quinta-feira, 25 de abril de 2013

Miséria e Graça na vida religiosa: A hipersensibilidade

Por Frei Edson Matias, OFMCap.

A sensibilidade é algo que deve ser cultivado em todos nós. Sensibilidade é diferente de melindres. Também não é sentimentalismo ou muito menos seu oposto, a dureza. Quando falamos de sensibilidade por muitas vezes estamos querendo proteger o nosso euzinho ou do outro, com a intenção desse também nos deixar quietos. Em um mundo onde se constroem castelos artificiais nas relações é como ‘o homem imprudente que construiu sua casa sobre a areia’. Toda a estrutura cai e revela o caranguejo que estava por debaixo.

A imagem do caranguejo é uma ilustração das ‘terras movediças’ da hipersensibilidade nas relações. Nesse território não existe amizade nem possibilidade de construção de fraternidade. O Evangelho? Bem... Nem aí pode entrar, pois as relações são dominadas por uma legião de ‘demônios surdos’. Sim! Esses mesmos. Frutos de um interior povoado de sombras não reconhecidas, cada vez mais vai se dividindo até formar uma ‘legião’. Daí é complicado diferenciar que parte somos nós mesmos, o outro e Deus.

A hipersensibilidade revela corações feridos, solitários, zangados, carentes. Isso vai, como a água suja que quieta vai assentando o barro no fundo, solidificando. Torna a aparência límpida, mas se a água é mexida, tudo se turva novamente.

Esse assentamento se dá aos poucos. Pelas próprias feridas familiares, depois pelas relações não resolvidas, mal vividas e depois interpretadas com os óculos da dor. Quando não trabalhado na VR isso tende a piorar com o tempo. A carência, as necessidades físicas e psíquicas não satisfeitas vão inundando os desejos e aí tudo se turva e o caranguejo vai para fora.

Por vezes, existe a tentativa boa, mas não eficaz, de criar uma comunidade perfeita. Usam-se até textos do fundador, das Sagradas Escrituras para confirmar a hermenêutica da dor, das feridas. É uma luta. O tempo passa e as relações não melhoram. Parece que pioram. Alguns não resistem e desistem. Precisam de novos ares, respirar, limpar as lágrimas dos olhos que marejaram da dor sofrida e se tem outra possibilidade de começar. Para uns é bom, para outros, frustrante.  

Mudam-se os Irmãos, muda o governo... E lá esta o problema. Mas o que acontece? Por que não se vê saída? Tudo parece turvo. E lá está mais uma fez o caranguejo. Tenta-se mais uma vez criar uma fraternidade perfeita. Nova frustração. E as coisas vão caminhando.

Isso pode ocorrer com qualquer um na VR. Aquele dia que se acordou de mal humor, ou em que se sente carente e, de repente, lá se foi aquilo que ‘não se queria falar’ e tudo está perdido novamente. Trincou o teto de vidro do outro. Mais um pouco, vai quebrar. Ufa!!! Ainda está lá. Porém, a relação não é a mesma coisa.

Tal situação pode ser um momento importante para refazer as relações como também de estabelecer distanciamentos. Sendo a mensagem do carisma ou do Evangelho mal interpretado, vão se tentar criar outras casas na areia. Vai ser outro tombo. Para uns parece ser uma constante. Dizem consigo: “Essa é a proposta de nosso carisma, do Evangelho. Realmente é difícil para todos entenderem”. Será mesmo? Ou será nossa necessidade que as coisas caminhem de acordo com nossa hipersensibilidade? É difícil saber. Somente pelos frutos reconhecemos.  Caso tenhamos uma busca estressante, ansiosa, que nos perturba, querendo mudar o comportamento dos outros Irmãos. Isso pode ser um sinal que não estejamos trilhando bons caminhos. Uma boa conversa com alguém experiente, que seja neutra à situação, pode nos ajudar a sair do atoleiro.

O desejo de ter uma vida fraterna mais calorosa e verdadeira é importante ser cultivado. No entanto, isso requer maturidade. Precisamos saber de que lugar desejamos isso. Que motivações, além das necessidades pessoais, queremos mudar as relações na Vida Religiosa. Quantos de nós já não nos deparamos com uma religiosa ou religioso que tenta mudar a todos?! Que cada um possa ser mais afetivo, compreensivo, etc. Todavia, o que move tal pessoa pode ser a busca de satisfazer suas necessidades nos Irmãos. Ou seja, todos devem mudar para satisfazer o eu! Parece um absurdo, mas existem muitos consagrados assim. Perdidos em si mesmos. Lembro daquela série da década de 90, uma família de dinossauros que tinha um filhote que gritava o tempo todo: “tem que me amar!” Um verdadeiro tirado, apesar de engraçado.

E quando a hipersensibilidade se junta a um cargo? Acho que já tratamos desse assunto em outro ponto. Quando falamos da diferença entre liderança e cargo. O estrago é grande. Pois a mãe da hipersensibilidade é a insegurança. Criticar a administração de um hipersensível é iniciar uma briga. Caso seja um religioso que tenha a tendência de "ganhar no grito", as pupilas vão dilatar, os vasos sanguíneos menores vão contrair, retirando o sangue da superfície da pele, deixando a pele um pouco mais pálida. Nessa hora é melhor correr. Caso se trate de um mais contido vai se torturar sozinho ou procurar se vingar. Isso vai variar muito de como a pessoa construiu suas relações.

Hipersensibilidade e cargo juntos é igual a poder.

HIPERSENSIBILIDADE + CARGO/FUNÇÃO = PODER

Poder aqui é o contrário de serviço, de ministério. Nesse caso, a pessoa vai querer ser servida pelos que estão sob a sua ‘tutela’. O modelo de Jesus aqui pode existir no discurso, mas não na prática. Tal situação é mais comum do que se possa imaginar na Vida Religiosa.

Como a hipersensibilidade tem como mãe a insegurança os cargos dispostos nas instituições da congregação tendem a atrair tais pessoas como a luz atrai mariposas. Por isso que muitos que estão nas coordenações de Congregações exercem poder e não ministério!

INSEGURANÇA + HIPERSENSIBILIDADE = CARGO

Mas, por favor... Não são todos. No universo tão grande de Instituições seria um absurdo dizer que tais problemáticas existem em todas de forma generalizada. Mas também seria uma ingenuidade achar que somente algumas apresentam esse tipo de liderança. Além do mais, não tem como a gente generalizar. Cada Família tem sua história, seus erros e acertos. Logo, uso aqui uma forma mais pedagógica de apresentar situações, exacerbando uma ou outra para que possamos entender.

Mas por que isso ocorre na Vida Religiosa Consagrada? Aonde esta o Evangelho? Que momento caminho pode ficar tortuoso? Vamos conversando...

São Marcos Evangelista

Salve Maria! Hoje vamos tratar sobre São Marcos. Ele não foi um apóstolo como São Mateus, mas conviveu muito com o 1º Papa São Pedro. Descubra por que seu escrito é conhecido como " O evangelho dos milagres" e também muitas outras caracteristicas de seu evangelho.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Somos pessoas perigosas!


Quais os sinais de conversão carregamos?
Estamos vivendo somente na superfície da nossa fé, da nossa santidade?
Estamos trabalhando para Deus ou estamos trabalhando com Deus?
A conversão aconteceu, mas a busca acabou!
A conversão aconteceu mas prefiro deixar para seguir Deus depois!
Já participei de vários retiros, já O conheço, porém minha vida promíscua contínua;
Várias pessoas passam pelas nossas vidas diariamente e não acrescentamos nada na vida dela;
Nossas especilaidades muitas vezes tem sido a fofoca, o falar da vida alheia, o julgar e condenar;
Somos na verdade pessoas perigosas que como um carro desgovernado não sabe para onde vai;
Nos tornamos pessoas perigosas quando afastadas do Pai, fazemos muita bagunça e nem percebemos;
Existe a maneira certa de ser, ter e fazer mas preferimos fazer do nosso jeito...
Temos tratado os outros de qualquer jeito e feito do nosso corpo qualquer tipo de casa;
Passamos várias horas nos enchendo de porcarias e não paramos 10 minutos se quer dentro de uma igreja para ser preenchido.
Para onde estamos indo?
Que rastro tenho deixado?
Meus filhos me copiam?

FONTE: Filhos Espirituais de Pe. Pio

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Quem nos separará do amor de Cristo?

 
Homilia do 4º Domingo da Páscoa ~ Domingo do Bom Pastor ~ por Pe. Paulo Ricardo
No contexto da polêmica que surgiu depois de seu discurso do Bom Pastor, o evangelista São João mostra com clareza o relacionamento de Jesus com suas ovelhas.

Ouvir com docilidade a voz do Pastor é garantia de uma proteção que vem do alto.

Se olhamos sem fé para os acontecimento de nossa vida e da história da Igreja, vemos que estamos atravessando o “vale tenebroso”(cf. Sal 23, 4).

Mas aquele que tem fé ouve a voz do Pastor que “dá a vida pelas ovelhas”. E é o amor do Crucificado que cura nossa cegueira. Num olhar superficial o rebanho de Cristo é continuamente tratado como “ovelhas de corte” (cf. Rom 8, 36). Mas no olhar iluminado pela Cruz do Bom Pastor, “somos mais do que vencedores” (ὑπερνικῶμεν – Rom 8, 37), pois nada nos separará do seu amor, nada nos arrancará de sua mão.

Salmos, 23
1. O Senhor é o meu pastor. Nada me falta. 2. Em verdes pastagens me faz repousar; para fontes tranquilas me conduz, 3. e restaura minhas forças. Ele me guia por bons caminhos, por causa do seu nome. 4. Embora eu caminhe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei, pois junto a mim estás; teu bastão e teu cajado me deixam tranquilo. 5. Diante de mim preparas a mesa, à frente dos meus opressores; unges minha cabeça com óleo, e minha taça transborda. 6. Sim, felicidade e amor me acompanham todos os dias da minha vida. Minha morada é a casa do Senhor, por dias sem fim.

Romanos 8
35. Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? 36. Como diz a Escritura: "Por tua causa somos postos à morte o dia todo, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro." 37. Mas, em todas essas coisas somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou. 38. Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes. 39. nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor.

sábado, 20 de abril de 2013

Das 4 coisas que produz grande paz


1. Jesus: Filho, vou agora te ensinar o caminho da paz e da verdadeira liberdade.
2. A alma: Fazei, Senhor, o que dizeis, que muito grato me é ouvi-lo.
3. Jesus: Filho, trata de fazer antes a vontade alheia que a tua. Prefere sempre ter menos que mais. Busca sempre o último lugar  todos. Deseja sempre e roga que se cumpra plenamente em ti a vontade de Deus. O homem que assim procede penetra na região da paz e do descanso.
4. A alma: Senhor, este vosso discurso é breve, mas encerra muita perfeição. Poucas são as palavras, cheias, porém, de sabedoria e de copioso fruto. Se eu as praticasse elmente, não me deixaria perturbar com tanta facilidade. Pois, todas as vezes que me sinto inquieto e aito, verico que me desviei desta doutrina. Vós, porém, que tudo podeis e desejais sempre o progresso da alma, aumentai em mim a graça, para que possa guardar vossos ensinamentos e levar a efeito minha salvação.


Oração contra os maus pensamentos
1. Senhor, meu Deus, não vos aparteis de mim, meu Deus dignai-vos socorrer-me (Sl 70,13). Pois me invadem vários pensamentos, e grandes temores aigem minha alma. Como escaparei ileso, como poderei vencê-los?
2. Diante de ti, são palavras vossas, irei eu e humilharei os soberbos da terra (Is 14,1); abrir-te-ei as portas do cárcere e te revelarei mistérios recônditos.
3. Fazei Senhor, conforme dizeis e dissipe vossa presença todos os maus pensamentos.
Esta é a minha única esperança e consolação: a vós recorrer

em toda tribulação, em vós conar, invocar-vos de todo o coração e com paciência aguardar a vossa consolação. Amém.




Imitação de Cristo


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Que haveis de fazer, quando o Senhor começar a pedir contas?

 

Ai dos corações divididos, dos lábios criminosos, das mãos depravadas e do pecador, que pretende entrar na terra por dois caminhos!

Ai dos corrompidos de coração, que não crêem, e por isso não serão protegidos!

Ai de vós, que perdestes a perseverança e abandonastes os caminhos retos, extraviando-vos por caminhos depravados!

Que haveis de fazer, quando o Senhor começar a pedir contas?

Os que temem o Senhor não são rebeldes às suas palavras, os que o amam observam seus

caminhos.

Os que temem o Senhor procuram o que lhe agrada, os que o amam saciam-se com a sua Lei.

Os que temem o Senhor preparam seus corações e na sua presença se purificam.

Os que temem o Senhor guardam seus mandamentos e perseveram até a sua vinda.

Eles dizem: “Mesmo não convertidos cairemos nas mãos do Senhor e não nas dos homens,

pois tamanha é a sua grandeza, tão grande é a sua misericórdia !”

 

Livro do Eclesiástico 2, 14-23

segunda-feira, 15 de abril de 2013

As dificuldades da vida humana


Penosa ocupação foi dada a todos os mortais e pesado jugo oprime os filhos de Adão, desde o dia em que saem do ventre de sua mãe até o dia da volta para a mãe comum: objeto de suas reflexões e temor do seu coração é a descoberta do que os espera, o dia do seu fim.
Desde aquele que está sentado em trono glorioso até o humilhado na terra e na cinza; desde quem veste púrpura e cinge a coroa até quem está coberto de linho cru: tudo é furor, inveja, inquietação, agitação, temor da morte, ressentimento, discórdia.

Até no tempo do repouso, sobre a cama, o sono da noite apenas alterna os cuidados.
Um pouco de repouso, quase nada e logo, em sonho, estão aflitos como se fosse de dia.
Perturbam-se com as visões do coração, como quem tivesse escapado da batalha; no tempo do sono necessário, despertam e se admiram do vão temor.
Para todo ser de carne, do homem ao animal, mas, para os pecadores, sete vezes mais:
morte, sangue, dissensão e espada, opressões, fome, destruição e flagelos. Para os iníquos foram criadas todas essas coisas, e por causa deles é que veio o dilúvio.
Tudo o que vem da terra volta para a terra, e tudo o que vem das águas volta para o mar.

Todo suborno e toda iniquidade perecerão, mas a fidelidade permanece eternamente.
As riquezas dos injustos secarão como a torrente no deserto e passarão como o trovão, que ribomba na tempestade.
Como o justo se alegra, abrindo as mãos, assim os prevaricadores, no fim, perecerão.
Os rebentos dos ímpios não multiplicarão seus ramos, como raízes impuras no topo da rocha.
A folhagem que cresce à flor das águas e na beira do rio será arrancada antes de qualquer outra erva.
Mas a bondade é como um jardim de bênçãos, e a esmola permanece para sempre.

A vida de um autônomo e mesmo a de um operário é relativamente boa, mas, acima deles, a de quem encontrar um tesouro.
Filhos e a edificação de uma cidade perpetuam o nome, mas acima disto está a mulher irrepreensível.
Vinho e música alegram o coração, mas o amor da Sabedoria excede ambas as coisas.
Flauta e harpa tornam suave a melodia, mas acima de ambas está a língua suave.
Graça e beleza são o desejo dos olhos, mas acima de ambas estão as verdes plantações.
Amigo e companheiro auxiliam-se mutuamente a seu tempo, mas, mais do que eles, mulher e marido. Irmãos e ajuda são úteis no tempo da tribulação, mas, acima de ambos, a esmola é que liberta.
Ouro e prata dão firmeza aos pés, mas acima de ambos está um conselho conveniente.
Riquezas e forças exaltam o coração mas, acima delas, o temor do Senhor.
Com o temor do Senhor, nada falta; com ele, não é preciso procurar socorro.
O temor do Senhor é como um jardim de bênçãos, e a sua proteção está acima de toda glória.

Filho, não sejas indigente enquanto vives: é melhor morrer, do que viver como indigente.
Aquele que fica olhando para a mesa de estranhos não leva uma vida que mereça esse nome: com essas comidas mancha até a alma.
Quem é instruído e educado, porém, delas se guardará.
Na boca do desavergonhado a mendicância é doce, mas em seu ventre arderá como o fogo.



Livro do Eclesiástico 40, 1-32