terça-feira, 11 de outubro de 2016

Viver e existir


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O que é existir? O que é viver? Viver não é apenas ter sangue circulando, ar nos pulmões, órgãos funcionando, olhos que enxergam, ouvidos que ouvem, etc. Isso é existir. Viver é muito mais. Viver é dar beleza e harmonia à existência. É escrever a história da vida com sons melodiosos e pintá-la com cores vivas e alegres, e não deixar que seja uma tela de natureza morta pintada em preto e branco.

VIVER E EXISTIR*
Eu vim para tenham vida e a tenham em abundância 
(Jo 10.10).


Viver é fazer com que a sinfonia da nossa vida se manifeste em belos acordes musicais, de lindos momentos de elevação espiritual, numa comunhão perfeita com a beleza e a majestade do Criador, e não em uma sucessão de dissonâncias. Jesus veio para nos dar vida abundante, diz o versículo em destaque, isto é, com qualidade, expressão, harmonia, alegria. Apesar de existirmos, estávamos mortos em nossos delitos e pecados, conforme lemos hoje. Mas Deus, em sua infinita graça, nos deu vida com Cristo.

Fomos transportados das trevas da mera existência para a plenitude da vida naquele que é a Luz do Mundo. Disse o Mestre: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12). Quem se deixa banhar na luz de Jesus experimenta a fascinante transformação de se livrar do sombrio casulo de apenas existir e, tal qual a borboleta, alça voo para a beleza do viver, trazendo em si, em vez da tediosa monocromia do existir, toda a exuberância policromática que o Criador lhe dá. Jesus, a luz do mundo, veio para nos dar vida, para refletirmos essa luz e brilharmos, e para sermos sal da terra, dando sabor à existência (M 5.13-16).

Como estamos escrevendo a nossa história? Com que cores estamos pintando? Não basta existir; é preciso viver. Existir é muito pouco para um ser criado à imagem do Criador (Gn 1.27) e que deve expressar ao longo de sua existência a beleza e o amor do Pai Eterno. 

*Jesus Cristo transforma nossa existência em verdadeira vida!*

domingo, 9 de outubro de 2016

PROFECIA DE SANTA ANA MARIA TAIGI (1830)

“Deus enviará ao mundo dois castigos: um virá dos homens, a saber, guerras, revoluções e outros males; o outro, virá do céu.”

Trevas excessivamente espessas se espalharão pelo mundo inteiro e envolverão a terra durante três dias e três noites. Durante estas trevas será absolutamente impossível distinguir-se qualquer coisa. O ar ficará empestado pelos demônios que aparecerão sob todas as formas as mais odiosas; essa pestilência arrastará não exclusivamente, mas principalmente, os inimigos da Religião, ocultos ou conhecidos, com exceção de alguns que Deus converterá logo depois.


“O flagelo sobre a terra será mitigado pelas orações, mas não o castigo do céu que será horrível, espantoso, universal. Enquanto durarem as trevas do céu será impossível a luz natural. Aquele que por curiosidade abrir a janela e olhar para fora ou sair pela porta, cairá morto instantaneamente. Durante esses três dias devemos ficar em casa rezando o rosário e invocando a misericórdia de Deus. As velas bentas preservarão da morte assim como a invocação à Maria e aos Anjos”.

“Os cristãos, porém de nome e não de fato, são piores que os animais. Não tem sido suficiente tantos avisos, tantas advertências, tantos acidentes funestos que Eu mandei ora de um modo, ora de outros.

“Não se pode medir quando tenham avançado as iniqüidades, tanto do homem quanto da mulher. Os demônios riem e festejam, porque não tem necessidade de provocar tentações, pois a malícia e a iniqüidade, tanto do homem quanto da mulher, supera suficientemente em muitos graus o demônio, pelas obscenidades de todos Gêneros que se cometem.

“Entende bem: deveríeis chegar a estes excessos porque o mundo todo se rebelou. Não há parte que não se encontre na amargura, porque os lobos vão todo dia dizimando as ovelhas… No mundo há uma grande luta, um grande pranto”.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Você é a noiva ou a prostituta?

O problema não é a noiva de Cristo, ela é perfeita e imaculada. 
A questão é que estão chamando de noiva uma prostituta, e depois reclamam que foram enganados.

A Noiva serve incondicionalmente,
a prostituta coloca condições;
A Noiva deseja morar com o noivo,
a prostituta só fica por um tempo;
A Noiva quer o noivo pelo que ele é,
a prostituta deseja o que ele tem;
A Noiva adora em qualquer circunstância,
a prostituta adora por interesses;
A noiva quer o bem do noivo,
a prostituta quer os bens do noivo;
A Noiva busca a face do Noivo,
a prostituta busca as mãos do noivo;
A Noiva vive de fé;
a prostituta vive dos cachês.

Gilberto Chagas Jr. Reflexões

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5 motivos para nunca mais afastar o anjo da guarda da sua vida


O que você está esperando?

Statue of an angel in Rome, Italy

“A Igreja confessa sua fé no Anjo da Guarda, venerando-os na liturgia com uma festa especial e recomendando procurar a sua proteção com uma oração frequente”, assinalou uma vez São João Paulo II em uma das suas catequeses acerca dos anjos. Confira a seguir cinco coisas que talvez não sabia ou não lembrava do seu Anjo da Guarda:

1. Acompanha-nos desde a concepção
Cada ser humano, desde o momento de sua concepção, tem um Anjo da Guarda. Diz o Catecismo (336): “Desde o seu começo até a morte, a vida humana é acompanhada pela sua custódia e intercessão”. Do mesmo modo, acrescenta uma frase de São Basílio Magno: “Ninguém poderá negar que cada fiel tem ao seu lado um Anjo como protetor e pastor para conduzir sua vida”.
Com estas afirmações compreendemos que a missão do Anjo da Guarda é velar por cada pessoa, proteger dos perigos e guiar nossa vida a Cristo. Por isso, São João Maria Vianney (o Cura D’Ars) indicava: “Que feliz é esse Anjo da Guarda, pois acompanha a alma quando vai à Missa”.

2. Sua existência não é uma invenção nem um conto infantil, fundamenta-se na Bíblia
Na Bíblia, desde o Antigo Testamento existem várias passagens que mencionam a presença dos anjos que custodiam, como no Êxodo (23, 20-21): “Eu vou enviar um Anjo diante de ti, para que te proteja no caminho e te conduza até o lugar que te preparei. Respeita-o e escuta sua voz”.
Do mesmo modo, no Novo Testamento, Jesus diz (Mt 18,10): “Não desprezem a nenhum destes pequenos, porque lhes asseguro que seus Anjos no céu estão constantemente na presença do meu Pai celestial”.

3. São amigos próximos dos santos
Muitos santos deram testemunho da inseparável relação que tiveram com seus Anjos da Guarda. Entre eles, estão São Francisco de Sales, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Pio de Pietrelcina, São Josemaria Escrivá, entre outros.
Dizem que Santa Francisca Romana (1384-1440), padroeira dos motoristas, teve a sorte de ver seu Anjo da Guarda, que velava por ela dia e noite. A Santa o descreve assim: “Era de uma beleza incrível, com uma pele mais branca que a neve e um rubor que superava a vermelhidão das rosas”.
“Seus olhos, sempre abertos olhando para o céu, o cabelo comprido e cacheado cor do ouro. Sua túnica era comprida até os pés e era branca um pouco azulada e, outras vezes, com brilhos avermelhados. Era tal a irradiação luminosa que o seu rosto emanava, que podia ler as matinas em plena meia-noite”.

4.- Protege-nos nos momentos difíceis
Em certa ocasião, São João Bosco narrou que no dia da festa do Anjo da Guarda, recomendou aos seus alunos que nos momentos de perigo invocassem o seu Anjo. Naquela semana, dois jovens trabalhadores estavam em um andaime muito alto alcançando materiais e de repente a tábua quebrou e ambos caíram no chão.
Um deles recordou o conselho do santo e exclamou: “Anjo da minha guarda!”. Caíram de repente e quando seus companheiros foram vê-los, um deles estava morto, mas o que tinha invocado o seu Anjo da Guarda ficou consciente e subiu a escada do andaime como se nada tivesse acontecido. Em seguida, o menino contou que ao invocar o seu anjo sentiu como se colocassem debaixo dele um lençol, que o abaixava devagar, e depois disso já não lembrava de mais nada.

5.- São poderosos servidores de Deus
São Bernardo Abade em um de seus sermões indicou: “Sejamos, pois, devotos e agradecidos àqueles guardiães tão exímios; correspondamos o seu amor, honremo-los quanto possamos e conforme devemos”.
“Eles nos guiam nos nossos caminhos, não podem ser vencidos nem enganados e menos ainda podem nos enganar. São fiéis, prudentes, poderosos: por que nos assustamos? Basta com que os sigamos, com que estejamos unidos a eles, e viveremos assim, à sombra do Onipotente”.
A tradição da Igreja recomenda saudar e invocar o Anjo da guarda durante o dia, especialmente com a seguinte oração:
Santo anjo do Senhor,
meu zeloso guardador,
se a ti me confiou
a piedade divina,
sempre me rege,
sempre me guarde,
sempre me governe e
sempre me ilumine.
Amém.

(via ACIdigital)

terça-feira, 4 de outubro de 2016

MEDITAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS


 
São Francisco de Assis, estando em retiro no monte Alverne fez uma seríssima meditação: "O céu aberto em cima de minha cabeça. O inferno aberto sob meus pés. E o cristão no meio! Assim estou no mundo, sob um Céu que me espera e cujo pensamento me conforta e estimula na luta". Quando a cruz pesar demais sobre nossos ombros doloridos, olhemos para o Céu. Certo dia ouvindo São Francisco de Assis o tanger de uma corda da lira celeste nas mãos de um anjo, entrou em êxtase e desfaleceu de tanta alegria. Sua pobre natureza se sentiu aniquilada, ante a estupenda maravilha de tão deliciosa melodia. Que não será, ó meu Deus, ouvir os cânticos eternos! Santo Inácio dizia: "Como me parece pequena e desprezível esta terra, quando olho para o Céu!" O céu aberto! Eia! Confiança!Todo sofrimento é pouco para tamanha felicidade!


"O inferno aberto!" Meditemos um pouco. Pode-se comparar todo nosso martírio, toda a amargura da terra, a uma só das penas eternas? Então, por que não suportarmos hoje um castigo tão leve em reparação de nossos pecados, que, mil vezes, já mereceram a condenação eterna?
"O cristão no meio!" ... para a luta, para a escolha livre do seu destino! Oh! como a vida é séria e cheia de responsabilidades! No meio, entre o Céu e terra, o cristão luta! Oh! saibamos sofrer e, com o pobrezinho de Assis, meditemos o que somos, onde estamos e o que nos espera na Eternidade!" Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "No meio desta geração adúltera e pecadora, quem se envergonhar de mim e de minhas palavras, Eu também me envergonharei dele no dia do juízo". 

http://zelozelatussum.blogspot.com.br/2014/10/meditacao-de-sao-francisco-de-assis.html

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Os anjos falam?



Sendo puros espíritos, os anjos não podem falar do mesmo modo que nós, por meio de 

sons e gestos. De que maneira, pois, se comunicam entre si e, inclusive, com Deus?

Angel with wings in front of heavenly light © Lane V. Erickson / Shutterstock - pt

Discorrer sobre anjos pareceria extravagante e pueril até alguns anos atrás. Não obstante, o tema está de volta com toda a força, em plena era do materialismo.
Junto com o renovado interesse pelas criaturas angélicas, muitas fantasias e erros se acrescentam àquilo que a Igreja ensina a respeito delas. Não é nossa intenção analisá-los aqui. Propomo-nos apenas investigar um tema que move em extremo nossa curiosidade, na tentativa de rasgar um pouco o véu que nos oculta o mundo dos puros espíritos: como eles se comunicam?
Seres imateriais, mas compostos
Que os anjos são seres imateriais é algo hoje aceito pacificamente, embora não seja fácil de compreender. Temos tendência a “antropomorfizar” sua vida, transpondo para o plano celeste as circunstâncias de nossa existência terrena. Entretanto, nada há de mais distante da realidade.
Por isso mesmo, nos primeiros séculos da Igreja, o debate sobre a existência de um “corpo angélico” causou controvérsias entre os entendidos, e mesmo entre santos. Uma corrente teológica muito numerosa – na qual se inclui São Boaventura – defendia a tese de que os entes angélicos têm, em sua composição, alguma “matéria espiritual”, um corpo etéreo, extremamente sutil. Pois, argumentavam os defensores dessa corrente, como explicar sua individuação, contingência, o fato de serem criaturas compostas e estarem delimitados?1 Mais ainda: se os anjos são puros espíritos, não seriam totalmente simples?2 Como distingui-los de Deus?
A questão veio a ser esclarecida por um dos maiores luminares do pensamento: São Tomás de Aquino. Com singeleza e objetividade, ele clarificou ideias abstrusas e precisou conceitos ambíguos – às vezes, quase diríamos, infantis.
Notemos de passagem que ele foi apropriadamente cognominado de Doutor Angélico, título utilizado pela primeira vez por Santo Antonino de Florença (1389-1459)3 e depois consagrado por São Pio V na bula Mirabilis Deus, de 1567, “talvez
pelas suas virtudes, de modo particular pela sublimidade do pensamento e pureza da vida”, como observa o Papa Bento XVI.4

Na Suma Teológica, São Tomás dedica todo um tratado ao tema dos anjos, discorre sobre eles também no tratado De Substantiis Separatis, no II Livro das Sentenças e em De Veritate, além de fazer esclarecedoras menções em várias outras obras.
De início, discordou da necessidade de haver um corpo angélico, assinalando que o conceito de “matéria espiritual” é de si contraditório e insustentável. Tal afirmação foi uma das que mais causaram polêmica no seu tempo e quase levou o Bispo de Paris, Étienne Tempier, a condená- lo como herege.
De outro lado, assinalou que todos os seres criados são necessariamente contingentes e compostos. No caso dos entes corporais, há uma composição de matéria e forma. Mas existe uma composição anterior, inerente a toda criatura, a de essência e ato de ser (ou existência). Uma está para o outro numa relação de potência e ato.5 Dessa maneira, embora nos anjos não haja matéria, são eles também compostos: sua essência se distingue realmente de seu ato de ser.
Ora, Deus é ato puro; n’Ele há identidade de essência e existência. Ele, explica o padre Bandera, “é absolutamente simples, e n’Ele não há nenhum tipo de composição. As criaturas não alcançam nunca a simplicidade própria de Deus e, consequentemente, implicam alguma composição. Mas para explicar esta composição não é necessário recorrer à matéria; a composição original, aquela inerente à criatura enquanto tal, é a de essência e existência”.6
Os anjos têm o ser por participação no Ser divino. Não existiam desde sempre, mas receberam em determinado momento o dom da existência, criados do nada. Isso, segundo a doutrina inovadora de São Tomás, já é suficiente para distinguir a criatura do Criador.7
Ficava assim resolvido por São Tomás o problema referente à natureza angélica: uma criatura, por mais excelente que seja, é composta pelo menos de essência e existência; no Criador, a existência é idêntica à essência.
Como os anjos chegam ao conhecimento das coisas?
Ensina a Escolástica que todo conhecimento nos vem através dos sentidos. Assim, antes de nosso intelecto formar uma ideia sobre um objeto, intermedeiam os sentidos internos – senso comum, imaginação, memória, cogitativa -, organizando e preparando os dados brutos percebidos pelos sentidos externos, em representações imaginárias. Por fim o intelecto abstrai as características individuais do objeto particular, apreendendo sua essência, com a qual trabalhará para chegar a conceitos, raciocínios e juízos universais.
No processo de conhecimento humano há, pois, uma passagem do objeto particular conhecido para as ideias universais. Assim, se alguém, caminhando por uma rua, encontra de repente um animal, mesmo sem conhecer detalhes sobre ele (por exemplo, quando nasceu e quem é seu dono), saberá de imediato que se trata de um cão ou de um gato, por exemplo.
Depois de havermos conhecido vários cães, a essência canina está bem determinada em nossa mente por certas características as quais, sendo universais, aplicam-se a todos entes daquela espécie. Por isso, a menos que haja alguma interferência (por exemplo, falta de boa iluminação no local), vendo um cão, saberemos que é um cão, quer se trate de um dálmata, um pastor alemão, um labrador ou um simples vira-latas, não importa seu tamanho, idade, cor ou outros traços individuais.
Nosso raciocínio trabalha, pois, com ideias universais. Por isso, entendemos perfeitamente uma notícia que diga: “Por determinação do Serviço Sanitário Estadual, todos os cães devem ser vacinados contra a raiva”. “Cães”, referindo-se à essência, designa todos os indivíduos da espécie canina. No entanto, com o anjo o processo de conhecimento não pode dar-se da mesma maneira, uma vez que ele não tem corpo e, assim, não possui sentidos que captem os particulares.
Como, então, chega ele ao conhecimento das coisas? Resumindo a doutrina de São Tomás a respeito, o professor Peter Kreeft afirma que “é próprio ao homem progredir na verdade por estágios, por meio de conceitos e de raciocínios até o conhecimento da verdade de um juízo”, enquanto que aos anjos é próprio conhecer “intuitiva e imediatamente, de uma vez, não por meio desse processo temporal”.8 Vejamos mais detidamente esses pontos
As espécies (ideias) pelas quais os anjos conhecem as coisas não lhes vêm destas últimas. Assim, por exemplo, um anjo não precisa conhecer vários gatos para, abstraindo as características particulares de cada um, concluir na ideia de “gato”. O espírito angélico não está sujeito a um desenvolvimento gradual, mas começou a existir na plenitude de seu conhecimento. Nunca teve de aprender, no sentido próprio da palavra.
Em outros termos, no momento em que criou os anjos, Deus infundiu- lhes as ideias ou conceitos abstratos de todas as coisas, sem os quais eles não seriam capazes de conhecer as coisas particulares ou individuais. Quando um anjo “vê”, ou seja, aplica sua inteligência a algo novo, não adquire alguma ideia; apenas confere com o conceito universal presente já em seu intelecto.
Hierarquia piramidal e vertical
Entre os homens existe uma hierarquia que poderíamos chamar de piramidal, em que muitos dependem de um ou de alguns. Assim se dá numa família, na qual os filhos estão sujeitos aos pais; ou num país, onde os súditos dependem do monarca ou do Chefe de Estado. Na hierarquia familiar, os filhos têm uma igualdade relativa, não dependendo uns dos outros para fazer chegar aos pais seus desejos e questões. Evidentemente, a igualdade absoluta não é sustentável, pois um filho será mais inteligente ou mais forte – e, nesse aspecto, superior – que os outros. Em um nível mais elevado, tal desigualdade é que torna possível a constituição de uma sociedade.
Entre os anjos isso se passa de maneira diferente. Como cada um constitui uma espécie única, quanto mais elevado é o anjo, mais ricas são as ideias ou conceitos que lhe foram infundidos por Deus, ao criá-lo.9 Poderíamos, talvez, imaginar que essa desigualdade fosse motivo de tristeza para os anjos inferiores. Entretanto, isso não se dá, pois as apetências, capacidades e glória de cada um são plenamente satisfeitas pelo próprio Criador, a partir do momento em que eles entraram na Visão Beatífica.10 Não têm, portanto, possibilidade de sentimento de infelicidade. Pelo contrário, as qualidades dos anjos que lhes são superiores, constituem para eles motivo de admiração.
Como falam os anjos?
Postos estes esclarecimentos, podemos nos perguntar como se dá a “fala” dos anjos, e é São Tomás quem novamente nos responde: dá- -se por iluminação e por locução. Denomina-se iluminação o ato pelo qual um anjo superior dá a conhecer a um inferior alguma verdade sobrenatural de que teve conhecimento, graças à imediata revelação de Deus. Por exemplo, Deus manifestou diretamente a todos os seres angélicos a futura Encarnação do Verbo, mas não de modo igual: a uns comunicou mais, a outros menos, deixando aos anjos superiores o encargo de iluminar os inferiores, de modo que estes progredissem no conhecimento desse mistério até o dia de sua realização.11
Conforme São Tomás, a iluminação é feita da seguinte maneira: em primeiro lugar, o anjo superior fortalece a capacidade de entender do anjo inferior; em segundo lugar, o superior propõe ao inferior aspectos particulares de verdades sobrenaturais que ele, anjo superior, “concebe de modo universal”.12
São Tomás ilustra esta doutrina dando o exemplo de um professor que, para ensinar uma matéria, divide-a em partes coerentes e ordenadas, acomodando-a à capacidade dos alunos. Evidentemente, estes terão um conhecimento fracionado, muito inferior ao do professor. Assim se passa com os anjos: “O anjo superior toma conhecimento da verdade segundo uma concepção universal, para cuja compreensão o intelecto do anjo inferior não seria suficiente”. 13 Para iluminar o inferior, o superior fragmenta e multiplica a verdade que ele próprio conhece de modo universal, tornando-a mais particular.
Esta forma de comunicação, por iluminação, só procede dos anjos superiores para os inferiores. Todavia, na locução, também os anjos inferiores falam aos superiores. Segundo o Doutor Angélico, a locução tem por finalidade manifestar algo interior àquele com quem se fala ou pedir-lhe alguma coisa: “Falar nada mais é do que manifestar a outro o próprio pensamento”.14 Não se trata aqui de apresentar uma verdade sobrenatural, pois neste caso, teríamos a iluminação. Em outras palavras, toda iluminação é locução, mas nem toda locução é iluminação. Evidentemente, a comunicação dos anjos entre si não se expressa com sons, gestos ou outro elemento material, pois sua natureza é só espiritual. Essa comunicação se dá por um ato de vontade, pelo qual um anjo dirige o pensamento ao outro, dando a conhecer conceitos que possui. Pode, inclusive, dar a conhecer algo a uns e não a outros, conforme queira.
Os anjos se comunicam também com Deus, nunca porém como o agente se dirige ao paciente ou, segundo a terminologia humana, o mestre ao discípulo. “O anjo fala a Deus – explica São Tomás -, seja consultando a divina vontade a respeito do que deve ser feito, seja admirando a excelência divina que ele nunca compreende a fundo”.15
O tema das conversas angélicas
Claro que o principal objeto de conversa dos anjos é Deus, pois toda criatura tende naturalmente a voltar-se para o Criador, sobretudo em se tratando de seres tão perfeitos como eles.16 Além do mais, estando na Visão Beatífica, estarão
sempre contemplando novos aspectos d’Ele durante toda a eternidade. Sendo Deus infinito, por mais que os anjos do Céu O vejam no seu todo, não O veem totalmente, o que é impossível a qualquer criatura.

Eles conversam também sobre os desígnios divinos a respeito do universo material, no qual o elemento mais importante é o homem. Não podem, pois, deixar de interessar-se enormemente pela ação divina na História; assim, os anjos superiores comunicam aos inferiores o que “veem” em Deus a tal propósito.
Poderíamos, pois, imaginar um diálogo no qual nosso anjo da guarda pergunta a um anjo mais elevado como compreender melhor nossa psicologia. Por exemplo, por que procedi de tal modo, por que deixei de agir em tal ou qual ocasião, etc.  O anjo superior, além de dar ao anjo da guarda as explicações, acrescentaria uma orientação sobre como guiar nossa alma da maneira mais conforme ao plano de Deus.
Uma coisa é certa: nossos anjos da guarda estão constantemente conversando sobre nós com os anjos que lhes são superiores, de maneira que existe uma “cascata”, ou “cadeia”, de anjos interessados na santificação e salvação de cada um de nós.
Que tal pensamento contribua para aumentar nossa devoção aos santos anjos, esses gloriosos intercessores celestes, dos quais muitas vezes nos esquecemos!


(Revista Arautos do Evangelho, Out/2010, n. 106, p. 32 a 36)

sábado, 24 de setembro de 2016

A MORTE DE PADRE PIO

"Adeus meus filhos,meus queridos filhos."
"Por volta da meia noite ,quis levantar-se. O Padre Pellegrino insistiu para que descansasse um pouco mais: mas ele respondeu: "Tenho os meus deveres."
Nessa noite perguntou as horas repetidas vezes.Perguntou ao Padre Pellegrino se já tinha celebrado a missa."Ainda é muito cedo para a missa",respondeu ele.O Padre replicou: "Esta manhã terá de a dizer por mim."
Depois ,pediu para se confessar e renovar os seus votos.Em seguida disse: "Se o Senhor me chamar a Si esta noite,peça perdão por mim aos meus confrade pelos aborrecimentos que lhes causei e peça aos meus filhos espirituais para rezarem pela salvação de minha alma."
O Padre Pelllegrino respondeu: "Padre,desejo que ainda possa viver muito tempo,mas se assim for,posso então perdi-lhe uma última benção para os confrades,para os seus filhos espirituais e para os seus doentes?" "Com certeza,disse ele,do coração os abençoo a todos."
Pela uma hora ,foi até a varanda. O Padre Pellegrino estava espantado por ver andar só e tão depressa.No entanto,depois de alguns minutos,teve uma nova crise;o suor inundava-lhe o rosto,e seus lábios tornaram-se lívidos.
O Padre Pio ainda teve forças para insistir com o Padre Pellegrino para não incomodar ninguém. Quando os padres e os médicos chegaram,ele já não falava mas agarrava no seu rosário com as mãos e repetia numa voz cada vez mais fraca: "Gesu Maria","Jesus Maria".
Pelas duas e meia ,inclinou suavemente a cabeça e entregou a sua alma a Deus,enquanto um agradável perfume de flores de laranjeira enchia todo o quarto e se espalhava por todo o convento,perfume esse que foi sentido simultaneamente por todos os seus filhos espirituais espalhados pelo mundo inteiro.
Era o dia 23 de setembro de 1968. 
Deus enxugou as suas lágrimas e revestiu o seu humilde servo da glória eterna."

Fonte: Facebook