domingo, 8 de novembro de 2020

10 chaves para encontrar paz de espírito e vivê-la diariamente

 


Como passar pelos momentos de angústia e medo, permanecendo na confiança e no abandono? A seguir encontre um guia precioso para manter a paz de coração

Em um mundo angustiado e violento, onde podemos encontrar paz? Talvez numa praia de uma ilha deserta, em uma aconchegante sala de estar assistindo a um bom filme, no fundo de um monastério isolado ou em meditação? A busca do homem contemporâneo é desesperada: ele deseja a paz de espírito, mas não acredita mais nela. Parece-lhe impossível apaziguar as suas paixões íntimas e o fogo dos seus desejos, assim como extinguir os conflitos recorrentes que perturbam o planeta.

Mas o que é a paz? O grande Blaise Pascal parece cético: “Não há paz aqui”, escreveu ele. Santo Agostinho também não é otimista: “Estamos aqui embaixo divididos entre a concupiscência que nos puxa para baixo e Deus que nos puxa para cima; corpo e alma só serão totalmente reconciliados no céu. Então, impossível ter paz na terra?”

São Tomás de Aquino aconselha a começar por pôr ordem a si mesmo e as suas relações com os outros através do exercício das virtudes: força, temperança, justiça, prudência. Mas que luta! No entanto, a paz não se tornou hoje um imperativo vital? Não apenas para nosso bem-estar pessoal, mas para este mundo. Depois de passar mil dias e mil noites em oração sobre uma pedra, São Serafim de Sarov assegurou: “Adquira a paz interior e milhares ao seu redor encontrarão a salvação”. A paz começa com você mesmo.

Paz de espírito não é mera satisfação

Para o cristão, ela não se esconde no longo e tranquilo rio de uma vida organizada e descomplicada do “Deixe-me em paz!”. Ela não pode ser confundida com a satisfação de uma criança mimada, um bem-estar psicológico imediato, nem ser reduzida a uma ordem social que proporcione segurança efetiva. Também não pode ser conquistada com relaxamento, nem após a guerra.

“Há uma falsa paz que é uma mentira, uma cegueira, mais ou menos consciente, que consiste numa instalação num egoísmo fechado e confortável, uma fuga”, adverte um monge cartuxo do irmão Aloïs, que reza o Taizé. A paz está presente em meio a provações e lutas”. A paz imperturbável é, segundo São Serafim de Sarov , o sinal específico da presença do Espírito Santo. “Com todas as nossas forças, empenhemo-nos em salvaguardar a paz da alma e não nos indignemos quando os outros nos ofendem, incentiva. Precisamos evitar toda raiva e preservar a mente e o coração de todo movimento impensado.”.

É na realidade concreta e por vezes dolorosa da vida quotidiana, com os seus imprevistos e surpresas, que devemos procurar manter “a nossa alma em paz diante de Nosso Senhor”, segundo a expressão do Padre François Libermann ( 1802-1852), judeu convertido, fundador dos Padres do Espírito Santo. Simplificando nossa vida em torno de um único desejo: buscar a vontade de Deus em tudo e ter total confiança nele. Então, ao irradiar essa paz ao nosso redor – que nesse aspecto é como a violência – ela contamina, ela irradia e se alimenta daquilo que incendeia.

Aqui estão as 10 chaves para alcançar essa paz de espírito.

1. Não se desespere

“Se nos olharmos racionalmente, só enxergaremos nossas fraquezas, nossos apegos, nossas ambiguidades”, comenta o franciscano Éloi Leclerc, autor de A sabedoria de um pobre (em tradução livre. Para encontrar paz, você deve olhar para Deus e apenas olhar para si mesmo em Deus. “Nossa extrema pobreza nos coloca na necessidade absoluta de recorrer sempre a Deus”, afirmou também o padre François Libermann.

Recorrer a este Deus rico de misericórdia, que quer dizer etimologicamente: cujo coração cheio de ternura se inclina sobre a nossa miséria. E sob nossa pobreza, descobrir o tesouro escondido do nosso ser interior, modelado à imagem de Deus. Devemos aprender a nos amar com o olhar de Deus, ou seja, infinitamente melhor e mais caridoso que o nosso. Não nos preocupar com nossas quedas, não nos perturbar por nossas misérias ou por nossa aparente mornidão.

“A visão da nossa incapacidade e da nossa nulidade deve ser um grande tema de paz para nós ”, assegura o padre Libermann. É por isso que Deus enviou seu filho Jesus, não para nos julgar, mas para nos salvar e nos dar vida novamente. Ao purificar o nosso coração, Deus nos torna capazes de fazer obras ainda maiores, imbuídos de amor, porque o seu Espírito, que nos liberta, pode finalmente operar em nós. Portanto, não se desespere! É um trabalho para toda a vida.

2. Peça a graça da confiança

“As razões pelas quais perdemos a paz são sempre más razões”, explica o Padre Jacques Philippe, autor de Em Busca da Paz e a Perseguindo (em tradução livre). “A alma encontraria sua força, sua riqueza e toda sua perfeição no Espírito de Nosso Senhor, se apenas quisesse se abandonar à sua conduta”, escreveu o padre Libermann. “Mas porque ela o abandona e quer agir sozinha e em si mesma, ela encontra em si mesma apenas a mais profunda desordem, miséria e incapacidade”.

Segundo o padre Jacques Philippe, a falta de paz de espírito vem da falta de confiança em Deus. Sua condição é de “boa vontade” ou “pureza de coração”: esta disposição estável e constante do coração do homem se decide amar a Deus mais do que tudo e confiar nele nas pequenas coisas. “Não devemos temê-lo”, insistia o padre Libermann, “é um grande insulto a ele que é tão bom, tão gentil, tão amável e tão cheio de ternura e misericórdia por nós”. Um dos inimigos da paz é este pessimismo tingido de cinismo que respiramos todos os dias. Com efeito, “o pessimismo atua em profundidade, destrói o desejo de agir pelos outros, extingue até a ansiedade da inteligência, gera desânimo”, comenta Andrea Riccardi , fundadora da Comunidade Sant’Egidio .

3. Priorizar as prioridades

Em uma cultura do instantâneo, o evento mais próximo (passado ou futuro) tende a invadir nosso campo de consciência. Não tendemos a privilegiar “o urgente” em nossas vidas em detrimento do “importante”? Todos nós temos agendas lotadas, mas nos perguntamos: cheias de quê? Prioridades não faltam: pessoais, familiares, profissionais, amigáveis, sociais ou mesmo associativas. Um erro comum é favorecer apenas uma, por paixão ou por urgência, em detrimento das outras.

Por exemplo, você só gasta tempo com seu filho quando ele está em uma situação de fracasso escolar. Temos que voltar às nossas prioridades periodicamente e colocar as coisas em ordem, como fazemos com um armário. Pensemos no conselho que Jesus dá a Marta, que está agitada e ocupada e “resmunga” porque Maria, sua irmã, escuta a palavra do filho de Deus: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada” (Lc 10,41-42).

4. Pratique “a opção preferencial pelos pobres”

Não é porque temos a consciência limpa e a sensação de estarmos em paz que somos homens e mulheres serenos. Uma certa satisfação egoísta pode nos dar a ilusão disso. Numa das suas conferências quaresmais, São Tomás de Aquino mostra que só a caridade traz a paz perfeita. Na verdade, diz ele, é “um fato da experiência que o desejo pelas coisas temporais não é satisfeito por sua posse”. Quando uma coisa é obtida, já queremos outra. O coração dos ímpios é como um mar fervente que não pode ser aplacado”.

Como podemos permanecer em paz de espírito quando mais e mais homens e mulheres são forçados à miséria da qual somos nós, por nossa falta de partilha, os atores inconscientes? Não podemos ignorar essas realidades, seria muito fácil, como afirma o profeta Jeremias: “tratam com negligência as feridas do meu povo, e exclamam: “Tudo vai bem! Tudo vai bem!”, quando tudo vai mal” (Jr 6:14).

“Se procuras a paz, vai ao encontro dos pobres”, aconselhou São João Paulo II, convencido de que a extrema pobreza das massas humanas gera as situações de calamidade do nosso tempo. Não é sobre sentir-se culpado, mas sim permitir-se ser desafiado. E se o clamor dos pobres fosse o de Cristo? Quando se é rico, não se gosta de falar sobre pobreza. No entanto, a maioria de nós é “rica”. É grande a tentação de se refugiar em “pequenos paraísos”, especialmente quando você se sente oprimido e desamparado. O Evangelho sempre nos inspira a encontrar novos caminhos. A imagem dos pobres é apenas o espelho da pobreza do nosso coração. A única resposta para a pobreza é mais amor.

5. Não perca de vista o propósito da vida

“Aquele que tem um ‘porquê’ que ocupa o lugar de uma meta, de um fim, pode conviver com qualquer ‘como’”, disse Nietzsche. O psiquiatra vienense Victor Frankl fez a mesma observação no inferno dos campos de concentração: aqueles que conseguiam sair tinham pelo menos um motivo para ter esperança. Portanto, o bem-estar profundo se baseia, antes de mais nada, na necessidade essencial de dar sentido à própria vida.

E quanto mais alto o objetivo, mais a nossa vida tem significado e mais o nosso ser se realiza em dar e florescer. Madre Teresa, quando cuidava dos pobres, era o próprio Cristo que ela cuidava. Cumprir o dever para o qual somos chamados é bom; fazer isso por amor é melhor. Infinitamente melhor! Principalmente quando procuramos pesar cada decisão à luz da vontade de Deus e viver de acordo com a “opção preferencial por Deus”.

6. Perdoe aqueles que o ofenderam

Disputas, conflitos, crises, nos fazem sofrer. Podem às vezes levar discussões e rupturas graves. Às vezes, podemos ser dolorosamente afetados a ponto de reter um rancor duradouro e um sentimento persistente de amargura. Ressentimento e ódio são venenos terríveis. O perdão é o único antídoto eficaz para encontrar o caminho da paz de espírito. Muitas vezes é um ato heróico, fruto de um longo processo.

Na verdade, dependendo da seriedade, dos efeitos, dos autores e das circunstâncias da ofensa, o caminho que leva ao perdão pode demorar. Isso é normal, pois o perdão é o amor pelo inimigo (e você também pode ser seu próprio inimigo). É como uma linha do horizonte a ser alcançada. “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta” (Mt 5,23-24).

7. Não se deixe subjugar pelo medo

Para Andrea Riccardi, o medo é uma doença do nosso tempo, “que vestimos com noções mais nobres”. Temos medo que nos falte, medo de perder ou não adquirir. Medo do futuro, da morte, do sofrimento. Também o medo de não estar à altura. E o medo dos olhos dos outros. Nossos medos afetam todas as áreas de nossa vida e frequentemente nos incapacitam. Além disso, o medo leva ao pecado (podemos reler o livro de Gênesis para nos convencer disso). Temos razão em ter medo de que nunca teremos certeza de nada. Viver em paz supõe parar o motor de nossa imaginação que puxa em alta velocidade os carros de nossas preocupações.

“Não tenha medo!” Encontramos, dizem eles, essa injunção trezentas e sessenta e cinco vezes na Bíblia. O que significa uma vez por dia. Esta foi a primeira palavra dita por São João Paulo II em tempos difíceis. “Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?” (Mt 6:27). Como manter a paz de espírito? Entregando nosso passado à misericórdia de Deus (por meio do perdão) e o nosso futuro à Providência (por meio do abandono). E vivendo apenas o hoje. “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado” (Mt 6,34).

8. Renda-se a Deus incondicionalmente

Dificuldades, crises e provações são inevitáveis. A realidade nem sempre se curva às nossas vontades “sagradas”. A confiança em Deus nos ajuda a aceitar humildemente os acontecimentos, a enfrentá-los da melhor maneira possível, a vê-los como caminhos de santidade e paz. Pe Jacques Philippe, ecoando as palavras de São Paulo, descreve a vida cristã não como uma batalha espiritual (Efésios 6: 10-17). Devemos vestir a armadura de Deus: a fé, a palavra de Deus, a oração, os sacramentos. “Tudo posso naquele que me fortalece”, assegura o Apóstolo que nos transmite esta promessa divina: “A minha graça vos basta! Pois meu poder se manifesta na fraqueza”.

O importante, diz São Francisco de Sales, não é “manter os nossos corações em paz, mas trabalhar por ela”. É um caminho a ser refeito todos os dias: não desanime; comece com pequenos passos e tente ser fiel a eles; perseverar na oração para se recuperar constantemente sob o olhar de Jesus. “Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus” (Fl 4, 6-7).

9. Deixe de lado o espírito de rivalidade e comparação

A comparação é um dos piores venenos contra a paz de espírito. Tornar-se o mais belo, o mais forte, o mais poderoso é algo que se realiza às custas dos outros. A cultura do “chefinho” é hipócrita e muito nociva. O espírito de rivalidade desperta sentimentos de inveja, ciúme e orgulho, que por sua vez geram tristeza. O pensamento crítico também vem da mesma convicção de que “nós somos os melhores”: julgamos os outros por referência ao que somos, o que temos, o que experimentamos. Ao contrário da crença popular, você não precisa estar em rivalidade para desenvolver seus dons e qualidades. Amar é querer o bem do outro, sem necessariamente fazer o papel de vítima, ou pior, de “alma caridosa”. Não há via de mão única no amor! Devemos também aceitar receber. E quem quer ser “campeão”, que saiba compreender aquele que perde.

10. Aprenda a viver o momento, aqui e agora

“Não é o lugar que deve ser mudado, mas a alma”, disse o sábio Sêneca. A paz não se esconde em uma ilha deserta ou no fundo de um mosteiro. Uma chave simples para adquirir esta serenidade que predispõe à paz é acolher cada momento que passa como uma dádiva de Deus: os tons fulvos do outono, a neve, os primeiros rebentos da primavera surgindo, a criança brincando, uma boa refeição com os amigos, uma visita a uma região desconhecida. Maravilhe-se com isso.

A alegria às vezes se esconde na degustação consciente dos “pequenos” prazeres da vida cotidiana, como tão bem os descreveu o escritor Philippe Delherm. Não é surpreendente que o Dr. Vittoz (grande terapeuta suíço que deu seu nome a um famoso método de reabilitação) insista tanto na importância do equilíbrio psíquico das pessoas, da recepção do mundo exterior pelos nossos sentidos, e da consciência do momento presente. Isso nos leva ao louvor e à adoração. Porque quem se maravilha acaba vendo a assinatura do Criador em sua criação. E fica como uma criança, cheia de confiança neste Deus de ternura.

“Sede dóceis e flexíveis nas mãos de Deus”, recomenda o padre Libermann. Você sabe o que fazer para isso: fique em paz e descanse, não se inquiete nem se preocupe com nada, esqueça o passado, viva como se não houvesse futuro, viva para Jesus no momento que vivemos; ou melhor, viva como se não tivéssemos vida em nós, deixando que Jesus viva à vontade”. 

https://pt.aleteia.org/cp1/2020/11/05/10-chaves-para-encontrar-paz-de-espirito-e-vive-la-diariamente/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

O dia em que Nossa Senhora Aparecida visitou o espaço


Quando o primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes, chegou ao espaço em 2006, junto com ele estava também Nossa Senhora Aparecida, não só na devoção que tem pela Padroeira do Brasil, mas também em um pequeno broche que fez questão de levar.

Na época, Pontes podia levar consigo para a missão de dez dias um quilo em bagagem. Entre os itens que carregou estavam fotos da família, um MP3 com música e, como sempre carrega uma imagem de Aparecida, ela não poderia faltar no espaço. Assim, decidiu levar o broche da Virgem com um terço ao seu redor.

Ao participar da festa da Padroeira no Santuário Nacional de Aparecida em 2009, o astronauta contou que ter consigo a imagem de Aparecida no espaço “passou uma sensação de segurança. É algo que transcende o corpo”.

A devoção à Nossa Senhora Aparecida foi herdada de sua mãe, Zuleica, que o incentivava nas orações e o levava ao Santuário Nacional. Ela foi também a grande incentivadora do sonho de Pontes de ser astronauta.

E esta lembrança materna também esteve com ele quando olhou a Terra do espaço e recordou os olhos azuis de dona Zuleica, falecida em 2002, e como conseguiu realizar seu sonho com o incentivo dela.

O astronauta ainda garante que a experiência de ver o planeta teve grande significado para sua fé. “Para mim, ir ao espaço, ver o planeta lá de cima, imaginar o que somos, isso aumentou muito meu relacionamento com Deus”, disse no Santuário, em 2009.

Atualmente, o broche de Nossa Senhora Aparecida que visitou o espaço está exposto na sala das promessas do Santuário Nacional, junto com uma carta que Pontes escreveu durante a viagem.

Além disso, sempre que pode, diz que vai ao Santuário de Aparecida para agradecer à Virgem.

Em 2016, quando foi inaugurado o Museu de Cera do Santuário, entre as várias estátuas, estava a do astronauta Marcos Pontes, que se disse grato por esta homenagem.

Na época, ressaltou que a sua estátua de cera expressava o quanto é importante “estudar para poder chegar onde você quer na vida e, segundo, acreditar que é possível. A religião é muito importante para que você acredite que vai superar os desafios”.

Oração para antes da Missa

 


Para participar melhor da Santa Eucaristia é necessário estar em clima de oração

É na Santa Missa que participamos da Sagrada Eucaristia: corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, é importante participar bem dela, com ardor, vontade e devoção. A Missa não é simplesmente uma oração devocional, ou uma celebração a mais da Igreja; é o ato supremo da nossa fé.

A Missa, ou celebração da Eucaristia, é a presentificação do imenso Sacrifício do Calvário, onde este se torna presente no altar; não é mera representação ou apenas lembrança do Sacrifício do Senhor; é muito mais, é sua atualização, isto é, o mesmo e único sacrifício de Jesus na cruz se torna presente, vivo e verdadeiro. Não é uma multiplicação do sacrifício do Calvário e nem mesmo uma repetição. É o mesmo e único Calvário.

Para participarmos melhor da Santa Eucaristia, é necessário estarmos em clima de oração. Não é algo obrigatório, mas é sempre bom chegarmos com um certo tempo de antecedência, dentro de nossas possibilidades, para preparamos melhor nosso coração para “estar com Cristo”. Neste tempinho que antecede o início da Santa Missa, podemos fazer um bom exame de consciência, silenciar nossa alma, fazer nossas orações espontâneas, ou ainda, nos aprofundarmos em orações feitas pelos santos como estas:

Oração de Santo Ambrósio

Senhor Jesus Cristo, eu, pecador, não presumindo dos meus próprios méritos, mas confiando na vossa bondade e misericórdia, temo entretanto e hesito em aproximar-me da mesa do vosso doce convívio. Pois meu corpo e meu coração estão manchados por muitas faltas, e não guardei com cuidado o meu espírito e a minha língua.

Por isso, ó bondade divina e temível majestade, na minha miséria recorro a Vós, fonte de misericórdia; corro para junto de Vós a fim de ser curado, refugio-me na vossa proteção, e anseio ter como Salvador Aquele que não posso suportar como Juiz. Senhor, eu Vos mostro as minhas chagas e vos revelo a minha vergonha. Sei que são grandes e muitos os meus pecados, e temo por causa deles, mas espero na vossa infinita misericórdia.

Salve, Vítima salvadora, oferecida no patíbulo da Cruz por mim e por todos os homens. Salve, nobre e precioso Sangue, que brotas das chagas do meu Senhor Jesus Cristo crucificado e lavas os pecados do mundo inteiro.

Olhai-me com os olhos da vossa misericórdia, Senhor Jesus Cristo, Rei eterno, Deus e homem, crucificado por todos os homens. Ouvi-me, pois espero em Vós; Vós que sois fonte inesgotável de perdão, tende piedade das minhas misérias e pecados.

Lembrai-Vos, Senhor, da vossa criatura resgatada por vosso Sangue. Arrependo-me de ter pecado, desejo reparar o que fiz.

Livrai-me, ó Pai clementíssimo, de todas as minhas iniquidades e pecados, para que, inteiramente purificado, mereça participar dos Santos Mistérios. E concedei que o vosso Corpo e o vosso Sangue, que eu, embora indigno, me preparo para receber, sejam perdão para os meus pecados e completa purificação de minhas faltas.

Que eles afastem de mim os maus pensamentos e despertem os bons sentimentos; tornem eficazes as obras que Vos agradam, e protejam meu corpo e minha alma contra as ciladas dos meus inimigos.

Amém.

Oração de São Tomás de Aquino

Deus eterno e todo-poderoso, eis que me aproximo do sacramento do vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo. Impuro, venho à fonte da misericórdia; cego, à luz da eterna claridade; pobre e indigente, ao Senhor do céu e da terra. Imploro, pois, a abundância da vossa liberalidade, para que Vos digneis curar a minha fraqueza, lavar as minhas manchas, iluminar a minha cegueira, enriquecer a minha pobreza, vestir a minha nudez.

Que eu receba o Pão dos Anjos, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, com o respeito e a humildade, a contrição e a devoção, a pureza e a fé, o propósito e a intenção que convêm à salvação da minha alma.

Dai-me que receba não só o sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor, mas também o seu efeito e a sua força. Ó Deus de mansidão, fazei-me acolher com tais disposições o Corpo que o vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo, recebeu da Virgem Maria, que seja incorporado ao seu Corpo Místico e contado entre os seus membros. Ó Pai cheio de amor, fazei que, recebendo agora o vosso Filho sob o véu do sacramento, possa na eternidade contemplá-la face a face.

Vós, que viveis e reinais na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

Amém.


domingo, 11 de outubro de 2020

Como atividades comuns podem levar à perfeição na vida espiritual

 


Philip Kosloski - publicado em 09/10/20

Entenda por que a perfeição não consiste em fazer coisas extraordinárias, mas em fazê-las de forma extraordinária

É tentador pensar que a perfeição na vida espiritual consiste em se tornar um eremita no deserto, resignando-se a uma dieta de gafanhotos e mel.

No entanto, para a maioria de nós, isso está muito longe da perfeição! A perfeição não consiste em fazer coisas extraordinárias, mas em fazer coisas comuns de uma maneira extraordinária.

São John Henry Newman explicou esse conceito em uma de suas meditações, intitulada A Short Road to Perfection (“Um curto caminho para a perfeição”).

Ele, portanto, começa escrevendo:

“Se quisermos ser perfeitos, não temos mais nada a fazer do que cumprir bem os deveres comuns do dia. [Há]um caminho curto para a perfeição – curto, não porque fácil, mas porque pertinente e inteligível.”

Na verdade, a coisa mais heróica que podemos fazer durante o dia é lavar a louça! De fato, essa tarefa pode significar renunciar à nossa vontade egoísta. Além disso, ela pode ser encarada, por exemplo, como uma ação de caridade a um membro da família.

Perfeição e santidade

Aliás, frequentemente procuramos algo “santo” para fazer. Porém, na realidade, podemos nos tornar santos exatamente onde e como estamos.

Newman, portanto, afirma essa verdade central e nos encoraja a olhar para nossas tarefas diárias em busca de maneiras de nos tornarmos santos:

“Se você me perguntar o que deve fazer para ser perfeito, eu digo: em primeiro lugar não deite na cama após a hora de levantar. Após isso, dê seus primeiros pensamentos a Deus; faça uma boa visita ao Santíssimo Sacramento; reze o Angelus com devoção; coma e beba para a glória de Deus; reze bem o Rosário; afaste os pensamentos ruins; faça bem a sua meditação noturna; examine-se diariamente; vá para a cama na hora certa. E [assim] você já será perfeito.”

Simples, não é? Trata-se, pois, de um caminho “curto” para a perfeição na vida espiritual. Porém, essa estrada não deixa de ter cruzes e sofrimentos.

Conclusão: se quisermos nos tornar santos, não precisamos nos afastar de todo contato humano. Tornar-se um santo significa realizar todas as tarefas com grande amor e devoção.


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Missa chata? Pense nisso na próxima vez que ficar aborrecido na igreja

 


Acontece com você de ficar aborrecido na missa de domingo? Aqui estão algumas dicas para aprender a lidar com esse aborrecimento e viver a missa como um momento que realmente liga sua vida à de Jesus

Para aquelas pessoas que dizem que a missa é chata, eu adoraria responder que a sabedoria só vem para aqueles que aprenderam a perseverar no aborrecimento, a entrar pacientemente na densidade das coisas sem ver imediatamente o fruto de seu trabalho.

De fato, o sábio tem a virtude do agricultor que trabalha incansavelmente em sua terra. Mas o homem não foi feito para pecar de flor em flor numa “insustentável leveza do ser”, de acordo com o título do romance de Milan Kundera. No entanto, ele foi feito para ser amarrado à sua rosa, para cultivá-la, para ficar enchido com ela. É essencial aprender a aceitar o tédio, a monotonia dos dias que passam, a recusar-se a medir a vida de acordo com o imediatismo narcisista do prazer consumível.

Domingo é a âncora do tempo

Mas qual é o sentido da missa? Eu respondo com as palavras do escritor Georges Bernanos: “O demônio em nosso coração se chama ‘Para que serve …?'” Acima de tudo, respondo com Cristo à outra pergunta: “Qual é a utilidade …?” que converteu São Francisco Xavier: “De que adianta um homem ganhar o mundo inteiro, se ele se perde?”. O homem é uma lâmina de “palha que o vento sopra e leva ela” (Salmo 1).

Assim, se não colocarmos nossa âncora para pegar o vôo do tempo, nossa vida se derramará como sangue de uma ferida. Nesse sentido, o domingo é a âncora do tempo onde o homem aprende a morrer no visível para cultivar o invisível.

Nunca se vai a uma missa chata

Devemos “viver de acordo com o domingo”, de acordo com a expressão dos Padres, porque o homem não pode viver sem memória e sem esperança. Sem se lembrar da salvação de Deus alcançada pela Cruz, sem já entrar na luz do Ressuscitado.

A memória permite-nos habitar o presente, a esperança permite-nos caminhar para Jesus Cristo, o Oriente das nossas vidas. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a Vida eterna” (Jo 6,54).

Nesse sentido, o filósofo francês Gabriel Marcel costumava dizer: “Amar alguém é dizer-lhe: ‘você nunca morrerá'”. Mas só Deus pode dizer isso. No entanto, a missa, através da escuta da Palavra eterna, através da comunhão efetiva ou, pelo menos, do desejo, porque Deus não é mesquinho com sua gratidão ao corpo ressuscitado do Senhor, dá ao nosso corpo de morte a promessa da imortalidade. A eucaristia é a garantia da nossa ressurreição que nos permite “antecipar as vigílias da noite” (Salmo 119).

A missa nos tira da transitoriedade das coisas

A missa dominical marca o ritmo da vida cristã em virtude do rito. O rito ordena a existência, dá controle sobre o tempo que passa. “Mas se vier a qualquer hora, nunca saberei a que horas preparar meu coração … É bom que existam ritos. O que é um rito?, disse o principezinho. Também é algo esquecido demais, disse a raposa. –É o que diferencia um dia dos outros dias”.

Se vamos à missa todos os domingos, não é porque a missa é legal ou chata, mas é para “vestir” o corpo e a alma, afastar-nos da transitoriedade das coisas e fazer-nos resistir, dizia a beata Isabel de la Trinidad, “imóveis e pacíficos, como se [os nossos corações] estivessem já na eternidade”.


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sábado, 26 de setembro de 2020

12 ensinamentos poderosos de Padre Pio que precisamos colocar em prática

 


Ele conseguiu expressar a beleza e as exigências do cristianismo de maneira simples e sábia

Faz 52 anos desde que o querido Padre Pio faleceu. Ao longo de muitos de seus 81 anos, o humilde frei capuchinho exibiu os estigmas e teve que enfrentar a dor, a incompreensão, a controvérsia, a rejeição e outros sofrimentos profundos.

No entanto, ao longo de sua vida, Padre Pio lidou com suas provações e abraçou tudo o que Deus havia lhe dado, incluindo muitas visões. Sua devoção ao Senhor permitiu-lhe apreciar a vida que lhe foi dada e partilhar muitas palavras de sabedoria que são tão importantes hoje como eram quando ele as disse, há cinco décadas.

1. Ore, espere e não se preocupe. A preocupação é inútil. Nosso Senhor misericordioso escutará a sua oração;

2. A sociedade de hoje não reza, por isso está desmoronando;

3. A oração é a melhor arma que possuímos, a chave que abre o coração de Deus;

4. Seria mais fácil para o mundo existir sem o sol do que sem a Santa Missa;

5. Você deve falar a Jesus também com o coração, além dos lábios; na verdade, em certos casos, deve falar com Ele apenas com o coração;

6. Não se preocupe com as coisas que causam preocupação, desordem e ansiedade. Apenas uma coisa é necessária: Elevar seu espírito e amar a Deus;

7. Onde não há obediência, não há virtude; não há bondade nem amor. E onde não há amor, não há Deus. Sem Deus, não podemos alcançar o Céu. Essas virtudes formam uma escada; se falta um passo, caímos;

8. Mil anos de desfrutar da glória humana não valem nem uma hora na doce comunhão com Jesus no Santíssimo Sacramento;

9. Sempre devemos ter coragem, e se nos chega alguma apatia espiritual, corramos aos pés de Jesus no Santíssimo Sacramento e coloquemo-nos no meio dos perfumes celestiais, e sem dúvida recuperaremos nossa força;

10. Na vida espiritual, quem não avança retrocede. Acontece como um barco que sempre deve seguir adiante. Se parar, o vento o fará voltar;

11. Os melhores meios para se proteger da tentação são os seguintes: cuidar dos seus sentidos para salvá-los da tentação perigosa, evitar a vaidade, não deixar seu coração se exaltar, convencer-se do mal da complacência, fugir do ódio, rezar sempre que possível. Se a alma soubesse o mérito que se adquire nas tentações sofridas com paciência e vencidas, seria tentada a dizer: Senhor, envia-me as tentações;

12. Deve lembrar que tem no céu não apenas um pai, mas também uma mãe. Portanto, vamos recorrer a Maria. Ela é toda doçura, misericórdia, bondade e amor para nós porque é nossa mãe.


https://pt.aleteia.org/2020/09/23/12-ensinamentos-poderosos-de-padre-pio-que-precisamos-colocar-em-pratica/


Filho espiritual do Padre Pio agora a caminho da beatificação

 

A família do frade Modestino era vizinha do Padre Pio, e o famoso santo até cuidava do irmão dele

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Crescendo em Pietrelcina, o frei Modestino (Damiano Fucci) ouviu muito sobre o Padre Pio. A mãe de Damiano, Anna, tinha a mesma idade e era vizinha de São Pio. As respectivas famílias tinham um pequeno sítio em Piana Romana, onde a mãe de Damiano e Padre Pio frequentemente se encontravam quando crianças.

À medida que Anna cresceu e começou a criar sua própria família, o Padre Pio ocasionalmente ajudava na fazenda, cuidando de seus filhos mais novos.

Para ajudar Anna, ocupada com o trabalho no campo, o Padre Pio às vezes concordava em cuidar do pequeno Antonio, o primeiro dos três filhos da família Fucci.

Quando Damiano era criança, ele ouviu muitas histórias sobre o Padre Pio e acabou procurando-o assim que chegou a se um jovem adulto.

Em 1940, Damiano foi encontrar no mosteiro de San Giovanni Rotondo o homem de quem tanto ouvira falar. Depois que Damiano se confessou, o Padre Pio o encorajou Damiano a viver com retidão, e deu-lhe sua bênção.

Inicialmente, Damiano sentiu o chamado para se tornar beneditino, mas foi avisado pelo Padre Pio de um possível desastre.

O Padre Pio disse-lhe que não era sua vocação ingressar na Ordem de São Bento. Ele acrescentou que o jovem poderia ir a Roma se quisesse, mas previu que um “desastre muito feio” aconteceria com ele lá (três anos depois, a previsão do Padre Pio se concretizou quando o abade beneditino e um irmão foram mortos por ladrões).

Isso levou Damiano a se tornar frade capuchinho e a adotar o nome religioso de Modestino. Após a morte do Padre Pio, Modestino foi transferido para San Giovanni Rotondo e tornou-se o porteiro da comunidade, onde ouvia todos os visitantes, recebia suas orações e assegurava-lhes a intercessão celestial do Padre Pio.

Modestino passava muitas horas em oração diante do sacrário e ofereceu sua vida e seus sofrimentos pelos pecadores. De muitas maneiras, ele procurou imitar o santo exemplo do Padre Pio e foi um verdadeiro “filho espiritual” dele.

Posteriormente, Modestino publicou uma autobiografia, “Io… Testimonie del Padre”, na qual relatou muitas histórias sobre o Padre Pio.

Frade Modestino de Pietrelcina faleceu em 14 de agosto de 2011, aos 94 anos. O arcebispo Franco Moscone, de Manfredonia-Vieste-San Giovanni Rotondo, abriu sua causa de beatificação em julho de 2020, afirmando que ele tinha “reputação de santidade”.


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