quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
COMO DEVE PROCEDER OS PRINCIPIANTES NESTA NOITE ESCURA?
1. No tempo das securas desta noite sensitiva, Deus Opera a mudança já referida: eleva a alma, da vida do sentido à do espírito, isto é, da meditação à contemplação, quando já não é mais possível agir com as potências ou discorrer sobre as coisas divinas. Neste período, padecem os espirituais grandes penas. Seu maior sofrimento não é o de sentirem aridez, mas o receio de haverem errado o caminho, pensando ter perdido todos os bens sobrenaturais, e estar abandonados por Deus, porque nem mesmo nas coisas boas podem achar arrimo ou gosto. Muito se afanam então, e procuram, segundo o antigo hábito, aplicar as potências com certo gosto em algum raciocínio; julgam que, a não fazer assim, ou a não perceber que estão agindo, nada fazem. Mas, quando se aplicam a este esforço, sentem muito desgosto e repugnância no interior da alma, pois esta se comprazia em quedar-se naquele sossego e ócio, sem obrar com as potências. Deste modo, perdendo-se de um lado, nada aproveitam do outro; e, em procurar seu próprio espírito, perdem aquele, que tinham, de tranquilidade e paz. São nisto semelhantes a quem deixasse a obra já feita para recomeçar a fazê-la, ou a quem saísse da cidade, para de novo entrar nela; ou ainda, ao que larga a presa a fim de tornar a caçá-la. Bem se vê que é escusado querer insistir: a alma nada mais conseguirá por aquele primeiro modo de proceder, conforme já dissemos.
2. Tais almas, neste tempo, se não acham quem as compreenda, arrepiam caminho, abandonando-o, ou se afrouxando. Pelo menos, acham impedimento para prosseguir, com as repetidas diligências que fazem em querer continuar na meditação discursiva; cansam-se e afligem-se demasiadamente, imaginando que se acham nesse estado por suas negligências pecados. Tudo quanto fazem lhes é inútil, porque Deus já as conduz por outro caminho, — o da contemplação, diferentíssimo do primeiro, pois um é de meditação e discurso, e outro não cai sob imaginação ou raciocínio.
3. As pessoas que se encontram neste estado, convém consolar-se em paciente perseverança, sem se afligirem. Confiem em Deus, pois Ele não abandona aos que O buscam com simples e reto coração. Não lhes deixará de dar o necessário para o caminho até conduzi-los à clara e pura luz do Amor. Esta lhes será dada por meio da outra noite escura, — a do espírito, — se merecerem que Deus nela os introduza. 4. O modo como se hão de conduzir os espirituais nesta noite do sentido consiste em não se preocuparem com o raciocínio e a meditação, pois já não é mais tempo disso. Deixem, pelo contrário, a alma ficar em sossego e quietude, mesmo se lhes parece claramente que nada fazem, e perdem tempo, ou se lhes afigure ser a tibieza a causa de não terem vontade de pensar em coisa alguma. Muito farão em ter paciência e em perseverar na oração sem poder agir por si mesmos. A única coisa que a alma há de fazer aqui é per-manecer livre e desembaraçada, despreocupada de todas as notícias e pensamentos, sem cuidado do que deve pensar ou meditar. Contente-se com uma amorosa e tranquila advertência em Deus, sem outra solicitude nem esforço, e até sem desejo de achar n’Ele gosto ou consolação. Todas estas di-ligências, com efeito, inquietam e distraem a alma da sossegada quietude e suave repouso de contemplação que do Senhor aqui recebe.
5. Por mais escrúpulos que venham à alma, de perder tempo ou achar que seria bom agir de outro modo, — pois na oração nada pode fazer nem pensar, — convém suportar e ficar quieta, como se fosse à oração para estar à sua vontade, em liberdade de espírito. Se quiser fazer algo com as potências interiores, perturbará a ação divina, e perderá os bens que Deus está imprimindo e assentando no seu íntimo, por meio daquela paz e ócio da alma. É como se um pintor estivesse a pintar e colorir um rosto, e este quisesse mover-se para ajudar em alguma coisa: com isto, não deixaria o pintor trabalhar, perturbando-lhe a obra. Assim, quando a alma sente inclinação para ficar em paz e quietude interior, qualquer operação, ou afeto, ou advertência, que então queira admitir, só serve para distraí-la e inquietá-la, causando secura e vazio no sentido. Quanto mais pretende apoiar-se em afetos ou notícias, tanto maior é a falta que deles sente, pois doravante não os poderá achar nesta via.
6. Convém, portanto, a esta alma, não se impressionar com a perda das potências; deve até gostar de que se percam logo, a fim de não perturbarem a operação da contemplação infusa que Deus lhe vai concedendo. Deste modo a alma poderá receber essa graça com maior abundância de paz, chegando a arder e inflamar-se no espírito de amor que esta obscura e secreta contemplação traz consigo e ateia. De fato, a contemplação não é mais que uma infusão secreta, pacífica e amorosa de Deus; e, se a alma consente, logo é abrasada em espírito de amor, como ela mesma o dá a entender no verso se-guinte que é assim: De amor em vivas ânsias inflamada.
Trecho de: A NOITE ESCURA DA ALMA de São João da Cruz
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
"DESAPEGADOS DE TODO AFETO TERRENO"
Senhor Jesus, memento Congregationis tuae: lembrai-Vos de dar a vossa Mãe uma nova companhia, a fim de por Ela renovar todas as coisas, e terminar por Maria os anos da graça, como por Ela os começastes. Da Matri tuae líberos, alioquin moriar8: daí filhos e servos á vossa Mãe; quando não, fazei que eu morra.
Da Matri tuae: é por vossa Mãe que Vos imploro. Lembrai-Vos de suas entranhas e de seu seio, em não me rejeites; lembrai-Vos de Quem sois Filho, e atendei-me; lembrai-Vos do que Ela é para Vos e do que sois para Ela, e satisfazei meus votos.
Que Vos peço eu? Nada em meu favor, tudo para vossa gloria. Que Vos peço eu? O que podeis, e até ouso dizer, o que deveis conceder-me como Deus verdadeiro que sois, a Quem todo poder foi dado no Céu e na Terra, e como o melhor de todos os Filhos, que amais infinitamente vossa Mãe. Que Vos peço eu?
Liberos: sacerdotes livres de vossa liberdade, desprendidos de tudo, sem pai, sem mãe, sem irmãos, sem irmãs, sem parentes segundo a carne, sem amigos segundo o mundo, sem bem, sem embaraços, sem cuidados, a até sem vontade própria.
Liberos: escravos de vosso amor e de vossa vontade, homens segundo vosso Coração que, sem vontade própria que os macule e os faça parar, executem todas as vossas vontades e lancem por terra todos os vossos inimigos, quais novos Davids, com o cajado da Cruz e a funda do Santíssimo Rosário nas mãos: in báculo Cruce et in virga virgine. Líberos: nuvens elevadas e cheias de celeste orvalho, que voem sem empecilhos, de todos os lados, conforme o sopro do Espírito Santo. Foi deles, em parte, que tiveram conhecimento vossos profetas, quando perguntaram: qui sunt isti qui sicut nubes volant?10 – Ubi erat impetus spiritus illuc gradiebantur.
Liberos: almas sempre á vossa mao, sempre prontas a obedecer-Vos, á voz de seus superiores, como
Samuel: praesto sum12, sempre prontas a correr e a tudo sofrer, convosco e por Vos, como os apóstolos: eamus et muriamur cum illo.
Liberos: verdadeiros filhos de Maria, vossa Mãe Santíssima, engendrados e concebidos pela sua caridade, trazidos em seu seio, presos a seu peito, nutridos de seu leite, educados por sua solicitude, sustentados por seu braço, e enriquecidos de suas graças.
Liberos: verdadeiros servos da Santíssima Virgem que, como outros tantos São Domingos, vão por toda parte, com o facho lúcido e ardente do santo Evangelho na boca, e o santo Rosário na mão, a ladrar como cães, a arder como fogos e a iluminar como sóis as trevas do mundo; e que, por meio de uma verdadeira devoção a Maria Santíssima – isto é, uma devoção interior sem hipocrisia, exterior sem crítica, prudente sem ignorância, terna sem indiferença, constante sem volubilidade e santa sem presunção – esmaguem, por todos os lugares onde forem, a cabeça da antiga serpente, a fim de que a maldição que sobre ela lançastes seja inteiramente cumprida:
inimicitas ponam inter te et mulierem, inter semen tuum et semen ipsius, et ipsa conteret caput tuum.14
6
Cf. Ap 6, 10.
7
Todas as criaturas gemem. (Rom 8, 22)
8
Cfr. Gn 30, 1
9
Cfr. 1 Re 17, 40 e Sl 22, 4.
10
Quem são estes, que voam como nuvens? (Is 60, 8)
11
Iam para onde o Espírito os impelia. (Ez 1, 12)
12
Eis-me aquí. (1 Re 3, 16)
13
Vamos nós também para morrer com Ele. (Cfr. Jo 11, 16)14 Porei inimizades entre ti e a Mulher, entre a tua raça e a dEla. Ela te esmagará a cabeça. (Cfr. Gn 3, 15)domingo, 9 de dezembro de 2012
"SALMO DA COMUNICAÇÃO"
Louvado sejas, Senhor, por nossa irmã, a Imprensa, pão para a inteligência e luz para a alma;
Ilumina com a tua luz, Senhor, os redatores e editores; que saibam edificar o mundo na verdade e no amor;
Louvado sejas, Senhor, pelos jornalistas e repórteres; pelas agências de notícias, pelos desenhistas da comunicação social, pelos pintores das trilhas publicitárias; Glória a ti Senhor, por nosso irmão, o cinema. Que ele seja guia de bons caminhos, mestre da justiça, amigo da verdade.
Louvado sejas, Senhor, por nossa irmã, a televisão, cátedra que se coloca no espaço da casa. Jamais seja mestra que deforme a consciência ou dê lições de ódio e imoralidade. Louvado sejas, Senhor, pelos CD-Roms e DVDs, compêndios e síntese do conhecimento e da ciência. louvado sejas, Senhor, por nossos irmãos, os satélites, a fibra ótica, informática, a internet, que encurtam as distâncias e criam solidariedade entre as pessoas. Glórias a ti, Senhor, pela comunicação humana e social. Amém!
Adaptação do Salmo da Comunicação de Pe. Tiago Alberione
"PREPAREM O CAMINHO DO SENHOR"
Advento é tempo de se converter a Deus, de lhe prepara o caminho, de endireitar as estradas pelas quais ele vem.
O evangelho nos mostra que a palavra de Deus se encarna na história humana e, em João Batista, se anuncia como profecia. Ecoam então as palavras do profeta Isaías. Uma profecia que João Batista traduz, convocando todos a um batismo de conversão para o perdão dos pecados.
Para além do gesto ritual do batismo, a pregação de João Batista supunha o desejo sincero de se converter, de mudar de vida. E mudar de vida supo~e mudar de mentalidade, para que a conversão não seja apenas exterior, mas toque nosso coração, nossas atitudes. Neste tempo em que aguardamos o Natal do Senhor, somos convidados a preparar-lhe o caminho, endireitando estradas cheias de obstáculos. Há guerras e conflitos a enfrentar com a justiça,há fome de pão a combater com a partilha, há sede de vida a saciar com a solidariedade. Endireitar as estradas é permitir que o senhor entre em nossa vida e nos transforme. E então o mundo se transformará. "E todos verão a salvação de Deus", pois Jesus não veio para um grupo privilegiado de pessoas. Veio para chamar os pecadores a assumir a missão que ele mesmo assumiu. de recriar o mundo segundo o projeto de vida de Deus.
A caminhada de conversão supõe, por sua vez, discernimento constante. E o pedido de Paulo aos filipenses (1, 9-11) mostra que conseguimos discernir o que é melhor para Deus e sua obra de vida (e, consequentemente, o que é melhor para nós) à medida que crescemos no amor mútuo. Preparemos-nos, portanto, para o Natal do Senhor crescendo no amor, colhendo os frutos da justiça que Jesus nos traz. Ao mesmo tempo, preparando seu caminho e cuidando melhor desta terra, para que lhe possamos oferecer nossos próprios frutos de conversão.
Comentário do Pe. Paulo Bazaglia, ssp sobre o Evangelho deste domingo 9/12/2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
"LADAINHA DOS SANTOS ANJOS DA GUARDA"
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, nos ouça.
Deus, o Pai do Céu, tende misericórdia de nós.
Deus o Filho, Redentor do mundo, tende misericórdia de nós.
Deus o Espírito Santo, tende misericórdia de nós.
Santíssima Trindade, um só Deus, tende misericórdia de nós.
Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por mim.
Anjo do Céu, que é meu tutor, rogai por mim.
Anjo do Céu, a quem me guia como superior, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem dá-me conselho de beneficência, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem dá-me sensata direção, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem tem o lugar de um diretor, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem me ama ternamente, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem me auxilia e consola, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem me acompanha como um bom irmão, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem se encarregar da verdade e da salvação, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem me guia com a caridade de pastor, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem testemunha todas as minhas ações, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem me ajuda em todos os meus compromissos, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem está continuamente a vigiar-me, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem intercede por mim, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem levar-me pela mão, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem endireita todos os meus caminhos, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem defende-me com zelo, rogai por mim.
Anjo do céu, quem conduzi-me com sabedoria, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem guarda-me de todo perigo, rogai por mim.
Anjo do Céu, quem dissipa as trevas e ilumina a mente, rogai por mim.
Cordeiro de Deus, que tiras o pecado do mundo, salvai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tiras o pecado do mundo, por misericórdia ouvir-nos, ó Senhor.
Cordeiro de Deus, que tiras o pecado do mundo, tende misericórdia de nós.
Cristo, nos ouça.
Cristo, nos atenda.
Rogai por nós, Anjo da Guarda, para que sejamos dignos das promessas de Jesus Cristo.
Oremos.
Onipotente e eterno Deus, que por uma inefável graça de vossa bondade tens dado a cada um dos fiéis um anjo guardião do corpo e da alma, concedei que eu possa ter para com meu Anjo, que me deu a Vossa misericórdia, tanto respeito e amor, que, protegidos pelas vossas graças e dons, eu possa merecer para ir ao céu, para contemplar-Vós com ele e os outros espíritos, o brilho da Vossa glória.
Amém.
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