domingo, 26 de agosto de 2018

Liberdade II: Há liberdade sem verdade?

Liberdade e verdade
No texto «Liberdade-I», lembrávamos uma realidade evidente: se o nosso raciocínio, se o nosso modo de pensar na vida e nas coisas da vida, nas escolhas pessoais e nas decisões, é confuso ou errado, como poderemos escolher “bem”?
E muito importante perceber que a falta de lucidez do pensamento é uma doença mortal da liberdade. Pensar mal leva a escolher mal. Mas são poucos os que reconhecem que “não pensam bem”. Acham que se “eles” pensam, que se “isso” é o que “eles pensam”, então está bom! Será? Vamos fazer uma reflexão muito simples.
Podem servir-nos, como referencial, algumas experiências do cotidiano. Um conhecido, por exemplo, conta-nos que resolveu ir com o filho de São Paulo ao Rio de Janeiro: uma viagem-prêmio que o pai prometera (pai sentimental, que premia a mera obrigação) se o filho passasse de ano. Aí temos os dois, mais a mãe e uma irmã, no carro, com o bagageiro atulhado. O rapaz premiado assume o volante. Está ansioso por chegar ao Rio. – “Você conhece a saída de São Paulo para a Via Dutra?”, pergunta-lhe o pai. O moço sorri com ar de suficiência. Nem se digna responder. Claro que sabe! E, ei-lo rodando por um emaranhado de ruas, de mãos e contramãos, de viadutos e elevados. Vai com uma segurança magnífica. Pega atalhos de homem esperto. Até que, duas horas depois, todos percebem que estão indo exatamente em sentido contrário, rumo ao Mato Grosso, na direção Oeste…
Outra experiência, que dispensa comentários, é a dos fracassos e decepções no casamento, que nos cercam, infelizmente, em quantidade quase incontável. Em muitos desses casos lamentáveis, o que houve – além de sérias falhas morais – foi um engano. A pessoa – apesar das observações objetivas de amigos, de colegas, de familiares – empenhou-se em casar-se com fulano ou sicrana. Achava que os outros não a entendiam. Só ela sabia. Até que, passados poucos meses, ou um ano, ou dois, teve que dizer, com a cara coberta de vergonha: “Eu me enganei”, “Eu não sabia”… Agiu com total independência, com absolua “liberdade”, mas sem nenhum conhecimento profundo, sem a base da razão esclarecida, que é imprescindível para se viver a verdadeira liberdade.
A verdade, sangue arterial da liberdade
O Papa João Paulo II não se cansou de insistir em que «o conhecimento da verdade é condição para uma autêntica liberdade» (ver Encíclica Veritatis Splendor, n. 87). Com essas breves palavras, estava dizendo algo de essencial. É óbvio que, se um engano – uma falta de conhecimento da realidade, da verdade das coisas – em assuntos como o casamento ou a profissão, pode ser funesto e até mesmo frustrar a nossa vida, mais ainda nos pode arrasar o erro a respeito dos verdadeiros bens, do verdadeiro ideal, do verdadeiro sentido da nossa vida. Oxalá não sejamos daqueles que só se dão conta de que erraram redondamente quando já estão sem retorno, na velhice ou à beira da morte: “Eu achava”, “Eu não percebi”, “Agora é tarde”…
A liberdade autêntica precisa da verdade, que lhe dá sentido, rumo e firmeza; que é como a estrela que lhe marca o rumo; que a orienta e a potencia para construir e não para destruir. É – dizia alguém – como o sangue arterial para o corpo!
Isso é o que não conseguem entender os que confundem a liberdade com o desejo e a autenticidade com a simples espontaneidade irrefletida. Perdidos num “espontaneísmo” simplório, e num conceito também superficial da liberdade -entendida como livre vazão dos gostos e desejos -, não conseguem se aprofundar, nem conseguem entender aquelas pessoas que são livres de verdade: aqueles que agem movidos por um ideal bem conhecido, por um raciocínio objetivo e sábio, fruto de séria reflexão; os que, por isso mesmo, tomam decisões inteligentes e livres, não atreladas, como a carroça ao jumento, aos estados de ânimo e às oscilações dos desejos.
São Josemaría Escrivá, que amou e defendeu a liberdade com paixão, tem, sobre este tema, umas palavras que vale a pena meditar: «O Amor de Deus marca o caminho da verdade, da justiça e do bem. Quando nos decidimos a responder ao Senhor: a minha liberdade para Ti, ficamos livres de todas as cadeias que nos haviam atado a coisas sem importância, a preocupações ridículas, a ambições mesquinhas. E a liberdade – tesouro incalculável, pérola preciosa que seria triste lançar aos animais – emprega-se inteira em aprender a fazer o bem. Esta é a liberdade gloriosa dos filhos de Deus» ( Amigos de Deus, n. 38).

[Adaptação de um trecho do livro de F. Faus, Autenticidade & Cia]

DEUS QUIS QUE ASSIM SE PROCEDESSE QUANTO AO SACRAMENTO DA CONFISSÃO

Quem manda, faz leis! (Diálogo entre o discípulo e o mestre)

(Discípulo) Padre, tenha a bondade de esclarecer ainda mais alguns pontos. Antes de tudo, a Confissão é mesmo necessária para apagar os pecados?

(Mestre) Sim, a confissão é indispensável. Assim como a água é necessária para lavar as manchas, não podemos lavar e destruir os pecados sem a confissão. Foi estabelecida por Deus, e Jesus Cristo a confirmou.

(Discípulo) Não lhe teria sido possível estabelecer as coisas diferentemente?

(Mestre) Sim, podia tê-lo feito, sendo Ele Deus, mas desde que achou preferível proceder assim, não nos resta senão obedecer. De mais a mais haveria uma maneira mais fácil? Não! Suponhamos que, por exemplo, para cada pecado tivesse ordenado uma esmola grande: quantas não a achariam penosa e impossível? Suponhamos ainda que tivesse estabelecido um jejum; quantos não poderiam ou não quereriam fazê-lo? Suponhamos ainda que tivesse exigido uma longa peregrinação; quantos nesse caso, mesmo querendo, não a poderiam realizar? Mas com a confissão não há nada disso, para quem quer que seja, por qualquer pecado e número de vezes, só é necessária uma coisa: confessar-se a um Ministro, cuja escolha é livre, no modo mais secreto e tudo está perdoado. Ah! diga-me: se a lei humana ou civil agisse da mesma maneira, se bastasse apresentar-se a um juiz e confessar a culpa para receber o perdão, haveria ainda prisões e penitenciárias?

(Discípulo) Absolutamente não! todos se confessariam, mesmo os mais velhacos.

(Mestre) Por que, então, achamos penosa a confissão sacramental?

(Discípulo) Pois seja: mas não bastaria uma confissão feita diretamente a Deus? Quê necessidade há de se, correr ao Sacerdote, pondo-o ao corrente dos nossos interesses?

(Mestre) Quem manda faz leis! Ouça: O Presidente e o governo mandam que paguemos impostos; pois bem, faça uma experiência; vá à capital do país para pagar diretamente ao Presidente e ao Governo. Dir-lhe-iam: vá ter com o nosso encarregado, o coletor e pague a ele, você poderia protestar à vontade que a situação não mudaria. Querem que paguemos, mas ao coletor. O mesmo dá-se com a confissão. Deus perdoa, mas por meio dos seus encarregados, que são os confessores.

(Discípulo) É mesmo! E eu que nunca tinha pensado nisso!

(Mestre) Quanto ao pormos outra pessoa a par dos nossos interesses, tenha paciência, de que negócios se trata nesse caso? Trata-se de pecados e não de interesses. Quando você sente uma forte dor de cabeça ou de dentes será que você, para não pôr ninguém ao par dos seus casos, não corre ao médico ou ao dentista, para se ver livre dela? E quando o acusam será que você não procura um advogado para que o salve de uma condenação?

(Discípulo) Oh! eu corro logo ao médico ou ao advogado e conto tudo; procuro até explicar as coisas direitinho.

(Mestre) Então só no que diz respeito à Confissão, que é segredo impenetrável, divino, é que receamos dar a conhecer os nossos interesses? Ora! Essas são desculpas muito magras que denunciam má vontade!

(Discípulo) Todavia Padre, o senhor deve reconhecer que é duro manifestar misérias…

(Mestre) Reconheço que realmente é bastante duro, porque o nosso amor próprio fica um pouco humilhado, mas devemos pensar que isso é um dever, uma necessidade. E ao médico, será que não se confessam certas misérias?

(Discípulo) Ah! contanto que ele nos cure…

(Mestre) Pois bem, ou queremos receber a graça e voltar a ser filhos de Deus, ou queremos ficar sendo filhos do demônio, escravos do inferno: não há outra saída, e para nos conseguirmos livrar é indispensável que nos confessemos, sem o que não pode haver nem paz, nem perdão, nem Paraíso. Quem manda faz leis. Eis a prova dos fatos. São Bento conta nas suas crônicas que um religioso chamado Pelágio, tendo por infelicidade cometido um pecado grave na mocidade, deliberou não o confessar. Passava assim os meses e os anos numa aflição enorme, atormentado sempre pelo remorso. Um peregrino, passando por lá, disse-lhe como se Deus o iluminasse: “Pelágio, confessa-te; Deus conceder-te-á o perdão e terás sossego”. Mas ele teimou em não falar, e iludindo-se que poderia obter o perdão sem a confissão, resolveu fazer grandes penitencias. Entrou num convento; e ali pela humildade, pela obediência, pelos jejuns e mortificações, conquistou a admiração de todos, e foi sepultado com muito pesar nos túmulos da Igreja, conforme o hábito da época. Na manhã seguinte o Sacristão achou o corpo em cima do túmulo e o enterrou de novo. Mas, também nos dias que se seguiram, achou-o novamente fora da sepultura. Avisou então o abade: este correu para junto do cadáver com os outros monges, e disse:
— Pelágio, foste sempre obediente em vida, obedece também depois da morte. Dize-me, estás por acaso no purgatório? Tens necessidade de sufrágios ou é desejo divino que sejas posto num lugar mais digno?
— Ai de mim! Eu estou no inferno por causa de um pecado omitido desde muitos anos e pelo qual esperava obter misericórdia por outros meios. Tirem-me daqui, e enterre-me em campo aberto, como um jumento.
Conta-se que uma freira, tendo cometido um pecado desde sete anos, nunca o quis confessar, na esperança de alcançar o perdão igualmente. Para esse fim, fechou-se em um convento e se tornou religiosa. Devido à sua vida austera e a prática de todas as virtudes, foi eleita abadessa, cargo que desempenhou com escrúpulo exemplar. Mas, depois de morta apareceu às religiosas, toda rodeada de chamas, e, gritando desesperadamente dizia: “Não rezem por mim que estou condenada por causa de um pecado que nunca confessei desde “sete anos”.

(Discípulo) Pobres! e uma só palavra na confissão teria chegado para os tornar felizes, não é Padre?

(Mestre) Justamente! e dessa maneira vivem num inferno quando em vida, e vão para ele depois de mortos. E no entanto, creia-me, não é pequeno o número desses infelizes que não querem convencer-se de que, para eliminar os pecados é indispensável a confissão, da qual, além disso, o coração sente necessidade.

(Discípulo) Como é que o coração sente necessidade dela?

(Mestre) Vou prová-lo. Não há muito, os jornais da Itália divulgavam a notícia de que um sapateiro da cidade de Bassano, no Vêneto, num ímpeto de cólera tinha arremessado um ferro contra um netinho de poucos anos, matando-o. Apavorado, escondeu o cadáver, e, durante a noite, foi enterrá-lo num bosque. Por muitos dias procuraram o pequeno desaparecido, cada qual fazia as mais estranhas conjeturas, mas nem pensavam no sapateiro, cujo crime ninguém presenciara.
Podia, pois ficar tranquilo e sossegado e viver alegremente. Mas, no entanto, desde o dia fatal, não cantou mais as suas alegres canções, não bateu mais o martelo com ânimo, se tornou triste e pensativo. Vendeu a casa, os apetrechos da profissão e fugiu para a América. Lá estava completamente salvo; podia, pois esquecer tudo e ser feliz. Qual nada! Depois de dois anos voltou, apresentou-se diretamente ao juiz e confessou o crime. A justiça indagou, procuraram-se no bosque os míseros restos da vítima, fez se o processo. Antes de pronunciar a sentença que o condenaria definitivamente, o juiz virou-se para o assassino e perguntou:
— Diga-me, ó desgraçado, como é que o senhor, que tinha enganado a todos e podia ficar sossegado na América, vem entregar-se à justiça e obrigar-nos a condená-lo?
— Senhor juiz, respondeu o réu, não é verdade que enganei a todos. Só enganei aos homens, o mesmo não se deu com Deus. Desde aquele dia não tive mais sossego, a sombra do menino perturba-me o sono, vejo sempre a minha mão escorrendo sangue. Condene-me à prisão, condene-me à morte, mas que esta vida de remorso acabe para sempre. O coitado tinha tomado o caminho errado, se, em lugar de ter tomado o rumo da América, do tribunal, do cárcere, da desonra, tivesse corrido aos pés do confessor, ah! não teria visto a sombra de sua vítima, nem a mão pingando sangue; mas, recebendo a absolvição, teria tranquilizado incontinente a consciência.

(Discípulo) É verdade, Padre; a Confissão é uma necessidade do coração.

(Mestre) Tanto melhor para nós se nos servirmos dela em todas as ocasiões para qualquer eventualidade. Quando um espinho se nos enterra no pé ou quando um cisco nos entra nos olhos, não achamos mais sossego enquanto não nos livrarmos do espinho ou do grãozinho de pó. O mesmo se dá com o pecado; não nos deixa em paz enquanto não o extirparmos com a confissão. Deus assim o quis e quem manda, faz leis!

(Discípulo) Como deve ser consolador o perdão de Deus depois de anos e anos de remorsos, não padre?

(Mestre) Ah, sim! e nenhuma alegria no mundo se lhe pode comparar. A confissão, além de ser uma necessidade do coração, é ainda o maior consolo das almas aflitas. O fato seguinte bem o demonstra:
O Padre Bridaine, grande missionário francês, pregava durante as missões, numa cidade dos Alpes. Um velho oficial da cavalaria foi ouvi-lo por curiosidade, porque já ouvira falar naquele orador famoso. Deus quis, que, naquela noite, o Missionário falasse justamente na necessidade da confissão. A palavra simples, mas quente e persuasiva do servo de Deus, penetrou até o coração do militar, que resolveu confessar-se. De fato, foi à sacristia, atirou-se aos pés do Padre Bridaine que o acolheu com bondade e amor. Depois de feita a confissão levantou-se, e beijando a mão do Padre, exclamou bem alto, para que todos o ouvissem: “Sinceramente, na minha vida nunca senti tamanha consolação e nem uma alegria tão grande como agora que tenho comigo a graça de Deus. Acho que nem o próprio rei, que sirvo há trinta anos pode ser mais feliz do que eu!”. As palavras que o velho oficial francês pronunciou, poderiam pronunciá-las todos os que, depois de vencidas todas as dificuldades, vão confessar-se, e se confessam bem. Aqui também não é demais repetir: Quem manda, faz leis, mas as leis de Deus são tão doces e suaves!
(Da obra Confessai-vos bem, do Pe. Luiz Chiavarino)

Liberdade III: A liberdade algemada

Querer e não poder
«O Amor de Deus marca o caminho da verdade, da justiça e do bem. Quando nos decidimos a responder ao Senhor: A minha liberdade para Ti, ficamos livres de todas as cadeias que nos haviam atado a coisas sem importância, a preocupações ridículas, a ambições mesquinhas. E a liberdade – tesouro incalculável, pérola preciosa que seria triste lançar aos animais – emprega-se inteira em aprender a fazer o bem. Esta é a liberdade gloriosa dos filhos de Deus» ( Amigos de Deus, n. 38).
Essas palavras de São Josemaria Escrivá, com as quais terminávamos o comentário de «Liberdade:II- Há liberdade sem verdade?», fazem lembrar um conhecido episódio das Viagens de Gulliver, que nos introduzirá na reflexão sobre outra doença da liberdade (Ver «Liberdade: I- Entender a liberdade»).
O protagonista do famoso romance de Jonathan Swift, após ter naufragado nos mares do Sul, arriba a nado a uma terra desconhecida. Exausto, deita-se na relva e, passadas nove horas, ao acordar – como ele mesmo narra – «tentei levantar-me, mas em vão o fiz. Vi-me deitado de costas, notando também que as pernas e os braços estavam presos ao chão, assim como os cabelos. Observei então que muitos cordões delgadíssimos me rodeavam o corpo, dos sovacos às coxas. Só podia olhar para cima».
Não tardou em descobrir que, enquanto dormia, os minúsculos habitantes daquele país, a terra de Líliput, o haviam amarrado com finíssimos, mas sólidos cordões a uma multidão de estacas fincadas na terra. Mesmo fazendo força, não podia libertar-se.
Gulliver amarrado em Líliput é todo um símbolo. Pois é o verdadeiro retrato de muitos rapazes e moças – e adultos! -, que se julgam livres porque não estão mais condicionados ou amarrados por papai, por mamãe nem por ninguém, mas que, na realidade, estão presos por inúmeros fios que eles mesmos fabricaram.
Esses falsos-livres, enquanto se ufanam da sua total independência de idéias e de movimentos, não percebem que centenas de “liliputianos” invisíveis, nascidos da sua falta de caráter, lhes estão amarrando, dia após dia, a cabeça, o coração e a vontade. Parecem livres – libérrimos -, mas são prisioneiros, porque estão atados pelas cordas das suas fraquezas, vícios e defeitos.
Cabeça “presa”
Começam por ter a cabeça presa, porque as poucas idéias que possuem estão acorrentadas às modas, ao que está em voga no ambiente, ao que pensa a cabeça dos outros. – É moda fumar maconha? – Ele fuma. – É moda beber nas festas até cair no chão? – Ela se embriaga. – É moda rir da religião? – Ele ri. – É moda acreditar na reencarnação? – Ela acredita. – É moda o rock satânico? – Ele blasfema e faz que adora Lúcifer. – É moda ir praticamente sem roupa? – Ela vai. A moda os escravizou, a ele e a ela, e são incapazes de pensar e agir com liberdade.
Esses subprodutos do ambiente, essas cabeças de fantoche, movidas pelos cordéis do meio ambiente, não são livres.
Como também não são livres os cristãos sem doutrina, que desconhecem até o catecismo elementar das criancinhas e nem sabem que os Evangelhos são quatro e, no entanto, pontificam com arrogância sobre temas de religião e Igreja, sem perceber que estão algemados pela sua ignorância.
Falta-lhes a todos, como facilmente se percebe, o que é a base primordial do ato livre: a razão madura, o conhecimento da verdade (Ver«Liberdade: -II).
Vontade e coração “presos”
Mas há também outros “liliputianos” invisíveis – defeitos nossos, igualmente – que amarram a vontade e o coração. Para pôr um exemplo corriqueiro, comum, não é raro que alguns digam: “Eu faço o que quero. Acordo quando quiser, não quero que me batam à porta, não me venham com bitolações de pontualidade e horas certinhas de acordar”. Dizem isso e não reparam que um “liliputiano” chamado preguiça já há muito tempo que os tem amarrados com cordões de aço, de maneira que seriam mais sinceros se dissessem: “Eu só consigo acordar quando a preguiça me dá licença; ela me mantém prisioneiro, escraviza-me, não posso acordar quando a inteligência me indica que deveria fazê-lo, nem quando a vontade desejaria; só quando a preguiça consente”.
A mesma coisa poderia dizer-se de inúmeras “liberdades” de que jovens e velhos se gabam. “Liberdade sexual! Nada de restrições moralistas!” – “Liberdade? – poderíamos retrucar -. Seja sincero. Você está tão dominado pelo egoísmo sexual como outros o estão pela droga. Você não é livre! Você é uma pobre marionete dos seus instintos e das suas paixões! Não faz o que quer, mas o que não consegue deixar de fazer. Faz tempo que já não é dono do seu sexo, mas seu escravo”.
Tal outra pessoa é escrava da gula: nunca consegue fazer o regime de alimentação que lhe convém, nem é capaz de deixar de beliscar um prato na copa, nem de assaltar a geladeira fora de horas, nem de comprar constantemente chocolate, balas, chiclete, biscoitos, sorvete por quilo, etc., etc.
Uma outra pessoa – pode ser a mesma, pois não há muitos especialistas de um só vício – nunca chega pontualmente a nada. Atrasa-se na escola, atrasa-se no trabalho, atrasa-se no médico, atrasa-se na excursão, atrasa-se na visita à casa do amigo ou da amiga; atrasa o estudo, atrasa as tarefas, atrasa pôr em ordem os documentos… Uns “liliputianos” chamados moleza e desordem (irmãos gêmeos da preguiça) a trazem dominada e a puxam pela coleira como se fosse um cachorrinho.
Tal outra pessoa está dominada pela vaidade. Não consegue agir livremente, com simplicidade. Tudo nela é artificial, “dependente” do que os outros vão pensar, vão comentar entre si, vão criticar. É escrava da “imagem” que quer apresentar aos outros. E essa enervante dependência acaba sendo como que um choque elétrico constante, que lhe paralisa a liberdade.
Tal outra pessoa – último exemplo – está tão voltada para si mesma, tão apegada aos seus planos, que não consegue sair deles para ajudar a quem lhe pede uma mão, para gastar um tempo cuidando de um doente em casa, para prestar um serviço necessário aos colegas. Fechada em si mesma, amarrada pelo “eu”, deixou de ser livre para amar.
Os exemplos poderiam multiplicar-se até ao infinito. Tentemos examinar-nos sinceramente a nós mesmos, procurando descobrir que cordões nos amarram. Veremos tantos! Descobriremos que estamos envolvidos por uma malha, uma teia, espessa e pegajosa, tecida por uma aranha chamada egoísmo, que é preciso romper.
“A liberdade – diz o Papa João Paulo II – necessita de ser libertada” (Encíclica Veritatis splendor, n. 86). Para sermos livres, precisamos cortar as amarras. E a tesoura que corta os fios chama-se mortificação.
Cortando os Fios
Víamos que a teia de fios finos e fortes que nos envolve é tecida, no fim das contas, pela aranha do nosso egoísmo, com seus múltiplos tentáculos. A única maneira de vencermos o egoísmo é dizer-lhe não.
Sem a negação dos impulsos egoístas, não pode haver afirmação da bondade e do amor que, livremente, nós desejamos. Sem o esforço e o treinamento da mortificação – do autodomínio, praticado com renúncias e sacrifícios -, poderemos querer, mas não vamos poder fazer.
Mais uma vez fica claro que a atitude autêntica não é a do “espontaneísmo” – ir tocando a vida, sem negar nada aos impulsos, desejos e caprichos -, mas a do ideal na cabeça, secundado por uma vontade libertada de amarras (Ver «Liberdade -II»).
Mortificação, sim. Mas, qual? São necessárias muitas, em geral: mortificações pequenas e constantes. Por exemplo:
* Dizer não a detalhes de gula: mais esse chocolate, não; mais esse copo de cerveja, não!
* Dizer não à preguiça que nos faz atrasar, com desculpas esfarrapadas, um dever ou um compromisso (profissional, religioso, familiar), ou nos sugere levantar-nos da mesa de trabalho antes de termos terminado o estudo ou a tarefa começada.
* Dizer não ao egoísmo que nos leva a fazer-nos de surdos quando o pai, a mãe, um irmão, um colega, um amigo, precisam da nossa colaboração.
* Dizer não ao amor-próprio que ferve, querendo retrucar com ira a uma indelicadeza, ou que não quer desistir de uma pequena vingança.
* Dizer não à tentação de sensualidade egoísta, que quer olhar todas as baixarias – nas bancas de jornal, na televisão, na Internet -, que só nos degradam.
* Dizer não à vontade de mexericar, de criticar, de meter a colher numa conversa onde se fala mal dos outros.
* E muitos outros não, que devemos ter a coragem de dizer a tudo aquilo que é falso e errado, para poder dizer sim ao bem e à verdade.
João Paulo II, depois de dizer que a liberdade tem que ser libertada, acrescenta: “Cristo é o seu libertador”.
O cristão com as características do homem ou da mulher autenticamente livres que estamos descrevendo, entende perfeitamente essa breve frase. É junto de Cristo, e com a graça dEle – sem a qual não teríamos a força de que necessitamos (cf. Jo 15, 5) -, que aprendemos a descobrir a verdade, a escolher com autenticidade e a mortificar-nos com generosidade, a fim de podermos correr livremente pela estrada do amor e do bem.

[Adaptação de um trecho do livro de F.Faus: Autenticidade & Cia]

domingo, 19 de agosto de 2018

Quando duas almas do purgatório apareceram ao Padre Pio

SAINT PADRE PIO

Sua Missa nunca mais será a mesma depois de ler isso

Padre Pio não perdia oportunidade para interceder em favor das almas do purgatório, seja durante a Missa como em outros momentos.
É preciso reconhecer que as almas do purgatório não eram indiferentes a tais orações, segundo foi contado por dois frades que, vendo padre Pio levantar-se da mesa enquanto almoçavam, seguiram-no curiosos até o portão de ingresso do convento.
Ali chegando, o padre parou e começou a falar com alguém que aos irmãos era invisível.
Surpresos diante do que estava acontecendo, eles se aproximaram, questionando-se se ele estaria com alguma confusão mental.
Mas padre Pio, com um sorriso, explicou:
– Oh, não se preocupem! Estou falando com algumas almas que, no seu caminho do purgatório ao céu, pararam aqui para me agradecer porque esta manhã lembrei-me delas durante a santa Missa.
(Do livro “Padre Pio: o mistério do Deus próximo”)

Em busca da paz de espírito? Identifique os 10 maiores “ladrões” de energia

WOMAN TAKING TIME

Estes problemas tratáveis podem estar te arrastando para baixo

Olhamos para o horizonte e tudo parece difícil. Olhamos ao nosso redor e vemos o copo meio vazio ao invés de ver o copo meio cheio. Nós olhamos para o passado e sentimos uma nostalgia por um tempo que parecia melhor do que hoje…
A desesperança e a falta de visão positiva são sintomas de desânimo.
Às vezes é por causa de problemas físicos ou psicológicos (hipertireoidismo, anemia, exaustão devido ao estresse, insônia, depressão…). Se você se identificar com qualquer um desses sintomas, é melhor visitar um médico para descobrir o que está acontecendo no seu corpo e encontrar um remédio.
Mas, outras vezes, não há nada aparentemente errado e ainda assim você se sente certo de que você não é “você mesmo”.
Temos que levar em conta que a passagem do tempo nos muda e, à medida que os anos passam, não conseguiremos alcançar as mesmas coisas (embora isso não tenha que nos impedir de alcançar objetivos mais valiosos). Mas, se nossas avaliações de saúde física e psicológica nos dizem que tudo está bem, valeria a pena procurar outros motivos pelos quais os nossos motores não funcionam em plena capacidade. Talvez haja algo que nos faça perder a energia, alguma rachadura ou fissura que está drenando nossa força.
O Dalai Lama escreveu sobre os 10 “ladrões de energia”. Por que não dar uma olhada em sua lista e ver se algum desses pode estar na sua vida?
  1. Pessoas tóxicas
“Evite pessoas que só vêm para compartilhar reclamações, problemas, histórias desastrosas, medo e julgamento dos outros. Se alguém está procurando um barco para levar seu lixo, não ofereça a sua mente”.
Existem mais de 7 bilhões de pessoas no mundo. Por que tenho que me conformar em ter alguém do meu lado que me torna uma pessoa pior? Quando dizemos “pessoas tóxicas”, estamos nos referindo a amizades ruins que envenenam nossa atmosfera familiar, que semeiam discórdia no trabalho e em outros relacionamentos. Retire essas pessoas da sua vida e proteja os outros dessa má influência.
  1. Dívidas
“Pague suas contas a tempo. Ao mesmo tempo, cobre quem te deve ou escolha deixar para lá, se já for impossível cobrar”.
Viver em justiça é repousante e traz paz. Na medida em que é possível para você, atenda suas obrigações pendentes imediatamente. E não só isso, você pode ir mais longe e ser proativo em conseguir que quem te deve devolva o que eles devem.
Se você quer ser ainda mais virtuoso, faça algo generoso e perdoe a dívida. Você verá como virar a página dá asas ao seu espírito. Mas quando você tem uma dívida pendurada em seus ombros (e não apenas no âmbito financeiro), ela pesa sua consciência e torna mais difícil para você tomar decisões. 
  1. Não cumprir suas promessas
“Se não cumpriu suas promessas, pergunte-se por que encontrou resistência. Você tem sempre direito de mudar de opinião, de se desculpar, de compensar, de renegociar e de oferecer alternativa perante uma promessa não cumprida. A forma mais fácil de evitar não cumprir com algo que você não quer fazer é dizer NÃO desde o início”.
Para se livrar desse ladrão, é melhor fazer uma lista das promessas que fizemos. Seja qual for o tamanho delas. Não se trata de verificar suas promessas agora para se livrar de todas elas, mas de classificá-las por importância: algumas são para toda a vida, enquanto outras são boas intenções que nos levaram a prometer a lua quando fomos levados por um sentimento de generosidade.
Bem, temos que ser humildes e reconhecer o que realmente podemos fazer e superar as promessas que não podemos manter.
  1. Não prestar atenção aos seus interesses
“Elimine o que for possível, delegue aquelas tarefas que você prefere não fazer, e dedique seu tempo a fazer as coisas que gosta”.
Temos de interpretar prudentemente este conselho – não significa que podemos ser irresponsáveis. Trata-se de dar protagonismo a pessoas que podem fazer certas coisas melhor do que nós, saber como delegar e estabelecer uma hierarquia de valores para decidir o que vem primeiro e o que vem em segundo lugar.
  1. Não descansar e agir nos momentos apropriados
“Dê-se permissão para descansar se estiver em um momento no qual necessita e dê-se permissão para agir se estiver em um momento de oportunidade”.
Você certamente teve a oportunidade de ver esse ponto para você mesmo. O corpo é a ferramenta da nossa vida, um elemento essencial para fazer o que propomos fazer. Temos que tratá-lo bem.
Você pode imaginar como um mecânico de Fórmula 1 age? Bem, isso deve acontecer conosco também: vigilante, atento, a fim de soar o alerta se houver uma falha no sistema. Não temos que ir ao extremo de sermos hipocondríacos ou sentir medos ou caprichos exagerados. Mas temos que descansar, dormir quando é hora de dormir, dar uma volta, passear, mudar o que estamos fazendo, sair de férias…
  1. Desordem
“Tire, arrume e organize. Nada te toma mais energia do que um espaço desordenado e cheio de coisas do passado de que você já não precisa”.
Após a mania organizadora que Marie Kondo trouxe para nós, é claro que nos beneficiamos em estabelecer ordem material e espiritual: uma hierarquia de valores, prioridades em ação, harmonia nos materiais que usamos… Os antigos mestres disseram bem: mantenha a ordem e a ordem irá mantê-lo.
Não há nada melhor para uma memória ruim do que deixar as coisas no seu lugar certo o tempo todo, certo? A maneira mais rápida de manter um lugar em ordem é nunca deixar que ele se torne fora de ordem.
  1. Não cuidar da sua saúde
“Dê prioridade à sua saúde. Sem o seu corpo trabalhando ao máximo, você não pode fazer muito. Tire alguns momentos para descansar”.
Em geral, leve-se a sério. Seu corpo é um bem ambiental de primeira ordem. O sacrifício deve ser sempre proporcional.
  1. Situações difíceis
“Enfrente as situações tóxicas que você está tolerando, desde resgatar um amigo ou um familiar, até tolerar ações negativas de um companheiro ou um grupo. Tome a ação necessária”.
Quando falamos de situações difíceis, estamos nos referindo a situações que nunca deveríamos ter permitido, porque são injustas ou estão erradas em si mesmas. Saia da espiral de violência ou negatividade. Procure conselhos e tome medidas para mudar o panorama.
  1. Não aceitar
“Aceite. Não é resignação, mas nada te faz perder mais energia do que resistir e brigar contra uma situação que você não pode mudar”.
Às vezes podemos nos preocupar com algo que pode mudar um dia. Mas quando enfrentamos algo que não podemos mudar, precisamos de uma atitude diferente. Nós apenas temos que viver com isso. Não enfrente a onda; tente navegar. Não é fácil, nem pode ser resolvido em alguns dias, mas você pode superá-lo: sofrer pela morte de um ente querido, uma perda, um fracasso…
  1. Não perdoar
“Perdoe. Deixe ir uma situação que esteja causando dor. Você pode sempre escolher deixar a dor ir embora”.
Você saberá a medida do seu amor. O perdão exige uma mudança no coração, uma vontade de querer mudar você mesmo. Se você não perdoa, é você quem perde, porque no seu coração ficará o rancor, a ferida. Perdoar é o ato mais reparador que existe. Somente grandes almas sabem como perdoar do fundo do coração. E isso é verdadeiramente uma arte.

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Os 10 passos da oração carmelitana

Teenagers praying

"Se todos os dias formos fiéis a este caminho de oração, em pouco tempo a nossa vida será transformada e comprometida"

O caminho do método da oração carmelitana é o mais simples de todos:
A oração é um íntimo diálogo de amor com Aquele que sabemos que nos ama” (Santa Teresa)
Um olhar lançado para o céu, um desabafo do coração” (Santa Teresinha)
Procurai lendo e encontrareis meditando; batei orando e abrir-se-vos-á contemplando” (São João da Cruz).

Os 10 passos da oração carmelitana

1- Uma “determinada determinação” de rezar

Decidir-se a rezar todos os dias, em todos os momentos; determinar um tempo para a oração diária, para “estar a sós com Aquele que sabemos que nos ama”. Não desistir.

2 – Preparação remota

Criar um ambiente externo de “silêncio e recolhimento” e um ambiente interior: “presença de Deus, atenção aos sinais dos tempos e dos lugares que nos falem de Deus”, para saber reconhecer Deus que nos visita.

3 – Preparação próxima

Um pouco antes da oração, desligar-nos de tudo o que pode nos perturbar, preocupar. Todo encontro que é amor se prepara com antecedência e se deixa tudo por ele. Saber dar espaço para que Deus bata à nossa porta. Ele quer entrar e estar conosco no nosso “castelo interior”.

4 – Presença de Deus

É o momento importante quando, invocando o Espírito Santo, nos dispomos a rezar. Reza-se rezando. É o Espírito Santo o mestre da nossa oração: deixe que Ele reze em você. Invocar o Senhor.

5 – Leitura meditativa

É sempre bom se ajudar, quando o coração está árido, com uma leitura: preferencialmente da Bíblia, mas pode ser de qualquer outro livro espiritual católico. Santa Teresa sempre levava um livro na sua oração. Ler “lenta-atenta-amorosamente” para saborear a palavra de Deus.

6 – Meditação

Refletir e aplicar à nossa vida a palavra lida. Um trabalho da mente muito importante. Deus nos fala e quer que nós compreendamos a Sua palavra de amor. É sempre importante escolher um tema para meditar. A improvisação em nenhuma coisa é boa.

7 – Diálogo afetivo ou amoroso

Coração da meditação carmelitana”: deixar expandir o coração, falar com Deus a partir da vida, do cotidiano, não ter pressa, não ter medo, dizer ao Senhor que nos ama tudo o que se passa em nosso coração. É o face a face. É o deixar-se amar por Ele.

8 – Compromisso

Todo encontro oracional deve ser confirmado, consagrado num compromisso concreto, viável, que fecunde a nossa vida e nos torne sinais verdadeiros da presença de Deus. Evitar compromisso teórico e barato. O que hoje quero fazer a partir da minha meditação?

9 – Agradecimento

Depois de todo encontro de amor, de amizade, sentimos a necessidade de agradecer. Podemos agradecer com o coração, com as nossas palavras ou com textos que nos façam bem: “Magnificat, Pai-nosso…”.

10 – Volta ao trabalho

De coração novo, com empenho e compromisso. Depois da oração não estamos mais sozinhos. Deus vai conosco, as três Pessoas da Trindade trabalham conosco. É vida nova, é paz, compromisso, amor concreto.
Se todos os dias formos fiéis a este caminho de oração, em pouco tempo a nossa vida será transformada e comprometida.
Na realidade, a oração é um descanso, um repouso. É aproximar-se com toda a simplicidade daquele que se ama. É permanecer junto a Ele como um filhinho nos braços de sua mãe, num abandono do coração” (Beata Elizabete da Trindade).
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A partir de texto do frei Patrício Sciadini, ocd – Centro Teresiano de Espiritualidade, via Franciscanos.org

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Conselhos e oração de São Boaventura para pedir a proteção de Maria contra o mal

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Os escritos de São Boaventura foram utilizados pelos Papa Pio XII na instituição do dogma da Assunção de Nossa Senhora ao céu

São Boaventura (1274) foi o quinto ministro geral da Ordem Franciscana. Tinha um grande amor e devoção a Virgem Maria e era convencido de que Deus preservou Maria Santíssima da violação do pudor e garantiu sua integridade virginal da concepção ao parto, não permitindo que seu corpo de desintegrasse. 
Foram tantos os seus escritos sobre o tema que o santo é, inclusive, citado na constituição apostólica Munificentissimus Deus. Vale lembrar que foi neste documento que o Papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção de Maria ao céu.
Recordemos este grande amor de São Boaventura pela Virgem Maria com estes conselhos e uma pequena oração:
“Em todo tempo, tenha uma grande e amorosa veneração à gloriosa Rainha, Mãe de Nosso Senhor. Em todas as suas necessidades e em todas os seus sofrimentos, recorra a Ela como ao mais seguro dos refúgios, implorando proteção. Tenha-a como advogada e entregue-lhe, com devoção e confiança, a sua vida, pois ela é a Mãe de misericórdia. Ofereça-lhe todo dia um testemunho especial de veneração. E, para que sua devoção seja acolhida favoravelmente e seus obséquios lhe sejam agradáveis, imite a pureza da Mãe, conservando puros o seu corpo e sua alma e esforçando-se para seguir os passos dela através da humildade e da mansidão”.
Oração 
Rainha dos Céus, vós que, em virtude de vossa prerrogativa de Mãe Deus, podeis ordenar as autoridades do inferno, impedi os demônios de causar-nos o menor dano, e fazei que os anjos nos protejam e nos preservem de todo mal e perigo. Amém.