sexta-feira, 18 de setembro de 2015

5º Dia da Novena à São Pio de Pietrelcina


Oração inicial:
+ Pelo Sinal da Santa Cruz , + Livrai-nos Deus Nosso Senhor, + dos nossos inimigos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Invocação ao Espírito Santo:
Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fieis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai Senhor o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. Oremos: Ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo espírito e gozemos sempre da sua consolação. 
Por Cristo Nosso Senhor. Amém!

Pausa para colocar suas intenções
Quinto dia 
Prudente São Pio de Pietrelcina, que nutriste uma grande devoção pelas almas do purgatório, pelas quais te ofereceste como vítima expiatória, roga ao Senhor a fim de que infunda em nós o sentimento de compaixão e de amor que tu tinhas por estas almas, de modo de que nós também consigamos reduzir o seu tempo de exílio, buscando ganhar para elas, com o sacrifícios e orações, a santas indulgências que lhe são necessárias.
Meditação:” Ó Senhor, Jesus Cristo, suplico-te que derrame sobre mim, todos os castigos que são para os pecadores e as Almas Benditas que estão no Purgatório, multiplica sobre mim os sofrimentos, com os quais convertes e salvas os pecadores, livrando-os e os salvando do tormento do purgatório. “. (Padre Pio)
Rezar a Coroa do Sagrado Coração de Jesus
Rezar a Coroa do Sagrado Coração de Jesus: (Padre Pio gostava muito dessa oração, e alcançava muitas graças)

1 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo, pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e ser-vos-á dado!” Eis que bato, procuro e peço a graça… Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!

2 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade, vos digo, qualquer coisa que pedis ao meu Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá!” Eis que ao Vosso Pai, em Vosso nome, eu vos peço a graça… Pai Nosso, Ave Maria e Glória
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!

3 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade, vos digo, passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão!” Eis que, apoiado na infalibilidade das Vossas santas palavras, eu Vos peço a graça…Pai Nosso, Ave Maria e Glória
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!

Oração: Ó Sagrado Coração de Jesus, a quem uma única coisa é impossível, isto é, a de não ter compaixão dos infelizes, tende piedade de nós, míseros pecadores, e concedei-nos as graças que Vos pedimos por intermédio do Coração Imaculado da Vossa e nossa terna Mãe. São José, Amigo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós.

Rezar a Salve Rainha.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

4° Dia da Novena à São Pio de Pietrelcina

Oração inicial:
+ Pelo Sinal da Santa Cruz, + Livrai-nos Deus Nosso Senhor, + dos nossos inimigos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Invocação ao Espírito Santo:
Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fieis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai Senhor o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. Oremos: Ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Nosso Senhor. Amém!

Pausa para colocar suas intenções
Quarto dia

Castíssimo São Pio de Pietrelcina, que tanto amastes o teu Anjo da Guarda, o qual te guiava, defendia e era o teu mensageiro. A ti as figuras angélicas levaram as preces dos teus filhos espirituais. Intercede a Deus por nós para que também nós aprendamos a falar com nosso Anjo da Guarda, para que a todo momento saibamos obedecê-lo, pois és a luz viva de Deus, que nos livra da desgraça de cair em pecado. Nosso Anjo sempre está pronto a ensinar-nos o caminho do bem e a dissuadir-nos de fazer o mal.
Meditação:Invoca o teu Anjo da Guarda, que ele te iluminará e te conduzirá. Deus te deu ele por este motivo. Por isso, serve-te dele”. (Padre Pio)



Rezar a Coroa do Sagrado Coração de Jesus: (Padre Pio gostava muito dessa oração, e alcançava muitas graças)

1 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo, pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e ser-vos-á dado!” Eis que bato, procuro e peço a graça… 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória


Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!

2 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade, vos digo, qualquer coisa que pedis ao meu Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá!” Eis que ao Vosso Pai, em Vosso nome, eu vos peço a graça… 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória


Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!

3 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade, vos digo, passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão!” Eis que, apoiado na infalibilidade das Vossas santas palavras, eu Vos peço a graça…Pai Nosso, Ave Maria e Glória

Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!

Oração: Ó Sagrado Coração de Jesus, a quem uma única coisa é impossível, isto é, a de não ter compaixão dos infelizes, tende piedade de nós, míseros pecadores, e concedei-nos as graças que Vos pedimos por intermédio do Coração Imaculado da Vossa e nossa terna Mãe. São José, Amigo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós.

Rezar a Salve Rainha.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

3° Dia da Novena à São Pio de Pietrelcina



Oração inicial:



+ Pelo Sinal da Santa Cruz , + Livrai-nos Deus Nosso Senhor, + dos nossos inimigos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!


Invocação ao Espírito Santo:

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fieis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai Senhor o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. Oremos: Ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Nosso Senhor. Amém!

Pausa para colocar suas intenções

Terceiro dia

Virtuosíssimo Padre São Pio de Pietrelcina: você amou muito Nossa Senhora, de quem recebeu, diariamente, graças e consolações. Nós imploramos, por favor, reze à Virgem Santa por nós, enquanto coloca nas mãos dela nossos pecados e nossas orações sem fé, de forma que, como em Caná da Galileia, o Filho atenda a Mãe e nosso nome seja escrito no Livro da Vida.

Meditação: “Que Maria seja a estrela que ilumina seu caminho, e que ela lhe mostre o modo seguro para seguir o Pai Celestial. Ela é como uma âncora, na qual vocês têm que se agarrar e conservar-se cada vez mais unidos e firmes nos momentos de tentação (Padre Pio)”


Rezar a Coroa do Sagrado Coração de Jesus: (Padre Pio gostava muito dessa oração, e alcançava muitas graças)


1 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo, pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e ser-vos-á dado!” Eis que bato, procuro e peço a graça… Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!

2 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade, vos digo, qualquer coisa que pedis ao meu Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá!” Eis que ao Vosso Pai, em Vosso nome, eu vos peço a graça… Pai Nosso, Ave Maria e Glória
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!

3 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade, vos digo, passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão!” Eis que, apoiado na infalibilidade das Vossas santas palavras, eu Vos peço a graça…Pai Nosso, Ave Maria e Glória
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!


Oração: Ó Sagrado Coração de Jesus, a quem uma única coisa é impossível, isto é, a de não ter compaixão dos infelizes, tende piedade de nós, míseros pecadores, e concedei-nos as graças que Vos pedimos por intermédio do Coração Imaculado da Vossa e nossa terna Mãe. São José, Amigo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós.


Rezar a Salve Rainha.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

2º Dia da Novena à São Pio de Pietrelcina

Segundo dia

São Pio de Pietrelcina, que junto Nosso Senhor Jesus Cristo, soubeste resistir as tentações do maligno. Tu que sofreste os golpes e as vexações dos demônios que queriam levar-te a abandonar a tua estrada de santidade, intercede junto ao Altíssimo a fim de que também nós, com o teu auxílio e com aquele de todo o paraíso, encontremos a força para renunciar o pecado e conservar a fé até o dia de nossa morte.


Meditação: “Coragem e não tema as agressões do Diabo. Lembra-te para sempre disto: ‘Que é bom sinal quando o inimigo faz barulho e ruge em torno de tua vontade – uma vez que isto demonstra que ele não está dentro’”. (Padre Pio)


Rezar a Coroa do Sagrado Coração de Jesus: (Padre Pio gostava muito dessa oração, e alcançava muitas graças)


1 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo, pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e ser-vos-á dado!” Eis que bato, procuro e peço a graça… Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!

2 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade, vos digo, qualquer coisa que pedis ao meu Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá!” Eis que ao Vosso Pai, em Vosso nome, eu vos peço a graça… Pai Nosso, Ave Maria e Glória
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!

3 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade, vos digo, passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão!” Eis que, apoiado na infalibilidade das Vossas santas palavras, eu Vos peço a graça…Pai Nosso, Ave Maria e Glória
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós!


Oração: Ó Sagrado Coração de Jesus, a quem uma única coisa é impossível, isto é, a de não ter compaixão dos infelizes, tende piedade de nós, míseros pecadores, e concedei-nos as graças que Vos pedimos por intermédio do Coração Imaculado da Vossa e nossa terna Mãe. São José, Amigo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós.

Rezar a Salve Rainha.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

1º Dia da Novena à São Pio de Pietrelcina



1° Dia – Novena à São Padre Pio


Iniciaremos hoje 14 de Setembro, a Novena à São Pio de Pietrelcina. Próximo dia 23 de Setembro comemoramos sua Festa Litúrgica. Rezem conosco!

Oração inicial:

+ Pelo Sinal da Santa Cruz, + Livrai-nos Deus Nosso Senhor, + dos nossos inimigos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Invocação ao Espírito Santo:

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai Senhor o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. Oremos: Ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Nosso Senhor. Amém! 


Pausa para colocar suas intenções

Primeiro dia

Amado São Pio de Pietrelcina, que trouxeste no teu corpo os sinais da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tu que carregaste a Cruz por todos nós, suportando os sofrimentos físicos e morais que flagelavam a alma e o corpo em um martírio contínuo, intercede junto a Deus a fim de que cada um de nós saiba aceitar as pequenas e as grandes cruzes da vida, transformando cada sofrimento em um seguro vínculo que nos liga a vida eterna. 

Meditação:“É uma grande vantagem conformar-se aos sofrimentos que Jesus enviará a você. Jesus, que não suporta ver que você sofre, virá socorrê-lo e o confortar, enquanto infunde uma coragem nova em sua alma“. 
Padre Pio

Rezar a Coroa do Sagrado Coração de Jesus:

COROA AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS 

1 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade vos digo, pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e ser-vos-á dado!” Eis que bato, procuro e peço a graça… 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória. 
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós! 

2 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade, vos digo, qualquer coisa que pedis ao meu Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá!” Eis que ao Vosso Pai, em Vosso nome, eu vos peço a graça… Pai Nosso, Ave Maria e Glória 
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós! 


3 – Ó meu Jesus, que dissestes: “Em verdade, vos digo, passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão!” Eis que, apoiado na infalibilidade das Vossas santas palavras, eu Vos peço a graça… 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória 
Sagrado Coração de Jesus, confio e espero em vós! 

Oração: Ó Sagrado Coração de Jesus, a quem uma única coisa é impossível, isto é, a de não ter compaixão dos infelizes, tende piedade de nós, míseros pecadores, e concedei-nos as graças que Vos pedimos por intermédio do Coração Imaculado da Vossa e nossa terna Mãe. São José, Amigo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós. 

Rezar a Salve Rainha.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A preguiça - Conclusão

A LABORIOSIDADE, IRMÃ DA DILIGÊNCIA 
 
“Trabalhando mais”. As palavras que acabamos de citar fazem pensar num dos 
aspectos mais essenciais da diligência: a virtude da laboriosidade, que é como uma 
irmã gêmea da diligência. 
Chama-se laborioso àquele que ama o trabalho, e por isso se esforça por trabalhar muito e bem. É fácil perceber que a laboriosidade é um dos flancos da diligência mais vulneráveis à preguiça. Porque o preguiçoso foge do trabalho como de um castigo, esquecido de que, já nas suas primeiras páginas, a Bíblia ensina que o trabalho é uma 
grande missão confiada por Deus ao homem – sua “imagem” e seu “colaborador” –, desde o dia da sua criação: Para isso – lemos no Gênesis – Deus colocou o homem no paraíso, para que trabalhasse (Gên 3, 19). As penas e fadigas do trabalho são 
conseqüência do pecado, mas o trabalho não. 
O preguiçoso encara o trabalho como um fardo, do qual procura livrar-se quanto antes e de mil modos possíveis. Com essa mentalidade,  é inevitável que o trabalho esteja crivado de inconstâncias e imperfeições, e que os  dias se encham de tristes 
horas suportadas ou perdidas. 
Não é laborioso quem trabalha frivolamente; quem cumpre as tarefas levianamente, 
sem atenção nem esmero; quem interrompe o trabalho com qualquer desculpa, pontilhando os horários de serviço de contínuos parênteses de vazio (beber um gole de água, esticar um telefonema, hora do cafezinho); quem começa muitas coisas e nunca termina nenhuma, incapaz que é de colocar a “última pedra” em nenhum dos 
seus empreendimentos; quem deixa a imaginação divagar e, nas asas da fantasia, sonha com grandes realizações ideais ao passo que “desgraça” as ocupações reais. 
“Trabalhemos muito e bem”16: eis o lema  da laboriosidade, que se completa com 
outro princípio de ação: “Faz o que deves e está no que fazes”. 
O que entendemos por “muito trabalho”, por “trabalhar muito”...? Sobre o “peso” do trabalho, a preguiça não se cansa de nos enganar,  suscitando queixumes e auto-compaixão: “Trabalho muito, trabalho demais, como é dura a vida”. Talvez fosse bom levarmos a sério o ditado brincalhão, que alguma vez teremos lido na traseira de um 
caminhão: “A vida é dura para quem é mole”. Reconheçamos honestamente que, com ordem e empenho, todos podemos fazer mais, muito mais do que fazemos. 
O laborioso aprende a “espremer” o seu tempo, com garbo e com garra. É questão de querer. “Que esperas, pois,  para aproveitar conscienciosamente todos os instantes? 
(...). Aconselho-te que consideres se esses minutos que te sobram ao longo do dia – 
bem somados, perfazem horas! – não  obedecem à tua desordem ou à tua poltronice”. Faz o que deves e está no que fazes. Mediante a virtude da ordem, fazemos o que devemos. A laboriosidade nos leva também a “estar” no que fazemos. 
“Estar” nas tarefas significa dedicar-lhes  os cinco sentidos, todas as potências: 
inteligência, vontade... Significa vencer  habitualmente a divagação e o espírito rotineiro. Uma coisa é “trabalhar” – realizar algo de acordo com as nossas possibilidades – e outra muito diferente, embora seja infelizmente freqüente, é 
“liquidar” os encargos de qualquer maneira. 
Um excelente exercício, para ajudar-nos a cair na conta da nossa falta de laboriosidade, poderia ser perguntar-nos: esta tarefa, é minha mesmo? Muitas vezes deveríamos responder: não, não é minha, porque é anônima, é uma tarefa superficial 
que qualquer um poderia ter feito. Não traz a minha marca, porque não me entreguei a ela com toda a minha capacidade e iniciativa. Naturalmente, a “nossa marca” não é a da frívola originalidade, mas a marca inconfundível da nossa diligência, do nosso amor. 
 
 O DILIGENTE TEM ALMA DE ARTISTA 
 
“Não é diligente quem se precipita – recordávamos acima –, mas quem trabalha com 
amor, primorosamente”. 
É possível imaginar alguma coisa feita  diligentemente, que esteja mal acabada? 
Qualquer trabalho ou realização, levados a cabo com amor, são obras “acabadas” ou, como se diz familiarmente,  “caprichadas”. A imperfeição grosseira é uma denúncia clamorosa da falta de amor. 
Não é em vão que, na linguagem comum, se utilizam algumas significativas expressões: é uma coisa muito trabalhada – diz-se –, é uma peça lavrada com primor. 
É sugestivo que, de uma coisa realizada  com esmero muito especial, se diga simplesmente que foi “trabalhada”; e que se aplique aos requintes da arte manual o verbo “lavrar”, que deriva da palavra latina “laborare”, trabalhar. 
Por trás dessas expressões, oculta-se como que um sexto sentido, a intuir que a laboriosidade envolve a idéia da perfeição amorosa em tudo o que se faz. 
Com efeito, a diligência – a laboriosidade  – sabe “acabar” as coisas, porque sabe fazê-las por amor – por amor a Deus e aos outros – e com amor. 
Se fizermos uma revisão da tapeçaria  formada pelos nossos  deveres cotidianos, poderemos por acaso dizer que essa tapeçaria está “trabalhada” como uma obra de arte? 
Existem, por exemplo, lares bons, mas muito pouco “trabalhados”, porque a rotina e a indelicadeza foram tomando conta deles –  não houve renovação – como ferrugem implacável. Existem deveres profissionais pouco “trabalhados”, porque foram deslizando para um monótono cumprimento, uma burocrática repetição de serviços. 
Existem práticas religiosas pouco “trabalhadas”, porque não se renovou a fé que as acalentava alimentando-a com uma intensa formação – ou porque cristalizaram em devoções formalistas e práticas mecânicas. Existem paternidades muito pouco “trabalhadas”, porque sobre o amor dos pais depositou-se a poeira do costume, abafando afetos e dedicações. 
Em todos estes casos, o amor e o entusiasmo foram-se congelando entre as mãos da rotina. Cederam passagem a mil pequenos  descuidos, grosserias e imperfeições, aparentemente sem importância, e com isso perderam a força da renovação, isto é, da vida. 
Uma tarefa feita por inércia, sem carinho, não é só uma tarefa inacabada e imperfeita, é um corpo sem alma. Só o amor cria e  renova. “Na simplicidade do teu trabalho habitual, nos detalhes monótonos de cada dia, tens que  descobrir o segredo – para 
tantos escondido – da grandeza e da novidade: o Amor”. 
A dupla força motriz da alma do cristão – o amor a Deus e o amor ao próximo – é poderosa para “renovar a face da terra” e conseguir o milagre de expulsar a rotina da vida cotidiana. Cada dia pode ser uma estreia, cada esforço um gesto inédito. “Toda hora o barro se refaz – diz Guimarães Rosa –, Deus ensina”. 
Sim, Deus ensina que, para Ele, “nenhuma ocupação é em si mesma grande ou pequena. Tudo adquire o valor do Amor com que se realiza”, e por isso é possível – e nisso consiste a aventura cotidiana do cristão – “transformar a prosa desta vida em decassílabos, em poesia heroica”. 
Santo Agostinho dizia, com  uma expressão muito viva,  que dilectio vacare non potest, o amor não pode parar, não pode tomar férias. Pois bem, uma pessoa de fé e de amor tem sempre o coração em movimento, como um coração de artista, alegremente inquieto e criativo. 
Nunca o artista se sente satisfeito com a obra realizada. Sempre sonha em ir além. E este sonho ativa-lhe o engenho e movimenta-lhe o braço. Elabora por dentro, cria, recria, e se entrega ao trabalho com fervor, sem medir cansaços nem fadigas. Seu braço pode extenuar-se, mas  o seu coração canta. Assim deve ser o cumprimento 
diligente dos deveres de um cristão. 
Se porventura percebemos que, no íntimo de nós, está abafada essa alma de artista, se caímos na conta de que a rotina está estreitando o seu cerco, afunilando sonhos, crestando ilusões, cobrindo antigos entusiasmos com a pátina de uma canseira triste, é necessário prestar muita atenção: há um  sinal de alarme avisando-nos de que já caímos, ou estamos à beira de cair numa lastimável preguiça, a preguiça do coração, o tédio da falta de amor. 
Precisaremos, então, abrir bem os olhos  da alma para enxergar que a rotina, a desilusão e o cansaço não são devidos – como tendemos a imaginar – ao acúmulo de tarefas, nem à repetição monótona das mesmas, nem ao desestímulo provocado por 
incompreensões dos que convivem ou trabalham conosco. Pelo contrário, são o efeito de uma doença da alma, que desaprendeu de amar, e por  isso vê tudo cinza e sente tudo insosso. 
Quando acordamos para a única coisa  necessária (Lc 10,  42), voltando-nos decididamente para Deus, haverá uma reviravolta. Tudo, até os menores detalhes do cotidiano, mudará de sentido. Onde antes víamos muros – muralhas de deveres 
apertando como paredes de um cárcere –  passaremos a ver janelas abertas para o infinito. E onde antes a rotina nos fechava num beco, agora se rasgará uma estrada. 
Não se trata de simples imagens. O amor  de Deus – o impulso da graça divina – muda tudo, como o sol transforma as  sombras noturnas em  paisagem colorida. 
Guiado pela fé e o amor, o coração cristão aprende a descobrir, em cada pequeno dever, em cada um dos esforços necessários para a execução das tarefas cotidianas, uma oportunidade – cada dia renovada – de se dar mais, de servir melhor, de alcançar um novo grau de perfeição, de expressar uma generosidade mais  alegre... E isto porque aprendeu a captar, nos pequenos pormenores do dia-a-dia, o convite de Deus. 
Aquele que me segue não andará nas trevas, porque terá a luz da vida (Jo 8, 12). 
Aquelas mesmas realidades cansadas que a preguiça fazia murchar, a diligência cristã vem revigorar com viço inesgotável. Quem ama, ensina São João, é transladado da morte para a vida (1 Jo 3, 14).  Depende de nós. Não é poupando-nos que 
encontraremos vida e felicidade, mas dando-nos mais e mais. Quanto mais generoso for o sacrifício e mais profunda a entrega, mais impetuosamente brotará a alegria, como um sinal da plenitude da vida. 
Afinal, não é esta uma das mais límpidas e preciosas lições que Cristo nos deixou? 
Quem quiser guardar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de Mim, a encontrará (Mt 16, 25).
 
 PONTOS DE REFLEXÃO 
 
Nesta matéria, como em tantas outras que configuram o ideal cristão, o que custa não é tanto aceitar as ideias, mas levá-las à prática. Uns poucos pontos concretos podem ajudar a ver o ângulo por onde começar e... continuar. 
* Compreendo que uma das maiores manifestações da preguiça em mim é a indiferença ou apatia na luta contra os meus defeitos? Concretizo as ocasiões em que devo enfrentar as minhas inclinações erradas: onde, quando, como? 
*  Sou consciente de que, sem um plano  de vida diário, a minha vida será uma coleção inútil de vagos desejos de ser um bom cristão? Nesse plano, estabeleço com prioridade qualitativa um tempo dedicado à  oração, à leitura do Evangelho, a uma visita ao Santíssimo Sacramento, ao exame de consciência? 
* Faço o que devo, hoje e agora? Percebo que, muitas vezes, esse “hoje e agora” 
consiste em enfrentar uma  tarefa desagradável, custosa ou espinhosa, humilde ou mesmo humilhante – mas que terá o sabor alegre e fecundo do dever cumprido e da caridade de Cristo? Vejo que o tempo da graça é agora? 
* O meu dia é agitado ou sereno, o meu trabalho arrastado ou intenso, desleixado ou competente e bem acabado? Procuro espremer o minuto de sessenta segundos? 
* Habituo-me, no meio das minhas ocupações, a buscar o olhar divino, que me dê paz 
e ânimo para cumprir o dever de cada momento, que  torne a minha jornada uma tarefa do coração, e não a escória  do egoísmo, o subproduto do orgulho, a claudicação perante o comodismo? 
* Omito-me na educação religiosa dos  filhos? Omito-me em conversar com os amigos e colegas sobre Deus e a prática  da vida cristã? Omito-me nas obras de misericórdia que estejam ao meu alcance? É a minha vida um conjunto de omissões? 
* Queixo-me do excesso de trabalho? Não percebo que, quando tiver mais ordem, multiplicar-se-á o meu tempo? Lembro-me daquele claro pensamento (cfr. Sulco, n. 238): “Basta-me ter diante de mim um Crucifixo para não me atrever a falar dos meus sofrimentos...”?

http://www.salvaialmas.com.br/?cat=107&id=1431

terça-feira, 8 de setembro de 2015

A Preguiça - Segunda parte

DILIGENCIA - O ANTIDOTO DA PREGUIÇA 

Se abrirmos o pequeno catecismo da nossa Primeira Comunhão, é quase certo que encontraremos uma pergunta acerca dos pecados capitais, seguida da lista dos seus 
sete nomes. E, a seguir, uma outra pergunta esclarecerá quais são as virtudes opostas aos vícios capitais. Nessa segunda pergunta, estarão impressas certamente estas três 
palavras: contra preguiça, diligência. 
A diligência é o antídoto específico da preguiça. Onde a preguiça cava um abismo, a diligência ergue uma montanha. E o que é a diligência? 
Georges Chevrot, no seu livro sobre “As pequenas virtudes do lar”, reproduz, com muito bom humor, o seguinte diálogo. Um garoto, ouvindo falar em diligência, 
mostra logo com um brilho nos olhos a sua sabedoria histórico-cinematográfica: – “A diligência – diz – era uma carruagem puxada por cavalos, que se usava no faroeste 
antes de haver automóveis... 
– “Muito bem, meu rapaz, você sabe muito – retruca o pai –; também deve saber que lhes foi dado esse nome porque iam muito depressa. Para a época, evidentemente”11. 
Os pais quase sempre têm razão. Mas, neste caso, o pai da história, ao aprofundar na explicação, deu uma pequena escorregadela. 
Pode ser que, àqueles trambolhos rolantes, acostumados a fugir dos índios nos 
desertos do Arizona, tivessem dado o nome de diligência em homenagem à sua rapidez. Mas o que é certo é que a palavra diligência, na sua origem, nada tem a ver 
compressa ou velocidade. 
Na realidade, diligência é uma palavra que vem diretamente do verbo latino diligere, 
que significa amar. De modo que, na língua-mãe do Lácio, diligens (diligente) significava aquele que ama. Isto é da maior importância para o tema que nos ocupa. Dizíamos que a acédia – a preguiça – é o contrário do amor, pelo fato de sentir aversão e tristeza por aquilo mesmo que atrai e alegra o amor: o bem, mesmo que seja árduo e difícil. 
Em confronto com a preguiça, a virtude da diligência consiste no carinho, alegria e prontidão (coisa diferente da pressa) com que pensamos no bem e nos prontificamos 
a realizá-lo da melhor maneira possível. 
Poucas descrições da diligência existem, mais ricas de conteúdo, do que a contida numa das homilias de Mons. Escrivã, que transcrevemos a seguir: 
“Quem é laborioso aproveita o tempo (...). Faz o que deve e está no que faz, não por rotina nem para ocupar as horas, mas como fruto de uma reflexão atenta e ponderada. 
Por isso é diligente. O uso normal dessa palavra – diligente – já nos evoca a sua origem latina. Diligente vem do verbo diligo, que significa amar, apreciar, escolher 
alguma coisa depois de uma atenção esmerada e cuidadosa. Não é diligente quem se precipita, mas quem trabalha com amor, primorosamente”12. 
Se quiséssemos retratar o anti-preguiçoso típico, é bem provável que imaginássemos a figura de um personagem acelerado e febril, um incansável trabalhador impelido 
por uma sorte de movimento contínuo. E, no entanto, não é assim. É mais fácil encontrar agitados entre os preguiçosos que entre os diligentes. Paradoxalmente, a diligência está – num certo sentido – mais perto do “devagar”, e a preguiça mais perto do “depressa”. Mas esse “certo sentido” precisa de uma explicação. 
Reparemos que as palavras de Mons. Escrivã, acima citadas, esclarecem que uma pessoa é diligente quando aproveita o tempo “como fruto de uma reflexão atenta e 
ponderada”; recordam, ao mesmo tempo, que só há amor – diligência – quando se sabe “apreciar, escolher alguma coisa depois de uma atenção esmerada e cuidadosa", 
e concluem alertando: "Não é diligente quem se precipita”. 
Muitas pessoas oferecem a imagem de um ativismo desenfreado. Não param um instante. Vão de cá para lá, assoberbados de tarefas, numa incessante corrida atrás do 
tempo, que sempre se lhes torna escasso. As ocupações os envolvem como que num redemoinho. lá não são donos de si mesmos. A sua atividade – ativismo, deveria 
chamar-se – domina-os como um cavalo sem freio, do qual perderam completamente as rédeas. 
Lembram a história daquele oficial de artilharia, inexperiente nas lidas da equitação, que certa vez quis fazer uma experiência: pediu um cavalo, acomodou-se como pôde na sela e olhou na direção noroeste, para a localidade aonde desejava dirigir-se. Meia 
hora depois, no mais perfeito rumo sudeste, um grupo de oficiais observa o trotezinho desajeitado do cavalo e o olhar espavorido do colega que se lhe agarra ao pescoço, e 
indagam com ar brincalhão: – “Para onde é que você está indo?” – “Eu – responde o atribulado cavaleiro – ia para tal lugar, mas não sei para onde é que este cavalo me 
está levando...”. 
Muitos cavaleiros da agitação poderiam dizer a mesma coisa. Donas de casa que parecem uma Maria-fumaça sem breque, descendo descontroladas a ladeira do dia, 
sacolejadas por tarefas, saídas, telefonemas, problemas de escola, pagamentos, etc., 
Literalmente arrastadas para o abismo de um permanente nervosismo e uma canseira atordoada. Ou profissionais tensos, em constante disparada, sem tempo para pensar, 
cuja alma de robô faz deles, mais do que trabalhadores, devoradores de tempo, autênticos “cronófagos”. 
Homens e mulheres desse estilo não são diligentes. São apenas agitados. Não percebem que, por trás do seu vaivém descontrolado e fatigante, estão sendo atacados 
por uma forma perniciosa de preguiça: a preguiça espiritual, a preguiça mental. 
“O nosso século – escreve Jacques Leclercq – orgulha-se de ser o da vida intensa, e essa vida intensa não é senão uma vida agitada, porque o sinal do nosso século é a 
corrida, e as mais belas descobertas de que se orgulha não são as descobertas da sabedoria, mas da velocidade. E a nossa vida só é propriamente humana se nela há 
calma, vagar, sem que isto signifique que deva ser ociosa (...). Acumular corridas e mais corridas não é acumular montanhas, mas ventos”13. 

A DILIGENCIA EXIGE CALMA 
A mão que segura e governa as rédeas da atividade é a reflexão. Só quem pensa serenamente nos seus deveres, na maneira de conjugá-los, nas prioridades que entre 
eles deve estabelecer, nos passos necessários para executá-los, é que possui o governo da ação e do tempo. Esse saberá aproveitar diligentemente cada um dos seus dias, e 
não será uma marionete puxada aos solavancos pelas cordas do nervosismo e da imprevidência. 
Lima atividade madura e eficaz exige – como a planta necessita da terra em que se enraíza – o solo fecundo da serenidade e da meditação. É preciso que aprendamos a 
parar e a perguntar-nos: Por que estou fazendo as coisas? Como é que as estou fazendo? Atiro-me cegamente numa correnteza de ocupações desordenadas? Estou 
fazendo realmente o que devo e do melhor modo? 
Quando alguém se questiona assim, o impulso instintivo da preguiça será voltar à carga e repetir: “Não tenho tempo, não posso parar, não consigo um mínimo de 
tranqüilidade, o tumulto das ocupações não me ‘deixa’ meditar...”. 
Na verdade, quem não nos deixa meditar é a preguiça. É mais fácil escorregar pelo tobogã da rotina, mesmo que seja uma rotina febril, do que ter a coragem de se enfrentar consigo próprio, agarrar com firmeza o leme da vida e controlar energicamente o rumo da navegação. 
É por isso que a diligência pressupõe uma “atenção esmerada e cuidadosa” para “apreciar” o valor dos deveres a cumprir, e para os “escolher” conscientemente, 
“como fruto de uma reflexão atenta e ponderada”. 
O homem moderno é pobre em interioridade. A ação não lhe nasce de dentro. Medita pouco e quer abranger muito. Então é quase inevitável que num dado momento, 
talvez quando já chegou longe demais, se lhe tornem claras, como um soco na consciência, as palavras de Santo Agostinho: “Corres bem, mas fora do caminho”. 
Contaram-me certa vez a história de um homem de idade avançada, que dedicara a vida a uma brilhante atividade empresarial. Chegou a aposentadoria, e um dia – para 
matar o tempo – pegou no catecismo elementar de um de seus netinhos. Abriu a primeira página e começou a ler: “Quem é Deus?”... E depois: “Para que foi criado o 
homem? O homem foi criado para conhecer, amar e servir a Deus neste mundo...”. 
Duas grossas lágrimas rolaram-lhe pela face: “– A minha vida foi vazia. Fiz muitas coisas, mas esqueci-me da única que valia a pena”. 
Talvez para que essa lição não fosse tardiamente aprendida é que Jesus dirigiu a Marta, em Betânia, aquela afetuosa censura: Marta, Marta, andas muito inquieta e te 
preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada (Lc 10, 39 ss). 
E, qual era a melhor parte, que Jesus contra punha ao ativismo inquieto de Marta e aos seus queixumes? Era a atitude de sua irmã Maria, tal como a descreve essa 
passagem do Evangelho de São Lucas: Maria, sentada aos pés do Senhor, ouvia a sua 
palavra. 
É evidente que Jesus não censura o trabalho de Marta – Ele que amou tanto o trabalho no lar de Nazaré –, nem sugere substituí-lo por uma pura passividade 
contemplativa. O que faz é marcar claramente a diferença que existe entre “muitas 
coisas” e “uma só coisa necessária”. 
A todos, Deus nos pede que façamos muitas coisas. Mas a única verdadeiramente necessária é que nos coloquemos sinceramente junto d’Ele –muitas vezes – e 
escutemos o que tem a dizer-nos. Assim, as “muitas coisas” unificam-se em “uma só coisa”: trabalhar cumprindo a Vontade de Deus. 
Todos deveríamos ter, fossem quais fossem as nossas ocupações, uns minutos diários de calma e recolhimento para parar, pensar, orar e procurar enxergar o melhor modo – o que esteja mais de acordo com Deus – de organizarmos e realizarmos as nossas tarefas. 

MEDITAR PARA AGIR 
“Faz o que deves”, para um cristão, não é o simples imperativo do dever, da obrigação. É a Vontade do seu Senhor. O que é que Deus quer que eu faça em 
primeiro lugar? Quais são as tarefas prioritárias no dia de hoje, aos olhos de Deus? 
Isto é o que interessa, o verdadeiramente “necessário”. 
Pensando friamente no dever, poderíamos chegar todos os dias à noite e acalmar a consciência, dizendo-nos: “Não fiz outra coisa senão trabalhar”, seja na fábrica ou no 
escritório, no lar, na escola ou onde quer que se cumpra a obrigação cotidiana. 
Em face de Deus, porém, as coisas são diferentes. O Senhor nunca vai sugerir-nos que abandonemos ou descuidemos as nossas obrigações. Mas freqüentemente, se 
soubermos escutá-lo, dirá: hoje, o que é prioritário para ti é dar o passo decisivo para te reconciliares com o teu marido, e acabar de vez com esse mutismo causado pelo 
teu orgulho ferido; hoje, não deixes de procurar, lá no escritório, um momento propício para conversar com esse colega que anda cada vez mais desorientado e 
precisa de uma palavra amiga que o encaminhe; hoje, aproveita o intervalo do almoço, e vai consultar com um sacerdote esse problema de consciência que te 
atormenta, e cuja resolução já adiaste demais; hoje, começa a pôr em prática o propósito de te levantares antes, de rezar a oração da manhã com pausa e ler umas 
palavras do Evangelho, que sejam luz para o coração ao longo do dia... 
Mas essa voz, essas “palavras” do Senhor, só podem ser ouvidas – é preciso insistir neste ponto – se soubermos recolher-nos em silêncio na presença de Deus, pensar 
sinceramente na nossa vida e fazer oração. 
Todos os cristãos deveríamos estabelecer e manter – e defender como algo de sagrado – pelo menos dez ou quinze minutos diários dedicados à meditação e ao exame da 
vida na presença de Deus: de manhã, antes de iniciar as atividades; ou pouco antes de recolher-nos para descansar; ou aproveitando a possibilidade de visitar uma igreja 
numa hora tranqüila, quando o silêncio do templo convida ao diálogo íntimo com Deus... Porque é nesses momentos que a alma, com a graça divina, se torna transparente, se liberta da terrível força centrífuga do ativismo, e consegue voltar para o seu centro, esse “centro da alma” de que falam os místicos, onde se encontra com Deus. Para quem quer escutá-lo, aí Deus sempre fala. 
E a voz de Deus – como antes lembrávamos – é a que nos esclarece as prioridades e ajuda a hierarquizar, pela ordem de importância, os deveres a cumprir. Assim, 
estamos em condições de “escolher” com “atenção esmerada e cuidadosa”. Passamos a ser diligentes. É importante, neste ponto, perceber que o fato de um dever ser prioritário não significa, via de regra, que se lhe tenha que dedicar maior quantidade de tempo. Há duas maneiras de dar prioridade a alguma obrigação, sem necessidade de prejudicar o tempo exigido pelas ocupações habituais. 
Em primeiro lugar, vive-se uma tarefa como prioritária quando se dá importância primária à qualidade com que se realiza. Assim, a um homem que deve trabalhar por longas horas para sustentar a família, Deus muitas vezes lhe sugerirá: no dia de hoje, é prioritário dar ouvidos às preocupações da tua esposa, dedicar uma palavra de estímulo àquele filho. Isto não significa que Ele nos peça um tempo de que não dispomos. Pede-nos, sim, que, dentro do pouco tempo disponível, demos maior qualidade – qualidade de carinho, de intensidade de interesse, de afabilidade – ao relacionamento com os da nossa casa. E isto é sempre possível. 
Há ainda uma segunda maneira de dar prioridade a um dever, cuja importância percebemos meditando na presença de Deus: a prioridade cronológica. Não a que consiste – repitamos de novo – em lhe dedicar longo tempo. Mas a que consiste em fazê-lo quanto antes. 
Pensemos, a esse respeito, na facilidade com que empurramos para depois deveres que certamente julgamos primordiais. Temos consciência de que alguma coisa é importante e não pode ser largada; mas iludimo-nos, dizendo: “Mais tarde”; ou então: 
“Logo que me sobrar um pouco de tempo”. Infelizmente, esse tipo de reações é freqüente quando se trata de deveres para com Deus: missa dominical, oração, etc., ou de deveres relacionados com o serviço do próximo. 
Seria lamentável que reservássemos para esses deveres, que consideramos importantes – e que são ressonâncias de apelos divinos –, somente as sobras do tempo. No entanto, é isto o que fazemos com freqüência: deixar o refugo do nosso tempo para as exigências do amor de Deus e do amor ao próximo. E aí não há diligência, porque não há amor. A diligência acha sempre o modo de preservar as precedências. A diligência ama o antes e detesta o depois.
 
A DILIGENCIA EXIGE ORDEM 
Estabelecer prioridades é uma das formas mais nobres da virtude da ordem: é a ordem da mente e do coração. Nos parágrafos anteriores, examinamos a necessidade de hierarquizar conscienciosamente o conjunto dos nossos deveres, abrindo espaços para todos e garantindo-lhes as precedências. 
Mas, para além dessa ordenada hierarquia de preferências, o homem diligente caracteriza-se pela prática da ordem no seu sentido mais simples e corriqueiro: a organização das atividades e do tempo dentro dos horários de cada dia, a adequada planificação. 
Falar nessas palavras – organização, planificação – evoca de imediato, nos tempos que correm, a frieza empresarial da produtividade e da eficiência. Parecem soluções muito boas para a indústria e o comércio, e muito ruins para o coração. Será possível falar-se em planejamento e medições de horário quando se trata de coisas de amor? Porque, no fundo, é de coisas de amor que estamos falando. Ter um horário fixo para rezar ou para ler um livro de espiritualidade, reservar tempos e horários certos para trabalhos apostólicos... tudo isto não soa a constrangimento, formalismo e abafamento da espontaneidade do espírito? 
Muitos pensam assim, e isso acontece porque não compreendem o verdadeiro sentido da virtude da ordem, uma virtude que precisa ser resgatada dos preconceitos que a desmerecem. Se não a reabilitarmos no nosso mundo de valores, veremos como a espontaneidade do amor e dos bons propósitos se desvanecerá em ilusões e omissões. 
Vejamos um pouco mais de perto este tema. 
Dizíamos nas páginas anteriores que existe uma ordem negativa, a que chamávamos ordem defensiva. Não passa da carapaça com que se protege o egoísta. Bem sabemos que essa ordem pode tornar-se doentia e atingir requintes de neurose, de mania. 
Talvez já tenhamos conhecido pessoas que ficavam transtornadas porque alguém – esposa, filho, empregada – tinha tido a ousadia de deslocar em poucos centímetros a posição exata que um livro devia ocupar na mesa do escritório. Da mesma forma que não faltam os que dramatizam qualquer interferência que lhes altere o horário de sono, ou o fim de semana cuidadosamente planejado. Isto não é virtude, é doença ou 
egoísmo. Como não é virtude a ordem dos escravos da eficiência, que sobre o altar da “produtividade” ou do “sucesso” profissional sacrificam Deus, a saúde, a família e as amizades. 
A virtude da ordem é outra coisa: por ser uma das faces da diligência, é uma maneira de praticar o amor. 
Se nos perguntássemos pelos traços mais essenciais doamor, com certeza todos nós 
coincidiríamos em dois deles: 
– primeiro: amar é querer bem, o que significa, por um lado, querer mesmo, querer de verdade; e, por outro, querer fazer o bem e tornar feliz – ou agradar – a pessoa amada; – segundo: amar é dar, ou melhor, dar-se. Não é a procura interesseira de si mesmo, através do prazer, das satisfações ou das compensações obtidas dos outros. 
Procuremos aplicar estas ideias, simples e transparentes, a dois exemplos vivos, que ilustram o que é a ordem nascida da diligência. 
Um homem está habituado a viver à margem do lar. Mulher e filhos vêem chegar todas as noites um fugaz visitante cansado e mal-humorado, que só deseja não ser incomodado. Chega tarde, não por necessidade, mas porque se entretém inutilmente com o serviço, ou prolonga o expediente em conversas de bar com os amigos. 
Um belo dia sente a voz da consciência. Compreende que não está dando amor aos seus. E resolve fazer uma pequena modificação importante: encerrar o trabalho na hora certa e chegar a casa, no máximo, até às 18:00 horas, para assim dedicar-se mais à família. Faz o propósito e o cumpre. Pois bem, este ato de ordem é um ato de amor: porque quer sinceramente o bem dos outros, e concretiza o modo de dar-se. 
Vejamos um segundo exemplo: um estudante (um desses católicos “comuns”, que vai à Missa “quando dá”) entende num dado momento a importância da oração. Como é possível – diz de si para si – amar a Deus e não falar com Ele, não ter um mínimo de intimidade. Antes, pensava vagamente que a oração era uma coisa boa, e estava disposto a fazê-la – como tantos outros – “quando tiver vontade”, “quando sentir” ... 
Agora, quer mesmo fazer oração, e reserva para isso um tempo diário, fixo e determinado. Porque quer mesmo, define um horário que garanta esse seu querer. 
Com isto, já está começando a amar, e o seu amor será mais completo quando se determinar a dar a Deus todos os dias, sem falta, esse pedaço do seu tempo – uns minutos de oração –, sem calcular se gosta ou tem vontade, pensando só em agradar a Deus. 
Convençamo-nos de que a ordem e a disciplina que a ordem estabelece – quando brotam da meditação, da oração – não asfixiam o idealismo, a paixão nobre ou o amor. Pelo contrário, canalizam-nos e os efetivam. Naturalmente, desde que a paixão nobre, o amor e o ideal existam e sejam uma força poderosa da alma. A ordem está a serviço dessa força, não a substitui. 
Como são traiçoeiras as faltas de ordem, essas “preguicinhas” que tanto nos fazem sorrir. Parecem coisa de nada, e podem vir a ser coisa de muito. Um simples atraso, um descuido, um adiamento escorado numa boa desculpa... são outros tantos modos de fazer murchar os melhores propósitos e os mais belos ideais. Basta uma “pequena preguiça” na hora de levantar, para que a oração ou a comunhão sejam abandonadas, ou para que o trabalho seja enfrentado atabalhoadamente e sem garra. 
Façamos um plano de vida, bem meditado e bem distribuído, que crie canais efetivos 
para todos os nossos desejos de fazer o bem; vivamos fielmente esse plano, e então entenderemos por experiência o sentido destas palavras: “Quando tiveres ordem, multiplicar-se-á o teu tempo e, portanto, poderás dar maior glória a Deus, trabalhando mais a seu serviço”.

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