segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Manutergium


As mãos consagradas de um padre no dia de sua sagrada ordenação são amarradas com o manutergium. O manutergium usado em sua ordenação será colocado nas mãos de sua mãe após a sua morte como um sinal de que aquela é mãe de um sacerdote.
Dessa forma, quando Nosso Senhor lhe perguntar - "Eu lhe dei a vida, o que foi que você me deu?" Ela lhe entregará o manutergium e responderá: "Senhor, eu Vos dei o meu filho como um sacerdote".
Honra para ela, glória para o Céu!

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Santo Tomás de Aquino, professor e consultor da Ordem



Livre e obediente à voz do Senhor, prosseguiu nos estudos sendo discípulo do mestre Alberto Magno

Neste dia lembramos uma das maiores figuras da teologia católica: Santo Tomás de Aquino. Conta-se que, quando criança, com cinco anos, Tomás, ao ouvir os monges cantando louvores a Deus, cheio de admiração perguntou: “Quem é Deus?”.
A vida de santidade de Santo Tomás foi caracterizada pelo esforço em responder, inspiradamente para si, para os gentios e a todos sobre os Mistérios de Deus. Nasceu em 1225 numa nobre família, a qual lhe proporcionou ótima formação, porém, visando a honra e a riqueza do inteligente jovem, e não a Ordem Dominicana, que pobre e mendicante atraia o coração de Aquino.
Diante da oposição familiar, principalmente da mãe condessa, Tomás chegou a viajar às escondidas para Roma com dezenove anos, para um mosteiro dominicano. No entanto, ao ser enviado a Paris, foi preso pelos irmãos servidores do Império. Levado ao lar paterno, ficou, ordenado pela mãe, um tempo detido. Tudo isto com a finalidade de fazê-lo desistir da vocação, mas nada adiantou.
Livre e obediente à voz do Senhor, prosseguiu nos estudos sendo discípulo do mestre Alberto Magno. A vida de Santo Tomás de Aquino foi tomada por uma forte espiritualidade eucarística, na arte de pesquisar, elaborar, aprender e ensinar pela Filosofia e Teologia os Mistérios do Amor de Deus.
Pregador oficial, professor e consultor da Ordem, Santo Tomás escreveu, dentre tantas obras, a Suma Teológica e a Suma contra os gentios. Chamado “Doutor Angélico”, Tomás faleceu em 1274, deixando para a Igreja o testemunho e, praticamente, a síntese do pensamento católico.
Santo Tomás de Aquino, rogai por nós!

http://santo.cancaonova.com/santo/santo-tomas-de-aquino-professor-e-consultor-da-ordem/

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

São Domingos e a oração com o corpo: redescubra essa tradição católica!

“Quando você ama, você expressa de muitas formas o que sente”
oração de São Domingos

Se o diálogo com Deus é profundo, o corpo segue o coração e dança, como o rei Davi diante da Arca da Aliança, ou mexe as mãos, os braços, as pernas, desenhando com o movimento o ritmo do colóquio com o Mestre da Vida, como fazia São Domingos de Gusmão.
De uma janela com vista para a igreja de Santa Sabina, dentro daquele que foi o dormitório do antigo mosteiro dominicano do Aventino, em Roma, os primeiros companheiros do santo fundador da Ordem dos Pregadores o “espiavam” absorto em oração, assistindo ao seu dinamismo incansável. “Quando você ama”, diz a irmã Catherine Aubin, dominicana, professora da Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino (“Angelicum”) e autora do livroRezar com o corpo à maneira de São Domingos, “você expressa o que sente com gestos, palavras, sorrisos. O mesmo acontece na oração, que é uma conversa com Jesus, a quem queremos mostrar o nosso amor. Nos dias de hoje, nós nos esquecemos um pouco desta relação viva da oração com o corpo e com Deus”.
Felizmente para nós, os irmãos daquela época tomaram notas e relataram 9 modos de rezar de São Domingos e os transformaram em imagens de um livro. Esse documento serviu para ajudar os irmãos a orarem. “O primeiro testemunho é o grito de São Domingos: ‘Minha Misericórdia, o que estão para tornar-se os pecadores?’”, comenta a irmã Catherine. “Daí os movimentos: curvar profundamente a cabeça e as costas, prostrar-se, esforçar-se para se unir à Paixão de Cristo, ajoelhar-se e levantar-se, ficar de pé sem apoiar-se em nada, com as mãos abertas sobre o peito em escuta da Palavra, com os braços abertos como Jesus na cruz, com os braços alçados ao céu em sinal de súplica. A cada gesto corresponde uma atitude espiritual – humildade, arrependimento, confiança na misericórdia de Deus –, num percurso de três etapas que expressam a aceitação das próprias limitações de criatura e o encontro com Deus face a face, como um amigo”.
Com as duas últimas atitudes, São Domingos lê e escuta o que o Senhor lhe diz através da sua Palavra e, em seguida, compartilha a amizade de Jesus com os amigos no mundo. Domingos tinha a reputação de ser o “consolador” dos seus irmãos, “ajudando os outros a reencontrarem a dignidade e a vocação, que é a amizade de Deus”. A amizade com Jesus demanda o tempo de estar com Ele, mas também de caminhar compartilhando o próprio ser com o próximo.
A irmã Catherine viveu dez anos em Paris, numa comunidade dominicana em Saint Denis, onde entrou em contato com muitas pessoas que buscavam a harmonia interior por meio de técnicas de meditação do tipo “zen”. O exemplo de São Domingos recorda que “também na tradição católica existe uma pedagogia da oração com o corpo, que ajuda a encontrar a interioridade”. Rezar com o corpo ajuda a ir além da oração mental distraída, transformando-a em um “diálogo vivo ao longo de toda a jornada”.
Difícil? Menos do que parece. “Comecemos com gestos simples, como o sinal da cruz e o abrir das mãos. Vamos aos poucos encontrando a presença de Deus em nós mesmos”.

http://pt.aleteia.org/2015/11/23/sao-domingos-e-a-oracao-com-o-corpo-redescubra-essa-tradicao-catolica/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Nov%2023,%202015%2004:33%20pm

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Couraça de São Patrício

Hoje me levanto com poderosa força
e invoco a Santíssima Trindade com
fé Trinitária.

Professando a unidade do Criador e
da criatura.

Hoje me levanto com a força do nascimento
de Cristo graças a seu Batismo, com a força
de sua crucificação e morte, com a força de
sua Ressurreição e Ascensão, com a força de
seu retorno no dia do juízo.

Hoje me levanto com a força do amor do
Querubim obediente aos Anjos, a serviço
dos Arcanjos, na esperança da Ressurreição
para encontrar consolo com as orações dos
Patriarcas, as predições dos Profetas, os ensinamentos
dos Apóstolos, a fé dos confessores, a inocência
dos Santas Virgens, os feitos dos homens de bem.

Hoje me levanto coma força dos Céus; a luz do
sol, o brilho da lua, o esplendor do fogo, a velocidade
do Trovão, a rapidez do vento a profundidade dos
mares, a permanência da Terra, a firmeza da rocha.

Hoje me levanto com a força de Deus que me guia,
sua grandeza que me apoia, sua sabedoria que me
guia, seu olho que me cuida, seu ouvido que me escuta,
sua Palavra que me fala, sua mão que me defende, seu
caminho para segui-lo, seu escudo para proteger-me,
sua Eucaristia para livrar-me das armadilhas do demônio,
da tentação dos vícios, daqueles que me desejam mal,
longe ou perto, só ou acompanhado.

Hoje invoco todos estes poderes para que se levantem
entre mim e estes males, contra todos os cruéis e infames
poderes que desejam o mal para meu corpo e alma, contra
as invocações dos falsos profetas, contra as nefastas leis pagãs,
contra as falsas leis da heresia, contra as artes da idolatria,
contra os feitiços das bruxas, quiromantes e feiticeiros, contra
todo conhecimento que corrompa o corpo e a alma.

Cristo me proteja hoje contra o veneno, contra o fogo, contra
o morrer afogado, ser ferido para que assim venha a mim
abundante consolo.
- Cristo comigo,
- Cristo à minha frente,
- Cristo atrás de mim,
- Cristo em mim,
- Cristo abaixo de mim,
- Cristo sobre mim,
- Cristo a minha direita,
- Cristo a minha esquerda,
- Cristo quando durmo,
- Cristo quando descanso,
- Cristo quando me levanto,
- Cristo no coração de todo homem que pense em mim,
- Cristo na boca de quem fale de mim,
- Cristo em todos os olhos que me vêem,
- Cristo em todo ouvido que me ouve.

Hoje me levanto com poderosa força e invoco à Santíssima
Trindade com trinitária Fé professando a unidade do Criador
e da criatura. "Assim seja."


São Patrício, bispo da Irlanda.


http://docuranossasalve.blogspot.com.br/2015/04/couraca-de-sao-patricio.html

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Por que sempre há um crucifixo nos altares?

Uma pergunta que todo católico precisa saber responder

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No centro da ação litúrgica da Igreja, está Cristo e seu mistério pascal. Portanto, a celebração litúrgica deve tornar evidente esta verdade teológica. E, desde quase sempre, o símbolo escolhido pela Igreja para a orientação do coração e da mente do cristão durante a missa ou a liturgia é a representação de Jesus crucificado.
O crucifixo é o principal elemento sobre o altar, porque a missa é o santo sacrifício, memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor.
Antigamente, a liturgia prescrevia o costume de que tanto o sacerdote quanto os fiéis se posicionassem na direção do crucifixo durante a missa. O crucifixo era colocado no centro do altar (que naquela época ficava ligado à parede).
Isso nos dá a entender a centralidade do crucifixo na celebração do culto divino, e era muito mais destacado no passado. De fato, a presença da cruz na celebração da missa está certificada desde o século V.
O crucifixo fica sobre o altar para recordar à assembleia e ao ministro celebrante que a vítima que se oferece sobre o altar é a mesma que se ofereceu na cruz.
Portanto, nunca podemos perder de vista que a missa é um sacrifício – aspecto este que pode se perder quando a celebração se converte em uma festa que só leva em consideração a ressurreição do Senhor, esquecendo-se do seu sacrifício expiatório.
Não podemos nos esquecer de que não há ressurreição sem cruz.
O crucifixo no centro do altar nos indica que o sacerdote celebra a missa frente a Deus, e não como um protagonista diante do povo. A cruz tira o protagonismo do padre e o dá a Cristo; assim, tanto fiéis como sacerdotes vivem a missa olhando para Deus.
A liturgia não é um diálogo entre sacerdote e assembleia. Sacerdote e povo não dirigem um ao outro sua oração, senão que, juntos, a dirigem ao único Senhor.
Olhar para o crucifixo é uma oportunidade para caminhar com o olhar dirigido a Jesus.
O crucifixo sempre deve estar sobre o altar, salvo duas exceções: quando o Santíssimo Sacramento é exposto na custódia e quando a crucificação é a imagem central da pintura ou retábulo atrás do altar.
Alguns poderiam dizer que a cruz no centro do altar não deve ser permitida, pois impede a visão dos fiéis. Mas, na verdade, a cruz sobre o altar não é um obstáculo, e sim um ponto de referência comum.

http://pt.aleteia.org/2016/01/20/por-que-sempre-ha-um-crucifixo-nos-altares/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Ano da Misericórdia: Roma se prepara para receber o corpo do Padre Pio


Os Irmãos Menores Capuchinhos confirmaram que o corpo de São Pio de Pietrelcina, o santo dos estigmas, finalmente será exposto em Roma para ser venerado pelos fiéis, entre os dias 3 e 11 de fevereiro, a pedido do Papa Francisco por motivo do Jubileu da Misericórdia.

A urna na qual está o corpo do santo permanecerá primeiro na Basílica de São Lourenço Fora dos Muros durante os dias 3 e 4 de fevereiro, também serão expostas as relíquias do corpo de São Leopoldo Mandic, outro santo capuchinho.

No dia 5, os dois santos serão transladados à Basílica de São Pedro no Vaticano. No dia 6 de fevereiro, o Papa concederá uma audiência especial aos membros do grupo de oração “Padre Pio” e aos fiéis da diocese italiana de Manfredonia, lugar no qual está localizado São Giovanni Rotondo, onde está o santuário de Padre Pio, no qual ele morou.

Por outro lado, em 9 de fevereiro, o Pontífice presidirá a Santa Missa com os Irmãos Menores Capuchinhos do mundo inteiro em São Pedro e, no dia seguinte, Quarta-feira de Cinzas, o Papa enviará os sacerdotes como Missionários da Misericórdia, uma de suas iniciativas durante o Ano Santo.

No dia 11, o corpo do santo dos estigmas será levado a Pietrelcina, sua cidade natal, onde permanecerá até o dia 14 de fevereiro.

Há aproximadamente 100 anos, Padre Pio deixou Pietrelcina (no dia 17 de fevereiro de 1916), onde morou durante 29 anos. O corpo será trasladado primeiro a Foggia e, em seguida, a São Giovanni Rotondo.

Em um artigo publicado por Raffaele Iaria no jornal oficial da Conferência Episcopal Italiana, Avvenire, explica-se como poucos meses antes de sua morte, o primeiro domingo de agosto de 1968, o santo disse a um dos seus irmãos frades que visitaria sua cidade natal “vários anos depois da sua morte”. “Padre, ainda faltam cem anos”, disse-lhe o Pe. Mariano. “O Senhor sabe…”. “Depois da sua morte haverá sinais, prodígios, milagres, a Igreja o levará aos altares. Então transladarão seu corpo deste lugar e será feita uma preciosa viagem a Pietrelcina. O Pe. Pio então juntou as mãos e abaixou duas vezes a cabeça e disse: ‘Assim será’”, contou o Pe. Mariano.

Iaria, em um novo livro sobre o Pe. Pio, intitulado “Aqueles três dias do Padre Pio”, expressou acerca da importância de Pietrelcina na vida do santo: “É impossível compreender a vida deste irmão, venerado no mundo inteiro, sem visitar Pietrelcina”, disse. Esta cidade “não só o viu nascer”, como também foi onde “recebeu os primeiros estigmas, aproximadamente um mês depois da sua ordenação”. 

A notícia da chegada do corpo do Pe. Pio a Roma foi difundida em julho de 2015 pela sua Congregação.

Através de uma nota difundida na sua página, o Convento informou que o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, enviou uma carta ao Arcebispo de Manfredonia-Vieste-San Giovanni Rotondo (Itália), Dom Michele Castoro, para transmitir o desejo do Pontífice.

“O Santo Padre expressou o grande desejo de que os restos de São Pio de Pietrelcina sejam expostos na Basílica de São Pedro na Quarta-feira de Cinzas do próximo Ano Santo Extraordinário, dia no qual serão enviados do mundo inteiro os missionários da misericórdia, a quem se confere o mandato especial de pregar e confessar, para que sejam testemunhos vivos de como o Pai acolhe todos aqueles que estão buscando seu perdão”.

Nesse sentido, a carta assinalava que “a presença dos restos de São Pio será um sinal precioso para todos os missionários e sacerdotes, os quais encontrarão força e sustento para a própria missão em seu exemplo admirável de confessor incansável, acolhedor e paciente, autêntico testemunho da Misericórdia do Pai”.

Padre Pio foi canonizado por São João Paulo II na Praça São Pedro no dia 16 de junho de 2002.


http://www.acidigital.com/noticias/ano-da-misericordia-roma-se-prepara-para-receber-o-corpo-incorrupto-do-padre-pio-67665/

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O rosto da Mi­se­ri­cór­dia

Mi­se­ri­cor­diae Vul­tus
Um breve co­men­tá­rio à Bula do Ano Santo — Ju­bi­leu Ex­tra­or­di­ná­rio da Mi­se­ri­cór­dia
O ju­bi­leu tem um sig­ni­fi­cado todo es­pe­cial no sen­tido de in­di­car a es­pe­rança de re­a­li­za­ção do tempo mes­si­â­nico. No an­tigo Tes­ta­mento ele é o “tempo da graça”. O ju­bi­leu pro­cla­mado pela bula do papa Fran­cisco, pu­bli­cada em 11.04.2015, vai iniciar-se em 08 de de­zem­bro de 2015 e terá seu tér­mino em 20 de no­vem­bro de 2016. A aber­tura será em uma data sig­ni­fi­ca­tiva: os cin­quenta anos de con­clu­são do Con­cí­lio Va­ti­cano II (n.4). Será ce­le­brado não só em Roma, mas tam­bém em to­das as di­o­ce­ses: “Es­ta­be­leço que no mesmo do­mingo, em cada Igreja Par­ti­cu­lar – na Ca­te­dral, que é a Igreja-Mãe para to­dos os fiéis – seja aberta igual­mente, du­rante todo o ano Santo, uma Porta da Misericórdia…poderá tam­bém ser aberta nos San­tuá­rios…” (n. 3).
O tema da Mi­se­ri­cór­dia tem raí­zes pro­fun­das na Igreja e o papa Fran­cisco (um ho­mem mar­cado pela mi­se­ri­cór­dia, que ele es­co­lheu como lema epis­co­pal), soube captá-las e in­se­rir nes­tas raí­zes a pro­posta do Ano Santo. Há um fio trans­ver­sal que per­passa todo o con­teúdo da bula: pri­mei­ra­mente a pró­pria his­tó­ria da sal­va­ção, toda ela pode ser lida na pers­pec­tiva da mi­se­ri­cór­dia. A cri­a­ção é fruto da mi­se­ri­cór­dia: Deus que por pura bon­dade, co­mu­nica a vida e a co­loca onde não há. A con­des­cen­dên­cia di­vina se faz sen­tir com a hu­ma­ni­dade pe­ca­dora, à qual Deus faz a pro­messa de re­den­ção e não de con­de­na­ção. A pró­pria En­car­na­ção (ké­no­sis) e re­den­ção ope­rada por Je­sus, o Fi­lho de Deus com a cruz e res­sur­rei­ção. En­fim, toda a Pa­la­vra de Deus tem um pano de fundo que é a mi­se­ri­cór­dia.
De­ve­mos con­si­de­rar tam­bém a in­tui­ção do papa são João XXIII, o qual ao abrir o con­cí­lio Va­ti­cano II, pro­põe uma Igreja que pre­fere usar a me­di­cina da mi­se­ri­cór­dia. O papa Fran­cisco men­ci­ona tam­bém o ma­gis­té­rio do papa S. João Paulo II, o qual, com a en­cí­clica “Di­ves in mi­se­ri­cór­dia” en­sina que a mis­são da Igreja é pro­cla­mar a mi­se­ri­cór­dia di­vina que abrange a hu­ma­ni­dade in­teira. Por si­nal ele ca­no­ni­zou Santa Faus­tina, santa da mi­se­ri­cór­dia, como a pri­meira santa do novo mi­lê­nio no iní­cio do ju­bi­leu do ano 2000.
A Bula tem 25 itens. Em se­guida des­taco os tó­pi­cos prin­ci­pais dis­pos­tos em três par­tes: os fun­da­men­tos te­o­ló­gi­cos da Bula, a se­guir sua apli­ca­ção à Igreja e por úl­timo al­gu­mas in­di­ca­ções prá­ti­cas so­bre como vi­ver um iti­ne­rá­rio es­pi­ri­tual de con­ver­são..
  1. Fun­da­mento tri­ni­tá­rio
Logo no iní­cio o papa co­loca o fun­da­mento tri­ni­tá­rio de tudo o que pre­tende di­zer na Bula e creio que vale a pena trans­cre­ver, por­que a meu ver, de certa forma, re­sume logo no iní­cio o seu con­teúdo: “Mi­se­ri­cór­dia é a pa­la­vra que re­vela o mis­té­rio da San­tís­sima Trin­dade. Mi­se­ri­cór­dia é o ato úl­timo e su­premo pelo qual Deus vem ao nosso en­con­tro. Mi­se­ri­cór­dia é a lei fun­da­men­tal que mora no co­ra­ção de cada pes­soa, quando vê com olhos sin­ce­ros o ir­mão que en­con­tra no ca­mi­nho da vida. Mi­se­ri­cór­dia é o ca­mi­nho que une Deus e o ho­mem, por­que nos abre o co­ra­ção à es­pe­rança de ser­mos ama­dos para sem­pre, ape­sar da li­mi­ta­ção do nosso pe­cado” (n.2).
A Bula com a qual o papa con­voca o ano santo da mi­se­ri­cór­dia é pro­fun­da­mente cris­to­cên­trica, a par­tir do seu tí­tulo:Mi­se­ri­cor­diae Vul­tus (O vulto da mi­se­ri­cór­dia). Je­sus é a ima­gem do Deus vivo (cf. Jo 14,9), ele é o rosto da mi­se­ri­cór­dia, a mi­se­ri­cór­dia en­car­nada: “Je­sus Cristo é o rosto da mi­se­ri­cór­dia do Pai” (n. 1). A mi­se­ri­cór­dia não é algo abs­trato, é um rosto para co­nhe­cer, con­tem­plar e ser­vir. O papa co­loca como que um lema para o ju­bi­leu, um ver­sí­culo do Evan­ge­lho de Lu­cas : “Mi­se­ri­cor­di­o­sos como o Pai (Lc 6,36) é, pois, o lema do Ano Santo” (n.14). O papa in­voca tam­bém o au­xí­lio do Es­pí­rito Santo: “O Es­pí­rito Santo que con­duz os pas­sos dos cren­tes de forma a co­o­pe­ra­rem para a obra da sal­va­ção re­a­li­zada por Cristo, seja guia e apoio do povo de Deus a fim de o aju­dar a con­tem­plar o rosto da mi­se­ri­cór­dia”(n. 4).
A oni­po­tên­cia de Deus se ma­ni­festa no uso da mi­se­ri­cór­dia que não é fra­queza mas força di­vina. Pa­ci­ên­cia e Mi­se­ri­cór­dia é o binô­mio que apa­rece fre­quen­te­mente no An­tigo Tes­ta­mento para des­cre­ver a na­tu­reza de Deus (cf. n.6). Eterna é a sua mi­se­ri­cór­dia canta o salmo 136. Je­sus reza este salmo da mi­se­ri­cór­dia, nos re­corda o papa (cf. n. 7). “Com o olhar fixo em Je­sus e no seu rosto mi­se­ri­cor­di­oso, po­de­mos in­di­vi­duar o amor da San­tís­sima Trin­dade. A mis­são que Je­sus re­ce­beu do Pai, foi a de re­ve­lar o mis­té­rio do amor di­vino na sua ple­ni­tude” (n. 8). Após con­si­de­rar a mi­se­ri­cór­dia como eixo da pre­ga­ção de Je­sus, como ex­pres­são e fruto do Rei­nado de Deus o papa con­clui: “Na Sa­grada Es­cri­tura a mi­se­ri­cór­dia é a pa­la­vra chave para in­di­car o agir de Deus para co­nosco” (n. 9).
  1. Igreja e Mi­se­ri­cór­dia
O papa afirma que a pri­meira ver­dade da Igreja é o amor de Cristo, que se ex­pressa no per­dão e na mi­se­ri­cór­dia (cf. n. 12).
Em um mundo no qual há opo­si­ção ao Deus de mi­se­ri­cór­dia (cf. n.11), a mis­são da Igreja é pre­gar e pra­ti­car a mi­se­ri­cór­dia: “A ar­qui­trave que su­porta a vida da Igreja é a mi­se­ri­cór­dia… A cre­di­bi­li­dade da Igreja passa pela es­trada do amor mi­se­ri­cor­di­oso e com­pas­sivo” (n.10). A Igreja tes­te­mu­nha uma vida au­tên­tica quando pro­fessa e pro­clama a mi­se­ri­cór­dia do Sal­va­dor da qual ela é de­po­si­tá­ria e dis­pen­sa­dora (cf. n.11).
A re­la­ção en­tre a mi­se­ri­cór­dia e a mis­são da Igreja está con­den­sada no nú­mero 12 e 25 da Bula. “A Igreja tem a mis­são de anun­ciar a mi­se­ri­cór­dia de Deus, co­ra­ção pul­sante do Evan­ge­lho, que por meio dela deve che­gar ao co­ra­ção e à mente de cada pessoa…No nosso tempo em que a Igreja está com­pro­me­tida na Nova Evan­ge­li­za­ção, o tema da mi­se­ri­cór­dia exige ser pro­posto com novo en­tu­si­asmo e uma ação pas­to­ral re­no­vada. É de­ter­mi­nante para a cre­di­bi­li­dade do seu anún­cio que viva e tes­te­mu­nhe ela mesma, a mi­se­ri­cór­dia” (n. 12). Tes­te­mu­nhar, anun­ciar e pro­fes­sar a mi­se­ri­cór­dia de Deus é uma ur­gên­cia para a Igreja (cf. n. 25).
Aqui nunca é de­mais re­cor­dar que tes­te­mu­nho é a cor­res­pon­dên­cia en­tre Evan­ge­lho e vida. Na or­dem prá­tica do dia a dia, esta mi­se­ri­cór­dia de­verá ser vi­vida pela Igreja como so­li­da­ri­e­dade. So­li­da­ri­e­dade é o eixo do pro­jeto do Rei­nado de Deus. A op­ção pelo po­bre in­clúi o pro­fe­tismo neste tes­te­mu­nho de mi­se­ri­cór­dia. O pro­fe­tismo é o alerta à so­ci­e­dade para su­bor­di­nar a di­men­são econô­mica e po­lí­tica à dig­ni­dade da pes­soa hu­mana. O cerne da ação mis­si­o­ná­ria da Igreja é não con­de­nar mas amar com amor mi­se­ri­cor­di­oso.
  1. Uma es­pi­ri­tu­a­li­dade da mi­se­ri­cór­dia
Do nú­mero 14 a 19 é pro­posta como que uma “es­pi­ri­tu­a­li­dade da mi­se­ri­cór­dia” com al­gu­mas in­di­ca­ções prá­ti­cas para se vi­ven­ciar o ju­bi­leu. Por es­pi­ri­tu­a­li­dade se en­tende aqui um modo de se­guir Je­sus na vi­vên­cia do Evan­ge­lho.
  1. a) Pe­re­gri­na­ção como ca­mi­nho e si­nal de con­ver­são
O papa in­dica a pe­re­gri­na­ção para se che­gar à Porta Santa, como si­nal pe­cu­liar do Ano Santo. A pe­re­gri­na­ção “será si­nal de que a pró­pria mi­se­ri­cór­dia é uma meta a al­can­çar e que exige em­pe­nho e sa­cri­fí­cio” (n. 14). Exis­tem eta­pas para esta pe­re­gri­na­ção: não jul­gueis, não con­de­neis, per­doai (cf.Lc 6,37 – 38). É uma pro­posta de con­ver­são pas­to­ral na li­nha da mi­se­ri­cór­dia, abrir o co­ra­ção àque­les que vi­vem nas pe­ri­fe­rias exis­ten­ci­ais, sair da in­di­fe­rença e cui­dar das fe­ri­das (cf. n. 15).
Reportando-se ao ca­pí­tulo 25 de Ma­teus o papa re­pro­põe a to­dos, as obras de mi­se­ri­cór­dia tanto cor­po­rais como es­pi­ri­tu­ais. A par­tir do epi­só­dio da pre­ga­ção de Je­sus na si­na­goga de Na­zaré (Lc 4) o papa pro­põe que se leve con­so­la­ção e li­ber­ta­ção aos ir­mãos (cf. n. 16). Nesta mesma li­nha de re­fle­xão o papa Fran­cisco es­creve na Evan­ge­lii Gau­dium: “A mi­se­ri­cór­dia para com os fa­min­tos, os po­bres e os que so­frem é a chave do céu” (EG n. 197).
  1. b) Vi­vên­cia do Per­dão
O per­dão apa­rece aqui como com­po­nente da mi­se­ri­cór­dia di­vina e vér­tice da ora­ção cristã. É a re­den­ção vista na ótica do per­dão. Os nú­me­ros 17,18 e 19 são como que um apelo à prá­tica do per­dão e do sa­cra­mento da mi­se­ri­cór­dia, com um apelo es­pe­cial a vivê-lo com mais in­ten­si­dade na qua­resma deste Ano Santo, em es­pe­cial atra­vés do sa­cra­mento da Re­con­ci­li­a­ção. Recomenda-se a to­das as di­o­ce­ses, a ini­ci­a­tiva das “24 ho­ras para o Se­nhor” a ser ce­le­brada na sexta-feira e no sá­bado an­te­ri­o­res ao IV Do­mingo da Qua­resma: “Com con­vic­ção, po­nha­mos no­va­mente no cen­tro o sa­cra­mento da Re­con­ci­li­a­ção, por­que per­mite to­car sen­si­vel­mente a gran­deza da mi­se­ri­cór­dia”(n. 17). O papa des­taca; “Não me can­sa­rei ja­mais de in­sis­tir com os con­fes­so­res para que se­jam um ver­da­deiro si­nal da mi­se­ri­cór­dia do Pai… Ne­nhum de nós é se­nhor do sa­cra­mento, mas ape­nas servo fiel do per­dão de Deus” (idem n. 17).
O papa co­mu­nica que na qua­resma do Ano Santo o papa en­vi­ará os “mis­si­o­ná­rios da mi­se­ri­cór­dia”, sa­cer­do­tes a quem ele dará au­to­ri­dade para per­doar mesmo os pe­ca­dos re­ser­va­dos à Santa Sé e pede aos bis­pos que os con­vi­dem e aco­lham (cf. n. 18). Ex­pressa o de­sejo de que a pa­la­vra do per­dão possa che­gar a to­dos e a cha­mada para ex­pe­ri­men­tar a mi­se­ri­cór­dia não deixe nin­guém in­di­fe­rente, em es­pe­cial os cor­rup­tos (cf. n.19). En­fim, o papa quer mos­trar que o co­ra­ção da ação mis­si­o­ná­ria da Igreja é o anún­cio da mi­se­ri­cór­dia como boa no­tí­cia.
  1. c) Jus­tiça e mi­se­ri­cór­dia
Em se­guida, a Bula passa a con­si­de­rar a re­la­ção en­tre jus­tiça e mi­se­ri­cór­dia: “Neste con­texto, não será inú­til re­cor­dar a re­la­ção en­tre jus­tiça e mi­se­ri­cór­dia. Não são dois as­pec­tos em con­traste en­tre si, mas duas di­men­sões duma única re­a­li­dade que se de­sen­volve gra­du­al­mente até atin­gir o seu clí­max a ple­ni­tude do amor” cf. (n.20). O papa re­flete a par­tir de vá­rias pas­sa­gens bí­bli­cas para con­cluir que a jus­tiça de Deus cul­mina no seu per­dão. No nú­mero 22 fala das in­dul­gên­cias, que no Ano Santo ad­quire uma re­le­vân­cia par­ti­cu­lar, mas não es­pe­ci­fica de forma de­ta­lhada sua prá­tica, como foi feito pelo Papa João Paulo II na Bula do Ano Santo do Ano 2000.
En­fim, é res­sal­tado que a mi­se­ri­cór­dia pos­sui uma va­lên­cia que ul­tra­passa as fron­tei­ras da Igreja relacionando-se com o ju­daísmo e o is­la­mismo os quais a con­si­de­ram um dos atri­bu­tos mar­can­tes de Deus (cf. n. 23).
Con­clu­são
A Bula volta-se fi­nal­mente para Ma­ria como mãe do rosto da Mi­se­ri­cór­dia que é seu fi­lho Je­sus. Ela é aos pés da cruz tes­te­mu­nha pri­vi­le­gi­ada da mi­se­ri­cór­dia: “A mãe do Cru­ci­fi­cado Res­sus­ci­tado en­trou no san­tuá­rio da mi­se­ri­cór­dia di­vina, por­que par­ti­ci­pou in­ti­ma­mente no mis­té­rio do seu amor” (n.24).
Po­de­mos con­cluir que esta Bula quer nos le­var por um ca­mi­nho que se ini­cia e con­clui com a mi­se­ri­cór­dia. Po­de­ría­mos di­zer que o Evan­ge­lho é o co­ra­ção da Sa­grada Es­cri­tura. As bem-aventuranças como o co­ra­ção do Evan­ge­lho. O man­da­mento do amor como o co­ra­ção das bem-aventuranças e a mi­se­ri­cór­dia como o co­ra­ção do man­da­mento do amor. “O se­gredo mais ín­timo de Deus é sua mi­se­ri­cór­dia” (S. Vi­cente de Paulo).
Em uma eco­no­mia sem co­ra­ção, em meio à cul­tura da morte e da glo­ba­li­za­ção da in­di­fe­rença a hu­ma­ni­dade clama por mi­se­ri­cór­dia e a Igreja deve sa­ber oferecê-la. In­ter­pre­tando o teó­logo Paul En­do­ki­mov que es­cre­veu que a be­leza sal­vará o mundo, po­de­mos di­zer que a mi­se­ri­cór­dia é a be­leza do rosto do Pai ma­ni­fes­tado em Je­sus Cristo: mi­se­ri­cor­diae vul­tus.
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Dom Pe­dro Car­los Ci­pol­lini
Bispo de Santo An­dré — SP
http://www.diocesesa.org.br/o-rosto-da-misericordia/