressuscitar defuntos, a grande obra dos santos, como Santo Antônio, é espiritual: levar as pessoas à conversão e à mudança de vida.
Fica para todos os devotos de Santo Antônio, portanto, esta importante lição deixada pelo próprio Cristo: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo" ( Mt 6, 33). Em nossas orações a este grande santo e doutor da Igreja, peçamos o que verdadeiramente nos convém, entregando a Deus a decisão última de tudo. Ele sabe o que é melhor para nós, não é virando uma imagem de cabeça para baixo que vamos mudar a Sua vontade para a nossa vida.
Para falar a verdade, a oração não foi feita para mudar a vontade de Deus, mas a nossa. O que precisa ser virada de ponta-cabeça não é a imagem de Santo Antônio, mas a nossa vida.
Referências
- Papa Gregório IX. Bula da canonização Cum dicat Dominus, de 11 de junho de 1232 (trad. de Frei Henrique Pinto Rema, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 25.
- João Peckham. Legenda de Santo António intitulada Benignitas. Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 42.
- Frei Juliano de Espira. Vida de Santo António Confessor ou Vida Segunda (trad. de Frei José Afonso Lopes, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 128.
- Ibid., p. 131.
- Vida primeira de Santo António, também denominada Legenda Assidua, por um frade anónimo da ordem dos menores (trad. de Frei Manuel Luís Marques, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 46.
- Ibid., p. 47.
- Diálogo sobre as gestas de Santo António, por um Frade Menor anónimo (trad. de Frei José Maria da Fonseca Guimarães, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, pp. 190-191
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