quinta-feira, 13 de junho de 2013

O culto da Eucaristia


A fé na presença real de Cristo na Eucaristia levou a Igreja a tributar culto de latria (quer dizer, de adoração), ao Santíssimo Sacramento, tanto durante a liturgia da Missa (por isso indicou que ajoelhemos ou nos inclinemos profundamente ante as espécies consagradas), como fora da celebração: conservando com o maior cuidado as hóstias consagradas no Sacrário (ou Tabernáculo), apresentando-as aos fiéis para que as venerem com solenidade, levando-as em procissão, etc. (cf. Catecismo, 1378).
A Sagrada Eucaristia conserva-se no Sacrário [2]:
- Principalmente para poder dar a Sagrada Comunhão aos doentes e a outros fiéis impossibilitados de participar na Santa Missa.
- Além disso, para que a Igreja possa prestar culto de adoração a Deus Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento (de modo especial durante a Exposição da Santíssima Eucaristia, na Bênção com o Santíssimo; na Procissão com o Santíssimo Sacramento na Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, etc.).
- E para que os fiéis possam adorar sempre o Senhor com frequentes visitas. Neste sentido, afirma João Paulo II: «A Igreja e o mundo têm grande necessidade do culto eucarístico. Jesus espera por nós neste Sacramento do Amor. Não nos mostremos avaros com o nosso tempo para nos irmos encontrar com Ele na adoração, na contemplação cheia de fé e pronta para reparar as grandes culpas e os crimes do mundo. Não cesse nunca a nossa adoração» [3].
Há duas grandes festas (solenidades) litúrgicas em que se celebra de modo especial este Sagrado Mistério: a Quinta-Feira Santa (comemora-se a instituição da Eucaristia e da Ordem Sagrada) e a solenidade do Corpo e do sangue de Cristo (destinada principalmente à adoração e à contemplação do Senhor na Eucaristia).

João Paulo II, Carta Dominicae Cenae, 3.

Santo Antonio, o Guerreiro de Deus

domingo, 9 de junho de 2013

Jesus revela o rosto de Deus

Mediante sua mensagem, Jesus nos revela o rosto misericordioso e compassivo de Deus. O Deus da vida, pela prática do se Filho, vem em socorro da viúva que perde o único filho, a sua última esperança. a bondade de Jesus não se reveste de caráter puramente sentimental, mas é sobretudo força que faz viver: "Jovem, levante-te". Deus manifesta o seu amor e ternura nas ações de Jesus em favor das pessoas sofridas e marginalizadas, resgatando-lhes a dignidade e a alegria de viver.
A viúva de Naim representa a humanidade necessitada da proteção divina na luta pela vida. Conforme o salmista, Deus é o protetor das viúvas e caminha à sua frente(Sl 68,6). Ao ver a viúva, Jesus sente compaixão por ela e lhe diz: "Não chores". Ele é capaz de perceber e sentir quando alguém está sofrendo e vem ao encontro da dor humana.
Há muitas pessoas e organizações que, em nome do Deus de Jesus,  continuam realizando as mesmas ações do Mestre. É gratificante ver grupos empenhados em achar caminhos para evitar que corpos jovens sejam friamente eliminados. Esses gestos de carinho e de resgate da dignidade atestam que Deus continua visitando seu povo.
Continuamos vendo, em nossos dias, mães perdendo o "filho único" por causa das drogas, do trânsito assassino,  da violência. Muitos corpos ainda jovens, com energia, vigor e uma vida pela frente, estão sendo ceifados pela morte prematura. Infelizmente nossa sociedade continua "roubando" filhos de mães e viúvas sem perspectiva de futuro.
Jesus é o rosto de Deus que ama a vida e se põe ao lado daqueles que a têm ameaçada. A igreja, fiel ao Mestre, firma posição junto daqueles que estão com a vida em perigo. Seguir os passos de Jesus significa trilhar o mesmo caminho e assumir as mesmas atitudes.
A todos os que vivem o drama da dor e do sofrimento sem saída, somos convidados a anunciar - em Jesus Cristo e com gestos de solidariedade - a esperança e o otimismo de viver.

Pe. Nilo Luza, ssp sobre o Evangelho deste domingo 09/06/2013

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Um coração que não cabia no peito


Elevado na Cruz, entregou-se a nós com imenso amor. E de seu lado aberto pela lança fez jorrar, com a água e o sangue, os sacramentos da Igreja para que todos, atraídos ao seu Coração, pudessem beber com perene alegria na fonte salvadora (Prefácio do Sagrado Coração de Jesus).

Somos discípulos do Senhor. Muitos nascemos em famílias cristãs e, desde nossa mais tenra infância, aprendemos a contemplar imagens e gravuras do Coração de nosso Mestre e Senhor. Ousaria afirmar que uma das primeiras manifestações do Senhor ao nosso coração se deram através do olhar que lançamos para estas gravuras, por meio da quais o Senhor nos olhou. Quem sabe, ainda em nosso berço, com poucos meses de vida, já aninhávamos dentro de nós esse Jesus com traços de grande amor e de infinita misericórdia. Somos cristãos, encontramos abrigo na fresta do peito aberto do Senhor.

Antes de mais nada fazemos uma observação quase trivial. Gostamos de dizer a quem amamos de verdade: “Eu te amo de todo o meu coração!” Uma tal declaração não pode ser entendida como mera expressão de sentimentalismo. Quando queremos bem a alguém de verdade queremos significar que a pessoa pode contar conosco, com nossos cuidados, nossa ajuda, nosso apreço, com o que tivermos de melhor. Ela pode bater à porta quando quiser, poderá receber ajuda na solução de seus impasses e, eventualmente, estamos até prontos para perdoar. Os que amamos de todo o coração não esquecemos, estão presentes em nossas orações, eles contam aos nossos olhos. De alguma forma, podemos dizer damos a vida por eles.

Ora, declarações e posturas de Jesus, consignadas nos evangelhos, estão a nos dizer que Jesus é a expressão mais nítida e acabada de um Senhor grande e belo que nos ama. Ele veio na noite dos tempos viver nossa vida, percorrer os caminhos que são os nossos, beber da água de nossas fontes, olhar e contemplar os dourados campos de trigais, anunciar um tempo de graça, pedir a transformação de nosso interior, que deixemos as desavenças e tentemos fazer e construir uma terra de irmãos e de reconciliação. Com amor eterno, esse Jesus, expressão acabada do amor do Pai, se volta para nós.

Encanta-nos ouvir a parábola do samaritano que é bom. Ele vai pelos caminhos do mundo. Vê o que se passa à sua volta. Observa com um coração pleno de atenção. Vê esse ser humano entre a vida e a morte, na desesperança. Toma o tempo necessário. Desce da montaria. Socorre o indigente. Leva-o para um espaço onde possa ser curado. Cobre as despesas. Promete ao dono da hospedaria voltar e pagar novas despesas. Ama desinteressadamente. A tradição sempre identificou este homem com o Cristo que ama os jogados à beira da estrada. Muitos fazemos essa experiência, a de perdição, de morte à vista de um universo sem luz. Fazemos a dolorida experiência do pecado e da solidão. O samaritano bom é aquele que tem o peito aberto e nos prodiga o perdão, levanta-nos do desânimo e nos leva para albergue do seu coração aberto pela lança do soldado. Lá é a hospedaria. Os custos pelo cuidar de nós foram vultosos e pagos no madeiro da cruz.

Outra cena. Outro momento em que a bondade do Senhor se manifesta. Uma cena entre muitíssimas outras. Aquele homem devia ser jovem. Havia escutado o Mestre e se encantado com seus gestos e suas palavras. Chega perto e pergunta: “Mestre, que devo fazer para ingressar nesse mundo de beleza que é o teu?”. “Tu simplesmente observarás os mandamentos do amor”, respondeu o Mestre. E o jovem: “Desde a minha infância observo de coração os mandamentos”. E Jesus o olhou com amor. Um homem reto que tocou o coração do Senhor, o coração daquele que veio para amar de todo o coração. Pena que esse jovem não tenha tido a coragem de ir até o fim, de deixar tudo e seguir com toda radicalidade o Mestre que tinha um coração que não cabia em seu peito.

Uma terceira cena. Esta se passa no espaço do Calvário. Jesus e salteadores tinham sido presos a cruzes. O Mestre não tem mais posição na cruz. Não sabe até quando poderá aguentar. Um ladrão dirige-lhe a palavra. Pede-lhe um passaporte para entrar no mundo novo de que falava o Mestre da cruz do centro. “Hoje mesmo estarás comigo no mundo novo, tudo que andaste por caminhos travessos. Passada esta tormenta estaremos juntos no mundo do meu Pai”.

Comemorar a solenidade do Coração do Redentor é contemplar esses gestos de bondade do Deus belo que foram colocados por Jesus. É ter a certeza de que continuamos sendo lavados pela água do Coração e alimentados pelo sangue que correu dessa santa e abençoada Fenda na estalagem da Igreja.

Os que têm consciência de terem sido objeto do amor deste imenso Coração entram num caminho de arrependimento e gastam o tempo de sua vida em tornar o Amor amado. Celebrar a solenidade do Coração do Senhor é tomar consciência de que este peito amou desmedidamente.

Os homens, contemplando o peito aberto de Jesus na Cruz, puderam compreender até que ponto Deus nos ama. “No Calvário tudo parecia acabado; e é verdade para os que crucificaram Jesus; mas o discípulo amado compreende que tudo começa agora num plano mais elevado. Vê o pleno significado daquele sacrifício: o verdadeiro Cordeiro foi imolado na verdadeira Páscoa para a mais verdadeira e plena libertação dos homens da escravidão do ódio, do mal, do pecado: “Aquele era um dia solene!” É o amor que triunfa, que “se abre” (o coração traspassado é o símbolo disso) para derramar sobre os homens as fontes da graça (o sangue e a água, símbolo dos sacramentos) e finalmente os homens verão e compreenderão com que Deus os amou (…). A celebração de hoje é uma exaltação é uma exaltação do Amor, mostra que tudo é devido ao amor; da criação à redenção, o eterno destino de glória na plenitude do Amor-Deus. Nada mais viril, nada mais forte do que o amor divino-humano do Cristo, nada mais valoroso, mais nobre do que reconhecer e retribuir este amor.” T



quinta-feira, 6 de junho de 2013

+ de 50 mil visitas!!!

Nosso Muito Obrigado, chegamos a mais de 50 mil acesos. Que o nome de Jesus seja louvado e exaltado sempre, sempre, sempre...

FILHOS ESPIRITUAIS DE PE. PIO

terça-feira, 4 de junho de 2013

Os Sagrados Corações: Culto ao amor divino


Por Frei Paulo Maria, OFMConv.

No dia 07 deste mês de Junho, a Santa Mãe Igreja nos convida a manifestar um culto de adoração ao Sagrado Coração de nosso amado Deus e Senhor Jesus Cristo e, no dia seguinte, a ofertar o nosso amor e devoção ao Imaculado Coração da Virgem Maria. Culto belíssimo da tradição da Igreja, que desde os primeiros séculos já nutria grande devoção para com o Coração de Jesus, pois como já afirmava o Papa Santo Alexandre I, "A Igreja nasceu da Chaga do Lado de Cristo" e segundo Santo Irineu de Lião: "A Igreja é a fonte de água viva que, para nós, emana do Coração de Cristo."

O culto ao Coração de Jesus se estendeu por toda a história da Igreja. O motivo dominante desta memória é o amor de Jesus pelos homens e pelo Pai. É, portanto, o culto ao Amor Divino. O coração, frequentemente citado como órgão da vida afetiva, representa o amor. Muitos atribuem a ele a condução da vida e a tomada de decisões; por isso, nos ensina Jesus no Santo Evangelho: "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração." (Mt 11,25).

Nosso Senhor, manifestando-se a Santa Margarida Maria Alacoque, disse: "Roga-me pelo amabilíssimo Coração do meu divino Filho Jesus; por este coração ouvir-te-ei, e quanto me pedires alcançarás." Tal foi  a doce promessa de Jesus a todos nós. Tudo nos seria concedido por meio do seu dulcíssimo Coração. Como não nos remetermos às palavras da Santíssima Virgem em Fátima, ao dizer que era desejo do próprio Deus estabelecer no mundo a devoção ao seu Imaculado Coração, como preparação para o advento de seu Filho e Nosso Senhor: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!" O que é o Imaculado Coração de Maria senão o do seu Divino Filho? O Coração da Virgem Maria e de seu Filho são um só, batem em consonância, trazem os mesmos sentimentos e vontade: a salvação das almas.

Cônscio da união entre os Corações de Jesus e Maria, o Papa Pio XII nos convida a unir estas devoções: "A fim de que a devoção ao Coração augustíssimo de Jesus produza frutos mais copiosos na família cristã, e mesmo em toda a humanidade, procurem os fiéis unir a ela estritamente a devoção ao Coração Imaculado da Mãe de Deus."

Neste sublime tempo, rezo pela intercessão de Santa Margarida Maria Alacoque: "Divino Coração de Jesus, adoro-Vos e amo-Vos tal como viveis no Coração de Maria, e Vos peço que vivais e reineis em todos os corações." T

Fonte: Revista Cavaleiro da Imaculada, Junho de 2012.


domingo, 2 de junho de 2013

Apareceu-me o demônio do lado esquerdo...

Certa vez, num oratório, apareceu-me o demônio do lado esquerdo, em abominável figura… Outra vez me atormentou durante cinco horas, com dores tão terríveis e desassossego interior e exterior, que me parecia insuportável… De muitos fatos cobrei experiência de que não há coisa de que mais fujam os demônios do que água benta… O fato é que já compreendi perfeitamente quão pequeno é o poder dos demônios contra mim, se eu mesma não for contra Deus. Por isto, quase não os temo. De nada valem suas forças, a menos que vejam almas covardes que abandonam a luta. Aqui mostram eles sua tirania.
Havia muito tempo que o Senhor me fazia muitas graças já referidas e outras ainda maiores, quando, um dia, estando em oração, achei-me subitamente, ao que me parecia, metida corpo e alma no inferno.
Entendi que o Senhor queria me fazer ver o lugar que os demônios aí me haviam preparado, e eu merecera por meus pecados. Durou brevíssimo tempo. Contudo, ainda que vivesse muitos anos, acho impossível esquecê-lo.
No inferno, o tormento interior é tal, que não há palavras para o definir, nem se pode entender como é realmente. Na alma, senti tal fogo, que não tenho capacidade para o descrever. No corpo, eram incomparáveis as dores. Tenho passado, nesta vida, dores gravíssimas. No dizer dos médicos, são as maiores dores que se podem suportar, como, por exemplo, quando se encolheram todos os meus nervos e fiquei tolhida. Já não falo de outras muitas dores de diversos gêneros, e até algumas causadas pelo
demônio. Posso afirmar que tudo foi nada em comparação com o que no inferno experimentei.
Sim, repito: tudo mais pode se chamar nada em relação ao agonizar da alma no inferno. É um aperto, um afogamento, uma aflição tão intensa, todos acompanhados de uma tristeza tão desesperada e pungente, que não sei como posso explicar semelhante estado! Compará-lo à sensação de que vos estão sempre a arrancar a alma é pouco. Em tal caso, seria como se alguém nos acabasse com a vida.
Aqui, no inferno, é a própria alma que se despedaça. O fato é que não sei como descrever aquele fogo interior e aquele desespero que se sobrepõem a tão grandes tormentos. Eu não via quem os provocava, mas sentia-me queimar e retalhar. Piores, repito, são aquele fogo e aquele desespero que me consumiam interiormente.
Não entendo como, sem claridade, n o inferno se enxerga tudo, causando dor nos olhos.
Lia que os demônios atenazam as almas e lhes infligem outros suplícios. Tudo é nada a respeito da verdadeira pena, que é muito diferente. Em uma palavra: é tão diferente quanto o esboço o é da realidade. Queima-se aqui na Terra é sofrimento muito leve em comparação com o fogo do inferno.
Em parte, nos queixamos sem motivo.
Sobre a inquisição: Poderiam levantar contra mim algum falso testemunho e me denunciar aos inquisidores. Achei graça na ideia. Fez-me rir porque, neste ponto, nunca temi. Tinha consciência de que, em matéria de fé, eu estava pronta a morrer mil vezes para não ir contra a menor cerimônia da Igreja ou por qualquer verdade da Escritura… Em bem mau estado andaria minha alma se nela houvesse coisa de tal natureza, que me fizesse temer a inquisição. Se eu imaginasse haver necessidade, seria a primeira a ir buscá-la.


Santa Tereza D'Avila