sexta-feira, 10 de maio de 2013

Maio: O mês da Virgem Maria




Por Franbezant, OFMConv.


Um dos mais belos elogios que se têm feito da Santíssima Virgem é sem dúvida aquele que Dela fez Santo Ambrósio nas palavras que acabamos de citar: a vida de Maria pode servir de regra a todas as vidas. É debaixo d’este ponto de vista, tão fecundo em lições práticas, que eu quereria estudar, durante este mês abençoado, a vida de Maria. Contemplá-la-emos então, alternadamente,como o modelo de todas as pessoas, das esposas, das mães de família, das viúvas, das pobres, das almas piedosas, como nosso modelo enfim em todas as condições da vida. Hoje, para introdução às instruções que vão seguir-se, tentemos responder a estas duas questões cuja solução não pode deixar de ser interessante: o que é o mês de Maria? Quais são os meios de aproveitarmos dele?


O que vem a ser o mês de Maria? O mês de Maria é um mês especialmente consagrado a honrar a mãe incomparável de Deus e dos homens. A alma, nestes dias, diz-lhe de que amor arde por Ela, de que amor mais vivo ainda Ela deseja ser abrasada; diz-lhe com que impaciência espera o momento em que a há de amar sem interrupção e sem receio, com os coros celestes, com a assembleia dos bem-aventurados. Assim a alma preludia o amor da eternidade.


O mês de Maria é um mês consagrado a meditar os privilégios insignes da Mãe de Jesus, e estes privilégios são admiráveis: predestinada desde a eternidade, estava presente no pensamento de Deus, no seu amor e na sua ternura, antes da origem dos séculos; estava presente aos conselhos da sua omnipotência e da sua sabedoria, quando criava o mundo e se dispunha a torná-lo a morada do homem; aos conselhos da sua misericórdia, quando deixava cair sobre Adão a sentença da sua justiça mitigada pelas promessas de perdão; aos conselhos da sua providência paternal, quando escolhia um povo, quando abençoava os patriarcas, quando iluminava os profetas e preparava as nações para a vinda de seu Filho. Maria era o objeto especial da predileção divina, quando era concebida isenta da mácula comum a todos os homens; prevenida da superabundância das graças celestes; saudada simultaneamente como mãe de Deus e Virgem imaculada; quando participava da efusão do Espírito Santo sobre os apóstolos; quando morria cheia de dias e inebriada de esperanças; quando ressuscitava antes do fim do tempo para ir assentar-se triunfante sobre um trono mais elevado que o trono dos Querubins, Rainha dos Anjos, Mãe dos justos e Advogada dos pecadores. Tudo é privilégio nesta criatura maravilhosa. A alma admira-a sobre a terra e sente desfalecerem as suas forças; o espírito contempla-a e reconhece a sua fraqueza; para contemplar Maria, para A admirar, são precisos os esplendores e a vida da eternidade.


O mês de Maria é um mês consagrado ao estudo das doces e heróicas virtudes da Filha mais perfeita do Rei dos reis, do santuário por excelência do Espírito Santo; um mês consagrado ao estudo da sua doçura, da sua modéstia, da sua humildade, da abnegação de si própria, do seu desprendimento e do seu desprezo do mundo, do seu zelo pela oração e coisas de Deus, da sua compaixão pelos pobres e pecadores, da sua caridade para com Deus, do seu amor da cruz e da vida escondida, de todas as virtudes enfim de que a sua alma estava cheia, como estava cheio de flores embalsamadas o jardim de delícias sob a Mão de Deus. Estudar estas virtudes é neste mundo a sabedoria; imitá-las é a vida; implantá-las no seu coração é a beatitude antecipada, é a aurora da celeste eternidade.


O mês de Maria é um mês consagrado a orar à Protetora dos cristãos, ao refúgio dos pecadores; um mês em que, com mais fervor, o pecador implora a sua conversão; o justo, a perseverança; a alma entregue à tentação, a vitória; a alma submetida à prova, a coragem e o alívio dos seus males. Que força não tem a oração a Maria, o apelo à sua misericórdia e ao seu poder! Mas a oração é o grito da indigência, da necessidade, da fraqueza, da angústia para a que é rica, forte, generosa, terna e compassiva; é o grito da criança para a sua mãe. Orar a Maria é premunir a alma contra os perigos do presente e as incertezas do futuro. Só Deus conhece tudo o que a oração a Maria obtém de graças, de conversões, de benefícios inesperados, de triunfos sobre o mundo e sobre o inferno; só a assembleia dos santos pode contar aqueles a quem a oração a Maria conduz todos os dias para a cidade bem-aventurada.


E ainda dizemos mais: o mês de Maria é o mês das flores, o mês dos belos cânticos da natureza e dos seus mais puros perfumes. Não era justo que a piedade dos povos fizesse deste mês uma flor, um hino, um incenso de mais, oferecido Àquela que é o lírio imaculado da terra? Àquela cujo nome que per si é um cântico, uma melodia para o coração, e cujas virtudes espalham o odor da mirra, do cinamomo e do incenso? Esta piedade dos povos, a Igreja abençoou-a e propagou-a, e este mês de maio, o mais belo dos que nos dá a natureza, já não é chamado senão o mês de Maria. E em todas as paróquias católicas, nas cidades como nas mais humildes aldeias, celebra-se este mês de bênçãos. De todos os templos, de todos os santuários elevam-se acentos de amor em honra da Virgem bendita.


O mês de Maria é como que um prolongamento das santas alegrias da Páscoa, Passamos assim da mesa eucarística ao altar de Maria, dos braços de um pai ao coração de uma mãe. Cada uma das outras solenidades consagradas a Maria não nos rejubila senão um dia, e deixa cada noite uma saudade às nossas alegrias. Esta, celebramo-la todo um mês, e cada noite conservamos a doce segurança de a encontrarmos no dia seguinte. Sim, é durante trinta e um dias que se elevará, de todos os pontos do mundo, o nosso concerto de louvores e de amor em honra Daquela que é o amor do céu e da terra. Durante um mês inteiro encheremos os seus altares de lumes e de flores, e endereçar-lhe-emos as nossas filiais orações. Do trono que lhe tiverem elevado as nossas mãos, do meio da auréola com que nós tivermos cercado a sua meiga imagem, vê-la-emos sorrir para os nossos votos, para as nossas homenagens, para as nossas confiantes invocações. Salve, pois, mês bendito, tocante festa celebrada em honra Daquela que é a nossa irmã e a nossa Mãe, nossa vida, doçura e esperança nossa. Formoso mês de Maria, mês dos seus favores mais especiais, prolonga então o teu curso; que as tuas horas amadas decorram lentamente, porque Maria é a nossa mãe, e é doce para os filhos repousar no regaço da sua mãe! Ela é a fonte das graças, e nós temos tanto que pedir! T


#ReflexõesFranciscanas

Semana Franciscana: Inscrições abertas em Piracicaba - SP



[Franciscanos] Tendo à frente como diretor Frei José Carlos Corrêa Pedroso, OFMCap., um dos grandes mestres da Espiritualidade Franciscana e Clariana, o Centro Franciscano de Espiritualidade de Piracicaba abre inscrições para a Semana Franciscana 2013, um curso que será oferecido de 15 a 20 de julho.

O tema deste ano será: “Clérigos, leigos e religiosos na Idade Média” e será ministrado pela professora Andreia Cristina L. Frazão da Silva, doutora em História Social pela UFRJ, e é aberto a todos religiosos e leigos que tenham interesse em aprofundar seus conhecimentos sobre as diferentes formas de vida religiosa e suas espiritualidades.

Andreia é uma das coordenadoras do Programa de Estudos Medievais (PEM) da UFRJ e atua na área de história medieval, com ênfase em Historia Comparada e Estudos de Gênero Pós-estruturalistas. Suas principais temáticas de pesquisa são a hagiografia medieval, o fenômeno da santidade, a Igreja papal, as práticas da religiosidade, a espiritualidade laica, os discursos de gênero e os centros de produção intelectual, privilegiando como recorte espaço-temporal as penínsulas ibérica e itálica nos séculos XI ao XIII.

O curso, que tem a coordenação de Frei José Carlos Corrêa Pedroso, capuchinho da Província da Imaculada Conceição de São Paulo, tem mais informações no site do Centro. Para conhecer a ementa, outras informações e fazer a inscrição, acesse: http://centrofranciscano.org.br/semana-franciscana-2013. Caso queira mais informações, envie e-mail para contato@centrofranciscano.org.br ou ligue para (19) 3422- 5302.

O Centro de Espiritualidade

O Centro Franciscano de Espiritualidade está localizado no antigo Seminário Seráfico São Fidélis, em Piracicaba, São Paulo-SP. Nele mora uma fraternidade, que também ajuda no atendimento pastoral da região.

Em suas instalações estão abrigadas também: A Biblioteca da Província; O Museu da Província; A sede do trabalho vocacional da Província. Seu encarregado faz parte da fraternidade.

A casa, uma das mais tradicionais da Província, também está aberta à hospedagem dos frades e de seus parentes e amigos. T
 

domingo, 5 de maio de 2013

Sacerdote um presente de Deus para o mundo


CRISTO PRESENTE NA COMUNIDADE

O Evangelho deste domingo faz parte do discurso de despedida de Jesus. A sua despedida, porém, não significa ausência: ele assegura sua presença mediante a palavra e o Defensor.
Jesus disse: "Quem me ama guardará minha palavra, o meu Pai amará e viremos e faremos morada nele". Quem acolhe e observa a sua palavra experimenta a proximidade dele e de seu Pai. Eles virão estabelecer morada com  discípulo, "viverão juntos na intimidade da nova família". O Vaticano II disse que Jesus está presente na palavra proclamada na celebração. Na Bíblia, "o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos, a conversar com eles".
A vivência da palvra se expressa na vivência do amor. Deus se torna presente nan comunidade e em cada um de nós mediante o amor. Amar a Jesus é aproximar-se dele para identificar-se com ele e com oseu projeto de vida. O gesto concreto do amor a Jesus expressa-se no amor ao próximo. Cada pessoa que ama torna-se morada de Jesus e do PAi e manifesta a presença de Deus.
A função do Defensor, do Espírito Santo, é ilumonar, animar e dirigir a Igreja de Jesus ao longo dos séculos. Por meio dele, Jesus continua a agir entre nós e nos faz entender e testemunhar o seu projeto. O Espírito é quem nos ensina e nos faz recordar o compromisso com Jesus e com os irmãos. Ele nos dá força e coragem para continuar a missão na consturção do Reino de Deus.
O Reino de Jesus é um reino de paz e harmonia entre os seres humanos. Todos os que são moradas de Deus e amam a Jesus tornam-se construtores da paz, bem messiânico por excelência. A presença do Espírito nos leva a viver e buscar a paz do ressuscitado. Paz que não é apenas ausênca de guerra e de violência, mas é sobretudo o que a palvra hebraica shalon significa: bem-estar, desfrutando o necessário para viver com diginidade, na harmonia consigo, com os outros e com Deus.

Comentário do Pe. Nilo Luza sobre o Evangelho deste domingo 05/05/2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Trabalho: Expressão de amor



Nesta festa de São José Operário pode ser de proveito refletir sobre algumas linhas do Bem-aventurado Papa João Paulo II em sua Exortação Apostólica Redemptoris Custos:


Uma das expressões cotidianas de amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de atividade mediante o qual José procurava garantir o sustento da família: o ofício de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. Para Jesus, este período abrange os anos da vida oculta, de que fala o evangelista, em seguida ao episódio acontecido no templo: Depois desceu com seus pais para Nazaré e era-lhes obediente (Lc 2,51).

Esta submissão, ou seja, esta obediência de Jesus na casa de Nazaré é entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que era designado o filho do carpinteiro (Mt 13,55), tinha aprendido o ofício de seu pai adotivo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, pode-se também, analogamente, dizer o mesmo do trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro.

Em nossa época a Igreja pôs em realce este aspecto, com a inclusão da memória litúrgica de São José Operário, fixada no dia 1º de maio. O trabalho humano, em particular o trabalho manual, é de modo especial valorizado no Evangelho. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus, ele foi acolhido no mistério da Encarnação, como também foi redimido de maneira particular. Graças à oficina de trabalho, onde ele exercia o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção.

A importância do trabalho na vida do homem exige que se conheçam e se assimilem todos os seus conteúdos, para, através dele ajudar os demais homens a aproximarem-se de Deus, Criador e Redentor, e a participarem de seus desígnios salvíficos relacionados ao homem e ao mundo. Teria ainda o trabalho um papel relevante na vida do homem com Cristo, participando, mediante uma fé viva, na sua tríplice missão de sacerdote, profeta e rei.

Trata-se, em última análise, da santificação da vida cotidiana, na qual cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que por ser proposta de acordo com um modelo acessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o cristianismo enaltece para grandes destinos; é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se exigem ações grandiosas, mas são indispensáveis virtudes comuns, humanas e autênticas. 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Catequese do Santo Padre, Papa Bento XVI, sobre Santa Catarina de Sena

Nascida em Sena, em 1347, em uma família muito numerosa, morreu em sua cidade natal em 1380. Aos 16 anos, impulsionada por uma visão de São Domingos, entrou na Ordem Terciária Dominicana, no ramo feminino, chamado Mantellate [chamadas assim por usarem um manto preto, N. da T.]. Permanecendo com a família, confirmou o voto de virgindade que havia feito de forma privada quando ainda era adolescente, e se dedicou à oração, à penitência, às obras de caridade, sobretudo em benefício dos doentes.





Quando sua fama de sua santidade se difundiu, ela foi protagonista de uma intensa atividade de conselho espiritual a todo tipo de pessoas: nobres e homens políticos, artistas e gente do povo, pessoas consagradas, eclesiásticos, incluído o Papa Gregório XI, que naquele período residida em Avinhão e a quem Catarina exortou enérgica e eficazmente a voltar a Roma. Viajou muito para solicitar a reforma interior da Igreja e para promover a paz entre os Estados; também por este motivo, o venerável João Paulo II quis declará-la copadroeira da Europa: para que o Velho Continente não se esqueça jamais das raízes cristãs que estão na base do seu caminho e continue extraindo do Evangelho os valores fundamentais que garantem a justiça e a concórdia.





Catarina sofreu muito, como muitos santos. Chegaram a pensar inclusive que se deveria desconfiar dela, até o ponto de que, em 1374, seis anos antes da sua morte, o capítulo geral dos dominicanos a convocou a Florença para interrogá-la. Colocaram-na ao lado de um frade douto e humilde, Raimundo de Cápua, futuro mestre geral da ordem. Convertido em seu confessor e também em seu "filho espiritual", escreveu uma primeira biografia completa da santa, que foi canonizada em 1461.





A doutrina de Catarina, que aprendeu a ler com dificuldade e a escrever quando já era adulta, está contida no "Diálogo da Divina Providência" ou "Livro da Divina Doutrina", uma obra-prima da literatura espiritual, em seu "Epistolário" e na coleção das "Orações". Seu ensinamento está dotado de uma riqueza tal, que o servo de Deus Paulo VI, em 1970, declarou-a Doutora da Igreja, título que se acrescentava ao de copadroeira da Cidade de Roma, por vontade do Beato Pio IX, e de padroeira da Itália, por decisão do Venerável Pio XII.





Em uma visão que nunca se apagou do coração e da mente de Catarina, Nossa Senhora a apresentou a Jesus, que lhe deu uma esplêndida aliança, dizendo-lhe: "Eu, teu Criador e Salvador, te desposo na fé, que conservarás sempre pura até que chegues a celebrar comigo no céu tuas bodas eternas" (Raimundo de Cápua, Santa Caterina de Siena, Legenda maior, n. 115, Sena, 1998). Essa aliança era visível somente a ela. Neste episódio extraordinário, percebemos o centro vital da religiosidade de Catarina e de toda autêntica espiritualidade: o cristocentrismo. Cristo é, para ela, como o esposo com quem tem uma relação de intimidade, de comunhão e de fidelidade; é o bem amado acima de qualquer outro bem.





Esta união profunda com o Senhor é ilustrada por outro episódio da vida desta insigne mística: a troca do coração. Segundo Raimundo de Cápua, que transmite as confidências recebidas de Catarina, o Senhor Jesus lhe apareceu com um coração humano na mão, vermelho resplandecente, abriu-lhe o peito, introduziu-o e disse: "Queridíssima filha, como no outro dia eu recebi teu coração, que me oferecias, eis aqui que agora te dou o meu e, de agora em diante, estará no lugar que o teu ocupava" (ibid.). Catarina viveu verdadeiramente as palavras de São Paulo: "Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim" (Gl 2, 20).





Assim como a santa de Sena, todo crente sente a necessidade de configurar-se segundo os sentimentos do Coração de Cristo, para amar a Deus e ao próximo como o próprio Cristo ama. E todos nós podemos deixar que nosso coração se transforme e aprenda a amar como Cristo, em uma familiaridade com Ele nutrida pela oração, pela meditação sobre a Palavra de Deus e pelos sacramentos, sobretudo recebendo frequentemente e com devoção a santa Comunhão. Também Catarina pertence a esse grupo de santos eucarísticos com o quais eu quis concluir minha exortação apostólica Sacramentum Caritatis (cf. n. 94).





Queridos irmãos e irmãs: a Eucaristia é um extraordinário dom de amor que Deus nos renova continuamente, para nutrir nosso caminho de fé, revigorar nossa esperança, inflamar nossa caridade, para tornar-nos cada vez mais semelhantes a Ele.





Ao redor de uma personalidade tão forte e autêntica, foi se construindo uma verdadeira e autêntica família espiritual. Eram pessoas fascinadas pela autoridade moral dessa jovem mulher de elevadíssimo nível de vida, e talvez impressionadas também pelos fenômenos místicos aos quais assistiam, como os êxtases frequentes. Muitos se colocaram ao seu serviço e sobretudo consideraram um privilégio ser guiados espiritualmente por Catarina. Chamavam-na de "mãe", pois, como filhos espirituais, extraíam dela a nutrição do espírito.





Também hoje a Igreja recebe um grande benefício do exercício da maternidade espiritual de tantas mulheres, consagradas e leigas, que alimentam nas almas o pensamento de Deus, reforçam a fé das pessoas e orientam a vida cristã rumo a cumes cada vez mais elevados. "Digo e te chamo de filho - escreve Catarina a um dos seus filhos espirituais, o cartuxo Giovanni Sabatini - enquanto que te dou à luz por meio de contínuas orações e desejo na presença de Deus, assim como uma mãe dá à luz o seu filho" (Epistolário, Carta n. 141: A don Giovanni de' Sabbatini). Ao frade dominicano Bartolomeu de Dominici, ela costumava se dirigir com estas palavras: "Diletíssimo e queridíssimo irmão e filho no doce Jesus Cristo".





Outra característica da espiritualidade de Catarina está ligada ao dom das lágrimas. Estas expressam uma sensibilidade especial e profunda, capacidade de comoção e de ternura. Muitos santos tiveram o dom das lágrimas, renovando a emoção do próprio Jesus, que não reprimiu nem escondeu seu pranto diante do sepulcro do amigo Lázaro, da dor de Maria e de Marta e ao avistar Jerusalém, em seus últimos dias terrenos. Segundo Catarina, as lágrimas dos santos se misturam com o Sangue de Cristo, do qual ela falou com tons vibrantes e com imagens simbólicas muito eficazes: "Lembrai-vos de Cristo crucificado, Deus e Homem (...). Tende como objetivo Cristo crucificado, escondei-vos nas feridas de Cristo crucificado, afogai-vos no sangue de Cristo crucificado" (Epistolário, Carta n. 16: Ad uno il cui nome si tace ).





Aqui podemos compreender por que Catarina, ainda consciente das fraquezas humanas dos sacerdotes, teve sempre uma grandíssima reverência com relação a eles: eles distribuem, através dos sacramentos e da Palavra, a força salvífica do Sangue de Cristo. A santa de Sena convidou sempre os sagrados ministros - também o Papa, a quem chamava de "doce Cristo na terra" - a serem fiéis às suas responsabilidades, movida sempre e somente pelo seu amor profundo e constante pela Igreja. Antes de morrer, disse: "Partindo eu do corpo, em verdade, consumi e dei a vida na Igreja e pela Igreja Santa, o que me é uma graça singularíssima" (Raimundo de Cápua, Santa Caterina da Siena, Legenda maior, n. 363).





De Santa Catarina, portanto, aprendemos a ciência mais sublime: conhecer e amar Jesus Cristo e sua Igreja. No "Diálogo da Divina Providência", ela, com uma imagem singular, descreve Cristo como uma ponte lançada entre o céu e a terra. Está formada por três degraus constituídos pelos pés, pelo lado e pela boca de Jesus. Elevando-se por meio desses degraus, a alma passa pelas três etapas de todo caminho de santificação: o desapego do pecado, a prática das virtudes e do amor, a união doce e afetuosa com Deus.





Queridos irmãos e irmãs: aprendamos de Santa Catarina a amar com coragem, de forma intensa e sincera, a Cristo e à Igreja. Façamos nossas, para isso, as palavras de Santa Catarina que lemos no "Diálogo da Divina Providência", na conclusão do capítulo que fala de Cristo-ponte: "Por misericórdia, Tu nos lavaste no Sangue; por misericórdia, quiseste conversar com as criaturas. Ó Louco de amor! Não te bastou encarnar-te, mas quiseste também morrer! (...) Ó misericórdia! Meu coração se afoga ao pensar em Ti: em qualquer lugar em que eu volte a pensar, não encontro mais que misericórdia" (cap. 30, pp. 79-80).





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