quinta-feira, 6 de setembro de 2012

"Eu pecava em buscar a mim próprio e nas demais criaturas"



Contudo, Senhor, graças te sejam dadas, excelso e ótimo criador e ordenador do universo, nosso Deus, mesmo que te limitasses a me fazer apenas menino. Porque então, eu já existia, vivia, sentia, cuidava da minha integridade, eco de tua profunda unidade, fonte de minha existência.
            Guardava também, com o secreto instinto, a integridade dos meus outros sentidos, e deleitava-me com a verdade nos pequenos pensamentos que formava sobre coisas pequenas. Não queria ser enganado, tinha boa memória, e me ia instruindo com a conversação. Alegrava-me com a amizade, fugia à dor, ao desprezo, à ignorância. E não seria isto, em tal criatura, digno de admiração e de louvor? Pois todas essas coisas são dons do meu Deus, que eu não dei a mim mesmo. E todos são bons, e tudo isso constitui o meu eu.
            O que me criou, portanto, é bom, e ele próprio é o meu bem; a ele louvo por todos estes bens que integravam meu ser de criança. Eu pecava em buscar em mim próprio e nas demais criaturas, e não Nele, os deleites, grandezas e verdades; por isso caia logo em dores, confusões e erros.
            Graças a ti, minha doçura, minha esperança e meu Deus, graças a ti por teus dons; que eles fiquem em ti conservados. Assim me guardarás também a mim, e aumentarão e aperfeiçoarão os dons que me deste, e eu estarei contigo, porque também me deste a existência.

CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO

domingo, 2 de setembro de 2012

"O desenvolvimento da vida espiritual"



Em sua Teologia da Perfeição Cristã, o Pe Royo Marín (1968, p 273) salienta que :
Cada alma segue seu próprio caminho rumo à santidade sob a direção e o impulso supremo do Espírito Santo. Não há duas fisionomias inteiramente iguais no corpo nem na alma. Contudo, os mestres da vida espiritual tem tentado diversas classificações atendendo às disposições predominantes das almas, que não deixam de ter sua utilidade ao menos como ponto de referência para precisar o grau aproximado de vida espiritual em que se encontra uma determinada alma. (…)
São três, parece-nos, as principais classificações que foram propostas ao longo de toda a história da espiritualidade cristã: a clássica das três vias: purgativa, iluminativa e unitiva; a do Doutor Angélico, baseada nos três graus de principiantes adiantados e perfeitos; e a de Santa Teresa de Jesus em seu genial Castelo interior ou livro das Moradas.
A obra de Santa Teresa de Jesus, Castelo interior ou Moradas, é tomada como exemplo pela maioria dos autores de vida espiritual, pois explica de modo excelente as fases da vida cristã rumo à santidade, baseando-se nos graus de oração. Esta Doutora da Igreja compara a alma a um castelo e os diversos graus da vida espiritual, aos aposentos desse castelo: “consideremos nossa alma como um castelo, feito de um só diamante ou de limpidíssimo cristal. Neste castelo existem muitos aposentos, assim como no céu há muitas moradas” (1981, p. 19).
Santa Teresa divide o desenvolvimento da vida espiritual em sete moradas:
a) Primeiras Moradas (ibidem, p. 19-37) – considera a beleza de uma alma em estado de graça e lamenta aquelas almas que jamais entram no castelo, ficam ao redor dele, obstinadas no pecado. Afirma ainda que a porta de entrada desse castelo é a oração. Trata da hediondez de uma alma em estado de pecado mortal e da importância da humildade e do conhecimento de si mesmo, através do conhecimento de Deus. Adverte também sobre as artimanhas do demônio para impedir que as almas progridam dessas primeiras moradas para as seguintes. Nesse estágio, as almas desejam não ofender a Deus e praticar boas obras, no entanto, estão ainda absorvidas pelo mundo.
b) Segundas Moradas (ibidem, p. 41-49) – aqui as almas já se preocupam em servir a Deus, fogem das distrações fúteis e buscam uma vida de oração e recolhimento, embora com muitas quedas e falhas. Têm aversão ao pecado mortal, porém, pouco cuidado em evitar as ocasiões. Sofrem por sentirem cada vez mais claro o chamado de Deus e não terem ânimo suficiente para se entregarem inteiramente. Nesta fase, a Santa encoraja-as a não desanimarem diante dos ataques do demônio mas serem humildes e se confiarem à Misericórdia Divina, a fim de perseverarem.
c) Terceiras Moradas (ibidem, p. 53-68) – nestas moradas as almas passam a ter mais oração e recolhimento, evitam os pecados veniais e fazem penitência. Quando são provadas pelo Senhor com securas e aridezes, desanimam porque ainda são débeis. Aconselha a estas almas a fuga das ocasiões e a perseverança na humildade e na oração, sem fazer caso de provações ou de consolações.
d) Quartas Moradas (ibidem, p. 71-95) – é nesta etapa que ocorre a transição da ascética para a mística. As tentações trazem benefícios e são ocasião de mérito. Tem-se o início das orações contemplativas. Santa Teresa ressalta a importância de crescer no amor, condição para progredir às moradas seguintes.
e) Quintas Moradas (ibidem, p. 99-130) – a Santa Doutora descreve longamente a união da alma com Deus na oração contemplativa. A experiência mística é intensificada e aumentam as purificações passivas. As almas experimentam grande amor ao próximo e têm necessidade de muita vigilância para não cair nas sutilezas do demônio.
f) Sextas Moradas (ibidem, p. 133-224) – nesta fase as almas recebem grandes favores e padecem terríveis provações; Deus opera maravilhas naqueles que alcançam estas moradas. O amor a Deus é levado até o esquecimento de si mesmo. Os fenômenos místicos se multiplicam. As almas têm desejo de unir-se intimamente a seu Senhor, abandonando esta vida.
g) Sétimas Moradas (ibidem, p. 227-260) – Perfeição – dá-se o “matrimônio espiritual”, a união transformante em que a alma se faz uma com Deus, sente em si a inabitação da Santíssima Trindade. As almas atingem um estado de paz e tranqüilidade inalteráveis, preocupam-se unicamente com a glória de Deus.
Diante dessa impressionante descrição de Santa Teresa de Jesus, um dos luminares da mística experimental, percebe-se o belo mas árduo caminho a percorrer para alcançar a santidade, uma vez que é preciso arrancar da alma todo o apego às coisas terrenas e o apego a si mesmo para poder seguir a Nosso Senhor Jesus Cristo (Lc 9, 23): “se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (BÍBLIA SAGRADA, 1996). Sem um constante auxílio de Deus, que com sua graça atrai as almas, sustenta-as e faz avançar nas vias da santidade, não seria possível ao homem chegar à perfeição por suas próprias forças.

Autor(a): Irmã Maria Cecília Seraidarian, EP


"MÊS DA BÍBLIA"


No Mês da Bíblia deste ano será estudado o evangelho de Marcos
Fonte: CNBB
A Bíblia, desde sempre, faz parte da caminhada do povo de Deus. “É nela que penduramos todo o nosso trabalho”, conforme nos ensina frei Carlos Mesters. A partir do Concílio Vaticano II, marco fundamental para o florescimento de uma Pastoral Bíblica da Igreja no Brasil, a Bíblia foi conquistando espaço e recuperando sua condição de valor fundamental na vida e na missão da Igreja.

No Brasil, o desejo de conhecimento e de vivência da Palavra fez surgir, com muito sucesso, a prática da leitura e reflexão da Bíblia nas famílias, nos quarteirões, nos círculos bíblicos, em grupos de reflexão, grupos de rua.

O Mês da Bíblia, criado em 1971 com a finalidade de instruir os fiéis sobre a Palavra de Deus e a difusão da Bíblia, também foi fundamental para aproximar a Bíblia do povo de Deus. Propondo um livro – ou parte dele  – para ser estudado e refletido a cada ano, o Mês da Bíblia tem contribuído eficazmente para o crescimento
da animação bíblica de toda pastoral.

Em continuidade a esta história, a Comissão Episcopal Pastoral Bíblico-catequética da CNBB definiu que, no Mês da Bíblia dos próximos quatro anos (2012-2105), serão estudados os evangelhos de Marcos (2012), Lucas (2013) e Mateus (2014), conforme a sequência do Ano Litúrgico, completando com o estudo de João em 2015.

Esta sequência repete a experiência feita entre 1997-2000, por ocasião da celebração do Jubileu 2000. O enfoque, agora, é outro. Visa reforçar a formação e a espiritualidade dos agentes e dos féis através do seguimento de Jesus, proposto nos quatro evangelhos. Está tanto na perspectiva de discípulos missionários e da Missão Continental, conforme nos pede a Conferência de Aparecida, quanto no esforço da Nova Evangelização proposta pelo papa Bento XVI.

Cada evangelho será relido na perspectiva da formação e do seguimento, destacando o que é específico de cada evangelista, bem como da comunidade que está por trás de cada evangelho.

No Mês da Bíblia deste ano de 2012, será estudado o evangelho de Marcos a partir do tema “Discípulos Missionários a partir do evangelho de Marcos” e do Lema “Coragem! Levanta-te, ele te chama!”  (Mc 10,49).

O material – livro para aprofundamento e círculos bíblicos- já está pronto e poderá ser adquirido nas Edições CNBB: vendas@edicoes.cnbb.com.br .

sábado, 1 de setembro de 2012

"CONSAGRAÇÃO AOS SANTOS ANJOS"


Conhecendo, por uma doce experiência, quanto é eficaz o culto dos Santos Anjos e poderosa a sua proteção, eu..... venho, religiosamente e solícito, para me consagrar ao seu santo serviço. Na presença de Deus, prometo solenemente honrá-los com culto especial e imitar suas virtudes, de que eles me dão o exemplo, perincipalmente sua pureza, sua caridade e sua obediência perfeita. Apraza a todos os espíritos celeste e ainda mais à Maria Santíssima, sua augusta Rainha, abençoar essa minha resolução, que ofereço-lhes do fundo do coração. e alcançar-me da bondade de Deus a graça de perseverar nela enquanto ei viver, para assim merecer o favor de me associar à sua glória, durante toda a eternidade. Amém

Rainha dos Anjos, rogai por nós. 

Todos os Santos Anjos e Arcanjos, rogai por nós...




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

"Sobre a vida de Santo Agostinho"


Agostinho nasceu no ano de 354, em Tagaste, África do Norte, filho de Patrício, pagão, batizado na hora da morte, e Mônica, de quem recebeu educação cristã.
Agostinho muda-se para Madaura, cidade vizinha a Tagaste, onde inicia seus estudos de Retórica, quando tem seus primeiros contatos com os clássicos latinos. O jovem estudante vê-se obrigado a retornar à terra natal, no ano de 369, onde por um ano entrega-se à ociosidade. Com a ajuda financeira de um amigo, Agostinho vai, então para Cartago e retoma seus estudos. Aos dezenove anos de idade, lê a obra Hortênsio de Cícero e sente-se atraído pela verdade eterna de que trata o livro. Também por esse período, Agostinho faz uma breve leitura das Sagradas Escrituras, mas estava persuadido “de que devia crer mais naqueles que ensinam do que nos emissores de ordens para crer”. Aos vinte anos, Agostinho, racionalista, inicia seu convívio de nove anos com os maniqueus. Também nesse período estuda um pouco de astrologia. Por volta de 384, Agostinho assume uma cátedra em Milão e passa por uma crise cética. Já não vê encanto algum no maniqueísmo. Interessa-se, então, pelo neoplatonismo, particularmente por Plotino e Porfírio, onde encontra o que buscava naquela fase de sua vida: o desprezo pelas paixões e pelos sentidos. Mas Agostinho ainda não estava satisfeito. A filosofia platônica e neoplatônica, sob muitos aspectos, deixavam muito a desejar. Após ouvir a pregação de Ambrósio, bispo de Milão, Agostinho começa a compreender as Sagradas Escrituras e em 387, juntamente com o filho Adeodato e o amigo Alípio, é o batizado pelo bispo “responsável” por sua conversão. Pouco depois, Agostinho volta para Tagaste desejoso de fundar uma comunidade religiosa. A caminho, porém, Mônica, sua mãe, vem a falecer, em Óstia. Somente em 388 é que Agostinho segue de Roma para Tagaste e realiza seu desejo, fundando uma comunidade dedicada à oração e contemplação. No ano seguinte, morre seu filho Adeodato.
Agostinho, aclamado pelo povo, é ordenado sacerdote em 391, com o propósito de auxiliar o bispo de Hipona, Valério, que já era avançado em idade e cinco anos mais tarde é sagrado bispo de Hipona.
Agostinho morreria trinta e quatro anos depois, deixando-nos um legado de duzentos e trinta e dois livros, contidos em noventa e três obras, onde se pode beber da sabedoria e santidade deste santo filósofo.


ITEP – Instituto Teológico-Pastoral do Ceará
TIP – TRABALHO INDIVIDUAL DE PESQUISA
ORIENTADOR: Prof. Dr. Jan Gerard Joseph Ter Reegen