terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Oração para pedir cura interior


 

Muitas de nossas doenças da alma passam despercebidas porque nos imbuímos de ativismo, oremos para que o Senhor nos dê saúde espiritual

Quando nos sentimos mal por causa das feridas da alma, recorramos a Deus em oração para nos curar e permitir que continuemos no caminho da salvação, sem rancor ou obstáculos espirituais.

Rezar

Pai de bondade, Pai de Amor, eu te abençoo, te louvo e te agradeço que por amor você nos deu Jesus. Obrigado, Pai, que à luz do seu Espírito, entendemos que Ele é a luz do seu Espírito, entendemos que Ele é a Luz, a verdade e o bom pastor, que veio para que tenhamos vida e a tenhamos em abundância.

Hoje, Pai, quero apresentar-me diante de ti como teu filho. Você me conhece pelo nome. Coloque os olhos do seu Pai amoroso na minha vida. Vocês conhecem o meu coração e conhecem as feridas da minha história.

Você sabe tudo o que eu queria fazer e não fiz. Você também sabe o que eu fiz ou o que fizeram comigo, me machucando. Você conhece minhas limitações, meus erros e meu pecado. Você conhece os traumas e complexos da minha vida

Hoje, Pai, peço-lhe, pelo amor que tem pelo seu Filho Jesus Cristo, que derrame sobre mim o seu Espírito Santo, para que o odor do seu amor curativo penetre nas profundezas do meu coração.

Vocês que curam os corações quebrantados e prendem as feridas, me curam aqui e agora da minha alma, da minha mente, da minha memória e de todo o meu eu interior. Entra em mim, Senhor Jesus, ao entrares naquela casa onde teus discípulos estavam cheios de medo.

Você apareceu no meio deles e disse-lhes: "A paz esteja convosco". Entre no meu coração e me dê a sua paz. Enchei-me de amor. Sabemos que o amor expulsa o medo. Passa pela minha vida e cura o meu coração.

Pergunto-Te com Maria, minha Mãe, que estava nas bodas de Caná quando não havia vinho e Tu respondeste ao seu desejo transformando água em vinho.

Mude meu coração e me dê um coração generoso, um coração gentil, um coração bondoso; Dá-me um coração novo. Fazei brotar em Mim os frutos da vossa presença. Dai-Me o fruto do vosso Espírito que é amor, paz, alegria.

Que o Espírito de bem-estar venha sobre mim, para que eu possa saborear e buscar a Deus todos os dias, vivendo sem complexos ou traumas junto com os outros, com minha família, com meus irmãos e irmãs.

Te agradeço, Pai, pelo que estás fazendo hoje na minha vida. Agradeço-Te de todo o coração que me curas, que me libertas, que quebras as correntes, que me dás liberdade. Obrigado, Senhor Jesus, porque eu sou o templo do seu Espírito e este templo não pode ser destruído porque é a casa de Deus.

Agradeço-te, Espírito Santo, pela fé. Obrigada pelo amor que vocês colocaram no meu coração. Como você é grande, Senhor Deus Uno e Trino! Bem-aventurados e louvados sois vós.

Amém.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Não consigo vencer meus pecados, o que fazer?

 Existe uma passagem muito significativa do Evangelho de São João que coloca cada um de nós diante de uma verdade tão crua e, ao mesmo tempo, tão libertadora, que nenhum de nós deveria ser displicente com relação a ela: Qui sine peccato est vestrum, primus in illam lapidem mittat (“Aquele de vós que estiver sem pecado seja o primeiro a lançar uma pedra” (Jo 8,7)).

Oliver Clemente, um teólogo do oriente, certa vez afirmou: “Ávido de infinito, mas não menos ignorante dele, o homem se ama e se odeia infinitamente. Ele se pretende soberano e se descobre escravo”. Em outras palavras, existe uma luta incessante no interior do homem que busca o infinito, o céu, a beleza. Porém, este mesmo homem percebe-se preso num cativeiro de difícil soltura. Assim, quanto mais ele se debate, tanto mais ele se machuca, sangra e, por fim, desiste, e essa é a realidade de qualquer ser humano.

Colocando a questão de maneira mais direta, todos nós precisamos travar grandes enfrentamentos contra o pecado todos os dias. Cada um tem a sua luta particular. Quem de nós nunca experimentou o cansaço depois de ter lutado tanto e, mesmo assim, perdido a batalha para o pecado? Às vezes, é penoso reconhecer esta realidade, mas aquele que deseja muito a santidade precisará também experimentar o amargor da derrota, porém, o mais importante vem agora: quem busca a santidade deve aprender a levantar-se, seja qual for o tamanho do tombo.






segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Intimidade com Deus - Leiam a Bíblia







Intimidade com Deus

Enquanto nos limitarmos a relacionar com alguém apenas por aquilo que ouvimos ou lermos acerca dessa pessoa, nunca teremos com ela alguma intimidade e calor humano. Além disso, ela não passará para nós de uma pessoa distante conhecida, jamais será chamada de amiga. Enquanto não a abraçarmos, falarmos olhos nos olhos, partilharmos com ela a nossa vida, jamais será alguém considerada família, alguém importante para nós. Não é verdade?
Infelizmente muitos de nós, ainda temos uma relação com Jesus, como uma pessoa distante. Até sabemos muitas coisas acerca Dele mas no nosso coração Ele ainda não conseguiu nenhuma intimidade verdadeira, aquele calor humano que nos faz buscá-Lo em todas as circunstâncias...

Algumas vezes cheguei a dizer no grupo de jovens "Como se devem relacionar com Jesus? Como fazem os namorados? Não olham "olhos nos olhos" e o mundo parou. Nada mais interessa...Não buscam agradar o outro, partilhar a sua vida? Muitas vezes até fazem coisas que não gostam para agradar o outro, não é verdade?....Se vocês não se apaixonarem por Jesus verdadeiramente, jamais verão milagres na vossa vida e a palavra de Deus nunca será importante, nem a entenderão..."

Precisamos de nos apaixonar por Jesus e o mais belo de tudo isto é que se estivermos verdadeiramente e sinceramente enamorados por Ele, isto é, se o nosso coração e pensamento está voltado para Ele dia e noite, no trabalho, na família, na alegria e na tristeza, ele vem mesmo ao nosso encontro, fala connosco (fala mesmo!) , transforma a nossa vida e nos envia a anunciar aos outros tudo aquilo que Ele nos mostra. Ele faz-nos sentir um prazer que não é deste mundo, uma alegria que não depende de nada que nos acontece...

Deixem de ocupar a vossa mente com aquilo que passa na televisão, com as estatísticas mundiais, com pensamentos de medo, de doença, de desanimo... Entreguem tudo nas mãos de Maria e digam: " Mãe toma conta das minhas dificuldades, fragilidades e eu tomo conta de fazer tudo aquilo que Jesus me pede... Ajuda-me Mãe a me apaixonar por Jesus"

Quem se apaixona visita a pessoa amada. Visitem Jesus no santíssimo sacramento da igreja mais próxima. Este encontro é tão essencial, que sem ele não se estabelece a intimidade necessária para o recebermos dignamente na santa eucaristia. Este encontro cria a verdadeira intimidade, própria de namorados. Abram o vosso coração, mostrem-Lhe as vossas feridas...

Leiam a Bíblia... à semelhança dos namorados que escrevem cartas de amor. Jesus tem cartas de amor escritas na Bíblia, que nos guiam e nos mostram o caminho.

O princípio da intimidade entre namorados é o mesmo princípio da intimidade com Deus: visitar a pessoa amada e escutar o que ela nos quer dizer ou mostrar, isto é, visitar Jesus no santíssimo sacramento e ler a Bíblia.


quinta-feira, 20 de abril de 2023

A conversão da “pecadora” que o Padre Pio acompanhou espiritualmente

 



A desolação espiritual de Raffaelina Cerase e o apego ao santo de Pietrelcina foram até objeto de insinuações sem fundamento

O Padre Pio tinha uma relação epistolar muito importante com uma de suas filhas espirituais: Raffaelina Cerase. Descrevendo-se repetidamente como uma “pecadora endurecida”, buscando (e obtendo) a todo custo encontros espirituais com o frade de Pietrelcina, a relação entre a mulher de Foggia e o Padre Pio foi instrumentalizada por alguns autores.

A cronologia exata dos eventos

No livro “Padre Pio e Raffaelina Cerase” (Mimep Docete) de Marcello Stanzione e Francesco Guarino, é dada a cronologia exata da relação epistolar entre os dois, que testemunha o caminho de crescimento interior de Raffaelina, desvinculado de qualquer outra referência (não-espiritual) ao então jovem Padre Pio.

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“O alvorecer de um anjo”

Raffaelina Cerase – Lellina, apelido de família – uma nobre de Foggia que viveu no final do século XIX e início do século XX (1868-1915), nasceu em Foggia, Apúlia, de uma família de proprietários de terras. Padre Benedetto Nardella – em seu livreto biográfico sobre a mulher – descreve seu nascimento como “o alvorecer de um anjo”.

Raffaelina foi confiada aos cuidados espirituais de sua tia, uma freira que vivia no convento carmelita em Lucera, onde permaneceu até os sete anos de idade, antes de mergulhar, como ela mesma escreveria em sua correspondência com o Padre Pio, completamente na vida mundana “cega, surda, malvada”. Uma série de acontecimentos lamentáveis, entretanto, parece ter sido decisiva em sua vida: a morte de seu pai em 1904.

A desagregação na família

Após a morte de seu pai, uma série de desentendimentos com seu irmão Matteo começou por razões de interesse próprio que a levaram, junto com sua irmã Giovina, a se mudar da casa de seu pai e a viver por sete anos, de 1907 a 1914, no ‘exílio’, como ela mesma diz, em uma casa alugada.

Conversão

A conversão de Lellina ocorreu aos 21 anos de idade, em 1889, quando sua condição de solteira já havia sido totalmente delineada. O exemplo de sua tia que morreu no conceito de santidade, no entanto, deixaria nela uma marca indelével.

Ela conheceu o Padre Pio no final de 1914, através de seu diretor espiritual Padre Agostino de San Marco, em Lamis. Ela pediu a permissão dele para iniciar uma correspondência e ele concordou. O restabelecimento da paz na família em 1915, Raffaelina a atribui às orações de intercessão do Padre Pio.

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A Terceira Ordem

Em virtude disso, ela se inscreveu na Ordem Terceira Franciscana no convento vizinho dos Capuchinhos, ao mesmo tempo em que militava junto com Giovina nas fileiras da Ação Católica feminina. Ambas doentes, empreenderam muitas viagens.

Os primeiros sintomas do câncer

Em junho de 1914, encontrando-se em Savona em uma pensão de freiras, pensaram em ir para Lourdes, mas o estouro da guerra as levou de volta a Foggia, onde em março de 1915 obtiveram permissão para montar um oratório privado. Elas passaram suas férias na ilha de Ischia, em Casamicciola, onde Raffaelina sentiu os primeiros sintomas de um tumor grave no verão de 1915.

Conhecendo pessoalmente o Padre Pio

Foi somente em 17 de fevereiro de 1916 que Raffaelina Cerase conheceu o Padre Pio, que tinha vindo a Foggia para se mudar para o convento de Sant’Anna. Ela tentou, mas em vão, junto com o Padre Agostino de San Marco em Lamis, trazê-lo a Foggia. Ela faleceu em 25 de março do mesmo ano, assistida por seu próprio pai espiritual.

A “escuridão” de Raffaelina

O conceito que muitas vezes retorna nas cartas de Raffaelina com seu pai espiritual é a “escuridão”, a “noite”, como a angústia de uma vida passada entre lutas e tristezas: “Tenho uma preocupação […] a escuridão me assusta, me oprime” (27.5.1914).

Desprendimento de coisas terrenas

O que Lellina está passando é o desapego das coisas terrenas, a noite de desolação pela qual todos os místicos passam antes de alcançar a união transformadora com Cristo. Experimenta-se esta purificação quando do estado de intoxicação experimentado no início da vida espiritual, especialmente na conversão, passa-se a um estado de caminhar em que se progride e ao mesmo tempo se trabalha para estar unido a Deus e agradar apenas a Ele.

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O pedido ao Padre Pio

Na carta de 24.3.1914, Raffaelina Cerase escreveu ao Padre Pio pedindo-lhe que intercedesse junto a Jesus para que ele não a expulsasse, “para que ele a fizesse morrer” para si mesma. Mesmo nas cartas seguintes, uma certa tribulação de sua alma é perceptível. Nesta busca de elevação espiritual, que é fortemente exigente, ela chega ao ponto de censurar o Padre Pio por seu silêncio sobre sua privilegiada experiência santificadora que ela quer compartilhar a todo custo: “Eu sei tudo sobre você, por que ficar em silêncio comigo? Por que se esconder?” (13.5.1914).

“Um pouco de luz, padre”

Na carta de 8.4.194 ele chegava ao ponto de dizer: “Um pouco de luz, padre, espero de você, de sua caridade, luz aos meus passos, movimento santo a esta minha vida inerte e tola, fogo divino puro ao meu coração de gelo”. Neste caminho, a exaltação da dor, que o Padre Pio lhe incute como fonte de alegria por ter sido chamado a cooperar na salvação das almas, é direcionada para uma confiança ilimitada em Jesus e na ação do Espírito Santo.

O desejo de perfeição cristã

O primeiro passo para a perfeição cristã é desejá-la. O desejo em Raffaella é um movimento da própria alma em direção a Jesus, aceitando na prática a idéia de que a graça divina se manifesta através dos tormentos do espírito e do corpo. Padre Pio a conduz pela mão nesta busca pela perfeição.

Padre Pio, no silêncio de seu “coração” a convida a oferecer louvores e bênçãos a Deus, a perseverar no desejo de sofrer, a ser humilde, obediente e caridoso, a aceitar enfermidades e infortúnios e a confiar em Jesus. Mas a mudança, Raffaella sentiu lentamente. Ela não se dá conta do grande trabalho que o Padre Pio está fazendo em sua alma. Ela se sente sempre agarrada às paixões, uma prisioneira das misérias do corpo a ponto de pensar que está praticando práticas cristãs de forma demasiado superficial e distraída (15.9.1914).

Longas conversas espirituais

Todas as manhãs, até o dia de sua morte em 25 de março de 1916, o Padre Pio ia a Foggia para visitar Donna Raffaelina, ficando com ela em “longas conversas espirituais”, às vezes até celebrando a santa missa na capela particular do palácio.




A conversão da “pecadora” que o Padre Pio acompanhou espiritualmente (aleteia.org)

Quando Jesus conversou sobre o fim do mundo com o Padre Pio

 


12 mensagens sobre o Apocalipse foram reveladas ao humilde místico

Muitos não sabem, mas o Padre Pio, entre tantos outros dons, tinha um muito especial: o da profecia. De fato, até o Senhor Jesus Cristo se comunicava com ele. Em uma carta de 1959 dirigida ao seu superior, Padre Pio conta a revelação que Jesus lhe tinha feito sobre o fim do mundo.

A carta é longa. Por isso, publicaremos apenas um trecho com 12 mensagens tiradas do livro “I grandi profeti”, de Renzo Baschera.

  1. O mundo está andando em ruínas. Os homens abandonaram o caminho correto para se aventurar em caminhos que terminam no deserto da violência. Se não voltarem a beber na fonte da humildade, da caridade e do amor, será uma catástrofe.
  2. Coisas terríveis virão. Já não posso interceder pelos homens. A piedade divina está a ponto de terminar. O homem fora criado para amar a vida, e terminou destruindo a vida…
  3. Quando o mundo foi confiado ao homem, era um jardim. O homem o transformou em uma atmosfera cheia de veneno. Nada serve agora para purificar a casa do homem. É necessário um trabalho profundo, que só pode vir do céu.
  4. Preparem-se para viver três dias em total escuridão. Estes três dias estão muito próximos. E, nestes dias, os homens permanecerão como mortos, sem comer nem beber. Depois, a luz voltará. Mas muitos serão os homens que não mais a verão.
  5. Muita gente escapará assustada. Correrão sem ter uma meta. Dirão que há salvação no oriente e as pessoas correrão para lá. Mas cairão em um precipício. Dirão que no oriente há salvação, e as pessoas correrão para lá. Mas cairão em um forno.
  6. A terra tremerá e o pânico será grande. A terra está enferma. O terremoto será como uma serpente: o sentirão arrastar-se por todos os lados. E muitas pedras cairão. E muito homens perecerão.
  7. Vós sois como formigas, porque virá o tempo em que os homens tirarão os olhos por uma migalha de pão. Os negócios serão saqueados, os armazéns serão tomados em assalto e destruídos. Pobre será aquele que, nestes dias escuros, estiver sem uma vela, sem um copo de água e sem o necessário por três meses.
  8. Uma terra vai desaparecer… uma grande terra. Um país será apagado para sempre dos mapas. E com ele serão levados para a lama os homens, a história e a riqueza.
  9. O amor do homem será transformado em palavra vazia. Como podes esperar que Jesus te ame, se nem sequer tu amas os que comem em tua própria mesa? Da ira de Deus não serão perdoados os homens de Ciência, mas os homens de coração.
  10. Estou desesperado. Não sei o que fazer para que a humanidade se arrependa. Se continuar por este caminho, a tremenda ira de Deus se desencadeará como um tremendo raio.
  11. Um meteorito cairá sobre a terra e tudo brilhará. Será um desastre, muito pior que uma guerra. Muitas coisas serão canceladas. E este será apenas um dos sinais…
  12. Os homens viverão uma experiência trágica. Muitos serão levados pelos rios, outros serão queimados pelo fogo, muitos serão enterrados pelos venenos. Mas eu me manterei perto dos puros de coração.

Realmente, são mensagens que nos fazem refletir. Mas quando será este dia? A resposta está na Bíblia!


Quando Jesus conversou sobre o fim do mundo com o Padre Pio (aleteia.org)

terça-feira, 18 de abril de 2023

Esclarecimento sobre a ICAB: Igreja Católica Apostólica Brasileira





Esboço histórico e orientação da ICAB

A chamada «Igreja Católica Apostólica Brasileira» se deve a D. Carlos Duarte Costa, ex-bispo de Maura.

Nasceu D. Carlos no Rio de Janeiro aos 21 de julho de 1888. Fez parte de seus estudos eclesiásticos em Roma, vindo a ordenar-se no Brasil a 1 de abril de 1911. Após desempenhar funções de responsabilidade no Rio de Janeiro, foi nomeado bispo de Botucatu (Est. de S. Paulo) aos 4 de julho de 1924. Pouco feliz decorreu o governo do novo Prelado, que se viu envolvido em questões de mística desorientada, embates políticos e administração financeira; pelo que, em 1937, foi destituído de sua diocese e nomeado bispo titular de Maura (na Mauritânia, África ocidental), fixando residência no Rio de Janeiro. Em breve, porém, D. Carlos viu-se a braços com novas lutas: em 1942 apelou publicamente para o Presidente da República a fim de que interviesse na Igreja e expulsasse bispos e sacerdotes «fascistas, nazistas e falangistas»; acusou a Ação Católica de espionagem em favor do totalitarismo da direita; prefaciou elogiosamente o livro «O Poder Soviético» de Hewlet Johnson e atacou por escrito as Forças Armadas do Brasil. Em consequência foi preso como comunista e enviado para uma cidade de Minas Gerais, onde permaneceu na qualidade de hóspede.

Diante dos escândalos e rumores que se propagavam em torno da pessoa de D. Carlos, as autoridades eclesiásticas, após frustrados esforços para apaziguar o Prelado, julgaram oportuno suspendê-lo de ordens em 1944. Ficando vã, porém, esta medida, D. Carlos foi excomungado aos 6 de julho de 1945, dia em que resolveu fundar a dita «Igreja Católica Apostólica Brasileira»; em vista de tal gesto, o Santo Ofício declarou D. Carlos excomungado «vitandus» (a ser evitado) aos 3 de julho de 1946 (a respeito de suspensão e excomunhão, veja «P. R.» 54/1962, qu. 5).

Um dos primeiros atos públicos da ICAB foi a fundação do «Partido Socialista Cristão», sob a orientação de D. Carlos. Este chegou a apresentar um candidato à presidência da República, com o qual, porém, se desentendeu em breve, ficando fracassado o novo partido.

Depois de excomungado, o fundador da ICAB apressou-se em sagrar bispo o Rev. Salomão Ferraz, que fôra pastor presbiteriano, depois ministro episcopaliano. D. Salomão, porém, não permaneceu com o seu novo Prelado, do qual se desligou em breve para organizar, por conta própria, a «Igreja Católica Livre» do Brasil (D. Salomão entrou finalmente na genuína e única Igreja Católica em 1960).

D. Carlos promoveu, direta ou indiretamente, a sagração de 21 bispos (entre os quais figura Antídio Vargas, atualmente residente em Lages, Sta. Catarina) e a ordenação de cerca de 150 sacerdotes domiciliados no Brasil. Muito precária é a formação intelectual e moral desses «ministros»; o candidato pode, em alguns casos, obter a ordenação sacerdotal dentro de oito dias. Verifica-se, porém, que, assim como esses membros facilmente apoiam a ICAB, assim facilmente a desprestigiam, criando «cismas internos» ou abandonando por completo o movimento. Assim da ICAB já procederam as seguintes ramificações:

Igreja Católica Livre ou Ordem de Santo André;

Igreja dos Velhos Católicos (secção brasileira);

Igreja Ortodoxa Brasileira;

Igreja Ortodoxa Latina, além de outras mais, cuja existência produz lamentável confusão religiosa e crescente relativismo entre o povo.

A doutrina religiosa da ICAB tem-se caracterizado pelo ecleticismo ou pela vacilação: pode alguém professar o budismo, a teosofia, o espiritismo, a umbanda, o comunismo ou a maçonaria e, não obstante, pertencer à ICAB. O que esta requer, em todo e qualquer caso, é que seus membros recusem obediência ao Papa. A revista dirigida por D. Carlos com o titulo «A Luta» tem atacado não somente o Papado, mas também os votos religiosos, o celibato, a confissão sacramental, além de outros pontos doutrinários da Sta. Igreja.

Uma das grandes fontes de renda do movimento é a celebração inescrupulosa de certos ritos (como pretensas «Missas» e «Crismas», casamentos de pessoas divorciadas ou desquitadas,…).

Assim, em dias de festa, já tem havido mais de 60 «Missas» celebradas por três ou quatro «ministros» apenas no templo nacional de Sant’Ana e Nossa Senhora Menina, da Penha (Rio de Janeiro); trata-se de celebrações feitas «a seu modo», ou seja, mutiladas, até mesmo nas palavras da Consagração.

De resto, os Estatutos da ICAB declaram que podem ser admitidas nesta entidade todas as formas de culto, entendendo-se por culto «qualquer manifestação regimentada filosófica ou temporal que vise os dois postulados básicos das Igrejas Católicas Apostólicas Nacionais : «Amai-vos uns aos outros» e «Não façais, nem deixeis que façam, ao próximo o que não quereis que vos façam»» (cf. revista «Luta» n. 1 [1947] pág. 20s).

O ecleticismo de D. Carlos Duarte Costa lhe atraiu, por algum tempo, a simpatia e o apoio de não poucos oportunistas, entre os quais uns comunistas perspicazes, outros políticos desejosos de granjear eleitores, até mesmo mediante subvenções financeiras.

Em vista da confusão provocada pelo uso de vestes sacerdotais e de cerimônias iguais às que se encontram na Igreja Católica, o Governo Brasileiro aos 27 de setembro de 1949 proibiu à ICAB o emprego dos trajes eclesiásticos e dos ritos característicos da Igreja Católica (parecer do Ministro Haroldo Teixeira Valladão, Consultor Geral da República, em resposta a uma consulta do Sr. Ministro da Justiça; texto publicado no «Diário Oficial» de 25/IX/1948 e, em parte, transcrito na «Revista Eclesiástica Brasileira» 18 [1958] 565-570). Em consequência da atitude do Governo, D. Carlos prescreveu a seus ministros algumas modificações na indumentária (batina de cor cinza, por exemplo) e no exercício do culto, o que não tem sido suficiente para impedir dolorosos equívocos religiosos; apesar de toda a sua aversão à Igreja Católica Romana, D. Carlos e seus sequazes sempre fizeram questão de conservar certos costumes da Santa Igreja. Em alguns Estados, a Polícia tem-se empenhado pela observância da proibição governamental, vedando os atos públicos de culto dos movimentos cismáticos.

O infeliz fundador da ICAB experimentou graves dissabores na história do seu empreendimento: assim viu a policia fechar o seu Seminário no Rio por motivos de imoralidade e falsificação de dinheiro; viu também os seus bispos disputarem entre si a sucessão na chefia da ICAB; para apaziguar os ânimos, resolveu, pouco antes de morrer, repartir os poderes entre D. Pedro dos Santos Silva (sacerdote católico apóstata), o qual seria orientador geral da «Igreja» e bispo do Estado do Rio de Janeiro, e D. José Aires Cruz (bancário, solteiro, recém sagrado), nomeado bispo do Estado da Guanabara.

Após existência muito turbulenta e, sem dúvida, amargurada, veio D. Carlos a falecer aos 26 de março de 1961 no Rio de Janeiro, com a idade de 72 anos. Não consta haja dado sinais de arrependimento; quando foi transferido para o Hospital na véspera de sua morte, já se achava em estado inconsciente. Deus o tenha em seu justo juízo!

Com o desenlace do fundador, o movimento da ICAB perdeu muitas das suas probabilidades de futuro. Contudo, embora tenda a se diluir cada vez mais, vai exercendo ação nefasta, pois solapa a fé do povo brasileiro, fomentando um clima de relativismo e oportunismo em matéria de religião (quem quer ter Religião «a seu modo» encontra fácil cobertura na ICAB).

Problema especial é suscitado pelas sagrações episcopais e as ordenações sacerdotais que D. Carlos Duarte Costa efetuou: sendo verdadeiro bispo, este Prelado fazia questão de aplicar exatamente o Ritual da Igreja Católica a fim de garantir a validade das ordens que conferia; terá então dado existência a uma série de bispos e sacerdotes capazes de consagrar validamente a S. Eucaristia e celebrar a S. Missa, com os perigos de profanação daí decorrentes? — A este respeito pronunciou-se oportunamente aos 12 de abril de 1958 o episcopado da Provinda de Belo Horizonte, cuja declaração vai aqui transcrita:

«Não faltam teólogos eminentes que põem em dúvida o valor das ordenações da «Igreja Brasileira», o que, pelo menos, vem evitar a profanação do augustíssimo Sacramento da Eucaristia, não havendo em suas missas consagração verdadeira (1)».

(1) O parecer desses teólogos se baseia em que falta ao «Bispo de Maura» e a seus adeptos a intenção de fazer o que faz a Igreja. Apesar de o declararem com palavras e com a imitação servil dos ritos e das formulas, na realidade files não querem fazer o que faz a Igreja, porque ordenam padres para viverem fora e contra a unidade da Igreja verdadeira, padres para ensinarem dogmas diferentes e antagônicos aos que a Igreja ensina, padres para administrarem sacramentos de cuja eficácia não pensam mais como pensa a Igreja. Fazem como a Igreja faz, mas não fazem o que a Igreja faz» (texto transcrito da «Revista Eclesiástica Brasileira» 18 [19S8] 564).

Quem,.na administração dos sacramentos, não faz o que a Igreja faz, não faz o que Cristo faz, pois Cristo prolonga a sua existência e atuação na Igreja; não há união com Cristo sem união com a Igreja e vice-versa. — Eis o motivo que leva a duvidar da validade dos ritos sacramentais conferidos pela ICAB. A dúvida é muito plausível; não há, porém, definição eclesiástica peremptória sobre o assunto. A Santa Sé, sem discutir a questão da validade, apenas declarou que não reconhece a legitimidade das ordens conferidas pelo ex-bispo de Maura.
Igrejas Católicas Nacionais

Logo que rompeu com a Igreja Católica, tratou D. Carlos de promover a fundação de Igrejas Católicas «Nacionais», não só no Brasil mas também em outros países da América Latina.

Para auxiliá-lo nesta tarefa, encontrou um sacerdote católico venezuelano, Luis Fernando Castillo Mendez, cuja situação eclesiástica era complicada… Com efeito, o Pe. Mendez fôra ordenado sacerdote em Barcelona (Espanha; portanto, fora da sua pátria) mediante apresentação de falsa carta comendatícia. Ao regressar à Venezuela, foi suspenso de ordens (2 de fevereiro de 1945). Retirou-se então para uma fazenda no interior do país, a fim de evitar expulsão da pátria. Aos 6 de julho de 1945, porém, tornou-se vitoriosa uma revolução no país, o que lhe possibilitou a realização do seu desejo de fundar uma Igreja Cismática Venezuelana. D. Carlos Costa, no Brasil, só podia favorecer o intento, prontificando-se mesmo para sagrar «bispo primaz» da nova Igreja o infeliz sacerdote. Contudo, já que os governos da Venezuela e do Brasil não permitiam que os dois interessados se encontrassem em território venezuelano, foram ambos para o Panamá: assim aos 3 de maio de 1948, na igreja «Union» de Balboa (zona central do Panamá), D. Carlos sagrou bispo D. Luís Fernando Castillo Mendez, sendo consagrantes Salomão Ferraz e Antídio Vargas, membros da ICAB.

O novo «primaz» começou a exercer suas funções sagrando bispos os sacerdotes Mons. Estêvão Corradi e Mons. Francisco José Verde, que passaram a integrar a «Igreja Católica Venezuelana».

Mons. Estêvão Corradi, por sua vez, sagrou Mons. Alberto A. Steer, o qual se tornou bispo fundador da «Igreja Católica Apostólica Panamense».

Quanto a D. Luís Fernando Castillo Mendez, foi depreendido em atividades comunistas e exilado da Venezuela. Hospedou-se então por breve tempo na Guatemala, onde deu início à «Igreja Católica Apostólica Guatemalteca». A seguir, pediu a proteção de D. Carlos Costa, vindo para o Brasil, onde se entregou a atividades pastorais em Uberlândia (Minas), no período de 1950 a 1958; ao mesmo tempo lecionava espanhol no Colégio Brasil Central da cidade, dirigido por maçons. No Rio de Janeiro (Santa Teresa), havia pequeno Seminário, sob a jurisdição de D. Mendez, estabelecimento que foi fechado pela polícia. Finalmente entrou em choque com o ex-bispo de Maura; veio para o Rio de Janeiro, a fim de se desembaraçar das crescentes dificuldades que encontrava para se impor em Minas e Goiás. Após o desenlace de D. Carlos em 1961, ainda pretendeu tomar posse da Arquidiocese da Guanabara, dentro da ICAB, mas não o conseguiu, estrangeiro e turbulento como era. Transferiu-se então para Brasília, onde vai exercendo atividades…

Além das Igrejas Nacionais do Brasil, da Venezuela, do Panamá e da Guatemala, D. Carlos aspirava por ver ainda a do México, esperando que suas relações com sacerdotes apóstatas desse país dessem origem a mais um cisma.
Um juízo sobre o assunto

Como se compreende, absurda e contraditória é a ideia de criar Igrejas Católicas «Nacionais». A Igreja de Cristo, justamente por ser católica (universal), paira acima de qualquer nacionalidade; ela não representa nem o patriotismo romano nem o patriotismo brasileiro. Seu Chefe invisível é Jesus Cristo, que quis ser representado na terra pelo apóstolo São Pedro e por seus sucessores (cf. Mt 16,16-18); ora, Pedro tendo sido bispo e mártir em Roma, a Igreja de Cristo, que é também Igreja petrina, é dita outrossim Igreja Romana. Este atributo, como se vê, nada tem que ver com nacionalismo; está longe, portanto, de justificar a fundação de uma Igreja Católica «Brasileira» ou «Venezuelana» ou «Panamense»:.. Cf. «P. R.» 13/1959, qu. 2.

Aliás, o caráter supranacional da Igreja de Cristo e o seu Governo uno, centralizado (com sede em Roma) são condições de coesão e grandeza da Santa Igreja. Os adversários sempre tiveram consciência disto,’ de modo que ainda hoje a tática dos que desejam destruir o Cristianismo de maneira ainda mais eficaz do que pela perseguição violenta, consiste justamente em promover a fundação de Igrejas Nacionais autônomas; é o que têm empreendido os governos comunistas na Europa Oriental e na Ásia… E foi infelizmente o que tentou realizar também D. Carlos D. Costa, fazendo assim (sem o saber, talvez) causa comum com os mais ferrenhos opositores do Cristianismo.

Como atenuante para a conduta do infeliz ex-bispo de Maura, tem-se citado o seu temperamento extremamente nervoso e vibrátil, que tocava mesmo as raias do patológico. Só Deus o pode julgar devidamente.

sábado, 25 de março de 2023

O silêncio de São José e a Quaresma

 



São José orienta-nos a viver intensamente a Quaresma - tempo que a Igreja nos propõe uma mudança de vida


Éfato e notório a todos os cristãos, sejam católicos ou não, que os Evangelhos sinóticos são Cristocêntricos, isto é, foram escritos com o objetivo de a anunciar a vinda, morte e ressurreição de Jesus. Por esta razão, tudo mais que ocorre ao longo destes textos sagrados ficam em “segundo plano”, são relatos que acrescentam as ações de Nosso Senhor, mas não as sobrepõem. Isto se nota, por exemplo, quando São João Batista diz: “Importa que Ele (Jesus) cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). Neste sentido vê-se que há um silêncio total de São José. Não há um versículo sequer em que ele diz uma palavra.

Ora, o que se pode aprender de um homem que nada fala?

Quando nos silenciamos, abrimo-nos à possiblidade da auto-escuta, da reflexão. E, nas correrias do dia a dia, infelizmente não dispomos de muito tempo pra isto, né?

Daí a importância de reservamos um tempo para o silêncio e aprendermos com São José que, no seu silêncio, orienta-nos a viver intensamente o período da Quaresma, tempo que a Igreja nos propõe para mudança de vida.

A Santa Igreja, Mãe educadora, inicia a Quaresma na quarta-feira de Cinzas com o Evangelho de São Mateus (Mt 6,1-6;16-18), orientando-nos como bem viver este período: esmola, oração e jejum.

Virtudes de São José

Mas, o que estas orientações da Igreja têm a ver com as virtudes de São José?

Vejamos.

Dar esmola é um ato de bondade. É capaz de reconhecer no pobre o próprio Jesus: “Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”. (Mt 25,40) É, sobretudo, um ato de caridade. Qual foi a esmola de São José? Sua própria vida. Deu-se inteiramente a Maria e a Jesus.

Para a oração é necessária a “fundamento da esperança, uma certeza a respeito do que não se vê” (Hb 11,1). É fazer a coisa certa, sempre andar na vontade de Deus. Como o justo é aquele que dá a Deus o que devido, cumpre os preceitos e a vontade de Deus, São Tiago nos recorda que “a oração do justo tem grande eficácia” (Tg 5,16). São José era íntimo de Deus ao ponto de lhe aparecer um anjo em sonhos (Mt 1,20) enquanto pensava na gravidez de Nossa Senhora. Veja bem, ele apenas pensava, e não julgava. Portanto, um homem justo, de fé, de oração

Para se fazer o Jejum é necessário ter Fortaleza, a capacidade de manter-se firme diante de dificuldades. E, sejamos sinceros: jejuar nem sempre é fácil. Afinal, o corpo reclama a falta de alimentos. Por isto ela é acompanhada da Prudência, a capacidade de escolher bem e decidir pelo bem em qualquer circunstância. E aqui faz-se importante notar que o jejum pode não ser apenas do alimento, mas também das ações como, por exemplo, o jejum da língua, pois “a língua, porém, nenhum homem a pode domar. É um mal irrequieto, cheia de veneno mortífero.” (Tg 3,8). Foi graças a Prudência de São José que ele não difamou Maria. Manteve sua fortaleza inabalável, uma vez que não duvidou, mas acreditou.

São José e a Quaresma

Nessa Quaresma, convido você a meditar com os mistérios da vida de São José. Na rede social de oração Hozana, você encontrará o Terço Abençoado de São José. Ele é um complemento harmonioso à devoção mariana e contribui para nossa maior compreensão acerca do grande mistério que é o plano da salvação do povo de Deus. O Terço Abençoado de São José é fruto da oração e do grande amor do padre Luiz Roberto Di Lascio para com São José. Clique aqui para rezar o Terço de São José!

São José: pai na ternura, obediência, coragem e no acolhimento

Aprendamos com o Sumo Pontífice, o Papa Francisco, sobre este silencioso São José, pai adotivo de Jesus e nosso:

“Em São José temos a figura do PAI AMADO, sempre amado pelos cristãos, como esposo de Maria e pai de Jesus, grande homem a quem podemos recorrer nos tempos de aflição, como acorreram àquele José, filho de Jacó e governador no Egito, abaixo apenas do Faraó (Gn 41, 55). Temos nele, pai de Jesus, o “cardo” ou dobradiça que divide Antigo e Novo Testamento”.



São José também é PAI NA TERNURA e o menino Deus pôde ver naquele homem bondoso os primeiros traços da ternura de Deus, um Deus que é terno, amoroso, generoso, que compreende nossas fraquezas e nos convida a caminhar em seu amor, deixando-nos conduzir por Ele, que sempre está a esperar por nós, como o pai misericordioso do filho pródigo (Lc 15, 11-32), enquanto muitas vezes nos deixamos contagiar pela dureza do filho mais velho.

Foi PAI NA OBEDIÊNCIA, dispondo-se a aceitar as orientações divinas e a difícil missão – por amor a Deus, a Maria e ao nascituro menino – de tornar-se chefe da Sagrada Família e guardião dos maiores tesouros da humanidade. Com coragem e solicitude, ele, cuja bondade impediu de condenar Nossa Senhora, angustiado pela gravidez incompreensível, a toma por esposa ao saber donde provinha a criança que estava para nascer, e assim também foge para o Egito e depois vai a Nazaré, na Galileia. Enquanto servo submisso ao Pai do Céu, também lhe coube ensinar ao menino Deus a importância de serem os filhos submissos e respeitosos, honrando seus pais, observando as leis de Deus e dos homens e exercendo a paternidade de forma exemplar.

São José também foi PAI NO ACOLHIMENTO. Ciente de que a criança gestada por Nossa Senhora era o filho de Deus e de todas as responsabilidades que enfrentaria, inclusive em seu Santo Matrimônio, vivido em plena castidade, como antecipação daquele amor que existe plenamente no Céu, onde as pessoas não se casam nem se dão em casamento, acolhe sua amada sem impor condições e acolhe como seu aquele filho que lhe foi confiado. Não age como alguém resignado, mas assume a missão com maestria, exemplar como pai e como esposo.

Coragem e trabalho

Ainda temos em São José um PAI COM CORAGEM CRIATIVA, com constantes iniciativas para superar as dores e adversidades, como vemos em muitos pais sofridos em nossos tempos, que com dignidade e empenho, “tiram leite de pedras” para que suas famílias sobrevivam, como fez esse grande santo, para em meio a tantas viagens, à Belém por ordem imperial, ao Egito para fugir da perversidade de Herodes ou a Nazaré para se estabelecer, empenhar sua vida e seu labor de carpinteiro no sustento dos seus.

Daí concluímos que também no esposo de Maria temos um PAI TRABALHADOR, carpinteiro honesto e dedicado que ensinou ao Nosso Senhor sua profissão e a dignidade do trabalho honrado, que deve tirar o suor do rosto e colocar o pão à mesa, dar paz, conforto e segurança à família. Quantos em nossos dias não tem um trabalho ou o tem de forma indigna e imoral para custear injusta opulência de poucos. Mesmo assim, não podem desanimar os trabalhadores que encontram no operário São José, um patrono fiel e intercessor dedicado.

Por último, mas não menos importante, vemos em São José um PAI NA SOMBRA, exercendo seu papel dignamente e propiciando o crescimento do Menino Deus para Sua própria Missão: o sustentou, o amou, o ensinou, esteve com ele até seu último instante. Essa paternidade que não é um exercício de posse, mas sinal daquela paternidade suprema encontrada em Deus que também nos dá a liberdade de filhos e filhas, mas espera que, em tributo ao Seu Amor, trilhemos o caminho correto.

Wellington de Almeida Alkmin, pelo Hozana


O silêncio de São José e a Quaresma (aleteia.org)