domingo, 13 de janeiro de 2013

"SOMOS FILHOS AMADOS DO PAI"

Com batismo do Senhor, passamos do tempo do Natal ao tempo litúrgico comum. Tempo que vai nos revelar a missão de Jesus e o chamado feito a cada um de nós no dia do nosso batismo: sermos anunciadores da boa-nova do reino. 

Enquanto João Batista prega a conversão dos pecados, Jesus vem e entra no rio Jordão, como todo o povo, para ser batizado. Mesmo sem precisar da remissão dos pecados, Jesus busca o batismo e se solidariza com o povo, une-se com quem deve ser salvo. Ao mesmo tempo, é revelado como Filho amado do Pai celeste e recebe o Espírito que o investe da missão de profeta, sacerdote e rei. 

Ao celebrar a festa de hoje,  somos levados a refletir também sobre o nosso batismo. A exemplo de Jesus, ao sermos ungidos com o óleo batismal, desce sobre cada um o Espírito e somos proclamados filhos e filhas amados do Pai. Isso constitui grande alegria e nos leva a reconhecer no batismo, mais do que um peso sobre as costas, um dom, predileção de Deus, vocação a fé comprometida com o projeto de Jesus. 

Recebendo o Espírito no batismo, fomos habilitados para a missão. Unidos a Jesus e a exemplo Dele, tornamo-nos sacerdotes (servidores do culto), profetas (servidores da palavra) e reis (servidores do povo de Deus). Batizados em nome da Santíssima Trindade, entramos a fazer parte da comunidade, a grande Família de Deus. É aí que alimentamos nossa fé e fortalecemos nosso compromisso com Jesus e com os irmãos. 

Nosso principal compromisso é seguir o caminho de Jesus, procurando viver uma vida nova, passando da solidariedade no pecado à solidadriedade no amor e assumindo o projeto de uma vida livre da injustiça e da corrupção. Jesus passou a vida fazendo o bem; somos convidados a imitá-lo.


Comentário do Pe. Nilo Luza, ssp sobre o Evangelho deste domingo dia 13/01/2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

"NOSSAS AÇÕES DEMONSTRANDO AMOR A ELE"


Morte de Cruz!
Quem ama, não ama senão para ser amado; assim, diz S. Bernardo, Deus que tanto nos amou, só quer de nós o nosso amor. Dirigindo-se depois a cada um de nós, ajunta: “Homem, qualquer que seja, viste o amor que Deus te mostrou fazendo-se homem, sofrendo, morrendo por ti; quando é que Deus verá por experiência em tuas ações o teu amor a ele?”
Ah! ao ver que um Deus se quis revestir da nossa carne, levar vida tão penosa, e padecer morte tão cruel por nós, cada homem deveria arder de amor para com esse Deus tão amoroso. Oxalá romperas tu os céus, e desceras de lá! Os montes se derreteriam diante da tua face; as águas arderiam em fogo (Is 64,1). Meu Deus, exclamava o profeta antes da vinda do Messias, dignai-vos descer do céu, tomar a natureza humana e habitar entre nós! Vendo-vos os homens feito como um deles, as montanhas se derreterão, aplanar-se-ão para eles todos os obstáculos, todas as dificuldades, que os impedem de observar os vossos preceitos e os vossos conselhos; e as águas arderão em fogo: a chama que acendereis nos corações penetrará nas almas mais glaciais e as abrasará de amor por vós!
E de fato, depois da encarnação do Verbo, que belo incêndio de amor divino se viu resplandecer em tantas almas generosas! Desde que Jesus Cristo veio habitar entre nós, Deus foi certamente mais amado pelos homens num só século, do que o fora durante os quarenta séculos que precederam a sua vinda. Quantos jovens, nobres e até monarcas renunciaram às riquezas, às honras e à dignidade régia, retiraram-se ao deserto ou ao claustro, e abraçaram uma vida pobre e desprezada a fim de melhor mostrar a Deus o seu amor! Quantos mártires caminharam jubilosos e sorridentes aos tormentos e à morte! Quantas tenras virgens recusaram a mão dos grandes do mundo e derramaram seu sangue por Jesus Cristo a fim de retribuir de alguma maneira a um Deus que quis encarnar-se e morrer por seu amor!
Sim, tudo isso é verdade; mas consideremos agora o que nos deve fazer chorar. Tem-se visto igual maneira de agir em todos os homens? Têm todos procurado corresponder a esse grande amor de Jesus Cristo? Ah! a maior parte lhe pagou e ainda paga com ingratidão. E tu, meu irmão, dize-me: qual tem sido o teu reconhecimento para com um Deus, que tanto te amou? Tens-lhe sempre agradecido? tens considerado o que significam as palavras: um Deus feito homem e morto por ti?
Um homem que assistia uma vez a missa sem devoção, como fazem tantos, não fez nenhum sinal de reverência ao ou-vir dizer no fim: “E o Verbo se fez carne”. O demônio deu-lhe uma rude bofetada dizendo: “Ingrato, lembram-te que Deus se fez homem por ti, e tu nem te dignas inclinar-te? Ah! se Deus tivesse feito outro tanto por mim, eu lhe ficaria grato eterna-mente”.
Dize-me, cristão, que mais poderia Jesus Cristo fazer para merecer o teu amor? Se o Filho de Deus tivesse de salvar da morte a seu próprio Pai, que mais poderia fazer do que abaixar-se ao ponto de tomar carne humana e sacrificar sua vida para resgatá-lo? Digo mais: Se Jesus Cristo fosse um simples homem e não uma pessoa divina, e quisesse por qualquer prova de afeição obter o amor de seu Pai, poderia ele fazer mais do que fez por ti? E se um dos teus servos tivesse dado o seu sangue e sua vida por amor de ti, não te prenderia o coração e te obrigaria a amá-lo ao menos por gratidão? E porque é que Jesus Cristo, mesmo dando por ti a sua vida, não conseguiu ganhar o teu amor?
Ah! se os homens desprezam o amor divino, é porque não compreendem, digamos melhor, não querem compreender que felicidade é possuir a graça de Deus, a qual, segundo a ex-pressão do Sábio, é um tesouro infinito, e faz amigos de Deus aos que dela gozam (Eclo 7,14). Os homens estimam e procuram o favor dum príncipe, dum prelado, dum rico, dum sábio, até dum desclassificado na sociedade; e há infelizes que não fazem caso da graça de Deus: renunciam-na por uma fumaça, um prazer brutal, um pouco de terra, um capricho, um nada.
E tu, caro irmão, que dizes? queres ser também do número desses ingratos? Se Deus não te satisfaz, diz S. Agostinho, vê se podes encontrar algo que valha mais. Vai, pois, procura um príncipe mais benfazejo, um protetor, um irmão, um amigo mais amável, e quem te tenha amado mais do que Deus; pro-cura alguém que, mais do que Deus, te possa fazer feliz nesta vida e na outra.
Quem ama a Deus nenhum mal tem a temer; pois Deus assegura que não pode deixar de amar a quem o ama; e quando alguém é amado por Deus, que temor poderá ter? É assim que falava Davi: O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem pois temerei? E as irmãs de Lázaro contentaram-se em dizer ao Senhor que seu irmão estava enfermo, pensando: Jesus o ama e isso basta;Ele não podia deixar de ir em seu auxílio e curá-lo.
De outro lado como pode amar a Deus quem despreza o seu amor? Ah! resolvamos-nos uma vez a pagar com amor a um Deus que tanto nos tem amado. Peçamos-lhe sem cessar nos conceda o grande dom de seu amor. Segundo S. Francisco de Sales, é essa a graça que devemos desejar e pedir mais que toda outra graça, porque com o amor divino obtemos todos os outros bens como no-lo assegura o Sábio. Eis por que S. Agostinho dizia: “Amai e fazei o que quiserdes”. Quem ama a alguém foge de tudo que o possa desgostar e procura agradar-lhe sempre mais. Assim quem ama verdadeiramente a Deus nada faz que o possa desagradar, mas aplica-se a fazer o possível para lhe causar prazer.
Para obtermos mais depressa e mais seguramente esse precioso dom do divino amor, recorramos Àquela que mais amou a Deus, digo, à SS. Virgem Maria sua Mãe: o seu coração era tão inflamado de amor por Deus, que os demônios, no dizer de S. Bernardino de Sena, não ousavam aproximar-se dela para tentá-la. Ricardo ajunta que os próprios Serafins podiam descer do céu para aprender de Maria o modo de amar a Deus. E já que o coração de Maria era sempre todo abrasado do divino amor, continua S. Boaventura, ela comunica o mesmo fogo a todos os que a amam e dela se aproximam, tornando-os semelhantes a ela.
(Quem deseja ajuntar a estas considerações algum exemplo atinente à devoção do Menino Deus,pode escolher-se um dos que damos no fim das Meditações.)


Encarnação, Nascimento e Infância de Jesus Cristo
S. AFONSO MARIA DE LIGÓRIO
Doutor da Igreja e Fundador da Congregação Redentorista
Tradução do Pe. OSCAR DAS CHAGAS AZEREDO, C.Ss.R.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

"O IMPÉRIO DO ANTICRISTO"



Visão do profeta Daniel

Uma noite, o profeta Daniel teve uma visão terrificante. Enquanto os quatro ventos do céu se combatiam sobre um vasto mar, ele viu surgir do meio das vagas quatro bestas monstruosas.Eram uma leoa, um urso, um leopardo de quatro cabeças, depois não sei que força prodigiosa, tendo dentes e unhas de ferro, e dez chifres na testa.Foi revelado ao profeta que estas quatro bestas significavam quatro impérios que se elevariam sucessivamente sobre as vagas movediças da humanidade.Ora, enquanto Daniel considerava com horror a quarta besta, viu um chifrezinho nascer no meio dos dez outros, abater três, e crescer acima de todos; e este chifre tinha olhos de homem, e uma boca que falava com insolência; fazia guerra aos santos do Altíssimo, e levava a melhor sobre eles. O profeta perguntou o sentido desta estranha visão. Foi-lhe respondido que os dez chifres representavam dez reis; o chifrezinho era um rei que acabaria por dominar sobre toda a terra com inaudito poder. “Vomitará, lhe foi dito, blasfêmias contra Deus, esmagará debaixo dos pés os santos do Altíssimo; ele pensará que pode mudar os tempos e as leis; e tudo lhe será entregue durante um tempo, dois tempos, e a metade de um tempo”. (Dn 7).Por este rei todos os intérpretes entendem o Anticristo.Qual é a besta sobre a qual surgiu, no tempo marcado, este chifre de impiedade? É a Revolução, pela qual se entende todo o corpo dos ímpios, obedecendo a um motor oculto e se insurgindo contra Deus: a Revolução, poder Satânico e bestial; satânico, porque animado por um espírito infernal; bestial, porque entregue a todos os instintos da natureza degradada. Ela tem dentes e unhas de ferro: pois forja leis despóticas por meio das quais esmaga a liberdade humana. Procura apoderar-se dos reis e dos governos, que têm de fazer um pacto com ela. Quando o Anticristo aparecer, ela terá dez reis a seu serviço, como os dez chifres da testa.O Anticristo, nos diz Daniel, aparecerá como um chifrezinho; terá um começo obscuro. Não sairá da família real; será um Maomé, um Mahdi, que se levantará pouco a pouco pela audácia de suas imposturas, secundadas pela cumplicidade do diabo.O chifre que o representa é muito diferente dos outros. Tem olhos de homem; pois o novo rei é um vidente, um falso profeta. Tem uma boca que fazgrandes discursos; pois se impõe não menos pelo brilho da palavra e a sedução das promessas, do que pela força das armas e das intrigas políticas.Cedo todo o mundo terá os olhos voltados para o impostor, seus grandes feitos serão celebrados pelas trombetas de uma imprensa complacente. Sua popularidade sombreará a de muitos soberanos apóstatas, que dividirão então entre si o império da besta revolucionária. Seguir-se-á uma luta gigantesca, na qual, segundo Daniel, o Anticristo abaterá todos os seus rivais.Neste momento todos os povos, fanatizados por seus prodígios e suas vitórias, o aclamarão como o salvador da humanidade. E os outros reis não terão outro recurso que se submeterem a ele.Este será o começo de uma crise terrível para a Igreja de Deus. Pois o chifre da impiedade, alcançando o auge do poder, fará guerra aos santos e prevalecerá contra eles.É provável que durante esse período que poderá durar muitos anos, o homem do pecado afetará ares de moderação hipócrita.Judeu, se apresentará aos judeus como o Messias esperado, como o restaurador da lei de Moisés; tentará torcer a seu favor as misteriosas profecias de Isaias e Ezequiel; reconstruirá, no dizer de muitos Padres da Igreja, o templo de Jerusalém. Os judeus, ao menos em parte, ofuscados por seus falsos milagres e seus fausto insolente, o receberão, o falso Cristo; porão a seu serviço a alta finança, toda a imprensa, e as lojas maçônicas do mundo inteiro.É muito crível também que o Anticristo disporá, para subir, de todos os partidários das falsas religiões. Ele se anunciará como cheio de respeito pela liberdade dos cultos, uma das máximas e uma das mentiras da besta revolucionária. Dirá aos budistas que é um Buda; aos muçulmanos, queMaomé é um grande profeta. Nada impede que o mundo muçulmano aceite o falso messias dos judeus como um novo Maomé.O que sabemos? Talvez irá até dizer, em sua hipocrisia, como Herodes seu precursor, que quer adorar Jesus Cristo. Mas isso não passará de uma zombaria amarga. Malditos os cristãos que suportam sem indignação que seu adorável Salvador seja posto lado a lado com Buda e Maomé, em não sei que panteon de falsos deuses!Todos esses artifícios, parecidos com a carícia no cavalo do cavaleiro que o quer montar, arrebanharão insensivelmente o mundo para o inimigo de Jesus Cristo; mas uma vez firme nos estribos, usará do freio e das esporas; e a mais terrível tirania pesará sobre a humanidade.São Paulo nos faz conhecer com um só traço toda a extensão dessa tirania, a mais odiosa que houve e que haverá em todos os tempos.O homem da perdição, diz ele, o filho da perdição, o ímpio, “se oporá e se levantará contra tudo o que se chama Deus ou que é adorado como Deus, até se sentar no templo de Deus, apresentando-se como se fosse Deus”. (2 Ts 2 4).Daniel tinha predito antes de São Paulo: “Não terá em conta para nada o Deus de seus pais; ele mergulhará em deboches; não terá preocupação com Deus algum, levantar-se-á contra tudo”. (Dn 11, 17).Assim, quando o Anticristo tiver escravizado o mundo, quando tiver colocado em toda parte seus ordenanças e suas criaturas, quando puder puxar à sua vontade todos os fios de uma centralização levada ao extremo: ele tirará a máscara, proclamará que todos os cultos estão abolidos, se aclamará como Deus único e, debaixo das penas mais terríveis e mais infamantes, quererá forçar todos os habitantes da terra a adorar, excluindo qualquer outra, sua própria divindade.É nisto que desembocará a famosa liberdade de culto da qual se faz tanto alarde; a promiscuidade dos erros exige logicamente esta conclusão.Enquanto esteve na terra, o adorável Jesus, manso e humilde de coração, nunca se propôs à adoração de seus apóstolos sendo Ele Deus; muito ao contrário, pôs-se de joelhos diante deles e lhes lavou os pés. O Anticristo, monstro da impiedade e de orgulho, far-se-á adorar pela humanidade enlouquecida e seduzida; ela terá escolhido este mestre de preferência ao primeiro.E não se pense que a armadilha será grosseira! Não esqueçamos, diz São Gregório, que o monstro disporá do poder do diabo para fazer falsos prodígios; ao contrário do começo, quando os milagres estavam do lado dos mártires, parecerá que agora estão do lado dos carrascos. Haverá uma ofuscação, uma vertigem. Somente os humildes, firmes em Deus, distinguirão a mentira e escaparão à tentação.Mas onde o Anticristo estabelecerá seu novo culto? São Paulo nos diz: no templo de Deus; Santo Irineu, quase contemporâneo dos Apóstolos, esclarece melhor e diz: no templo de Jerusalém que ele fará reconstruir. Este será o centro da horrível religião. São João em outro lugar nos dá a conhecer a imagem do monstro será proposta por toda parte à adoração dos homens. (Ap 13, 24).Então budismo, islamismo, protestantismo, etc. serão suprimidos e abolidos. Mas não é preciso dizer que o furor do mundo se dirigirá contra Nosso Senhor e sua Igreja. Fará cessar o culto público; desaparecerá, diz Daniel, o sacrifício perpétuo. Só se poderá celebrar a Santa Missa em cavernas e em lugares escondidos. As igrejas profanadas só apresentarão ao olhar a abominação da desolação, a saber, a imagem do monstro elevada aos altares do verdadeiro Deus. (Daniel, pass.). Houve um ensaio dessas coisas na Revolução Francesa.Aí a mão de Deus se fará sentir. Ele abreviará esses dias de suprema angústia. Essa perseguição, que fará vacilar as colunas do céu, só durará um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, a saber, três anos e meio.



PE. EMMANUEL-ANDRÉ
O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS


"O HOMEM DO PECADO"



Está entre as coisas possíveis, se bem que a apostasia já esteja muito avançada, que os cristãos, por um esforço generoso, façam recuar os promotores da descristianização, e propiciem assim, para a Igreja, dias de consolação e de paz antes da grande provação. Este resultado nós o esperamos, não dos homens, mas de Deus, não tanto dos esforços, mas das orações.
Nesta ordem de idéias, alguns autores piedosos esperam, depois da crise presente, um triunfo da Igreja, qualquer coisa como um dia de Ramos, no qual esta Mãe seria aclamada pelos gritos de amor dos filhos de Jacob, reunidos às nações, na unidade de uma mesma fé. Nós nos associamos com prazer a essas esperanças, que visam um fato formalmente anunciado pelos profetas, e do qual falaremos a seu tempo. É da tradição dos primeiros tempos da Igreja, consignada em Lactancio, que um dia o império do mundo voltaria à Ásia: Imperium in Asium revertetur.
Qualquer que seja esse triunfo, se Deus no-lo conceder, não será de longa duração. Os inimigos da Igreja, atordoados por um momento, retomarão sua obra satânica com redobrado ódio. Pode-se imaginar o estado da Igreja, então, como semelhante ao estado de Nosso Senhor nos dias que precederam sua Paixão.
O mundo será profundamente agitado, como estava o povo judeu reunido para as festas pascais. Haverá imensos rumores, cada um falando da Igreja, uns para dizer que ela é divina, outros que ela não o é. Ela será o alvo dos ataques mais insidiosos do livre pensamento; mas nunca terá reduzido tão bem ao silêncio seus contraditores, pulverizando seus sofismas.
Em resumo, o mundo será posto face à verdade; será atingido em pleno rosto pelo esplendor divino da Igreja; mas ele voltará as costas, e dirá: “Não a quero!”.
Esse desprezo da verdade, esse abuso de graças será a introdução do homem do pecado. A humanidade estará querendo esse mestre imundo: ela o terá. E por ele se produzirá uma sedução de iniqüidade, uma eficácia do erro (é assim que Bossuet traduz São Paulo) que punirá os homens por terem rejeitado e odiado a Verdade.
Falando assim, não estamos fabricando imaginações, seguimos o Apóstolo. Segundo ele, com efeito, toda sedução de iniqüidade agirá “sobre aqueles que perecem, como não tendo recebido o amor da Verdade que os teria salvo. Por essa razão, Deus lhes enviará a eficácia do erro, a fim de que creiam na mentira; e assim serão julgados aqueles que não creram na verdade, mas se comprazeram na iniqüidade”. (Tess., II, 11. 12).
Quando o homem do pecado aparecer será pois, como diz São Paulo, a seu tempo; quer dizer, no momento em que o corpo dos maus, fechado aos golpes da graça, tornado compacto e intratável pela obstinação de sua malícia, estiver pedindo uma cabeça como essa.
Ele surgirá, e Satã fará explodir nela toda a extensão de seu ódio contra Deus e os homens. O homem do pecado, o Anticristo, será um homem, um simples viajante para a eternidade. Alguns autores supuseram nele a encarnação do demônio; essa imaginação é sem fundamento. O diabo não tem o poder de tomar e se unir a uma natureza humana, de macaquear o adorável mistério da Encarnação do Verbo.
Os Padres pensam unanimemente que ele será judeu de origem. Acrescentam mesmo que será da tribo de Dan, fundando-se em que essa tribo não é nomeada no Apocalipse como fornecendo eleitos ao Senhor. Santo Agostinho faz eco a essa tradição em seu livro “Questões sobre Josué”. Ela se torna bastante verossímil pelo fato de que a franco-maçonaria é de origem judaica; que os judeus dirigem-na espalhados pelo mundo inteiro; o que deixa crer que o chefe do império anticristão será um judeu. Os judeus, aliás, que não querem reconhecer Jesus Cristo, esperam sempre seu Messias. Nosso Senhor lhes dizia: “Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebestes: se outro vier em seu próprio nome, vós o recebereis”. (Jo 5, 43). Por esse outro os Padres entendem comumente o Anticristo.
Apesar do Anticristo ser chamado o homem do pecado, o filho da perdição, não se deve pensar que ele será votado fatalmente e irremissivelmente ao mal. Ele receberá graças, conhecerá a verdade, terá um anjo da guarda. Terá os meios de alcançar a salvação, e se perderá por sua própria culpa.
No entanto, São João Damasceno não hesita em dizer que ele será impuro desde seu nascimento, todo impregnado do hálito de Satã. E é de crer que desde a idade da razão ele entrará em relação tão constante e tão estreita com o espírito das trevas, se voltará para o mal com tal teimosia que não deixará penetrar em sua alma nenhuma luz sobrenatural, nenhuma graça do alto. Ele ficará imutavelmente rebelde a todo bem.
É isto que lhe valerá o nome de homem do pecado. Ele levará a seu máximo, fazendo de toda sua vida um só ato de revolta contra Deus; por essa constante aplicação do mal, atingirá um requinte de impiedade que nenhum homem nunca alcançou.
A qualificação de filho da perdição que lhe é comum com Judas, quer dizer que sua perda eterna está prevista por Deus, querida por Deus, em punição por sua terrível malícia, a ponto dela estar inscrita nas Escrituras e como que registrada de antemão. É provável, e isto é o que pensa São Gregório — que o monstro conhecerá, a uma luz que sai das profundezas do inferno, a sorte que o espera, que renunciará a toda esperança para odiar a Deus mais à vontade, que se fixará desde esta vida na irremediável obstinação dos danados. E assim ele realizará o terrível nome de filho da perdição.
Desta maneira ele será verdadeiramente o Anticristo, a saber, o antípoda de Nosso Senhor. Jesus Cristo estava elevado acima do alcance do pecado; o Anticristo se porá fora do alcance da graça, por um abandono de todo seu ser ao espírito do mal. Jesus Cristo se volta para seu Pai com todo o impulso de uma natureza divinizada e preservada das más influências; o Anticristo se voltará para o mal com todo o impulso de uma natureza profundamente viciada e que renunciará mesmo à esperança.
Estando assim diametralmente oposto a Nosso Senhor, ele fará obras em oposição direta às suas.
Ele será para Satã um órgão de escol, um instrumento de predileção.
Assim como Deus, enviando seu Filho ao mundo, o revestiu do poder de fazer milagres, e mesmo de dar a vida aos mortos, assim também Satã fazendo um
pacto com o homem do pecado, lhe comunicará o poder de fazer falsos milagres. Por isto São Paulo diz que “sua vinda é obra de Satanás com o desdobramento de poder, de sinais e de prodígios mentirosos”. Nosso Senhor só fez milagres de bondade, recusou fazer prodígios de pura ostentação; o Anticristo se comprazerá em fazê-los, e os povos, por um justo julgamento de Deus, se deixarão prender por suas artimanhas.
Está claro, pelo que precede, que o Anticristo se apresentará ao mundo como o tipo completo desses falsos profetas que fanatizam as massas, e que as arrastam a todos os excessos, sob o pretexto de uma reforma religiosa. Sob este ponto de vista, Maomé parece ser seu verdadeiro precursor. Mas ele o ultrapassará de imediato em perversidade, em habilidade, como também pela plenitude de seu poder satânico.
Estudaremos em próximo artigo as origens e os desenvolvimentos de seu poder, assim como as fases da guerra de extermínio que ele desencadeará contra a Igreja de Jesus Cristo.


PE. EMMANUEL ANDRÉ
O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS



"SINAIS DE AUTENTICIDADE DA IGREJA CATÓLICA"

Distinguimos, na verdadeira Igreja (Católica), quatro sinais de sua autenticidade:

Unidade
A Igreja verdadeira só pode ser uma: uma em seu chefe e uma em sua fé. "Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo" (Ef 4, 5).
O Papa é o sucessor direto de S. Pedro. A fé católica é a mesma em qualquer parte do mundo. A Igreja Católica tem um só chefe, uma só fé, um só culto (missa e sacramentos).

Santidade
A Igreja é santa em sua doutrina. A santificação dos homens é a sua finalidade. Se todos os seus membros não são santos, é porque não observam, como devem, a sua doutrina. A hierarquia da Igreja, os padres, bispos e o Papa, como nós, são humanos e fracos - todos somos pecadores.
Por isso, não é no homem que nos devemos firmar e sim em Deus. A santidade da Igreja está em sua doutrina. (divina) - e santos são os que a vivem integralmente. A vontade de Deus é a nossa santificação. (1Ts 4, 3).

Catolicidade
Catolicidade significa universalidade - A Igreja de Cristo destina-se a todos os homens, de todos os tempos. A Igreja é acima de governos e de costumes, embora procure adaptar-se à mentalidade de cada país e de cada época. Esta adaptação, porém, jamais poderá ir de encontro aos seus dogmas - porque estes são as rochas que constituem o seu fundamento.

Apostolicidade
Isto é, conserva a doutrina dos apóstolos. "Assim como meu Pai me enviou, também eu vos envio" (Jo 20, 21). "Quem vos ouve, a mim ouve" (Lc 10, 16). Para cumprir a sua missão, Jesus deu à Sua Igreja o poder de:
1 - Ensinar - "Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura" (Mc 16,15). "Ide, ensinai a todas as gentes (...) ensinando a observar todas as coisas que eu vos mandei" (Mt 28, 19-20)
2 - Reger - "Tudo o que ligardes na terra, será ligado no Céu, e tudo o que desligardes na terra, será desligado no Céu" (Mt 18, 18).
3 - Santificar - pelos sacramentos, fontes de graça divina.
"Ide, pois ensinai (...) batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28, 19).
"Recebei o Espírito Santo: aqueles a quem perdoastes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos"(Jo 20, 21-23).
"Fazei isto em memória de Mim" (Lc 22, 19) - a Eucaristia, o Sacrifício redentor, o sacramento da mais íntima união com Deus, a grande fonte de santidade.


ARQUIDIOCESE DE BRASÍLIA
PARÓQUIA SÃO JOSÉ
CATEQUESE DE CRISMA


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

"O lado de uma cura o lado do outro"


"Este é o meu Filho amado. Tem fome e alimenta multidões inumeráveis; afadiga-se a alivia os fatigados; não tem onde reclinar a cabeça e tudo sustenta com suas mãos; sofre e dá remédio a todos os sofrimentos; é esbofeteado e dá liberdade ao mundo; traspassaram o seu lado e ele cura o de Adão. Prestai-me toda atenção: quero acorrer ao manancial da vida e contemplar a fonte de onde jorram os remédios da salvação." (Do Sermão sobre a Santa Teofania, atribuído a Santo Hipólito de Roma, presbítero).

O tempo alegre do Natal se fecha e culmina com a festa do Batismo do Senhor. O servo santo e imaculado entra nas águas do Jordão. Associa-se ao cortejo dos pecadores. Caminha com passos decididos em direção de João. Lucas assim descreve o momento do batismo do Senhor: “Enquanto ele rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível como pomba. E o céu veio uma voz: Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem querer” (Lc 3, 22). Temos diante de nossos olhos a figura adorável do amado Filho do Pai. Toda a vida do discípulo não consistirá em outra coisa senão de ouvir a voz do Filho amado e a ela ser fiel. Em seu Batismo, Jesus se associa ao cortejo dos pecadores. Se faz pecador conosco.

Jesus é, com efeito, um paradoxo. É tudo e é nada. É grande e pequeno. É grande na pequenez. Tem fome, mas monta a mesa de seu corpo para alimentar os famintos. Tão cansado e tão exausto ele chama a si os desanimados e fracos e os recompõe e restaura. Sofre toda sorte de desconforto e dá remédio aos sofrimentos. Em sua fragilidade se torna força. A força de Deus está na fraqueza do Filho amado. Seu peito rasgado pela lança cura o lado do homem.

O Jesus que entra nas águas do Jordão, que se associa ao cortejo dos pecadores, santifica as águas… Todos os que mais tarde seriam batizados haveriam de mergulhar nas águas marcadas pela presença do Filho amado. Santo Efrem coloca belíssimas palavras nos lábios de Cristo que se dirige a João, o Batista: “Eu quero, João, aproxima-te e confere-me o batismo para que se realize a minha vontade. Não podes resistir à minha vontade; serei batizado por ti porque assim quero. Tu tremes e, contra a minha vontade, não percebes que te pedi um batismo muito importante para mim. Cumpre a obra para a qual foste chamado. Pelo meu batismo é que as águas serão santificadas, recebendo de mim o fogo e o Espírito. Se eu não receber o batismo, elas não terão o poder de gerar filhos imortais. É absolutamente indispensável que me batizes, sem discussão como te ordenei. Eu te batizei no seio materno; batiza-me no Jordão”.

Aquele que recebe o batismo de João no Jordão teria uma outra água a oferecer: a água de seu lado aberto. O lado ferido pelo soldado cura Adão e a mulher que saiu de seu lado aberto. O Coração de Jesus, seu peito aberto, é manancial de toda salvação. Água do peito de Jesus que lava peito de Adão. Batismo, santo batismo da regeneração. Voltemos ao texto de Hipólito: “Vinde, nações todas, ao batismo que confere a imortalidade. Esta é a água unida ao Espírito, que irriga o paraíso, fertiliza a terra, dá crescimento às plantas e faz os seres se reproduzirem. Em resumo, esta é a água pela qual os homens recebem nova vida, com a qual o Cristo foi batizado e sobre a qual o Espírito Santo desceu em forma de pomba”. O lado de Jesus inventou uma fonte borbulhante de puro amor que lava o lado de Adão. T

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

"O CAMINHO DA ORAÇÃO CARMELITA"



Frei Patrício Sciadini, ocd
O caminho do método da oração carmelitana é o mais simples de todos. “Quando o coração reza sempre responde: “A oração é um íntimo diálogo de amor com Aquele que sabemos que nos ama” (Santa Teresa). Ou “um olhar lançado para o céu, um desabafo do coração” (Santa Teresinha). “Procurai lenda e encontrareis meditando; batei orando e abrir-se-vos-ão contemplando” (São João da Cruz).
DEZ PASSOS DA ORAÇÃO CARMELITANA

1- Uma determinada determinação de rezar. Decidir-se a rezar todos os dias, em todos os momentos, determinar um 
tempo para a oração diária, para “estar a sós com aquele que sabemos que nos ama”. Não desistir.

2 - Preparação remota: criar um ambiente externo de “silêncio e recolhimento” e um ambiente interior: “presença de Deus, atenção aos sinais dos tempos e dos lugares que nos falem de Deus”, para saber reconhecer Deus que nos visita.

3 - Preparação próxima: um pouco antes da oração desligar-nos de tudo o que pode nos perturbar, preocupar. Todo encontro que é amor se prepara com antecedência e se deixa tudo por ele. Saber dar espaço para que Deus bata à nossa porta. Ele quer entrar e estar conosco no nosso “castelo interior”.

4 - Presença de Deus: é o momento importante quando, invocando o Espírito Santo, nos dispomos a rezar. Reza-se, rezando. É o Espírito Santo o mestre da nossa oração, deixe que ele reze em você. Invocar o Senhor.

5 - Leitura meditativa: é sempre bom se ajudar, quando o coração está árido, com uma leitura, preferencialmente a Bíblia, ou outro livro. Santa Teresa sempre levava um livro na sua oração. Ler lenta-atenta-amorosamente para saborear a palavra de Deus.

6 - Meditação: refletir e aplicar à nossa vida a palavra lida. Um trabalho da mente muito importante. Deus nos fala e quer que nós compreendamos a sua palavra de amor. É sempre importante escolher um tema para meditar. A improvisação em nenhuma coisa é boa, também na oração não ajuda.

7 - Diálogo afetivo ou amoroso – “coração da meditação carmelitana”: deixar expandir o coração, falar com Deus a partir da vida, do cotidiano, não ter pressa, não ter medo, dizer ao Senhor que nos ama tudo o que se passa em nosso coração.  É o face a face. É o deixar-se mar por Ele.

8 - Compromisso: todo encontro oracional deve ser confirmado, consagrado num compromisso concreto, viável, que fecunde a nossa vida e nos torne sinais verdadeiros da presença de Deus. Evitar compromisso teórico e barato. O que hoje quero fazer a partir da minha meditação?

9 - Agradecer: depois de todo encontro de amor, de amizade, sentimos a necessidade de agradecer. Pode agradecer com o seu coração, com suas palavras ou com textos que lhe fazem bem: “Magnificat, Pai-nosso
”.
10 - Voltar ao trabalho: com o coração novo, com empenho e compromisso. Depois da oração não estamos mais sozinhos. Deus vai conosco, as três pessoas da Trindade trabalham conosco. É vida nova, é paz, compromisso, amor concreto.
Se todos os dias formos fiéis a este caminho de oração,
em pouco tempo a nossa vida será transformada, comprometida.
“Na realidade, a oração é um descanso, um repouso. É aproximar-se com toda a simplicidade daquele que se ama. É permanecer junto a ele como um filhinho nos braços de sua mãe, num abandono do coração”

(Beata Elizabete da Trindade).
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São Roque – SP
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