quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Quarta-feira de Cinzas - Ore a Deus em segredo

Quarta-feira de Cinzas  
Ore a Deus em segredo


 “Vá para o seu quarto” (Mateus 6:6) — isto é, para a parte mais privada da sua casa, ou melhor, vá para o lugar mais íntimo do seu coração. Recolha-se completamente. “Feche a porta” (Mateus 6:6). Feche seus sentidos e não deixe nenhum pensamento estranho entrar. “Ore em segredo.” Abra seu coração somente para Deus. Deixe-o ser o guardião de suas tristezas mais ı́ntimas. “Não acumule frases vãs” (Mateus 6:7). E desnecessário contar a Deus suas necessidades em longos discursos, pois ele conhece todas elas antes mesmo de você dizer uma palavra. Diga-lhe interiormente sobre o que irá lucrar com você, e recolha-se em Deus. As orações dos pagãos, que não conhecem a Deus, são apenas um amontoado de frases sem sentido. Diga pouco com os lábios e muito com o coração. Não multiplique seus pensamentos, pois isso só irá confundi-lo e cansá-lo. Traga sua atenção para descansar em alguma verdade importante que captura sua mente e coração. Considere, pese e prove; ruminar sobre isso; apreciá-lo. A verdade é o pão da alma. Você não precisa engolir cada pedaço inteiro. Nem você precisa estar sempre passando de uma verdade para outra. Segure-se em um, abraçando-o até que se torne parte de você. Anexe seu coração a ele ainda mais do que sua mente. Extraia todos os seus sucos pressionando-o com sua atenção. Deus vê você em segredo. Saiba que ele vê suas profundezas, infinitamente mais longe do que você mesmo. Faça um ato de fé simples e animado em sua presença. Alma cristã , coloca-te inteiramente sob o seu olhar. Ele está muito próximo. Ele está presente, pois dá existência e movimento a todas as coisas. No entanto, você deve acreditar mais; você deve acreditar com uma fé viva que ele está presente para você, dando-lhe todos os seus bons pensamentos de dentro, como segurando em suas mãos a fonte de onde eles vêm, e não apenas os bons pensamentos, mas também quaisquer bons desejos, boas resoluções e todo bom ato da vontade, desde seu primeiro começo e nascimento até sua perfeição final. Acredite, também, que ele está na alma dos justos, e que faz sua morada lá dentro, de acordo com estas palavras do Senhor: “Viremos para ele e faremos nele morada” (João 14:23). . Ele está lá de forma estável e permanente: ele faz sua morada lá . Deseje que ele esteja em você dessa maneira. Ofereça-se a ele como sua morada e templo. Agora saia, e com a mesma fé que lhe permite vê-lo dentro de você, olhe para ele no céu, onde ele se manifesta aos seus amados. E lá que ele espera por você. Correr. Voar. Quebre suas correntes; quebre todos os laços que o prendem à carne e ao sangue. Ó Deus, quando te verei? Quando terei aquele coração puro que permite que você seja visto, em si mesmo, fora de si mesmo, em todos os lugares? Ó Luz que ilumina o mundo! Ó Vida que dá vida a todos os viventes! Ó Verdade que nos alimenta a todos! Ó Bem que nos satisfaz a todos! Ó Amor que une tudo! Eu te louvo, meu Pai celestial, que me vê em segredo.



Meditações para a Quaresma
Jacques-Benigne Bossuet

domingo, 2 de fevereiro de 2025

A garota de mini saia

 ""Uma garota de mini-saia foi informada que era preciso de um vestido maior para se confessar com o Padre Pio. Ela foi na loja com a mãe comprar as roupas apropriadas. Olhando a si mesma no espelho com o novo vestido ela disse: "Se o meu namorado me visse assim ele iria pensar que eu sou um PALHAÇO". Quando foi a vez dela se confessar, chegou, a portinhola do concessionário abriu, e ela ouviu: "Vai embora! Eu não confesso palhaços!"


(Padre Pio falou).


Cibelle Chagas | Facebook

CONVERSÃO E CURA

 

Encontrava-me no grande átrio em frente à Igreja quando um homem se aproximou de mim: "Reverendo, por favor, gostaria de lhe falar", disse.
Afastamo-nos e apresentou-me a penosa situação em que se encontrava. A mulher, afetada por um câncer maligno no peito, tinha poucos dias de vida. Os médicos, e tinha consultados muitos, tinham-na desenganado definitivamente. Tinham suspendido qualquer tratamento, apenas lhe eram ministrados alguns medicamentos para aliviar as dores.
A ciência, dizia-me, não pode fazer mais nada; a minha mulher suplicou-me para a trazer aqui, a San Giovanni Rotondo. Eu, porém, não acredito, acrescentou, sou ateu: sou um 33 da maçonaria; chamo-me Giovanni Confetto, sou diretor, aposentado, do Ministério do tesouro, em Roma. Reverendo, peço-lhe para falar da minha mulher ao Padre. Por uma questão de honestidade diga-lhe também que eu não acredito e que sou maçônico".
De acordo, farei e direi isso, respondi, sem perder tempo.
Convidei-o a seguir-me, porque o Padre, tendo já terminado as confissões das mulheres, passaria em breve pelo longo corredor em direção à cela.
Conseguimos apanhá-lo; encontrava-se perto da cela n° 5; estávamos só nós: o Padre, o diretor e eu.
Aproximei-me imediatamente e disse:
Padre, este senhor tem a mulher doente com um tumor grave. Pede-lhe para rezar, mas disse-me para lhe referir que é ateu e maçônico.
O Padre Pio, respondeu docemente: Como posso falar com Jesus, se não acredita que Ele existe? Primeiro tem que acreditar em Jesus e depois eu falo-Lhe da sua mulher.
O diretor compreendeu perfeitamente. Cumprimentamos o Padre e, pelas escadas, ao longo de todo o percurso, até chegarmos junto da mulher enferma, que estava no grande átrio à espera, convidei aquele senhor a desistir da sua incredulidade, pelo menos para salvar a mulher.
Ele ficou pálido, perturbado e onfidenciou-me: "Gostaria de fazer como me diz, mas não tenho força para o fazer. Tenho alguma coisa cá dentro que me impede de falar, tentarei num outro momento".
Despedi-me dele e da mulher e parti de San Giovanni Rotondo. Três meses depois reencontrei-o no mesmo átrio, aproximei-me e, timidamente, pois pensava que estivesse de luto, perguntei-lhe: E a sua mulher?
"Está curada!, respondeu com grande alegria. Então... Confessou-se?
"Confessei. Quinze dias depois da nossa conversa com o Padre, voltei aqui sozinho.
Via a minha mulher morrer lentamente e atormentava-me o pensamento de que, se eu voltasse a acreditar, poderia salvar a minha mulher e a mim próprio. Decidi e vim confessar-me.
Depois disse ao Padre: Eu já acredito, quer agora dizer alguma coisa ao Senhor sobre a minha mulher que está a morrer?
Sim, respondeu.
Voltei para casa, e a minha mulher estava muito melhor. Fomos ao médico, e ele, estupefato, não parava de gritar milagre, milagre. E agora estamos aqui para agradecer ao Padre".
Os nossos olhos, que já reluziam, encherem-se de lágrimas. Vi a mulher que, sorridente, vinha ao nosso encontro. Escondendo dentro de mim as lágrimas, disse-lhe com alegria: Parabéns, senhora! Obrigada!, respondeu, obrigada por aquilo que fez por mim.
O Padre Pio foi muito bom ao curar não só a mulher do câncer, mas também o marido da incredulidade.

Padre Pio recebe os estigmas, pela primeira vez em Pietrelcina.

 

Abaixo está um trecho da carta que ele escreveu ao seu Pai espiritual:
Pietrelcina, Setembro de 1911
"Meu querido Pai
(...) Ontem à noite, aconteceu algo que eu não sei nem explicar e, nem entendo. No meio da palma das mãos, apareceu um ponto vermelho, quase como a forma de um centavo, também acompanhado por uma dor forte e aguda, no meio daquele ponto vermelho. Essa dor, era mais sensível no meio da mão esquerda, tanto que ainda dura. Debaixo dos meus pés, sinto um pouco de dor." (Padre Pio)
São Pio de Pietrelcina, rogai por nós!!



ORAÇÃO DE CONFIANÇA A SÃO PADRE PIO


Doce São Pio, cujas mãos carregaram as chagas de Cristo e cujo coração ardia de amor pela humanidade, guia-me nos momentos de dor e incerteza. Que teu exemplo de fé inabalável me inspire a confiar no Pai, mesmo nas trevas. Intercede por mim, para que eu sinta, como tu sentiste, o perfume da presença de Deus em minha vida. Amém.
São Padre Pio











domingo, 21 de abril de 2024

OS EFEITOS DA EUCARISTIA

 S. Tomás de Aquino





OS EFEITOS DA EUCARISTIA


- Summa Theologiae IIIa. Pars Qs. 79-80 -
- Sermão sobre o Corpo do Senhor -



01.

No Sacramento da Eucaristia, em virtude das palavras da instituição, as espécies simbólicas se mudam em corpo e sangue; seus acidentes subsistem no sujeito; e nele, pela consagração, sem violação das leis da natureza, o Cristo único e inteiro existe Ele próprio em diversos lugares, assim como uma voz é ouvida e existe em vários lugares, continuando inalterado e permanecendo inviolável quando dividido, sem sofrer diminuição alguma. Cristo, de fato, está inteira e perfeitamente em cada e em todo fragmento de hóstia, assim como as aparências visíveis que se multiplicam em centenas de espelhos.

02.

O efeito deste Sacramento deve ser considerado, portanto, primeira e principalmente em função daquilo que nele está contido, que é o Cristo.

Ele, vindo ao mundo em forma visível, trouxe ao mundo a vida da graça, segundo nos diz o Evangelho de João:

"A graça e a verdade, porém,
vieram por meio de Jesus Cristo".

Assim, da mesma forma, vindo Cristo ao mundo em forma sacramental, opera a vida da graça, segundo ainda outra passagem do mesmo Evangelho:

"Quem me come,
viverá por mim",

03.

O efeito deste Sacramento deve, ademais, ser considerado também pelo que ele representa, que é a Paixão de Cristo. Por isto, o efeito que a Paixão de Cristo realizou no mundo, este Sacramento também realiza no homem.

04.

O efeito deste Sacramento também deve ser considerado pelo modo através do qual ele é trazido aos homens, que é por modo de comida e bebida. E por isto todo efeito que a bebida e a comida material realizam quanto à vida corporal, isto é, sustentar, crescer, reparar e deleitar, tudo isto realiza este Sacramento quanto à vida espiritual. E é por isto que se diz:
"Este é o pão da vida eterna,
pelo qual se sustenta
a substância de nossa alma".

De onde que o próprio Senhor diz, no Evangelho de São João:

"Minha carne é verdadeiramente comida,
e meu sangue é verdadeiramente bebida".

05.

Finalmente, o efeito do Sacramento da Eucaristia deve ser considerado pelas espécies em que este Sacramento nos é oferecido. Foi por causa disto que escreveu Santo Agostinho:
"O Senhor confiou-nos
o Seu Corpo e o Seu Sangue
em coisas tais que são reduzidas à unidade
a partir de muitas outras,
porque o pão é um,
embora conste de muitos grãos,
e o vinho é feito
a partir de muitas uvas".

E por isso ele também escreveu em outro lugar:

"Ó Sacramento da piedade,
ó sinal da unidade,
ó vínculo da caridade!".

06.

E porque Cristo e sua Paixão são causa da graça, e uma refeição espiritual e a caridade não podem existir sem a graça, por todas estas coisas é manifesto que este Sacramento confere a graça.

07.

Mas, conforme diz São Gregório na homilia de Pentecostes,
"o amor de Deus não é ocioso;
opera grandes coisas,
se de fato existe".

Por isto, por meio deste Sacramento, o quanto pertence a seu efeito próprio, não somente é conferido o hábito da graça e da virtude, mas também esta é conduzida ao ato, segundo o que está escrito na Segunda Epístola aos Coríntios:

"O amor de Cristo
nos impele".

Daqui é que provém que pela virtude do Sacramento da Eucaristia a alma faz uma refeição espiritual por deleitar-se e inebriar-se pela doçura da bondade divina, segundo o que diz o Cântico dos Cânticos:

"Comei, amigos, e bebei;
e inebriai-vos, caríssimos".

08.

Este Sacramento também tem virtude para a remissão dos pecados veniais, o que pode ser visto pelo fato de que ele é tomado sob a espécie de alimento nutritivo. A nutrição proveniente do alimento é necessária ao corpo para restaurar aquilo que em cada dia é desperdiçado pelo calor natural. Espiritualmente, porém, em nós também é desperdiçado a cada dia algo pelo calor da concupiscência pelos pecados veniais que diminuem o fervor da caridade. E por isto compete a este Sacramento a remissão dos pecados veniais. De onde que Santo Ambrósio diz, no livro Dos Sacramentos, que este pão de cada dia é tomado
"como remédio
da enfermidade de cada dia".

09.

Ademais, a coisa deste Sacramento é a caridade, não somente quanto ao hábito, mas também quanto ao ato, ao qual é conduzida neste Sacramento, pelo qual os pecados veniais se dissolvem. De onde que é manifesto que pela virtude deste Sacramento ocorre a remissão dos pecados veniais. Os pecados veniais, ao contrário dos mortais, não contrariam a caridade quanto ao hábito, mas contrariam a caridade quanto ao fervor do ato, ao qual é conduzida por este Sacramento. É por esta razão que os pecados veniais são perdoados pelo Sacramento da Eucaristia.

10.

O Sacramento da Eucaristia pode também perdoar toda a pena devida ao pecado. Este efeito pode ocorrer tanto por ele ser sacrifício, como por ser sacramento. A Eucaristia possui razão de sacrifício na medida em que é oferecido; possui razão de sacramento na medida em que é tomado.

11.

Como Sacramento, a Eucaristia possui diretamente aquele efeito para o qual foi instituído. Não foi, porém, como Sacramento, instituído para satisfazer, mas para alimentar espiritualmente pela união a Cristo e aos seus membros, assim como o alimento se une ao alimentado. Mas porque esta união se realiza pela caridade, por cujo fervor alguém pode conseguir a remissão não apenas da culpa, mas também da pena, daqui ocorre que por conseqüência, por uma certa concomitância ao efeito principal, o homem alcança a remissão também para a pena. Não, porém, de toda a pena, mas de acordo como o modo de sua devoção e fervor.

12.

Mas, na medida em que é Sacrifício, a Eucaristia possui virtude satisfatória. Entretanto, também na satisfação mais deve se considerar o afeto do oferente do que a quantidade da oblação, de onde que o Senhor disse, no Evangelho de São Lucas, da viúva que ofereceu apenas duas moedas, que
"ofereceu mais do que todos".

Embora, portanto, a oblação eucarística pela sua própria quantidade seja suficiente para a satisfação de toda a pena, todavia torna-se satisfatória para aqueles pelos quais é oferecida, ou também para os próprios oferentes, de acordo com a quantidade de sua devoção, e não por toda a pena.

13.

A Eucaristia também preserva o homem dos pecados futuros, pelo mesmo modo em que o corpo é preservado da morte futura. O pecado é uma certa morte espiritual da alma. Ora, a natureza corporal do homem é preservada da morte pela comida e pelo remédio na medida em que a natureza humana é interiormente fortificada contra o que pode corrompê-la interiormente. É deste modo que este Sacramento preserva o homem do pecado, porque através dele, unindo-se a Cristo pela graça, é fortalecida a vida espiritual do homem, ao modo de uma comida espiritual e um remédio espiritual. É assim que diz o Salmo 103:
"O pão confirma
o coração do homem".

14.

A Eucaristia preserva o homem dos pecados futuros também defendendo-o contra as impugnações exteriores. Pois é sinal da Paixão de Cristo, pela qual foram vencidos os demônios, de modo que este Sacramento repele toda a impugnação dos demônios.

15.

Ainda que este Sacramento não diretamente se ordene à diminuição do incitamento do pecado, diminui, porém, este incitamento por uma certa conseqüência, na medida em que aumenta a caridade, porque, segundo diz Agostinho no Livro das 83 Questões,
"O aumento da caridade
é a diminuição da cobiça".

Diretamente, porém, a Eucaristia confirma o homem no bem, pelo que também é preservado o homem do pecado.

16.

Este Sacramento, ademais, é de proveito para muitos outros além dos que o recebem porque, conforme foi dito, este Sacramento não é apenas sacramento, mas é também sacrifício. Na medida em que neste Sacramento é representada a Paixão de Cristo, pela qual Cristo se ofereceu a Si mesmo como hóstia a Deus, possui razão de sacrifício. Na medida, porém, em que neste Sacramento é trazida invisivelmente a graça sob uma espécie visível, possui razão de sacramento.

17.

Assim, pois, este Sacramento é, para os que o recebem, de proveito não só por modo de sacramento, como também por modo de sacrifício, porque é oferecido por todos os que o recebem.

18.

Mas também é de proveito para os que não o recebem, embora apenas por modo de sacrifício, na medida em que é oferecido pela salvação deles. É por isso que no cânon da Missa se diz:
"Lembrai-vos, Senhor,
dos vossos servos e servas,
pelos quais nós Vos oferecemos,
e eles Vos oferecem também,
este Sacrifício de louvor,
por si e por todos os seus,
pela redenção de suas almas,
pela esperança de sua salvação
e sua segurança".

19.

O próprio Senhor, ademais, expressou que a Eucaristia seria de proveito para outros além dos que a recebem, quando disse, na última Ceia:
"Este cálice é o meu sangue,
que por vós",

isto é, os que o recebem,

"e por muitos"

outros,

"será derramado
para o perdão dos pecados".

20.

Pode-se, porém, argumentar que sendo o efeito deste Sacramento a obtenção da graça e da glória e a remissão da culpa, pelo menos da venial, se este Sacramento realmente tivesse efeito em outros além dos que o recebem poderia acontecer que alguém alcançasse a glória, a graça e a remissão das culpas sem ação nem paixão própria, por algum outro ter oferecido ou recebido este Sacramento.

Responde-se a isto dizendo que assim como a Paixão de Cristo é de proveito para todos para a remissão da culpa, e a obtenção da graça e da glória, mas não produz efeito senão naqueles que se unem à Paixão de Cristo pela fé e pela caridade, assim também este sacrifício que é a Eucaristia, memorial da Paixão do Senhor, não produz efeito senão naqueles que se unem a este Sacramento pela fé e pela caridade. De onde que no Cânon da Missa não se ora por aqueles que estão fora da Igreja. Aos que nela estão, porém, o Sacrifício Eucarístico é de proveito maior ou menor de acordo com o modo de sua devoção.

21.

Mas, assim como deve-se dizer que o Sacramento da Eucaristia obtém a remissão dos pecados veniais, assim devemos também dizer que os pecados veniais impedem o efeito deste Sacramento. Pois diz São João Damasceno:
"O fogo do seu desejo que há em nós,
acendendo-se mediante
aquele fogo que há no carvão",

isto é, neste Sacramento,

"queimará nossos pecados
e iluminará nossos corações
para que ardamos e nos deifiquemos
pela participação do fogo divino".

Mas o fogo do nosso desejo ou do nosso amor é impedido pelos pecados veniais, que impedem o fervor da caridade. Portanto, os pecados veniais impedem o efeito deste Sacramento.

22.

Os pecados veniais podem ser considerados de dois modos. De um primeiro modo, na medida em que são passados. De um segundo modo, na medida em que estão sendo exercidos em ato.

Segundo o primeiro modo, os pecados veniais de nenhum modo impedem o efeito deste Sacramento. De fato, pode acontecer que alguém, depois de ter cometido muitos pecados veniais, se aproxime devotamente a este Sacramento e alcance plenamente o seu efeito.

Porém, de acordo com o segundo modo, os pecados veniais não impedem totalmente o efeito deste Sacramento, mas apenas em parte. De fato, foi dito que o efeito deste Sacramento não é apenas a obtenção da graça habitual ou da caridade habitual, mas também uma certa refeição atual de espiritual doçura. A qual, na verdade, é impedida se alguém se aproximar a este Sacramento com a mente distraída pelos pecados veniais. O aumento da graça habitual ou da caridade habitual, porém, não é tirado.

23.

Aquele que com o ato do pecado venial se aproxima deste Sacramento come espiritualmente segundo o hábito, mas não segundo o ato. E por isto recebe o efeito deste Sacramento segundo o hábito, não segundo o ato.

24.

Nisto o Sacramento da Eucaristia difere do Batismo, porque o Batismo não se ordena a um efeito atual, isto é, ao fervor da caridade, do modo como ocorre com o Sacramento da Eucaristia. O Batismo é uma regeneração espiritual, pelo qual se adquire uma primeira perfeição, que é um hábito ou forma; mas a Eucaristia é uma refeição espiritual que possui uma deleitação atual.

25.

Quem está em pecado mortal comete sacrilégio ao receber a Eucaristia, porque há duas coisas sacramentais na Eucaristia. A primeira, significada e contida, é o próprio Cristo; a segunda, significada mas não contida, é o Corpo Místico de Cristo, isto é, a sociedade dos santos. Quem quer que, pois, receba este Sacramento, só por isto significa estar unido a Cristo e aos seus membros. Ora, isto se realiza pela fé formada pela caridade, que ninguém pode possuir juntamente com o pecado mortal. E por isto é manifesto que quem quer que receba este Sacramento em pecado mortal comete nele falsidade. Incorre, por este motivo, em sacrilégio, como violador do Sacramento. Peca, por causa disto, mortalmente.

26.

Os pecadores, porém, que tocavam o Corpo de Cristo não sob a espécie sacramental, mas em sua substância própria, não pecavam. Às vezes até alcançavam o perdão dos pecados, como se lê no Evangelho de São Lucas a respeito da mulher pecadora. Isto acontecia porque o Cristo, aparecendo sob a sua espécie própria, não se exibia para ser tocado pelos homens em sinal de união espiritual com Ele, como é o caso quando se oferece para ser recebido neste Sacramento. Foi por isso que os pecadores que o tocavam em sua própria espécie não incorriam no crime de falsidade contra a divindade, como o fazem os pecadores que recebem este Sacramento.

27.

O pecador que recebe o Corpo de Cristo pode ser comparado, quanto à semelhança do crime, a Judas que beijou Cristo, porque ambos ofendem a Cristo sob um sinal de caridade.

Esta semelhança compete a todos os pecadores em geral, porque por todos os pecados mortais age-se contra a caridade de Cristo, de que é sinal este Sacramento, e tanto mais quanto os pecados são mais graves.

Mas sob um aspecto especial os pecados contra o sexto mandamento tornam o homem mais inepto para o recebimento deste Sacramento, na medida em que, a saber, por este pecado o espírito é maximamente submetido à carne, e desta maneira é impedido o fervor do amor que é requerido neste Sacramento.

28.

Que ninguém, pois, se aproxime desta Mesa sem reverente devoção e fervente amor, sem verdadeiro arrependimento, ou sem lembrar-se de sua Redenção.

Maravilhoso é este Sacramento em que uma inefável eficácia inflama os afetos com o fogo da caridade. Que revigorante maná é aqui oferecido para o viajante! Ele restaura o vigor dos fracos, a saúde para os doentes, confere o aumento da virtude, faz a graça superabundar, purga os vícios, refresca a alma, renova a vida dos aflitos, vincula uns aos outros todos os fiéis na união da caridade. Este Sacramento da fé também inspira a esperança e aumenta a caridade. É o pilar central da Igreja, a consolação dos que falecem, e o acabamento do Corpo Místico de Cristo. A fé amadurece, e a devoção e a caridade fraterna são aqui saboreadas. Que estupenda provisão para o caminho é esta, que conduz o viajante até à montanha das virtudes! Este é o pão verdadeiro que é comido e não consumido, que dá força sem perdê-la. É a nascente da vida e a fonte da graça. Perdoa o pecado e enfraquece a concupiscência. Os fiéis encontram aqui a sua refeição, e as almas um alimento que ilumina a inteligência, inflama os afetos, purga os defeitos, eleva os desejos. Ó cálice de doçura para as almas devotas, este sublime Sacramento, ó Senhor Jesus, declara para os que crêem Tuas maravilhosas obras.


S. Tomás de Aquino: Os Efeitos da Eucaristia. (cristianismo.org.br)

domingo, 28 de janeiro de 2024

Oração de São Pio

 




Oração de São Pio

Jesus,

que nada me separe de Ti, nem a vida, nem a morte.

Seguindo-Te em vida, ligado a Ti com todo amor,

seja-me concedido expirar contigo no Calvário,

para subir contigo à glória eterna.

Seguirei contigo nas tribulações e nas perseguições,

para ser um dia digno de amar-Te na revelada glória do Céu;

para cantar-Te um hino de agradecimento

por todo o Teu sofrimento por mim.

Jesus,

que eu também enfrente, como Tu,

com serena paz e tranquilidade,

todas as penas e trabalhos que possa encontrar nesta vida;

uno tudo aos Teus méritos, às Tuas penas,

às Tuas expiações, às Tuas lágrimas,

a fim de que colabore contigo para a minha salvação

e para fugir de todo o pecado

– causa que Te fez suar sangue e Te reduziu à morte.

Destrói em mim tudo o que não seja do Teu agrado.

Com o fogo de Tua santa caridade,

escreve no meu coração todas as Tuas dores.

Aperta-me fortemente a Ti,

com um nó tão estreito e tão suave

que eu jamais Te abandone nas Tuas dores.

Amém.