domingo, 2 de julho de 2017

Por que o Santo Ofício condenou o Pe. Pio?

Em um livro publicado na Itália, pela Mondadori, Renzo Allegri revela os mistérios que motivaram a perseguição ao Frade de Pietrelcina. ZENIT entrevista o renomado autor do livro.


Os Papas o admiravam, mas o Santo Ofício emitiu decretos de condenação. Padre Pio sofreu ao longo de sua vida a incompreensão e a hostilidade de muitos. No entanto, todos reconhecem hoje que foi um grande homem e um santo frade.
Para tentar entender e explicar como e por que o frade de Pietrelcina provocou reações tão controversas, Renzo Allegri publicou o livro La passione di Padre Pio (A Paixão de Padre Pio), publicado pela Mondadori.
Para desvendar o significado do que aconteceu com o pe. Pio, o famoso escritor investigou milhares de documentos guardados no arquivo secreto do Vaticano e também do Santo Ofício.
Allegri também trabalhou nos documentos dos arquivos da Ordem dos Frades Capuchinhos da Província Capuchinha de Foggia e arquivos privados de leigos, que tiveram papeis importantes neste caso. Muitos desses documentos são inéditos.
Renzo Allegri já escreveu outros nove livros sobre São Pio de Pietrelcina, todos publicados pela Mondadori, todos best seller, todos traduzidos para várias línguas.
Entrevistado por ZENIT, o escritor disse que este último livro “é o mais importante porque coloca o dedo na ferida do mal, ou seja, Satanás que, para arruinar a obra de Deus, constrói armadilhas diabólicas que podem enganar até mesmo os representantes da Igreja. Uma questão extremamente importante e também atual”.
***
ZENIT: O que havia de tão estranho no Pe. Pio a ponto de levantar dúvidas do Santo Ofício?
Renzo Allegri: Os estigmas. O Santo Ofício começous a se interessar no Pe. Pio em 1919, depois que se espalhou a notícia de que no corpo daquele jovem capuchinho apareceram os estigmas, ou seja, as feridas da Paixão e Morte de Jesus. O evento, chocante e intrigante, ocorreu no dia 23 de setembro de 1918, na solidão de um conventinho no Gargano. Tinha sido mantido em segredo porque os próprios confrades do Pe. Pio não conseguiam dar-lhe um significado. Só em maio de 1919, a notícia começou a circular, acabou nos jornais e as pessoas acorreram em massa. Foi o jornal de Nápoles, Il Mattino, que então era muito prestigiado, que intuiu a importância explosiva do fato. O diretor do jornal mandou a São Giovanni Rotondo um dos seus mais conhecidos jornalistas, que, na metade de junho, realizou uma reportagem detalhada sobre o que acontecia ao redor do Pe. Pio, e Il Mattino publicou em duas páginas, com um título marcante: Padre Pio, o “santo” de São Giovanni Rotondo faz um milagre na pessoa do chanceler do país, presente um enviado especial do “Mattino”. O caso estourou. Os jornais se interessaram maciçamente, até no exterior. O pequeno convento foi sitiado pelos peregrinos. As autoridades civis, preocupadas com a presença de tantas pessoas, especialmente doentes, naquele lugar sem banheiros, temia epidemias e enviaram ofícios para o Ministério da Saúde. Mas nada e ninguém conseguia parar o fluxo de peregrinos. As pessoas simples, impressionadas pelas chagas que lembravam a Paixão de Jesus, pelas conversões, pelas curas que aconteciam se convenceram que estavam diante de um fortíssimo sinal do sobrenatural. O Santo Ofício, pelo contrário, Supremo Tribunal Eclesiástico para a defesa da Doutrina, temia que aquelas pessoas fossem vítimas de superstição e escolheu uma atitude crítica, de oposição, que manteve sempre.
ZENIT: Os estigmas do Pe. Pio eram verdadeiros?
Renzo Allegri: As pessoas simples não duvidavam. Mas as pessoas cultas e os eclesiásticos tinham as suas dúvidas. E desde o começo o clero local, vendo no Pe. Pio um rival que tirava os feis das suas paróquias, afirmavam que era tudo uma farsa, um truque para ganhar dinheiro.
Os superiores do Pe. Pio perceberam que tinham de lançar luz sobre o assunto, para evitar escândalos irreparáveis. Tratando-se de feridas, recorreram aos médicos. O primeiro juízo foi dado pelo médico local, o dr. Angelo Maria Merla, que conhecia há anos o Pe. Pio. A sua opinião se baseava em uma observação elementar: aquelas feridas que sangravam, de acordo com o conhecimento médico, deveriam ou cicatrizar ou transformar-se em gangrena. Já que não acontecia, aquilo era um fenômeno acima da ciência médica.
Os superiores do Pe. Pio dirigiram-se, então, a um especialista mais qualificado, o professor Luigi Romanelli, chefe do hospital de Barletta. Também este excluiu “qualquer origem natural”. A notícia do fenômeno se espalhava sempre mais. Era conhecida também em Roma, no Vaticano. O Superior Geral dos Frades Capuchinhos pediu conselho para um representante do Papa e decidiram juntos enviar a São Giovanni Rotondo, um luminar de renome internacional, o professor Amico Bignami, ordinário de Patologia geral na Universidade “La Sapienza”. Este era ateu e maçom declarado. Visitou os estigmas do Pe. Pio em meados de julho 1919 e, de acordo com suas convicções, descartou qualquer possível referência sobrenatural e disse que aquelas feridas “deviam” ser certamente provocadas pelo próprio Pe. Pio. Ordenou impedir ao religioso de intervir nelas, enfaixando-as e sigilando as ataduras. Disse que teriam fechado em dez dias. Mas não aconteceu.
Em seguida, foi pedida a intervenção de um outro ilustre especialista, o dr. Giorgio Festa, que em Roma tinha um laboratório científico muito famoso. Este realizou a sua investigação em Outubro de 1919, concluindo que as feridas do Pe. Pio fugiam do controle médico. Escreveu no seu informe: “Têm uma origem que o nosso conhecimento está muito distante de explicar”.
No final de 1919, todos os médicos que haviam visitado o Padre Pio, oficialmente ou por iniciativa privada, estavam convencidos do caráter sobrenatural do fenômeno. Todos, exceto um: o professor Bignami. E o Santo Ofício sempre abraçou e apoiou a tese do Professor Bignami.
ZENIT: Quem eram os adversários do Pe. Pio e por que o perseguiam e caluniavam?
Renzo Allegri: As primeiras cartas de acusação contra o Pe. Pio que chegaram ao Santo Ofício (e ainda estão conservadas no Arquivo Vaticano), datam de Junho de 1919, ou seja, logo após a difusão da notícia dos estigmas. Eram cartas anônimas, assinadas por um “grupo de fieis”. O conteúdo mostra que foram escritas por clérigos. Diziam que os estigmas eram uma fraude, inventada pelo Pe. Pio e pelos seus confrades para atrair as pessoas e arrecadar dinheiro. Afirmavam que os frades levavam uma vida cômoda e alegre, causando escândalos com festas noturnas, frequentadas também por jovens mulheres. Em algumas cartas se afirmava que no convento também houve brigas sangrentas entre os frades, com tiros e pauladas, e que foi necessário a intervenção da polícia. Mas uma investigação posterior provou que era tudo falso.
As cartas anônimas se multiplicaram e se tornaram uma arma para o clero local e para o arcebispo de Manfredonia, que assumiram aquelas vozes, apoiaram-nas, aumentaram-nas, tornando para eles os verdadeiros registros das acusações contra o Pe. Pio. O arcebispo de Manfredonia, monsenhor Pasquale Gagliardi, tinha amigos poderosos no Vaticano. Por isso, as falsas acusações contra o Pe. Pio que ele endossava com cartas pessoais, eram acolhidas no Vaticano como autênticas, com todas as consequências do caso.
Esta situação perdurou por anos, durante os quais o Pe. Pio sofreu condenações e proibições de todo tipo. A injusta perseguição foi interrompida por alguns leigos, que fizeram uma guerra implacável aos caluniadores e no final recorreram à autoridade civil, denunciando-os. Alguns deles foram processados e condenados. O bispo de Manfredonia destituído. Mas no Santo Ofício a desconfianção ao Pe. Pio permaneceu sempre. O padre morreu com cinco condenações do Santo Ofício, nunca retratadas, e dezenas de ações disciplinares. Durante a sua vida, sofreu 70 “visitas apostólicas”, que são autênticas investigações judiciais ordenadas pelas máximas autoridades eclesiásticas nos casos de gravíssimas transgressões das leis eclesiásticas, ou para averiguar crimes, sacrilégios, desvios doutrinários e coisas assim.
ZENIT: Por que o Pe. Agostino Gemelli acusou o pe. Pio de ser um sujeito histérico e inconscientemente psicopata? Como ele chegou a fazer um julgamento tão duro?
Renzo Allegri: Em todas as biografias do Pe. Pio, Gemelli é indicado como o inimigo número um do religioso. Mas, examinando os documentos, as coisas são diferentes.
Padre Gemelli é digno de grande admiração. É uma das figuras mais marcantes da história do século XX, tanto no âmbito religioso quanto no científico. No entanto, é historicamente provado que cometeu um grave erro com relação ao Pe. Pio. Cometeu esse erro em 1920 e depois não teve mais a coragem de reconhece-lo e repará-lo.
Em abril de 1920, o Padre Gemelli já era um clérigo de grande prestígio. Médico, psiquiatra, fundador da psicologia experimental, era também teólogo e especialista, justamente de teologia mística. Veio de uma família burguesa maçônica. Desde jovem tinha sido ateu e rebelde. Na universidade foi aluno do professor Camillo Golgi, Prêmio Nobel de medicina em 1906, que o considerava o seu herdeiro. Depois da conversão, acontecida em 1903, o jovem médico tornou-se religioso franciscano e foi ordenado sacerdote. Em um par de anos, tornou-se o mais qualificado representante da cultura católica. O único que, nas discussões científicas, podia estar entre os maiores cientistas.
Nunca se soube o motivo que o levou a querer ao Pe. Pio em abril de 1920. Nos seus relatórios referiu sempre versões contraditórias. No primeiro relatório, de abril de 1920, afirmou que foi por devoção e para pedir ao Pe. Pio conselhos e orações pela Universidade Católica que estava fundando. Em um relatório escrito em 1926 disse que foi por pedido do bispo de Foggia. Em seguida, afirma que aquela visita foi pedida pelo próprio Santo Ofício.
Em todos os seus relatórios declara ter visitado os estigmas do Pe. Pio. Afirmação totalmente falsa. Pe. Gemelli nunca viu os estigmas do Pe. Peio e nunca fez visita médica ao religioso.
Chegou a São Giovanni na tarde do 17 de abril de 1920, acompanhado por seis pessoas, monsenhores e religiosos, seus amigos e admiradores, que foram, depois, testemunhas qualificadas do que aconteceu. Pe. Pio demonstrou rapidamente uma aversão instintiva pelo Gemelli e nem foi cumprimenta-lo, como, de fato, fazia com os visitadores importantes. No dia seguinte, no 18 de abril, Gemelli não conseguiu ser recebido pelo Pe. Pio. Na tarde, o superior do convento, que fazia de elo entre os dois, disse que poderia encontra-lo pela manhã, quando o padre teria descido à sacristia para celebrar a Missa. Gemelli estava indignado por aquele tratamento, mas se adaptou. Na manhã do 19, aproximou-se do Pe. Pio na sacristia, pedindo-lhe um encontro para visitar os estigmas. Pe. Pio lhe perguntou se tinha a autorização do Santo Ofício. Gemelli respondeu que não, e Pe. Pio foi embora imediatamente.
O encontro, segundo o testemunho sob juramento das testemunhas, não durou mais de um minuto. Gemelli estava furioso. Decidiu ir embora imediatamente. E naquela tarde enviou o seu primeiro informe ao Santo Ofício dando terríveis juízos sobre o Pe. Pio e sobre os seus estigmas.
A sua tese, expressa e apoiada então nos informes sucessivos, era sempre a mesma: Pe. Pio era um pobre históerio que fazia os próprios estigmas com ácido fênico ou outras substâncias. Os seus juízos escritos naqueles informes eram totalmente negativos: “O Pe. Pio é um psicopata…”.
“É um sujeito de inteligência muito limitada, que tem os traços característicos de uma deficiência mental de notável grau, com consequente estreitamento do campo da consciência.”
“Nem seus escritos, nem o que se diz, nem o que ele fala revelam um ânimo apaixonado por Deus. É um bom religioso tranquilo, calmo, manso, mais por obra da deficiência mental do que por obra da virtude”. E sobre os estigmas escreveu: “Do exame que realizei surge a legítima suspeita de que se trate de características conhecidas de auto-mutilação.” “Um caso de sugestão em um sujeito doente como é o Pe. Pio, e que levou àquelas características de psitacismo que são típicas da estrutura histérica”.
Dado que Gemelli era a autoridade máxima no setor, tanto pela sua preparação científica quando pela teológica, os seus juízos foram recebidos pelo Santo Ofício como “verdades científicas absolutas e irrefutáveis”.
Padre Gemelli escreveu o seu primeiro relatório sobre o impulso da ira provocada pela rejeição do Pe. Pio ao falar com ele. Mais tarde, voltou ao argumento somente duas vezes, quando foi acusado de ter inventado tudo. Em uma dessas vezes escreveu: “Nunca falei com ninguém sobre o Pe. Pio; nunca manifestei a minha opinião sobre ele. Só falei com os oficiais do Santo Ofício e com o cardeal secretário”.
Provavelmente, Gemelli estava convencido do que escreveu sobre o Pe. Pio. Tinha julgado-o segundo os critérios da “Psicologia Experimental”, na qual se achava o principal perito. Era um converso. Há anos lutava contra a maçonaria e o ateísmo. Ostentava todas as formas religiosas de clareza duvidosa. Sempre tinha derrubado todos os fenômenos de estigmatização, exceto o de São Francisco de Assis. No caso do Pe. Pio, tornou-se vítima da sua raiva e zelo. Pe. Pio, que era um grande santo, se deu conta disse nunca expressou nada hostil contra Gemelli. Luigi Villa, que foi muito amigo do Pe. Gemelli e por 15 anos foi assistente espiritual na Universidade Católica, revelou em uma entrevista que Gemelli, antes de morrer escreveu uma carta ao Pe. Pio pedindo-lhe perdão. E se fala que o Pe. Pio foi encontra-lo por meio de bilocação. Mas a verdade é que, ainda hoje, depois de tanto tempo, muitos, especialmente intelectuais, falando sobre o Pe. Pio afirmam: “Padre Gemelli o achava um psicopata.”
ZENIT: Qual foi a relação dos Pontífices com o pe. Pio?
Renzo Allegri: Foi uma relação substancialmente positiva. Também no período da grande perseguição do Pe. Pio por parte do Santo Ofício, os Papa não estiveram envolvidos.
Tinham percebido que algo grande estava acontecendo com aquele religioso. Papa Bento XV estava convencido de que ele era um santo. Pio XI, sendo um grande amigo do Padre Gemelli, no início de seu pontificado apoiou as ideias de Gemelli, mas, em seguida, dissociou-se várias vezes das decisões dos cardeais do Santo Ofício. Pio XII, recém-eleito Papa, disse: “Deixai em paz o Pe. Pio”. João XXIII era um defensor do Padre Pio, mas em 1960, perante uma montanha de documentos que foram trazidos a ele pelo general dos Capuchinhos – documentos que depois viram que eram falsos – mas que acusavm o padre de delitos contra os votos de pobreza, de castidade e de obediência, se assustou e ordenou mais uma visita apostólica que, dada a idade do religioso, foi das mais severas e dolorosas. Em seguida, o Papa João entendeu que foi enganado e retratou os seus juízos. Paulo VI foi sempre um defensor do Pe. Pio. Papa Wojtyla, testemunha direta de estupendos milagres, foi o promotor e apoiador do processo de beatificação.
ZENIT: Porque o Santo Ofício manteve uma atitude de condenação por tanto tempo?
Renzo Allegri: O Santo Ofício é o dicastério mais importante da Igreja. A sua tarefa, desde a sua fundação em 1542, é a defesa da ortodoxia. Não existe, ao longo dos séculos, uma única disposição do Santo Ofício que tenha sido retratada. Portanto, também com relação ao Pe. Pio, uma vez emitido os Decretos de condenação, não foram mais alterados.
ZENIT: Hoje o Pe. Pio foi reconhecido na sua santidade e é uma testemunha do Jubileu da Misericórdia. Quem, como, quando e por que foi possível reconhecer a verdade sobre a vida do Padre Pio?
Renzo Allegri: Foram os milagres, contínuos, incessantes, poderosos que Deus obrou por meio do Pe. Pio que reverteram as convicções negativas que o Santo Ofício tinha expressado por décadas com relação a este religioso. Os confrades do Pe. Pio começaram a recolher os documentos sobre a santidade do seu confrade logo depois da morte. Mas, a Igreja, de modo oficial, não podia fazer nada porque estava impossibilitada pelas sentenças do Santo Ofício. Foi a eleição à Papa de Karol Wojtyla que mudou de repente a situação. Wojtyla tinha conhecido o Padre Pio em 1948. Tinha sido conquistado por ele, tinha sempre continuado a segui-lo e, em 1962, foi testemunha direta de um retumbante milagre acontecido por pedido seu. Recém-eleito Papa quis o processo de beatificação do Pe. Pio, o apoiou contra todos e foi ele a proclamá-lo beato em 1999 e depois santo em 2002.
ZENIT: Qual é a sua opinião sobre tudo isso?
Renzo Allegri: Escrevi o meu primeiro artigo sobre o Padre Pio em setembro de 1967. Naquela ocasião pude encontrar o Padre e falar com ele. O vi novamente em abril de 1968. Alguns meses depois da sua morte fui encarregado pelo jornal, onde eu trabalhava, de fazer uma investigação com o título “Em defesa do Pe. Pio”. Em seguida escrevi centenas de artigos e dez livros, adquirindo vários documentos sobre a perseguição em que o Pe. Pio foi sumetido ao longo da sua vida. A opinião que tive tudo isso se resume nas palavras que me disse em uma entrevista o cardeal Giuseppe Siri em 1984: “A luta cruel feita contra o Pe. Pio, também pela Igreja, é a maior armadilha diabólica de Satanás contra a própria Igreja”. Com um longo e detalhado discurso, o cardeal me explicou que Satanás, sendo um puro espírito, é capaz também de prever o futuro. Conhecendo, portanto, a grandeza e a importância imensa da missão que Deus tinha designado àquele seu filho, fez de tudo para destruí-la. E para conseguir melhor o seu objetivo, procurou envolver nas suas tramas também os próprios vértices da Igreja. “A vida e a história humana do Pe. Pio – disse o cardeal Siri – são o espelho da luta contínua, implacável, sem medir esforços, em ato de forma contínua e constante, entre a Força do Bem e a do Mal”.

SÃO JOÃO DA CRUZ. 8: O primeiro carmelita descalço

No dia 28 de novembro de 1568, inaugurou-se o primeiro convento dos frades descalços. A partir desse dia, de João de San Matias passou a ser João da Cruz. Antes disso, frei João já estava usando o hábito descalço.

sábado, 1 de julho de 2017

O DESÂNIMO


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Deus virou para um homem que estava muito desanimado e disse-lhe:
 “Meu filho, tenho uma missão para você. Sabe aquela pedra enorme que está perto da sua casa ? Quero que a empurre sem parar, faça chuva ou faça sol não pare de empurrá-la, empurre-a com toda tua força e toda a tua vontade."
E mesmo sem entender, o homem resolveu obedecer.
Dia a dia ele pelejava empurrando a pedra com toda a sua força, mas ela não se movia.
E cada noite, retornava para a sua casa aborrecido, sentindo que seu esforço era em vão.Percebendo o desânimo do homem, o inimigo decidiu entrar em cena.  Tentando desanimá-lo para que desistisse da missão que Deus tinha confiado a ele, e disse:
“Você tem empurrado essa pedra por tanto tempo, e ela ainda não se moveu. Não acha melhor desistir ?
Esses pensamentos minavam o seu espírito e davam-lhe a impressão de que era um fracassado. Pensando em desistir, elevou seus pensamentos em oração e disse:
- “ Senhor, tenho trabalhado duro, entretanto, após todo esse tempo não consegui mover a pedra nem por um milímetro.
- “Meu filho, quando eu lhe disse que tinha uma missão para você, você aceitou, expliquei-lhe que o seu trabalho seria empurrar a pedra todos os dias, eu nunca lhe ordenei que a movesse. Porque você pensa que falhou ? Você está mais forte, observe que o seu chamado foi para empurrar a pedra exercitando sua força e confiança na minha Palavra.Quando chegar a hora, Eu mesmo moverei a pedra.
 Na verdade o que Deus deseja é, apenas, nossa obediência, e fé.
Em todos os sentidos, exercite a fé que move montanhas, mas saiba que continua sendo Deus quem as move. Assim: Quando tudo lhe parecer errado, quando o trabalho te deixar pra baixo, quando as pessoas não agirem conforme você esperava, quando seu dinheiro ficar escasso, apenas empurre a pedra e confie no Senhor.
As adversidades vêm, mas a ordem é; empurre a pedra, com fé e confiança.
Persevere, continue, Deus moverá a pedra!
Deus abençoe você e sua família!

Uma ótima noite com a paz de Jesus

Fonte: WhatsApp

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Curso de Teologia Biblíca CÂNON – Livros Apócrifos do Cristianismo

Relação
Eis o título de alguns livros apócrifos do Cristianismo:
• Livros históricos
− Proto-Evangelho de Tiago; Pseudo-Evangelho de Mateus;
− Evangelho Árabe da Infância – Gnóstico ;
− Evangelho Armênio;
− Evangelho dos Ebionitas – Herege ;
− Evangelho dos Hebreus e dos Nazarenos – Herege;
− Evangelho dos Egípcios;
− Evangelho de Filipe – Gnóstico;
− Evangelho de Pedro – Docetista ;
− Evangelho de Tomé – Maniqueísta ;
− Evangelho de Bartolomeu;
− Evangelho de Gamaliel;
− Evangelho de Nicodemos;
− História de José, o Carpinteiro;
− Atos de João – Ascético .
− Atos de Paulo;
− Atos de Pedro;
− Atos de Pilatos...
• Livros didáticos.
− Cartas de Abgar a Jesus e de Jesus a Abgar;
− Cartas de Sêneca a Paulo (8) e de Paulo a Sêneca (6);
− Outras cartas de Paulo aos Coríntios, Laodicences...
− Odes de Salomão;
− Ascensão de Isaias;
− As Epístolas de Barnabé;
− Livros proféticos
− Apocalipse de Pedro;
− Apocalipse de Paulo;
− Apocalipse de Tomé...


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O que fazer quando perdemos a vontade de rezar?


Perdi a vontade de rezar. E agora?

Há horas em que não sinto a menor vontade de dialogar com algumas pessoas, mas, porque preciso, acabo deixando minha vontade de lado e vou ao encontro delas, converso, trabalho, convivo e sigo em frente. Com Deus não é diferente. Às vezes, envolvo-me tanto com as coisas, que não sinto vontade de falar com Ele, ou seja, de rezar, mas porque sei que preciso e, até mais, dependo da Sua graça, vou ao Seu encontro por meio da oração.
É claro que isso exige empenho e perseverança, porque, na verdade, a vida de oração é um conquista diária; e como nenhuma conquista é isenta de lutas, é preciso lutar para ser orante. Aliás, Santa Teresa de Jesus afirma, em sua autobiografia, que oração e vida cômoda não combinam em nada; ela lembra ainda que uma das maiores vitórias do demônio é convencer alguém de que não é preciso rezar. Ou seja, quando o assunto é vida de oração, é preciso ter consciência de que se trata de um luta espiritual, e para vencer o único caminho é rezar com ou sem vontade. Até porque, como diz o ditado popular, “vontade dá e passa”. Se eu escolho deixar-me guiar apenas pelo meu querer, corro o risco de ser vazia, sem sentido.

Deserto espiritual

Eu sei que, com o passar do tempo e o acúmulo de atividades, corremos o sério risco de, aos poucos, irmos deixando a oração de lado ou rezarmos de qualquer jeito, até chegarmos a um “deserto espiritual” e termos uma certa apatia quando o assunto é oração. Mas é justamente, nesta hora, que precisamos ir além dos sentimentos e considerarmos que o “deserto também é fecundo” quando vivido em Deus, e pela sua misericórdia em nossa vida tudo é graça!
Consolações e desolações, alegria e tristeza, perdas e ganhos, tudo é fruto do amor de Deus, o qual permite vivermos as provas enquanto nos chama a crescermos e frutificarmos em toda e qualquer situação. Portanto, no ponto em que você está agora, volte a fixar sua alma em Deus e permita que Ele lhe devolva a si mesmo, pela força da oração.
Ao absorvermos tanta agitação e estímulos em nossos dias, acabamos perdendo o contato com nossa verdadeira essência, e ficamos tão distraídos e preocupados com tudo o que está acontecendo a nossa volta, que acabamos fragmentados, confusos e inseguros, sem nos lembrarmos de onde viemos, onde estamos e menos ainda para onde vamos. Só Deus pode nos reorientar.
Jesus tinha consciência disso quando disse a Seus discípulos: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação” (Mateus 26,41); eu diria, principalmente, a tentação de esquecer quem é você e qual é o seu papel neste mundo.

Então, vamos rezar?

Deixo aqui algumas pistas que podem servir para abrir caminho no seu relacionamento com Deus. Quando encontrar sua própria trilha, caminhará livremente e cada vez mais experimentará a alegria, que está na presença d’Ele por meio da oração.
1- Escolha o horário e o tempo que quer dedicar à sua oração e procure ser fiel a esse propósito. Assim como nos alimentamos diariamente, a oração deve ser o alimento diário da alma, aconteça o que acontecer.
2- Fundamente sua oração na Palavra de Deus e na Sua verdade. Fale com Ele com confiança e sem reservas, como quem fala com um amigo. Agindo assim, encontrará a paz e a harmonia interior que tanto procura, pois, como ensina São João da Cruz, “o conhecimento de si mesmo é fruto da intimidade com Deus, e é o meio essencial para a liberdade interior”.
3- Reze com humildade, detendo-se sempre na palavra: “Seja feita a vossa vontade”. Lembre-se de que sua oração não pode ser movida simplesmente por gosto ou exigência, mas, acima de tudo, por gratuidade e confiança na misericórdia de Deus.
4- Pratique o que você rezou e não desvincule suas obras da oração, pois uma coisa tem tudo a ver com a outra. Caridade, perdão, alegria, confiança, fraternidade e paciência são características de quem reza.
5- Tenha seu próprio ritmo de oração. A imitação e a comparação não ajudam em nada. A vida dos santos, por exemplo, são setas que apontam para o céu, mas é você quem deve dar seus próprios passos para chegar até lá. Desejo que em cada amanhecer e também nas “noites escuras” você experimente pela oração o amor e a verdadeira felicidade, uma vez que esta consiste em amar e sentir-se amado. E ninguém nos ama tanto quanto Deus. Se alguma vez você perder a vontade de rezar, já sabe o que deve fazer: reze assim mesmo e seja feliz!


sábado, 24 de junho de 2017

EIS A PAZ


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Não seja vã, ó minha alam, nem ensurdeças o ouvido do coração, com o tumulto da tua vaidade. Ouve
também: o mesmo Verbo clama que voltes. O lugar do descanso imperturbável, a não ser que o amor nos abandone
primeiro. Eis como essas coisas passam para outra lhes sucederem, e, assim, se formar de todas as suas partes 
este mundo cá embaixo.
"Afasto-me eu, porventura, para outro lugar?" - diz o Verbo de Deus.
Fixa a qui ó alma, a tua mansão. Retribui-lhe tudo o que dele alcançaste, já que estás cansada de tantos enganos.
Entrega à Verdade tudo que tens recebido da Verdade, e não só não perderás nada, mas ainda a tua podridão 
florescerá, as tuas fraquezas serão curadas, as tuas frouxidões serão reformadas, rejuvenescidas e 
estreitamente unidas em ti, sem te colocarem na ladeira por onde descem, mas ficando contigo e permanecendo junto do
Deus sempre estável e eterno.

Livro IV - O professor
Santo Agostinho - Confissões

Oração de São Padre Pio de Pietrelcina: “Fica comigo, Senhor”

Papa Paulo VI: “Veja que fama ele alcançou! Que clientela mundial reuniu em torno de si! Mas por quê? Por que era um filósofo? Por que era um sábio? Por que dispunha de meios? Não, mas porque rezava a Missa humildemente, confessava de manhã à noite; era, difícil de dizer, representante estampado dos estigmas de Jesus. Era um homem de oração e de sofrimento.” (20 de fevereiro de 1971).
Reze conosco a oração de São Padre Pio:
Fica comigo, Senhor!
Fica Senhor comigo, pois preciso da tua presença para não te esquecer.
Sabes quão facilmente posso te abandonar.
Fica Senhor comigo, porque sou fraco e preciso da tua força para não cair.
Fica Senhor comigo, porque és minha vida, e sem ti perco o fervor.
Fica Senhor comigo, porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão.
Fica Senhor comigo, para me mostrar tua vontade.
Fica Senhor comigo, para que ouça tua voz e te siga.
Fica Senhor comigo, pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia.
Fica Senhor comigo, se queres que te seja fiel.
Fica Senhor comigo, porque, por mais pobre que seja minha alma, quero que se transforme num lugar de consolação para ti, um ninho de amor.

Fica comigo, Jesus, pois se faz tarde e o dia chega ao fim; a vida passa, e a morte, o julgamento e a eternidade se aproximam. Preciso de ti para renovar minhas energias e não parar no caminho. Está ficando tarde, a morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de fé, da cruz, das tristezas. Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio.
Fica comigo nesta noite, Jesus, pois ao longo da vida, com todos os seus perigos, eu preciso de ti. Faze, Senhor, que te reconheça como te reconheceram teus discípulos ao partir do pão, a fim de que a Comunhão Eucarística seja a luz a dissipar a escuridão,a força a me sustentar, a única alegria do meu coração.
Fica comigo, Senhor, porque na hora da morte quero estar unido a ti, se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.
Fica comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não às mereço, mas apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico!
Fica Senhor comigo, pois é só a ti que procuro teu amor, tua graça, tua vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais. Como este amor resoluto desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade. Amém.
São Padre Pio, rogai por nós!