quarta-feira, 18 de julho de 2018

Os mandamentos de Cristo

Se me amais, guardareis meus mandamentos

Este é um segundo amor que Jesus espera de nós.
A que «mandamentos» Ele se refere com essas palavras (Jo 14, 15)? Escutemos a resposta que nos dá:
  • Em primeiro lugar. O primeiro de todos mandamentos é este: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças».
Quando lemos o Evangelho, percebemos que o amor ao Pai, o amor à vontade do Pai, era a chama ardente da alma de Jesus. Eu vim lançar fogo à terra, e que quero? Oxalá já ardesse! (Lc 12, 49). Ansiava cumprir a missão salvadora dada pelo Pai.
Abá, Pai ─ pai muito querido ─, essa era a forma que Ele tinha de se dirigir a Deus, e que nos ensinou a nós, seus irmãos (Rm 8,29) [1]Pai nosso; vosso pai vê, vosso pai sabe, vosso pai cuida ─ são expressões contínuas no ensinamento de Cristo, cheias de ternura. A pessoa que não vibra de agradecimento ao pensar na grandeza dessa filiação, não sabe o que é ser cristão.
  • O segundo mandamento é este: «Amarás a teu próximo como a ti mesmo. Maior do que estes não há mandamento algum» (Mc 12, 29-31).
O que Jesus manda, o que nos pede, enfim, resume-se na palavra «amar». Quer que a nossa vida, com a ajuda dEle, com a graça do Espírito Santo que nos envia, seja uma «história de amor»[2]
─ Antes de mais nada, amar a Deus como filhos muito queridos (Ef 5,1).
Esta é a «identidade» do cristão: ser filho de Deus, amar a Deus com um carinho filial, que tem por modelo o amor de Jesus pelo Pai. O Próprio Pai vos ama ─ Ele nos insiste ─, porque vós me amastes e crestes que saí de Deus (Jo 16,27).
A certeza dessa filiação sobrenatural, fruto da graça do Espírito Santo na alma ─ deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1, 12) ─, enchia de gozo os primeiros cristãos.
Com que entusiasmo são João fala dela: Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos! Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus! (1 Jo 3, 1-2).
─ Ao lado do amor filial a Deus, inseparavelmente unido a ele, está o amor ao próximo. Preste atenção a um detalhe que focalizaremos a seguir: Quando Jesus fala do mandamento do amor fraterno, faz questão de dizer que não é um amor qualquer, e por isso usa duas vezes a palavra «como»:
  • Amarás a teu próximo «como» a ti mesmo (Mc 12, 31; cf. Lv 19, 18).
  • Este é o meu mandamento, amai-vos uns aos outros «como» eu vos tenho amado. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos (Jo 15, 12-13).
Esses dois «como» nos fazem ver claro. Por um lado, dizem-nos que o amor cristão não pode ser «autista». Não podemos viver voltados para nós mesmos, contemplando-nos constantemente num espelho, como a bruxa da Branca de Neve, e perguntando-nos: «Sou bom?». «Estou melhor?». «Estou satisfeito?». «Estou realizado?». «Sou feliz?». «Tenho sucesso?».
Para o cristão, vencer o egoísmo, viver voltado generosamente para os outros é tão fundamental, que o apóstolo são João não hesita em escrever: Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê (1 Jo 4, 20).
O que é amar o próximo? Medite a parábola do bom samaritano (Lc 10, 30-37), olhe atentamente para a vida de Jesus; fixe o olhar na sua solicitude, na sua misericórdia, na sua compreensão;  na fé que infunde, na esperança que acalenta, no amor que irradia; na sua plena dedicação a todos; na incansável ânsia de fazer o bem, de difundir a luz da verdade, de abençoar, de perdoar, de recuperar os que se tinham extraviado, de dar de comer aos que tem fome, de tratar com carinho e remediar os doentes e os pobres, de levar as almas ao arrependimento e ao  amor do Pai… ;  enfim, de ser o servidor de todos (Mc 9, 35), e dar a vida pela salvação de muitos (Mt 20, 28)..
Jamais se esqueça disso. Ao meditar, ao orar, ao comungar, olhe para Jesus nos olhos, e peça-lhe a graça de compreendê-lo e de imitá-lo: As palavras que vos tenho falado são espírito e são vida (Jo 6, 63). Eu sou o caminho… (Jo 14, 6).
Entende por que Cristo nos pede: que vos ameis «como» eu vos tenho amado?
Do livro de F. Faus Procurar, encontrar e amar a Cristo, Cultor de Livros 2018
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[1] Deus nos predestinou – diz são Paulo – a sermos conformes à imagem do seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre muitos irmãos (Rm 8, 29).
[2] Cf. Bento XVI, Encíclica  Deus caritas est, n. 17

Oração a São Francisco, em forma de desabafo

Artista Plástica Luciana Pupo

D. Pedro Casaldáliga, CMF



Compadre Francisco
como vais de glória?
E a comadre Clara
e a irmandade toda?

Nós, aqui na Terra,
vamos mal vivendo,
que a cobiça é grande
e o amor pequeno.
O Amor divino
é mui pouco amado
e é flor de uma noite
o amor humano.

Metade do mundo
definha de fome
e a outra metade
de medo da morte.

A sábia loucura
do santo Evangelho
tem poucos alunos
que a levem a sério.
Senhora Pobreza,
perfeita alegria,
andam mais nos livros
que nas nossas vidas.

Há muitos caminhos
que levam a Roma;
Belém e o Calvário
saíram de rota.

Nossa Madre Igreja
melhorou de modo,
mas tem muita cúria
e carisma pouco.
Frades e conventos
criaram vergonha,
mas é mais no jeito
que por via nova.

Muitos tecnocratas
e poucos poetas.
Muitos doutrinários
e menos profetas.

Armas e aparelhos
trustes e escritórios,
planejam a história,
manejam os povos.

A mãe natureza
chora, poluída
no ar e nas águas,
nos céus e nas minas.
Pássaros e flores
morrem de amargura,
e os lobos do espanto
ganharam as ruas.

Murchou o estandarte
da antiga arrogância.
são de ódio e lucro
as nossas cruzadas.
Suceden-se as guerras
e os tratados sobram;
sangue por petróleo
os impérios trocam.

O mundo é tão velho
que, para ser novo,
compadre Francisco,
só fazendo outro...

Quando Jesus Cristo
e Nossa Senhora
venham dar um jeito
nesta terra nossa,
compadre Francisco,
tu faz uma força,
e a comadre Clara
e a irmandade toda.


Extraído de:
Orações da caminhada / Pedro Casaldáliga Pla. -- Campinas, SP : Verus, c2005. P. 64-67.

terça-feira, 17 de julho de 2018

COMO PROCEDER NA TENTAÇÃO [PARTE III]: APÓS A TENTAÇÃO


Após a tentação
Após a tentação é necessário evitar o minucioso exame sobre se consentimos ou não: esta imprudência poderia fazer voltar a tentação e criar novo perigo. E depois, é muito fácil ver, pelo testemunho da consciência, sem profundo exame, se ficamos vitoriosos.
Se tivemos a felicidade de triunfar, demos graças de todo o coração Àquele que nos deu a vitória: é um dever de gratidão e o melhor meio de obter novas mercês em tempo oportuno. Ai dos ingratos que se atribuíssem a si mesmos a vitória, sem pensarem em dar graças a Deus! Não tardariam em experimentar a sua fraqueza.
Se, pelo contrário, tivéssemos a infelicidade de sucumbir, não percamos a coragem: lembremo-nos do acolhimento feito ao pródigo, e como elevamos lançar-nos aos pés do representante de Deus, com este grito do coração: Pai, pequei contra o céu e contra vós; já não sou digno de ser chamado filho. E Deus, mais misericordioso ainda que o pai do pródigo, nos dará o ósculo de paz e restituirá a sua amizade.
Mas, para evitar recaídas, tirará vantagem o pecador arrependido da própria falta, para se humilhar profundamente na presença de Deus, reconhecer a sua impotência para praticar o bem, colocar toda a sua confiança em Deus, tornar-se mais circunspecto, evitando cuidadosamente as ocasiões de pecado, e voltar à prática da penitência. Uma falta assim reparada não será obstáculo sério à perfeição. Como nota com razão Santo Agostinho, os que se levantam, tornam-se com a queda mais humildes, mais prudentes, mais fervorosos.
https://capelasantoagostinho.com/2018/03/17/como-proceder-na-tentacao-parte-iii-apos-a-tentacao/

segunda-feira, 16 de julho de 2018

ESTUDO DAS CÉLULAS - A fé que funciona

Imagem relacionada
Leituras para estudo:
1Cr 16, 8-36
Salmo 40

Qual será a fé que verdadeiramente funciona?

1 - É aquela que está ligada à paciência.
"Esperei com paciência pela ajuda de Deus, o Senhor (V.1a)" 
Esperar não é algo fácil, exige determinação e convicção. NO reino espiritual a paciência será sempre prioridade para quem quer andar na fé. Se quisermos alcançar algo de Deus, temos que aprender a esperar o momento de Deus, que não falha ou tarda, mas age na hora certa. Jó é uma testemunha fiel desta verdade. Jó 42, 10 diz: "E o Senhor o restabeleceu de novo em seu primeiro estado e lhe tornou em dobro tudo quanto tinha possuído".
Deus vai transformar a sua vida, quando você aprender a esperar. Veja os resultados da paciência no versículo 3: Tiro-me de uma cova perigosa, de um poço de lama."

2 - É aquela que deposita confiança integral no Senhor.
"Feliz aquele que confia em Deus, o Senhor" (V.5)
Confiar no próximo hoje em dia se tornou um desafio muito grande. O fato é que nós aprendemos a não confiar em ninguém e por isso, nutrimos em nosso interior uma dificuldade muito grande para confiarmos em Deus também.
Não adianta ficar correndo atrás de soluções rápidas ou procurando alternativas, sejam elas materiais ou espirituais, confiar no Senhor basta! Os que confiam no Senhor são como uma montanha (Sião) eternamente firme" (Salmo 124,1)

3 - É aquela que leva a sério a prática da Palavra de Deus.
"Eu tenho prazer em fazer a tua vontade, ó meu Deus! Guardo a tua lei no meu coração"(V.9)
A fé que funciona não é a que vive em busca de sacrifícios malucos, irresponsáveis e nocivos à saúde, mas que obedece à Palavra de Deus cm naturalidade (conforme versículo 7).
Conhecimento e obediência à Palavra de Deus alimenta a fé que obtém resultados.

4 - É aquela que reconhece as necessidades com humildade. 
"Ó Senhor Deus salva-me! Ajuda-me agora" (V.14)
Ser humilde é uma condição exigida por Deus para se receber qualquer benefício. Declare, hoje, a Deus seus desejos e necessidades como fez o salmista. A humanidade é o caminho mais curto para se chegar ao coração de Deus. Não pense que Deus precise de você ou eu, somos nós que precisamos de Deus. Humilhe-se, isto é, reconheça que tudo vem de Deus e espere d'Ele e você verá a chuva da bondade de Deus sobre a sua vida, casamento, vida profissional e financeira.

Conclusão: A fé não é um objeto que se compra, mas uma convicção paciente. É a confiança irrestrita em Deus, obediência à Palavra e humildade declarada. Faça a prova.

Boa reunião. Que Deus os abençoe!
Pe. Luis Fernando Soares
Paróquia Espírito Santo
São José dos Campos - SP



PERGUNTAS
1) Como a fé tem funcionado em sua vida?
2) Qual dos quatro itens mais te chamou a atenção?

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PELA PALAVRA

MAR E DESERTO
Minha oração hoje é para você que tem andado por desertos de incertezas, de inseguranças, que não vê à frente possibilidades de melhora, de mudança de situação, dado as circunstâncias que se apresentaram, pelas tentativas fracassadas ou se acostumou a colecionar fracassos.
Talvez seja necessário as vezes esse tempo de deserto para aí sim você entender que o mar da misericórdia e amor de Deus não tem largura, não tem altura, muito menos profundidade. 
Somos convidados a experimentar esse amor. Amor que não se explica e se você se der a chance de experimentar, então você será mergulhado nesse mar de encontro consigo mesmo, com a Verdade, com novas possibilidades. 
Um mar onde dá a você uma identidade, identidade perdida, descaracterizada. 


Que pela riqueza da glória, vós sejais fortalecidos em poder pelo seu Espírito no homem interior, que Cristo habite pela fé em vossos corações e que sejais arraigados e fundados no amor.


Com base em Efésios 3, 14-21
Bíblia de Jerusalém 

Marcelo Mattityahu
Filhos Espirituais de Pe. Pio 



By Marcelo Mattityahu

COMO PROCEDER NA TENTAÇÃO [PARTE II]: RESISTIR À TENTAÇÃO


Por Adolph Tanquerey
Esta resistência será diversa conforme a natureza das tentações. Há umas que são frequentes, mas pouco graves. Para essas a melhor tática é o desprezo, como tão bem explica São Francisco de Sales: “Quanto a essas pequenas tentações de vaidade, suspeita, tristeza, ciúme, inveja, afeiçõezinhas e outras semelhantes ninharias, que, como moscas e mosquitos nos andam passando por diante dos olhos, e umas vezes nos picam nas faces, outras no nariz… a melhor resistência que lhes podemos fazer é não nos afligirmos, porque nada disto nos pode causar dano, ainda que nos pode enfadar, contanto que tenhamos firme resolução de querer servir a Deus. Desprezai, pois, estes pequenos assaltos e não vos ponhais nem sequer a considerar o que querem dizer. Deixai-os zunir à roda dos ouvidos, quanto quiserem… como se faz com as moscas.
Aqui ocupamo-nos sobretudo das tentações graves: é preciso combate-las prontamente, energicamente, com constância e humildade.
PRONTAMENTE: Sem discutir com o inimigo, sem hesitação alguma ao princípio, como a tentação não firmou ainda o pé solidamente em nossa alma, é bastante fácil rechaça-la. Se esperarmos que lance raízes na alma, será muito mais difícil. Por conseguinte, nada de parlamentar com o tentador. Associemos a ideia de prazer ilícito a tudo quanto há de mais repugnante, a uma serpente, a um traidor que nos quer apanhar de sobressalto, e lembremo-nos da palavra dos nossos Livros Santos: “Foge dos pecados como da vista duma cobra, porque se te aproximares deles, apoderar-se-ão de ti”. E foge-se orando e aplicando o espírito a qualquer outro assunto.
ENERGICAMENTE: não com moleza e como de má vontade, o que pareceria convidar a tentação a voltar, mas com força e vigor, testemunhando o horror que tal proposição nos causa: “arreda, satanás, vade satana”. É, porém, diversa a tática que se deve empregar segundo o gênero das tentações. Se se trata de prazeres atraentes, é necessário afastar-se e fugir, aplicando fortemente a atenção a um assunto diferente que nos possa absorver o espírito. A resistência direta não faria geralmente senão aumentar o perigo. Se a tentação é repugnância em cumprir o próprio dever, antipatia, ódio, respeito humano, o melhor é, muitas vezes, afrontar a tentação, considerar francamente a dificuldade de rosto e apelar para os princípios da fé, para dela triunfar.
COM CONSTÂNCIA: é que às vezes a tentação, vencida por um instante, volta com novo furor, e o demônio reconduz do deserto sete espíritos piores do que ele. A esta pertinácia do inimigo é mister opor resistência não menos tenaz: quem combate até o fim é que ganha a vitória. Mas então, para haver maior segurança de triunfar, importa dar a conhecer a tentação ao diretor espiritual.
É este o conselho que dão os Santos, em particular Santo Inácio e São Francisco de Sales: “porque notai, diz este último, que a primeira condição que o maligno propõe à alma que quer enganar, é o silêncio, como fazem aqueles que querem seduzir as mulheres e as donzelas, que por entrada proíbem que elas comuniquem as propostas aos pais ou maridos. Pelo contrário, Deus, em suas inspirações, requer sobre todas as coisas que as façamos reconhecer pelos nossos superiores e diretores”. E, na verdade, parece que anda vinculada uma graça especial a esta manifestação da consciência: tentação descoberta é tentação meio vencida.
COM HUMILDADE: é ela, efetivamente, que atrai a graça, e a graça é que nos dá a vitória. O demônio, que pecou por orgulho, foge diante dum ato sincero de humildade, e a tríplice concupiscência, que tira a sua força da soberba, é facilmente vencida, quando por assim dizer, a decapitamos pela humildade.
Da obra “A vida espiritual explicada e comentada”.
https://capelasantoagostinho.com/2018/03/15/como-proceder-na-tentacao-parte-ii-resistir-a-tentacao/

domingo, 15 de julho de 2018

COMO PROCEDER NA TENTAÇÃO [PARTE I]: PREVENIR A TENTAÇÃO

Por Adolph Tanquerey
Para triunfar das tentações e fazê-las servir ao bem espiritual da nossa alma, três coisas principais se devem observar: 1º Prevenir a tentação; 2º Combatê-la vigorosamente; 3º Agradecer a Deus depois da vitória, ou levantar-se após a queda.
Trata-se especificamente de cada um destas três coisas em três postagens distintas. Nesta primeira postagem da série aborda-se a questão de como prevenir a tentação
Prevenir a tentação
Conhecemos o provérbio: Mais vale prevenir que remediar. É também o que aconselha a sabedoria cristã. Quando Cristo Senhor Nosso conduziu os três apóstolos ao jardim da Oliveiras, disse-lhes: “Vigiai e orai, para não entrardes em tentações”(Mt 26, 41). Vigilância e oração, eis pois, os dois grandes meios de prevenir a tentação.
Vigiar é estar de atalaia em torno da própria alma, para não se deixar colher de sobressalto. E é tão fácil sucumbir num momento de surpresa! Esta vigilância implica duas disposições principais: desconfiança de si mesmo e confiança em Deus.
É, pois, necessário evitar a presunção orgulhosa que nos lança para o meio dos perigos, a pretexto de que somos assaz fortes para deles triunfar. Foi o pecado de São Pedro que, no momento em que Jesus predizia a fuga dos apóstolos, exclamava: “Ainda quando sejais para todos uma ocasião de queda, para mim nunca o sereis” (Mc 14,29). Reflitamos, pelo contrário, que aquele que julga estar de pé deve ter cuidado, não vá cair”(ICor 10, 12); porque, se o espírito está pronto, a carne é fraca, e segurança não se encontra senão na desconfiança humilde da própria fraqueza.
Mas devem-se evitar igualmente esses vãos terrores que não fazem senão aumentar o perigo. É bem verdade que somos fracos por nós mesmos, mas invencíveis naquele que nos conforta: “Deus que é fiel não permitirá que sejais tentados mais do que podem as vossas forças. Antes fará que tireis ainda vantagem da mesma tentação, para a poderdes suportar”(ICor 10, 13).
Esta justa desconfiança de nós mesmos faz-nos evitar ocasiões perigosas, tal companhia, tal divertimento, etc., em que a nossa experiência nos mostrou que nos vimos expostos a cair. Combate a ociosidade, que é uma das ocasiões mais perigosas, bem como essa moleza habitual, que afrouxa as energias da vontade e a prepara a todas as capitulações. Tem horror desses fúteis devaneios que povoam a alma de fantasmas que não tardam a tornar-se perigosos. Numa palavra, pratica a mortificação sob as diferentes formas e aplica-se aos deveres de estado, à vida interior e ao apostolado. E, então, no meio desta vida intensa, resta pouco lugar para tentações.
A vigilância deve exercer-se especialmente sobre o ponto fraco da alma, visto ser geralmente desse lado que vem o assalto. Para fortificar esse ponto vulnerável, é lançar mão do exame particular, que por tempo notável concentra a atenção sobre esse defeito, ou melhor ainda sobre a virtude contrária.
À vigilância é preciso ajuntar a oração, que, colocando a Deus do nosso lado, nos torna invencíveis. Afinal, Deus acha-se interessado em nossa vitória, porque é a Ele que o demônio quer atingir em nossa pessoa, é a sua obra que ele quer destruir em nós. Podemos invoca-lo com santa confiança, seguros de que Ele nada mais deseja que socorrer-nos. Contra a tentação é boa toda a oração: vocal ou mental, privada ou pública, sob forma de adoração ou de petição. É bom, sobretudo nas horas de paz, orar para o tempo de tentação. No momento em que esta se apresenta, não há mais tempo senão para elevar rapidamente o coração a Deus, para resistirmos com mais vigor.
Continua em outra postagem com a segunda parte com o tema Resistir à tentação.
Da obra A vida espiritual. Explicada e comentada.