quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"Reflexão sobre o esforço exagerado e a ganância"

Filho, que tua atividade não esteja em muitas coisas: se te apressares, não estarás isento
de delito; se perseguires, não alcançarás e, se correres, não escaparás.
Há quem se esforça, apressa-se e sofre, e tanto mais fica desprovido.
Há outro, fraco, precisando de ajuda, mais carente de força e rico só em miséria:
o Senhor o observa com benevolência e o reergue de sua humilhação, levantando-lhe a
cabeça, a ponto de muitos ficarem admirados.
Bens e males, vida e morte, pobreza e riqueza, tudo vem de Deus.
A sabedoria, a ciência e o conhecimento da Lei vêm do Senhor; estão junto a ele o amor e
a conduta dos bons.
O erro e as trevas foram criados para os pecadores; os que se comprazem nas más ações,
O dom de Deus permanece com os justos e sua benevolência produzirá bons frutos para
sempre.
Há quem se enriqueça por avareza, mas esta será a sua recompensa:
quando disser: “Agora posso descansar, agora vou desfrutar, sozinho, dos meus bens”,
ele não tem consciência de que o tempo vai passar, a morte vai se aproximar, e ele
morrerá, deixando tudo para outros.
Permanece firme na tua tarefa, ocupa-te bem dela e envelhece cumprindo teus deveres.
Não admires as obras dos pecadores, mas confia em Deus e permanece em teu trabalho.
Pois é fácil, aos olhos de Deus, enriquecer o pobre, num instante.
A bênção de Deus está na recompensa imediata do justo: num instante ela faz aparecer o
seu sucesso.
 Não digas: “Do que é que eu preciso?” e ainda: “Que bens me advirão daqui?”
Não digas: “Basto-me a mim mesmo; de agora em diante, que desgraça me poderá
atingir?”
No dia feliz não te esqueças dos males, e no dia infeliz não te esqueças dos bens.
Pois é fácil para Deus, no dia da morte, retribuir a cada um segundo os seus atos.
O tempo da desventura faz esquecer a imensa riqueza, mas é no fim que as obras são
reveladas
Antes da morte não louves pessoa alguma, pois no seu fim é que se conhece a pessoa.

ECLESIÁTICO 11, 10-20

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

"A santa obediência confunde todos os desejos sensuais e carnais"


Elogio das Virtudes
Salve, rainha sabedoria,
o Senhor te guarde por tua santa Irmã, a pura simplicidade!
Senhora santa pobreza,
o Senhor te guarde por tua santa Irmã, a humildade!
Senhora santa caridade,
o Senhor te guarde por tua santa Irmã, a obediência!
Santíssimas virtudes todas,
guarde-vos o Senhor, de quem procedeis e vindes a nós!
Não existe no mundo inteiro homem algum em condições de possuir uma de vós,
sem que ele morra primeiro.
Quem possuir uma de vós e não ofender as demais, a todas possui;
e quem a uma ofender, nenhuma possui e a todas ofende.
E cada uma por si destrói os vícios e pecados.
A santa sabedoria confunde a Satanás e todas as suas astúcias.
A pura e santa simplicidade confunde toda a sabedoria deste mundo e a prudência da
carne.
A santa pobreza confunde toda a cobiça
e avareza e solicitudes deste século.
A santa humildade confunde o orgulho
e todos os homens deste mundo e tudo quanto há no mundo.
A santa caridade confunde todas as tentações do demônio
e da carne e todos os temores carnais.
A santa obediência confunde todos os desejos sensuais e carnais
e mantém o corpo mortificado para obedecer ao espírito e obedecer a seu Irmão,
e torna o homem submisso a todos os homens deste mundo,
e nem só aos homens, senão também a todas as feras
e animais irracionais,
para que dele possam dispor a seu talante, até o ponto que lho for permitido do alto pelo
Senhor (cf. Jo 19,11).

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

ORAÇÃO DA RESTITUIÇÃO


Senhor Jesus, o único Santo,
abra nosso coração à plenitude de teu Amor,
coloca-nos no caminho das Bem-Aventuranças,
dá-nos a graça de restituirmos ao mundo uma
Pessoa Humana Melhor!
Senhor Jesus, bom Mestre, ensina-nos o caminho a seguir neste novo tempo; encha nosso coração de agradecimento por todo o bem que tem feito em nossa família, em nossas atividades e em nós mesmos,
ensina-nos a fazer festa, encantados por teu amor e por tuas maravilhas.
Senhor Jesus, verdadeiro amigo,
dá-nos olhos penetrantes, para esquadrinhar a noite,
dá-nos sabedoria que nasce de tua amizade, para saber discernir o que vem de ti, dá-nos valentia para testemunhar diante da humanidade,
a beleza de seguir os valores do Evangelho.
Senhor Jesus, nosso Irmão, vem em socorro da nossa fragilidade, para que não nos desanimemos nos momentos difíceis,
dá-nos a simplicidade da pomba, para ir entre os povos, e a astúcia da serpente para não sermos subornados pelo mundo consumista e materialista.
Olha-nos com amor, também quando Te esquecemos.
Altíssimo, Onipotente e Bom Senhor,
Te damos graças porque nos pensou,criou e chamouà inspiração franciscana para iluminar as nossas práticas;
te bendizemos porque mantém vivo em nós o propósito de dar um acabamento melhor ao mundo, seguindo os exemplos de Francisco de Assis.
Te louvamos porque, como Francisco, nos tem dado a graça de te descobrir como verdadeiro tesouro de nossa vida. A Ti o louvor, a bênção e toda a honra.
Amém


ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

"Da imitação de Cristo e desprezo de todas as vaidades do mundo"

Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo.
2. A doutrina de Cristo é mais excelente que a de todos os santos, e quem tiver seu espírito encontrará nela um maná escondido. Sucede, porém, que muitos, embora ouçam frequentemente o Evangelho, sentem nele pouco enlevo: é que não possuem o espírito de Cristo. Quem quiser compreender e saborear plenamente as palavras de Cristo é-lhe preciso que procure conformar à dele toda a sua vida.
3. Que te aproveita discutires sabiamente sobre a SS. Trindade, se não és humilde, desagradando, assim, a essa mesma Trindade? Na verdade, não são palavras elevadas que fazem o homem justo; mas é a vida virtuosa que o torna agradável a Deus. Prefiro sentir a contrição dentro de minha alma, a saber defini-la. Se soubesses de cor toda a Bíblia e as sentenças de todos os filósofos, de que te serviria tudo isso sem a caridade e a graça de Deus? Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade (Ecle 1,2), senão amar a Deus e só a ele servir. A suprema sabedoria é esta: pelo desprezo do mundo tender ao reino dos céus.
4. Vaidade é, pois, buscar riquezas perecedoras e confiar nelas. Vaidade é também ambicionar honras e desejar posição elevada. Vaidade, seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, serás gravemente castigado. Vaidade, desejar longa vida e, entretanto, descuidar-se de que seja boa. Vaidade, só atender à vida presente sem providenciar para a futura. Vaidade, amar o que passa tão rapidamente, e não buscar, pressuroso, a felicidade que sempre dura.
5. Lembra-te a miúdo do provérbio: Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir (Ecle 1,8). Portanto, procura desapegar teu coração do amor às coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis: pois aqueles que satisfazem seus apetites sensuais mancham a consciência e perdem a graça de Deus.

FONTE: Imitação de Cristo

"AS PERFEIÇÕES DE DEUS"



           
 Que és, portanto, ó meu Deus? Que és, repito, senão o Senhor Deus? Ó Deus sumo, excelente, poderosíssimo, onipotentíssimo, misericordiosíssimo e justíssimo.
            Tão oculto e tão presente, formosíssimo e fortíssimo, estável e incompreensível; imutável, mudando todas as coisas; nunca novo e nunca velho; renovador de todas as coisas, conduzindo à ruína os soberbos sem que eles o saibam; sempre agindo e sempre repouso; sempre sustentando, enchendo e protegendo; sempre criando, nutrindo e aperfeiçoando, sempre buscando, ainda que nada te falte.
            Amas sem paixão; tens zelos, e estás tranqüilo; te arrependes, e não tens dor; te iras, e continuas calmo; mudas de obra, mas não de resolução; recebes o que encontras, e nunca perdeste nada; não és avaro, e exiges lucro. A ti oferecemos tudo, para que sejas nosso devedor; porém, quem terá algo que não seja teu, pois, pagas dívidas que a ninguém deves, e perdoas dívidas sem que nada percas com isso?
            E que é o que até aqui dissemos, meu Deus, minha vida, minha doçura santa, ou que poderá alguém dizer quando fala de ti? Mas ai dos que nada dizem de ti, pois, embora seu muito falar, não passam de mudos charlatães. 
Do Livro: CONFISSÕES 

 sAnTo AgOsTiNhO

terça-feira, 14 de agosto de 2012

"SOBRE SÃO MAXIMILIANO MARIA KOLBE"



SÃO MAXIMILIANO MARIA KOLBE
08/01/1894 – 14/08/1941=47anos07meses06dias.
Beatificação 17/10/1971=30anos02meses03dias
Canonização 10/10/1982 = 41anos01mes24dias.
"A Força criativa é o AMOR!".
S. Maximiliano Maria Kolbe - uma vida doada.
Franciscano Conventual - Apóstolo da Imaculada.

Um santo é sempre um dom de Deus para a Igreja e a Humanidade. Maximiliano Kolbe o é de um modo particularmente eloqüente. Escrevia, anos atrás, o historiador Daniel Rops: "Houve sempre necessidade de santos; mas hoje é preciso um tipo especial. Penso em ti, Frei Maximiliano Kolbe, cuja figura exemplar encarna no modo mais profundo a revelação contra o horror de nosso tempo, no qual, como dizia teu Pai São Francisco, 'o Amor não é amado'. Te vejo mártir dos nossos dias, no campo de concentração".
Sacerdote franciscano
Maximiliano nasceu aos 8 de janeiro de 1894, na Polônia, de família pobre e profundamente religiosa. Aos 13 anos entrou no seminário dos Frades Conventuais. Nos estudos, distinguiu-se de forma genial nas ciências e na matemática. Para os estudos de filosofia e teologia foi enviado a Roma, onde se doutorou nessas faculdades com ótimas notas. Ordenado sacerdote em 1918, retornou à Polônia, onde foi designado para lecionar no seminário franciscano, em Cracóvia.
"Imaculada - eis o nosso Ideal!"
A inspiração de toda a sua vida foi a Imaculada, a quem confiava o seu amor por Cristo. No mistério da Imaculada Conceição manifestava-se diante dos olhos da sua alma aquele mundo maravilhoso e sobrenatural da graça de Deus oferecida ao homem. A fé e as obras de toda a vida de Frei Maximiliano indicam que ele entendia a sua colaboração com a graça divina como uma "militância" sob o sinal da Imaculada Conceição. A característica mariana é particularmente expressiva na vida e na santidade de frei Kolbe. Com essa característica foi também todo o seu apostolado, tanto em sua pátria como em terras de missões.
"Duas coroas"
Desde criança, cultivou esse amor por Nossa Senhora, que o presenteou com uma aparição, quando tinha cerca de 9 anos. Na aparição, Nossa Senhora trazia nas mãos duas coroas, uma branca e outra vermelha. Olhando-o com amor, perguntou qual delas preferia. Com a branca ficaria santo, puro e com a vermelha morreria mártir. Maximiliano, então, respondeu que ficaria com as duas.
Fundador da "Milícia da Imaculada"
Segundo o Papa Paulo VI, São Maximiliano foi um dos mais genuínos e modernos apóstolos do culto a Nossa Senhora, vista no seu primeiro, originário, privilegiado esplendor, aquele da Imaculada Conceição. De fato, seu imenso amor e zelo por Maria, levaram-o a instituir, em 1917, o movimento eclesial da "Milícia da Imaculada", que segundo uma plástica definição sua "é uma visão global da vida católica sob uma nova forma, que consiste na união com a Imaculada". Ele viu nela, mais do que uma verdade em que acreditar, uma vida para viver, com a finalidade de operar ativamente com ela, Mãe e Medianeira, convidando todos os homens a converterem-se a Deus e a tornarem-se santos, no cotidiano do próprio dever e no constante dom de si mesmos aos outros, com todo tipo de apostolado possível. A tal objetivo, propuseram a todos os católicos a pessoal e total consagração à Imaculada, como coisa, propriedade e instrumento: ponto de partida para se viver em perfeita comunhão com Deus e ser cristã mente empenhado na Igreja de acordo com o exemplo d'Ela.
Apóstolo pela imprensa
De fato, ele fez da Imaculada o ponto focal de sua espiritualidade e teologia, dando início à publicação da revista "Cavaleiro da Imaculada" e à experiência de Niepakalanow - Cidade da Imaculada - verdadeiro recanto de oração e caloroso posto de trabalho para o homem. Situado a 40 Km de Varsóvia (Polônia), convento chamado Niepakalanow (com sua grande editora equipada com os mais modernos aparelhos tipográficos; com o "Cavaleiro da Imaculada" que em 1922, em sua primeira edição, lançara apenas 5000 exemplares e, em 1939, alcançou a tiragem de quase um milhão; com suas construções modestas para moradia; com suas oficinas para irmãos religiosas trabalhadores, mecânicos, carpinteiros, sapateiros, alfaiates, padeiros; com seu corpo de bombeiros; sua emissora de rádio; com seus quase mil operários, todos religiosos, filhos espirituais de São Francisco de Assis, como Frei Maximiliano) tornou-se uma verdadeira "cidade" de propriedade da Imaculada, porque estava toda voltada ao Seu nome e, em Seu nome, toda voltada para a realização do ambicioso programa formulado por frei Maximiliano: "Conquistar o mundo inteiro, todas as almas, para Cristo, pela Imaculada, usando todos os meios lícitos, todas as descobertas tecnológicas, especialmente no âmbito das comunicações".
Missionário
E pensando assim - "Conquistar o mundo inteiro para Cristo pela Imaculada" - partiu em missão para o Japão, três anos após a fundação de Niepokalanów. Pouco tempo após sua chegada ao Japão e sem saber uma palavra sequer do idioma japonês, publicou o "Seibo no Kishi" ("Cavaleiro da Imaculada") e fundou a "Mugenzai no Sono" (Cidade da Imaculada). Porém, sua permanência aí foi curta. Os superiores exigiram sua presença na Polônia, para retomar a direção de Niepokalanów. A obediência de frei Maximiliano foi imediata, apesar de ter de deixar para trás todos os seus sonhos de fundar cidades da Imaculada na Índia, nos países árabes, na Rússia e em outros países do oriente.
O "baque" da segunda guerra mundial
Veio a guerra e Frei Maximiliano foi preso e mandado para o campo de concentração de Auschwitz, sem nenhuma justificativa. Num campo de concentração em que o homem era privado de toda dignidade, reduzido a um número; em que o desespero acabava por tornar as vítimas dispostas a tudo, a de garantir a própria sobrevivência, Frei Maximiliano exaltou a irredutível dignidade do homem, escolhendo morrer no lugar de um irmão desconhecido, pai de família, aos 14 de agosto de 1941. E fez isso seguindo o exemplo d'Aquele que quis dar a vida por todos nós, para libertar-nos da nossa desumanidade, do mal que age em nós.
Não somente com a sua morte heróica, mas também com toda a sua vida dedicada a um grande ideal, Kolbe nos mostra o quanto a fé pode enriquecer de energia, de bondade, de generosidade, de espirito de sacrifício a vida de um homem. Por isso vemos nele um verdadeiro mártir (testemunha) de Jesus Cristo, mártir de caridade, do amor que salva e que dá vida.
Numa carta, quase prevendo o seu fim neste mundo, frei Maximiliano Kolbe escrevia: "Eu queria ser reduzido a pó, pela Imaculada, e espalhado pelo vento no mundo". Suas cinzas foram de fato espalhadas pelo vento. Os carrascos de Auschwitz não pensavam, certamente, esvaziando os fornos crematórios, que estavam realizando o último sonho desse grande apóstolo. Aquelas cinzas foram levadas pelo vento do Espírito Santo no mundo, suscitando fecundos germes de vida e de renascimento.
Mensagem de esperança e dignidade
Toda a vida de Maximiliano Kolbe está marcada pelo encanto das “duas coroas" (branca e vermelha) que recebeu de Nossa Senhora. O branco e o vermelho, os símbolos da Imaculada e do Espírito Santo, da pureza e do amor, são as cores dessa vida exemplar, a bandeira de uma nova humanidade, mais autêntica e mais fraterna. O nosso mundo, não obstante as conquistas da ciência e da técnica, correm o risco de voltar à barbárie. É como um carro com o motor cada vez mais potente, mas que perdeu a direção e não consegue se manter na estrada. Expõe-se ao perigo de perecer por falta de, significado, por falta de fraternidade, por falta de respeito.
Nessa situação, Frei Maximiliano se eleva como uma bandeira com as cores da pureza (autenticidade) (e do amor fraternidade), mostrando a todos nós o caminho da esperança, daquela esperança que nasce da fé em Deus da fé no homem.