quarta-feira, 11 de março de 2015

Precisamos dar mais importância aos mandamentos de Deus

A nossa relação com Deus seria mais profunda se nós, com toda força e empenho do nosso coração, nos lembrássemos, a cada dia, de colocar em prática os mandamentos da Lei do Senhor.
“Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus” (Mateus 5, 19).
Amados irmãos e irmãs, este tempo da graça que vivemos, que é o tempo da Quaresma, é mais que oportuno para revermos as práticas da Lei de Deus em nossa vida. A Palavra hoje quer ser uma advertência para vivermos na graça, pois, para crescermos junto do coração de Deus e não diminuirmos a ponto até de corrermos o risco de desaparecer, será preciso levar com seriedade os mandamentos da Lei de Deus!
Sim, os mandamentos que aprendemos quando éramos ainda crianças, quando frequentamos a catequese. O mais importante não é somente decorá-los, mas aprender a vivê-los no dia a dia de nossa vida. Nossa vida seria mais justa e mais digna, nossas convivências seriam mais fraternas e a nossa relação com Deus seria mais profunda se nós, com toda força e empenho do nosso coração, nos lembrássemos, a cada dia, de colocar em prática os mandamentos da Lei de Deus. E mais do que isso: não só vivê-los, mas ensinar os outros a vivê-los também.
Nós não podemos transgredir a Lei de Deus e muito menos ensinar os outros a fazer o mesmo. Não podemos ser ocasião de queda nem de pecado para ninguém! Assim como nós não podemos banalizar as coisas de Deus e considerar que isso é simplesmente uma coisa normal. No entardecer da vida, quando estivermos diante do Senhor da nossa vida, o amor será o imperativo que vai nos julgar.
A vivência do amor em nós é a vivência dos mandamentos da Lei de Deus! Ninguém pode só dizer: “Deus, como eu te amo!” ou “Deus, como o Senhor é tudo para mim!” se não souber colocar os mandamentos d’Ele em prática. Amar a Deus sobre todas as coisas é tê-Lo como o Senhor supremo da nossa vida e não antepor ninguém nem nada a Ele.
Vida de oração e de comunhão com Deus, guardar o dia do Senhor; e ter tudo isso como norma da nossa vida, da nossa existência. E depois seguir os outros mandamentos, que nos ensinam as Sagradas Escrituras, como amar o nosso próximo, como ser verdadeiro, justo, honesto, puro e bem-intencionado ao nos relacionarmos uns com os outros.
A cobiça é uma coisa desordenada dentro de nós que nos leva a desejar e a querer ter aquilo que não nos pertence. E nisso muitos subterfúgios podem entrar, inclusive em nossa vida, como a mentira, a falsidade, a hipocrisia e, desse modo, vamos aos poucos perdendo a sensibilidade pela Lei do Senhor.
Não nos deixemos nos corromper pelo mundo nem pela mentalidade deste. É justo quem ouve a Palavra de Deus e se dedica, com toda a força do seu coração, para colocá-la em prática!
Deus abençoe você!
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segunda-feira, 9 de março de 2015

Fatos da vida de São Domingos Sávio


Fatos da vida de São Domingos Sávio
narrados por São João Bosco
 
 
Devoção à Mãe de Deus

Entre os dons que Nosso Senhor lhe outorgou distinguia-se o seu fervor na oração. O seu espírito estava tão habituado a conversar com Deus que, em qualquer lugar, mesmo no meio da maior confusão, Domingos concentrava os seus pensamentos e, com piedoso afeto, elevava o coração a Deus.

Quando orava em comum, parecia um anjo; de joelhos, imóvel, em atitude devota, com o rosto sorridente, a cabeça um pouco inclinada e os olhos baixos, parecia outro São Luís.

Bastava vê-lo para se ficar enternecido. Em 1854 o Conde Cays foi eleito presidente da Companhia de São Luís, fundada no Oratório. Da primeira vez que tomou parte nas nossas cerimônias, viu um menino numa atitude devota que lhe causou grande admiração. Terminada a função, quis saber quem era aquele rapaz que tanto o impressionara: - era Domingos Sávio.

Sacrificava quase sempre uma parte do recreio para ir à Igreja e ali rezar a coroa das Sete Dores de Maria, ou, pelo menos, a ladainha de Nossa Senhora das Dores.

Não se contentava em ser devoto de Maria Virgem Imaculada. Em honra da celeste Senhora fazia todos os dias alguma mortificação. Nunca fitava pessoas de sexo diferente. Indo às aulas, raramente levantava os olhos do chão. Passando às vezes perto de espetáculos públicos, que para os companheiros era objeto de curiosidade e de satisfação, ao perguntarem-lhe se tinha gostado, Domingos respondia que não tinha visto nada.

Um dia, um companheiro encolerizado reprovou esse seu modo de proceder, dizendo-lhe:

Para que tens esses olhos, meu parvo, se não vês tais coisas?

Os meus olhos, respondeu Domingosquero-os para ver o rosto da nossa Mãe Celeste, a Virgem Maria, quando, se for digno disso, me receber Deus no Paraíso.

Cultivava uma devoção especial ao Imaculado Coração de Maria. Todas as vezes que entrava numa igreja, ia direto ao Seu altar para Lhe pedir que conservasse o seu coração bem longe de qualquer impureza.

Maria,- dizia ele – quero ser sempre Vosso filho. Fazei que morra antes que me suceda à desgraça de cometer um pecado contra a modéstia.

Todas as sextas-feiras destinava uma parte do tempo para ler um bom livro ou ir à igreja com alguns companheiros, orar pelas almas do Purgatório ou em homenagem a Maria Santíssima. Muito grande era a devoção de Domingos a Nossa Senhora.

Viam-no radiante de alegria todas as vezes que podia levar alguém para rezar diante do altar da Mãe de Deus. Certo sábado convidou um amigo a ir com ele a igreja rezas as Vésperas da Bem-Aventurada Virgem Maria. Este tentou: esquivar-se alegando estar com as mãos frias. Domingos tirou imediatamente as luvas, ofereceu-as ao companheiro e entraram ambos na igreja. Noutra ocasião emprestou o capote a um companheiro friorento para o mesmo fim. Quem não ficará tomado de admiração perante tais atos de generosidade?

Maio, o mês consagrado a Nossa Senhora, era para Domingos o mês do seu maior fervor. Combinava com os outros para, em cada dia do mês, fazerem uma cerimônia particular, além das que se faziam na igreja. Preparava uma série de exemplos edificantes, que narrava aos companheiros para animá-los a serem devotos de Maria Santíssima. Falava nisso durante os recreios e incitava-os a comungarem, especialmente no mês das flores, como preito a Maria: Era o primeiro a dar o exemplo, aproximando-se todos os dias da Sagrada Mesa com seráfico recolhimento.

Um episódio curioso revela-nos a ternura que ele consagrava à Mãe de Deus. Os alunos do seu dormitório deliberaram fazer, as expensas suas, um elegante altarzinho para solenizarem com mais brilho o encerramento do mês de Maria. Domingos era uma doba doura nesse trabalho; mas chegando-se à altura do pagamento da cota, que cada qual devia dar, começaram as dificuldades. Domingos declarou:

Até aqui vamos bem, mas para estas coisas precisa-se de dinheiro e é o que eu não tenho. No entanto, quero contribuir de qualquer modo, custe o que custar.

E, dizendo isto, foi buscar um livro que lhe tinha sido dado de prêmio, e pedindo licença aos superiores, voltou radiante de alegria dizendo:

Meus amigos, estou em condições de concorrer com alguma coisa para honrar a Virgem Santíssima; pegai neste livro, tirai dele a utilidade que puderdes; é a minha oferta.

Á vista daquele ato espontâneo de generosidade, os companheiros enterneceram-se e também quiseram oferecer livros e objetos. Com esse material fizeram uma rifa, e conseguiram arranjar mais do que o necessário para as despesas.

Concluído o altar, os alunos queriam celebrar a festa com a maior solenidade. Todos trabalhavam o mais que podiam, mas não conseguindo acabar a ornamentação, foi preciso trabalhar de noite.

Eu passarei a noite a trabalhar – disse Domingos.

- Ao menos, vinde acordar-me assim que tudo estiver pronto, para eu ser um dos primeiros a admirar o altar ornamentado em homenagem à nossa querida Mãe.

Os companheiros obrigaram-no, porém, a ir-se deitar, visto estar convalescente de uma doença que tivera. Domingos não queria e foi necessário insistir muito para que obedecesse.

Freqüência dos Sacramentos

Está comprovada pela experiência que os melhores sustentáculos da mocidade são o Sacramento da Confissão e da ComunhãoDai-me um rapaz que freqüente estes sacramentos: tal rapaz crescerá, passará pela puberdade, chegará à virilidade e, se Deus for servido, à mais avançada velhice, com um procedimento que servirá de exemplo a todos os que o conheceram.

Praza a Deus que todos os rapazes compreendam isto, para o praticarem, e bem assim todos os que se ocupam da educação da juventude para o ensinarem.

Antes de vir para o Oratório, Domingos aproximava-se destes dois Sacramentos uma vez por mês, segundo o uso das Escolas. Depois os freqüentou com mais assiduidade. Um dia, ouviu do púlpito esta máxima:

Jovens, se quiserdes perseverar no caminho do Céu, recomendo-vos estas três coisas: aproximai-vos muitas vezes do Sacramento da Confissão, freqüentai a santa Comunhão, e escolhei um confessor a quem possais abrir o vosso coração, mas não o troqueis sem necessidade”.

Domingos compreendeu a importância destes três conselhos. Começou por escolher um confessor e conservou-o durante todo o tempo que esteve no Oratório. Para que este pudesse formar um juízo exato da sua consciência, quis como era natural, fazer uma Confissão geral de toda a sua vida.

Confessava-se, a princípio todos os quinze dias, mas tarde todos os oito dias, comungando com a mesma freqüência. O confessor, notando o grande progresso que fazia nas coisas do espírito, aconselhou-o a comungar três vezes por semana, e, ao cabo de um não, permitiu-lhe a comunhão diária.

Foi durante algum tempo dominado pelos escrúpulos; por isso, queria confessar-se de quatro em quatro dias e ainda mais amiúde; mas o seu diretor espiritual não concordou com esse desejo e obrigou-o à disciplina da confissão semanal.

Tinha uma confiança ilimitada no confessor. Falava com ele das coisas da consciência, mesmo fora do confessionário, e com toda a simplicidade. Alguém o aconselhou a mudar de confessor, de vez em quando, ao que ele anuiu:

O confessor – dizia ele – é o médico da alma; não é costume trocá-lo a não ser por falta de confiança, ou porque o mal está muito adiantado. Não estou nestes casos. Tenho plena confiança no meu confessor que, com bondade e solicitude paternal, se empenha no aperfeiçoamento da minha alma; além disso, não vejo em mim chaga que ele não possa curar”.

No entanto, o diretor ordinário aconselhou-o a mudar, uma ou outra vez, de confessor, especialmente por ocasião dos Exercícios espirituais; sem opor a mínima dificuldade, obedeceu prontamente.

Domingos vivia alegre porque estava sempre em paz com a sua consciência.

"Se tenho qualquer mágoa no coração – dizia ele – vou ao meu confessor que me aconselhe o que Deus quer que eu faça, pois, Jesus Cristo disse que a voz do confessor é a voz de Deus. Se desejo alcançar alguma coisa importante, então vou receber a Hóstia Sagrada na qual está: o mesmo corpo, sangue, alma e divindade que Jesus Cristo ofereceu a Seu Pai Eterno Pai por nós na Cruz. Que mais me falta para ser feliz? Neste mundo, nada. Só me resta poder gozar no Céu d’Aquele que hoje adoro e contemplo, sobre os altares, com os olhos da fé”.

Com estes pensamentos, Domingos passava dias verdadeiramente felizes. Daqui nascia aquele contemplamento, aquela alegria celestial que transparecia em todas as suas ações. Compreendia muito bem tudo o que fazia, e tinha um teor de vida cristã, como convém que o tenha quem deseja fazer a Comunhão diária. Por isso, o seu comportamento era, sob todos os pontos de vista, irrepreensível. Convidei os seus condiscípulos a dizerem-me, durante os três anos que ele viveu conosco, lhe notaram algum defeito a corrigir ou alguma virtude a adquirir.

Todos, a uma, responderam que nunca encontraram nele coisa alguma que merecesse correção, nem virtude que se lhe devesse acrescentar às que já praticava.
sua preparação para receber o Pão dos Anjos era piedosa e edificante. À noite, antes de se deitar, recomendava-se sempre assim:

Graças e louvores se dêem a todo o momento, ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!”

De manhã, era esse grande ato precedido de uma preparação suficiente; mas a ação de graças, essa não tinha fim. Muitas vezes, se ninguém chamava, esquecia-se da refeição, do recreio e algumas vezes do estudo, permanecendo em oração, ou melhor, na contemplação da divina Bondade, que de um modo inefável comunica aos homens os tesouros da Sua infinita misericórdia.

Era para ele uma verdadeira delícia o poder passar algumas horas diante de Jesus Sacramentado. Invariavelmente, ao menos uma vez por dia, costumava fazer-Lhe uma visita, convidando outros a ir em sua companhia. A sua oração predileta era a coroinha do Sagrado Coração de Jesus para reparação das injúrias que recebe dos hereges, dos infiéis e dos maus cristãos.

Para que as suas Comunhões produzissem maior fruto, e, ao mesmo tempo, o estimulassem a fazê-las cada vez com mais fervor, tinha-lhes fixado para cada dia um fim especial.

Eis como distribuía as intenções durante a semana:

Domingo:- Em honra da Santíssima Trindade.
Segunda: - Pelos benfeitores espirituais e temporais.
Terça: - Em honra de São Domingos e do Anjo da Guarda.
Quarta: - A Nossa Senhora das Dores, pela conversão dos pecadores.
Quinta: - Em sufrágio das almas do Purgatório.
Sexta: - Em honra da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Sábado: - Em honra de Maria Santíssima, para obter a Sua proteção durante toda a vida e à hora da morte.

Tomava parte, com arroubos de alegria, em todas as cerimônias que tivessem por fim honrar o Santíssimo Sacramento. Se acontecia encontrar o Viático, ao ser levado a algum doente, ajoelhava-se logo, onde quer que fosse, e, se tinha tempo, acompanhava-O até terminar a cerimônia.

Um dia passou o Viático perto dele. Chovia e os caminhos estavam enlameados. Não tendo outro sítio para se ajoelhar, ajoelhou-se mesmo sobre a lama. Um dos seus amigos repreendeu-o depois, observando-lhe que, em tais circunstâncias, Nosso Senhor não exigia. Domingos respondeu-lhe:

Joelhos e calças tudo é de Deus: por isso tudo deve servir para Lhe dar honra e glória. Quando passo perto d’Ele, não só me atiraria ao chão para honrá-lO, mas até a uma fornalha, porque assim participaria do fogo da caridade infinita que O impeliu a instituir este grande Sacramento”.

Em circunstâncias análogas, viu um dia um militar que se deixava ficar de pé no momento em que passava bem perto o Santíssimo Sacramento. Não se atrevendo a convidá-lo para que se ajoelhasse, tirou do bolso um lencinho, estendeu-o sobre o terreno sujo, e fez-lhe sinal para que se servisse dele. O soldado, a princípio, acanhou-se; mas, por fim, deixando de lado o lenço, acabou por se ajoelhar no meio do caminho.

Na festa do corpo de Deus foi com outros companheiros, vestidos de batida, à procissão da paróquia. Não cabia em si de alegria; e julgou aquilo prova de uma preferência e distinção assinalada, a maior lhe não poderiam dar.

Domínio de si mesmo

Quem reparasse na compostura exterior de Domingos Sávio, achava-lhe tanta naturalidade, que pensava tê-lo Nosso Senhor criado assim mesmo. Mas os que o conheceram de perto, ou tiveram a responsabilidade da sua educação, podem asseverar que havia nisso grande esforço humano coadjuvado pela graça de Deus.

A vivacidade do seu olhar obrigava-o a não pequeno esforço, dada a sua firme resolução de dominá-la. Um dia, confiou a um amigo:

A princípio, quando me decidi a dominar completamente os meus olhares, tive de suportar não pequena fadiga, e até, por isso, sofri fortes dores de cabeça”. Com efeito, era tão reservado, que ninguém, dos que o conheceram, se lembra de tê-lo visto olhar para qualquer coisa que excedesse os limites da rigorosa modéstia – “Os olhos – dizia ele – são duas janelas. Pelas janelas, passa tudo o que se deixa passar. Por estas janelas, tanto podemos deixar passar um anjo como um demônioe permitir tanto a um como a outro que se aposse do nosso coração”.

Certo dia, um dos seus companheiros trouxe inadvertidamente para a escola uma revista e que havia algumas figuras pouco sérias e irreligiosas, Um grupo de rapazes rodeou-o para ver aquelas gravuras que causariam asco, mesmo aos infiéis e pagãos. Domingos também se aproximou. Quando viu, porém, do que se tratava, foi surpreendido. Em seguida, com um sorriso de ironia, deitou-lhe a mão e rasgou-a em mil bocados. Os outros rapazes, atônitos, entreolharam-se mortificados, sem pestanejar. Domingos, então, disse-lhes:

-Pobres de nós! Nosso Senhor deu-nos os olhos para contemplar as belezas de tudo o que Ele criou, e vós servir-vos deles para olhar tais indecências, inventadas pela malícia dos homens para corromper as almas? Esquecestes o que tantas vezes vos foi ensinado? O Salvador diz-nos que com um olhar inconveniente manchamos as nossas almas, e vós a deliciar-vos com os olhos postos em coisas tão vergonhosas?!...

Nós, respondeu um deles, fazíamos por distração.

Sim, sim, por distração; no entanto, por distração, ide-vos preparando para o inferno. Riríeis no inferno se lá caísseis?

Mas nós- retorquiu outro – não víamos grande malícia naquelas gravuras.

Pior ainda. Não ver a maldade em semelhantes indecências é sinal de que já estais habituados a contemplá-las. Mas o hábito não desculpa, antes, pelo contrário, torna-vos mais culpados. Ó Job! Ó Job! Tu velho, mas eras um santo; sofrias de uma doença, que te obrigava a viver deitado sobre um monturo de imundície; e, contudo, fizeste um pacto com os teus olhos para que não olhassem, nem de leve, coisas inconvenientes!

A estas palavras, todos se calaram e ninguém se atreveu a censurá-lo nem lhe fazer qualquer observação.

Á modéstia nos olhos aliava Domingos uma grande reserva no falar.

Quando alguém falava, ele calava-se; por várias vezes truncou uma expressão para dar aos outros liberdade de se expandirem. Os seus mestres foram unânimes em asseverar que nunca tiveram motivo para repreendê-lo, tão modelar foi sempre o seu procedimento no estudo, na aula, na igreja e em toda a parte. Até nas próprias ocasiões em que lhe fizessem qualquer injúria, sabia moderar, mais do que nunca, a língua e o seu temperamento.

Um dia, preveniu um companheiro de um mau hábito. Este, em vez de receber de bom grado a observação, zangou-se. Cobriu-o de vitupérios, e depois investiu contra ele a socos e a pontapés. Domingos teria podido fazer valer as suas razões com os fatos, pois, era mais velho e tinha mais força. Mas não quis senão a vingança dos cristãos. Ficou com o rosto ruborizado, mas refreou o ímpeto de ira e limitou-se a dizer a seguintes palavras:

Perdôo-te esta ofensa. Não trates os outros desta maneira”.

(Extraído do jornal: “O Desbravador” – Maio de 2001)

http://osegredodorosario.blogspot.com.br/2011/06/fatos-da-vida-de-sao-domingos-savio.html

Sâo Domingos Sávio


Domingos Sávio - Rezar Antes de Comer - parte 1


Domingos Sávio - Antes morrer do que Pecar - parte 2

Deus envia profetas para encontrarmos Sua Palavra

Muitas vezes, os profetas por meio dos quais Deus quer nos falar estão na nossa própria casa, na nossa família, como quando a mãe aconselha o filho e a esposa (o) ao marido, vice-versa.
“Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria” (Lucas 4, 24).
Jesus hoje faz memória ao desprezo que o povo contemporâneo de Elias demonstrou a esse profeta. O Senhor lembra que os profetas do passado foram rejeitados, e com Ele não é diferente. Ali no meio dos Seus, da Sua própria família e entre aqueles que O viram crescer há o desprezo à pessoa d’Ele. Há um desprezo direto da parte de alguns e indireto da parte de outros, ou seja, pode ser que não repreendam o Senhor, mas também não se abrem para acolher aquilo que Ele traz. Na verdade, eles tratam Jesus como se Ele fosse mais um; eles O viram crescer, viram que Ele era tão homem quanto qualquer um deles, por isso eles não olham para além da aparência.
Sabem, meus irmãos, Deus usa quem Ele quer e como Ele quer para que a Sua graça chegue até nós! Muitas vezes, os profetas por meio dos quais Deus quer nos falar estão na nossa própria casa, na nossa família; algumas vezes, o profeta que Deus quer usar, para nos falar, é o conselho que a mãe nos dá e para o qual nós não damos atenção. Outras vezes, o profeta que Deus quer usar para nos falar é o marido que chama a atenção da esposa, ou é a esposa que pede ao marido que preste atenção nisso ou naquilo.
Nós preferimos escutar as pessoas de fora, sim, de fora da nossa casa, de fora da nossa família e do nosso convívio a escutar os nossos. Preste atenção, porque Deus fala pela boca dos nossos, ainda que os nossos não sejam tão santos como nós gostaríamos que eles fossem. Nós também não o somos e Deus fala por intermédio de nós e usa a nossa boca e as nossas expressões para que nós também sejamos profetas onde estamos.
O provérbio que Jesus cita hoje: “Um profeta só não é bem recebido em sua pátria” (Lucas 4, 24) não é uma verdade a ser assumida; é, na verdade, um fato a ser rejeitado, porque nós não podemos permitir que isso continue crescendo no meio de nós. Se não fizermos isso não saberemos acolher Deus que fala por intermédio dos nossos, e o Senhor quer continuar falando ao nosso coração, quer continuar usando a mim e a você, os nossos irmãos, os nossos amigos e os nossos pais como verdadeiros profetas para que a Sua Palavra chegue ao nosso coração.
Um pouco mais de humildade, de docilidade e de abertura para a graça de Deus nos ajudará a compreender e a acolher quando o Senhor quer falar a nós pela boca daqueles que são mais próximos de nós. O Senhor nos fala, mas pode ser que eu e você desprezemos e não prestemos atenção ao meio por intermédio do qual Ele quer chegar até nós.
Deus abençoe você!
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sábado, 7 de março de 2015

Textos para meditar: histórias de contrição

QUARESMA: DUAS HISTÓRIAS DE CONTRIÇÃO

● O coração humano, enquanto não derrama uma lágrima de verdadeiro arrependimento, não possui o segredo da porta que dá acesso ao Amor de Deus.
É uma verdade que a consciência cristã de todos os tempos intuiu, mesmo que muitos não quisessem encará-la. Uma boa ilustração disto é a lenda relatada pelo rei Afonso, o Sábio, nas suas Cantigas, e que percorreu – com diversas variantes − a cristandade medieval.
 Fala de um cavaleiro que, não suportando mais o peso das suas blasfêmias e crimes, foi procurar um padre eremita para se confessar. Recebeu, como penitência, a ordem de encher de água um pequeno barril. Durante semanas e meses, tentou cumprir esse gesto, aparentemente tão simples, sem nada conseguir: mergulhava o recipiente em todos os rios e córregos, achegava-o a todas as fontes, mas o baldezinho ficava vazio. Até que um dia se sentou, voltou a pensar na sua má vida e na bondade de Deus, na sua miséria e no amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, que deu a vida por nós na Cruz. Caiu-lhe então no balde uma lágrima de verdadeira contrição – de dor de amor – , e o recipiente ficou imediatamente cheio até transbordar. Tinha cumprido a sua penitência.

● O chefe dos exércitos do rei São Luís da França, Joinville, senescal da Champagne conta, na sua crônica sobre o santo rei que, certa vez,  São Luis comentou-lhe que preferia cem vezes ficar leproso a cometer um só pecado mortal. Joinville, muito franco e descomedido, retrucou dizendo que preferia cometer cem pecados mortais antes que ficar leproso. São Luis ficou tão aflito que naquela noite não dormiu e, no dia seguinte, chamou Joinville e, muito mansamente, fez-lhe ver que a lepra acaba quando morre o corpo, mas que o pecado mortal pode acompanhar a alma ao inferno por toda a eternidade.

http://www.padrefaus.org/archives/1961

sexta-feira, 6 de março de 2015

Oração para o dia de jejum

Pe. Slavko Barbaric
Senhor Deus, Criador do universo e meu Criador! Desejo agradecer-Te, hoje, pela maravilhosa ordem que estabeleceste o mundo. Obrigado, porque deste fertilidade à nossa Mãe-Terra, que produz todos os tipos de frutos. Obrigado, pelo alimento que se deriva dos frutos da terra. Pai, estou cheio de alegria por todas as tuas criaturas, razão pela qual eu te apresento o meu canto de agradecimento: Obrigado pela necessidade que temos do pão, todos os dias, e da água que mata a sede. Obrigado, Pai, por teres criado meu corpo tal qual ele é, podendo servir-se do alimento da terra e, desenvolvendo-se, servir a Ti. Obrigado, por todos aqueles que descobrem e desenvolvem, com seu trabalho, novas possibilidades de vida na Terra. Obrigado, pelos que, possuindo muitos bens, dividem com os outros. Obrigado, por aqueles que, embora fartos do pão de trigo, estão famintos do pão celeste. Obrigado, igualmente, por aqueles que, hoje, não tem o que comer, pois sei que Tu lhes enviarás o alimento, através de pessoas cheias de bondade e de amor.
Pai, hoje decidi fazer jejum. Não desprezo, com isso, as coisas que Tu criaste.
Não desejo renunciá-las, mas quero descobri-las novamente. Decidi jejuar, porque teus profetas jejuaram, porque teu Filho jejuou, jejuaram, também, teus  discípulos e apóstolos. Decidi jejuar, porque jejuou tua serva, a bem-aventurada Virgem Maria. Foi Ela quem me convidou ao jejum:
Queridos filhos: Hoje convido vocês para começarem a jejuar com o coração. Existem muitas pessoas que jejuam, mas somente por que os outros estão jejuando. Tornou-se um hábito, que não querem parar. Peço à Paróquia para jejuar em agradecimento, porque Deus permitiu-Me permanecer, assim por tanto tempo nesta Paróquia. Queridos filhos, jejuem e rezem com o coração!. Obrigada por term respondido ao meu chamado.” (20/09/84).
Pai, ofereço-Te este dia de jejum. Por meio dele, quero ouvir tua voz e vivê-la com mais empenho. Desejo, no decorrer deste dia, voltar-me mais para Ti, embora haja tantas coisas que me distraem ao meu redor. Ao fazer este jejum espontaneamente, peço pelos homens que passam fome e (levados por ela) provocam agitações no mundo. Ofereço este jejum, também, pela paz no mundo.
As guerras acontecem, porque estamos demasiadamente presos aos bens materiais e, por causa deles, inclinamo-nos ao morticínio. Ofereço-Te, ó Pai, este jejum por todos os homens que são escravos dos bens materiais e desprezam a existência de qualquer outro bem. Ó Pai, deixa-me ver o dom que nos dás com a prática do jejum.
Peço -Te perdão, também, pela enorme cegueira que de mim se apoderou, pois não te rendi graças pelos bens que possuo. Perdoa-me pelo mau uso dos meus bens, porque exagerei o seu valor. Quero, com o jejum de hoje, que Tu me faças capaz de apreciá-los acertadamente como também as pessoas que me cercam. Faze-me mais sensível para ouvir e acatar a tua palavra. Que este jejum me leve a crescer no amor para Contigo e para com o próximo!
Pai, hoje resolvi alimentar-me só de pão, para que possa compreender melhor o valor do Pão Celeste, que é a presença de Teu Filho na Eucaristia. Faze que cresçam em mim a fé e a confiança!
Pai, quero fazer jejum e aceitá-lo, porque, desta maneira, crescerá em mim o desejo de possuir-Te. Com alegria e agradecimento, reflito sobre as palavras de Teu Filho: “Bem-aventurados os pobres, porque deles é o Reino dos Céus”. Pai, torna-me pobre, diante de Ti ! Concede-me esta graça, para que, através do jejum, entenda eu, como tenho necessidade Ti. Aumenta em mim o desejo de Te possuir! Que o meu coração suspire por Ti, da mesma forma que o cervo suspira pelas fontes de água e o deserto  aguarda as nuvens que trazem as chuvas! Que, pelo jejum, ó Pai, cresçam a compreensão e a solidariedade, em favor dos que padecem fome e sede e não possuem bem algum. Ajuda-me a ver as coisas que possuo e de que não preciso e, assim, privando-me delas, vá em socorro de meus irmãos…
Pai, peço-Te a graça de entender que sou um peregrino nesta Terra. No momento de minha passagem para a outra vida, nada levarei, senão as boas obras que tenha praticado com amor. Que eu me lembre de que, mesmo possuindo bens, nada me pertence, pois tudo recebi para administrar bem … Pai, dá-me a graça de tornar-me mais humilde e mais aberto a cumprir Tua vontade. Para isso, livra-me do meu egoísmo e do meu orgulho!
Por meio deste jejum, livra-me dos maus hábitos, aplaca minhas paixões, faze-me crescer nas virtudes. Que na profundidade de minha alma permaneça a Tua graça e que ela me purifique e me domine totalmente!
Ajuda-me, Senhor, a parecer-me com Teu Filho em todas as provações e tentações, de modo que eu saiba repelir qualquer sedução e possa, deste modo, servir-Te, cada vez mais, buscando a tua Palavra.
Ó Maria Santíssima, Teu coração estava completamente livre. Teu compromisso era com a vontade de Deus. Obtém para mim, hoje, a graça do jejum alegre, em que meu coração possa entoar, Contigo, um cântico de ação de graças. Faze com que meu propósito de jejuar seja forte e duradouro. A fome que sentir, hoje, eu a ofereço por toda a humanidade. Ó Maria, intercede por mim! Pela tua intercessão e proteção, esteja eu livre de qualquer mal e da tentação diabólica! Ensina-me, ó Mãe, a jejuar e a rezar, para que eu fique, a cada dia, mais parecido com Teu Filho, Nosso Senhor, Jesus Cristo, no Espírito Santo!
Amém!
https://movimentojovensmarianos.wordpress.com/oracoes/oracao-para-o-dia-de-jejum/

Quando se age de forma insensata

A relação entre Jesus e a liderança judaica de sua época foi muito tensa e problemática. O Mestre se dava conta da profunda rejeição de que era vítima. Percebia que seus adversários opunham-se à sua pregação. Diante disto, era inútil esperar deles uma mudança de mentalidade que os direcionasse para o Reino. 
Jesus questionou a indisposição dos sacerdotes e dos anciãos do povo contra ele. A parábola da vinha mostra que eles herdaram uma mentalidade muito antiga em Israel. Há muito tempo, Deus vinha esperando de seu povo atitudes compatíveis com sua fé. Os servos, enviados para receberem o lucro devido aludem aos que, ao longo dos tempos, tinham vindo em nome de Deus, para conclamar o povo para a conversão e exigir uma mudança radical de vida. Contudo, foram rejeitados. O envio do filho, identificado com Jesus, foi a última tentativa por parte do dono da vinha. O fato de ser o herdeiro da vinha teve seu peso: também ele foi assassinado. 
A recusa resultou em aniquilação dos primeiros arrendatários e a cessão da vinha a outro povo que a fizesse frutificar. A insensatez dos líderes do tempo de Jesus custou-lhes caro. Eles não perceberam que era preciso agir logo e dar frutos, antes que fosse tarde demais. A tolerância divina teve seus limites.


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