Domingo de Ramos

 Domingo de Ramos

 A entrada de Nosso Senhor em Jerusalém
 Embora o advento de Cristo tivesse de ser realizado com humildade, ao
 contrário da expectativa dos judeus, não seria totalmente destituído de
 glória e brilho. Esse brilho era necessário para que os judeus pudessem
 ver que, por mais humilde que fosse seu Salvador, e por mais
 desprezível que parecesse, ele ainda poderia atrair a maior glória que
 os homens eram capazes de dar - até o ponto de ser feito rei - havia não
 a ingratidão dos judeus e uma dispensação secreta da sabedoria de
 Deus o impediram.
 Isso é o que vemos em sua entrada em Jerusalém, a mais
 impressionante e bela entrada real já feita. Um homem que parece ser o
 mais humilde em consideração e poder, recebe de todo o povo, tanto na
 cidade real quanto no Templo, honras maiores do que qualquer outra
 dada a um rei. *Este é o brilho.* No entanto, não devemos esquecer a
 *humildade e a enfermidade* que eram inseparáveis da condição terrena
 do Filho de Deus, e as veremos também, depois de considerarmos sua
 glória.
 Embora o Filho de Deus parecesse ser o menor dos homens, ele
 nasceu para ser um rei da maneira mais admirável possível. Por
 admirarem as suas obras, a sua vida santa, os seus milagres — tão
 compassivos para com a humanidade — as multidões deixaram tudo
 para o seguir, juntamente com as suas mulheres e filhos, até às terras
 desertas, longe das suas casas, sem sequer pensar em suas
 necessidades cotidianas. E quando Jesus os alimentou com cinco pães e
 dois peixes, para o número de cinco mil homens “além de mulheres e
 crianças” (Mateus 14:21), eles ficaram tão maravilhados que “estavam
 para vir e levá-lo à força”. para fazê-lo rei” e reconhecê-lo como o Cristo
 (João 6:15). Visível então estava um pouco do mesmo brilho que vemos
 aqui hoje, em sua entrada em Jerusalém.
 No dia das Ramos, porém, agradou-lhe permitir que a admiração de
 seu povo se manifestasse. E por isso que eles correram diante dele com
 palmas nas mãos, clamando que ele era o rei deles, o verdadeiro Filho
 de Davi que estava por vir, e o Messias por quem eles esperavam. As
 crianças se juntaram e seu testemunho inocente nos mostra quão
 sincera era a alegria do povo. *Nunca tanto foi feito por nenhum rei.* O
 povo lançou suas próprias roupas no caminho diante dele; cortaram
 galhos verdes para cobrir a estrada; tudo, *até as árvores, parecia se*
 *curvar diante dele.* A tapeçaria mais cara já exibida para uma entrada
 real não poderia se igualar a esses ornamentos simples e naturais. As
 árvores podadas e o povo despindo-se para preparar o caminho para o
 seu Rei: era um espetáculo arrebatador. Em outras entradas reais, o
 povo é instruído a preparar o caminho, e sua alegria é, por assim dizer,
por ordem. *Aqui tudo foi feito apenas pelo movimento do coração das*
 *pessoas.* Nenhum esplendor externo atingiu os olhos. Este pobre e
 manso Rei montou em um jumento, um humilde e pacífico corcel. Não
 havia cavalo cuja vivacidade atraísse consideração. Não havia
 seguidores nem guardas, nem despojos de vitória nem reis cativos. As
 palmas carregadas diante dele eram a marca de outro tipo de vitória.
 Todo o aparato de um triunfo comum foi banido deste. Em seu lugar,
 vemos os doentes que ele curou e os mortos que trouxe de volta à vida.
 A pessoa do Rei e a memória dos seus milagres eram o que fazia a festa.
 Toda a arte e bajulação podem projetar para homenagear um
 conquistador em um dia de vitória cedeu diante da simplicidade e da
 verdade que fizeram sua aparição aqui. Com esta santa festa,
 conduziram o Salvador ao centro de Jerusalém, ao monte sagrado do
 Templo. Lá ele apareceu como seu senhor e mestre, como o filho da
 casa real, o Filho do Deus que ali era adorado. Nem Salomão, seu
 fundador, nem os sumos sacerdotes que ali oficiavam receberam honras
 iguais.
 *Devemos fazer uma pausa aqui e reservar um tempo para refletir*
 *sobre todo esse grande espetáculo.*


Jacques-Benigne Bossuet 
Meditaço‌es para a Quaresma

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