sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Obediência é sinal de santidade… São João Bosco explica

A Primeira Virtude de um jovem é a obediência aos seus pais e superiores.
Assim como uma plantinha, embora colocada em bom terreno, num jardim, contudo toma forma defeituosa e vai definhando se não for cultivada e, de algum modo, guiada até certa altura, assim vós, meus caros filhos…
…vos inclinareis fatalmente para o mal, se não vos deixardes guiar por quem está encarregado da vossa educação e do bem da vossa alma.
Essa guia vós atendes nos vossos pais e nos que fazem suas vezes; a eles deveis obedecer com docilidade. “Honra teu pai e tua mãe e terás vida longa na terra”, diz o Senhor.
Mas em que consiste essa honra? Consiste em obedecer-lhes, respeitá-los e prestar-lhes assistência.
Obedecer-lhes e por isso, quando vos mandam alguma coisa, fazei-a prontamente, sem resistir, e guardai-vos de proceder como alguns que resmungam, escolher os ombros, sacodem a cabeça e, o que é pior, respondem mal.
Esses fazem grande injúria aos seus pais e também a Deus, pois que nas ordens dos pais se manifesta a vontade de Deus.
Nosso Salvador, apesar de ser onipotente, para ensinar-nos a obedecer, foi submisso em tudo a Santíssima Virgem e a São José, na humilde ocupação de artífice: Et erat súbditus illis. Para obedecer a seu Pai celeste ofereceu-Se á morte dolorosíssima da cruz: Factus obédiens usque ad mortem; mortem autem crucis.
Deveis também ter grande respeito a vosso pai e a vossa mãe e não empreender coisa nenhuma sem sua licença, nem dar a conhecer seus defeitos. São Luis Gonzaga não fazia coisa nenhuma sem licença e, na falta de outrem, a pedia aos mesmos criados.
O jovem Luis Comolo foi obrigado um dia a estar longe de seus pais por mais tempo do que lhes tinham permitido. Mas ao chegar em casa, todo choroso pediu logo humildemente perdão daquela desobediência involuntária.
Finalmente, deveis prestar aos pais assistência em suas necessidades com o serviços domésticos de que fordes capazes especialmente entregando-lhes todo o dinheiro ou qualquer coisa que vos venha as mãos, usando de tudo conforme suas indicações.
É também estrito dever de um jovem rezar de manhã e à noite pelos seus pais, para que Deus lhes conceda todos os bens espirituais temporais.
Tudo o que vos disse a cerca da obediência e do respeito aos pais, deveis também praticar em relação a qualquer outro superior, eclesiástico ou secular.
E por isso também em relação aos vossos professores, dos quais igualmente recebereis de boa vontade, com humildade e respeito os ensinamentos, os conselhos as correções, certos de que tudo o que eles fazem é para a vossa maior vantagem e que a obediência prestada aos superiores é como se fora prestada ao mesmo Jesus Cristo e a Nossa Senhora.
Duas coisas vos recomendo com maior empenho:
A primeira é que sejais sinceros com os superiores, não encobrindo nunca as vossas faltas com fingimentos, muito menos negando-as.
Dizei sempre a verdade com franqueza. As mentiras, além de ofenderem a Deus, vos tornam filhos do demônio, que é o príncipe da mentira, e, vindo-se depois a saber a verdade, passareis por mentirosos, com grande desdouro perante os superiores e os companheiros.
Em segundo lugar, vos recomendo que aceiteis os conselhos e as advertências dos superiores como norma de vossa vida e do vosso modo de agir.
Felizes vós, se assim fizerdes; os vossos dias serão venturosos, todas as vossas ações serão bem ordenadas e servirão de edificação aos outros.Por isso, concluo dizendo-vos:
O menino obediente tornar-se-á santo; pelo contrário, o desobediente segue um caminho que o levará a perdição.
http://www.aascj.org.br/home/2014/10/obediencia-e-sinal-de-santidade-sao-joao-bosco-explica/

terça-feira, 22 de novembro de 2016

9º Dia da NOVENA DO TRABALHO

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Fazer apostolado com o nosso trabalho


Reflexão: Palavras de São Josemaria Escrivá O trabalho profissional é também apostolado, ocasião de entrega aos outros homens; o momento de lhes revelar Cristo e levá-los a Deus Pai (É Cristo que passa, n. 49). 


Faze a tua vida normal; trabalha onde estás, procurando cumprir os deveres do teu estado, acabar bem as tarefas da tua profissão ou do teu ofício, superando-te, melhorando dia a dia. Sê leal, compreensivo com os outros e exigente contigo mesmo. Sê mortificado e alegre. Esse será o teu apostolado. E, sem saberes por quê, dada a tua pobre miséria, os que te rodeiam virão ter contigo e, numa conversa natural, simples – à saída do trabalho, numa reunião familiar, no ônibus, ao dar um passeio em qualquer parte –, falareis de inquietações que existem na alma de todos, embora às vezes alguns não as queiram reconhecer: irão entendendo-as melhor quando começarem a procurar Deus a sério (Amigos de Deus, n. 273).


Para encontrar trabalho - Para que Deus, por mediação de Nossa Senhora, me faça encontrar um bom trabalho, no qual possa crescer profissionalmente e dar o melhor de mim mesmo. E que me ajude a ver, no meu ambiente profissional, um campo aberto para a realização da missão apostólica que Deus confia a todos os batizados, aproveitando as oportunidades que Ele me dá para ajudar colegas, amigos, colaboradores, clientes… a descobrirem as maravilhas da fé cristã. 


Para fazer um bom trabalho - Para que Deus me ajude a ver, no meu ambiente de trabalho, um campo aberto para a realização da missão apostólica que Deus confia a todos os batizados, aproveitando as oportunidades que Ele me dá para ajudar colegas, amigos, colaboradores, clientes..., a descobrirem as maravilhas da fé cristã. 


Rezar a oração a São Josemaria Escrivá 

ORAÇÃO – Ó Deus, que por mediação da Santíssima Virgem concedestes inúmeras graças a São Josemaria, sacerdote, escolhendo-o como instrumento fidelíssimo para fundar o Opus Dei, caminho de santificação no trabalho profissional e no cumprimento dos deveres quotidianos do cristão, fazei com que eu também saiba converter todos os momentos e circunstâncias da minha vida em ocasião de Vos amar e de servir, com alegria e simplicidade, a Igreja, o Romano Pontífice e as almas, iluminando os caminhos da terra com a luz da fé e do amor. Concedei-me por intercessão de São Josemaria o favor que Vos peço... (peça-se) Ámen.


Pai nosso, Ave Maria, Glória

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O adeus ao mundo




Esta é a famosa carta de Eugene (Pe. Seraphim) Rose a seus pais na qual comunica que abandonará a vida acadêmica para abraçar as coisas do Alto. É o testemunho contemporâneo de um ato exercido milhares e milhares de vezes no passado: homens que, respondendo ao chamado do Cristo, deixam para trás a glória e os prazeres ilusórios do mundo para abraçar a vida sublime e grandiosa do esforço ascético rumo à união com Deus.

A carta é de 14 de junho de 1961.

* * *

Liebe Eltern,

Faz calor hoje – parece até verão aqui em San Francisco. Finalmente consegui terminar minha dissertação de mestrado. Entreguei-a na sexta-feira passada, mas a nota só vai ser divulgada em setembro, não sei exatamente por quê. Enquanto isso, continuo me envolvendo com coisas chinesas. Nesse momento, estou ajudando meu ex-professor de chinês a traduzir (do chinês) um artigo sobre filosofia chinesa para publicação em um jornal de filosofia. A hipocrisia do mundo acadêmico é algo que se vê com muita clareza no caso dele. Ele provavelmente sabe mais de filosofia chinesa do que qualquer pessoa do país, estudou com filósofos e sábios chineses de verdade, na China, mas não consegue arrumar emprego em nenhuma faculdade porque ele não tem diplomas de faculdades americanas, e também porque ele não fala com muita fluência – ou seja, ele é autêntico demais.

Foi-se o tempo em que eu escolhia a vida acadêmica acima de tudo, pois Deus havia me dado inteligência para servi-Lo, e o mundo acadêmico seria em princípio o lugar onde a inteligência deveria ser utilizada. Mas, depois de oito ou nove anos, sei muito bem o que se passa nas universidades. A inteligência é respeitada somente por alguns poucos professores “das antigas”, os quais muito em breve estarão fora de combate. Quanto aos demais, a vida acadêmica é um trampolim para juntar dinheiro, conseguir um emprego estável e para usar a inteligência como se fosse um brinquedinho útil para fazer alguns truques e serem pagos por isso. Em suma, são palhaços de circo. O amor à verdade simplesmente desapareceu deles; as pessoas que têm alguma inteligência são obrigadas a se prostituírem para viver a vida. Quanto a mim, acho isso tudo difícil de aceitar, pois meu amor à verdade é muito grande. O mundo acadêmico não passa de um emprego para mim, mas não vou me deixar escravizar a ele. Não estou servindo a Deus no mundo acadêmico. Tenho um pouco de dinheiro guardado e mais algum está a caminho quando eu terminar um pequeno serviço, então eu acho que vou conseguir viver frugalmente por um ano fazendo o que minha consciência está me mandando fazer: escrever um livro sobre as condições espirituais do homem contemporâneo, sobre as quais, pela graça de Deus, tenho algum conhecimento. O livro provavelmente não vai vender nada, pois as pessoas preferem se esquecer das coisas sobre as quais versarei; elas preferem ganhar dinheiro do que adorar a Deus.

Sim, é verdade que esta é uma geração confusa. A única coisa de errado comigo é que não estou confuso. Sei muito bem qual o dever do homem: adorar a Deus e Seu Filho e preparar-se para a vida do século futuro sem explorar o próximo só para ter uma vida feliz e confortável e esquecer-se de Deus e Seu Reino.

Se Cristo estivesse por aqui, no mundo contemporâneo, sabem o que aconteceria com Ele? Seria internado num hospital psiquiátrico e lhe submeteriam a sessões de psicoterapia. Os santos não ficariam por menos. O mundo crucificaria o Cristo exatamente como há 2000 anos, pois esse mundo nada aprendeu, exceto formas mais sofisticadas de hipocrisia. E se eu dissesse a meus alunos que todo o conhecimento deste mundo não tem nenhuma importância, que o importante mesmo é adorar a Deus, aceitar o Deus-homem que morreu por nossos pecados e preparar-se para a vida do século futuro? Eles provavelmente ririam de mim, e os diretores da universidade, se descobrissem, me demitiriam – pois é contra a lei pregar a Verdade nas universidades. Dizem que vivemos numa sociedade cristã, mas é mentira: a sociedade atual é mais pagã, mais anticristã, do que a sociedade na qual Cristo nasceu. Recentemente, um padre católico da UCLA teve a audácia de dizer que o ambiente da UCLA era pagão. Os diretores da universidade o chamaram de “fanático” e “insano”. Mas o que ele disse era verdade; mas os homens odeiam a verdade, e é por isso que eles crucificariam Cristo de novo se Ele retornasse.

Sou cristão, e tentarei viver como um autêntico cristão. Cristo ensinou-nos a dar todo o dinheiro que tivéssemos e segui-Lo. Estou longe, muito longe, de fazer isso. Mas vou tentar não angariar mais dinheiro do que preciso para viver; se conseguir fazer isso trabalhando um ou dois anos na universidade, tudo bem. Mas no restante do meu tempo vou tentar servir a Deus com os talentos que Ele me deu. Neste ano terei a chance de fazer isso, então é isso que vou fazer. Meu professor, que é russo (a amor a Deus parece estar mais bem enraizado nos russos do que em outros povos), não tentou me convencer a abandonar minhas ideias; ele sabe muito bem que o amor à verdade, o amor a Deus, é infinitamente mais importante do que o amor à estabilidade, ao dinheiro e à fama.

Sou obrigado a seguir minha consciência. Não posso enganar a mim mesmo. E sei que estou fazendo a coisa certa. Se o que vou fazer parece tolice aos olhos do mundo, resta-me responder ao mundo com as palavras de São Paulo: Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. Eis algo que esquecemos muito facilmente.

Bem, deixem-me voltar à minha tradução de chinês. Mandem lembranças a Eileen [irmã de Eugene].

Liebe,

Eugene


Foto: Eugene Rose em foto oficial de graduação na Pomona College, 1956.


Fonte: Cathy Scott, Seraphim Rose: The True Story and Private Letters, Regina Orthodox Press, 2000.

8º Dia da NOVENA DO TRABALHO



Trabalhar é servir, ajudar os outros

Reflexão: Palavras de São Josemaria Escrivá

Pensai que através dos vossos afazeres profissionais, realizados com responsabilidade, além de vos sustentardes economicamente, prestais um serviço diretíssimo ao desenvolvimento da sociedade, aliviais também as cargas dos outros e mantendes muitas obras assistenciais – em nível local e universal – em prol dos indivíduos e dos povos menos favorecidos (Amigos de Dios, n. 120).


Para encontrar trabalho – Para que Deus Nosso Senhor me conceda o trabalho que lhe peço com tanta fé. E para que infunda na minha alma o desejo de fazer do meu trabalho, não uma atividade egoísta, fechada nos meus interesses, mas um serviço aberto ao bem e à utilidade de muitos, realizado com a certeza de que esse ideal de serviço aos outros dará um novo sentido, mais elevado e alegre, à minha vida. 


Para fazer um bom trabalho Para que Deus infunda na minha alma o desejo de fazer do meu trabalho, não uma atividade egoísta, fechada nos meus interesses, mas um serviço aberto ao bem e à utilidade de muitos, realizado com a certeza de que esse ideal de serviço aos outros dará um novo sentido, mais elevado e alegre, à minha vida. 

Rezar a oração a São Josemaria Escrivá 

ORAÇÃO – Ó Deus, que por mediação da Santíssima Virgem concedestes inúmeras graças a São Josemaria, sacerdote, escolhendo-o como instrumento fidelíssimo para fundar o Opus Dei, caminho de santificação no trabalho profissional e no cumprimento dos deveres quotidianos do cristão, fazei com que eu também saiba converter todos os momentos e circunstâncias da minha vida em ocasião de Vos amar e de servir, com alegria e simplicidade, a Igreja, o Romano Pontífice e as almas, iluminando os caminhos da terra com a luz da fé e do amor. Concedei-me por intercessão de São Josemaria o favor que Vos peço... (peça-se) Ámen.


Pai nosso, Ave Maria, Glória

opusdei.org.br/pt-br/article/novena-do-trabalho/

domingo, 20 de novembro de 2016

7º Dia da NOVENA DO TRABALHO

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Amadurecer nas virtudes através do trabalho


Reflexão: Palavras de São Josemaria Escrivá Tudo aquilo em que intervimos os pobrezinhos dos homens – mesmo a santidade – é um tecido de pequenas insignificâncias que, conforme a intenção com que se fazem, podem formar uma tapeçaria esplêndida de heroísmo ou de baixeza, de virtudes ou de pecados (Caminho, n. 826). 

É toda uma trama de virtudes que se põe em jogo quando exercemos o nosso ofício com o propósito de santificá-lo: a fortaleza, para perseverarmos no trabalho, apesar das naturais dificuldades; a temperança, para superarmos o comodismo e o egoísmo; a justiça, para cumprirmos os nossos deveres para com Deus, para com a sociedade, para com a família, para com os colegas; a prudência, para sabermos em cada caso o que convém fazer e nos lançarmos à obra sem dilações... E tudo por Amor... (Amigos de Deus, n. 72).

Para encontrar trabalho - Para que, com a ajuda de Nossa Senhora, ache o trabalho que venho procurando. E que, ao meter-me em cheio nesse novo trabalho, Deus me ajude a desenvolver por meio dele as virtudes cristãs e a amadurecer espiritualmente. Que eu procure ser paciente e compreensivo, tanto com os chefes como com os colegas e subordinados, que seja simples e humilde, fugindo da vaidade e do exibicionismo, que faça tudo, em suma, com pureza de coração. 

Para fazer um bom trabalho - Para que Deus me ajude a desenvolver por meio do trabalho as virtudes cristãs e a amadurecer espiritualmente. Que eu procure ser paciente e compreensivo, tanto com os chefes como com os colegas e subordinados, que seja simples e humilde, fugindo da vaidade e do exibicionismo, que faça tudo, em suma, com pureza de coração. 

Rezar a oração a São Josemaria Escrivá 

ORAÇÃO – Ó Deus, que por mediação da Santíssima Virgem concedestes inúmeras graças a São Josemaria, sacerdote, escolhendo-o como instrumento fidelíssimo para fundar o Opus Dei, caminho de santificação no trabalho profissional e no cumprimento dos deveres quotidianos do cristão, fazei com que eu também saiba converter todos os momentos e circunstâncias da minha vida em ocasião de Vos amar e de servir, com alegria e simplicidade, a Igreja, o Romano Pontífice e as almas, iluminando os caminhos da terra com a luz da fé e do amor. Concedei-me por intercessão de São Josemaria o favor que Vos peço... (peça-se) Amém.






Pai nosso, Ave Maria, Glória




sábado, 19 de novembro de 2016

O QUERER E O OPERAR (Filipenses 2, 13)

Deus opera de forma extraordinária em nossa vida e o comodismo nos leva a permanecer parados
quietos até que algo de ruim de repente aconteça. O que fazer?
É preciso estar atento a direção de Deus. Ele pode querer fazer mudanças em nossa vida,
levar-nos a outros lugares a fim de proporcionar novas experiencias.

Em Sarepta, Elias foi usado na vida de uma viúva e seu filho para que pudessem sobreviver graças à comida providenciada por meio do profeta. 
Da próxima vez em que as coisas não forem como você esperava e estava acostumado, esteja atento. 
Deus pode estar querendo lhe dizer que chegou a hora de mudar alguma coisa. Talvez seja mudança em sentido geográfico, ou no seu caráter, 
ou ainda na sua forma de servir ao Senhor. Seja qual for a mudança, se Deus assim está dirigindo, aceite-a, mesmo que não entenda. 
Talvez Deus queira usar você para abençoar a vida de alguém que você nem imagina.
Lembre-se o querer e o operar é Dele.

By: Filhos Espirituais de Pe. Pio

PACIÊNCIA: AS DEMORAS DE DEUS


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No mundo em que vivemos, bêbado de acelerações, ultrassônico nas mudanças e doente de impaciências, a bela arte do amor paciente é muito necessária. A virtude da paciência é uma terapia de que o mundo atual precisa muito.

Mas o fato é que a impaciência faz a festa nesse ambiente em que o egoísmo pensa que “para mim tudo tem que ser antes e ao meu gosto” e o comodismo exige “tudo rápido, para já e com o menor trabalho possível”. É natural que, nesse ambiente, a impaciência se manifeste a toda hora em forma de cansaço insofrido, unido à irritação e à  revolta. Não é estranho que, nesse clima tenso, as impaciências acabem cedo ou tarde por arremessar-se contra Deus.
Tal é o caso, não infrequente, dos que chegam a duvidar da bondade de Deus e sentem que se lhes abala a fé quando julgam que “Deus não os escuta”, pois – segundo pensam – não atende aos seus pedidos como “deveria” nem os livra das suas aflições.
Falam então do “silêncio de Deus”, insinuando – ou afirmando claramente – que Deus não se interessa pelas suas criaturas, mas permanece na olímpica solidão dos céus, alheio às tribulações e anseios dos homens.
Um bom número de casos de agnosticismo, ou de ateísmo inconsistente (será que existe algum ateísmo consistente?), ou de ceticismo mais ou menos cínico, tomaram pé em alguma decepção. Esperava-se algo de Deus, e não aconteceu. Por essa razão, Fulano deixou de ir à Missa depois da morte do filho, pelo qual tanto tinha rezado; Sicrano perdeu a fé após a quinta tentativa frustrada de entrar na faculdade; e Beltrana bandeou-se para o esoterismo ao perder o último namorado.
Os “silêncios” e as “demoras” de Deus põem à prova a nossa paciência. Mas são precisamente essas dificuldades desconcertantes as que nos fazem compreender que uma boa paciência jamais poderá ser erguida sobre uma fé ruim. A fé que age pelo amor (Gl 5,6), de que fala São Paulo, é o fundamento necessário da paciência.
Uma das primeiras verdades – inesgotável e luminosa verdade! –, que Cristo nos revelou foi a da paternidade de Deus: O vosso Pai vê, o vosso Pai sabe, o vosso Pai cuida (cf. Mt 6, 25 e segs.). Não se vendem dois passarinhos por uma moedinha? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Valeis mais do que muitos pássaros (Mt 10, 20-31).
Deus é um Pai que sempre nos acompanha. E esse Pai está amorosamente ativo; talvez mais do que nunca, quando parece que se cala e não intervém. «Quando nada acontece – diz, com grande intuição, Guimarães Rosa –, há um milagre que não estamos vendo» (Primeiras Estórias, Rio de Janeiro, 1962, pág. 71).
O milagre que não estamos vendo
Quem vive realmente de fé caminha sereno e confiante na “mão” de Deus que, como já dizíamos, muitas vezes não coincide com a nossa. Ele, que é Bom Pastor de cada um de nós, sabe muito bem por onde nos leva e nos traz. Ainda que atravesse as sombras da morte, nada temerei, porque Tu estás comigo (Sl 23, 4). Ele nos dá − ou não nos dá, ou permite que nos aconteça −, aquilo que, embora não o entendamos, mais nos convém, sempre com vistas à nossa verdadeira realização, que é a que floresce e se completa na vida eterna: Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma (Mt 10, 28). Não temas, meu pequeno rebanho, porque foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino (Lc 12, 32).
Quem vive de fé, entende muito bem, por isso, o belo conselho do Eclesiástico: Sofre as demoras de Deus. Dedica-te a Deus, espera com paciência […]. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus pelo cadinho da tribulação (Ecli 2, 3-5).
O “milagre que não estamos vendo” consiste no que São Paulo enxergava com fé lúcida e expressava com esplêndida convicção: Nós sabemos que Deus faz concorrer todas as coisas para o bem daqueles que o amam (Rom 8, 28). Se tivermos amor a Deus, tudo, absolutamente tudo – o que chamamos sorte e o que chamamos infortúnio, o que é um sucesso no mundo e o que é um fracasso, a satisfação e o sofrimento, a saúde e a doença, a vida e a morte –, tudo acabará sendo conduzido por Deus, com a sua soberana e misteriosa “alquimia”, para algo que resultará num bem para todos os que nele confiam.
Mons. Escrivá costumava dizer que a nossa vida é uma preciosa tapeçaria, que Deus vai urdindo conosco – com a nossa liberdade – aos poucos, fio a fio. Habitualmente, nós só a vemos pelo avesso, enquanto é tecida na oficina dos dias. Por isso, tudo nos parece com frequência uma confusão de fiapos soltos e de figuras bizarras. Vez por outra, porém, Deus deixa-nos olhar por uns instantes a tapeçaria pela frente, e então ficamos pasmados ao dar-nos conta da sua harmonia e do seu esplendor.
A vida, quando já foi um pouco longa e procurou não se afastar de Deus, oferece-nos de quando em quando alguns desses lampejos de lucidez: entendemos que foi muito bom o que antes repudiávamos como muito mau, e captamos o porquê de certas coisas que, na altura, nos pareciam absurdas, monstruosas e sem sentido.
Alguns santos tiveram o privilégio de contemplar, felizes, a tapeçaria de uma vida inteira na sua harmonia total. Tal foi o caso de Santa Teresa de Ávila que, após concluir a sua autobiografia, escrita por obediência aos superiores, remeteu o manuscrito a Frei Garcia de Toledo, com uma carta na qual, a todas as tribulações, fadigas, dores, incompreensões e perseguições relatadas, chamava belamente “as grandes misericórdias com que Deus me cumulou” (Livro da Vida, 3ª. ed., Vozes, Petrópolis, 1961, pág. 360).
Também São Josemaría Escrivá, três meses antes de deixar esta terra, ponderava na sua oração as vicissitudes – muitas delas duríssimas – da sua longa vida, e dizia: “Um olhar para trás… Um panorama imenso: tantas dores, tantas alegrias. E agora tudo alegrias, tudo alegrias… Porque temos a experiência de que a dor é o martelar do Artista, que quer fazer, dessa massa informe que nós somos, um crucifixo, um Cristo… Senhor, obrigado por tudo, muito obrigado!” (S. Bernal, Perfil do Fundador do Opus Dei, pág. 416).
É bem verdade que – como dizíamos − um clarão de Deus pode nos mostrar alguma vez a tapeçaria inteira. Mas o normal é que, na penumbra desta terra, Deus nos peça fé, fé e amor confiante. Ele não deixará de nos dar a graça necessária para aceitarmos com paciência as suas “demoras”, os seus aparentes “silêncios”. A nós toca-nos dizer, amorosamente, com o salmista: Mantenho em calma e sossego a minha alma. Tal como a criança no regaço de sua mãe, assim está a minha alma no Senhor. […] Põe a tua esperança no Senhor, agora e para sempre (Sl 131, 2-3).

Adaptação de um trecho do livro de F. Faus, A paciência, 3ª ed., Quadrante 2015