segunda-feira, 13 de maio de 2013

O silêncio como opção de vida alternativa



A Cúria Geral da Ordem dos Frades Menores, em 2003, publicou um pequeníssimo fascículo intitulado: O caminho que leva ao “lugar do coração”. Achegas para descobrir interioridade e silêncio na vida franciscana. Trata-se de uma joia encerrada num caderno de 16 pequenas páginas. “O caminho para a interioridade, hoje, dá-se num tempo de mudanças, tempo rico de muitos sinais de redescoberta da interioridade e do silêncio. A sociedade secularizada vem focada sobre o indivíduo, com uma identidade fluída. Temos diante de nós uma mudança radical da visão do homem, determinada sobretudo pela tecnologia. São imensos os recursos da inteligência humana, descobertos hoje, que podem ajudar os homens a criar um mundo melhor. É importante, no entanto, que o homem permaneça sujeito desse desenvolvimento, sobretudo a partir da verdade profunda de si mesmo” (p.4-5). Num mundo de superficialidade, de pressa, de técnica fria, de comunicação online, de áudio-fones, de corrida, a viagem ao fundo do coração torna-se delicada. Sem ela, o ser humano se torna joguete de forças cegas e, se religioso, pessoa de superficialidade. “Tornamo-nos estranhos a nós mesmos. O percurso para dentro de nossa interioridade não é só terapêutico para a nossa cultura do barulho, mas também vem a ser um caminho voltado para o acolhimento, para uma nova civilização do amor. O caminho para dentro de nossa interioridade e para o silêncio torna-se, então, o testemunho de uma opção de vida alternativa” (p. 5). Muito bem dito: não podemos seguir a onda. O caminho do coração é uma alternativa em nossos tempos. Precisamos tomá-lo.

São Francisco de Assis em meditação,
de Zurbaran.
Não falamos de um silêncio apenas material, do não falar ascético, frio, nem do orgulhoso mutismo, mas de uma aquietação que começa com o silenciamento de nosso ego e o desejo de deixar a verdade e o amor penetrarem em nossas entranhas. “Como o ar, meio em que aparece a luz e vibram uma infinidade de ondas, como o fogo, que aquece e ilumina, como a água que purifica e desaltera, como a terra, enfim, que nos carrega e nos alimenta, o silêncio é um elemento vital, indispensável para nossa subsistência espiritual, para nosso equilíbrio interior, para a paz e inteligência do coração e da alma. Mas é também um elemento raro, sutil, frágil, que se deve querer encontrar, saber procurar e, em seguida, fertilizar com toda doçura, para que permaneça vivo e fecundo. O ar viciado é irrespirável, o fogo sem controle morre ou, ao contrário, devora tudo, a água poluída se transforma em veneno e a terra não tratada fica estéril; da mesma forma o silêncio – e a solidão à qual está vinculado – precisa ser desejado, respeitado e cultivado com atenção e paciência para tornar-se espaço puro de concentração de meditação e de sonhos com os olhos abertos” (Sylvie Germain).

Há muitas modalidades de silêncio: o silêncio delicado que respeita o doente que quer dormir e a criança que mal e mal pegou no sono; o silêncio de quem guarda um segredo ou não quer denegrir a imagem do outro com palavras verdadeiras, mas que não precisam ser ditas; o silêncio do cirurgião quando realiza uma delicada e perigosa operação. Há o silêncio estático do homem que busca a Deus, se embrenha no deserto, tenta auscultar o mistério de seu próprio interior, onde o murmúrio do silêncio ecoa como se fosse uma brisa suave. Há esse exercício do silêncio exterior para se chegar à aquietação interior, a um vazio que permita ao Espírito agir em nós e de não sermos meros seres apressados, correndo de um lado para o outro sem ouvir a voz do Amado. Não podemos, como diz Francisco, perder o “espírito do Senhor”.

Francisco de Assis, na verdade, vivia o enlace amoroso com o Senhor no claustro do mundo, mas sentia-se atraído pelo silêncio das cavernas e das grutas. Assim escreve Michel Hubaut: “Em suas biografias podemos encontrar dezoito lugares de vida eremítica que encontrou ao longo de suas andanças. Francisco que era capaz de visitar num só dia, a pé ou montado num burrico, quatro ou cinco vilarejos, passou semanas inteiras na solidão e na oração. Sentia sede de Deus, como também sede pela salvação de seus irmãos. Sede de silêncio e sede de colóquios. Estes regulares mergulhos no silêncio ensinaram-no a conservar no meio do mundo aquele santuário interior no qual ele adorava a presença do Senhor. Convida-nos a fazer de nosso corpo a “sala do alto” onde haveremos de receber a visita do Espírito. Silêncio e interioridade: as duas coisas são para Francisco mais um despertar do coração do que um retiro espacial: ‘Onde quer que estejamos e para onde quer que andemos levemos sempre conosco nossa cela. Nossa cela é o nosso irmão corpo e nossa alma é o ermitão que mora nessa cela para rezar e meditar’”(Legenda Perusina, 80). (Hubaut. El caminho franciscano, p. 58).

O silêncio nos ajuda a guardar a lembrança de Deus. Não é mutismo porque ele favorece, ao mesmo tempo, a relação com Deus e entre os irmãos. Os buscadores de Deus, profissionais como os religiosos e os monges, querem manter viva a lembrança de Deus. Um autor descreve o silêncio dos cistercienses: “Chamado a viver uma autêntica ‘espiritualidade de comunhão’, segundo o desejo de João Paulo II, o monge procura o silêncio porque é pelo e no silêncio que ele pode viver a lembrança de Deus. O monge se recorda! Ele é o homem da memória, da memoria Dei. É convidado a viver ‘na constante lembrança de Deus’. Na Bíblia, o grande pecado é o esquecer Deus. Daí o terrível grito do profeta: ‘Eles me esqueceram!’. E, no livro do Deuteronômio, há essa forte acusação: ‘Esqueceste o Deus que te colocou no mundo’ (Dt 32, 19). Uma das principais missões do monge não seria exatamente de manter viva a lembrança de Deus? Não que os mosteiros sejam os únicos lugares onde se vive verdadeiramente a lembrança de Deus. Verdade, no entanto, que o mosteiro é concebido para colocar o monge nas melhores disposições para que ele possa lembrar-se de Deus, assim como a esposa se recorda do esposo” (Paul Houix, o.c.s.o. in La Vie Spirituelle, julho de 2012, p. 312).

Em nossa vida franciscana, de maneira bem prática, saberemos cultivar o silêncio. Há esse silêncio da casa, do quarto, da cela, da capela, silencio exterior que nos leva à quietude interior. Há a recitação do Ofício das Horas com calma, interrompida pelo silêncio entre um salmo e outro, entre um leitura e um responsório, precedida por momentos de silêncio. Há a celebração da Eucaristia que transforma nossa vida. Degustamos momentos de silêncio na sacristia antes de nos dirigirmos ao altar. Há essa discrição nas conversas no refeitório. Há essa prudência de não falar para fora o que precisa ficar dentro. Há todos esses momentos de silêncio previstos nas celebrações. Nós, franciscanos não somos monges, mas não podemos deixar a porta do interior escancarada… Precisamos sentir a brisa suave do silêncio…

“Talvez em nossos tempos dever-se-ia falar de um esmolar do silêncio, de uma busca do silêncio. Quem sabe falar mesmo de uma conquista do silêncio. Talvez conquista seja uma palavra pouco apropriada, porque estaria associada a furor, barulho. Os conquistadores podem ser barulhentos e quase furiosos. Melhor falar em busca do silêncio, perseguir o silêncio, abastecer-se do silêncio. O excesso de barulho nos projeta fora de nós mesmos, aliena. Na simbologia cristã, o barulho, fazendo com que estejamos fora de nós mesmos, nos impede o acesso para as fontes mais profundas. O silêncio, então, é plenitude. O silêncio místico cristão nunca é abismo, nem vazio, nem negação de desejo. No silêncio há uma Palavra. À sombra do silêncio, no silêncio interior, para além dos desvios do espírito surge uma outra palavra. Insinua-se uma presença que fala e pede ao coração que continue a estrada. O silêncio é como uma porta que se abre para outros mundos, ou simplesmente para o Outro que habita em nós. Para isso será preciso dar tempo ao silêncio, ir além dessa necessidade narcisista dele. Necessário sempre de novo que nos tornemos humanos”(André Beauchamp, Les bruits du monde, in Christus, 194, p. 142). O silencio nos humaniza!

Vamos terminar retomando o texto da Ordem dos Frades Menores que nos fala do caminho que leve ao lugar do coração: “São Francisco convida-nos a ‘conservar no coração os segredos do Senhor’ (Adm 28,3), através da paz e da meditação, sem nervosismos, nem dissipação (Adm 27,2). Insiste sobre a cela interior a carregar sempre conosco. O silêncio a ser observado é aquele do Evangelho, que evita palavras ociosas e inúteis no fruto da oração. Assim nos tornaremos sempre mais ’unificados’ no coração e a partir do coração. A Virgem Maria é modelo para aqueles que acolhem a Palavra, a guardam no coração e a vivem todos os dias” (p. 10). T

domingo, 12 de maio de 2013

Quando ouvir falar de anjos, esteja atento a esses detalhes




Encontrei na Revista “Cavaleiros da Imaculada“, um texto interessante sobre essa moda dos anjos que existe hoje em dia, que foi escrito pelo Pe. Frederico Dattler. E esse texto tem tudo a ver com esse estudo sobre os Anjos Maus ou demônios, pois muitas vezes as pessoas acabam buscando os anjos errados por causa de informações confusas.

Mas vamos ao texto:Nas concepções atuais sobre anjos, divulgadas por revistas, livros, palestras e muitos outros meios, existem verdades que vieram da Doutrina Católica, mas existem também muitas idéias confusas, vindas, por vezes, de um misticismo superficial e sentimentalista.

É muito comum ouvirmos falar sobre os ¨nomes¨ dos anjos. Certas publicações chegam a apontar listas numerosas de nomes, indicando inclusive a ¨especialidade¨ de cada um: ajudar médicos, advogados, pessoas que atuam em ciências exatas; auxiliar-nos quando passamos por necessidades no campo amoroso, financeiro, profissional, familiar… Segundo essas publicações, existem mesmo ¨horários mais fáceis¨ para estabelecermos contato com esses anjos, e, de acordo com a data de nascimento de cada pessoa, é-lhe designado um ¨anjo protetor¨.

Ora, na Sagrada Escritura, há algumas revelações sobre o mundo angélico, mas nada que chegue a esses níveis de ¨detalhes¨. Assim, conhecemos os nomes de três Anjos - Miguel, Gabriel e Rafael – E a igreja só reconhece como legítimos, os nomes desses três anjos; o primeiro é o Anjo que derrotou o ¨dragão¨, comandando os anjos bons na batalha contra os anjos maus, e também prestou auxílio a Daniel (Ap 12,7e Dn 10,12-21); o segundo é o anunciador dos nascimentos de João Batista e de Jesus (Lc 1,19-26); e o último acompanhou Tobias em sua viagem (Tb 12,15). Através da Tradição e dos estudos dos teólogos, baseados nas revelações da Bíblia, temos um maior aprofundamento na doutrina sobre os anjos, que teve grande impulso através de São Tomás de Aquino, um dos maiores teólogos da Igreja, que recebeu o título de ¨Doutor Angélico¨ devido a esses seus estudos.

Temos de tomar cuidado com essas publicações que andam por aí, pois muitas delas, mais do que esclarecer, podem confundir-nos.Quem vai pelas indicações da igreja tem sempre um caminho seguro. Se você deseja saber sobre os anjos, não procure essas revistas tolas. Procure os documentos da Igreja para ter respostas realmente esclarecedoras.

Fonte:http://www.arcanjomiguel.net
 

 

Sua casa será visitada por anjos pelo poder da oração


Se sua casa se tornar um santuário de oração, acredite: ela será visitada por Anjos. Mais ainda: o Anjo da guarda estará muito presente nela. Você não estará sozinho.

Muitas vezes, estragamos tudo porque queremos fazer as coisas por nós mesmos. É preciso que aconteça radicalmente o contrário. Ore, peça, interceda e tenha certeza: o próprio Senhor vai fazer com que o Anjo da guarda de cada pessoa da sua família entre em ação para trazer a paz, a concórdia, a libertação e a saúde de que precisam.

Quanto à educação das crianças: confie seus filhos ao Anjo da guarda de cada um deles; peça a este [Anjo] que lhe dê sabedoria para educá-los, e ele irá derramá-la em sua mente e em seu coração; também vai corrigi-lo em coisas que você não deve fazer. Se você ouvi-lo e obedecê-lo, obterá a sabedoria de que precisa para educar os pequenos.

Se as coisas vão de mal a pior é porque nossa vida e nossa casa não têm sido um lugar de oração; pelo contrário: nosso lar tem sido local onde todo o mundo xinga, briga, se ofende; onde há muita pornografia, adultério... e onde, infelizmente, não se reza.

Chegamos ao ponto de ver pais que têm vergonha de abençoar seus filhos. E filhos que não sabem pedir a bênção aos genitores. As pessoas têm vergonha até de fazer o sinal-da-cruz... Adoram a televisão: passam horas diante dela... e toda espécie de sujeira entra pelos olhos, ouvidos e coração. Com tudo isso, é claro, não se consegue ter tempo para rezar um terço, para unir a família em oração, para ler a Bíblia. Tem-se vergonha de Deus! Por isso as coisas vão de mal a pior.

Tudo vai depender de você. Se os outros não querem rezar, disponha-se a fazê-lo: reze você! E saiba: além dos Anjos de Deus, infelizmente a Palavra nos diz que existe uma multidão de espíritos malignos, de anjos decaídos – desobedientes e rebeldes – que estão também ao nosso redor. Vejamos na Carta de São Paulo aos Efésios:
“Para terminar, armai-vos de força no Senhor, da sua força onipotente. Revesti-vos da armadura de Deus para estardes em condições de enfrentar as manobras do diabo. Pois não é o homem que afrontamos, mas as Autoridades, os Poderes, os Dominadores deste mundo de trevas, os espíritos do mal que estão nos céus. Lançai mão, portanto, da armadura de Deus, a fim de que no dia mau possais resistir e permanecer de pé, tendo recorrido a tudo” (Efésios 6,10-13).

Compreenda: você não luta contra seu marido que bebe; nem contra sua mulher que caiu na infidelidade ou contra seu filho que entrou para o mundo das drogas. O maior perigo não são as forças humanas, mas as forças espirituais do mal. São espíritos malignos que querem nos destruir. Destruir casamentos, nossos lares, nossas famílias.

O grande segredo é compreender que não somos nós que lutamos contra os espíritos malignos, nem temos forças para enfrentá-los. Seríamos tolos se quiséssemos fazer isso. Quem luta contra eles são os Anjos do Senhor. Quem os sustenta na batalha somos nós, com nossas orações. Anjos bons lutam por nossa causa, para nos defender. É disso que São Paulo nos fala: “Há uma luta espiritual nos ares, nesse mundo de trevas”. E como daremos a vitória aos Anhos que lutam por nós? A resposta está no mesmo capítulo do livro de Efésios:
“Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos” (Efésios 6,18).

Aí está a solução: “Intensificai as vossas invocações e súplicas por todos os cristãos”.Como Tobit e Sara, apresentemos a Deus o nosso coração angustiado e nossos problemas. Oremos ao Senhor para que os Anjos possam guerrear a nosso favor, e a vitória acontecerá.

(Trecho do livro "Anjos: companheiros no dia-a-dia" de monsenhor Jonas Abib.). Fonte: http://www.arcanjomiguel.net

Os novos espaços de evangelização

O evangelho deste domingo da Ascensão do Senhor mostra-nos que a paixão e a ressurreição de Jesus desembocam na pregação apostólica, universal, a partir de Jerusalém. Os discípulos, depois de fazerem a experiência do encontro com o Senhor, são chamados a sair pelo mundo para serem testemunhas do que viram e ouviram.
O mundo é o lugar onde estão as pessoas concretas que esperam a Palavra transformadora que sacia a sede e a fome de amor, de esperança, de justiça, de paz, de misericórdia, de fraternidade, enfim, de um sentido profundo para a vida.
O espaço de evangelização é onde estão os seres humanos, homens e mulheres, transitando, trabalhando, estudando, intercambiando e se relacionando. Hoje, com o avanço das novas tecnologias, especialmente da sociedade em rede de computadores, as pessoas não estão somente situadas em áreas geográficas. O "continente digital" é também o lugar onde se encontram os destinatários da missão evangelizadora.
"Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização" é o tema que Bento XVI escolheu para o 47º dia mundial das comunicações. Na sua mensagem, o papa tem presente que a internet não é instrumento de comunicação a mais, mas é, de fato, uma cultura que veio para ficar. De modo especial, as redes sociais digitais se compõem num ambiente onde milhões de seres humanos interagem e no meio dos quais os cristãos são chamados a imprimir o seu estilo de vida iluminado pelo Ressuscitado.
Animado pela mensagem da ressurreição e no contexto do Ano da Fé, possamos renovar nosso compromisso com o evangelho de vivê-lo e de levá-lo a todos, também no mundo digital, no esforço  contínuo de construir uma vida digna para todos à luz das palavras e ações de Jesus.

Comentário do Pe. Valdir José de Castro, ssp 12/05/2013

sábado, 11 de maio de 2013

Oração de Jesus

"Pai, chegou a hora: glorifica teu Filho, para que teu Filho o glorifique, e que pelo poder que lhe deste sobre toda carne, ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste!
Ora! a vida eterna é esta: que eles reconheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo.
Eu te glorifiquei na terra, concluí a obra que me encarregaste de realizar.
É agora, glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse.
Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e os deste a mim e eles guardaram tua palavra. Agora reconheceram que tudo quanto me deste vem de ti, porque as palavras que me deste eu as dei a eles, e eles as acolheram e reconheceram verdadeiramente que saí de junto de ti e creram que me enviaste.
Por eles eu rogo; não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus, e tudo o que é meu é teu e tudo que é teu é meu, e neles sou glorificado.
Já não estou no mundo; mas eles permanecem no mundo e eu volto a ti. Pai santo, guardo-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós.
Quando eu estava com eles, guardava-os em teu nome que me deste; guardei-os e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para cumprir-se a Escritura.
Agora, porém vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria. Eu lhes dei tua palavra, mas o mundo os odiou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo.
Não peço que os tireis do mundo, mas que os guarde do Maligno.
Eles não são do mundo como eu não sou do mundo.
Santifica-os na verdade; tua palavra é verdade. 
Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
E, por eles, a mim mesmo me santifico para que sejam santificados na verdade.
Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim: a fim de que todos sejam um.
Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o  mundo creia que o mundo me enviaste. Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um:
Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim.
Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me destes, porque me amaste
antes da fundação do mundo.
Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci e estes reconheceram que tu me enviaste. Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhecê-lo,
a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles".


Bíblia de Jerusalém - João 17, 1-26

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Maio: O mês da Virgem Maria




Por Franbezant, OFMConv.


Um dos mais belos elogios que se têm feito da Santíssima Virgem é sem dúvida aquele que Dela fez Santo Ambrósio nas palavras que acabamos de citar: a vida de Maria pode servir de regra a todas as vidas. É debaixo d’este ponto de vista, tão fecundo em lições práticas, que eu quereria estudar, durante este mês abençoado, a vida de Maria. Contemplá-la-emos então, alternadamente,como o modelo de todas as pessoas, das esposas, das mães de família, das viúvas, das pobres, das almas piedosas, como nosso modelo enfim em todas as condições da vida. Hoje, para introdução às instruções que vão seguir-se, tentemos responder a estas duas questões cuja solução não pode deixar de ser interessante: o que é o mês de Maria? Quais são os meios de aproveitarmos dele?


O que vem a ser o mês de Maria? O mês de Maria é um mês especialmente consagrado a honrar a mãe incomparável de Deus e dos homens. A alma, nestes dias, diz-lhe de que amor arde por Ela, de que amor mais vivo ainda Ela deseja ser abrasada; diz-lhe com que impaciência espera o momento em que a há de amar sem interrupção e sem receio, com os coros celestes, com a assembleia dos bem-aventurados. Assim a alma preludia o amor da eternidade.


O mês de Maria é um mês consagrado a meditar os privilégios insignes da Mãe de Jesus, e estes privilégios são admiráveis: predestinada desde a eternidade, estava presente no pensamento de Deus, no seu amor e na sua ternura, antes da origem dos séculos; estava presente aos conselhos da sua omnipotência e da sua sabedoria, quando criava o mundo e se dispunha a torná-lo a morada do homem; aos conselhos da sua misericórdia, quando deixava cair sobre Adão a sentença da sua justiça mitigada pelas promessas de perdão; aos conselhos da sua providência paternal, quando escolhia um povo, quando abençoava os patriarcas, quando iluminava os profetas e preparava as nações para a vinda de seu Filho. Maria era o objeto especial da predileção divina, quando era concebida isenta da mácula comum a todos os homens; prevenida da superabundância das graças celestes; saudada simultaneamente como mãe de Deus e Virgem imaculada; quando participava da efusão do Espírito Santo sobre os apóstolos; quando morria cheia de dias e inebriada de esperanças; quando ressuscitava antes do fim do tempo para ir assentar-se triunfante sobre um trono mais elevado que o trono dos Querubins, Rainha dos Anjos, Mãe dos justos e Advogada dos pecadores. Tudo é privilégio nesta criatura maravilhosa. A alma admira-a sobre a terra e sente desfalecerem as suas forças; o espírito contempla-a e reconhece a sua fraqueza; para contemplar Maria, para A admirar, são precisos os esplendores e a vida da eternidade.


O mês de Maria é um mês consagrado ao estudo das doces e heróicas virtudes da Filha mais perfeita do Rei dos reis, do santuário por excelência do Espírito Santo; um mês consagrado ao estudo da sua doçura, da sua modéstia, da sua humildade, da abnegação de si própria, do seu desprendimento e do seu desprezo do mundo, do seu zelo pela oração e coisas de Deus, da sua compaixão pelos pobres e pecadores, da sua caridade para com Deus, do seu amor da cruz e da vida escondida, de todas as virtudes enfim de que a sua alma estava cheia, como estava cheio de flores embalsamadas o jardim de delícias sob a Mão de Deus. Estudar estas virtudes é neste mundo a sabedoria; imitá-las é a vida; implantá-las no seu coração é a beatitude antecipada, é a aurora da celeste eternidade.


O mês de Maria é um mês consagrado a orar à Protetora dos cristãos, ao refúgio dos pecadores; um mês em que, com mais fervor, o pecador implora a sua conversão; o justo, a perseverança; a alma entregue à tentação, a vitória; a alma submetida à prova, a coragem e o alívio dos seus males. Que força não tem a oração a Maria, o apelo à sua misericórdia e ao seu poder! Mas a oração é o grito da indigência, da necessidade, da fraqueza, da angústia para a que é rica, forte, generosa, terna e compassiva; é o grito da criança para a sua mãe. Orar a Maria é premunir a alma contra os perigos do presente e as incertezas do futuro. Só Deus conhece tudo o que a oração a Maria obtém de graças, de conversões, de benefícios inesperados, de triunfos sobre o mundo e sobre o inferno; só a assembleia dos santos pode contar aqueles a quem a oração a Maria conduz todos os dias para a cidade bem-aventurada.


E ainda dizemos mais: o mês de Maria é o mês das flores, o mês dos belos cânticos da natureza e dos seus mais puros perfumes. Não era justo que a piedade dos povos fizesse deste mês uma flor, um hino, um incenso de mais, oferecido Àquela que é o lírio imaculado da terra? Àquela cujo nome que per si é um cântico, uma melodia para o coração, e cujas virtudes espalham o odor da mirra, do cinamomo e do incenso? Esta piedade dos povos, a Igreja abençoou-a e propagou-a, e este mês de maio, o mais belo dos que nos dá a natureza, já não é chamado senão o mês de Maria. E em todas as paróquias católicas, nas cidades como nas mais humildes aldeias, celebra-se este mês de bênçãos. De todos os templos, de todos os santuários elevam-se acentos de amor em honra da Virgem bendita.


O mês de Maria é como que um prolongamento das santas alegrias da Páscoa, Passamos assim da mesa eucarística ao altar de Maria, dos braços de um pai ao coração de uma mãe. Cada uma das outras solenidades consagradas a Maria não nos rejubila senão um dia, e deixa cada noite uma saudade às nossas alegrias. Esta, celebramo-la todo um mês, e cada noite conservamos a doce segurança de a encontrarmos no dia seguinte. Sim, é durante trinta e um dias que se elevará, de todos os pontos do mundo, o nosso concerto de louvores e de amor em honra Daquela que é o amor do céu e da terra. Durante um mês inteiro encheremos os seus altares de lumes e de flores, e endereçar-lhe-emos as nossas filiais orações. Do trono que lhe tiverem elevado as nossas mãos, do meio da auréola com que nós tivermos cercado a sua meiga imagem, vê-la-emos sorrir para os nossos votos, para as nossas homenagens, para as nossas confiantes invocações. Salve, pois, mês bendito, tocante festa celebrada em honra Daquela que é a nossa irmã e a nossa Mãe, nossa vida, doçura e esperança nossa. Formoso mês de Maria, mês dos seus favores mais especiais, prolonga então o teu curso; que as tuas horas amadas decorram lentamente, porque Maria é a nossa mãe, e é doce para os filhos repousar no regaço da sua mãe! Ela é a fonte das graças, e nós temos tanto que pedir! T


#ReflexõesFranciscanas

Semana Franciscana: Inscrições abertas em Piracicaba - SP



[Franciscanos] Tendo à frente como diretor Frei José Carlos Corrêa Pedroso, OFMCap., um dos grandes mestres da Espiritualidade Franciscana e Clariana, o Centro Franciscano de Espiritualidade de Piracicaba abre inscrições para a Semana Franciscana 2013, um curso que será oferecido de 15 a 20 de julho.

O tema deste ano será: “Clérigos, leigos e religiosos na Idade Média” e será ministrado pela professora Andreia Cristina L. Frazão da Silva, doutora em História Social pela UFRJ, e é aberto a todos religiosos e leigos que tenham interesse em aprofundar seus conhecimentos sobre as diferentes formas de vida religiosa e suas espiritualidades.

Andreia é uma das coordenadoras do Programa de Estudos Medievais (PEM) da UFRJ e atua na área de história medieval, com ênfase em Historia Comparada e Estudos de Gênero Pós-estruturalistas. Suas principais temáticas de pesquisa são a hagiografia medieval, o fenômeno da santidade, a Igreja papal, as práticas da religiosidade, a espiritualidade laica, os discursos de gênero e os centros de produção intelectual, privilegiando como recorte espaço-temporal as penínsulas ibérica e itálica nos séculos XI ao XIII.

O curso, que tem a coordenação de Frei José Carlos Corrêa Pedroso, capuchinho da Província da Imaculada Conceição de São Paulo, tem mais informações no site do Centro. Para conhecer a ementa, outras informações e fazer a inscrição, acesse: http://centrofranciscano.org.br/semana-franciscana-2013. Caso queira mais informações, envie e-mail para contato@centrofranciscano.org.br ou ligue para (19) 3422- 5302.

O Centro de Espiritualidade

O Centro Franciscano de Espiritualidade está localizado no antigo Seminário Seráfico São Fidélis, em Piracicaba, São Paulo-SP. Nele mora uma fraternidade, que também ajuda no atendimento pastoral da região.

Em suas instalações estão abrigadas também: A Biblioteca da Província; O Museu da Província; A sede do trabalho vocacional da Província. Seu encarregado faz parte da fraternidade.

A casa, uma das mais tradicionais da Província, também está aberta à hospedagem dos frades e de seus parentes e amigos. T