segunda-feira, 15 de junho de 2020

O que está fechando a porta da nossa fé?

open door


Nestes dias, fechados em casa por causa da pandemia, pensamos que Deus está distante, ausente. Mas não, Ele está no meio de nós

No segundo Domingo da Páscoa meditamos o evangelho de São João (20, 19-31). O autor, que também era discípulo, narra que eles se encontravam com as portas fechadas, por medo dos judeus. 

Foi neste cenário que Jesus se mostrou ao grupo. Trouxe consigo a paz que alegrou o coração de todos. E ainda enviou os discípulos em missão, dizendo:

“Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (v. 22-23).

Essa aparição de Jesus é como uma injeção de ânimo naquele grupo que certamente ainda não havia compreendido todos os acontecimentos dis últimos dias. 

Tomé, um dos apóstolos, não estava junto. Não acreditou naquilo que os companheiros relataram. E foi enfático:

“Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!” (v. 25).

A atitude de Tomé nos mostra que acreditar não é uma coisa simples. Afinal de contas, ele viu o que fizeram com Jesus e como acreditar que ele estava vivo?
Muitas vezes nós agimos assim, pedimos uma prova, um sinal para que possamos crer.

Para Tomé a resposta de Jesus veio numa situação bem semelhante. Os discípulos estavam novamente reunidos, a portas fechadas. E, pondo-se no meio deles, disse para que Tomé comprovadas que Ele estava vivo.

Pode ser que nestes dias, fechados em casa por causa da pandemia, pensamos que Deus está distante, ausente. Mas não, Ele está no meio de nós. Ele quer nos dar a sua paz. Para isso quer que acreditemos. Não fiquemos fechados em nosso medo, em nossas incertezas, em nossas inseguranças. 

Renovemos a nossa fé. Assim como Jesus falou a Tomé, Ele nos fala agora:

“Felizes os que crêem sem ter visto!” (v. 29).


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sábado, 13 de junho de 2020

A vida de Santo Antônio - filme dublado completo

Um mês com o Sagrado coração de Jesus | 13º Dia com Padre Mario Sartori

A língua incorrupta e outras relíquias de Santo António em Pádua

A língua preservada do apodrecimento e parte do queixo de Santo António estão em relicário para ser exibidas

A língua preservada do apodrecimento e parte do queixo de Santo António estão em relicário para ser exibidas na Capela do Tesouro na Basílica de Pádua.

© D.R.



uando o caixão foi aberto viram algo de estranho na caveira: uma porção de carne com aspeto vermelho e fresco. Era a língua do santo, que foi encontrada perfeitamente preservada. Nesse momento, o chefe geral dos franciscanos, Bonaventure de Bagnoregio, que viria a ser também santificado, expressou a sua alegria e surpresa com palavras que foram incorporadas na oração da festa de 15 de fevereiro (a festa da língua): "Oh língua bendita, sempre louvaste o Senhor e levaste outros a adorá-lo! Agora vemos claramente quão grande foi o teu valor perante Deus"."

Frisando que "a língua é uma das partes mais frágeis do corpo", e que "é das primeiras a decompor-se", este franciscano, que dirigiu a Basílica de 2005 até à sua morte, em 2016, interpreta aquilo que crê um milagre

A descrição é da autoria de Enzo Poiana, então reitor da Basílica de Santo António em Pádua, numa entrevista em 2013, quando a cidade italiana celebrou os 750 anos da exumação de Fernando de Bulhões, aliás Santo António, e da descoberta da sua "língua milagrosa".

Frisando que "a língua é uma das partes mais frágeis do corpo", e que "é das primeiras a decompor-se", este franciscano, que dirigiu a Basílica de 2005 até à sua morte, em 2016, interpreta aquilo que crê um milagre: "Ao preservar a língua de Santo António do apodrecimento, Deus mostrou-nos que aprovou a missão dele e em particular a sua pregação, que ele levava a cabo através da língua e das cordas vocais."

A exumação terá ocorrido a 8 de abril de 1263, 32 anos após a morte do lisboeta Fernando de Bulhões, e ocorreu porque o corpo daquele que entretanto, e num tempo recorde até hoje inigualado - menos de um ano -, fora, a 30 de maio de 1232, proclamado santo pelo Papa Gregório IX estava sepultado numa pequena igreja (Santa Maria Mater Domine, ou Mãe de Deus) e entretanto fora construída uma basílica em sua honra - que terá sido completada pelo ano 1310 - para onde ia ser transladado.

A língua, assim como uma parte da queixada e do braço esquerdo, foi logo ali retirada para ser exibida em relicário; também uma parte da pele e do cabelo teriam o mesmo destino e um pedaço de um pé. O resto dos restos foi colocado num sarcófago de mármore, em sacos de seda escarlate bordada a ouro: um com os ossos, outro com as vísceras e outro com o hábito castanho de franciscano. O relicário original da queixada, datado de 1349, foi doado à basílica em 1350; a língua foi colocada num "tabernáculo" à parte, protegida por vidro.

É a data da colocação da língua no relicário e em exibição que é celebrada em Pádua na "festa da língua", que inclui procissão e cuja data é 15 de fevereiro, e não a da sua "descoberta", que foi em abril; a cidade dedica assim dois dias festivos ao santo, já que assinala também o 13 de junho - numa celebração que decorre ao longo de 13 dias, desde 31 de maio, e que é crismada de Tredicina (de 13 dias) e que atrai anualmente dezenas de milhares de peregrinos.

Um inventário de 1396 atesta que o relicário da queixada era já o que hoje está em exibição: construído como um busto, de prata e pedras preciosas, com a queixada colocada no local da boca; o rosto teria uma "máscara" amovível de prata que permitiria tapar e destapar a relíquia (essa máscara terá desaparecido rapidamente, sendo substituída mais tarde por outra; hoje, a queixada está protegida por uma "montra" convexa de material transparente).

Parte da ossada do braço esquerdo estava também incluída na peça; ao longo dos anos, porém, pedaços desses ossos foram sendo retirados para oferta (incluindo os que estão no museu antoniano em Lisboa, parte de um osso de um dedo e de um braço, oferecidos à cidade em 1968) e em 1672 o que restava foi colocado em relicários à parte.

Hoje, as relíquias de Santo António que ficaram em Pádua, e que serão visitadas anualmente por cerca de cinco milhões de pessoas, o que faz do templo um dos mais visitados da religião católica, estão em exibição na Capela do Tesouro da basílica, numa capela barroca construída no final do século XVII. Além da língua e da queixada, estão expostos uma parte do pé, pele e cabelo, e ainda as cordas vocais (retiradas do sarcófago em 1981, quando este foi aberto e os restos examinados por cientistas).

A língua roubada e o pão do santo

A história da língua de Il Santo, ou o Santo, como é referido Santo António na cidade mas também a sua basílica - que hoje, de acordo com as descrições, se assemelha a uma pedra escura e já correu mundo, tendo em 2013 feito um tour pelos EUA e depois pelo Sudeste Asiático -, inclui ainda um episódio bizarro, narrado pelo cronista franciscano Bartolomeu de Pisa (frade dominicano biógrafo de Francisco de Assis e cuja morte terá ocorrido em 1347). Este conta que um alto frade franciscano quis roubá-la, mas não conseguindo sair com ela da basílica a escondeu num altar. Teria revelado a sua localização a outro frade que por sua vez só no seu leito de morte, 34 anos depois dos factos, violaria o segredo. Esta segunda descoberta da relíquia foi igualmente considerada "um grande milagre".

"Milagres", aliás, de acordo com o que é proclamado, é o que não falta ao lisboeta. Além de um alegado tocar dos sinos em Pádua e Lisboa, "sem que ninguém os tangesse", no momento da sua morte, um dos mais celebrados é o que deu origem à tradição do "pão do santo", e que terá ocorrido em 1263, precisamente o ano em que foi exumado. Diz respeito a uma criança, que daria pelo nome de Tommasino e teria 20 meses, a qual, conforme as versões, se terá afogado num recipiente em casa ou num ribeiro.

A mãe teria pedido a Santo António que o ressuscitasse, prometendo que se assim fosse ofereceria o peso do filho em pão aos pobres. A criança voltou à vida e ela cumpriu a promessa; terá aí começado na cidade a tradição do "pão de Santo António", oferecido aos pobres em "pagamento" de favores concedidos pelo santo, e que ainda hoje faz parte das celebrações de Santo António, com cestos de pão a serem distribuídos após a missa nos dias que o celebram.

Sendo Fernando de Bulhões considerado um intelectual do seu tempo, admirado pela sua oratória e conhecimentos e um pregador dedicado à conversão - daí vem um dos seus cognomes ou alcunhas, a de "martelo dos heréticos", não deixa de ser curioso que a sua popularidade esteja sobretudo ligada a histórias de prodígios e a folclore. E que a sua ligação a Itália - e a Pádua - tenha sobrevindo, de acordo com o que é relatado, por acidentes: no primeiro caso, devido a uma tempestade que levou para as costas da Sicília a embarcação em que seguia de Marrocos, para onde se havia deslocado como missionário, a caminho de Lisboa; no segundo, porque Fernando de Bulhões, já sob o nome religioso de António, terá pregado tanto no norte de Itália como no sul de França, e só esteve na zona de Pádua no final da vida.

Terá, por exemplo, fundado a primeira escola da Ordem de Francisco de Assis (que conhecera na cidade do seu nome) em Bolonha; foi nomeado Custódio dos Frades Menores na região francesa de Limoges e em 1227 Superior Maior da província de Romagna (que correspondia a todo o norte da atual Itália), cargo que teria exercido até 1230. Só nesse ano terá seguido para Pádua, onde andaria a pregar nas igrejas da região até se acoitar, doente, no castelo de Camposampiero, a cerca de 25 quilómetros da cidade. Diz a lenda que sentindo-se mal durante uma refeição pediu para ser levado para Pádua, mas não chegou lá: morreu em Arcella, hoje um subúrbio de Pádua, num convento de freiras.

Este artigo foi originalmente publicado na edição do DN de 11 de junho de 2019

https://www.dn.pt/1864/a-lingua-incorrupta-e-outras-reliquias-de-santo-antonio-em-padua-10982514.html

Como confiar suas dores e tristezas ao Sagrado Coração de Jesus

HEART OF JESUS


Precisamos abrir nosso coração para Deus, contar tudo a Ele, até os segredos que não queremos que mais ninguém conheça. É o primeiro passo para a cura

Érelativamente fácil louvar a Deus pelas coisas boas que acontecem em nossas vidas. Nosso espírito imediatamente se alegra e dá graças a Deus pelas bênçãos recebidas.

Porém, muitas vezes é difícil confiar a Deus nossa dor e nossa tristeza. Nós tendemos a manter nossa dor profunda dentro de nós e, raramente, a externamos a alguém. Até mesmo nosso cônjuge ou membros da nossa família não conhecem todas as nossas dores.

No entanto, se quisermos experimentar a paz novamente em nossas vidas, precisamos confiar essa dor a Deus.

No livro do século XIX, Meditations on the Sacred Heart of Jesus Christ (“Meditações sobre o Sagrado Coração de Jesus Cristo”), o autor lembra que o mesmo amor que motivou Jesus a curar os doentes ainda está presente em seu Sagrado Coração:

“Quais foram seus sentimentos durante sua vida mortal, quando curou os enfermos, e para esse fim os procurou; quando restituiu a vista aos cegos, ressuscitou os mortos e conferiu seus inúmeros favores milagrosos? Todos esses sentimentos de piedade, ternura e misericórdia, estão no mesmo estado nesse momento, que é um compêndio de todas as suas maravilhas…Toda essa caridade e amor infinito continuam sendo renovados todos os dias no trabalho de nossa redenção.”

Muitas vezes esquecemos que Jesus nos ama e quer estar conosco! Infelizmente, não deixamos esse amor entrar em nossas vidas. Mas temos que confiar a Deus tudo o que está em nossa alma, como recomenda o livro:

“Você praticamente deve fazer deste coração divino o seu único refúgio em todas as necessidades do seu coração. Você não fez isso até agora, pois esse coração amoroso foi o último ao qual você recorreu.”

Acima de tudo, precisamos abrir nosso coração para Deus, contar tudo a Ele, até os segredos que não queremos que mais ninguém conheça. É o primeiro passo no caminho da cura:

“Abra todo o seu coração ao Coração de Jesus, relacione-o com suas dores, suas feridas, seus desejos. Ele não sabe como resistir a um coração que está aberto, confiante e ansioso.”

Comece a fazer isso hoje, reservando um tempo para uma oração em que você possa simplesmente falar com Deus. Fale em voz alta ou escreva seus pensamentos em um pedaço de papel. Deixe tudo fluir do seu coração para o Coração de Jesus.

https://pt.aleteia.org/2020/06/12/como-confiar-sua-dor-e-tristeza-ao-sagrado-coracao-de-jesus/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

A língua incorrupta de Santo Antônio de Pádua

Embora tenha nascido na cidade de Lisboa, em Portugal, Santo Antônio é normalmente referido com o nome do local em que morreu, a cidade de Pádua (Padova), na região nordeste da Itália. A sua morte se deu a 13 de junho de 1231, quando o santo contava com apenas 36 anos de idade.

A língua do santo que tinha proclamado com tanta eloquência a Palavra de Deus foi encontrada perfeitamente intacta.

Foi tão grande o luto que se mostrou por ocasião de seu falecimento, e tantos os milagres realizados, que o processo eclesiástico para verificar a sua santidade não chegou a durar sequer um ano: Santo Antônio de Pádua foi canonizado em 1232, por Gregório IX, o mesmo papa que o vira pregar e que lhe tinha dado o epíteto de "Arca do Testamento", pelo conhecimento notável que exibia das Sagradas Escrituras. "Se permitíssemos privar da devoção humana por mais tempo aquele que foi glorificado pelo Senhor, pareceria que de algum modo lhe tirávamos a honra e a glória que lhe eram devidas" [1], disse na ocasião o sucessor de São Pedro.

Nesse mesmo ano, os confrades do santo, ajudados pelos moradores de Pádua, começaram a erigir uma basílica em sua honra. Em 1263, seu corpo foi transferido para o lugar, na presença de São Boaventura, então superior dos franciscanos. Quando o sarcófago foi aberto, a língua do santo que tinha proclamado com tanta eloquência a Palavra de Deus foi encontrada perfeitamente intacta:

"Nessa altura, uma personalidade tão venerável como o senhor Boaventura [...] com todo o respeito pegou na língua do Santo em suas mãos, e comovido até às lágrimas, na presença de todos os circunstantes, dirigiu-se a essa relíquia com toda a devoção nestes termos: 'Ó língua bendita, que sempre glorificaste o Senhor e levaste os outros a glorificá-lo, agora nos é permitido avaliar como foram grandes os teus méritos perante Deus!' E beijando-a com ternura e piedade, determinou que fosse conservada à parte, com todas as honras, como era justo e conveniente." [2]

A língua do grande pregador foi então colocada em um relicário dourado, de onde até os dias de hoje recebe a veneração de inúmeros devotos e peregrinos.

Saiba o que a Igreja ensina a respeito da veneração de relíquias, assistindo a este episódio do programa "A Resposta Católica":

O corpo de Santo Antônio foi exumado ainda duas outras vezes: em 1350, quando o seu queixo e vários de seus ossos foram colocados em relicários próprios; e há poucos anos, em 1981, por ordem do Papa São João Paulo II, quando se descobriram incorruptas também as suas cordas vocais.

Mesmo reunindo em um só lugar uma multidão de 30 mil pessoas, "nem sequer se ouvia um sinal de clamor ou murmúrio" enquanto Santo Antônio falava.

A incorrupção dessas duas partes de seu corpo não deixa dúvidas sobre qual era a maior virtude de Santo Antônio: a dapregação. "Esta virtude era nele tão resplandecente que não havia olhos que não a vissem" [3], diz um de seus biógrafos. Tantas almas levaram a Deus aquela língua e aquelas cordas vocais que, certa Quaresma, que ele tinha decidido dedicar "à pregação quotidiana e ao confessionário" [4], "quando refazia com o benefício do sono os seus membros fatigados, atreveu-se o diabo a apertar com violência a garganta do homem de Deus e, depois de a apertar, tentou sufocá-lo" - uma clara amostra do perigo que o demônio vislumbrava no uso de sua voz. Antônio, por sua vez, "depois de invocar o nome da gloriosa Virgem, imprimiu na fronte o sinal da santa cruz e, afugentado o inimigo do gênero humano, imediatamente experimentou alívio" [5].

Para medir a qualidade da pregação de Santo Antônio, leve-se em conta o fato de que, às vezes, mesmo reunindo em um só lugar uma multidão de 30 mil pessoas, "nem sequer se ouvia um sinal de clamor ou murmúrio" enquanto ele falava. "Pelo contrário, num silêncio prolongado, como se fora um só homem, todos escutavam o orador com os ouvidos da mente e do corpo atentos" [6].

Mais importante do que isso, as palavras do frade realizavam na vida das pessoas o maior de todos os milagres, que é a conversão de coração. Depois que escutavam a sua pregação, eram tantos os homens e mulheres que corriam para o confessionário, que faltavam sacerdotes para atender tanta gente. Um frade franciscano anônimo, comentando os efeitos da pregação de Santo Antônio, diz o seguinte:

"Segundo a promessa de Cristo, os santos quase sempre dão dele testemunho duma forma muito mais sutil do que com a realização de prodígios visíveis. Por exemplo quando anunciam com convicção a Palavra de Deus, ou com a perfeição da própria vida mostram como se deve proceder, ou ainda quando, sem deixarem de atender as súplicas que lhes são dirigidas, realizam autênticos milagres noutra esfera mais elevada. Ao procederem assim, estão como a dar vista a cegos espirituais, permitindo-lhes descobrir a verdade; ou a desobstruir ouvidos de surdos, entupidos pela obstinação, possibilitando-lhes ouvir e obedecer aos mandamentos divinos. Da mesma forma estão a erguer às alturas das virtudes tantos trôpegos pela fatuidade de critérios e de ações; ou então a desembaraçar para uma salutar confissão certas bocas anteriormente caladas; ou a limpar leprosos da podridão contagiosa de algum mau hábito; ou a restituir tranquilidade e sossego a pessoas atormentadas pela crueldade diabólica; ou, enfim, a ressuscitar para uma vida espiritual presente e futura alguns a quem o veneno do pecado matara e fizera entrar em fétida putrefação.
Tudo isto são autênticos milagres, embora os descrentes e os materialistas não considerem tais eventos dignos de admiração em confronto com prodígios materiais. No entanto, se bem que para realizar quaisquer prodígios, tanto de ordem espiritual como material, tenha de intervir a mesma onipotência divina, aos olhos do Juiz misericordioso é muito mais importante converter um ímpio do seu pecado do que restituir-lhe a vida corporal." [7]

É isto o que se pode dizer, em resumo, da língua de Santo Antônio de Pádua: que operou milagres muito maiores que todos os outros que ele fez, seja em vida, seja depois de sua morte. Antônio, por certo, não pode ser tido como um santo "discreto": foi ele um verdadeiro taumaturgo, a ponto de haver nos livros relacionados à sua vida uma obra dedicada tão somente à narração de seus milagres. Mesmo assim, foram a sua língua e as suas cordas vocais, entre todos os membros de seu corpo, que experimentaram a incorrupção.

Com isso, Deus quer nos mostrar que, muito mais do que multiplicar pães, curar enfermos e ressuscitar defuntos, a grande obra dos santos, como Santo Antônio, é espiritual: levar as pessoas à conversão e à mudança de vida.

Fica para todos os devotos de Santo Antônio, portanto, esta importante lição deixada pelo próprio Cristo: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo" ( Mt 6, 33). Em nossas orações a este grande santo e doutor da Igreja, peçamos o que verdadeiramente nos convém, entregando a Deus a decisão última de tudo. Ele sabe o que é melhor para nós, não é virando uma imagem de cabeça para baixo que vamos mudar a Sua vontade para a nossa vida.

Para falar a verdade, a oração não foi feita para mudar a vontade de Deus, mas a nossa. O que precisa ser virada de ponta-cabeça não é a imagem de Santo Antônio, mas a nossa vida.

Santo Antônio de Lisboa e de Pádua,
rogai por nós!

Referências

  1. Papa Gregório IX. Bula da canonização Cum dicat Dominus, de 11 de junho de 1232 (trad. de Frei Henrique Pinto Rema, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 25.
  2. João Peckham. Legenda de Santo António intitulada Benignitas. Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 42.
  3. Frei Juliano de Espira. Vida de Santo António Confessor ou Vida Segunda (trad. de Frei José Afonso Lopes, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 128.
  4. Ibid., p. 131.
  5. Vida primeira de Santo António, também denominada Legenda Assidua, por um frade anónimo da ordem dos menores (trad. de Frei Manuel Luís Marques, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, p. 46.
  6. Ibid., p. 47.
  7. Diálogo sobre as gestas de Santo António, por um Frade Menor anónimo (trad. de Frei José Maria da Fonseca Guimarães, OFM). Braga: Editorial Franciscana, 1996, pp. 190-191