O apóstolo Pedro está explicando às suas comunidades o genuíno espírito de Evangelho nas suas aplicações concretas, referindo-se particularmente às condições e ao estado de vida de cada um.
Nesse trecho dirige-se aos escravos convertidos à fé, os quais, como todos os escravos na sociedade da época, tinham que suportar incompreensões e maus-tratos absolutamente injustos. Essas palavras são dirigidas, por extensão, a todas as pessoas que, que em todos os tempos e lugares, são vitimas de incompreensões e injustiças por parte de seus próximos, sejam seus superiores, sejam colegas.
"SE FAZEIS O BEM E SUPORTAIS O SOFRIMENTO, ISTO VOS TORNA AGRADÁVEIS A DEUS"
A essas pessoas a Apóstolo recomenda que não cedam à reação instintiva que poderia se manifestar em tais situações, mas que imitem o comportamento adotado por Jesus. Exorta-os antes a responder com amor, vendo também nessas dificuldades e incompreensões uma graça, ou seja, uma ocasião permitida por Deus para dar mostras do verdadeiro espírito cristão. Além de tudo, desse modo poderão conduzir a Cristo, por meio do amor, também aquele que não os compreende.
"SE FAZEIS O BEM E SUPORTAIS O SOFRIMENTO, ISTO VOS TORNA AGRADÁVEIS A DEUS"
Sempre existem aqueles que, partindo dessa frase ou de outras semelhantes, pretendem acusar o cristianismo de favorecer uma atitude de excessiva submissão, capaz de entorpecer as consciências, tornando-as menos ativas na luta contra as injustiças.
Mas não é isso que acontece. Se Jesus nos pede que amemos até mesmo aqueles que não nos entendem e que nos maltratam, isso não significa que deseja nos tornar insensíveis diante das injustiças. Pelo contrário! Ele quer nos mostrar como é que se constrói uma sociedade realmente justa. Isso torna-se possível quando difundimos o espírito do verdadeiro amor, começando nós mesmos a tomar a iniciativa do amor.
"SE FAZEIS O BEM E SUPORTAIS O SOFRIMENTO, ISTO VOS TORNA AGRADÁVEIS A DEUS"
Chiara Lubich
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Na luta contra a impureza, vence quem foge
Na luta contra a impureza, vence quem foge
Em matéria de castidade, não existem fortes nem fracos. Diante de uma tentação impura, vence quem recorre imediatamente a Deus, sem negociatas.
Se há um mandamento que as pessoas reclamam ser difícil de cumprir, este é, sem dúvida, o sexto mandamento. O escritor C. S. Lewis reconhecia que “a castidade é a menos popular das virtudes cristãs”. Enquanto os de fora – e, não raro, os de dentro – inflam-se para falar da pobreza evangélica, das virtudes da paciência e da humildade, ergue-se, muitas vezes, em torno da moral sexual cristã, uma barreira de silêncio ou mesmo de desobediência. “Porém, escreve Lewis, não existe escapatória. A regra cristã é clara: ‘Ou o casamento, com fidelidade completa ao cônjuge, ou a abstinência total’.”
Para aqueles que não descobriram a centralidade do amor de Deus na religião cristã, fica realmente muito difícil entender o porquê de “não pecar contra a castidade” ou a ratio de todas as demais normas morais católicas. O Papa Bento XVI, certa vez, alertou para o perigo de deixarmos o Cristianismo transparecer mais como um “código de conduta” que como um encontro real e profundo com Jesus Cristo:
"Não deveríamos permitir que a nossa fé seja vanificada pelos demasiados debates sobre múltiplos pormenores menos importantes mas, ao contrário, ter sempre à vista em primeiro lugar a sua grandeza. Recordo-me quando, nos anos 80-90, eu ia à Alemanha e me pediam que concedesse entrevistas: eu conhecia sempre antecipadamente as perguntas. Tratava-se da ordenação das mulheres, da contracepção, do aborto e de outros problemas como estes que voltam a apresentar-se continuamente. Se nos deixarmos absorver por estes debates, então a Igreja identifica-se com alguns mandamentos ou proibições, e nós passamos por moralistas com algumas convicções um pouco fora de moda, enquanto não sobressai minimamente a verdadeira grandeza da fé.”
Olhando para Cristo – e só olhando para Cristo –, é possível viver a castidade. Sem contar com o auxílio indispensável da graça, ninguém pode ser casto. C. S. Lewis reconhecia que “a castidade perfeita – como a caridade perfeita – não será alcançada pelo mero esforço humano”. “Você tem de pedir a ajuda de Deus”, escrevia. E Santo Afonso de Ligório também fazia notar que “nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto”.
E, todavia, como a própria salvação humana é obra conjunta de Deus e dos homens, da mesma forma a castidade exige do ser humano que ele se crucifique para si mesmo. Isto se manifesta de modo eminente por uma coisa que os grandes santos chamavam de "fuga da ocasião do pecado". "Um sem-número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado", diz Santo Afonso. Na luta contra a impureza, vence quem foge. Diante de uma tentação, ao invés de encarar a investida maligna de frente, é preciso recorrer imediatamente ao auxílio de Jesus e Maria.
É este o parecer comum dos santos da Igreja e não há motivos para procurar outra senda. Adverte São Francisco de Sales: “Logo que notes uma tentação, imita as criancinhas que, vendo um lobo ou um urso, se lançam ao seio do pai e da mãe ou ao menos os chamam em seu socorro”. O autor sagrado alerta que "quem ama o perigo nele perecerá" (Eclo 3, 27). Se uma pessoa tem o firme propósito de guardar a sua pureza, mas não evita os ambientes, as pessoas ou as coisas que o levam ao pecado, então, este propósito tem pouco ou nenhum valor. Santo Tomás de Aquino explica que a razão disso é que Deus nos abandona ao perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos.
Pode parecer difícil, a partir destas considerações, a vivência da castidade. Afinal, são tantas as ocasiões em que o mundo oferece uma proposta tentadora de felicidade nos lugares errados! A verdade é que Jesus nunca disse que a luta seria fácil. “No mundo haveis de ter aflições” (Jo 16, 33). Não é possível viver a castidade sem passar pela experiência da Cruz. Vivida com amor, no entanto, esta verdadeira via crucis adquire um belo significado. Como escreve São Josemaría Escrivá, "quando te decidires com firmeza a ter vida limpa, a castidade não será para ti um fardo; será coroa triunfal".
Por Equipe Christo Nihil Praeponere
Se há um mandamento que as pessoas reclamam ser difícil de cumprir, este é, sem dúvida, o sexto mandamento. O escritor C. S. Lewis reconhecia que “a castidade é a menos popular das virtudes cristãs”. Enquanto os de fora – e, não raro, os de dentro – inflam-se para falar da pobreza evangélica, das virtudes da paciência e da humildade, ergue-se, muitas vezes, em torno da moral sexual cristã, uma barreira de silêncio ou mesmo de desobediência. “Porém, escreve Lewis, não existe escapatória. A regra cristã é clara: ‘Ou o casamento, com fidelidade completa ao cônjuge, ou a abstinência total’.”
Para aqueles que não descobriram a centralidade do amor de Deus na religião cristã, fica realmente muito difícil entender o porquê de “não pecar contra a castidade” ou a ratio de todas as demais normas morais católicas. O Papa Bento XVI, certa vez, alertou para o perigo de deixarmos o Cristianismo transparecer mais como um “código de conduta” que como um encontro real e profundo com Jesus Cristo:
"Não deveríamos permitir que a nossa fé seja vanificada pelos demasiados debates sobre múltiplos pormenores menos importantes mas, ao contrário, ter sempre à vista em primeiro lugar a sua grandeza. Recordo-me quando, nos anos 80-90, eu ia à Alemanha e me pediam que concedesse entrevistas: eu conhecia sempre antecipadamente as perguntas. Tratava-se da ordenação das mulheres, da contracepção, do aborto e de outros problemas como estes que voltam a apresentar-se continuamente. Se nos deixarmos absorver por estes debates, então a Igreja identifica-se com alguns mandamentos ou proibições, e nós passamos por moralistas com algumas convicções um pouco fora de moda, enquanto não sobressai minimamente a verdadeira grandeza da fé.”
Olhando para Cristo – e só olhando para Cristo –, é possível viver a castidade. Sem contar com o auxílio indispensável da graça, ninguém pode ser casto. C. S. Lewis reconhecia que “a castidade perfeita – como a caridade perfeita – não será alcançada pelo mero esforço humano”. “Você tem de pedir a ajuda de Deus”, escrevia. E Santo Afonso de Ligório também fazia notar que “nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto”.
E, todavia, como a própria salvação humana é obra conjunta de Deus e dos homens, da mesma forma a castidade exige do ser humano que ele se crucifique para si mesmo. Isto se manifesta de modo eminente por uma coisa que os grandes santos chamavam de "fuga da ocasião do pecado". "Um sem-número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado", diz Santo Afonso. Na luta contra a impureza, vence quem foge. Diante de uma tentação, ao invés de encarar a investida maligna de frente, é preciso recorrer imediatamente ao auxílio de Jesus e Maria.
É este o parecer comum dos santos da Igreja e não há motivos para procurar outra senda. Adverte São Francisco de Sales: “Logo que notes uma tentação, imita as criancinhas que, vendo um lobo ou um urso, se lançam ao seio do pai e da mãe ou ao menos os chamam em seu socorro”. O autor sagrado alerta que "quem ama o perigo nele perecerá" (Eclo 3, 27). Se uma pessoa tem o firme propósito de guardar a sua pureza, mas não evita os ambientes, as pessoas ou as coisas que o levam ao pecado, então, este propósito tem pouco ou nenhum valor. Santo Tomás de Aquino explica que a razão disso é que Deus nos abandona ao perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos.
Pode parecer difícil, a partir destas considerações, a vivência da castidade. Afinal, são tantas as ocasiões em que o mundo oferece uma proposta tentadora de felicidade nos lugares errados! A verdade é que Jesus nunca disse que a luta seria fácil. “No mundo haveis de ter aflições” (Jo 16, 33). Não é possível viver a castidade sem passar pela experiência da Cruz. Vivida com amor, no entanto, esta verdadeira via crucis adquire um belo significado. Como escreve São Josemaría Escrivá, "quando te decidires com firmeza a ter vida limpa, a castidade não será para ti um fardo; será coroa triunfal".
Por Equipe Christo Nihil Praeponere
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
A finalidade do homem
1º) - Considera, meu filho, que Deus te criou à sua imagem e semelhança,
que te deu uma alma e um corpo, sem que da tua parte houvesse para isso nenhum
mérito. Ademais, pelo Batismo Deus te fez seu filho, te amou sempre e te ama
ainda como Pai amoroso; o único fim para o qual te criou é para que O ames e
sirvas a Ele nesta vida, e desse modo possas merecer um dia ser eternamente
feliz com Ele no Paraíso.
Não penses que vives neste mundo para divertir-te, enriquecer-te, comer, beber e dormir, como os animais irracionais; pois o fim para o qual foste criado é infinitamente mais nobre e mais sublime; ou seja, para amar e servir a Deus nesta vida, e salvar assim a tua alma.
Se procederes desse modo, que consolo sentirá na hora da morte!...Mas, se pelo contrário não pensares seriamente em servir a Deus, que remorsos não sentirás naquele instante, em que reconhecerás claramente que as riquezas e os prazeres, que tanto procuraste na terra, só serviram para encher de amarguras teu coração, fazendo-te ver o dano que causaram à tua alma.
Por isso, meu filho, não queiras ser daqueles que só pensam em satisfazer o corpo com atos, palavras e divertimentos censuráveis; e no fim da vida se encontrarão em grande perigo de perdição eterna.
O secretário de um rei da Inglaterra morreu exclamando: "Infeliz de mim! Gastei tanto papel para escrever as cartas de meu senhor, e não empreguei sequer uma folha de papel para anotar meus pecados e fazer uma boa confissão!".
2º)- Verás melhor a importância do teu fim se considerares que tua salvação eterna ou tua eterna condenação dependem de ti.
Se salvas tua alma, muito bem, serás feliz para sempre; mas se a perdes, perdes tudo? Alma, corpo, Céu, Deus que é teu fim... E para toda a eternidade serás desgraçado!
Não imites a loucura dos desgraçados que dizem: "Vou cometer agora este pecado, mas depois me confessarei". Não te enganes a ti mesmo com tais palavras, porque o Senhor amaldiçoa o homem que peca na esperança de obter perdão.
Lembra-te de que os condenados que estão no Inferno tinham a intenção de mais tarde se converter, e apesar disso se perderam por toda a eternidade.
Estás seguro de que Deus te concederá tempo para te confessares?
Quem te garante que não morrerás logo depois de pecar e que tua alma não será precipitada imediatamente no Inferno?
Não achas que seria loucura se te feristes gravemente, na esperança de encontrar depois um médico que te curasse?
Renuncia, pois, ao pensamento enganador de só mais tarde te consagrares ao serviço de Deus; hoje mesmo detesta e abandona o pecado, que é o maior de todos os males e que, desviando-te do teu fim último, te priva de todos os bens.
3º) - Quero também que conheças um terrível laço de que se serve o demônio para prender e levar à perdição grande número de cristãos: é deixar que se instruam na Religião, mas que depois não a pratiquem.
Sabem perfeitamente que Deus os criou para amá-Lo e servir a Ele; e no entanto empregam todo o tempo em lavrar a própria ruína eterna! De fato quantas pessoas vemos no mundo que pensam em tudo, menos na sua salvação!
Se se diz a um jovem que frequente os Sacramentos, que faça um pouco de oração, etc., logo responde: "Tenho outras coisas que fazer, tenho que trabalhar, que me divertir...". Ó infeliz! E não tens uma alma para salvar?
Quanto a ti, jovem católico que lês estas considerações, não te deixes enganar pelo demônio; promete a Deus que de agora em diante todas as tuas palavras, pensamentos e ações se orientarão para a salvação da tua alma.
Grave loucura seria procurares com tanto afinco o que deve acabar em pouco tempo e te esqueceres da eternidade que não tem fim.
São Luís Gonzaga poderia ter gozado de todos os prazeres, honras e riquezas deste mundo, mas renunciou a todos eles dizendo: "De que me servem essas coisas para a vida eterna?".
Conclui tu também com este pensamento:
"Tenho uma alma; se a perco, perco tudo. Ainda que ganhasse o mundo inteiro à custa de minha alma, de que me aproveitaria?"
De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder sua alma?
Se chego a ser um grande homem, um ricaço, se consigo atingir a celebridade como sábio que domina todas as ciências e todas as artes do mundo, mas depois perco minha alma, de que me adiantarão todas essas coisas?
A própria sabedoria de Salomão não me valeria de nada se me condenasse. Diz, pois assim:
"Deus me criou para salvar a minha alma, e quero salvá-la a todo custo; amar a Deus e salvar minha alma serão, a partir de agora o único objetivo de todos os meus cuidados. Trata-se de ser eternamente feliz ou eternamente desgraçado; devo estar resolvido a perder tudo para me salvar. Meu Deus, perdoai os meus pecados e não permitais que jamais tenha o desgraça de Vos ofender novamente; ajudai-me com vossa santa graça para que Vos possa amar e servir fielmente.Maria, minha esperança, rogai por mim".
Não penses que vives neste mundo para divertir-te, enriquecer-te, comer, beber e dormir, como os animais irracionais; pois o fim para o qual foste criado é infinitamente mais nobre e mais sublime; ou seja, para amar e servir a Deus nesta vida, e salvar assim a tua alma.
Se procederes desse modo, que consolo sentirá na hora da morte!...Mas, se pelo contrário não pensares seriamente em servir a Deus, que remorsos não sentirás naquele instante, em que reconhecerás claramente que as riquezas e os prazeres, que tanto procuraste na terra, só serviram para encher de amarguras teu coração, fazendo-te ver o dano que causaram à tua alma.
Por isso, meu filho, não queiras ser daqueles que só pensam em satisfazer o corpo com atos, palavras e divertimentos censuráveis; e no fim da vida se encontrarão em grande perigo de perdição eterna.
O secretário de um rei da Inglaterra morreu exclamando: "Infeliz de mim! Gastei tanto papel para escrever as cartas de meu senhor, e não empreguei sequer uma folha de papel para anotar meus pecados e fazer uma boa confissão!".
2º)- Verás melhor a importância do teu fim se considerares que tua salvação eterna ou tua eterna condenação dependem de ti.
Se salvas tua alma, muito bem, serás feliz para sempre; mas se a perdes, perdes tudo? Alma, corpo, Céu, Deus que é teu fim... E para toda a eternidade serás desgraçado!
Não imites a loucura dos desgraçados que dizem: "Vou cometer agora este pecado, mas depois me confessarei". Não te enganes a ti mesmo com tais palavras, porque o Senhor amaldiçoa o homem que peca na esperança de obter perdão.
Lembra-te de que os condenados que estão no Inferno tinham a intenção de mais tarde se converter, e apesar disso se perderam por toda a eternidade.
Estás seguro de que Deus te concederá tempo para te confessares?
Quem te garante que não morrerás logo depois de pecar e que tua alma não será precipitada imediatamente no Inferno?
Não achas que seria loucura se te feristes gravemente, na esperança de encontrar depois um médico que te curasse?
Renuncia, pois, ao pensamento enganador de só mais tarde te consagrares ao serviço de Deus; hoje mesmo detesta e abandona o pecado, que é o maior de todos os males e que, desviando-te do teu fim último, te priva de todos os bens.
3º) - Quero também que conheças um terrível laço de que se serve o demônio para prender e levar à perdição grande número de cristãos: é deixar que se instruam na Religião, mas que depois não a pratiquem.
Sabem perfeitamente que Deus os criou para amá-Lo e servir a Ele; e no entanto empregam todo o tempo em lavrar a própria ruína eterna! De fato quantas pessoas vemos no mundo que pensam em tudo, menos na sua salvação!
Se se diz a um jovem que frequente os Sacramentos, que faça um pouco de oração, etc., logo responde: "Tenho outras coisas que fazer, tenho que trabalhar, que me divertir...". Ó infeliz! E não tens uma alma para salvar?
Quanto a ti, jovem católico que lês estas considerações, não te deixes enganar pelo demônio; promete a Deus que de agora em diante todas as tuas palavras, pensamentos e ações se orientarão para a salvação da tua alma.
Grave loucura seria procurares com tanto afinco o que deve acabar em pouco tempo e te esqueceres da eternidade que não tem fim.
São Luís Gonzaga poderia ter gozado de todos os prazeres, honras e riquezas deste mundo, mas renunciou a todos eles dizendo: "De que me servem essas coisas para a vida eterna?".
Conclui tu também com este pensamento:
"Tenho uma alma; se a perco, perco tudo. Ainda que ganhasse o mundo inteiro à custa de minha alma, de que me aproveitaria?"
De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder sua alma?
Se chego a ser um grande homem, um ricaço, se consigo atingir a celebridade como sábio que domina todas as ciências e todas as artes do mundo, mas depois perco minha alma, de que me adiantarão todas essas coisas?
A própria sabedoria de Salomão não me valeria de nada se me condenasse. Diz, pois assim:
"Deus me criou para salvar a minha alma, e quero salvá-la a todo custo; amar a Deus e salvar minha alma serão, a partir de agora o único objetivo de todos os meus cuidados. Trata-se de ser eternamente feliz ou eternamente desgraçado; devo estar resolvido a perder tudo para me salvar. Meu Deus, perdoai os meus pecados e não permitais que jamais tenha o desgraça de Vos ofender novamente; ajudai-me com vossa santa graça para que Vos possa amar e servir fielmente.Maria, minha esperança, rogai por mim".
Santo Afonso de Ligório
domingo, 17 de novembro de 2013
Rumo a um mundo novo
As primeiras comunidades de seguidores de Jesus, diante das dificuldades e conflitos, lembravam as palavras do Mestre: "Tudo será destruído". Bem sabiam que era pura ilusão ficar admirando construções de pedra como o templo de Jerusalém, pois aquele mundo em que viviam passaria.
E, se acabaria, era natural quisessem saber quando. Mas a essa pergunta Jesus não responde. Nem responde a respeito dos sinais que indiquem a proximidade do fim. Usando a linguagem comum na época para se referir ao fim do mundo (linguagem apocalíptica), Jesus simplesmente fala dos desafios e conflitos que seus seguidores enfrentariam.
Desde quando não existem enganadores, prometendo uma religião fácil, de prosperidade material? Desde quando não existem guerras entre as nações, terremotos, fomes e pestes? Desde quando os seguidores de Jesus, por lutarem por um mundo novo, deixaram de ser perseguidos e mortos?
Então as palavras de Jesus nos indicam que, em vez de nos preocupar com o fim do mundo, é fundamental nos perguntar: Que mundo estamos construindo? Pois é aí que ganhamos ou desperdiçamos a vida. "É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!"
Ao falar do templo de Jerusalém, Jesus falava do fim de um mundo, baseado em estruturas injustas e de poder. Um mundo que se vai á medida que construímos novas relações de justiças, solidariedade, gratuidade e serviço.
E, se este mundo acabará, é fundamental continuar acreditando que o mundo novo do reinado de Deus se tornará pleno. E continuar agindo "para que toda a humanidade se abra á esperança de um undo novo", como rezamos na Oração Eucarística VI-D.
Estamos aqui a caminho. Um caminho de fé nos passos no Mestre, que nos dá forças para construir um mundo novo. Fiéis a Jesus, vamos dando fim ao mundo de injustiça, vivendo já a construção de um mundo renovado para, em fim, ganhar de presente um mundo da plenitude de Deus.
Pe. Paulo Bazaglia, ssp sobre o evangelho deste Domingo
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Elogio da Sabedoria
Nela há um espírito inteligente,santo, único, múltiplo, sutil, móvel penetrante, imaculado, lúcido, invulnerável, amigo do bem, agudo, incoercível, benfazejo, amigo dos homens, firme, seguro, sereno, tudo podendo, tudo abrangendo, que penetra todos os espíritos inteligentes, puros, os mais sutis.
A sabedoria é mais móvel que qualquer movimento e, por sua pureza, tudo atravessa e penetra.
Ela é eflúvio do poder de Deus, uma emanação puríssima da glória do Onipotente,
pelo que nada de impuro nela se introduz.
Pois ela é reflexo da luz eterna, espelho nítido da atividade de Deus e imagem de sua bondade.
Por outro lado, sendo só, ela tudo pode; sem nada mudar, tudo renova e, entrando nas almas santas de cada geração, delas fez amigos de Deus e profetas; pois Deus ama só quem habita com a Sabedoria.
Ela é mais bela que o sol, supera todas as constelações: comparada à luz do dia, sai ganhando, pois a luz cede lugar à noite, ao passo que sobre a Sabedoria não prevalece ao mal.
A sabedoria é mais móvel que qualquer movimento e, por sua pureza, tudo atravessa e penetra.
Ela é eflúvio do poder de Deus, uma emanação puríssima da glória do Onipotente,
pelo que nada de impuro nela se introduz.
Pois ela é reflexo da luz eterna, espelho nítido da atividade de Deus e imagem de sua bondade.
Por outro lado, sendo só, ela tudo pode; sem nada mudar, tudo renova e, entrando nas almas santas de cada geração, delas fez amigos de Deus e profetas; pois Deus ama só quem habita com a Sabedoria.
Ela é mais bela que o sol, supera todas as constelações: comparada à luz do dia, sai ganhando, pois a luz cede lugar à noite, ao passo que sobre a Sabedoria não prevalece ao mal.
Sabedoria de Salomão 7, 22-30 Bíblia de Jerusalém
terça-feira, 12 de novembro de 2013
O inferno? Quase ninguém mais acredita nele
Por D. Estêvão Bettencourt
A razão por que muitos em nossos tempos não
acreditam no inferno, é que nunca tiveram explicação exata do que ele significa:
é frequente conceber-se o inferno como castigo que Deus inflige de maneira mais
ou menos arbitrária, como se desejasse impor-se vingativamente como Soberano
Senhor; o réprobo seria atormentado maldosamente por demônios de chifres
horrendos, em meio a um incêndio de chamas, etc. — Não admira que muitos julguem
tais concepções inventadas apenas para incutir medo ; não seriam compatíveis com
a noção de um Deus Bom.
Na verdade, o inferno não é mais do que a consequência lógica de um ato que o homem realiza de maneira consciente e deliberada aqui na terra; é o indivíduo quem se coloca no inferno (este vem a ser primàriamente um estado de alma; vão seria preocupar-se com a sua topografia) ; não é Deus quem, por efeito de um decreto arbitrário, para lá manda a criatura, É o que passamos a ver.
Admitamos que um homem nesta vida conceba ódio a Deus (ou ao Bem que ele julgue ser o Fim último, Deus) e O ofenda em matéria grave, empenhando toda a sua personalidade (pleno conhecimento de causa e liberdade de arbítrio); essa criatura se coloca num estado de habitual aversão ao Senhor. Caso morra nessas condições, sem retratar, nem mesmo no seu íntimo, o ódio ao Sumo Bem, que sorte lhe há de tocar ?
A morte confirmará definitivamente nessa alma o ódio de Deus, pois a separará do corpo, que é o instrumento mediante o qual ela, segundo a sua natureza, concebe ou muda suas disposições. Depois da morte, tal criatura de modo nenhum poderá desejar permanecer na presença de Deus; antes espontaneamente pedirá afastar-se d'Ele. Não será necessário que, para isto, .o Juiz supremo pronuncie alguma sentença; o Senhor apenas reconhecerá, da sua parte, a opção tomada pela criatura ; Ele a fez livre e respeitará esta dignidade, em hipótese nenhuma forçando ou mutilando o seu alvitre.
Eis, porém, que desejar afastar-se de Deus e permanecer de fato afastada, vem a ser, para a alma humana, o mais cruciante dos tormentos. Com efeito, toda criatura é essencialmente dependente do Criador, do qual reflete uma imagem ou semelhança ; por conseguinte, ela tende por sua própria essência a se conformar ao seu Exemplar (é a natureza quem o pede, antecedentemente a qualquer opção da vontade livre); caso o homem siga esta propensão, ele obtém a sua perfeição e felicidade. Dado, porém, que se recuse, a fim de servir a si mesmo, não pode deixar de experimentar os protestos espontâneos e veementíssimos da natureza violentada. A existência humana torna-se então dilacerada : o pecador sente, até nas mais recônditas profundezas do seu ser, o brado para Deus ; esse brado, porém, ele o sufocou e sufoca, para aderir a um fim inadequado, fim que, em absoluto, ele não quer largar apesar do terrível tormento que a sua atitude lhe causa. — Na vida presente, a dor que o ódio ao Sumo Bem acarreta, pode ser temperada pela conversão a bens aparentes, mas precários..., pela auto-ilusão ; na vida futura, porém, não haverá possibilidade de engano!
É nisto que consiste primariamente o inferno. Vê-se que se trata de uma pena infligida pela ordem mesma das coisas, não de uma punição especialmente escolhida , entre muitas outras por um Deus que se quisesse “vingar” da criatura. Em última análise, dir-se-á que no inferno só há indivíduos que nele querem permanecer. — A este tormento espiritual se acrescenta no inferno uma pena física, geralmente designada pelo nome de fogo; certamente não se trata de fogo material, como o da terra, mas de um sofrimento que as demais criaturas acarretam para o réprobo, e acarretam muito naturalmente. Sim; quem se incompatibiliza com o Criador não pode deixar de se incompatibilizar com as criaturas, mesmo com as que igualmente se afastaram de Deus (o pecador é essencialmente egocêntrico), de sorte que os outros seres criados postos na presença do réprobo vêm a constituir para este uma autêntica tortura (não se poderia, porém, precisar em que consiste tal tormento).
Por último, entende-se que o inferno não tenha fim ; há de ser tão duradouro quanto a alma humana, a qual por sua natureza é imortal; Deus não lhe retira a existência que lhe deu e que, em si considerada, é grande perfeição. Embora infeliz, o réprobo não destoa no conjunto da criação, pois por sua dor mesma ele proclama que Deus é a Suma Perfeição, da qual ele se alheou (é preciso, nos lembremos bem de que Deus, e não o homem, é o centro do mundo).
Não se pense em nova “chance” ou reencarnação neste mundo. Esta, de certo modo, suporia que Deus não leva a sério as decisões que o homem toma, empenhando toda a sua personalidade; o Senhor não trata o homem como criança que não merece respeito. De resto, a reencarnação é explicitamente excluída por textos da Sagrada Escritura como os que se acham citados sob o no 8 deste fascículo.
Eis a autêntica noção do inferno, que às vezes é encoberta por descrições demasiado infantis e fantasistas.
Veja a propósito E. Bettencourt, A vida que começa com a morte (ed. AGIR) Cap. VI.
Fonte: Revista Pergunte e Responderemos. No. 03, Julho de 1957. Pág. 10-12.
domingo, 10 de novembro de 2013
A celebração da morte para a vida Franciscana
Por Frei Hugo Baggio, OFM.
| Museu do Brooklyn, "São Francisco salva as almas do Purgatório" |
Francisco faz da morte uma celebração, uma liturgia. Por ser ela um fato humano, uma realidade "da qual homem algum pode escapar", ele a convoca para unir-se aos demais elementos vitais do homem: o sol, a lua, a terra com suas flores e frutas, as estrelas e o vento, a água cristalina e cantante.
Não é ela a mensageira de uma fatalidade, embora homem vivente algum dela possa esquivar-se, não é destruidora da tessitura da vida e separadora de corações e dos elementos naturais. Não é uma criatura deformada, repelente, intrusa ou alheia à criação de Deus. Ela é também uma criatura nascida, como todas, da bondade de Deus.
Se para Francisco todas as criaturas são irmãos e irmãs, também a morte é a irmã, aquela que nos toma pela mão e nos conduz por este trecho do caminho, misterioso e sombrio. Misterioso porque não temos dele nenhuma experiência. Tudo o que da morte sabemos é algo exterior a nós, algo que nos chega de fora.
Por isso, não a conscientizamos. E, consequentemente, não a incorporamos à nossa história, procurando afastá-la. E como não o podemos fazer biologicamente, fazemo-lo mentalmente: recusamo-nos a pensar nela e dela falar. Rejeitamo-la. Sombrio, porque as civilizações e as culturas encheram este caminho de negrume e sombras assustadoras.
Para Francisco de Assis, esta saudação não é mera exuberância poética, numa hora de bem-estar espiritual, quando nosso ser suporta até os pensamentos aparentemente mais assustadores e desconfortantes. É uma saudação arrancada, no momento de plena consciência da proximidade de sua dissolução, quando o fenômeno morte lhe está próximo, palpável, no tempo e no espaço.
Nem tampouco é um grito nascido de um "cansado da vida", porque sua cosmovisão fazia-o degustar a vida, e amá-la, em suas múltiplas alegrias. É a conformidade profunda, nascida da fé que acredita numa realidade meta-histórica, atingível apenas através da morte.
Se a morte é irmã, isto significa que entre ela e o homem existe um parentesco, portanto não se trata de algo estranho, algo punitivo, algo fatal, algo inimigo. Também aqui aparece uma dimensão diferente: o desapego foi libertando o homem, até desejar apenas a realização no plano eterno de Deus. Portanto, não fala, aqui, a emoção estética, ainda que o belo exercesse tão profundo fascínio em Francisco, mas é uma expressão teológica de aceitação alegre. Tudo é bem. Tudo é dádiva. Tudo é gratuidade. Por isso ele usa a expressão: bem-vinda!
A terra é "irmã" e sobre ela quer seu corpo estendido para nela passar à realidade eterna, pelas mãos de outra "irmã", a Morte. Sempre de novo, na visão de Francisco, aparece a fraternização, que vem marcada pela entrega total. Francisco foi o homem "à disposição" de tudo e de todos, como ensina em suas exortações: o frade está submisso à toda criatura. Mormente à disposição de Deus. Daí a entrega final, generosa e alegre, fraterna e pacificada.
Tinha bem claro que o homem não é um ser-para-a-morte, mas um ser-para-a-vida. Por isso, olha com o mesmo olhar límpido e destemido o sol, a lua, as flores, as águas e a morte, porque em todos eles se manifesta o mesmo mistério do ser e palpita a mesma centelha da vida. Sem dúvida, é resultado de uma longa caminhada. Sobretudo, resultado de um relacionamento equilibrado e iluminado com todos os seres, relacionamento feito de ternura e de amor. O que se ama não se teme, pois os dois termos são excludentes. Esta estrofe não foi um aditamento de última hora, mas um complemento necessário, sem o qual o Cântico das Criaturas ficaria mutilado e incompleto.
O Cântico começa com o Sol e termina com a Morte sem estabelecer um paradoxo, ou antagonismos, mas é uma continuidade natural, uma decorrência lógica. É o encontro da luz solar com a luz da eternidade. É a explosão da luz. Francisco aproximou o Sol e a Morte, a Vida e a Morte, a Beleza e a Morte, a Alegria e a Morte, dentro de sua simplicidade característica, sem fazer violências a si ou aos outros, mas na aceitação plena de quem sabe que somente quando as folhas da flor caem é que a semente tem possibilidade de tornar-se geradora de uma nova primavera.
Ou somente no apodrecer no seio da terra irrompe a vida do grão. Na tradição franciscana, desde Frei Pacífico, o jogral da corte, dos dias de Francisco até um Alceu Amoroso Lima dos nossos dias, vamos encontrar esta fraterna convivência do homem com a morte, depois de ter exorcizado todos os fantasmas e medos e de ter aceito o parentesco com a Irmã Morte.
Por isso, entre a série de elementos com os quais tentamos descrever a riqueza do vocábulo franciscanismo, devemos alinhar, com toda a naturalidade, a concepção da morte de Francisco como um dos elementos constitutivos do franciscanismo. T
#ReflexõesFranciscanas
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