domingo, 21 de abril de 2024

OS EFEITOS DA EUCARISTIA

 S. Tomás de Aquino





OS EFEITOS DA EUCARISTIA


- Summa Theologiae IIIa. Pars Qs. 79-80 -
- Sermão sobre o Corpo do Senhor -



01.

No Sacramento da Eucaristia, em virtude das palavras da instituição, as espécies simbólicas se mudam em corpo e sangue; seus acidentes subsistem no sujeito; e nele, pela consagração, sem violação das leis da natureza, o Cristo único e inteiro existe Ele próprio em diversos lugares, assim como uma voz é ouvida e existe em vários lugares, continuando inalterado e permanecendo inviolável quando dividido, sem sofrer diminuição alguma. Cristo, de fato, está inteira e perfeitamente em cada e em todo fragmento de hóstia, assim como as aparências visíveis que se multiplicam em centenas de espelhos.

02.

O efeito deste Sacramento deve ser considerado, portanto, primeira e principalmente em função daquilo que nele está contido, que é o Cristo.

Ele, vindo ao mundo em forma visível, trouxe ao mundo a vida da graça, segundo nos diz o Evangelho de João:

"A graça e a verdade, porém,
vieram por meio de Jesus Cristo".

Assim, da mesma forma, vindo Cristo ao mundo em forma sacramental, opera a vida da graça, segundo ainda outra passagem do mesmo Evangelho:

"Quem me come,
viverá por mim",

03.

O efeito deste Sacramento deve, ademais, ser considerado também pelo que ele representa, que é a Paixão de Cristo. Por isto, o efeito que a Paixão de Cristo realizou no mundo, este Sacramento também realiza no homem.

04.

O efeito deste Sacramento também deve ser considerado pelo modo através do qual ele é trazido aos homens, que é por modo de comida e bebida. E por isto todo efeito que a bebida e a comida material realizam quanto à vida corporal, isto é, sustentar, crescer, reparar e deleitar, tudo isto realiza este Sacramento quanto à vida espiritual. E é por isto que se diz:
"Este é o pão da vida eterna,
pelo qual se sustenta
a substância de nossa alma".

De onde que o próprio Senhor diz, no Evangelho de São João:

"Minha carne é verdadeiramente comida,
e meu sangue é verdadeiramente bebida".

05.

Finalmente, o efeito do Sacramento da Eucaristia deve ser considerado pelas espécies em que este Sacramento nos é oferecido. Foi por causa disto que escreveu Santo Agostinho:
"O Senhor confiou-nos
o Seu Corpo e o Seu Sangue
em coisas tais que são reduzidas à unidade
a partir de muitas outras,
porque o pão é um,
embora conste de muitos grãos,
e o vinho é feito
a partir de muitas uvas".

E por isso ele também escreveu em outro lugar:

"Ó Sacramento da piedade,
ó sinal da unidade,
ó vínculo da caridade!".

06.

E porque Cristo e sua Paixão são causa da graça, e uma refeição espiritual e a caridade não podem existir sem a graça, por todas estas coisas é manifesto que este Sacramento confere a graça.

07.

Mas, conforme diz São Gregório na homilia de Pentecostes,
"o amor de Deus não é ocioso;
opera grandes coisas,
se de fato existe".

Por isto, por meio deste Sacramento, o quanto pertence a seu efeito próprio, não somente é conferido o hábito da graça e da virtude, mas também esta é conduzida ao ato, segundo o que está escrito na Segunda Epístola aos Coríntios:

"O amor de Cristo
nos impele".

Daqui é que provém que pela virtude do Sacramento da Eucaristia a alma faz uma refeição espiritual por deleitar-se e inebriar-se pela doçura da bondade divina, segundo o que diz o Cântico dos Cânticos:

"Comei, amigos, e bebei;
e inebriai-vos, caríssimos".

08.

Este Sacramento também tem virtude para a remissão dos pecados veniais, o que pode ser visto pelo fato de que ele é tomado sob a espécie de alimento nutritivo. A nutrição proveniente do alimento é necessária ao corpo para restaurar aquilo que em cada dia é desperdiçado pelo calor natural. Espiritualmente, porém, em nós também é desperdiçado a cada dia algo pelo calor da concupiscência pelos pecados veniais que diminuem o fervor da caridade. E por isto compete a este Sacramento a remissão dos pecados veniais. De onde que Santo Ambrósio diz, no livro Dos Sacramentos, que este pão de cada dia é tomado
"como remédio
da enfermidade de cada dia".

09.

Ademais, a coisa deste Sacramento é a caridade, não somente quanto ao hábito, mas também quanto ao ato, ao qual é conduzida neste Sacramento, pelo qual os pecados veniais se dissolvem. De onde que é manifesto que pela virtude deste Sacramento ocorre a remissão dos pecados veniais. Os pecados veniais, ao contrário dos mortais, não contrariam a caridade quanto ao hábito, mas contrariam a caridade quanto ao fervor do ato, ao qual é conduzida por este Sacramento. É por esta razão que os pecados veniais são perdoados pelo Sacramento da Eucaristia.

10.

O Sacramento da Eucaristia pode também perdoar toda a pena devida ao pecado. Este efeito pode ocorrer tanto por ele ser sacrifício, como por ser sacramento. A Eucaristia possui razão de sacrifício na medida em que é oferecido; possui razão de sacramento na medida em que é tomado.

11.

Como Sacramento, a Eucaristia possui diretamente aquele efeito para o qual foi instituído. Não foi, porém, como Sacramento, instituído para satisfazer, mas para alimentar espiritualmente pela união a Cristo e aos seus membros, assim como o alimento se une ao alimentado. Mas porque esta união se realiza pela caridade, por cujo fervor alguém pode conseguir a remissão não apenas da culpa, mas também da pena, daqui ocorre que por conseqüência, por uma certa concomitância ao efeito principal, o homem alcança a remissão também para a pena. Não, porém, de toda a pena, mas de acordo como o modo de sua devoção e fervor.

12.

Mas, na medida em que é Sacrifício, a Eucaristia possui virtude satisfatória. Entretanto, também na satisfação mais deve se considerar o afeto do oferente do que a quantidade da oblação, de onde que o Senhor disse, no Evangelho de São Lucas, da viúva que ofereceu apenas duas moedas, que
"ofereceu mais do que todos".

Embora, portanto, a oblação eucarística pela sua própria quantidade seja suficiente para a satisfação de toda a pena, todavia torna-se satisfatória para aqueles pelos quais é oferecida, ou também para os próprios oferentes, de acordo com a quantidade de sua devoção, e não por toda a pena.

13.

A Eucaristia também preserva o homem dos pecados futuros, pelo mesmo modo em que o corpo é preservado da morte futura. O pecado é uma certa morte espiritual da alma. Ora, a natureza corporal do homem é preservada da morte pela comida e pelo remédio na medida em que a natureza humana é interiormente fortificada contra o que pode corrompê-la interiormente. É deste modo que este Sacramento preserva o homem do pecado, porque através dele, unindo-se a Cristo pela graça, é fortalecida a vida espiritual do homem, ao modo de uma comida espiritual e um remédio espiritual. É assim que diz o Salmo 103:
"O pão confirma
o coração do homem".

14.

A Eucaristia preserva o homem dos pecados futuros também defendendo-o contra as impugnações exteriores. Pois é sinal da Paixão de Cristo, pela qual foram vencidos os demônios, de modo que este Sacramento repele toda a impugnação dos demônios.

15.

Ainda que este Sacramento não diretamente se ordene à diminuição do incitamento do pecado, diminui, porém, este incitamento por uma certa conseqüência, na medida em que aumenta a caridade, porque, segundo diz Agostinho no Livro das 83 Questões,
"O aumento da caridade
é a diminuição da cobiça".

Diretamente, porém, a Eucaristia confirma o homem no bem, pelo que também é preservado o homem do pecado.

16.

Este Sacramento, ademais, é de proveito para muitos outros além dos que o recebem porque, conforme foi dito, este Sacramento não é apenas sacramento, mas é também sacrifício. Na medida em que neste Sacramento é representada a Paixão de Cristo, pela qual Cristo se ofereceu a Si mesmo como hóstia a Deus, possui razão de sacrifício. Na medida, porém, em que neste Sacramento é trazida invisivelmente a graça sob uma espécie visível, possui razão de sacramento.

17.

Assim, pois, este Sacramento é, para os que o recebem, de proveito não só por modo de sacramento, como também por modo de sacrifício, porque é oferecido por todos os que o recebem.

18.

Mas também é de proveito para os que não o recebem, embora apenas por modo de sacrifício, na medida em que é oferecido pela salvação deles. É por isso que no cânon da Missa se diz:
"Lembrai-vos, Senhor,
dos vossos servos e servas,
pelos quais nós Vos oferecemos,
e eles Vos oferecem também,
este Sacrifício de louvor,
por si e por todos os seus,
pela redenção de suas almas,
pela esperança de sua salvação
e sua segurança".

19.

O próprio Senhor, ademais, expressou que a Eucaristia seria de proveito para outros além dos que a recebem, quando disse, na última Ceia:
"Este cálice é o meu sangue,
que por vós",

isto é, os que o recebem,

"e por muitos"

outros,

"será derramado
para o perdão dos pecados".

20.

Pode-se, porém, argumentar que sendo o efeito deste Sacramento a obtenção da graça e da glória e a remissão da culpa, pelo menos da venial, se este Sacramento realmente tivesse efeito em outros além dos que o recebem poderia acontecer que alguém alcançasse a glória, a graça e a remissão das culpas sem ação nem paixão própria, por algum outro ter oferecido ou recebido este Sacramento.

Responde-se a isto dizendo que assim como a Paixão de Cristo é de proveito para todos para a remissão da culpa, e a obtenção da graça e da glória, mas não produz efeito senão naqueles que se unem à Paixão de Cristo pela fé e pela caridade, assim também este sacrifício que é a Eucaristia, memorial da Paixão do Senhor, não produz efeito senão naqueles que se unem a este Sacramento pela fé e pela caridade. De onde que no Cânon da Missa não se ora por aqueles que estão fora da Igreja. Aos que nela estão, porém, o Sacrifício Eucarístico é de proveito maior ou menor de acordo com o modo de sua devoção.

21.

Mas, assim como deve-se dizer que o Sacramento da Eucaristia obtém a remissão dos pecados veniais, assim devemos também dizer que os pecados veniais impedem o efeito deste Sacramento. Pois diz São João Damasceno:
"O fogo do seu desejo que há em nós,
acendendo-se mediante
aquele fogo que há no carvão",

isto é, neste Sacramento,

"queimará nossos pecados
e iluminará nossos corações
para que ardamos e nos deifiquemos
pela participação do fogo divino".

Mas o fogo do nosso desejo ou do nosso amor é impedido pelos pecados veniais, que impedem o fervor da caridade. Portanto, os pecados veniais impedem o efeito deste Sacramento.

22.

Os pecados veniais podem ser considerados de dois modos. De um primeiro modo, na medida em que são passados. De um segundo modo, na medida em que estão sendo exercidos em ato.

Segundo o primeiro modo, os pecados veniais de nenhum modo impedem o efeito deste Sacramento. De fato, pode acontecer que alguém, depois de ter cometido muitos pecados veniais, se aproxime devotamente a este Sacramento e alcance plenamente o seu efeito.

Porém, de acordo com o segundo modo, os pecados veniais não impedem totalmente o efeito deste Sacramento, mas apenas em parte. De fato, foi dito que o efeito deste Sacramento não é apenas a obtenção da graça habitual ou da caridade habitual, mas também uma certa refeição atual de espiritual doçura. A qual, na verdade, é impedida se alguém se aproximar a este Sacramento com a mente distraída pelos pecados veniais. O aumento da graça habitual ou da caridade habitual, porém, não é tirado.

23.

Aquele que com o ato do pecado venial se aproxima deste Sacramento come espiritualmente segundo o hábito, mas não segundo o ato. E por isto recebe o efeito deste Sacramento segundo o hábito, não segundo o ato.

24.

Nisto o Sacramento da Eucaristia difere do Batismo, porque o Batismo não se ordena a um efeito atual, isto é, ao fervor da caridade, do modo como ocorre com o Sacramento da Eucaristia. O Batismo é uma regeneração espiritual, pelo qual se adquire uma primeira perfeição, que é um hábito ou forma; mas a Eucaristia é uma refeição espiritual que possui uma deleitação atual.

25.

Quem está em pecado mortal comete sacrilégio ao receber a Eucaristia, porque há duas coisas sacramentais na Eucaristia. A primeira, significada e contida, é o próprio Cristo; a segunda, significada mas não contida, é o Corpo Místico de Cristo, isto é, a sociedade dos santos. Quem quer que, pois, receba este Sacramento, só por isto significa estar unido a Cristo e aos seus membros. Ora, isto se realiza pela fé formada pela caridade, que ninguém pode possuir juntamente com o pecado mortal. E por isto é manifesto que quem quer que receba este Sacramento em pecado mortal comete nele falsidade. Incorre, por este motivo, em sacrilégio, como violador do Sacramento. Peca, por causa disto, mortalmente.

26.

Os pecadores, porém, que tocavam o Corpo de Cristo não sob a espécie sacramental, mas em sua substância própria, não pecavam. Às vezes até alcançavam o perdão dos pecados, como se lê no Evangelho de São Lucas a respeito da mulher pecadora. Isto acontecia porque o Cristo, aparecendo sob a sua espécie própria, não se exibia para ser tocado pelos homens em sinal de união espiritual com Ele, como é o caso quando se oferece para ser recebido neste Sacramento. Foi por isso que os pecadores que o tocavam em sua própria espécie não incorriam no crime de falsidade contra a divindade, como o fazem os pecadores que recebem este Sacramento.

27.

O pecador que recebe o Corpo de Cristo pode ser comparado, quanto à semelhança do crime, a Judas que beijou Cristo, porque ambos ofendem a Cristo sob um sinal de caridade.

Esta semelhança compete a todos os pecadores em geral, porque por todos os pecados mortais age-se contra a caridade de Cristo, de que é sinal este Sacramento, e tanto mais quanto os pecados são mais graves.

Mas sob um aspecto especial os pecados contra o sexto mandamento tornam o homem mais inepto para o recebimento deste Sacramento, na medida em que, a saber, por este pecado o espírito é maximamente submetido à carne, e desta maneira é impedido o fervor do amor que é requerido neste Sacramento.

28.

Que ninguém, pois, se aproxime desta Mesa sem reverente devoção e fervente amor, sem verdadeiro arrependimento, ou sem lembrar-se de sua Redenção.

Maravilhoso é este Sacramento em que uma inefável eficácia inflama os afetos com o fogo da caridade. Que revigorante maná é aqui oferecido para o viajante! Ele restaura o vigor dos fracos, a saúde para os doentes, confere o aumento da virtude, faz a graça superabundar, purga os vícios, refresca a alma, renova a vida dos aflitos, vincula uns aos outros todos os fiéis na união da caridade. Este Sacramento da fé também inspira a esperança e aumenta a caridade. É o pilar central da Igreja, a consolação dos que falecem, e o acabamento do Corpo Místico de Cristo. A fé amadurece, e a devoção e a caridade fraterna são aqui saboreadas. Que estupenda provisão para o caminho é esta, que conduz o viajante até à montanha das virtudes! Este é o pão verdadeiro que é comido e não consumido, que dá força sem perdê-la. É a nascente da vida e a fonte da graça. Perdoa o pecado e enfraquece a concupiscência. Os fiéis encontram aqui a sua refeição, e as almas um alimento que ilumina a inteligência, inflama os afetos, purga os defeitos, eleva os desejos. Ó cálice de doçura para as almas devotas, este sublime Sacramento, ó Senhor Jesus, declara para os que crêem Tuas maravilhosas obras.


S. Tomás de Aquino: Os Efeitos da Eucaristia. (cristianismo.org.br)

domingo, 28 de janeiro de 2024

Oração de São Pio

 




Oração de São Pio

Jesus,

que nada me separe de Ti, nem a vida, nem a morte.

Seguindo-Te em vida, ligado a Ti com todo amor,

seja-me concedido expirar contigo no Calvário,

para subir contigo à glória eterna.

Seguirei contigo nas tribulações e nas perseguições,

para ser um dia digno de amar-Te na revelada glória do Céu;

para cantar-Te um hino de agradecimento

por todo o Teu sofrimento por mim.

Jesus,

que eu também enfrente, como Tu,

com serena paz e tranquilidade,

todas as penas e trabalhos que possa encontrar nesta vida;

uno tudo aos Teus méritos, às Tuas penas,

às Tuas expiações, às Tuas lágrimas,

a fim de que colabore contigo para a minha salvação

e para fugir de todo o pecado

– causa que Te fez suar sangue e Te reduziu à morte.

Destrói em mim tudo o que não seja do Teu agrado.

Com o fogo de Tua santa caridade,

escreve no meu coração todas as Tuas dores.

Aperta-me fortemente a Ti,

com um nó tão estreito e tão suave

que eu jamais Te abandone nas Tuas dores.

Amém.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Oração para pedir cura interior


 

Muitas de nossas doenças da alma passam despercebidas porque nos imbuímos de ativismo, oremos para que o Senhor nos dê saúde espiritual

Quando nos sentimos mal por causa das feridas da alma, recorramos a Deus em oração para nos curar e permitir que continuemos no caminho da salvação, sem rancor ou obstáculos espirituais.

Rezar

Pai de bondade, Pai de Amor, eu te abençoo, te louvo e te agradeço que por amor você nos deu Jesus. Obrigado, Pai, que à luz do seu Espírito, entendemos que Ele é a luz do seu Espírito, entendemos que Ele é a Luz, a verdade e o bom pastor, que veio para que tenhamos vida e a tenhamos em abundância.

Hoje, Pai, quero apresentar-me diante de ti como teu filho. Você me conhece pelo nome. Coloque os olhos do seu Pai amoroso na minha vida. Vocês conhecem o meu coração e conhecem as feridas da minha história.

Você sabe tudo o que eu queria fazer e não fiz. Você também sabe o que eu fiz ou o que fizeram comigo, me machucando. Você conhece minhas limitações, meus erros e meu pecado. Você conhece os traumas e complexos da minha vida

Hoje, Pai, peço-lhe, pelo amor que tem pelo seu Filho Jesus Cristo, que derrame sobre mim o seu Espírito Santo, para que o odor do seu amor curativo penetre nas profundezas do meu coração.

Vocês que curam os corações quebrantados e prendem as feridas, me curam aqui e agora da minha alma, da minha mente, da minha memória e de todo o meu eu interior. Entra em mim, Senhor Jesus, ao entrares naquela casa onde teus discípulos estavam cheios de medo.

Você apareceu no meio deles e disse-lhes: "A paz esteja convosco". Entre no meu coração e me dê a sua paz. Enchei-me de amor. Sabemos que o amor expulsa o medo. Passa pela minha vida e cura o meu coração.

Pergunto-Te com Maria, minha Mãe, que estava nas bodas de Caná quando não havia vinho e Tu respondeste ao seu desejo transformando água em vinho.

Mude meu coração e me dê um coração generoso, um coração gentil, um coração bondoso; Dá-me um coração novo. Fazei brotar em Mim os frutos da vossa presença. Dai-Me o fruto do vosso Espírito que é amor, paz, alegria.

Que o Espírito de bem-estar venha sobre mim, para que eu possa saborear e buscar a Deus todos os dias, vivendo sem complexos ou traumas junto com os outros, com minha família, com meus irmãos e irmãs.

Te agradeço, Pai, pelo que estás fazendo hoje na minha vida. Agradeço-Te de todo o coração que me curas, que me libertas, que quebras as correntes, que me dás liberdade. Obrigado, Senhor Jesus, porque eu sou o templo do seu Espírito e este templo não pode ser destruído porque é a casa de Deus.

Agradeço-te, Espírito Santo, pela fé. Obrigada pelo amor que vocês colocaram no meu coração. Como você é grande, Senhor Deus Uno e Trino! Bem-aventurados e louvados sois vós.

Amém.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Não consigo vencer meus pecados, o que fazer?

 Existe uma passagem muito significativa do Evangelho de São João que coloca cada um de nós diante de uma verdade tão crua e, ao mesmo tempo, tão libertadora, que nenhum de nós deveria ser displicente com relação a ela: Qui sine peccato est vestrum, primus in illam lapidem mittat (“Aquele de vós que estiver sem pecado seja o primeiro a lançar uma pedra” (Jo 8,7)).

Oliver Clemente, um teólogo do oriente, certa vez afirmou: “Ávido de infinito, mas não menos ignorante dele, o homem se ama e se odeia infinitamente. Ele se pretende soberano e se descobre escravo”. Em outras palavras, existe uma luta incessante no interior do homem que busca o infinito, o céu, a beleza. Porém, este mesmo homem percebe-se preso num cativeiro de difícil soltura. Assim, quanto mais ele se debate, tanto mais ele se machuca, sangra e, por fim, desiste, e essa é a realidade de qualquer ser humano.

Colocando a questão de maneira mais direta, todos nós precisamos travar grandes enfrentamentos contra o pecado todos os dias. Cada um tem a sua luta particular. Quem de nós nunca experimentou o cansaço depois de ter lutado tanto e, mesmo assim, perdido a batalha para o pecado? Às vezes, é penoso reconhecer esta realidade, mas aquele que deseja muito a santidade precisará também experimentar o amargor da derrota, porém, o mais importante vem agora: quem busca a santidade deve aprender a levantar-se, seja qual for o tamanho do tombo.






segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Intimidade com Deus - Leiam a Bíblia







Intimidade com Deus

Enquanto nos limitarmos a relacionar com alguém apenas por aquilo que ouvimos ou lermos acerca dessa pessoa, nunca teremos com ela alguma intimidade e calor humano. Além disso, ela não passará para nós de uma pessoa distante conhecida, jamais será chamada de amiga. Enquanto não a abraçarmos, falarmos olhos nos olhos, partilharmos com ela a nossa vida, jamais será alguém considerada família, alguém importante para nós. Não é verdade?
Infelizmente muitos de nós, ainda temos uma relação com Jesus, como uma pessoa distante. Até sabemos muitas coisas acerca Dele mas no nosso coração Ele ainda não conseguiu nenhuma intimidade verdadeira, aquele calor humano que nos faz buscá-Lo em todas as circunstâncias...

Algumas vezes cheguei a dizer no grupo de jovens "Como se devem relacionar com Jesus? Como fazem os namorados? Não olham "olhos nos olhos" e o mundo parou. Nada mais interessa...Não buscam agradar o outro, partilhar a sua vida? Muitas vezes até fazem coisas que não gostam para agradar o outro, não é verdade?....Se vocês não se apaixonarem por Jesus verdadeiramente, jamais verão milagres na vossa vida e a palavra de Deus nunca será importante, nem a entenderão..."

Precisamos de nos apaixonar por Jesus e o mais belo de tudo isto é que se estivermos verdadeiramente e sinceramente enamorados por Ele, isto é, se o nosso coração e pensamento está voltado para Ele dia e noite, no trabalho, na família, na alegria e na tristeza, ele vem mesmo ao nosso encontro, fala connosco (fala mesmo!) , transforma a nossa vida e nos envia a anunciar aos outros tudo aquilo que Ele nos mostra. Ele faz-nos sentir um prazer que não é deste mundo, uma alegria que não depende de nada que nos acontece...

Deixem de ocupar a vossa mente com aquilo que passa na televisão, com as estatísticas mundiais, com pensamentos de medo, de doença, de desanimo... Entreguem tudo nas mãos de Maria e digam: " Mãe toma conta das minhas dificuldades, fragilidades e eu tomo conta de fazer tudo aquilo que Jesus me pede... Ajuda-me Mãe a me apaixonar por Jesus"

Quem se apaixona visita a pessoa amada. Visitem Jesus no santíssimo sacramento da igreja mais próxima. Este encontro é tão essencial, que sem ele não se estabelece a intimidade necessária para o recebermos dignamente na santa eucaristia. Este encontro cria a verdadeira intimidade, própria de namorados. Abram o vosso coração, mostrem-Lhe as vossas feridas...

Leiam a Bíblia... à semelhança dos namorados que escrevem cartas de amor. Jesus tem cartas de amor escritas na Bíblia, que nos guiam e nos mostram o caminho.

O princípio da intimidade entre namorados é o mesmo princípio da intimidade com Deus: visitar a pessoa amada e escutar o que ela nos quer dizer ou mostrar, isto é, visitar Jesus no santíssimo sacramento e ler a Bíblia.


quinta-feira, 20 de abril de 2023

A conversão da “pecadora” que o Padre Pio acompanhou espiritualmente

 



A desolação espiritual de Raffaelina Cerase e o apego ao santo de Pietrelcina foram até objeto de insinuações sem fundamento

O Padre Pio tinha uma relação epistolar muito importante com uma de suas filhas espirituais: Raffaelina Cerase. Descrevendo-se repetidamente como uma “pecadora endurecida”, buscando (e obtendo) a todo custo encontros espirituais com o frade de Pietrelcina, a relação entre a mulher de Foggia e o Padre Pio foi instrumentalizada por alguns autores.

A cronologia exata dos eventos

No livro “Padre Pio e Raffaelina Cerase” (Mimep Docete) de Marcello Stanzione e Francesco Guarino, é dada a cronologia exata da relação epistolar entre os dois, que testemunha o caminho de crescimento interior de Raffaelina, desvinculado de qualquer outra referência (não-espiritual) ao então jovem Padre Pio.

03- padrepiopietrelcina dot com

“O alvorecer de um anjo”

Raffaelina Cerase – Lellina, apelido de família – uma nobre de Foggia que viveu no final do século XIX e início do século XX (1868-1915), nasceu em Foggia, Apúlia, de uma família de proprietários de terras. Padre Benedetto Nardella – em seu livreto biográfico sobre a mulher – descreve seu nascimento como “o alvorecer de um anjo”.

Raffaelina foi confiada aos cuidados espirituais de sua tia, uma freira que vivia no convento carmelita em Lucera, onde permaneceu até os sete anos de idade, antes de mergulhar, como ela mesma escreveria em sua correspondência com o Padre Pio, completamente na vida mundana “cega, surda, malvada”. Uma série de acontecimentos lamentáveis, entretanto, parece ter sido decisiva em sua vida: a morte de seu pai em 1904.

A desagregação na família

Após a morte de seu pai, uma série de desentendimentos com seu irmão Matteo começou por razões de interesse próprio que a levaram, junto com sua irmã Giovina, a se mudar da casa de seu pai e a viver por sete anos, de 1907 a 1914, no ‘exílio’, como ela mesma diz, em uma casa alugada.

Conversão

A conversão de Lellina ocorreu aos 21 anos de idade, em 1889, quando sua condição de solteira já havia sido totalmente delineada. O exemplo de sua tia que morreu no conceito de santidade, no entanto, deixaria nela uma marca indelével.

Ela conheceu o Padre Pio no final de 1914, através de seu diretor espiritual Padre Agostino de San Marco, em Lamis. Ela pediu a permissão dele para iniciar uma correspondência e ele concordou. O restabelecimento da paz na família em 1915, Raffaelina a atribui às orações de intercessão do Padre Pio.

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A Terceira Ordem

Em virtude disso, ela se inscreveu na Ordem Terceira Franciscana no convento vizinho dos Capuchinhos, ao mesmo tempo em que militava junto com Giovina nas fileiras da Ação Católica feminina. Ambas doentes, empreenderam muitas viagens.

Os primeiros sintomas do câncer

Em junho de 1914, encontrando-se em Savona em uma pensão de freiras, pensaram em ir para Lourdes, mas o estouro da guerra as levou de volta a Foggia, onde em março de 1915 obtiveram permissão para montar um oratório privado. Elas passaram suas férias na ilha de Ischia, em Casamicciola, onde Raffaelina sentiu os primeiros sintomas de um tumor grave no verão de 1915.

Conhecendo pessoalmente o Padre Pio

Foi somente em 17 de fevereiro de 1916 que Raffaelina Cerase conheceu o Padre Pio, que tinha vindo a Foggia para se mudar para o convento de Sant’Anna. Ela tentou, mas em vão, junto com o Padre Agostino de San Marco em Lamis, trazê-lo a Foggia. Ela faleceu em 25 de março do mesmo ano, assistida por seu próprio pai espiritual.

A “escuridão” de Raffaelina

O conceito que muitas vezes retorna nas cartas de Raffaelina com seu pai espiritual é a “escuridão”, a “noite”, como a angústia de uma vida passada entre lutas e tristezas: “Tenho uma preocupação […] a escuridão me assusta, me oprime” (27.5.1914).

Desprendimento de coisas terrenas

O que Lellina está passando é o desapego das coisas terrenas, a noite de desolação pela qual todos os místicos passam antes de alcançar a união transformadora com Cristo. Experimenta-se esta purificação quando do estado de intoxicação experimentado no início da vida espiritual, especialmente na conversão, passa-se a um estado de caminhar em que se progride e ao mesmo tempo se trabalha para estar unido a Deus e agradar apenas a Ele.

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O pedido ao Padre Pio

Na carta de 24.3.1914, Raffaelina Cerase escreveu ao Padre Pio pedindo-lhe que intercedesse junto a Jesus para que ele não a expulsasse, “para que ele a fizesse morrer” para si mesma. Mesmo nas cartas seguintes, uma certa tribulação de sua alma é perceptível. Nesta busca de elevação espiritual, que é fortemente exigente, ela chega ao ponto de censurar o Padre Pio por seu silêncio sobre sua privilegiada experiência santificadora que ela quer compartilhar a todo custo: “Eu sei tudo sobre você, por que ficar em silêncio comigo? Por que se esconder?” (13.5.1914).

“Um pouco de luz, padre”

Na carta de 8.4.194 ele chegava ao ponto de dizer: “Um pouco de luz, padre, espero de você, de sua caridade, luz aos meus passos, movimento santo a esta minha vida inerte e tola, fogo divino puro ao meu coração de gelo”. Neste caminho, a exaltação da dor, que o Padre Pio lhe incute como fonte de alegria por ter sido chamado a cooperar na salvação das almas, é direcionada para uma confiança ilimitada em Jesus e na ação do Espírito Santo.

O desejo de perfeição cristã

O primeiro passo para a perfeição cristã é desejá-la. O desejo em Raffaella é um movimento da própria alma em direção a Jesus, aceitando na prática a idéia de que a graça divina se manifesta através dos tormentos do espírito e do corpo. Padre Pio a conduz pela mão nesta busca pela perfeição.

Padre Pio, no silêncio de seu “coração” a convida a oferecer louvores e bênçãos a Deus, a perseverar no desejo de sofrer, a ser humilde, obediente e caridoso, a aceitar enfermidades e infortúnios e a confiar em Jesus. Mas a mudança, Raffaella sentiu lentamente. Ela não se dá conta do grande trabalho que o Padre Pio está fazendo em sua alma. Ela se sente sempre agarrada às paixões, uma prisioneira das misérias do corpo a ponto de pensar que está praticando práticas cristãs de forma demasiado superficial e distraída (15.9.1914).

Longas conversas espirituais

Todas as manhãs, até o dia de sua morte em 25 de março de 1916, o Padre Pio ia a Foggia para visitar Donna Raffaelina, ficando com ela em “longas conversas espirituais”, às vezes até celebrando a santa missa na capela particular do palácio.




A conversão da “pecadora” que o Padre Pio acompanhou espiritualmente (aleteia.org)

Quando Jesus conversou sobre o fim do mundo com o Padre Pio

 


12 mensagens sobre o Apocalipse foram reveladas ao humilde místico

Muitos não sabem, mas o Padre Pio, entre tantos outros dons, tinha um muito especial: o da profecia. De fato, até o Senhor Jesus Cristo se comunicava com ele. Em uma carta de 1959 dirigida ao seu superior, Padre Pio conta a revelação que Jesus lhe tinha feito sobre o fim do mundo.

A carta é longa. Por isso, publicaremos apenas um trecho com 12 mensagens tiradas do livro “I grandi profeti”, de Renzo Baschera.

  1. O mundo está andando em ruínas. Os homens abandonaram o caminho correto para se aventurar em caminhos que terminam no deserto da violência. Se não voltarem a beber na fonte da humildade, da caridade e do amor, será uma catástrofe.
  2. Coisas terríveis virão. Já não posso interceder pelos homens. A piedade divina está a ponto de terminar. O homem fora criado para amar a vida, e terminou destruindo a vida…
  3. Quando o mundo foi confiado ao homem, era um jardim. O homem o transformou em uma atmosfera cheia de veneno. Nada serve agora para purificar a casa do homem. É necessário um trabalho profundo, que só pode vir do céu.
  4. Preparem-se para viver três dias em total escuridão. Estes três dias estão muito próximos. E, nestes dias, os homens permanecerão como mortos, sem comer nem beber. Depois, a luz voltará. Mas muitos serão os homens que não mais a verão.
  5. Muita gente escapará assustada. Correrão sem ter uma meta. Dirão que há salvação no oriente e as pessoas correrão para lá. Mas cairão em um precipício. Dirão que no oriente há salvação, e as pessoas correrão para lá. Mas cairão em um forno.
  6. A terra tremerá e o pânico será grande. A terra está enferma. O terremoto será como uma serpente: o sentirão arrastar-se por todos os lados. E muitas pedras cairão. E muito homens perecerão.
  7. Vós sois como formigas, porque virá o tempo em que os homens tirarão os olhos por uma migalha de pão. Os negócios serão saqueados, os armazéns serão tomados em assalto e destruídos. Pobre será aquele que, nestes dias escuros, estiver sem uma vela, sem um copo de água e sem o necessário por três meses.
  8. Uma terra vai desaparecer… uma grande terra. Um país será apagado para sempre dos mapas. E com ele serão levados para a lama os homens, a história e a riqueza.
  9. O amor do homem será transformado em palavra vazia. Como podes esperar que Jesus te ame, se nem sequer tu amas os que comem em tua própria mesa? Da ira de Deus não serão perdoados os homens de Ciência, mas os homens de coração.
  10. Estou desesperado. Não sei o que fazer para que a humanidade se arrependa. Se continuar por este caminho, a tremenda ira de Deus se desencadeará como um tremendo raio.
  11. Um meteorito cairá sobre a terra e tudo brilhará. Será um desastre, muito pior que uma guerra. Muitas coisas serão canceladas. E este será apenas um dos sinais…
  12. Os homens viverão uma experiência trágica. Muitos serão levados pelos rios, outros serão queimados pelo fogo, muitos serão enterrados pelos venenos. Mas eu me manterei perto dos puros de coração.

Realmente, são mensagens que nos fazem refletir. Mas quando será este dia? A resposta está na Bíblia!


Quando Jesus conversou sobre o fim do mundo com o Padre Pio (aleteia.org)