terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

"DISTINÇÃO DE CANTOS NA LITURGIA"



Visto que os cantos, na liturgia, não são genéricos, mas funcionais, costuma-se

fazer uma distinção entre eles, de acordo com a sua ministerialidade. Assim, podem

ser classificados:


 I - Cantos processionais -

São aqueles que acompanham as procissões litúrgicas.

 Temos então, com relação à missa: o canto de entrada, o de aclamação ao Evangelho

(quando se faz a procissão deste), o da procissão das oferendas, o da comunhão e o

canto final (quando este acompanha a saída do povo).


 II - Cantos interlecionais -

São os que ficam entre as leituras bíblicas (O salmo

 responsorial e a aclamação ao Evangelho).


 III - Cantos fixos ou ordinários -

Os que não variam com o tempo litúrgico ou a festa

(O Glória, o Santo, o Kirye e o Cordeiro de Deus).


 IV - Cantos próprios -

Os que variam de acordo com o tempo litúrgico, festa ou solenidade.


 V - Cantos litânicos -

Os que têm a forma de ladainha (Ato penitencial e Cordeiro de Deus).


 VI - Cantos antifonais ou alternados -

Os que se cantam alternando-se: coro e povo, homens e mulheres (O canto alternado ou antifonal embeleza muito a celebração, mas quase não se pratica. A criatividade pastoral deveria usar mais este recurso).


 VII- Cantos responsoriais -

No canto responsorial, as estrofes são cantadas pelo coral ou por um solista, aqui chamado então salmista. O povo só participa com o refrão.

Exemplo de canto responsorial é o salmo depois da primeira leitura.


 

PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO
“Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

PARA TODOS A ENTRADA NA VIDA É A MESMA E A PARTIDA SEMELHANTE


Também eu sou um mortal, igual a todos, do gênero daquele ser terreno que por primeiro foi feito. Formado em carne, no seio de minha mãe, durante dez meses tomei consistência em seu sangue, por força do sêmen viril e do prazer,
companheiro do sono. Também eu, quando nasci, respirei o ar comum e, ao cair na terra, que tudo recebe de modo igual, estreei minha voz chorando, igual a todos.
Envolto em faixas fui criado, entre cuidados; 5 nenhum rei começou a existência de outra maneira.
Para todos é uma só a entrada na vida, e uma só, a saída.
Por isso desejei, e foi-me dado o bom senso; supliquei, e veio a mim o espírito da
Sabedoria. Preferi-a aos reinos e tronos e, em comparação com ela, julguei sem valor as riquezas. A ela não igualei nenhuma pedra preciosa, pois, a seu lado, todo o ouro é um punhado de areia e, diante dela, a prata será avaliada como o lodo.
Amei-a mais que a saúde e a beleza, e quis possuí-la mais do que a luz, pois seu esplendor é inextinguível.
Todos os bens me vieram junto com ela, pois uma riqueza incalculável está em suas mãos. E alegrei-me com todos esses bens, pois é a Sabedoria quem os precede, apesar de eu ignorar que ela é mãe de todos eles.
Aprendi-a sem falsidade e reparto-a sem inveja: não escondo suas riquezas.
Ela é um tesouro inesgotável para a humanidade: os que a adquirem estão preparados para a amizade com Deus, porque recomendados pelos dons da instrução.
Deus me conceda falar segundo o seu desejo e ter pensamentos dignos dos dons que
recebi, pois ele é o guia da Sabedoria e é também quem corrige os sábios; em suas mãos estamos nós e as nossas palavras, assim como toda a Sabedoria e a habilidade.
Ele me deu um conhecimento exato de tudo o que existe, para eu entender a estrutura do mundo e as propriedades dos elementos, o começo, o meio e o fim dos tempos, a alteração dos solstícios, as mudanças das estações, os ciclos do ano e a posição das estrelas, a natureza dos animais e a fúria das feras, a força dos espíritos e os pensamentos dos homens, a variedade das plantas e as propriedades das raízes.
Aprendi tudo o que está oculto e tudo o que se vê, pois a Sabedoria, artífice de todas as coisas, mo ensinou.

Livro da Sabedoria 7, 1-22
Bíblia da CNBB

sábado, 2 de fevereiro de 2013

"ÚLTIMOS GRITOS"


A partir desse primeiro grito da Sua grande angústia interior, - pois, segundo São Matheus, aquele apelo súplice foi lançado ao céu com grande grito: Et circa horam nonam clamavit Jesus voce magna dicens: Eli, Eli, lamma sabactani (MT. 17, 46) – a partir desse primeiro grande grito as coisas vão-se precipitar.
Chegamos à nona hora: as trevas estão no mais espesso, a natureza se conturba, a terra parece comover-se. Maria, João, as santas mulheres, que aquele grito de angústia alanceou, chegam-se mais para perto da Cruz.
Olham todos para cima. Pode-se dizer que o rosto do Senhor já não existe: é bem agora que, consoante a palavra do profeta, ele está como suprimido e, de todo ponto, desprezível.
Lívido, afinado, imerso em sombra e em sangue, de olhos já fixos e vidrados, Ele só tem de dolorosamente saliente a boca, que haure o Seu sopro com dificuldade, uma boca seca e moribunda: é o fim.
Jesus o sabe. Mas conserva ainda ereta a cabeça, regiamente ereta: só a abaixará quando quiser.

Com uma lucidez de espírito a que nada escapa, Ele percorre no longínquo do passado tudo o que os profetas disseram dEle: nenhum ultraje Lhe faltou e, num terrível e pungente escorço, revê e ressente todos os sofrimentos preditos que O trouxeram àquele cume e O cravaram naquela Cruz. Tudo está cumprido, salvo um ponto entretanto.
Falando daquelas intoleráveis dores e do desprezo que delas se havia de fazer, David dissera no salmo 68: - Na minha sede horrível, deram-me só vinagre.
“Teria faltado um traço à ingratidão humana e à sua crueldade sábia se Jesus, sedento, carpindo a mais horrível tortura da crucificação” (Fouard), tivesse achado a gota de água refrescante que se não recusa, no entanto, ao último dos criminosos.

Vai Ele, pois, externar essa angústia da sede, mas para atrair a Si um mais cruel sofrimento.
Não se queixou dos cravos, nenhum grito pelos espinhos, e a horrenda tensão que Lhe separa todos os membros e Lhe desarticula todos os ossos não Lhe arranca nenhum murmúrio.
Só dois gritos, no Calvário, traem as Suas dores.
Ele se queixa de ser desamparado por Deus, e clama lastimosamente: - Tenho sede!...
Esta sede justificava-a de sobejo o horrível trabalho do Seu corpo e do Seu espírito.
Tudo devia acender-lha: o sangue derramado aos borbotões, as lágrimas correntes, os suores estranhos de Getsêmani, a noite insone, a incrível flagelação, e, sobretudo aquele desamparo interior de Deus, cuja justiça implacável O abrasava ainda mais do que a febre da crucificação que Lhe inflamava as veias.
- Tenho sede! Gemia Ele mansamente.
Este queixume, este murmúrio, caiu primeiro sobre o grupo comovido das santas mulheres. Maria deve ter-Se voltado, indo de um a outro e procurado, com o olhar, a bebida mitigante pedida com tanta humildade. Madalena, Maria Cleófas, João, todos os Seus amigos diletos olham para a boca ressequida... Ai! Nada, no Calvário, tirante dos
rochedos que vão fender-se e a terra ensangüentada.
Entretanto, também os soldados ouviram os queixumes do moribundo.Do vinho misturado com mirra que, havia duas horas, o Cristo recusara, nada mais devia restar, dado que os dois ladrões deviam tê-lo absorvido todo. E eles, os soldados, teriam ainda vinho para seu uso? Talvez. Em todo caso, a sua disposição de espírito não nos permite supor que eles o tivessem oferecido a Jesus a não ser por escárnio, quando, conforme a palavra de São Lucas, eles se aproximavam da Cruz e estendiam as taças
cheias à vitima, parecendo dizer-lhe: Vem tomá-la, e, se és o Cristo, salva-te da cruz.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

"DEIXE SEU CORAÇÃO FALAR"

 Pode permanecer junto do Sacrário cinco minutos ou várias horas. No meio da azáfama do dia, podem bastar uns poucos minutos. Outras vezes, você sentirá a necessidade de ficar mais tempo. E, se participa de devoções tão recomendadas pelos Papas, como a vigília de adoração noturna (uma noite de adoração, em que as pessoas se revezam), as Quarenta Horas, ou apenas um dia ou umas horas de adoração permanente (prática frequente nas igrejas às quintas-feiras) - com o Santíssimo Sacramento exposto no ostensório -, então é lógico você ficar mais tempo, meia hora, uma horta, etc.
            E o que vai dizer a Jesus?  Deixe seu coração falar…, ou calar, e ficar olhando com amor (que é uma boa forma de adoração). São Josemaria aconselhava: «Não abandones a visita ao Santíssimo. - Depois da oração vocal que tenhas por costume, conta a Jesus, realmente presente no Sacrário, as preocupações do dia. - E terás luzes e ânimo para a tua vida de cristão» (Caminho, n. 554).
            Essa «oração vocal», de que fala, pode ser a que você preferir. Em muitos lugares é costume rezar o que tradicionalmente se chama «estação», e que consiste em rezar três conjuntos de Pai-nosso, Ave Maria e Gloria ao Pai, entremeados de uma invocação eucarística (por ex. «Graças e louvores sejam dados a todo momento ao Santíssimo e diviníssimo Sacramento»), e finalizados como uma comunhão espiritual.
            Depois…, o coração fala, com palavras ou sem palavras. Falam a fé, a esperança e o amor.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

"OS OLHARES DE JESUS"

Olhar a vida de diferentes pontos de vista é uma atitude sábia que floresce no tempo de nosso próprio amadurecimento. Ver a vida com novos olhos é descobrir o que estava à nossa frente e não conseguíamos enxergar. O tempo nos ensina a olhar com maturidade. Inútil será querer ver o fruto quando a semente ainda está nascendo. O tempo reconcilia nossos olhares com a vida e conosco mesmos. Muitas são as maneiras de olharmos a vida.
Cada um olha a partir daquilo que a vida lhe ensina a olhar. Uns olham longe e acabam se perdendo na imensidão do que veem. Outros olham perto e não conseguem ir além do que estão vendo. Outros olham apenas para si mesmos e vivem fechados em um olhar individualista. Cada olhar é uma maneira única de nos encontrarmos com aquilo que vemos, e cada encontro precisa ter o olhar da sabedoria que ensina a ser mais humano. Múltiplos são os olhares e eles ganham as tonalidades que neles imprimimos. Há olhares de inveja que roubam a paz.
Há olhares de indiferença que fazem o outro sentir-se desprezado e humilhado. Há olhares de raiva que imprimem na alma as marcas da agressividade. Há olhares tristes que estão presentes em muitos e nos mostram o inverno rigoroso que fez morada em territórios misteriosos da alma. Mas também há os olhares que transmitem vida: o olhar da compaixão que acolhe; o olhar alegre, que nos faz sentir abraçados; o olhar da paz, que nos devolve o céu; de solidariedade, que nos une como irmãos e irmãs.
Nosso olhar revela o que passa em nossa alma. Captar o que ele quer dizer pode ser tarefa difícil. É necessária a sensibilidade de quem, um dia, aprendeu a olhar como o Mestre da Vida. Muitos olharam e foram olhados por Jesus; dentre todos estes olhares temos a certeza somente de uma coisa: quem olhou ou foi olhado por Jesus nunca mais foi o mesmo. O olhar do Senhor tinha a sensibilidade de devolver ao ser humano o sentido de sua existência. O silêncio do olhar divino escrevia novas frases de uma vida que se encontrava sem sentido.

Deixe ser tocado pelos olhos de Jesus!

Jesus olhou para a samaritana e lhe entregou uma fonte de água viva. Nunca mais aquela mulher teve sede de vida. A fonte de um novo tempo irrigou os canteiros daquela alma cansada de buscar uma água que não saciava a sede de modo definitivo. As águas da saciaram aquela alma sedenta brotavam de uma fonte viva. O balde foi deixado de lado, pois a fonte de água agora jorrava dentro dela mesma.
A pecadora tinha, diante de si, olhares que a condenavam. Quem rotulam o próximo já foi, antes, rotulado pelos próprios pecados de quem olha. Jesus sabia que aqueles olhares estavam contaminados pelos próprios pecados de quem olhava os erros daquela mulher. O outro é um espelho que nos indica o que em nós precisa ser mudado. Quando não conseguimos retirar as ervas daninhas de nossa alma, vamos até os canteiros do outro e tentamos cuidar de terrenos que não nos pertencem. Jesus olhou para aqueles olhos que estavam prestes a matar aquela mulher e retirou o véu das próprias perfeições que eles carregavam em si mesmos. Olhares imperfeitos têm o brilho da perfeição.
Foi somente um olhar de amor que devolveu àquela mulher a chance de recomeçar a vida de modo diferente. O olhar da misericórdia encontrou-se com o olhar de imperfeições. A misericórdia semeou, naquela vida, as flores da primavera de novas alegrias e ela partiu para levar o perfume das flores que agora brotavam em sua alma.
Cada olhar de Jesus mostrava um novo caminho para quem d'Ele se aproximava. O olhar divino tocava a alma humana de cada pessoa e fazia de cada manhã a mais bela experiência do viver. Nunca um olhar foi tão surpreendente com o olhar de Cristo. Quem olha com amor devolve a luz que foi apagada pelas incompreensões de uma noite que está prestes a se despedir.
Uma nova vida começa a existir a partir do momento que mudamos o nosso modo de ver o mundo. Enquanto há muitos olhares que matam, Jesus olha com vida para os canteiros de nossas possibilidades. Enquanto houver um amanhecer, Deus estará olhando com a luz do seu amor sobre cada um de nós. Nos olhares de amor de Cristo descobriremos que os nossos olhares imperfeitos estão prestes a serem sementes de uma nova estação que se chama Amor.

Padre Flávio Sobreiro
Padre da Arquidiocese de Pouso Alegre - MG.