sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Nota de Falecimento: Frei Inácio Larrañaga, OFMCap.




(4 Maio 1928 – 28 Outubro 2013)
[OFMCap.] Durante o seu incansável trabalho pastoral, voltou à casa do Pai Celestial em Guadalajara (México), na manhã de 28 de Outubro de 2013, Frei Ignácio Larrañaga Orbegozo. Concluiu-se, assim, a sua vida dedicada a implantar o Deus vivo e verdadeiro nos corações das pessoas.

Frei Ignácio nasceu em Loyola aos 4 de maio de 1928. Ordenado sacerdote em Pamplona, foi poucos meses depois, mandado ao Chile, onde começa a desenvolver uma intensa atividade de evangelização. Em 1965 fundou o Centro de Estudos Franciscanos e Pastorais (CEFEPAL), dedicando-se por uma dezena de anos a uma grande animação franciscana pós-conciliar em vários países da América Latina.

Em 1974, no Brasil, começa com os retiros semanais chamados “Encontro-Experiência de Deus”, que ele conduziu incansavelmente por 23 anos com a participação de dezenas de milhares de pessoas.

Desde 1984 começou a obra mais importante de sua vida, as “Oficinas de Oração e Vida”, reconhecida pela Santa Sé como eficaz método da nova evangelização e à qual dedicou os últimos trinta anos de sua vida percorrendo mais de 40 países do mundo.

Frei Ignácio é autor de 16 livros traduzidos em mais de 10 línguas! Entre os mais importantes estão; “Mostra-me o teu rosto”, “O Irmão de Assis”, “O Pobre de Nazaré”, “Salmos para a vida”, “O Silêncio de Maria”, “Do sofrimento à Paz”, “Matrimônio Feliz” e a sua autobiografia espiritual “A Rosa e o Fogo”. T

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Piedade

A piedade é dom do Espírito Santo que dá ao homem o amor e o respeito às coisas religiosas, levando-o à oração e aos exercícios de piedade e às obras de caridades corporais e espirituais. A verdadeira piedade não leva ao desleixo das obrigações urgentes do estado de vida abraçado, para ficar o dia inteiro na igreja, descuidado das coisas do lar ou dos deveres de Estado. Assim, São Paulo chega a dizer que a piedade é útil para tudo. Por meio da piedade mantemos um contato contínuo com Deus na oração, mas sem pieguice nem esquisitices que mais incomodam os outros do que edificam. A verdadeira piedade sempre edifica e move o próximo à imitação.

Frei Danillo Marques da Silva, OFM

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O demônio odeia os padres

São João Crisóstomo, segundo me disseram, disse que o chão do inferno é acarpetado com os crânios dos padres. Eu nunca ter localizado a fonte. No entanto, quando ouvimos as palavras do Senhor sobre moenda e aqueles que os merecem, e nós ouvimos as suas palavras sobre "a quem muito é dado," parece que alguns sentem tremor perante está em ordem.


Sacerdotes, especialmente, devem ser aterrorizados por essas advertências. As oportunidades para a glória espetacular (não as do mundo) ou o perigo espetacular (também não o do mundo) confrontar, a cada dia, a cada homem ordenado único da Igreja Católica. Um bom sinal de que um sacerdote agarra a realidade de sua responsabilidade e o preço do fracasso é que ele faz uma hora santa diante do Santíssimo Sacramento todos os dias.

E os leigos católicos devem, devem, devem rezar pelos sacerdotes todos os dias. O diabo odeia os sacerdotes. Ele quer nada mais do que entregá-los simultaneamente ao desprezo do mundo e as dores eternas do inferno. Satanás não se cansa.

Relatos das falhas morais do clero, de párocos, continuam a envergonhar a Igreja e desencorajar os fiéis, e eles nos lembram de nossa obrigação de rezar pelos sacerdotes, para seu bem e para o bem daqueles cujas vidas eles tocam para uma melhor ou para o mal, o visível e o invisível.

Em todo o caos em ambos os lados do Atlântico, você pode ter perdido a infeliz notícia de que um membro muito respeitado e muito bem colocado do clero de uma importante Diocese da Costa Leste (EUA) foi acusado há um mês ou mais por venda ilegal de metanfetaminas .

Além disso, ele foi acusado de lavagem de dinheiro sobre as vendas em uma loja que vendia dispositivos destinados a facilitar a prática do desvio. Infelizmente, as taxas continuam: Este padre é acusado de ter cedido a esses desvios mesmíssimos na companhia de outros homens em sua casa paroquial.

(Eu não fornecerei o link da história pela simples razão de que, mesmo mencionando, corro o risco de provocar o apetite caído para a lascívia que Santo Agostinho chamou de "concupiscência dos olhos", que foi exponencialmente agravado pela Internet).

Se o conto sórdido provar ser um mal-entendido gigante, será outro terrível escândalo para a Igreja que terá que suportar, e que vai abalar a fé de quem se diz católico.

Quando ouço histórias como esta, lembro da observação de Belloc que, a prova de que a Igreja Católica é uma instituição divina é que, desde a crucificação, ela foi prosperando, apesar das deficiências daqueles a quem o Senhor a confiou os seus cuidado . No entanto, o suposto comportamento deste sacerdote particular é desanimador.

Isso é só a ponta do iceberg. No caso do padre das metanfetamina, a sua posição, influência e estatura em sua diocese não pode deixar de significar que o dano que ele causou é maior do que nós sabemos.

Ele foi secretário de dois bispos, e reitor da catedral. É uma incógnita quanto dano invisível este homem fez a partir dessas posições de autoridade diocesana. Quantos bons padres que ele impediu de se tornar pastores? Quantos hereges que ele viu nomeado para as escolas diocesanas? Quanta liturgia irreverente que ele causou ou permitiu, e quanta coisa na liturgia que ele atrapalhava? Quantas boas vocações que ele desencorajou?

Quantas almas não ouviram a doutrina católica ou não tiveram a sólida direção espiritual por causa deste sacerdote? Nós realmente não temos ideia do que mais fez este home. Ore para as vítimas de abuso sexual clerical. Ore para que os sacerdotes cujas transgressões tiverem causado tanto mal. Ore para que os ordinários que deliberadamente esconderam ou fecharam os olhos aos pecados de seu clero.

E rezem para os católicos, cujo número é conhecido apenas por Deus, que sofrem alguns por ignorância, alguns em dores agudas de consciência pelo engano, intrigas, irreverência e heresia do clero cujos intelectos e vontades, destinados ao serviço de Deus, foram desfigurados por seus pecados horríveis.

Traduzido por Tiago Rodrigo da Silva, para o Veritatis Splendor, do original em inglês “The Devil Hates Priests” do site catholic.com.





São Narcisio



O santo de hoje, São Narciso, foi Bispo de Jerusalém e, quando se deu tal fato, devia ter quase cem anos de idade. Narciso não era judeu e teria nascido no ano 96. Homem austero, penitente, humilde, simples e puro, sabe-se que presidiu com Teófilo de Cesareia a um concílio onde foi aprovada a determinação de se celebrar sempre a Páscoa num Domingo.

Eusébio narra que em certo dia de festa, em que faltou o óleo necessário para as unções litúrgicas, Narciso mandou vir água de um poço vizinho, e com sua bênção a transformou em óleo. Conta também as circunstâncias que levaram Narciso a demitir-se das suas funções.

Para se justificarem de um crime, três homens acusaram o Bispo Narciso de certo ato infame. "Que me queimem vivo - disse o primeiro - se eu minto". "E a mim, que me devore a lepra", disse o segundo. "E que eu fique cego", acrescentou o terceiro. O desgosto de ser assim caluniado despertou em Narciso o seu antigo desejo pelo recolhimento e, por isso, sem dizer para onde ia, perdoou os caluniadores e saiu de Jerusalém em direção ao deserto. Considerando-o definitivamente desaparecido, deram-lhe por sucessor a Dio, ao qual por sua vez sucederam Germânio e Górdio. Todavia, os três caluniadores não tardaram a sofrer os castigos que em má hora tinham invocado, pois o primeiro pereceu num incêndio com todos os seus, o segundo morreu de lepra e o terceiro cegou à força de tanto chorar o seu pecado.

Alguns anos depois, Narciso reapareceu na cidade episcopal. Nunca tinha sido posta em dúvida a santidade do seu procedimento.; por isso, foi com imensa alegria que Jerusalém recebeu seu antigo pastor. Segundo diz Eusébio, continuou Narciso a governar a diocese até a idade de 119 anos, auxiliado por um coadjutor chamado Alexandre.

Faleceu cerca do ano de 212.

São Narciso, rogai por nós!

http://www.cancaonova.com/portal/cana...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Fariseus e Publicanos

É muito provável que todos tenhamos, em alguma medida, as características tanto do fariseu quanto do publicano do evangelho de hoje. Esses dosi personagens sobem ao templo para suas práticas religiosas. Eles representam duas atitudes contrapostas. Cada um tem seu jeito de rezar e carrega no coração a imagem particular que Deus e do modo de relacionar-se com ele.
O fariseu não se sente "como os outros"; julga-se muito melhor, pois é fiel cumpridor de seus deveres religiosos. obedece em tudo ao que a lei determina. Com isso, pensa ter crédito com Deus. Nada, porém, diz de suas obras de caridade e de compaixão.
O publicano (cobrador de impostos: por isso, odiado pelos judeus) "bate no peito" e reconhece a necessidade do amor e da misericórdia divina. Não é autosuficiente e sabe que não tem méritos diante de Deus. Tem consciência de ser pecador e malvisot por todos, em que pese o fato de garantir o próprio sustento com sua profissão.
E perigo está em nso considerarmos melhores que os outros. Quando isso acontece, acabamos desprezando as pessoas e as destruímos com nossas criticas; tornamo-nos insensíveis aos apelos e necessidades dos irmãos. Nossas belas práticas de piedade podem não ser o bastante: precisamos ir além do simples. cumprimento dos deveres religiosos.
Sermos cristãos e praticantes assíduos da religião nada nos garante. No mundo atual, frequentemente deparamos com novos publicanos - mendingos, dependentes químicos, prostitutas, sem teto, sem terra... -, e ai de nós se nos consideramos melhores do que eles! Diante de Deus, ninguém é mais nem melhor do que ninguém. Se em nós se misturam o fariseu e o publicano, qual o fundamento de nos julgarmos mais que os outros por este ou aqule motivo?
Infelizmente ainda estão vivos o farisaísmo e a arrogância que nos impedem de ver-nos como somos e falsificam nossa relação com Deus e com os irmãos e irmãs. Reconhecer isso é o primeiro passo para a mudança!

Pe. Nilo Luza, ssp sobre o evangelho do dia 27/10/2013

Sim, existe um inferno

Certa vez um amigo que se diz católico me disse: "eu não acredito em inferno." O senhor pode dar uma resposta a esta afirmação?
A Escritura sagrada claramente atesta a um lugar de condenação eterna chamado inferno ou às vezes referido a como Gehenna. Os exemplos são os seguintes: Jesus disse que o homem que desprezar seu irmão "incorrerá os fogos da Gehenna" (Mt 5,22). Nosso Senhor advertiu, "não temais os que matam o corpo mas não podem matar a alma. Antes, temei quem pode destruir tanto corpo como alma na Gehenna" (Mt 10,28). Jesus disse, "Se tua mão te faz cair, corta-a. Melhor você entrar na vida com uma só mãos que manter ambas as mãos e ir para a Gehenna com seu fogo inextinguível" (Mc 9,43). Usando a parábola do joio e do trigo para descrever o julgamento final, Jesus disse, "os anjos lançarão [os malfeitores] na fornalha inflamável onde prantearão e moerão os seus dentes (Mt 13,42). Semelhantemente, quando Jesus falou do julgamento final onde a ovelha será separada dos lobos, Ele dirá ao mau, "afastai-vos de mim, malditos, para o fogo perpétuo preparado para o demônio e seus anjos (Mt 25,41). Finalmente, no Livro da Revelação, cada pessoa é julgada individualmente e os malfeitores são lançados em uma "fosso de fogo, a segunda morte" (20,13-14).

Apenas para clarificação, Gehenna era um vale ao sul de Jerusalém que era utilizado para sacrifícios pagãos de crianças pelo fogo. O profeta Jeremias amaldiçoou o lugar e predisse que seriam um lugar de morte e corrupção. Na literatura rabínica tardia, o termo identificava o lugar de castigo eterno com torturas e fogo inextinguível para os maus.

Dessa forma, a Igreja consistentemente ensinou que de fato o inferno existe. Que as almas que morrem num estado de pecado mortal imediatamente vão para o castigo eterno no inferno. O castigo do inferno é principalmente a separação eterna de Deus. Lá se sofre o sentido de perda?a perda do amor de Deus, a perda da vida com Deus, e a perda da felicidade. Amor verdadeiro, vida, e felicidade são relacionadas a Deus, e cada pessoa as deseja. Entretanto, só Nele o homem achará sua realização (cf. CCE 1035).

A pessoa condenada também sofre dor. As descrições dadas sobre esse "fogo" pela Constituição Apostólica Benedictus Deus (1336) do Papa Benedito XII disseram que as almas "sofreriam a dor do inferno," e o Concílio de Florença (1439) decretou que as almas "seriam punidas com castigos diferentes".

Alguns santos tiveram visões de inferno. Irmã Faustina descreveu o inferno como segue: "Hoje fui dirigida por um Anjo aos abismos do inferno. É um lugar de grande tortura; como terrivelmente grande e extenso é! As espécies de torturas eu vi: A primeira tortura que constitui o inferno é a perda de Deus; a segunda é o remorso perpétuo da consciência; a terceira é que aquela condição nunca mudará; a quarta é o fogo que penetrará na alma sem destruí-la?um sofrimento terrível, como é um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus; a quinta tortura é a escuridão ininterrupta e um terrível e sufocante odor. Apesar da escuridão, os demônios e as almas dos condenados vêem todos os males, os próprios e dos outros; a sexta tortura é a companhia constante de Satanás; a tortura sétima é o desespero horrível, aversão de Deus, palavras vis, maldições e blasfêmias. Estas são as torturas sofridas por todos os condenados, mas isto não é o fim dos sofrimentos. Há torturas especiais dos sentidos. Cada alma sofre sofrimentos indescritíveis, terríveis, relacionados à maneira com que se pecou. Há cavernas e fossas de tortura onde uma forma de agonia difere da outra. Teria morrido na mesma visão destas torturas se a onipotência de Deus não tivesse me apoiado. Escrevo isto no comando de Deus, de modo que nenhuma alma pode achar uma desculpa por dizer não há inferno, nem que ninguém jamais esteve lá e por isso não se pode dizer como ele é".

Devemos lembrar que Deus não predestina ninguém ao inferno nem deseja que alguém seja condenado. Deus nos confere a graça atual que ilumina o intelecto e fortalece a vontade de modo que podemos fazer o bem e desviar do mal. Entretanto, uma pessoa, com o consentimento do seu intelecto, pode escolher praticar o mal e com essa escolha, cometer pecado mortal, e assim rejeitar Deus. Se uma pessoa não se arrepende do pecado mortal, não tem qualquer remorso e persiste neste estado, então esta rejeição de Deus continuará para a eternidade. Em resumo: as pessoas se condenam ao inferno.

O papa João Paulo II, em Cruzando o Limiar da Esperança (pp. 185-6) endereçou a pergunta, "Pode Deus, que amou tanto o homem, permitir que o homem que O rejeita seja condenado a tormento eterno?" Citando a Escritura Sagrada, o Santo Padre na sua resposta repete o ensino inequívoco de nosso Senhor. Ele também nos lembra que a Igreja nunca condenou uma pessoa particular ao inferno, nem mesmo Judas; antes, a Igreja deixa todo julgamento nas mãos de Deus. Entretanto, o Papa, por uma série de perguntas, afirma que o Deus de Amor é também o Deus de Justiça, que nos faz responsáveis por nossos pecados e assim nos pune.

Devemos orar pela graça de resistir à tentação e seguir o caminho do Senhor e ao mesmo tempo procurando o perdão para qualquer queda que venhamos a cometer. Falando sobre a jornada da Igreja Peregrina, o Vaticano II na Constituição Dogmática sobre a Igreja (n. 48) escreve, "desde que não se sabe nem o dia nem a hora, devemos seguir o conselho do Senhor e vigiar constantemente de modo que, quando o único curso de nossa vida terrena for completada, possamos merecer entrar com Ele na festa das bodas e sermos numerados entre os abençoados e não como os serventes maus e preguiçosos, sermos enviados ao fogo eterno, na escuridão exterior onde 'haverá prantos e ranger de dentes.'" Por esta mesma razão, nós oramos na primeira Oração Eucarística da Missa, "Pai aceita esta oferenda de toda sua família. Conceda-nos sua paz nesta vida, poupa-nos da condenação final, e conta-nos entre os escolhidos".

Traduzido para o Veritatis Splendor por Rondinelly Ribeiro Rosa.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A hipótese de consórcio sexual de anjos maus com seres humanos

Em conseqüência, compreende-se que é totalmente insustentável a sentença dos que atribuem aos espíritos maus consórcio com mulheres.

É certo, porém, que desde a época pré-cristã há pensadores que falam de relações sexuais de demônios com seres humanos. Assim os judeus de Alexandria, entre 250 e 100 a.C, ao traduzirem a Bíblia do hebraico para o grego (tradução alexandrina ou dos LXX), verteram o hebraico bene-eiohim (filhos de Deus) de Gn 6, 2 por ángeloi tou Theou (anjos de Deus) e atribuíram a estes relações sexuais com as filhas dos homens; de tal consórcio teriam nascido homens gigantescos (cf. Gn 6, 1-4). Os escritores judeus Filon de Alexandria (t 44 d.C.) e Flávio José (| 100 d.C.) repetiram a mesma concepção (cf. Filon, De Gigantibus 6ss; De somniis 133ss: Flávio José, Antiquitates 131 § 73), que se tornou freqüente nos apócrifos judeus.

Vários escritores cristãos dos quatro primeiros séculos, por sua vez, professaram a mesma teoria; assim S. Justino (f 165), Taciano (t após 172), Atenágoras (f 177), S. Ireneu (f 202), Clemente de Alexan­dria (f antes de 215), S. Metódio de Olimpo (f 311), S. Cipriano de Cartago (t 258), S. Basílio de Cesaréia (f 379), S. Ambrósio (f 397). Esta tese era devida à falsa tradução apresentada pelos LXX e aceita pelos anti­gos. Favorecia-a o inadequado conceito de espírito que muitos escrito­res dos primeiros séculos professavam: influenciados pelos estóicos, admitiam, sim, que os espíritos tivessem uma corporeidade sutil, a qual explicaria o pretenso relacionamento com mulheres.

Com o tempo, porém, foi-se implantando entre os cristãos a tradu­ção da Vulgata de S. Jerônimo (f 421), que em Gn 6, 2 não falava de anjos, mas simplesmente de filhos de Deus, como o texto hebraico. Além disto, o conceito de espírito foi-se depurando, de modo a não se lhe atribuir corporeidade.

Muito típico da evolução de pensamento é, por exemplo, o livro dos Diálogos, atribuído a S. Gregório de Nazianzo. Este se pergunta como os anjos, sendo incorpóreos, puderam ter consórcio carnal com mulhe­res e gerar gigantes. Acaba julgando absurda e blasfema tal tese. O mes­mo se lê nas obras de S. Cirilo de Alexandria (f 444): afirma que os anjos não têm corpo nem procuram as volúpias da carne; além do quê, obser­va que as Escrituras em Gn 6, 2 falam de filhos de Deus e não de anjos de Deus. Muitos outros testemunhos da transição do pensamento dos doutores da Igreja nos séculos IV/V se encontram no artigo "Démon d'après les Pères", de E. Mangenot, em "Dictionnaire de Théologie Catholique" IV/1, col. 339-384.

Isto explica que na Idade Média os grandes teólogos como S. Boaventura (f 1274), S. Tomás de Aquino (t 1274), Duns Scoto (t 1308), S. Alberto Magno (f 1280) tenham abandonado por completo a teoria de relações carnais dos anjos com mulheres. Todavia ficou na crença popu­lar a concepção de que os demônios podiam unir-se sexualmente a se­res humanos; por isto algumas publicações da Idade Média (e ainda de épocas posteriores) falavam de demônios ácubos (os que se deitavam por cima) e de súcubos (os que se deitavam por baixo)... Alguns pronunci­amentos de Concílios e de Papas atribuíram largas partes ao demônio na vida dos homens, admitindo mesmo a possibilidade de relações carnais dos mesmos com mulheres. Ampla documentação a propósito acha-se coletada no artigo "Documentos Eclesiásticos sobre Práticas Supersticio­sas e Demoníacas" de Frei Constantino Coser O.F.M., publicado em REB, vol. XVII, março de 1957, pp. 54-88. É certo, porém, que nenhum desses documentos tem a força de definição dogmática; trata-se de orientações dadas para atender à problemática de séculos passados muito propensos a admitir o demônio em todo fenômeno física ou moralmente hediondo.

Em nossos dias, está totalmente fora de cogitação a hipótese de consórcio sexual de anjos maus com seres humanos; a teologia só pode classificar tal crença como falha em suas próprias premissas, visto que supõe corporeidade nos demônios; trata-se, pois, de um produto da fan­tasia, que a piedade popular pôde alimentar, mas que há de ser estrita­mente dissipado.

http://www.veritatis.com.br/doutrina/demonios/956-hipotese-de-relacao-com-seres-humanos